Mostrar mensagens com a etiqueta economia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta economia. Mostrar todas as mensagens

março 03, 2018

CP, o paradigma da implosão, ou a falta de Visão Estratégica e Integrada dos Políticos.

mapa das ligações ferroviárias em 1985
...este é dos que se pudesse encolhia-se todo para meter-se dentro do coco...

Existe uma forma de apanhar um inteligente macaco sem lhe desferir qualquer golpe, ou de usar sequer uma rede, ou zarabatana anestesiante.
Basta tão só privá-lo da mais simples noção de prioridades posto diante do império da gula.
Num coco vazio abre-se um pequeno furo por onde se prende o coco a uma árvore através de um forte arame. Na face oposta faz-se outro furo, desta feita um pouco maior de forma a caber lá uma mão se os dedos estiverem todos esticados. Por fim põe-se uma guloseima  no interior do coco e espera-se que o macaco descubra o tesouro.
O que se segue é dramático e hilariante ao mesmo tempo. O macaco, desejoso , mete a mão no orifício, apanha a guloseima. Só que agora, a mão fechada não passa pelo buraco. Ele esperneia, desespera, grita, puxa... mas nem por um instante  tem a lembrança simples que apenas consistiria em abrir a mão e sair daquele filme onde fatalmente, depois de exausto, é capturado.

A saga da aventura ferroviária em Portugal passa por algo que a história do macaco preso pela gula metaforiza na perfeição.
Se atendermos aos mapas de caminhos de ferro num intervalo de tempo de cinquenta anos poderemos ver como a par do incremento das rodovias, as ligações por comboio foram sucessivamente desaparecendo.
mapa actual ferroviário
Longe de uma política de complementaridade dos diversos meios de transporte, as forças dominantes, presas por uma espécie de deslumbramento de novo-rico, tudo apostaram nas rodovias, descurando as necessidades das populações, o valor económico global dos meios ferroviários face ao meio de transporte rodoviários.
Porque sim, dão prejuízo, mas muito menos do que a factura da importação de combustível para o carros.
Está-se agora no ponto da mão agarrada ao doce: o desenvolvimento económico exige desde há anos um investimento contínuo  na forma mas barata de transporte.
A falta deste obriga ao abuso da rodovia, muito menos económico, obrigando a grandes importações de combustível. Sem querer largar mão da rodovia, onde nos estradas mais interiores também já deixou de investir, é preciso agora e de forma imperiosa investir muito mais na ferrovia. O resultado é a concentração de alguns investimentos e o descurar ainda mais das urgentes intervenções, algumas aguardando já décadas.
O macaco cansado não larga a presa que o prende.
Pior é que este é dos que se pudesse encolhia-se todo para meter-se dentro do coco.
Encolhia-se todo, implodia. E temos assim um país à boleia da implosão, cada vez mais litoral e concentrado, receita para o desastre.
O que alguém quis fazer em tempos foi considerado um "despesismo". E continuamos assim, presos aos macacos...

Publicado por Charlie

julho 24, 2017

Porque é que BEJA MERECE + ?




Poderíamos analisar vários temas que são basilares para o Movimento de Cidadãos #bejamerece+.
As acções que levamos a cabo centram-se, sobretudo, na temática da necessidade urgente de investimento no Baixo Alentejo, e na sua capital de distrito, Beja. Ao longo das últimas décadas, nomeadamente desde o 25 de Abril de 74, que assistimos a um esvaziar dos centros de decisão e de investimento nas infra-estruturas essenciais ao desenvolvimento do Baixo Alentejo.
Poderíamos falar do Aeroporto Internacional de Beja, por exemplo. Está praticamente parado porque Governo e ANA não têm interesse que seja uma aposta para o desenvolvimento da região, e do País. Custou 33 milhões, 85% dos quais financiados por fundos europeus, o que equivale a dizer que o Estado Português apenas pagou cerca de 8 milhões por uma infra-estrutura nova, moderna, com uma das maiores pistas de aterragem da Europa, com excelente visibilidade, sem obstáculos, numa zona sem nevoeiros, tudo isto ao invés dos mais de 400 milhões – somando outros 130 para deslocalizar a Força Aérea do local e exceptuando os custos com acessibilidades – que custará a infra-estrutura do Montijo, localizada numa zona de nevoeiros, dentro de um estuário, com o Cristo Rei, a torre da Igreja de Nossa Senhora da Atalaia, no Montijo, e os pilares da Ponte Vasco da Gama como obstáculos, bem como com a perigosa presença de milhares de aves de grande porte. Foi preciso o programa da RTP Sexta às Nove fazer uma reportagem sobre o tema para que o Conselho de Ministros aprovasse o estatuo de interesse público de operação industrial para a infra-estrutura – o que prova o manifesto desinteresse do governo relativamente à região –para aí, finalmente, uma importante multinacional conseguir, finalmente autorização para um investimento de vários milhões.
Poderíamos falar da ligação ferroviária que a CP coloca ao serviço das populações do Baixo Alentejo. Feita através de uma velha, poluente e permanentemente avariada automotora com 50 anos. Em rigor existem atrasos diários e prolongados da automotora que faz o percurso Casa Branca-Beja, nos dois sentidos. Esse apeadeiro não dispõe de uma cobertura que proteja os passageiros do calor, frio ou chuva, e nem uma máquina de bebidas disponibiliza. As condições a bordo são inteiramente desconfortáveis: ruídos permanentes; luzes intermitentes; mau cheiro; falta de climatização, que provoca temperaturas elevadíssimas ou insuportavelmente baixas, consoante se esteja no Verão ou no Inverno. Para além da ausência completa das características básicas a que se destina, a automotora apresenta um aspecto profundamente degradado não podendo, sequer, os passageiros, olhar para fora das janelas por estarem os vidros inteiramente grafitados.


Automotora Beja


Tenho um sério receio de que este seja o início de uma estratégia por parte do ministro do planeamento e infra-estruturas, Pedro Marques, para acabar com o comboio em Beja: forçar, através do cansaço, a desistência dos passageiros neste meio de transporte. Mas mesmo assim, com estas condições depauperadas, os passageiros de Beja insistem em não perder este que é um meio de transporte não poluente, seguro, moderno e de futuro, e aumentaram em 18% as suas viagens. Mesmo depois da antiga linha férrea Sul/Sueste ter passado a ligação principal para Évora, e a linha de Beja ter sido despromovida a ramal, tornando a estação de Beja um mero apeadeiro. De acordo com o caderno de encargos do governo para o programa Portugal 2020, estão estimados 2.700 milhões para a modernização dos caminhos-de-ferro portugueses. Bastariam 23 milhões para haver uma ligação directa e electrificada de Beja a Lisboa. O que potenciaria negócios e investimentos, deslocação da comunidade estudantil do Politécnico de Beja, a melhoria das condições de vida das pessoas e a sustentabilidade do Aeroporto de Beja.

  Poderíamos falar na questão da Saúde, que preocupa toda uma região com uma população cada vez mais idosa e desprotegida, que ao SNS tem de recorrer com frequência, e do Hospital Distrital José Joaquim Fernandes, em Beja, que ano após ano se vê amputado de novas e importantíssimas valências para os cuidados de saúde da população de todo o Distrito de Beja, o maior em área geográfica, de todo o País. Isto, quando estão já estão destinados mais de 100 milhões para a construção de um hospital central em Évora, para servir todo o Alentejo. Sem estudos que provem essa necessidade e contra o parecer da Ordem dos Médicos. 
Relembro que concelhos como o de Odemira, por exemplo, no Distrito de Beja, ficam a 170 km de distância de Évora. 


Esse hospital central estaria comprometedoramente demasiado longe. Mas demasiado perto de Lisboa para duplicar o investimento em saúde, a uma hora de tantos hospitais. Essa verba descomunal deveria ser distribuída pelos hospitais dos 4 distritos alentejanos (Alto, Baixo, Central e Alentejo Litoral). Não podem concentrar-se recursos desta enormidade e com este impacto, mesmo a nível nacional, apenas num único distrito, ou cidade, como é Évora. Que já é servida por Auto-estrada, que goza de ferrovia decente, que possui indústria pesada e de ponta, e obtém cada vez mais serviços centrais alentejanos e até nacionais. Os recursos devem ser distribuídos de forma justa, democrática, transparente e equitativa pelos vários distritos alentejanos de forma ao Alentejo ganhar com isso, ao invés de fazer definhar tudo o que se afasta de Évora, como cada vez mais se verifica.




Poderíamos falar das vias rodoviárias de Beja e do Baixo Alentejo. Sobretudo de um IP8, que liga Beja à A2, e que depois leva a Lisboa e ao Algarve. E sim, ironicamente IP quer dizer Itinerário Principal. Queria aqui falar de dados concretos. Por isso fiz a viagem através desses pouco mais de 50 km, invariavelmente em muito mau estado, quer de piso, bermas, ou de saídas para outros acessos, e contei perto de uma centena de sinais de perigo; obras; limitação de velocidade; vias estreitas; passagem de animais selvagens ou sem condutor; semáforos; rotundas; lombas deformadas; passagens de peões; obstáculos na via; atravessamento de várias localidades, uma ponte de apenas uma via, e centenas de pesados em ambos os sentidos. Feitas as contas a essas 5 dezenas de km e, na ligação mais rápida entre Beja, uma capital de distrito, e Lisboa, existe um sinal de perigo, proibição ou informação de anomalias na estrada a cada 500 metros.



Barragem de Alqueva




O concelho de Beja, que há 10 anos exportava 875 mil euros e que depois de apostar fortemente nos sectores agrícola, agro-industrial e agro-alimentar, potenciando o investimento de Alqueva, exporta hoje mais de 113 milhões, concorrendo de sobremaneira para a competitividade do Alentejo e do todo nacional. Mas… onde está a retribuição do Estado para com este concelho? Estas condições rodoviárias conferem competitividade à economia regional? E à Nacional? São seguras? Quantas pessoas ali perderam a vida? Quantos ficaram feridos? São cómodas e confortáveis? Que prejuízos provocam nos veículos? Quanto tempo faz perder no transporte de mercadorias? E para as necessidades das pessoas? Como podemos pensar no Aeroporto de Beja sem uma estrada, sequer, digna desse nome?

Em 2013 a Estradas de Portugal anunciou que a A26, Sines-Beja, era um “equívoco técnico”, e que os 35 milhões gastos até então, não eram significativos, e que parando as obras ainda se conseguiam poupar 60 milhões. Há que referir que o Porto de águas profundas de Sines é o maior de toda a Europa, sendo a porta de entrada marítima do velho continente através do Atlântico. E que existe um Aeroporto que permite levar e trazer, de e para todos os destinos, as mercadorias que chegam por Sines. Tal como o escoamento das que são produzidas na região com recurso a Alqueva. Pelas contas do governo ficamos a saber que esta importante Auto-estrada A26 custaria 95 milhões de euros – metade já gastos – entre outros, com expropriações (com validade de 15 anos, faltando 5 para expirarem e regressem aos seus antigos proprietários sem estes terem de indemnizar o Estado); com o abate de montado e de espécies protegidas; com material que apodrece nas bermas do IP8.

Por todas estas razões, Beja Merece Mais. Merece que as suas populações, que pagam os mesmos impostos (para não dizer mais, devido ao desamparo que são sujeitas) do que o resto do País, tenham os mesmos direitos. Merece que os seus habitantes sejam informados com argumentos e de forma construtiva, optimista e sustentada. Essa é uma das nossas missões: informar as populações do Baixo Alentejo dos seus direitos, de que podem, e devem, ter voz, e apelar a que a façam ouvir. Porque a informação é poder. Até mesmo cantando, como fizeram largas centenas de bejenses no mês de Julho nas escadarias do Museu Regional de Beja, entoando o hino Beja Merece; ou enviando as suas próprias fotos com cartazes Beja Merece+, como fizeram já muitas centenas, e como solicitamos agora a que o façam os emigrantes de Beja e do Baixo Alentejo espalhados pelo mundo. Porque temos de estar todos do mesmo lado, criando envolvimento, sendo este um movimento suprapartidário que congrega todas as cores, as áreas, credos, os sectores de actividade, o público e o privado, os jovens e os mais velhos. Todos juntos. Porque Beja Merece Mais! E se Beja tiver o mais que merece, todo o Alentejo será mais forte e o País ganhará com isso.

Bruno Ferreira, Movimento Beja Merece Mais






Bruno Ferreira nasceu em Beja a 15 de Maio de 1974. Mudou-se para lisboa em 1993 para se licenciar em Relações Públicas e Publicidade. Em 2002 lançou o livro de contos Bocas de Mentol, pela Editorial Minerva. Foi colaborador da Revista Vidas do Correio da Manhã, e da Mais Alentejo. Actualmente colabora com o jornal Diário do Alentejo. Também é autor de guiões de programas de televisão e rádio. Contudo a voz é a sua principal ferramenta de trabalho. Com ela tem dado vida a diversas personagens em televisão, rádio, cinema de animação (Frozen, Carros, Toy Story, entre muitos outros), espectáculos ao vivo e na publicidade, onde é voz de companhia de diversas marcas (Peugeot, Ponto Verde, Nintendo, Dodot ou AXN Black). Na televisão fez parte de vários elencos: Contra-Informação (RTP), 5 Para a Meia Noite (RTP), Edição Extra (SIC Radical), Memória de Elefante (RR) Treze (RTP) são alguns dos exemplos do seu trabalho, que podem ser vistos em brunoferreiraonline.com. Em 2013 foi distinguido com a Medalha de Mérito Artístico e Cultural da Câmara Municipal de Beja. Em 2014 lançou o livro de crónicas “A Vida é um Cogumelo Verde”. Em 2017 iniciou-se como professor de aulas de Colocação de Voz em Rádio na Universidade Católica.

 republicado por Charlie

outubro 09, 2016

A crise e as coisas extra-ordinárias.

Velha lanterna esquecida

Há coisas EXTRA-ORDINÁRIAS que só por o serem, merecem ser partilhadas.
Vem ao caso uma velhíssima lanterna, esquecida por trás de uma estante num espaço que uso como armazém. 

Logo, logo e dado o estado triste em que a encontrei, caída num recanto, cheia de pó e teaças, pensei em atirá-la para o contentor da reciclagem.
Pensando melhor, olhei ainda melhor e disse cá para mim:
- "Isto já não é uma velharia, é uma peça de Antiguidade! Vou limpá-la o melhor que puder e colocá-la -la na loja, numa montra em exposição".
Acendeu!!!
Claro que sem qualquer esperança, fiz o que toda a gente faz: liguei o interruptor.
 Fiquei deveras estupefacto: Não é que a luz acendeu?! 
Nem quis acreditar. Ali na minha mão, a lançar uma luz arrogante, ainda de filamentos, -quais LEDS nem meios LEDS-, sobre uns olhos incrédulos. A lâmpada acesa, com um brilho de nova, a sair de uma parábola já com uns toques de ferrugem, digamos, rugas da idade...
Peguei no conjunto e fui submete-lo a uma breve análise técnica.
Funcional, sem problemas de maior

Desmontei tudo e depois de constatar a qualidade do material, toques de ferrugem aqui e ali, mas impecável no funcionamento, fui medir a pilha.
Um espanto! 4, 5 volts, novinha em folha nos seus quantos anos?
Dei uma volta e na base da dita, estava gravada a segunda surpresa: Julho de 1998!
Repito 1998! Mês 07! 
Não sei se a data se refere à do fabrico ou como sendo o limite do prazo. A ser a segunda hipótese, a pilha em estado impecável é ainda mais antiga.


Pilha de 4,5 volts, a medir 4, 58!
Ano de fabrico, ou talvez prazo limite...
Depois lá veio o meu mau feitio ao cimo. 
É pelas lanternas que compramos aos Chineses, que deitamos fora passadas duas utilizações, de pilhas mesmo de marca, todas feitas na China e que chegam a rebentar dentro dos "Blisters" que a Europa fechou toda a sua indústria, que entregou o que era a sua marca de qualidade pela troca de uns trocos a mais nos lucros a curto prazo. 
Made in France, diz no rótulo da pilha. Tenho a certeza de que jamais alguém conseguirá reproduzir um texto igual a este referindo-se a uma pilha "made in PRC"...
E mais não digo, a crise continua...






julho 18, 2016

«Como assaltar um banco sem ir preso» - António Pimpão

Recomendação: não tente seguir as sugestões que se seguem pois, se o fizer, não sendo banqueiro, arrisca-se a ser preso e a ficar com o nome manchado na praça.
Para a hipótese de ser banqueiro, indico a seguir, sem obedecer a uma ordem especial, alguns tópicos para juntar muito dinheiro subtraído ao banco. Posso assegurar que o assunto não envolve qualquer risco.
Ei-los:
1.º - Crie uma sociedade num paraíso fiscal e, através do banco, empreste-lhe uma quantia considerável (milhares de milhões), recebendo como garantia as ações dessa mesma sociedade. O dinheiro assim emprestado servirá para sacar o máximo em proveito próprio, para pagar favores a políticos ou administradores subservientes de sociedades associadas e pagar, por fora, as gratificações aos administradores e diretores do banco.
Claro que, sem qualquer atividade ou receita e despojada do dinheiro emprestado, a sociedade acabará por ir à falência. Neste caso, as ações dadas como garantia são executadas pelo banco mas, como a sociedade vale zero, a perda é total. Esta perda vai deduzir aos lucros do banco, baixando a sua matéria coletável e os impostos a pagar, pelo que, como se vê, o estado acaba por suportar cerca de 1/3 da perda/desvio.
2.º – Empreste uns milhões a um amigo de confiança (por exemplo, o Bibi) que, em contrapartida, lhe fará um donativo de uns milhões. Mesmo que a judiciária ou o ministério público venham a descobrir, não se preocupe: arranje um parecer de um catedrático de Coimbra a argumentar que se tratou de uma liberalidade do amigo em retribuição de conselhos em tão boa hora dados. Claro que o amigo nunca mais vai pagar o empréstimo mas o contencioso do banco também não vai mexer uma palha para tentar a cobrança. A perda assim sofrida pelo banco vai reduzir a sua matéria coletável e … (ver parte final do caso 1);
3.º – Intervenha como consultor do fornecedor estrangeiro de equipamento de defesa (por exemplo, de submarinos) e conduza as coisas para que o preço da adjudicação seja empolado por forma a comportar uma quantia que o referido fornecedor lhe pagará em comissões faturadas por uma empresa fictícia com sede num paraíso fiscal. A referida comissão será, depois, repartida entre os administradores, políticos e diretores, sem inclusão na declaração fiscal de qualquer destes beneficiários.
O que a seguir tem que fazer é exercer lobbying junto do governo para que aprove um Regime Especial de Regularização Tributária (RERT) em que, mediante o pagamento de 5% do dinheiro desviado, fica com ele bem lavado e sem o risco de lhe vir a ser imputado qualquer crime. E nem precisa de repatriar o dinheiro desviado. Com a vantagem de este RERT dar cobertura a qualquer das modalidades utilizadas para desviar o dinheiro para offshores.
4.º – Faça empréstimos sem medida nem controlo a um banco participado com sede nas antigas colónias (por exemplo, Angola). Está assegurado que nem o banco de Angola nem o banco de Portugal exercerão qualquer supervisão ou criarão obstáculos. Esse dinheiro será depois emprestado, sem garantias nem registo de quem são os seus beneficiários (entre os quais se encontrará, necessária e maioritariamente, @ amig@). Para lançar poeira nos olhos dos auditores, o governo angolano subscreverá uma garantia mas, chegada a hora, essa garantia será recusada, sem protestos dos acionistas, do banco de Portugal ou do governo.
5.º - Proceda à emissão, através do seu banco, de obrigações subscritas por empresas do grupo falidas. Logo a seguir, venda-as prontamente essas obrigações a uma financeira manhosa mas de confiança, sedeada por exemplo na Suíça, por um preço consideravelmente inferior àquele a que as mesmas obrigações serão a seguir colocadas por esta financeira em clientes naturalmente incautos, através dos balcões do próprio banco (a intervenção da financeira serviu apenas para desnatar, para formalizar o desvio). Esta financeira com sede na Suiça, não sujeita a auditoria, ficará, sem mexer uma palha - pois todas as transações foram faz de conta -, com o lucro correspondente ao referido diferencial, ficará com uma pequena parte para si, a título de comissão, e, o restante, ficará para @ amig@.
Esta operação acarretará, necessariamente, considerável prejuízo para o banco. Em condições normais, este prejuízo deduziria aos lucros da atividade bancária e faria com que o banco pagasse menos impostos; em condições anormais, e devido à convergência de vários problemas, provocará a falência do banco. Sem stress, pois a banca não pode ir à falência, por causa do tal risco sistémico, e alguém – o mexilhão - vai ser chamado a pagar.
Tem aqui, pois, 5 sugestões todas elas realistas e praticáveis (e praticadas!). Qualquer semelhança com a realidade não passa de pura coincidência.
Se, depois disto, ainda estiver preocupado sobre como encobrir ou lavar o dinheiro assim desviado é porque esteve desatento ao que foi sendo aqui dito. Ou me expliquei mal!
Como é bem de ver, tudo isto só é viável se for banqueiro pois, como vem nos livros, todo o banqueiro é pessoa séria e honrada, acima de quaisquer suspeitas. O que não tem admitido prova em contrário.

António Pimpão

junho 08, 2016

«Caixa... é Caixa» - António Pimpão

De há uns tempos a esta parte que a comunicação social, alinhada com o governo, vem plantando notícias sobre a necessidade de capitalizar a CGD, sendo a EU apresentada como o mau da fita, por não consentir que o estado intervenha para capitalizar empresas públicas, por isso constituir uma forma de as subsidiar.
Finalmente – e como seria de esperar, pois já estamos suficientemente anestesiados com essas sucessivas notícias – a mesma comunicação social adianta que “Bruxelas dá luz verde a linhas gerais da recapitalização da CGD”.
Ora, iniciar a discussão deste assunto a partir da constatação da necessidade de a CGD ter que ser capitalizada é mistificador, pois se está, dessa forma, a passar uma borracha sobre as causas que conduziram a esta situação.
Não questiono que a CGD esteja descapitalizada e que, face à necessidade de cumprir determinados rácios e, até, por razões prudenciais, precise urgentemente de ver reforçados os seus capitais próprios, via aumento do capital social, que só o estado pode fazer por ser o seu único acionista.
Mas o que me causa indignação e mal estar é pensar nas causas que sistemática e convergentemente têm conduzido ao empobrecimento do banco, sem que qualquer dos gestores ou algum dos membros do governo acionista seja responsabilizado pelo estado a que isto chegou.
A CGD é o banco mais estatista, mais rígido, menos amistoso e mais caro do sistema bancário nacional. É o que, por um lado, cobra comissões mais elevadas e, por outro, o que mais colabora e facilita a vida aos grandes empresários, a quem sempre vem servindo de bengala, sendo, por isso, forte com os fracos e fraco com os fortes.
A CGD tem 19 administradores, todos eles muito bem remunerados. Para quê tanta gente a mandar? Mas o mais grave é que, quando abandonam a administração, independentemente do tempo em que exerceram funções, passam a auferir uma pensão de reforma igual ao seu vencimento, que é suportada pelo fundo de pensões, ou seja, pela própria Caixa (lembro a polémica a respeito da pensão de reforma de Mira Amaral, cujo direito foi adquirido ao fim de um ano de administrador).
As administrações da CGD não chegam a aquecer o lugar, não me lembrando de que algum dos seus membros tenha sido reconduzido. Em consequência, nestes 40 anos de democracia já devem ter por ali passado cerca de 300 administradores, todos eles a receber ainda opíparas pensões de reforma.
Os trabalhadores da CGD (e também os do Banco de Portugal) reformam-se aos 60 anos, contra 65 nos restantes bancos e atividades.
Apesar das elevadas comissões e taxas de juro que cobra, a CGD há 5 anos que tem vindo a apresentar elevados prejuízos. Esses prejuízos refletem más decisões tomadas pela administração e pelos diretores, pelo que são inexplicáveis e inaceitáveis as remunerações e demais regalias de que beneficiam, sem que seja feita qualquer avaliação do seu desempenho. E, depois, cá estamos nós, os contribuintes e acionistas, para cobrir as falhas, sem poder fazer perguntas sobre o assunto, pois outros decidem por nós.
Desta vez, serão cerca de 4 mil milhões de euros, que é uma pipa de massa, que o estado vai aplicar na CGD, às nossas custas. Esta quantia não é determinada nem vai servir para expandir o negócio; serve, sim, para tapar o buraco aberto pelos descomunais prejuízos dos últimos anos.
A parte substancial dessas perdas resulta de imparidades, ou seja, de não conseguir recuperar empréstimos que realizou no passado ou aplicações que fez em empresas de duvidosa rentabilidade, uma vez que tem estado sempre disponível para apoiar uma classe empresarial descapitalizada quando se trata de comprar, como parceiro financiador, algumas dessas empresas, que, depois, acaba por vender na altura em que começam a ser rentáveis, assim abdicando, a favor dos parceiros, das correspondentes mais-valias (vide Cimpor, Brisa, Compal e PT, além dos empresários Berardo, Fino e outros de cariz mais especulativo)
Como diriam os ingleses: “Who cares?!!!”

António Pimpão

fevereiro 07, 2016

Centeno avalia a Troika. As vossas "reformas" foram um falhanço!

Porque é que esta notícia não passou nos telejornais? : 


As vossas "reformas" a que nos obrigaram, foram um FALHANÇO
Copio e colo o que se segue do Jornal de Negócios
Centeno contra-ataca em carta a Bruxelas: "reformas" da troika foram um falhanço
O ministro troca de papéis e passa de avaliado a avaliador. Aproveita a carta que enviou a Bruxelas para dizer que o programa de ajustamento da troika falhou, comprometendo o objectivo último do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC): 

pôr a economia a crescer.


É já no penúltimo parágrafo da carta que enviou à Comissão Europeia  e em jeito comentário final que Mário Centeno, o ministro das Finanças, se vinga da implacabilidade aplicada por Bruxelas à análise do seu esboço orçamental e às apreciações das suas políticas. Após elencar todas as novas medidas de austeridade a que foi obrigado para cumprir as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC), o ministro das Finanças aponta as baixas perspectivas de crescimento de médio prazo da economia portuguesa que ficam como legado das "muitas reformas" aplicadas pelo anterior governo sob a batuta da Comissão Europeia, do FMI e do BCE. E lembra: o objectivo chave do PEC é exactamente melhorar o potencial de crescimento.
Ladrões, ou apenas " põem-se a jeito "? 
"Como sabe, Portugal completou recentemente um programa de ajustamento económico" lê-se na carta endereçada a Valdis Dombrovskis, vice-presidente da Comissão Europeia e a Pierre Moscovici (2), o comissário responsável pelos assuntos económicos e financeiros, seguindo-se uma descrição dos resultados: "Muitas reformas foram implementadas mas o seu impacto falhou em materializar-se e o crescimento económico permanece baixo, pois o programa foi orientado para o curto-prazo e não conseguiu resolver os importantes entraves ao crescimento da economia portuguesa". Mais: "Estas fragilidades estruturais são da maior relevância pois comprometem as perspectivas de longo prazo da economia portuguesa – o objectivo chave do Pacto de Estabilidade e Crescimento", atira ainda o ministro português.
Em suma: um ajustamento estrutural concentrado apenas no curto prazo, que não eliminou os entraves ao crescimento, nem aumentou o potencial de crescimento da economia.
Confiamos um cozinhado ao Magoo? Não?
Então porque é que confiamos o País a ceguetas?
Passada esta refrega orçamental, e aprovado o orçamento, Mário Centeno diz que o Governo "baseado no seu programa, prestará particular atenção no próximo ano a implementar reformas estruturais", concentrando o seu espírito reformista em quatro áreas: administração pública; segmentação do mercado de trabalho e financiamento da segurança social; capitalização das empresas; e reforma do sistema regulatório, um tema que o ministro tem repetido como urgente, especialmente após os desaires de final do ano com Banif e Novo Banco.
É caso para dizer que contas com contas se pagam !"

charlie

novembro 28, 2015

Urgente o TGV? Era já para ontem!!!!

....“Foi um erro deste Governo acabar com este projecto”, disse, na III Conferência da Comunidade Portuária de Sines, Luis Mira Amaral, da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), referindo-se à ligação do Porto de Sines a Espanha, pela ferrovia de bitola europeia......
Mira Amaral




Em 2010:  Portugal não precisa do TGV

Em 2014 e 2015:
O TGV é fundamental para o Porto de Sines,
 e foi um tremendo erro nãoter-se construído
a ligação em bitola europeia (TGV)
Opinei e escrevi largamente sobre este tema durante vários anos, e deixei aqui -e em vários posts- neste blogue expressas as minhas preocupações relativamente a isso.
As obras da ligação em bitola europeia, TGV, AVE, ou o que lhe quiserem chamar, não se fizeram e agora Espanha, -tal como deixei em aviso a  que ninguém liga mormente por eu ser apenas ninguém, preocupados que andam a navegar a demagogia barata e enterrando projectos que são FUNDAMENTAIS para a competitividade da nossa economia- vai levantar as linhas de bitola Ibérica. 

O que é que isso quer dizer?
Quer dizer, como muito bem disse  agora Mira Amaral repetindo o que dissera em 2014, que Portugal vai ficar uma ilha ferroviária.
Ou seja, um sítio de onde não partem nem chegam comboios vindos de fora.
Poderão os mais incautos julgar que isso é quiçá coisa de somenos importância.
Mas se atendermos a que - e volto a repetir-  no contexto actual as matérias primas  são transitadas no imediato, pois que os modelos de gestão uniformizados e globalizados, quer por gestão do espaço físico, quer por determinações de ordem económica não permitirem acumulação de stocks, então temos um grave problema a começar de imediato pela Auto Europa e o Porto de Sines.

Mira Amaral voltou a declarar recentemente o que já tinha dito em 2014, falando da primeira vez tão baixinho  que quase ninguém ouviu nem leu.
Mas as opiniões mudam e se agora é a favor, dois anos antes ainda era contra e deixo aqui para consulta o que faz memória e não pode ser desmentido.
Dizia ele então estar muito agradado com o adiamento do TGV.
A onda era a contestação ao governo de Sócrates, e à laia de molhar a sopa, tudo que era gente do contra batia fortemente nos investimentos. Uns por serem "megalómanos", outros por serem insuficientes.

Contudo, eis que ele aponta agora a necessidade urgente de uma ligação em bitola europeia, a do TGV, pois de contrário, todos os grandes investimentos e projectos, nomeadamente ligados à exportação, perdem competitividade,  e pior, correm o risco iminente de  tornarem-se inviáveis.

O TGV está definitivamente enterrado

"O povo não come TGV's"
O TGV está definitivamente enterrado, dissera Passos Coelho, pérola  repetida pela que foi depois ministra das Finanças com um orgulho pacóvio de quem vai na aldeia e não vê as casas.
Enterrado, sim está ele agora, e arrastou todos no seu enterro.
Perdeu-se muito tempo, e agora, a poucas semanas do levantamento das linhas em Espanha, as alternativas ficam-se pelas rodovias as quais atingiram, nos principais países da Europa, o limite.
Quer por questões de gestão de espaço, logística e até, ambientais, estão ser colocados fortes entraves à circulação das mercadorias por veículos pesados. O transbordo em Elvas / Badajoz, também implicará obras de vulto,  e Espanha não está disposta a fazer investimentos, prolongar linhas e criar espaços para esse efeito, nem se mostra muito entusiasmada com uma mole permanente de veículos pesados a entrar e sair constantemente de Badajoz.
Incómodos e aumento de custos e tempo, são as próximas alíneas a acrescentar nas despesas das facturas futuras.

Mas é assim. O que se poderia esperar de alguém que mentiu para ganhar as primeiras eleições, e que, sendo mentiroso, voltou a espalhar mentiras e parvoíces, tais como "o povo não come TGV's" e voltou a ganhar as mesmas?
É o País que temos, dizem muitos, mas demagogias à parte, ficamos agora mesmo a ver os comboios a passar.... ao longe...

setembro 24, 2015

«Re-flexão» - António Pimpão

Hoje quase não se fala doutra coisa que não seja da derrapagem do deficit de 2014 provocada pelo registo, nas estatísticas das contas nacionais, do financiamento de 4,9 milhões de euros feito há um ano pelo Fundo de Resolução ao Novo Banco.
Fala-se muito sobre o assunto mas nada se diz de sério, de inequívoco, procurando uns aligeirar as consequências da situação e, outros, pintá-la de negro.
Não vi, ainda, qualquer jornalista abordar o assunto em termos pedagógicos, para que possamos seguir o fio à meada.
O que tenho lido e ouvido é, sobretudo, muita mistificação.
Vou procurar transmitir o que sei sobre o assunto.
Com a promulgação da Lei 55-A/2010, de 31 de dezembro, conhecida por Lei do Orçamento do Estado (para 2011), o governo criou um novo imposto sobre a banca designado de Contribuição sobre o Sector Bancário (art.º 141.º da referida Lei).
Este imposto não foi, naturalmente, bem aceite pela Associação de Bancos e incide sobre o passivo dos bancos, a uma taxa variável entre 0,01 a 0,05% desse passivo.
Trata-se de um imposto e, como tal, constitui receita fiscal, a par do IVA ou do IRS.
Ao contrário dos restantes impostos, este não se destina a ser gasto nos encargos gerais da nação. Ao invés, é integrado num fundo, o Fundo de Resolução, gerido por uma administração no âmbito do Banco de Portugal.
Este Fundo de Resolução visa apoiar financeiramente as instituições bancárias que entrem em dificuldades.
Questão: quando este fundo aplica o seu dinheiro – proveniente dos nossos impostos – no apoio a bancos em dificuldades (como foi o caso do BES/Novo Banco) está a empresta-lo ou está a investi-lo?
O Primeiro Ministro, para dourar a pílula, defende que se trata de um mero empréstimo e, por isso, não é um gasto. Os organismos estatísticos nacionais (INE) e da união europeia (Eurostat, pelo contrário, consideram que se trata de uma aplicação, um investimento, e, como tal, da mesma forma que a sua cobrança é uma receita de impostos também a sua aplicação é uma despesa para efeitos orçamentais. E, para efeitos estatísticos, esta despesa corresponde à quantia aplicada, deduzida daquela que for recuperada no prazo de um ano (este prazo é, naturalmente, uma convenção). Isto explica a pressa com que o governo procurou vender o Novo Banco, pois dessa forma a despesa seria menor, ou seja, seria de 4,9 milhões de euros menos o valor da venda do banco. Mas sabia que a operação afetaria o deficit de 2014 (ano da aplicação), tanto mais quanto mais baixa fosse a venda. Como não se vendeu, todo o dinheiro aplicado foi incluído no deficit.
Embora aparentado, o dinheiro aplicado pelo Fundo de Resolução no Novo Banco não é um empréstimo, pois se trata de gastar dinheiro dos impostos. Empréstimo, aí, sim, é o que fez o governo ao Fundo de Resolução para que este pudesse capitalizar o banco com 4,9 milhões de euros, tendo, até então, e desde 2011, juntado apenas menos de um milhão de euros.
Também há quem culpabilize o INE (Instituto Nacional de Estatística) por só agora, a poucos dias das eleições, ter divulgado o agravamento do defict de 2014, gerando um ruído desfavorável na campanha. A verdade é que não podia ter agido de outra maneira, a partir do momento em que o governo tentou alienar o banco antes de ter decorrido um ano sobre a sua criação, porquanto a quantia a registar no deficit estava dependente do valor da alienação, como dito atrás.
É um facto que o agravamento do deficit em 2014 não prejudica em nada o deficit de 2015, na medida em que se tratou de uma situação extraordinária, irrepetível. A menos que seja necessário injetar mais dinheiro do Fundo de Resolução no Novo Banco.

António Pimpão

setembro 22, 2015

60 € por dia?... quem me dera ser grego!

O que eu acho extraordinário - verdade, ainda acho... - é esta coisa extraordinária de um Passos e outros descaminhos dizerem, extraordinariamente e perante uma nova eleição em que o Syriza obtém a maioria - contra as abençoadas sondagens, note-se... -  que, «felizmente», nós não somos a Grécia!!!

A Gécia onde, vejam lá, o vulgar cidadão apenas pode levantar 60 € por dia nas caixas multibanco!!!!

Eu sei que já muita gente falou nisto, mas deixem-me lá falar eu, outra vez: 60 € por dia? São, se não me falha a calculadora, cerca de 1.800 € por mês...

Vá, confessem lá: quantos de vocês é que podem levantar 1.800 € por mês nas caixas multibanco? É que eu não posso... e dizem-me que pertenço à classe média (remediada, pelo menos - para quem tiver muitas dúvidas posso sempre remeter, a pedido, uma cópia do meu vencimento, com os 50% limpinhos e direitinhos para o Estado).

Felizmente que nós não somos a Grécia?! 

Ora, com vossa licença, vão berdamerda!   

Escândalo da Volkswagen. A ponta do Iceberg?

´
O último escândalo que tem a empresa de referência Alemã, a Volkswagen, em epicentro, pode muito bem ser apenas um início do desmontar de um novelo com ramificações incalculáveis.
Habituados que estamos a ver na chamada "locomotiva" da economia Europeia, uma bitola de comportamentos em que o rigor aparece como a espinha dorsal, é-nos lícito colocar todo um rol de interrogações.

Podemos dizer que uma empresa não é um país.
Pois é. Mas a Volkswagen é tão só a maior empresa Alemã, é a cara da qualidade e do rigor que o país criou e exportou para todo o mundo, e se a empresa resolve arriscar o seu prestígio numa batota sofisticada, é porque apenas essa batota lhe poderia dar a vantagem competitiva de que estaria a carecer.
O que nos levanta outras suspeitas.
Uma breve investigação dá-nos outras respostas e abre outras perguntas, outras suspeitas.
Assim, descobre-se que a  Volkswagen foi autuada no passado recente (Janeiro 2014) em outra multa milionária, por graves irregularidades nas linhas de produção no Brasil.
No mesmo ano, em Setembro, foi na China, e por razões que se prendiam mais com corrupção e controlo de preços.
Este ano 2015, conheceu mais um processo em que 107 concessionários de diversas marcas foram autuados em 40 milhões por manobras de controlo de mercado, tudo orquestrado pela empresa-mãe: a Volkswagen!
Mais casos haverá, mas basta-nos estas três referências para que possamos extrapolar e parar para pensar.

Interrogação:
As contas públicas Alemãs, estarão afinal assim tão saudáveis?
Que manobras sofisticadas, engenharias financeiro-informáticas e outras,  terão feito com que a Alemanha apresentasse as contas sempre dentro dos parâmetros que afinal eles mesmo estabeleceram?
Que direito tiveram eles de massacrar os parceiros da União Europeia apenas por causa de uma relação entre custos e receitas?
Que legitimidade terão os governantes submissos a impor ditames rigorosos, se afinal os lhes que exigem rigor, só o conseguem a custo do martelar de dados?
A investigação que agora irá encetar-se, vai fazer certamente fazer rolar muitas cabeças.
Ou não.
Talvez role apenas a do mecânico e que apertou a última porca da centralina do carro, algures numa linha de montagem por essas terras da Alemanha.
Quem sabe. Se calhar Português, emigrado em consequência da falta de rigor das contas públicas do seu país e que lhe fizeram fechar a pequena oficina que o seu pai, também mecânico lhe tinha deixado em herança...

maio 08, 2015

«Economia e Finanças para totós» - António Pimpão

Economia e finanças são conceitos distintos mas que andam ligados.
São como que as duas faces de uma mesma moeda!
A economia tem a ver com os recursos, com os bens e os serviços que se produzem, armazenam, distribuem e vendem.
As finanças têm a ver com o dinheiro e com o crédito (obtido e concedido).
A economia sempre existiu e continuará a existir, uma vez que está ligada às necessidades humanas e, sobretudo, aos meios para as satisfazer.
As finanças só apareceram mais tarde, quando surgiu a moeda. Sem moeda, sem trocas comerciais, sem mercado, não há finanças.
A compra de alimentos, de vestuário, de serviços de cabeleireiro, de matérias-primas, de automóveis, de serviços de transportes, etc., tudo isto pertence à esfera da economia. Trata-se de bens e serviços que se transacionam.
Onde entram as finanças?
Numa economia de mercado, não há trocas de bens económicos sem que o seu fornecedor/prestador não exija dinheiro em troca. Sem que intervenham as finanças. É sempre preciso dispor de dinheiro – e abrir mão dele – para se obterem bens económicos. E o valor de ambos é sempre igual.
Quem comprar uma camisa obtém, dessa forma, um bem económico, para a obtenção do qual tem que despender dinheiro, ou seja, ver diminuídas as suas finanças: para se poder ter mais bens económicos fica-se com menos recursos financeiros, com menos dinheiro. Pela mesma quantia. Como Dupond & Dupond.
Para o vendedor da camisa, a operação apresenta-se de formam inversa: abdicou de um bem económico para, em contrapartida, aumentar a quantidade de bens financeiros, o dinheiro (ou crédito).
A economia lida com bens e serviços essenciais à nossa sobrevivência, tem caráter de indispensabilidade; as finanças são um instrumento que permite agilizar a economia.
O princípio básico exposto tanto se aplica à esfera doméstica, como das empresas, como dos países, como do mundo.
O problema apresenta, porém, algumas nuances.
Por vezes, as trocas entre bens económicos e financeiros não é simultânea: intervém o crédito, que também releva da área financeira. Neste caso, a movimentação dos bens económicos antecede, duma maneira geral, a movimentação dos bens financeiros, ou seja, do dinheiro.
Mas o processo nunca se encerra sem que ocorra o correspondente movimento financeiro, pois é este que regulariza a operação.
O crédito facilita o processo económico, pois permite transações económicas sem exigência imediata da contrapartida em dinheiro.
O crédito como que fornece alguma autonomia à área económica, permite a esta tratar da sua vida sem o imediato desembolso de dinheiro. Mas isso será sol de pouca dura, logo terá que ser feito o pagamento.
Na atualidade, são frequentes as operações financeiras autónomas, ou seja, sem ser em resposta a uma operação económica. É o caso da contração de um empréstimo bancário. Na sua sequência, há a sensação de uma maior abundância de dinheiro, porque este foi obtido sem sacrifício de bens económicos. No entanto, mais cedo ou mais tarde o empréstimo tem que ser reembolsado. E lá se vai a sensação de abastança de dinheiro.
Apesar de o empréstimo obtido e do seu posterior reembolso constituir uma operação estritamente financeira, ele não se realiza sem algum sacrifício de ordem económica: a empresa teve que suportar juros (custo do serviço do financiamento, aspeto económico) e que os pagar (aspeto financeiro). Ficou mais pobre em resultado desta transação financeira autónoma (o pedido de empréstimo).
Se uma empresa passa a realizar mais compras a crédito do que anteriormente, ou se passa a pagar com um maior atraso, sentirá uma maior folga financeira, maior abundância de dinheiro. Mas trata-se uma situação passageira e ilusória: se não for agora será um pouco mais tarde que terá que fazer o correspondente pagamento. Mas, enquanto dura, é um facto que esteve financeiramente mais desafogada.
Outro tipo de movimento financeiro autónomo é quando a entidade (empresa, particular ou organização) recebe um subsídio. Aumenta os seus bens financeiros, sem sacrifício de bens económicos. E, neste caso, até sem a obrigatoriedade de reembolsar o dinheiro assim recebido.
Os impostos que pagamos – e que as empresas pagam - também constituem movimentos financeiros autónomos: há um pagamento – redução dos meios financeiros – sem acréscimo de bens económicos (diretos, controláveis).
Há, porém, quem defenda que a contrapartida do dispêndio financeiro, no caso dos impostos, é a partilha dos bens económicos coletivos, do estado. Só que estes não são apropriáveis nem são transacionáveis em proveito próprio.
Pode dizer-se que toda a atividade económica – em sentido lato – é coisa de doidos: tem-se dinheiro, o fundo de maneio inicial, mas não se está satisfeito, ele é aplicado em bens económicos: máquinas, mercadorias, matérias-primas, pessoal, etc. Para quê? Para produzir (ou valorizar) os bens económicos adquiridos. Para quê? Para os vender, para realizar operações económicas de saída. Para quê? Para receber dinheiro (aspeto financeiro). Para quê? Para voltar a comprar bens económicos! Para quê? Para os transformar e vender. E assim ad aeternum!
Numa empresa, o ponto de partida é a posse de meios financeiros, estes são trocados por bens económicos (com saída de meios financeiros), os bens económicos são vendidos e novamente trocados por meios financeiros (entradas de dinheiro). E logo se retoma o ciclo!
Aparentemente, a área financeira é dependente da económica. É a área económica que promove o aumento da riqueza. É ela que proporciona o lucro. Mas a área financeira pode estrangular a área económica: se não houver dinheiro, ou ele não for suficiente, não se pode desenvolver o negócio. Começa por não se poder aumentar o seu nível e, depois, por já nem sequer o manter.

António Pimpão

janeiro 12, 2015

a desgraça do TGV em Portugal, a caminho de uma nova Albânia

Saiu recentemente a público o custo do TGV que afinal não se iria fazer, mas o qual já estava em centena e meia de milhões de €uro. O custo total, a ser construido,  era nessas notícias atirado para os .... 10.000 milhões de €uro, um desmando faraónico que era de algum modo, velhacamente alocado a responsabilidades de outros governos...

Ficará para a História a satisfação de Pedro Passos Coelho ao anunciar o abandono definitivo do projecto.

Para que não se compare a genialidade Einsteiniana dos três segundos de memória dos peixinhos, com a memória de minhoca que esta gente julga serem as nossas referências, e gente lembra-se disto:

No dia 5 de Fevreiro de 2013, um improvável sorridente Victor Gaspar (mas sim, ele ri) dizia no seu pouco veloz tom de voz, a alta velocidade Portuguesa ao anunciar na TVI:

Bruxelas destinou a Portugal 1,6 mil milhões de euros para a construção do TVG – integrado no Corredor Atlântico, acordado entre os estados-membros da União Europeia – que deve avançar até 2020, mas só se o Governo assegurar a restante verba necessária (de 25%).
PUB
“Há mais de 1,6 mil milhões de euros reservados para Portugal para projetos das redes transeuropeias relacionadas com os transportes” – dos quais 500 milhões dizem respeito ao orçamento do Mecanismo Interligar a Europa e 1,1 mil milhões dizem respeito ao fundo de coesão –, garantiu, em entrevista ao Expresso, o comissário europeu dos Transportes.
“Pediram-nos para criar as condições: um mapa e dinheiro. Isso está feito. Mas nós não construímos nada. Isso cabe aos países. Se Portugal não tiver recursos [o Corredor Atlântico] será atrasado, adiado, cancelado”, alertou Siim Kallas.
“Não vi qualquer sinal de que Portugal não tencione fazer a sua parte. Fala-se em atrasos e diferentes considerações, mas até ao momento nada de oficial”, acrescentou.
De acordo com o comissário europeu, os projectos de construção na nova ponte sobre o Tejo e do novo aeroporto em Lisboa deverão ficar parados, pelo menos até 2020, ano em que termina o atual quadro financeiro europeu.
Ou seja, o projecto total agora era financiado em1600 M€, 75% (não 85%) os quais sendo 1.600 milhões de €uros perfazem o custo total (dos 100% portanto) de 2.200 M€., Bem abaixo dos tais 10.000 milhões atirados pelas TV e jornais para cima dos nossos desgraçados neurónios.

Vamos dar de barato que ficaria pelos 2.500 M€, muito dinheiro mas de que a Europa pagaria 75%
O grande problema é agora o seguinte.
Quando demagógicamente se alarvejou nas TV's  hiper-inflaccionando os valores sobre os custos do TGV e da suposta megalomania não se disse  que quando a nova linha Badajoz-Madrid estiver terminada (final de 2016), em breve, o porto de Sines não vai poder de transportar contentores, nem de, nem para a U.E. nem para Espanha, por Badajoz.
Espanha vai desactivar, em 2016, as linhas que permitiam a ligação via caminhos de ferro entre Portugal e a Europa.
A única opção passa pela construção de raiz do troço Poceirão-Caia, em bitola europeia,(TGV) 
para mercadorias e passageiros e sua ligação aos portos de Sines, Setúbal e Auto-Europa, a qual, como todas as grandes empresas, a nível mundial, não possui stocks de matéria prima para mais do que um dia, dependendo do fornecimento diário, apenas economicamente viável por via férrea.
A farsa, Kafkiana e estupidificante, consiste no argumento recorrente de que não existem meios financeiros. Ora bem, mas não falando já do eterno saco azul que magicamente acode a tudo o que é banca estoirada, vão fazer um desnecessário porto de contentores na Trafaria para o qual estão 1000 milhões de  €uros destinados.
Algo totalmente incompreensível à luz da pergunta subsequente à razão mais básica:
mais contentores a descarrager em Portugal?
Para quê?
Preveêm um brutal aumento do consumo interno?
Não é de todo previsível.
Para seguirem para a Europa?
Por Lisboa, Trafaria, estando este governo alérgico a ferrovias, só com uma nova auto estrada, a que existe nem dá para o tráfego actual, recheada que está de atrasos e filas de quilómetros todos os dias.
Não pensem também em cento e oitenta quilómetros de auto-estradas- Sines - Badajoz, /Sines- Sevilha, cheio de camiões, pois a ligação de Sines às auto-estradas foi suspensa por este governo e no estado actual, os restos mortais das obras estão mesmo mortos.
E mesmo que estivessem feitas as ligações rodoviárias, o transporte exclusivamente feito por esse meio acarreta um brutal aumento de custos e demoras  nas transferências.rodo/ferroviárias além de uma dimensão de infrasturuas e logistica que não se sabe se haverá em Espanha.
Bem podem os comentadores acéfalos vomitar argumentos, sempre a favor do governo; sem ligação ferroviária de bitola uniformizada estamos mesmo tramados, não há como viabilizar os portos e industrias com a Auto Europa vêem a sua competetividade comprometida.
Tanto para a importação de matérias a granel, de forma rápida, como com a mesma rapidez escoar mercadoria, precisamos de estar ligados à Europa.
De outra forma, talvez por tele-transporte, SMS, ou mail,  já que depois do levantamento das linhas em Espanha, e do provável esvaziamento da TAP,  passaremos a ser uma literal jangada de pedra à deriva, rasgada não pelos Pirineus, mas pelo picotado de papel higiénico que separa  por fronteira este mísero rectângulo do resto do mundo.
Artigos relacionados:

julho 15, 2014

O BES e a táctica de Deu-la-Deu Martins


Recentemente encetaram os Bancos o processo de reembolso ao Estado relativo ao empréstimo de emergência que  para esse efeito tinha sido colocado à sua disposição.
No essencial o processo consistiu no adiantar de umas volumosas quantias para que estes não ultrapassassem - como se disse - uma determinada margem de segurança. Note-se, no entanto, que durante vários anos e sucessivamente, os Bancos tinham sido sujeitos aos chamados "testes de stresse", os quais tiveram como resultado o revelar de situações na região do confortável, capazes que estariam, ao que transparecia, de aguentar os embates resultantes da crise, facto que não obstou a que a Banca aproveitasse o balão de oxigénio subitamente disponibilizado.
Podemos especular se os testes são dignos de algum crédito e os Bancos apenas aproveitaram para uma melhoria dos seus rácios, ou se os testes são uma treta e anda tudo com o credo na boca e  a varrer o lixo para debaixo do tapete, enquanto os fatos impecavelmente engomados escondem  camisas cheias de buracos, vazias portanto de tecido, com a excepção convenientemente visível dos punhos e colarinhos.
Da tragédia do sistema Bancário sacudido para cima dos contribuintes no caso BPN e afins, e aflições de Banifs, a servir de aviso aos outros que recorreram ao empréstimo, sobressaiu como referência de estabilidade o BES. O BES não precisou do dinheiro. O BES estava acima da crise.
Sobe agora ao cimo a verdade do azeite.  A máquina financeira da qual o BES faz de fachada  limpa enquanto nas traseiras o negócio anda a trabalhar com a lama (eufemismo) pelo pescoço, está falida.
Não há outro nome, está FALIDA.

A táctica do BES, a da simulação da fartura, faz lembrar a de Deu-la-Deu Martins, a heroína de Monção, que sitiada pelos Espanhóis e, já quase sem farinha, decidiu fazer com ela uma última fornada de pão que atirou aos sitiantes, estes também a braços com a mesma crise de escassez de alimentos. Este acto fez com que os Espanhóis julgassem que Monção tinha vastas provisões, não valendo a pena arrastar penosamente o cerco e assim levantaram os acampamentos e retiraram-se, pondo fim ao longo estado de sítio...
Se História, se súmula de metáforas,  o BES ter-se-á certamente inspirado nela. Andando com  a mesma, ou se calhar ainda maior falta de provisões, recusou a ajuda, transmitindo assim provisoriamente uma imagem de liquidez e vantagem competitiva para o mercado financeiro, enquanto esperava que a inversão da crise o pusesse de novo os negócios no bom caminho. No entanto, e diferentemente do cerco a Monção, os sitiantes não arredaram, a crise não se foi embora, e a fome fez os ratos a pouco e pouco abandonar os armazéns até à debandada que subitamente emergiu com o caso de Angola.
Percebe-se agora muito melhor a razão principal pela qual o BES teria recusado a ajuda: as ajudas  aos outros Bancos foram precedidas de auditorias e acompanhamentos que relativamente ao grupo BES de imediato teriam fazer soar os alarmes dos técnicos
Podemos argumentar que o BES não tem nada a ver com as outras empresas do grupo, mas o argumento tão fraquinho tem o  mesmo teor de ingenuidade do devedor tranquilo que tendo um fato com quatro bolsos, não paga as contas A, B. e C,  porque os bolsos A, B, e C dessas contas estão vazios enquanto o bolso D, onde guarda as receitas está bem muito obrigado!
O sistema é o dos vasos comunicantes, os bolsos são do mesmo fato, e o fato do mesmo dono. O bolso dos trocos não dá para pagar as contas dos outros bolsos, e por mais voltas que se dê ao assunto, uma urgente injecção de capital está  provavelmente a ser equacionada para muito breve. Para evitar outro BPN, ou se calhar já o temos para a gente pagar. Mas a farinha, meu Deus! Deu-la-Deu, e agora só se fizermos pãezinhos de bosta, senhores, Pãezinhos de bosta, uma questão de Prudência, que a pouca farinha que resta, é como diz o outro, para mim...

maio 21, 2014

O altruísmo, a especulação e a economia numa frase de Matthieu Ricard


"Se tivermos mais consideração pelos outros não vamos entrar em especulações selvagens, desbaratando as economias daqueles que depositaram a sua confiança em nós"

Matthieu Ricard
Monge budista francês
(excerto de uma entrevista à revista Visão de 1/5/2014)

Página pessoal
Artigo e video do Expresso: O monge Matthieu Ricard e a arte de ser feliz

fevereiro 28, 2014

«Lá vai água!...» - António Pimpão

Eis mais um exemplo do mal que sofremos devido à incompetência, oportunismo, desleixo, desinteresse e sei lá que mais de quem nos governa, desta vez à escala autárquica.
Com vista a receberem mais uns milhões destinados a realizar mais umas obras de fachada, de encher o olho, alguns municípios devem ter-se interrogado onde poderiam ir buscar esses milhões. A solução encontrada foi a venda ou concessão da distribuição da água, em termos tais que, iludidos pelo brilho do dinheiro que assim entraria nos cofres, assinaram contratos leoninos favoráveis aos concessionários, garantindo-lhes uma taxa de rentabilidade acima do normal, com a agravante de a totalidade do risco da exploração recair sobre o município, o que quer dizer, dos munícipes.
Esta situação vem agora denunciada pelo Tribunal de Contas. Vem tarde, porque os contratos encontram-se em vigor. Vem tarde porque a apreciação que está a fazer agora deveria ter sido feita previamente à celebração dos contratos. É ineficaz porque não tem outro efeito senão alimentar os jornais durante um ou dois dias. É ineficaz porque os presidentes de Câmara que promoveram e subscreveram estes contratos estão bem de vida e livres de qualquer responsabilidade, sequer política, porque já se reformaram, não sendo mais questionados sobre a malfeitoria colossal que cometeram.
Os contratos são claramente lesivos dos interesses dos municípios na medida em que garantem receitas que asseguram ao concessionário uma taxa de rendibilidade anormalmente elevada, receitas essas que não dependem da água consumida mas da água que, segundo o contrato, se previa vir a ser vendida de acordo com projeções de crescimento de consumo irrealistas, sendo que, para atingir estes níveis assim contratualizados, as receitas não cobradas dos consumidores têm que ser pagas pelos municípios. E já há casos em que este desvio é de 20%, ou seja, os consumidores pagam a água consumida segundo tarifas pesadas e a Câmara Municipal paga mais 20% dessa quantia.
Estes presidentes de câmara que celebraram tais contratos deveriam, em minha opinião, ser julgados e, apurada a culpa, ser presos, para assim espiar culpas próprias e servirem de exemplo a outros com igual espírito oportunista.

António Pimpão