setembro 02, 2007

"as mentes brilhantes que servem o capital (ou será a capital?) entendem que se deve mudar a hora"

Mais uma opinião recebida sobre a mudança de hora.

"Em tempos enviei um e-mail para a página do Senhor Presidente, mas suponho que ainda estão a pensar na resposta que me devem dar...
Diz o povo e com razão que mudança de hora não... mas as mentes brilhantes que servem o capital (ou será a capital?) entendem que se deve mudar a hora. E se os empresários interessados nesta situação tiverem grandes negócios com o Oriente? Também corremos o risco de ter um horário semelhante? Será que é muito complicado fazerem turnos nas empresas por forma a terem horários semelhantes aos seus parceiros de negócios e deixar o resto do povinho (que é a maioria) dormir em função do relógio do sol?
Lourdes Antão"

setembro 01, 2007

A minha quinta carta de trás da Serra na revista Perspectiva

Olá,

Espero que as coisas estejam mais calmas aí pela capital, agora que têm um novo presidente da Câmara, pois já andávamos todos demasiado preocupados com tantos problemas que Lisboa apresenta. Nem conseguíamos dormir, a pensar nos radares da segunda circular, nos contentores entre a cidade e o Tejo, no endividamento da Câmara, nas contas das empresas municipais, nos indícios de corrupção, nos assessores dos vereadores, nas alterações do PDM,...
Mas o que mais me tira o sono são os ataques pessoais e polémicas constantes entre pessoas de partidos diferentes e o vergonhoso fechar de olhos – quando não há mesmo elogios públicos – às maiores boçalidades que possam ser ditas ou asneiras que possam ser feitas, quando se trata de alguém do mesmo partido. É por estas e por outras que dou razão aos meus Pais e à minha Avozinha, professores primários (agora seriam professores do ensino básico), que me ensinaram, quando eu era criança, a resposta a dar quando me perguntassem qual é o meu partido: "A minha política é a política do trabalho". E, de facto, há valores que parecem ser inconciliáveis, pelo pouco que me posso aperceber daqui, detrás da Serra.
Recordas-te quando o meu Pai voltava a pôr no ninho, nos beirais do telheiro da escola, os passaritos que de lá caíam e conseguiam sobreviver? De o ver ajudá-los a voar quando já tinham penas mas ainda não confiavam em si próprios? Lembrava-me depois dessas avezitas sempre que, ao longo dos anos, tantas pessoas o iam visitar a nossa casa, muitas vezes vindos daí, da capital, ou de França, ou de outros países para onde tinham emigrado... para o rever e lhe transmitir como foi importante nas suas vidas.
O meu Pai tinha sempre uma anedota ou uma história engraçada da sua vida para contar. Como aquele aluno que tinha cinco anos de escola mas não conseguia passar da primeira classe. Um dia, o meu Pai escreveu um "i" no quadro, esmerando-se em realçar com o giz a pintinha em cima. E chamou o Zé:
- Zé, vem ao quadro e vê se me dizes que letra é esta.
O Zé olhou para o quadro fixamente e afiançou:
- Eu sei... mas não me lembro!
- Vê lá, Zé, que até tem uma pintinha no cimo – recordou-lhe o professor.
- Ai, Jesus! Mas eu sei! – tornou a afirmar o Zé, metendo um dedo na boca, num esforço enorme para se lembrar. O professor tornou a ajudá-lo, com a paciência das causas perdidas:
- Ó Zé, então qual é a única letra que aprendemos a escrever até agora que tem uma pintinha?
Como um relâmpago, o dedo do Zé sai disparado da boca e aponta para o quadro, enquanto da sua boca orgulhosa sai a resposta tão esperada:
- Ah! Pois! É o que eu pensava: é um nove!
Um caso idêntico foi o de um moço que, após vários anos na escola, também não conhecia sequer as letras. Como estava muito alto, não podia continuar à frente, junto das crianças de sete anos. E por isso o meu Pai colocou-o nas carteiras de trás, onde estavam os alunos da terceira classe. Foi eufórico que o garoto chegou a casa nesse dia e disse para a Mãe:
- Ó Mãe! Hoje passei para a terceira classe!
Noutra ocasião, numa campanha de educação de adultos, uma colega do meu Pai reparou que, na prova de redacção, um aluno bufava, suava... enfim, estava apatetado de todo. E tentou animá-lo:
- Então, o senhor sente-se mal? Quer um copo de água?
Responde o adulto:
- Não, minha senhora, eu não estou mal. Estou preocupado com o palerma do meu irmão, que na redacção se foi meter com o boi e a vaca. Ora, eu já me vejo atrapalhado só com o boi, quanto mais meter a vaca também!
Se quisermos e se estivermos atentos, podemos aprender muito com estas histórias, não achas?
E é com os olhos rasos de saudade que me despeço e te mando um abraço que, mesmo distante, é bem apertado.

Paulo Proença de Moura
Página on-line da revista «Perspectiva». Na secção das Crónicas estão disponíveis todos os meus textos anteriores.
________________________
O meu colega e amigo dos tempos de faculdade, Fernando Bravo, enviou-me esta história idêntica, que se passou com ele:
"Embora tenha o privilégio de ter conhecido a história do Zé em primeira mão, fiquei muito contente de te ver (em fotografia não mudaste muito) e de te ler (não sabia que eras escritor, mas agora com a Margarida Rebelo Pinto...).
Relativamente ao teu artigo só lhe faltou o shotaque para ser perfeito, mas enfim, não se pode ter tudo.
Já agora aí vai uma que se passou comigo e podes usar: Uma aula de Ciências da Natureza, 6º ano, em que o professor (este humilde servidor público) já estava com os cabelos em pé com a quantidade de «Zés» que tinha na turma. De cabeça perdida digo: «Vocês são é burros!». Responde o Francisco, todo zangado: «Eu não sou burro. Não tenho cornos!» Fez-se silêncio e muito suavemente começam a ver-se sorrisos, depois risinhos e, por fim, gargalhada geral. Nisto há um dos outros «Zés» que corrige o colega: «Ó burro! Aquilo que tem na cabeça são orelhas!». Resposta do Francisco, um pouco encabulado: «Ou isso!»."

julho 21, 2007

A minha quarta carta de trás da Serra na revista Perspectiva

Olá,

Continuas sem responder às minhas cartas mas eu compreendo-te. Como se já não bastassem os nervos em franja dessa vida e trabalho na capital, ainda deves estar a recompor-te do terceiro salão erótico. Mas está descansado, que eu não conto nada à tua mãe. Ainda ontem estava eu na esplanada do Pielas, a conversar com o Manchinha e ela estava a sair da missa vespertina, com o senhor padre.
Há dias tivemos uma patuscada na quinta do Panasco com uns amigos nossos que vieram de Coimbra visitar-nos. Não conheciam o Dadinho e ficaram muito admirados com algumas das peripécias dele que lhes contámos. Como quando ele ainda era pequenino e ia com o pai (o saudoso ti'Manecas da mercearia) de carro, de Caria para a Covilhã. Ainda não havia a auto-estrada da Beira Interior e a recta de Lamaçais era, para os nossos olhos, enorme nos seus 700 metros. Para mais, a seguir a essa recta havia – e há – outra recta, mais curta. Pois o Dadinho, admirado com a extensão da recta de Lamaçais, disse:
- Ó pa-pa-pai, que recta tã-tã-tão grande!
- Pois é, filho – condescendeu o ti'Manecas, mais preocupado na lista de compras que tinha de fazer na Covilhã.
Quando o ti'Manecas fez a curva e entrou na outra recta, o Dadinho admirou-se ainda mais:
- E continuuuuuuua!...
Ou quando o Dadinho foi acampar com o Lourencinho Filho Mais Velho do Professor Rogério para a Nave de Santo António, que tu sabes, mas muitos não, que é um vale glaciário na Serra da Estrela. Estavam os dois a dormir, quando o Lourencinho ouviu o Dadinho a tentar abrir desesperadamente a tenda, procurando os fechos precisamente no lado oposto àquele em que estavam. O Lourencinho apercebeu-se que o Dadinho estava aflito e, com medo dos estragos potenciais no interior da tenda, lá lhe deu a indicação para conseguir abrir o fecho... e continuou a tentar dormir. Mas o Dadinho, ao assomar a sua cabeça da tenda, gritou para o Lourencinho:
- Ó Lourenço, anda ver que-que-que paisagem ma-ma-maravilhosa!
O Lourencinho achou tão estranho... mas como o Dadinho insistiu, lá foi espreitar. Um carro branco estava estacionado mesmo à frente da tenda. E o Lourencinho teve que lhe pedir que pusesse os óculos:
- Pensavas que era neve, era?
Mas o Dadinho esclareceu:
- Nã-nã-não. Pen-pen-pensei que era o luar re-re-reflectido nos Cântaros...
E quando o Dadinho estava a jogar futebol com os amigos? Tu deves lembrar-te, que também lá estavas. Aproximou-se isolado da baliza adversária, um companheiro passou-lhe a bola... e ele estatelou-se no chão, sem ninguém lhe tocar, com a bola incólume a escapulir-se sem qualquer perigo para o guarda-redes. Enquanto os adversários se riam da cena e de alívio, os companheiros de equipa acorreram, num misto de cólera por perderem um golo certo e de gozo pela figura triste dele:
- Então, Dadinho, escorregaste?
- Nã-nã-não foi nada disso – esclareceu – ê-ê-eu ia chutar a bo-bo-bola com o pé esquerdo, mas não cheguei lá-lá-lá. Por isso ten-ten-tentei com o pé direito. Só-só-só depois é que me apercebi que esta-ta-tava com os dois pés no ar!...
E lembras-te das festas de aniversário dele? Memoráveis! A mãe sempre nos serviu uns belos acepipes. Mas o maior sucesso sempre foi o chouriço, uma delícia. Lembras-te de cantarmos umas quadras feitas por nós e com a música do «Parabéns a você»? Numa delas cantámos todos assim: “Da-da-da-da-dadinho / és-és-és o maior / não deixas teu chouriço / ga-ga-ganhar bolor”.
Um abraço para ti deste que por cá vai andando,

Paulo Proença de Moura
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Página on-line da revista «Perspectiva»

junho 09, 2007

A minha terceira carta de trás da Serra na revista Perspectiva

Olá,

Então como tens andado? Pelas notícias que aqui nos chegam, tem sido uma grande lufa-lufa aí pela capital. Por cá "está tudo na mesma, como a lesma". Ou pior ainda: terras abandonadas, empresas que fecham, infra-estruturas que não aparecem e outras que desaparecem.
No domingo fomos para casa do Quatro Papos-secos, como sempre que há jogos de futebol dos nossos clubes que sejam transmitidos na televisão. Depois de tantos anos, ainda não nos fartámos e nunca tal acontecerá, porque aquilo funciona como o apito de uma panela de pressão: chamamos nomes à equipa adversária, ao árbitro e, claro, entre nós, porque «amigos, amigos, clubes à parte». Aliás, não é raro cortarem-se relações durante um período de tempo que pode ir de segundos a anos, como naquela vez em que o Chico Padeiro disse que a bola tinha entrado e o Betes negou: "ficou afastada mais de trezentos metros da baliza, carais". Ainda hoje não se falam... e às tantas já nem se lembram do motivo. A malta até comenta que isto faz lembrar os habitantes da Córsega, numa das aventuras de Astérix.
Desta vez, o jogo estava tão morno que a conversa derivou para a política. O Dadinho chamou nomes aos governantes como se fossem árbitros: "andam todos à mama, carais". O Lourencinho do Professor Rogério lá lhe disse que não se podia generalizar, já que "há coisas bem feitas e políticos que fazem um bom trabalho". E deu o exemplo de muitas das medidas de desburocratização da administração pública que estão a ser tomadas. "O Simplex, não é? Nem daqui a trezentos anos aquilo se endireita", refilou o Zé Léu entre um gole de cerveja e um arroto. Mas todos reconhecemos que isto precisava era de muitos Simplex, na administração central mas também na local. Como sugeriu o Careca, "algumas câmaras municipais precisavam era de uma barrela, carais".
"Gooooooooooooo...", começou a gritar o Zé Léu, mas o árbitro tinha marcado fora de jogo. Corrigiu a tempo: “Goooooooole de cerveja”. E pimba, que estava calor.
Fomos para intervalo.
Todos concordámos em duas coisas: os petiscos que a Ana do Quatro Papos-secos preparou estavam uma delícia; e os políticos sofrem do mesmo problema do pastor que tantas vezes gritava por brincadeira "Socorro! Um lobo!" que, quando estava mesmo a ser atacado por um lobo, ninguém acreditou nele e nenhum colega o foi socorrer. "Os políticos deviam ser responsabilizados, não só perdendo depois eleições, pelas promessas que fazem e não cumprem", como sugeriu o Careca. "E os partidos que estão na oposição não deveriam atacar os governos de forma gratuita, como muitas vezes o fazem", rematou à baliza o Zé Léu. “Até porque depois vão eles para o governo e é vira o disco e toca o mesmo, carais”. E a malta gritou “gooooooloooooooo”.
"E o nosso John?", perguntou o Dentes. De quem ele se foi lembrar. Foi como se estivéssemos a ver a selecção portuguesa a receber uma taça e a ouvir o hino nacional. Não sei se tens visto o John aí pela capital, agora que ele é secretário de Estado. Ele, que tecnicamente é reconhecido por todos como um dos melhores especialistas na sua área em Portugal, está a fazer um óptimo trabalho no Governo. O Dadinho perguntou-nos se nos lembrávamos de "quando a televisão ainda era a preto e branco e o John apareceu vários dias num programa, sozinho, a explicar o que iria ser o IVA", algo de que ninguém até ali tinha ouvido falar e iria passar a fazer parte das nossas vidas. Claro que todos se lembravam. Tu lembras-te?
O Careca disse algo bem visto: "Vê-se trabalho, há resultados e não há ondas". Seria tão bom se a política fosse toda e sempre assim...
As nossas mulheres estavam agora junto de nós, enquanto o jogo não recomeçava. Interromperam as suas conversas – ninguém compreende como conseguem estar horas a falar – para criticarem o John, que "está muito gordo".
"Já recomeçou o jogo", gritou o Quatro Papos-secos. E lá fomos todos chamar de novo nomes ao árbitro, revezando-nos conforme ele marcava faltas a uma ou outra equipa. Desde que a cerveja não acabe no frigorífico, isto é que é vida, carais!
Bem hajas pelo intervalo que fizeste na tua azáfama para leres esta carta.
E recebe um grande abraço deste que não joga nada e a quem por isso vós chamais Cruijff desde os tempos de juventude,

Paulo Proença de Moura
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Página on-line da revista «Perspectiva»

junho 05, 2007

PT que os... (3)

Sabiam que a forma de os clientes da PT acabarem com estes massacres das chamadas promocionais é ligar para o 16200, marcar 9 para falar com um assistente e dar-lhe instruções para deixarem de ser incomodados com chamadas de telemarketing?
Simples e eficaz. Pelo menos para já, deixei de receber chamadas da PT à hora de jantar, à noite e aos fins de semana.

maio 26, 2007

PT que os... (2)

Chamada anónima.
Normalmente não atendo, mas hoje foi uma excepção:
- Bom dia, daqui é a PT Comunicações, fala Xxxxxx Yyyyyy. Posso falar com o senhor João Paulo Calheiros Proença de Moura?
- Qual é o assunto?
- Posso falar com o senhor João Paulo Calheiros Proença de Moura?
- É esse o assunto?!
- É para lhe falar sobre Planos de Preços.
- Sim? Não precisa. Eu conheço... e já tenho um Plano de Preços.
- E que Plano de Preços tem?
- A senhora está-me a ligar da PT e não sabe que Plano de Preços eu tenho?!
- Não.
- Então vá estudar a lição e depois telefone!
E desliguei.

Razão tem um amigo meu, que quando atende estas chamadas pede para aguardar porque vai chamar o senhor Aaaaaaa Bbbbbbbbbbbb (ele próprio) e deixa o telefone em cima da mesa durante uns bons minutos, até do lado de lá se cansarem e desligarem a chamada.

Outro amigo meu prefere pedir a quem lhe liga: «Olhe, agora não posso atender, mas dê-me o seu número de telefone de casa e eu ligo-lhe logo que possa».

TV Cabo e telefone por internet

Já aderiram à campanha da TV Cabo para um telefone por internet? "Por apenas 9,99€/mês e sem qualquer custo adicional, pode realizar chamadas ilimitadas para a rede fixa nacional."
Achei uma maravilha, mas estranhei esta concorrência à PT, sendo ambas as empresas do mesmo grupo.
Pois é... mas as chamadas para as redes móveis são a € 0,25 por minuto, muito mais que na PT, em que custam € 0,1331 no primeiro minuto e até € 0,2240 nos seguintes.
Ou seja, façam bem as contas, já que hoje em dia um peso significativo das chamadas é para telemóveis e esta oferta, que parece à primeira vista uma excelente opção, pode não compensar. No meu caso, não compensa.

PT que os...

Como decerto toda a gente que subscrevia o Plano de Preços PT Noites 21h-9h, com a última factura recebi um folheto em que a PT informava que esse plano passava a ser gratuito. Finalmente via algo de concreto dos anúncios dos Gato Fedorento!
Óptimo? Não, porque na factura (eu e a minha mania de verificar tudo) estava de facto esse Plano com preço 0 €... mas um outro Plano PT Noites 19h-21h activado... e debitado. Reclamei para a PT. Ficaram de cancelar esse serviço que não requisitei e recebi uma carta a informar-me que me creditariam o valor entretanto debitado "por motivos meramente comerciais". Eis a minha resposta, que espero seja útil para quem tem uma situação idêntica:

"Estimado(a) fornecedor(a),

Agradeço a vossa carta 4605PP239443570/NEG25455809/DSPV/GRN de 5/5/2007 em que me informam que irão creditar o valor indevidamente facturado do Plano PT Noites 19h-21h.

Eu poderia ficar razoavelmente satisfeito, depois da surpresa agradável que tive em saber que o Plano PT Noites 21h-9h, que eu subscrevo há já algum tempo, passava a ser gratuito... e da surpresa desagradável e revoltante de verificar na factura que a PT me passou a debitar o Plano PT Noites 19h-21h, por sua iniciativa e sem qualquer autorização da minha parte.

Mas a PT borrou a pintura toda quando me escreveu que faz este crédito "por motivos meramente comerciais".
Motivos meramente comerciais?! Então a PT acha-se no direito de me inscrever num plano de preços sem minha autorização e ainda acha que isso é uma atitude comercial?! Nem sequer me informa desse facto e ainda acha que isso é uma atitude comercial?! Não se preocupa em saber se está a fazer algo que se adequa aos interesses do cliente e ainda acha que isso é uma atitude comercial?! Ninguém na PT pensou que entre as 19h e as 21h o cliente pode nem sequer estar em casa ou ser hora de jantar, pelo que nem haveria oportunidade de fazer chamadas grátis... pagando este Plano, e ainda acha que isso é uma atitude comercial?!

Em nome de todos os clientes que poderão não ter estado atentos a este vosso abuso, peço-vos que comuniquem esta situação a todos os clientes a quem fizeram o mesmo que me fizeram a mim. Sob risco de a PT ficar completamente descredibilizada com esta atitude. O mal já está feito. No meu caso pessoal, irão corrigi-lo com um crédito na próxima factura, como dizem e espero. Mas revolta-me pensar que tenham feito isto a outros clientes que não tenham reparado e, por isso, não reclamaram.

Cumprimentos,
Paulo Moura"

Responderam com um pedido de desculpas pelo teor da primeira carta. É muito pouco, tendo em conta que deveriam, depois da asneira feita, corrigi-la para toda a gente.

maio 12, 2007

Trutas regionalistas

Imagem: Trutalcoa

Foi uma surpresa muito agradável ver a minha segunda «carta de trás da serra» publicada no blog «Regionalização», cujo mote é «Descentralização - um imperativo nacional». As trutas do Côa e o pessoal de Caria agradecem. Ah! E eu também... mesmo não pescando nada...

maio 05, 2007

A minha segunda carta de trás da Serra na revista Perspectiva


Olá,

Não me respondeste à minha primeira carta, mas eu compreendo: os afazeres aí pela capital não deixam muito tempo livre para as coisas boas da vida.
A propósito, no domingo fui à pesca da truta no rio Côa, com a rapaziada do costume. Que pena não poderes ir! Como te deves recordar, para as nossas mulheres é um alívio, que ficam livres de nós durante o dia todo. Elas são as primeiras a querer que a gente vá: "Ide! Ide dar banho às minhocas". E riem umas para as outras, vá-se lá perceber porquê...
Lá fomos, bem de madrugada, para chegarmos ao Côa antes de começar a clarear. Ainda te lembras da delícia que é ver a natureza a acordar? E que pena não ter estado um calor abafado de trovoada ou não ter nevado, que seria ainda melhor. Sabes que nessas alturas as trutas ficam doidas e saem dos buracos nas pedras e raízes do fundo do rio?
Mas não nos estás a ver a contar com a pescaria para almoçarmos, pois não? Nem nós! Os petiscos vêm de casa. À hora em que nos deu fome, só tivemos que apanhar lenha para pôr a carne no grelhador. E o Pintainho, que continua um mestre da culinária, deu-lhe um toque de todas as estrelas do céu. A vinhaça, então, era de estalo. Enquanto o Regador nos relatava "a truta de meio metro" que picou mas conseguiu fugir, o Careca lembrou-se de ti e de como gostarias de estar ali connosco, "mas quis ir para a capital, para junto dos que mandam". O Pintainho, enquanto virava o entrecosto e o pincelava com o seu molho especial, disse o que todos pensávamos: "Isso de mandar é um saco cheio de nada. Quem busca o poder devia vê-lo como deve ser – responsabilidade perante os outros – e não, como é costume, um meio para obter benefícios pessoais". "É mesmo", respondemos em coro. "E ainda há quem defenda a regionalização e que se faça de novo um referendo", admirou-se o Manchinha, enquanto nos desafiava para jogar bolim. O Regador interrompeu a sua saga da truta de setenta centímetros – que fugiu quando já estava a um palmo da margem – para revelar o seu receio que, sem a regionalização, as trutas fossem todas para Lisboa. Imaginas a risada geral?
O Careca voltou a pôr o tema nos carris dos assuntos sérios: "Quem manda não quer perder poder. As regiões provavelmente não serviriam de nada, porque o poder central iria sempre alimentar-se de forma a não perder o seu peso". Mas o Quatro Papos-secos, que até aí tinha estado com a boca cheia, apresentou uma ideia brilhante. Anota aí e apresenta-a aos teus amigos da capital: "Criem regiões administrativas, mas não retalhem o país como estão a pensar. Olhem para Portugal (continente e ilhas) e imaginem uma pizza. Como o Terreiro do Paço é o centro emblemático do poder central, dividam o país em fatias, sendo o centro a pata direita do cavalo da estátua de D. José I, que como sabem é a esquerda, já que a outra está dobrada. Desta forma, cada região terá a sua fatiazinha de poder central... e ninguém se chateia".
Esta teoria do Quatro Papos-secos é tão interessante que até foi com algum pesar que lhe roubámos as trutas que tinha pescado, enquanto dormia a sesta.
Ao fim da tarde, como a faina não deu grande coisa, fizemos o que tínhamos a fazer, para não ouvirmos comentários cínicos sobre os nossos dotes de pescadores: subimos o rio e fomos ao viveiro entre Quadrazais e Vale de Espinho. Aí, foi só pescar o que quisemos, pesar e pagar, já que difícil ali é lançar a cana e não trazer nenhum peixe agarrado.
No carro, de regresso a nossas casas já com o sol posto, o Betes mostrou o seu receio: "Ainda nos descobrem a careca, porque no Côa há a truta arco-íris e estas do viveiro são trutas fário..."
O Quatro Papos-secos desdramatizou: "Informação é poder. Na nossa região, as nossas mulheres nunca poderão saber esses detalhes". E fizemos um voto de silêncio, na qualidade de pescadores.
Bem hajas pelo tempo que dedicaste a esta carta.
E recebe um abraço forte deste que não pesca nada,

Paulo Proença de Moura

Este artigo na revista
Página on-line da revista «Perspectiva»

Nota - na foto que enviei para a revista eu aparecia por trás da serra. Mas devem ter achado que eu sou mais fotogénico que a Serra da Estrela e que eu não poderia ficar em ponto pequenino. Quem adivinhar que zona da serra é esta recebe grátis a «Perspectiva» quando comprar o Público deste sábado:

abril 15, 2007

"O empregador marimba-se para o currículo escolar"

Esta frase foi proferida por Raul Machado, director de Recursos Humanos do Grupo Visabeira, no I Encontro Nacional de Estudantes de Engenharia Electrotécnica e de Computadores, que se realizou no passado dia 5 de Abril.
E justificou: "o que as empresas procuram nunca foi dito nas universidades". Referia-se a questões como a liderança ou a gestão das pessoas e da motivação, que definiu como "o saber ser, que não está nos currículos das universidades", que apenas ensinam o saber e o saber fazer.

Fonte: Diário de Coimbra, 6.4.2007


Estas declarações só podem ser consideradas polémicas para quem não conhece a vida prática das empresas. E podem ser perfeitamente extrapoladas para a área de gestão. Nas escolas de gestão - pelo menos que eu conheça - não se aprende de facto a «saber ser». Com prejuízo das empresas empregadoras... e obviamente dos próprios estudantes. A imagem da justiça (cega) poder-se-ia aplicar aos aprendizes de gestão que começam a trabalhar em empresas.
Até quando?

março 31, 2007

Carta de trás da Serra - o meu artigo no primeiro número da revista Perspectiva

Olá,

Espero que esta carta te encontre de boa saúde, aí pela capital. Nós por cá vamos indo, se não precisarmos de recorrer às urgências.
De vez em quando vejo-te na televisão, mas é claro que tu não me vês. Ser visto e não ver é um efeito do poder. Olha, isto podia até ser um provérbio popular.
O que me leva a escrever-te é que preciso de desabafar: houve agora a mudança de hora de Verão e faz-me sempre confusão. Com estas mudanças, durante os primeiros dias, no Inverno dá-me fome quando ainda não é hora de comer. No Verão, ao contrário, tenho que comer quando não tenho ainda fome. Os meus sonos ficam todos trocados. O mesmo acontece com os relógios: usamos tantos que há sempre algum que escapa, com as confusões que isso gera. Faz-me confusão, no Verão, ser de dia às tantas da... noite. Felizmente as minhas filhas – estão lindas, havias de as ver – já não são pequenitas. Mas quando eram bebés, tantas vezes desesperámos porque não entendiam que alterássemos os horários para a mãe lhes dar peito, para dormir, para mudar a fralda...
Ontem à noite foi o tema de conversa no café Pielas. A Mariazinha, que já é advogada, disse que tem de ser, porque a Directiva comunitária 2000/84/EC estabelece esse regime para todos os países da União Europeia. O Dadinho, que lê muitos jornais, explicou que a mudança de hora é para as empresas industriais pouparem energia, para ajustar as horas de ponta do consumo energético para iluminação aos períodos em que haja sol e para uniformização de procedimentos. Ninguém entendeu...
O doutor Salgueiro disse que o sono e o repouso são fundamentais para a saúde. E que as mudanças de horas provocam perturbações no ritmo biológico das pessoas. Concordámos todos com o Chico Padeiro: o que dizem que se ganha em poupança perde-se em produtividade. O Betes queixou-se logo que não eram só as pessoas: os animais também não entendem mudanças de horários de ordenha. Claro que há sempre quem brinque: o Alex Lampião acabava com a hora de Verão... "mas mantinha a de Inverno, que sempre durmo mais uma hora". O Diogo Nal defendeu que merecíamos um louvor, "porque num país em que ninguém cumpre horários isto da mudança de hora até devia passar despercebido."
O Zé Papas, que está a estudar em Coimbra e veio passar as férias da Páscoa, disse que foi Benjamin Franklin que começou tudo isto, quando em 1784 escreveu um artigo humorístico para o «Journal de Paris», em que criticava os parisienses por se deitarem tarde e não acordarem antes do meio dia. Sugeria que a vida começasse uma hora mais cedo, calculando uma poupança anual de 29 mil toneladas de cera de vela.
Como disse ontem lá no café o Jorge Orca, "interessa que o ser humano seja capaz de sentir o pulsar da Terra e, com ela, das estações do ano". Não achas que devia ser mesmo assim?
Bem hajas – por aqui, felizmente, ninguém agradece obrigado – pelo tempo que dispensaste a ler esta carta.
Manda cumprimentos meus a toda a malta que aí por Lisboa trata de nós com tanto esmero e carinho. É uma injustiça, o que se fala mal aqui pelos cafés a vosso respeito.
E recebe um abraço forte deste que te estima e se assina
Paulo Proença de Moura
jpcpmoura@gmail.comnatural de Caria, de trás da serra da Estrela,
é autor do livro «Persuacção – o que não se aprende nos
cursos de gestão», das Edições Sílabo
A última página da revista
Este artigo
Página on-line da revista «Perspectiva»

A partir de agora há uma nova Perspectiva...

... e eu tenho orgulho em participar nessa nova revista, dirigida editorialmente pelo Pedro Laranjeira.

Rita Egídio, João Malheiro e Alice Sousa, Directora Geral da revista, na festa de lançamento

Foto: César Soares /(numa excelente) Perspectiva

A «Perspectiva» foi apresentada no dia 30 ao público na Sociedade Portuguesa de Autores.
O press release descreve o que se passou lá... e justifica a minha ausência:
"É uma revista mensal de grande informação que conta com um quadro de colaboradores permanentes de grande experiência e reconhecido talento.
Destacamos algumas figuras bem conhecidas do público, como é o caso de Fernanda Freitas, do Programa Sociedade Civil, da RTP 2, Susana Fonseca, ambientalista e Vice-Presidente da Quercus, também colaboradora regular da RTP e que manterá uma página de perspectiva verde, Nuno Eiró, cronista regular com artigos de opinião, bem como três especialistas nas lides do futebol, eles próprios nomes polémicos dos media, que são Eduardo Madeira, a defender as cores do Sporting, Manuel Serrão, pelo azul Portista e João Malheiro a comentar em tons de vermelho-Benfica.
Cientistas, técnicos, médicos, escritores, artistas, professores e repórteres de muitas origens e saberes fazem também parte regular dos quadros de colaboradores da PERSPECTIVA.
Com carácter independente e generalista, aberta a todas as correntes de opinião, a nova revista sairá na última Sexta-Feira de cada mês, através do jornal «Público».
O número inaugural teve uma tiragem de 100.000 exemplares, o que faz deste título, à partida, um dos órgãos de maior circulação no panorama nacional da imprensa escrita.
A cerimónia de apresentação foi acolhida pela Sociedade Portuguesa de Autores, cujo Vice-Presidente, José Jorge Letria, louvou a iniciativa, que classificou como um acto de coragem e caracterizou como uma aposta destinada ao triunfo, num país «que vive uma situação de grande confusão em relação aos media, onde muito gato se vende por lebre» realçando «o que é dito no editorial como projecto de aposta na diferença». A terminar, José Jorge Letria afirmou que «o público passará a ter na sua mão uma publicação equilibrada, tanto do ponto de vista gráfico como dos conteúdos, que, portanto, vai certamente fidelizar leitores e cumprir a sua missão».
Todos os colaboradores estiveram presentes, com excepção de Manuel Serrão, que se encontrava na Rússia, e do cronista Paulo Proença de Moura, na ocasião em Paris.
Esteve ainda presente Pedro Mariano, que passará a assinar uma página sobre Turismo.
Fernanda Freitas e Susana Fonseca foram duas das muitas pessoas que ali deixaram o seu testemunho, num encontro que terminou com um momento muito apreciado por todos os presentes, oferecido pelo poeta José Fanha, responsável por uma página regular de Poesia e busca de novos talentos, já a partir do próximo número, que encerrou a apresentação com um poema que encantou a sala.
Intervieram também alguns dos protagonistas de artigos e reportagens que fazem o primeiro número, como um cientista português de renome internacional, uma especialista em tecnologia para deficientes e o Comandante Vicente Moura, Presidente do Comité Olímpico de Portugal. Atenta ao conteúdo de natureza desportiva prometido para este primeiro número, a Secretaria de Estado da Juventude e Desporto fez deslocar à cerimónia o Assessor do Secretário de Estado e o seu Director de Comunicação.
Foi servido um Porto de Honra e prometida a presença, a partir de hoje na Imprensa portuguesa, de uma nova PERSPECTIVA".

Recomendo especialmente no primeiro número a leitura do artigo sobre José Afonso e a sua canção «Grândola Vila Morena», num momento vivido e contado pelo próprio Pedro Laranjeira. Parece que estávamos lá...
E o Raim é, como já sabia há muito, um mestre da ilustração.
Entretanto, já regressei de Paris, Pierre Oranger ;-)

março 26, 2007

Sabem bem que sou alérgico às mudanças de hora...

... e, por mais que analise esta questão, mais me convenço que os argumentos economicistas a favor da mudança de hora não deveriam sobrepor-se aos argumentos de saúde e bem-estar das pessoas. Pois o meu amigo Pedro Laranjeira convidou-me para escrever um artigo para o primeiro número da nova revista «Perspectiva», da qual ele é Director Editorial e eu optei por esse tema. Isto até quando quatro confederações patronais querem que Portugal passe a ter a mesma hora que Espanha.


Não se esqueçam de comprar na próxima 6ª feira, dia 30, o número de lançamento da «Perspectiva», que terá uma tiragem de 75.000 exemplares e vai utilizar o «Público» como veículo de distribuição, em princípio na última 6ª feira de cada mês.
Partindo de quem parte, este projecto só pode ter sucesso!

novembro 29, 2006

Falácia matemática

A matemática (álgebra e geometria) não está imune a falácias.
O matemático grego Euclides escreveu um livro sobre este tema (chamar-se-ia "Pseudaria", isto é, Livro de Falácias, segundo Proclus e "Pseudographemata" segundo Efésio) que, infelizmente, não chegou aos nossos dias.
O exemplo mais comum de falácia matemática é a «prova» que se segue de que 1 = 2.
Seja a = b. Então:

O passo incorrecto é o (4), em que é feita uma divisão por zero (a - b = 0), operação não permitida em operações algébricas.
Raciocínios falaciosos idênticos podem ser usados para «mostrar» que qualquer número é igual a outro número.

Fonte: MathWorld

novembro 28, 2006

"num país em que ninguém cumpre horários isto da mudança de hora até devia passar despercebido"

Eis mais dois contributos para a discussão da mudança de hora. Desta vez, em registo humorístico. Continuem a mandar, que é sempre hora.
"No inverno tem de anoitecer mais cedo porque o frio ataca e os pecados fazem-se sempre ao anoitecer e antes de jantar («atrasei-me porque tive um expediente para acabar» ou «atrasei-me porque tive de passar na mercearia») e em qualquer banco de trás de um automóvel todos os gatos são pardos.
Claro que as empresas lucram com isso a nível de consumo de energia e por vezes mais uns minutos que se dão, para desculpar o atraso da chegada à creche buscar os putos, ou a chegada a casa (o patrão pode provar que saí mais tarde do que o habitual), mas isto de atrasar a hora leva as pessoas a deitarem-se mais cedo, sem dúvida.
Na hora de verão é uma chatice. Só se tivermos vidros foscos no automóvel! E o calor leva-nos a deitar mais tarde porque ao anoitecer é que se cruzam os fluidos, os suores e os chatos. Cá para mim isto tudo tem mão do Freud ou do Marquês de Sade, que só estavam bem de pau feito e tiveram de inventar isto das mudanças de horários para aproveitar momentos próprios do pecado. Isto penso eu, porque as justificações científicas, rotativas e translativas estou-me a vir para elas...
Se assim não fosse, o que seria deste mundo?
Dentes"


"Como todos os anos vens à carga com o raio da mudança da hora levas com o meu comentário.
Mas que raio de mal é que te fez o raio da mudança da hora, c'um raio d'um caneco?
Num homem que escreve livros de persuacção e se diz pronto para a mudança e etc., ao fim de uns milhares de anos de gramarmos com o dia com 24 horas aparece um inteligente que põe, pelo menos uma vez no ano, um dia com 25H e outro com 23H e que tudo somado nem altera nada, vem logo um iluminado dum economista, aqui del-rei que me estragaram o dia?!... Sinceramente!...
Também mereces um louvor, porque num país em que ninguém cumpre horários isto da mudança de hora até devia passar despercebido.
Diogo"

novembro 15, 2006

O triângulo milagroso

Afinal a matemática é mesmo uma batata?!
Recebi há dias um desafio interessante: "como se pode ver nesta imagem, o triângulo de cima é decomposto em quatro figuras. Rearranjando-as (no triângulo de baixo), elas ocupam a mesma área mas... sobra um quadradinho vazio".
Clique se quiser aumentar a imagem
Milagre?!
A matemática é uma batata?!
Claro que não. Temos aqui uma bela falácia. É que o que nos dizem que é um triângulo... não é! Se fosse, a hipotenusa seria um segmento de recta. E, nesse caso, os ângulos Alfa e Beta (que assinalei na figura de cima) teriam a mesma inclinação. Mas façam as contas:

  • tg Alfa = 3/8 = 0,375. Ou seja, o ângulo Alfa mede 21º.

  • tg Beta = 2/5 = 0,4. Ou seja, o ângulo Beta mede 22º.
Se ligarem os extremos do triângulo, o que parece a hipotenusa reparte-se afinal em dois segmentos de recta de inclinações diferentes. Quase não se nota... pelo que é muito fácil cair-se na esparrela.
Assim, a área do quadradinho vazio no «triângulo» de baixo corresponde à área que falta ao que seria um verdadeiro triângulo de cima mais a área que o «triângulo» de baixo tem a mais em relação à hipotenusa de um verdadeiro triângulo.
É bom continuar a saber que a matemática não é uma batata!

Entretanto, agradeço ao meu primo Nuno, que me mandou este link para uma página de matemática onde se apresenta um exemplo idêntico do que chamam «falácia da dissecção»:

"Uma falácia de dissecção é um paradoxo aparente que surge quando duas figuras planas com diferentes áreas parecem ser compstas pelo mesmo conjunto finito de partes. Para produzir esta ilusão, as peças devem ser cortadas e reagrupadas de forma a que a parte em falta ou excedente fique escondida por imperfeições de forma minúsculas e negligenciáveis. Um exemplo claro e revelador pode ser construido cortando um quadrado de 8 x 8 da forma apresentada na figura da esquerda:
Clique se quiser aumentar a imagem
As figuras do meio e do centro parecem demonstrar que as mesmas peças podem dar origem a dois diferentes polígonos, com áreas de 5 x 13 = 65 e 2 (5 x 6) + 3 = 63, respectivamente. Isto implicaria que 63 = 64 = 65!
Clique se quiser aumentar a imagem
No entanto, uma observação mais atenta aos lados inclinados das peças trapezoidais e triangular mostram que elas não podem ser alinhadas como se fez nas ilustrações de cima. De facto, são diagonais de dois rectângulos não idênticos, de dimensões 2 x 5 e 3 x 8, respectivamente, pelo que têm diferentes inclinações. Mas as diferenças entre os rácios ( 2/5=0,4 e 3/8=0,375) é tão pequena que nem se consegue aperceber visualmente.
Note-se que a dissecção neste exemplo cortou o quadrado 8 x 8 na proporção 5:3. A ilusão ainda se torna mais eficaz se os números 3, 5 e 8 forem substituídos por um trio de
números de Fibonacci maiores e consecutivos."