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março 03, 2018

CP, o paradigma da implosão, ou a falta de Visão Estratégica e Integrada dos Políticos.

mapa das ligações ferroviárias em 1985
...este é dos que se pudesse encolhia-se todo para meter-se dentro do coco...

Existe uma forma de apanhar um inteligente macaco sem lhe desferir qualquer golpe, ou de usar sequer uma rede, ou zarabatana anestesiante.
Basta tão só privá-lo da mais simples noção de prioridades posto diante do império da gula.
Num coco vazio abre-se um pequeno furo por onde se prende o coco a uma árvore através de um forte arame. Na face oposta faz-se outro furo, desta feita um pouco maior de forma a caber lá uma mão se os dedos estiverem todos esticados. Por fim põe-se uma guloseima  no interior do coco e espera-se que o macaco descubra o tesouro.
O que se segue é dramático e hilariante ao mesmo tempo. O macaco, desejoso , mete a mão no orifício, apanha a guloseima. Só que agora, a mão fechada não passa pelo buraco. Ele esperneia, desespera, grita, puxa... mas nem por um instante  tem a lembrança simples que apenas consistiria em abrir a mão e sair daquele filme onde fatalmente, depois de exausto, é capturado.

A saga da aventura ferroviária em Portugal passa por algo que a história do macaco preso pela gula metaforiza na perfeição.
Se atendermos aos mapas de caminhos de ferro num intervalo de tempo de cinquenta anos poderemos ver como a par do incremento das rodovias, as ligações por comboio foram sucessivamente desaparecendo.
mapa actual ferroviário
Longe de uma política de complementaridade dos diversos meios de transporte, as forças dominantes, presas por uma espécie de deslumbramento de novo-rico, tudo apostaram nas rodovias, descurando as necessidades das populações, o valor económico global dos meios ferroviários face ao meio de transporte rodoviários.
Porque sim, dão prejuízo, mas muito menos do que a factura da importação de combustível para o carros.
Está-se agora no ponto da mão agarrada ao doce: o desenvolvimento económico exige desde há anos um investimento contínuo  na forma mas barata de transporte.
A falta deste obriga ao abuso da rodovia, muito menos económico, obrigando a grandes importações de combustível. Sem querer largar mão da rodovia, onde nos estradas mais interiores também já deixou de investir, é preciso agora e de forma imperiosa investir muito mais na ferrovia. O resultado é a concentração de alguns investimentos e o descurar ainda mais das urgentes intervenções, algumas aguardando já décadas.
O macaco cansado não larga a presa que o prende.
Pior é que este é dos que se pudesse encolhia-se todo para meter-se dentro do coco.
Encolhia-se todo, implodia. E temos assim um país à boleia da implosão, cada vez mais litoral e concentrado, receita para o desastre.
O que alguém quis fazer em tempos foi considerado um "despesismo". E continuamos assim, presos aos macacos...

Publicado por Charlie

abril 17, 2014

O massacre do Colmeal

...Os que resistiram foram passados pelo fogo da metralha, mortos e as casas incendiadas...


Escombros da antiga aldeia do Colmeal
A história relativamente recente da aldeia do Colmeal, - hoje fantasma, situada na zona de Figueira de Castelo Rodrigo, no sopé da  Serra da Marofa, fundada por imemoriais povos, tão distantes quanto a medida em milénios antes de Cristo pode atestar e que a recente descoberta de pinturas rupestres confirma-, pode ser vista como uma metáfora terrível sobre o mecanismo da “dívida” e logo da “culpa”, temas de total e absoluta actualidade.
Ao termo "massacre" utilizado no título do post cabe todo o significado literal.
É da História que as sucessivas invasões provocam a reacção dos invadidos, a resistência à ocupação das terras que lhes pertencem, confrontos violentos e massacres dos vencidos.
Por diversas vezes foi a aldeia do Colmeal assim como as outras aldeias trespassada pelas hordas. Já em período de ocupação nacional, conheceu “doações” sucessiva a ordens e nobres, obrigando assim os que consideravam as terras suas, a ter que pagar tributos aos “senhores das terras”. As sucessivas deambulações de títulos de propriedade passaram pelas mãos dos ilustres Cabrais, família do descobridor oficial do Brasil, Pedro Álvares Cabral que teria inclusivamente nascido na aldeia. Em 1540 D. Afonso V deu-lhe carta de Couto e já era então senhor da povoação João Gouveia.
As sucessivas mudanças ao longo dos séculos- e que seria fastidioso enumerar- culminam na situação que de forma particular nos interessa e que tem no ano de 1957 o palco dos acontecimentos dramáticos.
Estava-se em pleno Estado Novo sob o regime político do fascismo nacional. Há muito que se tinha abolido o sistema feudal, não havia senhores da terra. Agora havia proprietários e arrendatários intermediados por feitores e rendeiros.
Mas no dia sete de Julho, pelas dez da manhã, um destacamento de vinte e cinco militares da GNR comandados por três oficiais, fortemente armado, fez cumprir uma ordem judicial e despejou pela força os habitantes das casas que há séculos lhes pertenciam. Os mais prevenidos fugiram para os montes e povoações nos arredores. Os que resistiram foram passados pelo fogo da metralha, mortos e as casas incendiadas. Uma pequena comunidade com pouco mais do que sessenta pessoas, mas com milénios de existência, foi num espaço de horas reduzida a nada.
Como foi possível isto acontecer?
Em 1912, findos os foros, as terras passaram a pertencer por escritura a uma herdeira dos Condes de Belmonte.  Quis a desgraça que nos anos cinquenta desse Século a então proprietária tivesse conseguido
Igreja do Colmeal.
modificar, com a ajuda de um ardiloso advogado sem escrúpulos, de nome Manuel Vilhena, o estatuto da povoação que passou assim pelos seus artifícios,  de aldeia para quinta privada.
As casas da aldeia, secularmente propriedade dos seus habitantes, passaram a pertencer a Rosa Cunha e Silva a qual cedeu a exploração da sua "propriedade"  a um rendeiro que passou a cobrar ao aldeões  segundo as velhas regras dos antigos forais e sesmarias, exigindo rendas e impostos sobre todos os bens, casas, vacas, galinhas, burros etc. que os aldeões possuiam. Não será necessário insistir em que dos parcos rendimentos que das suas posses provinham, pouco mais do que a subsistência básica poderiam garantir, mas os aldeões postos perante as constantes subidas exigidas pelo rendeiro, passaram a ter que solucionar o grave problema de não terem rendimentos para  fazer face a uma repentina "dívida", espoletando as desavenças que culminariam na desgraça.
Sob o pretexto de que estariam em anos de atraso pelo facto de um subarrendatário estar em incumprimento, a proprietária levantou um processo judicial o qual, perante a ignorância e ingenuidade dos aldeões, crentes nos seus óbvios e ancestrais direitos, foi decidido a favor da exequente sob forma da sentença de acção de despejo colectivo....
 
Cabe aqui um aparte e uma conclusão. Não adianta acomodarmo-nos com a distância no tempo nem desenterrar o chavão ora de indignação ora de muleta de conforto e que consiste em dizer "... como é possivel em pleno Séc. X ou Y..." ou "...tal facto só foi possível por estar-se em pleno Sec.N..., ou em plena Idade Média ..."  ou " ...em pleno Fascismo..." etc. etc. etc.
As injustiças acontecem sempre e em qualquer tipo de regimes, o Poder é sempre rodeado de corruptos, de idiotas úteis, e de oportunistas sem escrúpulos, e a indignação pega sempre na espuma dos tempos que se vivem.
No caso supra-citado, podemos dizer que a idiota útil foi a proprietária que teve de vender as propriedades para pagar ao oportunista, o advogado, o qual  terá certamente corrompido determinado funcionário no Conservatório de Registo Predial.
Se serve para alguma coisa o relato deste drama, não sei, mas estableço um rápido paralelo entre ela e  esta dívida que de repente temos que pagar sem que nunca se tenha auditado as suas origens, negociado as condições e observado a dignidade mínima dos caídos em desgraça. Os que são despejados todos os dias das suas casas, que resistem e são postos na rua pela força, os que se suicidam e os outros que fogem do país, replicam em escala geral em "pleno Sec XXI"  o pequeno grande drama acontecido " em pleno Séc XX"...
Também aqui, hoje, neste preciso instante, em pleno Séc XXI, somos rodeados e governados pelos mesmos de sempre, os oportunistas que fazendo uso dos idiotas úteis, corrompem todo o sistema, não se coibindo de - tal como na tragédia do Colmeal- ir até ao mais íntimo: a dignidade.
A Justiça, essa é sempre cega, surda e muda....
 
 

dezembro 02, 2013

Finalmente recebi a resposta da União Europeia às minhas questões sobre a mudança de hora

Relembro que as minhas questões foram estas e que tinham sido colocadas em 29 de Outubro.

"Exmo. Senhor Paulo Moura,
Agradecemos a sua mensagem e apresentamos as nossas desculpas pelo atraso no envio da resposta.
Em anexo, poderá encontrar o estudo de avaliação de impacto (em inglês) referente às implicações das disposições da hora de Verão.
Encontrará, igualmente em anexo, a Comunicação da Comissão ao Conselho, ao Parlamento Europeu e ao Comité Economico Social e Europeu , COM(2007) 739 final, respeitante ao impacto e às disposições relativas à hora de Verão.
A oitava Directiva 97/44/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, respeitante às disposições relativas à hora de Verão, introduziu uma data e uma hora comuns, em todos os Estados-Membros, para o início e o fim do período da hora de Verão nos anos de 1998, 1999, 2000 e 2001, como poderá verificar no Artigo 2 da mesma.
A proposta de Diretiva do Parlamento Europeu e do Conselho relativa à hora de Verão, COM/2000/0302, por si mencionada, deu origem à Directiva 2000/84* do Parlamento Europeu e do Conselho, respeitante às disposições relativas a hora de Verão.
Chamamos a sua atenção para os Artigos 2 e 3 da mesma, os quais estipulam o início e fim da hora de Verão nos Estados-Membros, a partir do ano de 2002 em diante.
Relativamente à sua terceira pergunta, chamamos a sua atenção para o Artigo 5 desta Diretiva.
Por último, a entidade responsável, em Portugal, é a Comissão Permanente da Hora, dirigida pelo Prof. Jorge Agostinho, na sua qualidade de Diretor do Observatório Astronómico de Lisboa. Esta Comissão incorpora representantes de diversos ministérios do Governo Português e também das Regiões da Madeira e dos Açores. Assim, foram estas pessoas/entidades que reportaram a visão de Portugal relativa a este assunto à Comissão Europeia.
Esperamos que esta informação lhe seja útil, e estamos à sua disposição caso tenha mais perguntas.
Com os melhores cumprimentos,
Centro de Contacto EUROPE DIRECT"

Anexos: 

Desenho do Mestre e Amigo Raim

Dessin de mon ami Julien WOLGA

novembro 01, 2013

«Sair do euro?» - António Pimpão

De vez em quando vão-se ouvindo vozes a defender que Portugal deve sair do euro. Mas a maior parte dos comentadores continua a achar Portugal deve manter no euro.
É inegável que a existência de uma moeda forte comum a várias economias nacionais com diferente grau de desenvolvimento económico, como é o caso do euro, acaba por penalizar significativamente as economias mais débeis, pois lhes dificulta as exportações, ao mesmo tempo que facilita as importações (por comparação com a situação anterior, de moeda nacional).
Por outro lado, a existência de uma moeda forte mantém invariável os custos com o pessoal (tanto das empresas como do funcionalismo público) e com as prestações sociais, sobretudo das pensões de reforma, inviabilizando o ajustamento dos custos dos fatores para o nível de desenvolvimento da economia em causa. Ao mesmo tempo, exerce uma pressão crescente sobre o orçamento do Estado que, ao mesmo tempo que vê minguar as suas receitas, fruto da quebra da atividade, vê aumentar o esforço com o pagamento dos vencimentos e das pensões de reforma numa moeda mais forte do que a que a economia justificaria.
Inversamente, essa mesma moeda forte evita que se degrade o poder de compra dos rendimentos fixos, como é o caso dos vencimentos e das pensões (e também dos depósitos) – o que não aconteceria se ainda tivéssemos a moeda nacional -, impedindo que eles sejam afetados negativamente, à medida que a economia nacional se vai debilitando.
Se ainda tivéssemos o escudo, há muito tempo que, pela via da inflação (emissão de mais moeda) o poder político teria procedido a um ajuste da situação, desvalorizando o poder de compra da moeda nacional, sem que o sentíssemos, pois seríamos iludidos pela manutenção do valor nominal da moeda.
Reduzir o valor dos salários e das pensões, na vigência do euro, conduz ao mesmo resultado da inflação, pois ambas as vias conduzem à redução efetiva do poder de compra da moeda. A diferença é meramente psicológica: aceitamos, porque anestesiados, a segunda hipótese (inflação) e reclamamos afincadamente contra a primeira (redução do valor dos salários e das pensões).
Pode ter sido um erro adotar o euro como a moeda de curso legal no país. A partir daí não mais seria possível ajustar em baixa os rendimentos sem que se sinta, recorrendo à emissão de moeda, o que seria indispensável quando a economia produz menos do que se consome. Nesta inequação, apenas resta, como saída, pedir dinheiro emprestado para manter esse nível de despesa acima do nível da produção nacional.
Mas seria muito pior, do ponto de vista de quem vive apenas do salário ou da pensão de reforma, sair agora do euro: todos os rendimentos fixos referidos (salários e pensões) sofreriam imediatamente um corte substancial e passariam a situar-se num patamar muito inferior ao que está a ser proporcionado pelo euro.
Infelizmente, enquanto não se produzir ao nível do que se consome (ou não se baixar o consumo para o nível a que se produz), a única saída para se atingir um ponto de equilíbrio será a redução destes rendimentos fixos, pela via do aumento dos impostos ou da diminuição do valor desses mesmos rendimentos.
Em conclusão: a saída do euro facilitaria a vida às empresas com perfil exportador, sobretudo das de elevado valor acrescentado nacional (as que importam poucos inputs), e ao governo que, perante as dificuldades, teria sempre como saída mandar imprimir mais moeda. E seria desfavorável para os detentores de rendimentos periódicos (salários e pensões) e de poupanças.

António Pimpão

outubro 23, 2013

Silogismo* irracional dos nossos desGovernantes

A classe média manifesta-se.
Os pobres não se manifestam.
Logo, só temos que empobrecer a classe média.

«Conhece-te a ti mesmo»... recomendava
Sócrates,inspirado na inscrição
à entrada do templo de Delfos -
peça das Caldas da Rainha -
colecção de arte erótica «a funda São»
* Um silogismo (do grego antigo συλλογισμός, "conexão de idéias", "raciocínio"; composto pelos termos σύν "com" e λογισμός "cálculo") é um termo filosófico com o qual Aristóteles designou a argumentação lógica perfeita e que mais tarde veio a ser chamada de silogismo, constituída de três proposições declarativas que se conectam de tal modo que a partir das duas primeiras, chamadas premissas, é possível deduzir uma conclusão. A teoria do silogismo foi exposta por Aristóteles em Analíticos anteriores.

Silogismo regular é o argumento típico dedutivo, composto de 3 proposições - Premissa Maior (P), Premissa Menor (p) e Conclusão (c) - onde 3 termos, Maior (T), Médio(M) e Menor (t), são compostos 2 a 2. Num silogismo, as premissas são um ou dois juízos que precedem a conclusão e dos quais ela decorre como consequente necessário dos antecedentes, dos quais se infere a consequência. Nas premissas, o termo maior (predicado da conclusão) e o termo menor (sujeito da conclusão) são comparados com o termo médio, e assim temos a premissa maior e a premissa menor segundo a extensão dos seus termos.
Um exemplo clássico de silogismo é o seguinte:
Todo homem é mortal.
Sócrates é homem.
Logo, Sócrates é mortal.
[Fonte: Wikipédia]

junho 27, 2013

As Falácias sobre os Swaps. Eram assim tão más?

Por ser um campo fácil para demagogias e interpretações abusivas tendentes a tirar dividendos políticos, transcrevo na íntegra o corpo do artigo de António Costa.
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Os ‘swaps' do Governo exigem mais explicações.
A ideia de que um conjunto de gestores provocou ‘buracos' de três mil milhões de euros tem tudo para pegar fogo, mais ainda na situação económica e social em que os portugueses vivem. E é por isso que o Governo já deveria ter vindo a público, e não com comunicados lacónicos, explicar o que levou à demissão de Juvenal Peneda e Braga Lino. Por eles e pelo Governo, porque, do que se sabe, uma secretária de Estado central nas Finanças, Maria Luís Albuquerque, terá também feito operações de cobertura de risco através do recurso a operações ‘swap' quando passou na Refer.
Vamos por partes: a decisão de realizar contratos que são, na prática, seguros para evitar os impactos negativos dos financiamentos com base na taxa variável da Euribor, era, em 2006 e anos seguintes, não só aconselhável como necessária. Não era ilegal, menos ainda crime. E foram feitos contratos deste tipo por empresas públicas e privadas. Portanto, é fácil hoje, com a informação disponível, afirmar que a Euribor acabou por descer para valores inferiores a 1% quando entre 2005 e 2009 aumentou de 2% para mais de 5%.
É, depois, necessário esclarecer que não há um ‘buraco' de três mil milhões de euros, há uma perda potencial deste montante por parte das 14 empresas que realizaram contratos deste tipo, precisamente porque os juros acabaram por evoluir em baixa desde 2009. Dito isto, ainda assim, o Estado corre o risco de ter de assumir prejuízos, desde logo nas empresas que estão dentro das contas das Administrações Públicas, isto é, no perímetro do Estado, como são os casos do Metro do Porto, do Metropolitano de Lisboa ou da própria Refer.
Ora, se o primeiro-ministro decidiu manter Maria Luís Albuquerque e demitir os outros dois secretários de Estado, é porque realizaram operações que vão muito mais além de ‘simples' contratos ‘swap'. Só pode ter uma explicação aceitável: os dois ex-governantes não fizeram apenas cobertura de risco, pelo contrário, arriscaram o que não deviam. Mas, então, porque é que só agora são demitidos? E como ficam nomes como Rui Rio ou Marco António Costa que também passaram pela administração do Metro do Porto?
Enquanto o Governo não prestar os esclarecimentos totais, revelando o detalhe das operações realizadas, a sua natureza e o que o poderá ter de assumir de prejuízos e porquê, a credibilidade do Governo fica em causa, internamente, mas também externamente, junto de dezenas de bancos internacionais que assinaram aqueles contratos e que são, também, os futuros investidores de dívida pública portuguesa.

PS: Durão Barroso foi secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado e João Gomes Cravinho também. Ontem, tomou posse Francisco Almeida Leite. O problema não é do próprio. É de quem o escolhe

junho 13, 2013

Horas de trabalho dos professores - tanta falácia junta!...

Texto do Amigo Mestre Professor Antonino Silva que devia ser lido por todos os responsáveis do desGoverno e do Ministério da Educação, não só os actuais mas os que vão alternando:

"Nesta disputa de opinião, há muita trave que nos cega
1. As 40 horas não existem no privado. Um quadro médio ou superior (caso dos professores) trabalha 35 horas. 40 horas são para os técnicos operacionais.
2. Um professor que dá 22 horas de aula, ao passar a ter as 40 horas de permanência obrigatória na escola terá de ter, concomitantemente, um espaço para o seu trabalho não letivo .Ou queremos que lecione as 40 horas? Também se arranja!
3. O ministério terá de, por legislação adequada, informar quanto tempo de preparação pressupõe cada hora de aula; quanto tempo máximo poderá demorar uma reunião (não as 8 horas que algumas levam); quanto tempo deve contabilizar a correção de um teste, etc. A partir daí, vai ser uma coisa fantástica. vamos ver os professores a encerrarem 'a sua cadeira' (o dito gabinete) da sala de professores cumpridas as 8 horas do dia e as 40 semanais e os nossos filhos à espera dos resultados dos testes que tardam porque as sua correção estaria para lá do horário semanal.
Todos sabem que os professores trabalham mais que as 40 horas? Parece que nem todos.
Os professores marcam o ponto cada 45 ou 90 minutos. Marcam os livros de atendimento, de reunião de apoio, de ateliês, etc.
Um professor com 7 turmas de 30 alunos terá ao todo 210. Se fizer 2 testes no período terá 420 para corrigir. Em média cada teste demora 30 minutos a corrigir, o que dará 210 horas. Se o período tem 12 semanas (como é o 1º) teremos 17.5 horas por semana para corrigir testes. Some as 22 horas de aula e terá 39.5 horas. Na meia hora que resta pretende-se que faça direção de turmas, que coordene, que prepare as aulas, que vá às reuniões, que dê apoio, que prepare os testes, que... ???!!!
Mesquinho é o povo que quando vê o vizinho com manteiga no pão fica feliz se tirarem manteiga ao vizinho e não se lembra de a exigir para si."

abril 05, 2013

«Carta aberta de Rui Felício ao Dr. Vítor Gaspar (um contributo para a reforma do Estado)» - por Rui Felício

"Excelência,

Não o escondo, faço parte do enorme grupo de quantos o têm criticado, inventado anedotas a seu respeito, muitas vezes caluniado, insultado, enxovalhado, imitando o seu discurso arrastado, sonolento, para lhe denegrirem a patética imagem, por entre piadas obscenas e risota alvar.
Arrependo-me, porém, de ter alinhado a minha voz com as de milhares, senão de milhões de portugueses.
Consciencializo-me agora, depois de seriamente ter reflectido sobre o calamitoso estado em que lhe deixaram as contas públicas e da imensa tarefa de as endireitar que lhe sobrecarrega os frágeis ombros.
V. Exª não merece as sistemáticas críticas a roçar a grosseria que diariamente lhe são dirigidas nas conversas de café, nas redes sociais, na imprensa, na rádio e na televisão. São criticas despojadas de conteúdo, de substância, infundadas, feitas malevolamente pelos cidadãos que, em vez da critica mordaz e superficial, deviam era sugerir caminhos, apontar soluções, ajudar e colaborar na repartição dos sacrifícios necessários para impedir o definhamento do Estado que afinal somos todos nós.
Nessa linha de pensamento e na obrigação cívica que me incumbe, venho dar o meu contributo para a resolução do desequilíbrio financeiro do Estado que está na origem de todos os males que o afligem. Que nos afligem…
Portugal é dos países mais envelhecidos do mundo, com uma pirâmide etária a caminho da perigosa inversão, crescendo desmesuradamente no seu topo e diminuindo na sua base.
Para agravar a situação, a esperança média de vida tem vindo a aumentar situando-se na casa dos 80 anos, quando em África, por exemplo, nem aos cinquenta chega. Para cúmulo, o índice de natalidade do nosso país é dos mais baixos da Europa e o de mortalidade igualmente.
Por outro lado, todas as estatísticas, todos os estudos científicos, demonstram à saciedade, sem lugar ou margem para dúvidas, que os custos com a saúde pública progridem geometricamente com o avançar da idade das pessoas. Quanto mais velhos vão ficando os cidadãos, mais recursos são utilizados pelo Estado para lhes tratar a saúde e os irem mantendo vivos. E em linha paralela ascendente, constata-se que menos riqueza vão produzindo, por incapacidade, por doença, por velhice.
Ou seja, ao envelhecermos, criamos menos ou nenhuma riqueza e consumimos mais recursos, gastamos mais dinheiro ao Estado.
São factos, demonstrados, inquestionáveis e indesmentíveis.
Temos impostos para quase tudo. Directos sobre os rendimentos do trabalho, prediais, de capitais, sobre o património, e indirectos sobre o consumo, sobre as transmissões imobiliárias e outros.
Mas não temos nenhum que restabeleça o equilíbrio da mais pesada de todas as rubricas do orçamento do Estado, que é a da Saúde Pública.
Proponho por isso um novo e quiçá definitivo imposto que por fim saneará esse perpétuo desequilíbrio que advém de algo tão simples e de fácil controle como é a idade de cada um.
Chamar-lhe-emos de ISI ( Imposto sobre a Idade ), sigla que, suponho não está ainda a ser utilizada em nenhum dos muitos e variados outros impostos e taxas que o Estado lançou.
Embora sujeito naturalmente a estudos e projecções técnicas para calcular o volume de receitas a arrecadar, sugiro, como base de trabalho, que passem e reter-se na fonte, a título de ISI, relativamente a todos os tipos de rendimentos, incluindo os das pensões e de forma progressiva:
Sujeitos passivos: todos os cidadãos com 40 ou mais anos de idade.
Taxa aplicável: 10% no ano em que completam 40 anos, actualizada sucessivamente de um por cento, em cada aniversário seguinte.
Desta forma, um cidadão que viva 90 anos, terminará a sua vida sujeito a uma taxa de retenção de ISI de 60%.
O que me parece de inteira justiça e equidade, como agora está na moda dizer-se e atendendo ao que ficou exposto.
Certo de que acolherá de braços abertos este verdadeiro ovo de Colombo que, desinteressadamente lhe ofereço, subscrevo-me com os protestos da mais elevada admiração
De V. Exª
Atentamente
Rui Felicio

NB: Como autor desta proposta, peço que o meu nome enfileire ao lado de todos os que seguramente irão ser contemplados com isenções excepcionais na lei que vier a ser elaborada."

Blog Escrito e Lido

fevereiro 25, 2013

Gostei muito de te ter por cá, cachopa.


Ana Andrade

"Professora por vocação, escriba por compulsão, inquieta por opção, optimista por voluntária obrigação"

janeiro 29, 2013

(Des)acordo ortográfico: Carta Aberta ao Ministro da Educação e Ciência

Subscrevi - tal como 1900 outros Portugueses, até ao momento - uma Carta Aberta ao Ministro da Educação contra o (des)Acordo Ortográfico (documento com 20 páginas).

Excerto da fundamentação:
"(...) Impõe-se pressionar quem de direito e de múnus em Portugal a que reajam, abandonem o torpor burocrático, o "porque sim" e tomem uma posição, façam o que sempre se têm escusado a fazer: o diagnóstico dos estrangulamentos e constrangimentos a que a aplicação do AO90 tem dado azo (cf. a DECLARAÇÃO DE LUANDA dos Ministros da Educação da CPLP, de 30 de Março de 2012). E que mais ainda: suscitem a única posição que permite salvar a face, a honra, a língua e a independência nacionais de Portugal e dos restantes países lusófonos: a revogação do AO90.
Nesse sentido, são todos convidados e encorajados a participar nesta iniciativa, a subscrição de uma Carta Aberta ao Sr. Ministro de Educação e Ciência (comprometido com a Declaração de Luanda), e eventualmente a outros responsáveis governamentais, como o Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros e Sr. Secretário de Estado da Cultura.
Nunca como hoje as circunstâncias foram tão favoráveis. Daí a urgência, a necessidade absoluta de manter a pressão, de os cidadãos ajudarem os governantes a governar.

Rui Miguel Duarte
Autor e primeiro subscritor da Carta Aberta"

A subscrição deve ser feita aqui.

Para se manterem actualizados sobre as iniciativas anti-Acordo Ortográfico adiram ao grupo Em aCção contra o Acordo Ortográfico, no Facebook. O objectivo é chegar às 4000 assinaturas, para que seja discutida obrigatoriamente, em sede de comissão, na Assembleia da República.
Aqui no «Persuacção» já malhámos tanto neste (des)Acordo Ortográfico...

janeiro 21, 2013

Solução para a Crise é a revisão Constitucional? A grande falácia.

Para quê a alteração constitucional?

Nos últimos tempos tem vindo a agitar-se um chavão que de resto tem sido recorrente sempre que outros argumentos  se mostram insuficientes.
Há crise?
Altere-se a Constituição!
Há leis que não passam, porque são anti-constitucionais?
Altere-se a Constituição!
Apresenta-se assim a Constituição como um texto imutável, fundamentalista e desenquadrado da dinâmica da realidade, entenda-se: da vida, e por isso, um entrave ao desenvolvimento e bem estar...
No entanto, nada mais falacioso.
Em Portugal, a primeira revisão do texto constitucional derivado do após 25 de Abril de 1974 ocorreu em 15 de outubro de 1982 e teve como objectivo a extinção do Conselho da Revolução e a reformulação do sistema dos órgãos de soberania. A segunda  foi realizada em 1989 e visou a reversibilidade das nacionalizações. A terceira revisão deu-se em 1992 e produziu as  alterações com vistas a adequar as normas constitucionais ao Tratado de Maastricht, que versava sobre o ingresso de Portugal na União Europeia. A quarta revisão realizada em 1997, tratou a revitalização do sistema político. A quinta revisão ocorreu em 2001 e teve em vista as modificações necessárias para a ratificação do Estatuto do Tribunal Penal Internacional.  Ou seja, tem havido modificações da Constituição na medida das necessidades de adaptação.
Mas rever agora a constituição?
Para quê?
O professor Jorge Miranda escreve:

" Uma Constituição não resolve uma  crise nem pode ser posta em causa a pretexto de uma crise, nem ser modificada a toda a hora (....) é imprescindível preservar a duração e estabilidade das Constituições, ou seja, a segurança juridica...

E aqui é que está  o cerne da questão. Quando certos governantes apelidam de muito bem feito um documento do FMI, recheado de imprecisões e observações gratuitas umas e fortemente ideológicas outas, e agitam a seu propósito da sua implementação o entrave que a Constituição representa, precisamos urgentemente de expor a nu o que querem dizer estas afirmações.
Rever a Constituição? Quais os artigos? Os que conferem o direito em abstracto a um mínimo de dignidade social? Coisas como direito ao ensino segurança e saúde, tidas como fundamentais, passarão a ser acessórias? O direito a uma habitação digna é algo anti-económico?
Ou uma retribuição decente e mínima, será algo mirabolante e alvo imprescindível a ser revisto?
Que sociedade quer esta gente propôr, ou melhor, impor aos Portugueses?
E os Portugueses, vão deixar? Vão continuar a ser cozidos em lume brando?
Até quando?

novembro 23, 2012

O Aeroporto de Beja, e as atoardas.


Quando o aeroporto de Faro sofreu os acidentes atmosféricos que o deixaram inoperativo durante meses, este Governo tudo fez para que os aviões fossem pousar no aeroporto mais próximo: Sevilha, Espanha!



Terminal civil no topo sul do complexo de pistas militares
Corria o já distante (nos tempos que correm uma hora atrás é já ontem)  Ano de 2010 quando na então plena pré-campanha política o Aeroporto de Beja saiu como notícia, agora de novo repetida.
Desde a  falta de vias de comunicação, aos problemas com a construção das pistas, o despesismo inútil, tudo servia para o combate político de forma a desacreditar o já moribundo governo de Sócrates.
Diziam para começar, que "um erro na construção das pistas não permitia a aterragem de aeronaves comerciais".
Oportunamente esse facto foi de imediato desmentido e  ridicularizado pelos especialistas. A manobra jornalística, de mau jornalismo, não investigava nem as fontes nem os preceitos técnicos e científicos. A notícia não tinha qualquer fundamento e dava por isso todos os indícios de ser mais um golpe baixo encomendado.
Na verdade o aeroporto foi finalmente acabado e não foi construída qualquer pista! As pistas de Beja, duas paralelas,  - a maior das quais tem mais de quatro quilómetros de comprimento e quase cem de largura-, tem mais de quarenta anos e são as únicas onde em Portugal podem poisar e levantar os gigantes do ar, Tupolev, Antonov e o Galaxy, cujas pontas das asas, apesar da enormidade da pista, ultrapassam  as suas margens laterais. 
Instalada na vasta planície Alentejana pelos especialistas Alemães no quadro da estratégia da Nato, em plena Guerra Fria, o simples facto de se argumentar que a pista está mal feita é tão ridicula como as exigências que o nosso Estado faz aquando da importação de ambulâncias: nunca são aprovadas, pois há sempre qualquer coisa a apontar pelos cabeçanas da nossa praça e é necessário mudar uma coisa qualquer, que não faz falta alguma na óptica dos construtores, mas já se sabe que eles, os que as fabricam, não sabem fazer ambulâncias...

Mas voltemos à BA 11: Os coeficientes do piso são três vezes superiores em qualidade e resistência ao que comumente se exige para a aviação comercial. Não nos esqueçamos que se destinava a cenários de voos intensos e em condições de possivel bombardeio em caso de conflito.
Felizmente nunca aconteceu e à medida que a Base, com o fim da Guerra Fria, foi perdendo o interesse militar, tornou-se palco de actividades ligadas ao uso civil. Durante décadas a TAP utilizou as pistas da Base para voos de treino e formação e dadas as excelentes condições das pistas foi desde cedo proposto que a vertente civil fosse ampliada através de um terminal aeroportuário, ideia que deu corpo ao projecto agora terminado.
O preço dessa obra também foi mais uma vez o paradigma do que nunca acontece em portugal: orçamentada em 35 milhões, foi feita por 33 e picos, ou seja, uma única vez na história em que não foi preciso rectificar orçamentos e onde houve verba devolvida! E é falso, totalmente FALSO que tenha necessidade de mais 39 milhões. Mais uma atoarda, um golpe baixo.

As únicas obras para o Aeroporto foram o terminal civil e a placa de estacionamento. Por outro lado, as obras não foram do Sócrates, mas terminadas por ele. Vinham já da era Barroso que anunciou prever ser em 2007 o ano de conclusão do projecto.
Se não há vias rodoviárias de perfil mais rápido, esse facto deve-se exclusivamente a este Governo. A auto-estrada quase pronta, com expropriações,  pontes , terra-planagens e pontões construídos, foi abandonada sine die.  As justificações as do costume, não há dinheiro.  Não se sabe em que condições estarão  e quanto custará recuperar as infra-estruturas quando um dia se retomar a obra, fundamental entre Sines, Espanha passando por Beja, cruzando com a A1 entre Algarve e Lisboa. A saída da Auto-estrada, com as suas portagens fica juntinho ao terminal cívil do Aeorporto e é obviamente incontornável para dar sentido e viabilidade ao investimento.



Quanto à linha férrea, esta passa a poucas centenas de  metros do topo Norte da Pista e já desde os tempos dos Alemães  que existe a terra-planagem para um ramal ferroviário que serviria  uma eventual estação da Base Aérea, que nunca foi construída.


Vista aérea das pistas, a principal em primeiro plano, Do lado direito em baixo e obliquamente, o terminal aeroportuário.
No que toca às  distâncias referidas, deve ter-se em conta um facto fundamental: Não é só a proximidade que conta, mas a segurança e a operacionalidade. A zona foi escolhida nos anos sessenta aquando da construção por não ter ventos cruzados e ser muito parca em nevoeiros o que permite uma elevada taxa operacional e de segurança, na altura dados fundamentais para um  hipotético cenário de guerra com a Urss. Mas a distância não é nada de especial, a Ota ficava a oitenta quilómetros de Lisboa, o Aeroporto de Beja fica a  cem do que seria o novo aeroporto da Capital e acento e doze do de Faro. Por todo o mundo existem aeroportos de apoio a distâncias médias  por razões estratégicas que se prendem fundamentalmente com questões atmosféricas ou de saturação de espaço aéreo. Em caso de nevoeiro denso num determinado complexo, é lógico acreditar que um outro a poucas dezenas de  quilómetros possa estar sujeito às mesmas condicionantes e que as alternativas devam estar deslocalizadas a uma distância aceitável, distância essa que concorre para o descongestionamento em alturas de ponta.
Por fim a razão principal pela qual o Aeroporto está emperrado: a cereja em cima do bolo, ou seja a má vontade política. Quando o aeroporto de Faro sofreu os acidentes atmosféricos que o deixaram inoperativo durante meses, este governo tudo fez para que os aviões fossem pousar no aeroporto mais próximo: Sevilha, Espanha!
Aqui os critérios de distância não tiveram qualquer importância, destacando-se por isso a falácia do argumento. Estando o terminal do Aeroporto de Beja terminado e pronto a receber passageiros e a pouco mais de uma hora de carro do seu destino,  (só porque a auto estrada não estava pronta senão era menos) , foram estes obrigados a ter que  deslocar-se desde Sevilha a Faro e vice-versa a mais de duzentos e cinquenta quilómetros. Durante meses. A justificação para tal facto foi dada pelos porta-vozes do poder actual: a pista não estava certificada(!!!???)
Ou seja, uma pista onde desde há quarenta e tal anos pousam aviões de todos os tamanhos, civis e militares, “não tinha certificado”! Podemos perguntar quanto tempo é que um primeiro ministro leva a assinar um papel de forma a agilizar qualquer procedimento bacoco de carácter burocrático, mas se calhar não teve tempo nem a situação de urgência derivada da ocorrência em Faro justificava qualquer tomada de posição. Como consequência, além do incómodo dos passageiros e os custos adicionais, todo o dinheirinho dos serviços aeroportuários que tanta falta nos faz, até para amortizar o investimento do aeroporto, foi direitinho para Espanha…

É por isso triste que Pedro Rolo Duarte no seu programa diário na Antena Um tenha  dado  voz  ao Blogue 31 da Armada que desenterra a “notícia “ de Outubro de 2010 como novidade. Triste porque o Pedro não precisava de repetir a mentira nem as piadolas tolas que à sua volta se construíram. O 31 da Armada foi buscar a rolha da espingarda de pressão de ar, puxou o cordel e atirou de novo, e o Pedro achou piada. Eu não!

novembro 21, 2012

Revolução no presépio


Claro que me preocupa sobremaneira a amputação de uma imagem que a Igreja Católica me impingiu ao longo de uma vida inteira repleta de diversidade animal no presépio, eliminando a vaca e o burro do cenário. Ficam apenas os camelos (os dos Reis Magos) e os memés (enquanto não for desmentido o pastoreio) na fotografia do nascimento de Jesus.
Contudo, fico ainda mais em alerta com a necessidade de reafirmação da virgindade de Maria, reforçadas as minhas cautelas com as certezas que o Papa afirmou quase com a convicção de quem esteve presente em ambas as ocasiões.

Ainda não cuidei de averiguar o que teria instado Sua Santidade a regressar à ribalta com mais uma declaração polémica, mas presumo que algum de entre os seus mais próximos o terá avisado da ameaça das repercussões de algo proferido pela voz de um Santo Padre.
Uma das consequências imediatas de afirmações daquele teor é precisamente das que ao longo dos séculos mais intimidaram a Igreja: as pessoas põem-se a pensar demais e às tantas aleijam-se onde mais dói, na fé que sai sempre um nadinha beliscada quando se escrutinam os dogmas.

Se virmos para além do potencial humorístico da exclusão das vacas e dos burros da iconografia da Quadra (daqui a uns séculos ainda vamos ver a Coca-Cola revelar verdades perturbadoras acerca do Pai Natal), quando olhamos podemos deparar-nos com uma questão potencialmente ainda mais desconfortável para a instituição que o Papa chefia que é a da incoerência, um pecado mortal para todas as histórias difíceis de explicar mas que se querem verossímeis.

Incoerência da mais óbvia é a de várias igrejas por todo o mundo andarem há demasiado tempo a venderem um embuste nos presépios orgulhosamente instalados à sua porta, com o Cristo nas palhinhas da manjedoura deitado mais a família próxima, tendo por detrás as orelhas de um burro e os cornos de uma vaca.
A associação de ideias moderna de todos estes símbolos conduz-nos à complexa situação do casal de progenitores (embora José fosse assumidamente, no entender da Igreja, um mero pai adoptivo do rebento de Deus). A reafirmação da virgindade da mãe Maria por parte do Papa leva-nos a interrogar de imediato: quem de facto confirmou a dita cuja, ao ponto de existir tanta certeza?

Teoricamente, apenas José estaria em condições de o garantir e até podemos partir do princípio de que ele e Maria preferiram ficar em cima do galho de uma árvore quando lhes ofereceram ajuda para um problema qualquer, o que explicaria a paciência do carpinteiro em aceitar estender muito para lá da tradicional espera pelo casamento a eventual consumação do dito.
Não querendo levantar suspeitas acerca da idoneidade de, esse sim, garantidamente, um santo homem, torna-se difícil a um herege engolir algo de tão difícil de explicar em termos racionais e ainda mais suspeito tudo se torna quando o Chefe de Estado do Vaticano vem reafirmar o milagre com o ar de quem possui algum tipo de provas.
Quase de quem estava lá para ver.

Sinceramente, embora ache piada a tudo isto, às vezes it gives me the creeps.

outubro 22, 2012

Segunda: o drama de afinal ser a primeira


Bom mesmo é a pessoa ganhar a vida a fazer o que gosta.
Mas como se alcança esse nirvana quando a pessoa gosta mesmo é de não fazer nada?

setembro 21, 2012

O desafio dos pontos de interrogação


Seria fácil aceitar qualquer uma das explicações mais ou menos rebuscadas, mais ou menos científicas, para os vários mistérios que envolvem o surgimento das pirâmides de Gizeh. De resto, as respostas em falta criaram terreno fértil para a especulação e a necrópole mais famosa deste planeta começou a surgir no firmamento de alguns ilustres pensadores como a estrela do Norte para as teorias que envolvem gente de fora.
Muito de fora.

Começo por recordar a minha referência ao agnosticismo que pauta um estilo pessoal de abordagem aos imensos mistérios e deuses e outrasparanormalidades que existem ou a malta inventou. Não contem com isenção, sinto-me no direito de pender mais para este ou aquele lado, mas igualmente não esperem certezas absolutas ou convicções firmes.
Até prova em contrário, coisas por provar não fazem nem farão parte das minhas crenças ou fés.
E neste contexto, as Pirâmides só me servem como ponto de partida para raciocínios elementares acerca de tudo quanto se vai sabendo (ou especulando) acerca daquele prodígio tão impressionante que às tantas até começaram a questionar-lhe a autoria.

Sempre que determinada teoria ou hipótese desencadeia reacções de fúria ou de pânico por parte de sumidades ou de instituições fico de imediato de pé atrás, pois a História ensina-nos que essas reacções só acontecem quando as ideias têm pernas para andar e constituem alguma espécie de ameaça para poderes vários e interesses obscuros.
No caso concreto das Pirâmides o simples facto de uma delas ter sido o edifício mais alto do mundo durante mais de quatro mil anos bastaria para, no mínimo, deixar alguém curioso por dar uma vista de olhos nos registos deixados por quem planeou e executou tão brilhante obra da engenharia e da arquitectura.
E é aqui que entra em jogo a minha primeira interrogação: alguém faz acontecer algo que não é superado por mais de quatro milénios, milhares de pessoas esgravatam ao longo do tempo as entranhas dos edifícios e o solo adjacente, encontram múmias, encontram artefactos, encontram tudo menos qualquer referência a como a coisa se fez?

Enquanto uns, mais realistas, se desdobram em cálculos que comprovam possibilidades mecânicas ao alcance dos egípcios da época (mas não possuem qualquer confirmação de corresponderem à realidade do que se passou), outros mais arrojados reparam em coincidências em catadupa que são um facto em si e por isso sustentam ainda melhor as suas teorias que para os outros não passam de fantasias.
Mas a verdade é que ninguém explica, como ninguém pode desmentir, a realidade (a coincidência) do paralelo no alinhamento das três pirâmides principais com o das estrelas no cinturão da constelação de Orion. Tal como surpreende um nadinha a sintonia perfeita das esquinas na base dos monumentos com os pontos cardeais, isto numa altura em que não existiam bússolas. E depois ainda temos a curiosidade de aparecerem estruturas similares num ponto bem distante do planeta, a América Central, quando ainda não havia net para estas coisas se propagarem nem retroescavadoras para a sua concretização.

A ausência de registos acerca daquele milagre nascido no meio do pó, com calhaus acima das duas e até às vinte toneladas trazidos de locais distantes há milhares de anos atrás, é mesmo uma motivação pertinente para tentarmos descobrir o que se passou afinal.
Bem vistas as coisas, as respostas em falta podem desmentir uma caterva de pressupostos e demolir milénios de deturpações.

agosto 27, 2012

agosto 24, 2012

Que serviço Público? Não! A pergunta é: que País!?

O Governo prepara-se para levar a cabo a obsessão de colocar os órgãos  públicos de comunicação social em mãos privadas.
Dadas as péssimas condições financeiras e o relativo desinteresse  por parte de operadores privados em relação à "compra" do segundo canal, o tal que ainda é a pedrada no charco de tanta mediocridade,  este executivo prepara-se para ceder a licença de exploração da  RTP1. O segundo canal, emblemático e tradicionalmente a alternativa de qualidade, será para fechar, sem mais!
A obsessão fundamentalista destes senhores, com a entrega de todo este património aos caprichos dos negócios privados, leva-nos a duas conclusões: ou existe uma perturbação mental colectiva no executivo, ou estão compremetidos com arranjinhos de bastidores cozinhados como compromissos pré-eleitorais  com os tais interesses.
Portugal não pode continuar a assistir como se anestesiado estivesse ao desbaratar, ao retalhar, ao desmontar de toda a sua estrutura sob a designação eufemística de " re-estruturação".
Na verdade, o que assistimos é de facto a uma entrega de factores e empresas estruturantes a outros interesses que não os nossos.
Ao mesmo tempo que se praticamente se abandonam projectos, mais que viáveis tais como os da geração eólica, urgentes face ao aumento dos custos da energia importada, entregam-se as poucas actividades ainda sob a  chancela nacional à gula desenfreada de interesses estrangeiros.
Por todo o mundo, os Estados estão a investir fortemente nas energias alternativas, falaciosamente chamadas de mais caras, quando na verdade apenas têm um custo de investimento inicial mais alto, sendo a geração de energia totalmente gratuita e virtualmente ilimitada. A Alemanha é um dos países que mais fortemente investe neste sector e Portugal é ainda, apesar de tudo e por enquanto,  um dos seus fornecedores.
Portugal conseguiu colocar-se em apenas uma década na vanguarda da indústria dos equipamentos desta tecnologia, mas nada disto tem pesado nas decisões deste malfadado executivo, tal como ficou demonstrado na decisão tomada sobre a mobilidade eléctrica que levou ao abandono do projecto Renault- Nissan que se destinava ao fabrico e fornecimento de baterias.

Quanto ao tão falado mar e o seu recém redescoberto valor, os estaleiros de Viana que digam de sua justiça. Ao que parece, a Caixa Geral de Depósitos só tem rapidez de decisão quando o objectivo é o BPN ou a alienação criminosa de acções de forma a privilegiar de alguma forma um concorrente a mais uma privatização. Para colocar algum dinheiro em empresas com contratos assinados que trariam um retorno assinalável, tá quieto macaquinho, como dizia o outro. O abandono do projecto turístico no Alqueva liderado por José Roquette, é só mais um triste exemplo de um Governo que se revela poderoso para determinar a alienação de todo o património estratégico, mas totalmente impotente para alterar o sentido da gestão do que resta no banco ainda sob a esfera pública... a não ser que, e da suspeita não se livram,  os gestores da Caixa tenham indicações superiores para as decisões que tomam, adiam e deixam de tomar.
Disto se podem queixar centenas de empresas, aflitas não por não terem clientes, mas por não terem crédito que permita satisfazer as encomendas desses clientes. A entrada de divisas que se comprometem deste modo, não parece sensibilizar o executivo que acredita, não sei por que estranhas teias de raciocínio, de que o contribuinte dispõe dos recursos infinitos  que ao Estado falta.
Perante este quadro que o País vive, que sentido tem a obsessão com o desmontar do serviço público de radio-difusão? Que sentido faz alienar a RTP, o fecho da RTP2 e da Antena 3?
Por vezes parece-me estar a viver uma passagem de Franz Kafka, onde me querem fazer sentir ser apenas  uma barata perdida num enredo interminável ao qual chamam de processo e que só eles entendem.
Comparações à parte, é urgente fazer-se algo antes que o país desapareça, absorvido  e transformado em subúrbio " de facto", do resto da Europa.

julho 04, 2012

O porquê da estupidez da mudança da hora, e a necessidade da sua imediata revogação.

O que seria se duas vezes por ano a posição dos pedais de um carro alternassem? Pode parecer um exemplo exagerado, mas ter que travar o sono e o despertar alternadamente, duas vezes por ano, tem sobre todo o nosso organismo implicações semelhantes.

Duas vezes por ano, os habitantes de algumas partes do mundo, são sujeitos à violência da mudança do horário, chamadas respectivamente, horário de Inverno versus horário de Verão e vice-versa,  mas que melhor e com mais propriedade deveria receber o título de Agressão Irracional Biorrítmica (AIB, digo eu, sigla que poderia ser também as iniciais de "Acho Isto Burrice").

A pretensão falaciosa e  anti-natural de que uma simples alteração de rotinas dos ciclos do sono / vigília não tem quaisquer implicações sobre a saúde e produtividade das sociedades é antes de mais anti-científica e só o ponto de vista sob este prisma  bastaria para que de imediato se procedesse à sua extinção.

São por demais sabidos, pelas evidências  estatísticas, dos aumentos de acidentes, de crises cardíacas, de ocorrências e falhas de segurança em coisas tão importantes e perigosas como centrais  nucleares e tráfego aéreo e equipamentos que implicam riscos no seu manuseamento, mas também nas situações mais comezinhas das nossas próprias vidas. Durante o período de adaptação, os esquecimentos são recorrentes até mesmo em pessoas cujas profissões exigem a violência das rotações de horários, conduzindo muitas vezes a situações de perigo: gás ligado, luzes ou aquecedores que ficam a funcionar sem que ninguém esteja em casa, doentes em tratamentos que sofrem de esquecimentos e enganos, etc. Isto nada tem a ver com prenúncios de perturbações de ordem mental típicas das idades que vão avançando mas sim pela simples alteração das rotinas do sono.
Podem argumentar que  perdemos noites e que recuperamos sem problemas de maior. Este argumento cai de imediato pela base, pois se perdemos uma noite, recuperamos porque voltamos a uma rotina anterior, ou seja ao padrão básico do nosso biorritmo que está em sintonia com os ciclos do sol. Ou seja, para que façamos uso da nossa espontaneidade e  haja espaço para a nossa criatividade, é necessário que um determinado número de gestos sejam rotinas, dados adquiridos e de tal forma tidos como invariáveis que nem sequer pensamos neles. São até a base da nossa segurança individual. Alguém já pensou o que seria se duas vezes por ano a posição dos pedais de um carro alternassem? Pode parecer um exemplo exagerado, mas ter que travar e acelerar o sono e o despertar alternadamente duas vezes por ano tem sobre todo o nosso organismo implicações semelhantes ao que aconteceria ao normal fluir do tráfego automóvel de repente sujeito a uma mudança de comportamentos automáticos dos condutores.


Os estudiosos  descobriram recentemente de que forma as plantas "sabem" quando é Inverno, Primavera, Verão e Outono,  ou seja, as estações do ano. De alguma forma desconhecida ainda, os organismos vegetais relativamente simples conseguem medir o tempo de exposição solar, ou seja, as quantidades de luz  durante o período do dia e assim, a partir um relógio interno sincronizado com o Astro-Rei, espoletam de forma automática as reacções químico-orgânicas a que chamamos de vida. E se a vida está sincronizada nos seus ciclos mais básicos com a necessidade fundamental  da rotina e estabilidades temporais, por que razão é que nós, os seres que se arrogam de ser os mais inteligentes da "Criação", julgamos estar-lhe imunes?

As implicações  das mudanças da hora são falaciosamente contabilizadas, mas mesmo assim, não levando em conta os inúmeros factores negativos, não conseguem apresentar quaisquer vantagens económicas, o que nos leva a concluir que, se fossem levados em conta todos os inconvenientes - devidamente expressos em €uros, já que aparentemente a saúde humana não conta - os prejuízos seriam tremendos. Recentemente, e após alguns estudos que conduziram a esta conclusão, a do prejuízo, a Rússia aboliu a mudança da hora e - passe a redundância - em boa hora o fez.
Só esperamos que  o bom senso emerja e que em breve os restantes países também sigam este bom exemplo.

Quanto antes, que se faz tarde...

                                                                          Charlie

junho 04, 2012

O dia em que o homem da Leya me expulsou da Feira do Livro

A verdade é que não terá sido bem da Feira do Livro...
Foi mais do stand da Leya onde acabara de entrar (mas que era o último da Feira) e que me preparava para explorar, depois da paragem obrigatória na Bizâncio para os livros de banda desenhada (o senhor é tão simpático que creio que se vendesse livros de Psicologia eu acabaria por trazer um ou outro) e no Círculo de Leitores (que agora é Porto Editora), para mais um capítulo da História da Vida Privada, dirigida pelo Mattoso.
Nos anos anteriores, eu e a mãezinha (a companhia de sempre nas Feiras dos Livros) deixámos lá umas dezenas de euros, porque eles agregam uma série de editoras que deitam cá para fora boa literarura e este ano dificilmente seria excepção.
Mas eu cheguei e comecei por fotografar: a área, um ou outro livro que me interessava, sempre com o fito de fazer promoção de um evento que cada vez menos entusiasma mesmo os malucos por livros, como eu. (Para mim, a Feira ainda é um ritual, a que faço toda a publicidade do mundo.)

Mas veio de lá um marmelo a fumar cigarrilha (não um segurança, esse não me incomodou) e disse que eu não podia tirar fotografias. E eu guardei o telefone (com que fotografava) e perguntei porquê. E ele respondeu que era um espaço privado e não sabia se eu era da concorrência e se não lhe estava a roubar ideias (e o fumo da cigarrilha a entrar-me nos olhos e nas narinas). E eu respondi que por acaso estava a fotografar para relembrar a Feira num blogue, ou seja, estava a fazer-lhe publicidade gratuita, mas que ordens eram ordens e não fotografaria mais, ainda que não entendesse a explicação. E ele a insistir que queria que eu compreendesse que estavam a fazer campanhas únicas que não queriam que a concorrência copiasse. E eu "então explique-me lá outra vez, porque eu não percebo como é que uma concorrente sua, vamos dizer, ali da Porto Editora, não viria aqui à mesma, sem máquina, não veria as tais campanhas especiais e não as roubaria do mesmo modo, mesmo sem fotografias". "Ahh", respondeu, "mas uma coisa é ver e outra é fotografar" (o fumo a toldar-me a vista e o fulano é que não discernia). "Pois continuo a não perceber a lógica da sua argumentação", retorqui. "Mas não pode tirar fotografias", insistiu. E isso eu já tinha percebido, desde o início (ó camelo!).

E foi assim que o senhor da Leya me fez sair destemperada da Feira do Livro (se me tivesse dito apenas que não podia tirar fotografias, sem mais, eu teria aceitado e ficado, o que me incomodou foi a idiotice do raciocínio) e ir enfeirar para a Fnac, logo acima.