março 07, 2008

má Educação

«O que ouço nos protestos é revelador que as pessoas não sabem do que estão a falar»
Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação,
em entrevista ontem a Judite de Sousa, na RTP

imagem de ozlemarc - Worth1000.comJá todos estamos fartos de saber que a política é o domínio privilegiado da argumentação falaciosa.
Se eu fosse professor, ficaria ainda mais indignado e revoltado por esta acusação. E insistiria no que me parece ser objectivamente mais importante em tudo isto: a falta de meios nas escolas (humanos, materiais, financeiros e de tempo) para que os professores possam cumprir a sua missão.
E, mesmo não sendo professor, quero mostrar à senhora ministra que sei do que estou a falar.

Decreto-Lei nº 15/2007 de 19 de Janeiro (Estatuto da Carreira Docente dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário):

alínea c) do Artigo 5º - "Direito de participação no processo educativo - O direito à autonomia técnica e científica e à liberdade de escolha dos métodos de ensino, das tecnologias e técnicas de educação e dos tipos de meios auxiliares de ensino mais adequados (...)"
Artigo 7º - "Direito ao apoio técnico, material e documental - O direito ao apoio técnico, material e documental exerce-se sobre os recursos necessários à formação e informação do pessoal docente, bem como ao exercício da actividade educativa."

Decreto Regulamentar nº 2/2008 de 10 de Janeiro - Regulamentação do ECD:

Nº 2 do artigo 11º - "O docente tem direito a que lhe sejam garantidos os meios e condições necessários ao seu desempenho, em harmonia com os objectivos que tenha acordado."

Vamos ver se os professores permitirão que o Ministério da Educação continue a fazer omeletas sem ovos, continuando a usar o truque de pôr a cabeça de cada professor.... num ovo!
_____________
Comentário do OrCa:
"Uma vez mais, de acordo, meu caro.
Cá pelos lados de que falo, também sabendo do que estou a falar, a pelintrice chega a tais pontos que não há verba para programas anti-vírus, de tal forma que todos os equipamentos informáticos estão de tal forma infectados que se torna impossível trabalhar com eles - e estamos a falar de uma escola pública «topo de gama» da linha de Cascais!!!
O recurso é usar uma pen e fazer-lhe sempre uma «barrela» quando se chega a casa, pois a coisa até tresanda!...
O "choque tecnológico" é este: muito equipamento e ninguém que o mantenha, que o repare, que promova, sequer, acções de formação que permitam a cada professor ser utilizador precavido. O resultado é esse: trabalho para casa, acumulando o labor diário de aturar turmas com trinta galfarros, cheios de prosápia e costas quentes que este e outros santos governos proporcionaram, com o deslumbramento idiota de alguns pais feitos à pressa e por acidente.
A factura que todos vamos pagando, em nossas casas, derivada deste estado de coisas, alguém contabiliza?
A senhora ministra, seguramente, não. Aos mentores destas «políticas» basta-lhes dizerem que o mundo passou a ser quadrado, para que se convençam que assim passou a ser... Depois, tropeçam nalgum dos vértices da ilusão que alimentaram e escafedem-se no espaço sideral, para alívio do povo, mas com uma multidão de mazelas deixadas para trás.
Amanhã, levarão no focinho! Esperemos que ainda tenham emenda."

março 04, 2008

Estudo científico mostra que mudança de hora pode provocar aumento dos consumos de energia

Alguns excertos do artigo de Justin Lahart "Daylight Saving Wastes Energy, Study Says" no The Wall Street Journal:

"Durante décadas, a sabedoria convencional sustentou que a hora de Verão reduz o custo de utilização de energia. Mas uma situação invulgar no estado do Indiana (E.U.A.) fornece provas que desafiam esse ponto de vista: a hora saltar para a frente pode de facto desperdiçar energia.
Até dois anos atrás, só 15 dos 92 condados de Indiana avançavam uma hora aos seus relógios na Primavera e atrasavam uma hora no Outono. Os restantes mantinham-se na hora padrão todo o ano, em parte porque os agricultores resistiram à perspectiva de terem uma hora extra de trabalho às escuras da madrugada. Mas muitos residentes odiaram entrar e sair de sincronismo com negócios e residentes de estados vizinhos, o que fez prevalecer na Lei de Indiana a mudança de hora em todo o Estado, com início da Primavera de 2006.
Esta mudança deu ao professor Matthew Kotchen e à aluna Laura Grant, da Universidade da Califórnia - Santa Barbara, uma ocasião única para ver como a mudança de hora afecta o uso da energia. Usando sete milhões de leituras mensais da empresa Duke Energy Corp. cobrindo praticamente todos os lares do Sul do Estado de Indiana durante três anos, puderam comparar o consumo de energia antes e depois de os condados praticarem a mudança de hora. As leituras de condados que já tinham adoptado o 'daylight-saving time' serviram como grupo de controlo que lhes permitiu ajustar as mudanças meteorológicas de um ano para outro.
O que descobriram: Ter todo o Estado a praticar a mudança de hora, em vez de manter a hora padrão, custa aos lares de Indiana mais 8,6 milhões de dólares nas contas de electricidade. Eles concluem que o custo reduzido da iluminação durante as tardes é mais do que contrabalançado pelos custos mais elevados com ar condicionado nas tardes mais quentes e aumento de custos com aquecimento nas manhãs mais frescas. (...)
Não seria isso o que Benjamin Franklin esperaria. Em 1874, ele escreveu sobre «o imenso valor que a cidade de Paris poderia poupar em cada ano se usasse o sol em vez de velas" (o sr. Franklin não propôs que se adiantassem os relógios, em vez disso sugeriu satiricamente aplicar um imposto sobre as persianas e tocar os sinos das igrejas ao nascer do sol para acordar os parisienses e fazê-los sair mais cedo das suas camas)."

O artigo continua com o historial da aplicação das mudanças de hora. E refere que "um relatório de 1975 do U.S. Department of Transportation concluiu que a mudança reduziu a procura de electricidade em 1% em Março e Abril. Mas em 1976, num relatório para o Congresso de avaliação a essa análise, o National Bureau of Standards concluiu que não havia poupanças significativas de energia."
E constata que "os números de poupança de energia frequentemente citados pelos legisladores e outros derivam de pesquisas efectuadas nos anos 70. Mas há uma diferença crucial entre os anos 70 - ou, a esse respeito, da época de Ben Franklin - e agora: é a prevalência do ar condicionado."
Mas aponta para vantagens aparentes da mudança de hora, como benefícios sociais de quem regista "menos crimes, menos acidentes mortais rodoviários, mais tempo para recreação e aumento da actividade económica com a hora extra de sol ao fim da tarde".

Recomendo a leitura do artigo completo (em inglês).

Obrigado pela dica, MN ;-)

março 02, 2008

A minha carta pela blogosfera


Resistências Individuais - no
blog A Educação do meu Umbigo

Alguns excertos dos comentários:
António Ferrão: "Movimento dos Esposos Revoltados de Docentes Abusados? À parte o acrónimo, porque não? Vou já a correr. Basta."
Isabel: "Engraçado ,ao ler o artigo parecia que estava eu a falar, não de outra pessoa mas de mim, são tantos os pormenores de uma vida que realmente acabamos por nos resignar..."
morfeu: "Cá em casa somos dois os profs... sempre dá para combinar alguma coisa de jeito... mas essa dos esposos revoltados... iria nessa não fora eu próprio prof. Achei piada, no texto em causa aparecer o nome de alguém que julgo conhecer: O Jorge Castro,poeta excelente e amigo cá do je..."
Jorge Reis: "Humor à parte, acho que esta “carta” toca num problema em que tenho pensado e que não é tão marginal como parece. Não sou professor mas fui casado com uma professora e, para mal dos meus pecados, fiz a tremenda asneira de me casar, em segundas núpcias, com outra. Porque será que nunca aprendemos com a primeira asneira? Mas vamos em frente. Eis uma passagem de uma notícia de ontem à noite da TSF Online: “a ministra da Educação disse à TSF que na origem dos protestos dos professores está o aumento das «exigências» pedidas aos docentes, como «mais tempo de trabalho na escola»”. A táctica é sempre a mesma: os professores são uns privilegiados, são uns calões, não querem ser avaliados, não querem trabalhar as mesmas horas que os outros trabalhadores da Administração Pública nos seus postos de trabalho... Perdem-se os professores? Que se lixem. Ganhamos a opinião pública. Até somos capazes de aumentar os subsídios à CONFAP, para que estejam incondicionalmente do nosso lado. As crianças vão ter aulas menos preparadas neste ano lectivo porque os professores vão ter outras “tarefas”? Que se lixem... é preciso é passar a ideia de que estamos a fazer uma “reforma”, que este Governo faz alguma coisa. E eu que até votei neles e até sou militante do PS... Eu gostava de ter uma vida “normal”, com a minha mulher. Que ela não chegasse a casa já noite cerrada, esgotada, nervosa, sem paciência para me aturar. Raios! Sem querer ser machista... tenho direito a isso.
Cumpram-se as leis do trabalho. Onde se aceita começar a trabalhar às 8:30h, interromper às 14:00h e ter que voltar à Escola às 17:00h para uma reunião de trabalho que nunca se sabe quando acaba? Não terão os professores os mesmos direitos dos outros trabalhadores? Mas infelizmente, Senhores Professores, os senhores e as senhoras não têm sabido reagir às tácticas do Governo e da Senhora Ministra.
Não têm sabido “ganhar a opinião pública”. E era tão simples. Assim:
1
Nós os professores não queremos mais “privilégios”, queremos trabalhar, nas instalações das Escolas, as nossas 35 horas semanais, queremos cumprir os horários de trabalho legalmente como os outros trabalhadores. Temos direito ao respeito pela nossa vida privada e familiar. Temos o direito de, uma vez cumprido o nosso horário, prestar atenção aos nossos filhos, aos nossos cônjuges, como o podem fazer os outros trabalhadores, sem serem permanentemente obrigados a pensar no serviço. Cumpriremos também as horas extraordinárias que sejam legais exigirem-nos, mas... essas contabilizam-se e pagam-se.
2
Nós, os professores, não recusamos qualquer avaliação, antes pelo contrário, mas não aceitamos que, por exemplo, tenhamos que avaliar do ponto de vista científico, um/uma colega de área diferente da nossa, nem sermos avaliados por um qualquer colega ou Senhor Inspector com preparação científica de outra área que não a mesma que nós. (exemplo à parte: a minha mulher, que é professora de Inglês, vai ter que avaliar, e também do ponto de vista cientifico, uma colega de espanhol. Acho que a minha mulher sabe dizer “gracias“ e pouco mais... Já lhe disse que tem todo o direito de se declarar incompetente nesse item específico da grelha. Ela até não pode dar aulas de espanhol!...)
Francamente gostava de ver este tipo de luta, gostava de ver explicar isto claramente a todos os portugueses, gostava que os professores não se deixassem ingenuamente levar na onda propagandística do Ministério.
E gostava de ver nas notícias, por exemplo, o passado em termos absentistas do tal Senhor Secretário de Estado Valter Lemos, a relação das suas faltas de cumprimento de compromissos assumidos perante os portugueses, nomeadamente em Castelo Branco, e a descrição pormenorizada do seu percurso politico passado. Mas isso são águas de outro moinho..."
Olinda: "Parabéns aos esposos(as) de professoras(es) que tão bem escrevem testemunhando as suas experiências familiares. Deixo aqui um texto de mais um marido de uma docente para que juntos possamos reflectir."
OrCa: "Se, ao menos, houvesse a humildade de se reconhecer os sacrifícios, incomodidades e outras M.E.R.D.A.S. a que nos sujeitamos - riscos nos carros, insultos e ameaças por interposta pessoa, etc., etc. - até que nem seria mau de todo. Ainda assim, cada um(a) tem obrigação de saber ao que vai, quando casa com um(a) professor(a). Agora, esta cena apalhaçada de se mudarem regras do jogo em cada quinzena e vir dizer, com um desplante que roça o soez, que os professorzecos são uma corja de calões, ah, isso não!… Que eu, não sendo professor, levo com trinta e tal anos de devoção à causa do ensino por comunhão de adquiridos que mete qualquer Miluzeca de meia-tigela no coturno mais encardido de qualquer sem-abrigo cá do burgo! Olha, só a título de mero exemplo mesquinho, referindo incomodidades não contabilizadas: abomino férias em Agosto. Pois, por força da carreira profissional da minha-senhora-de-mim, levei a vida toda a tirar férias em Agosto... Desses trinta e tal anos, entre deslocações não pagas, alojamento não pago e refeições mal pagas, cerca de dois-terços do tempo levámo-lo ambos a subsidiar o ministério. Tecnologias de apoio, do lápis ao computador, do mais simples rabisco a sofisticadas apresentações em PowerPoint, fazem-se e pagam-se cá por casa, sim senhor, que a pelintrice institucional nem para anti-virus informáticos tem massas e, então, tudo que é computador de escola só anda devagarinho ou parado. O asco maior é quando vêm com tretas de comparações com Finlândias e outros desvarios. Ofereçam condições de trabalho minimamente equiparáveis, que depois a malta fala. Até lá tenham juízo e acautelem os costados, que isto está mesmo é a pedir bengalada! Os professores saíram à rua? Abençoados!"

A minha amiga Gotinha também fez uma referência a esta carta no seu Blogotinha. Aí, a Matahary fez um comentário que transcrevo aqui, ao abrigo do direito de chacota:
"Que é que esse gajo quer dizer com «trabalhos de casa»? Fazer a janta? Pôr a loiça na mánica? Grande coisa! E quando ele vai para fora, dias e dias à boa vida no estrangeiro, quem faz «os trabalhos de casa»? Ah, pois é...
Havia eu de conhecer esse gajo, que lhe contava umas das boas! Ele não está preocupado com o excesso de trabalho dos professores. Ele está é aflitinho com os «trabalhos de casa» que sobraram p'ra ele..."
Descobriu-me a careca!

março 01, 2008

A minha nona carta de trás da serra na revista Perspectiva

Triste ensina...

Olá,

Estou a escrever-te muito à pressa, que o tempo é pouco e tenho que fazer os «trabalhos de casa». São dez da noite e a minha mulher telefonou a dizer que está agora a sair da escola. Tem sido frequente este ano: eu e as nossas filhas jantamos e ela come depois qualquer coisa quando chega.
Já não me lembro do que é sairmos num fim-de-semana, porque precisa de estudar legislação e falta-lhe tempo para preparar aulas, testes… e depois corrigi-los. O tempo que passa na escola é ocupado com outras actividades... e reuniões aos montes.
Ela lá vai fazendo o melhor que pode mesmo que, como eu lhe digo, esteja praticamente a prescindir de ter tempos livres e a sacrificar a vida familiar. É que os professores têm uma característica que admiro: espírito de sacrifício. Como sabes, sou de uma família de professores e desde pequeno me habituei a ouvir os meus avós, os meus pais e os meus tios a falarem sobre irem “dar aulas para terras onde só se podia ir de burro”. Actualmente, mudou o meio de transporte mas a vida nómada mantém-se. Eu até acho que se devia dar a cada professor, no início da carreira, um kit com um burro, uma carroça, um cobertor e um cão. E, ao longo da carreira, sujeitam-se a situações e aceitam condicionalismos que noutras actividades seriam impensáveis. Há dias, em conversa com pessoas conhecidas casadas com professores, deram-me alguns exemplos. O marido da Mariazinha desabafa com ela ser “frequente as escolas não disponibilizarem os meios suficientes” para exercerem a sua actividade, sendo necessário adquirirem equipamentos e consumíveis que usam no seu trabalho. O Jorge Castro, que tem saudades de te ver por cá, acha que “propor a um professor que adquira um computador que vai utilizar como instrumento de trabalho, com acesso a uma bandinha larguinha, por preço ‘especial’ e condições ‘favoráveis’, é uma habilidade que não lembrava ao diabo” mas lembrou ao Governo. O Borges alertou que a mulher sempre teve necessidade de trabalhar em casa, além do horário que cumpre na escola e sem receber horas extraordinárias. Como disse o Pereirinha, “pode parecer um detalhe sem importância mas no Verão as famílias de professores só podem tirar férias na confusão do mês de Agosto, quando vai ‘tudo a monte’ para os destinos turísticos normais e os preços são mais elevados”.
“A isto”, lembrou a Filomena, “já estão infelizmente os professores habituados. Mas actualmente está a ser demais: congelamento de salários e de carreiras, alterações das regras de progressão com critérios que geraram injustiças e dos quais não foi permitido reclamar… e agora instalou-se o caos a meio do ano lectivo, com grande quantidade de legislação sobre o novo modelo de gestão, a avaliação dos professores e o novo estatuto do aluno, com várias lacunas e que estão a criar uma enorme confusão quanto a competências, leituras e implementações diferentes de escola para escola”. E fazer depender a avaliação de desempenho dos docentes do sucesso escolar e do abandono dos alunos? A Natália queixa-se da falta de sorte do marido, que "tenta sobreviver a uma turma de CEF's". CEF's?! Ela lá nos explicou que "são cursos para alunos especialistas em reprovações e com tendência para a asneira. É frequente ser alvo de ameaças, de agressões verbais e mesmo físicas. Sente-se entregue a si próprio. E será avaliado pelo desempenho deles". O Rogério estranha “se a ministra da Educação não se apercebe que criaram uma clivagem artificial entre professores, que se instalou o medo e um ‘stress’ tremendo”. Tive que lhe dizer que aos políticos não dá jeito ‘saber’. A Mariazinha perguntou: “O Ministério diz que quer valorizar a actividade lectiva – a nossa missão –, dignificar a profissão docente, promover a auto-estima e motivação dos professores mas… assim?! Se não dispõem dos meios e o tempo necessários? E se não podem preparar devidamente as aulas porque estão ocupados com burocracias?”
Tive que lhes dizer que o problema é o isolamento de cada professor e no receio de ‘dar a cara’, gerando frustração e uma revolta surda. Entretanto, como diz uma amiga professora, os familiares são «sofredores passivos». Como eu de passivo não tenho nem quero ter nada, até já pensei organizar uma Manifestação dos Esposos Revoltados de Docentes Abusados. Até aproveitava para te ir visitar...
É pena não estares connosco... e não estares casado com uma professora. Entender-me-ias melhor.
Um abraço deste que te estima,

Paulo Proença de Moura
Página on-line da revista «Perspectiva». Na secção das Crónicas estão disponíveis todos os meus textos anteriores.

fevereiro 22, 2008

Persuacção na Byblos


Só pela capa já vale o dinheiro

O meu livro «Persuacção - o que não se aprende nos cursos de gestão» já está disponível on-line na livraria Byblos. E com 10% de desconto sobre o preço de capa. É comprar! É comprar! Nem custa 100, nem custa 80, nem custa 60. Também não custa 50. Por € 45,63 leva três!

fevereiro 20, 2008

Sem palavras...


... e sem argumentos!

Foi isto que eu vi no debate (?!) do José Sócrates com os jornalistas da SIC.
Só mesmo o génio do Raim para resumir tudo numa imagem.

fevereiro 03, 2008

Argumentação Improvável

Os prémios Ig Nobel são organizados todos os anos pela revista «Annals of Improbable Research». Destacam "estudos que fazem primeiro as pessoas rir e depois pensar". Pretende-se com os prémios Ig Nobel "celebrar o inusitado, honrar o imaginativo".
Quem der uma vista de olhos pelos prémios dos anos anteriores (desde 1991) descobrirá várias pérolas da argumentação científica, como estes exemplos, só de 2007:
Prémio Ig Nobel da Medicina - Brian Witcombe de Gloucester, Reino Unido, e Dan Meyer de Antioch, Tennessee, USA que estudaram os efeitos secundários de engolir espadas - «Sword Swallowing and Its Side Effects»;
Prémio Ig Nobel da Química - Mayu Yamamoto do International Medical Center do Japão - desenvolvimento de um método de extrair vanilina (fragrância e sabor de baunilha) de bosta de vaca - «Novel Production Method for Plant Polyphenol from Livestock Excrement Using Subcritical Water Reaction»;
Prémio Ig Nobel da Linguística - Juan Manuel Toro, Josep B. Trobalon e Núria Sebastián-Gallés, da Universitat de Barcelona, por mostrarem que os ratos por vezes não conseguem diferenciar entre uma pessoa que fale japonês de trás para a frente e outra pessoa que fale holandês de trás para a frente - «Effects of Backward Speech and Speaker Variability in Language Discrimination by Rats»;
Prémio Ig Nobel da Aviação - Patricia V. Agostino, Santiago A. Plano e Diego A. Golombek da Universidad Nacional de Quilmes, Argentina, pela sua descoberta que o Viagra ajuda os hamsters a recuperar do jetlag - «Sildenafil Accelerates Reentrainment of Circadian Rhythms After Advancing Light Schedules».

janeiro 27, 2008

A minha oitava carta de trás da serra na revista Perspectiva

Olá,

Não tens respondido às minhas cartas mas eu entendo-te, porque sei que nestes últimos meses tens andado distraído com a Europa, essa mulheraça que tanta atenção exige e não perdoa que se poise o pé em ramo verde. Pois eu confesso-te que tenho andado sem paciência nenhuma com esta história do Natal começar em Outubro. Antes dizia-se que "Natal é quando o homem quiser" mas agora é quando o comércio decide. E é pena que ninguém tenha autoridade para acabar com esta pessegada do consumismo cego. É que vocês aí por Lisboa têm cargos pomposos mas para o que realmente é importante... pouco ou nada mandam.
Ontem à noite estivemos a aquecer as almas à volta do madeiro. Como os corpos também estavam enregelados, soube muito bem o garrafão de tintol que o Quatro Papos-secos levou. Enquanto o Dentes ajeitava umas brasas para assar um chouriço, o Zé Léu comentou: "isto de beber em copos de plástico até estraga o sabor do vinho, além de depois irem para o lixo por não serem reutilizados". A Mininha concordou: "se fossem só os copos de plástico... mas não. Fala-se tanto em preocupação pelo ambiente mas cada vez se faz mais lixo". O chouriço estava a ser virado e a conversa é que estava em brasa. O Betes relembrou-nos quando íamos à noite com as vasilhas de latão buscar o leite a casa de quem na altura criava uma vaca leiteira: "Agora é tudo em pacotes de cartão e plástico. As pessoas já nem sabem de onde vem o leite... e a nata não está lá". Como tu sabes, o meu fígado nunca foi grande coisa e o leite directo da vaquinha sempre me deu umas crises de que o leite de pacote me livra. O que eu fui dizer... "Porque agora compras leite mas o que bebes é água", atirou certeiro o Careca, fazendo jus aos seus dotes de caçador.
Já o Dentes cortava o chouriço em rodelas que colocávamos nas nossas fatias de pão centeio mas continuámos a falar sobre o paradoxo do desenvolvimento e do ambiente. O Dadinho, que como sabes tirou o curso de economia aí em Lisboa, falou-nos de um tal de Thomas Malthus: "Foi um economista britânico que já no início do século XIX alertou para o facto de as populações humanas crescerem em progressão geométrica enquanto os meios de subsistência só podem crescer em progressão aritmética. Ele previu a incompatibilidade entre o crescimento e a disponibilidade de recursos".
O Heitor, que veio passar o Natal à terra e te manda um abraço, deu a sua opinião: "Ao querer-se que os alimentos sejam limpos, higiénicos e não manipulados, salvaguarda-se de facto a saúde pública. Mas o ambiente é que paga, com os materiais de manuseio e embalagem em cartão, plástico, folha-de-flandres e esferovite, na sua maioria usados só uma vez e que vão logo para o lixo". Enquanto outra chouriça e uma farinheira de assar já estavam a passar pelas brasas, perguntámo-nos todos se não seria benéfico voltar um pouco às raízes, com menos caixas, sacos, pacotes,... pois o bem estar não pode ser confundido com comodismo. E, como diz o meu patrão, "a comodidade paga-se". Neste caso, com uma espiral caótica de lixo de que já sofremos as consequências. "Mas as futuras gerações serão ainda mais penalizadas. E já não se vai lá com travagens. Só mesmo fazendo marcha-atrás em alguns aspectos da nossa vida em sociedade", vaticinou o Plicas.
"Mas como", perguntei eu, "se a tendência é cada vez mais para a normalização e para a proibição de tudo o que fuja aos regulamentos?"
Eu não sei se esperava uma resposta séria de alguém, mas esta malta não consegue estar muito tempo sem a conversa descambar. O Chico Padeiro concluiu: "Tenho saudades do tempo em que mau ambiente era quando o Betes se distraía depois de uma feijoada!"
O que nos vai valendo ainda é este espírito que nos dá o conseguirmos ver as estrelas quando o céu, à noite, está sem nuvens. Coisa de que tu, às tantas, já nem te lembras.
É pena que não queiras vir até cá. Vinhas connosco cantar as Janeiras, que é sempre mais uma boa ocasião para comermos, bebermos... e pormos a conversa em dia.
Despeço-me com um brinde: à saúde e à amizade.

Paulo Proença de Moura
Página on-line da revista «Perspectiva». Na secção das Crónicas estão disponíveis todos os meus textos anteriores.

janeiro 15, 2008

A irrelevância da filosofia

Um artigo de Desidério Murcho publicado no jornal «Público» de hoje:

"A filosofia é irrelevante, num certo sentido. No sentido psicológico em que a generalidade das pessoas se está nas tintas para o escrutínio cuidadoso das suas convicções. Mas, nesse sentido psicológico, quase tudo é irrelevante para quase toda a gente: quase ninguém no mundo tem paciência para aprender a dirigir uma orquestra, ou para saber física quântica, ou para conduzir táxis ou para fazer pão.
Os filósofos ocupam-se do estudo cuidadoso das nossas convicções e crenças mais básicas. Tão básicas que, por vezes, não temos sequer consciência de que as temos: apenas agimos aceitando-as como pressupostos óbvios. Eis alguns exemplos: pensamos que o mundo não foi criado há dez minutos, com todos os falsos indícios para nos fazer pensar o contrário; pensamos que as outras pessoas têm uma interioridade como a nossa, não sendo meros autómatos; pensamos que o que acontece no passado é um bom guia para o que acontece no futuro, e que, por isso, a água que ontem nos saciou a sede hoje não vai envenenar-nos.
Os filósofos ocupam-se, em grande parte, do estudo destas convicções profundas. E um dos aspectos que mais nos interessam é a justificação. Sem dúvida que a justificação é irrelevante para a generalidade das pessoas. As pessoas não acreditam em todas aquelas coisas por haver ou deixar de haver boas justificações para elas. Mas, para os filósofos, é irrelevante que para a generalidade das pessoas as justificações sejam irrelevantes. Para o maestro, também é irrelevante que para a maior parte das pessoas saber dirigir uma orquestra seja irrelevante. Não é irrelevante para o maestro.
Pensa-se por vezes que a filosofia serve apenas para pôr uma cereja de erudição e autoridade em cima do bolo das nossas convicções mais queridas. Mas isto é perverter a filosofia. A atitude filosófica por excelência é a atitude socrática de examinar a nossa vida, pois "uma vida não examinada não vale a pena ser vivida", como Platão (427-347 a.C.) escreveu na Apologia, p. 38a. Este trabalho filosófico é irritante, incómodo, irrelevante? Talvez. Mas é isto a filosofia - e não elucubrações que visam a adesão irreflectida do ouvinte, reformulando com palavras caras os preconceitos que nos são mais queridos. Filosofar é destruir preconceitos e não perfumá-los com o bálsamo da moda.
A atitude socrática deu origem à física, à história e à musicologia, entre outras coisas, e ainda está na base destas actividades. A maior parte das pessoas não tinha grande interesse em justificar a convicção de que os objectos caem; nem em justificar a convicção de que a Terra está imóvel. Mas algumas pessoas deram-se a esse trabalho. E hoje compreendemos melhor o mundo por causa dessa atenção à justificação. O que Sócrates queria dizer é que a vida será emocionalmente mais pobre se não dermos atenção à justificação das nossas crenças mais profundas. Essa atenção liberta-nos do nosso paroquialismo emocional. Transforma-nos em cidadãos do universo."

Desidério Murcho

[rapaz novo - só vai fazer 43 anos em Maio - mas já com muita obra feita, o Desidério Murcho teve a pachorra de me orientar com pistas valiosíssimas e rectificações, juntamente com o professor Correia Jesuíno, na minha tese de mestrado - «Argumentação falaciosa e mudança organizacional» - em que defendi a aproximação da gestão à filosofia, nomeadamente através do domínio da argumentação racional pelos elementos das organizações]

dezembro 30, 2007

Um pedaço de mim vai fechar...

... e é um bocadinho doce, que feito com aquele esmero só encontrava na pastelaria Lisbonense, no largo do Pelourinho da Covilhã.
Quem nunca comeu uma garganta de freira desta pastelaria não consegue entender a minha tristeza. Aqueles fios de ovos enrolados numa fina folha de hóstia... tão simples e, também por isso, genial. Quantas vezes fui lá de propósito mas já não havia...
Aprendi a gostar das gargantas de freira desde pequeno, quando a minha avó e os meus pais lá as compravam. E sempre fomos atendidos pelo senhor José Cunha, tão doce como os doces que vende. Vende... até daqui a dois dias, final do ano, porque depois disso a pastelaria Lisbonense fecha definitivamente, pois o senhor José Cunha vai ter a sua merecida reforma. Foi o que li no meu querido «Jornal do Fundão» desta semana.
Senhor José Cunha, bem haja por tudo. Muita saúde, é o que eu mais lhe desejo.


O senhor José Cunha



A notícia

dezembro 25, 2007

A minha sétima carta de trás da serra na revista Perspectiva

Olá,

Como vai isso aí pela capital? Ouvi dizer que fizeram um magusto na Assembleia da República. Não consigo imaginar um magusto sem ser no meio de um pinhal, com o frio a enregelar-nos o nariz e acompanhado com uma jeropiga que nos ponha a cantar a "Cana Verde dos Velhotes", terminando todos sempre com a cara enfarruscada pelas cinzas da caruma e dos paus onde se assaram as castanhas. Todos menos o Pinto, que nunca alguém teve coragem para lhe chegar as mãos encarvoadas à cara, sob risco de chegar a casa sem os dentes da frente. O Dadinho, esse, uma vez até lhe desapertámos as calças e pusemos-lhe a pilinha negra. Mas só a cor, porque de resto o frio do Outono na Serra não perdoa. Lembras-te?
Sabes que estive há dias aí em Lisboa? Fui a uma conferência de economistas. Chegámos cinquenta minutos atrasados porque estivemos parados na auto-estrada perto de Alverca, devido a um choque de viaturas em cadeia. Desabafei com um camionista parado ao nosso lado que na minha terra às vezes também temos que parar na estrada para deixar passar um rebanho, que deixa irremediavelmente tudo cheio de berlindes castanhos. Ele não ligou nada ao que eu disse, continuou com ar carrancudo e até me olhou com um ar desconfiado, mas eu já tinha ouvido dizer que nas cidades as pessoas não falam com estranhos. E na nossa terra, como sabes, não há estranhos.
Uma das pessoas que falou na conferência foi a Manuela Ferreira Leite. Apreciei especialmente quando alguém da assistência a confrontou com a discrepância do IVA entre Portugal e Espanha, originando nas zonas de fronteira idas de portugueses às compras ao lado de lá, "com a perda de receitas para o Estado que isso implica". Manuela Ferreira Leite respondeu que isso não a preocupava, já que as receitas de IVA das regiões fronteiriças representam algo como zero vírgula muito pouco por cento do total. Como a considero uma excelente economista e tem acesso a estes dados, tudo me leva a crer que é mesmo assim. Ora isto dá-me uma ideia: sendo as receitas do IVA residuais, que tal o Estado prescindir delas, isentando desse imposto os bens e serviços disponibilizados no interior? Pelo menos, que lhes fosse aplicada a taxa mínima. Aí sim, em vez de irmos a Espanha comprar aqueles caramelos solanos que se agarram aos dentes, os espanhóis que viessem cá. E até lhes podíamos pedir, depois de ganharmos alguma confiança, que nos trouxessem uns barris de gasolina sempre que viessem. E como vocês por aí estão sempre a alternar no poder (um "poder de alterne"?!), bem que poderiam fazer um pacto de regime, que me parece que até está na moda por esses lados.
Quando na mesma conferência se falou dos problemas que se colocam à economia portuguesa, ficou claro que o Estado português está em falência técnica. Isto é uma conclusão minha, que aquela malta não pode dizê-lo, sob risco de terem problemas com a entidade patronal. Aliás, quando depois das primeiras chuvas de Outono fui aos míscaros com a Rosita e o Alex Narigudo, ele viu um «peido da avó», como chamamos por aqui àqueles cogumelos cujo chapéu parece um balão. Como sempre fizemos desde pequenos, pisou-o e aquilo soltou o ar lá de dentro como uma discreta bufa. E o Alex comparou: "Estes peidos da avó são como a economia. Transmitem uma imagem que nos ilude, mas são ocos por dentro".
E agora tenho que terminar desejando-te muita saúde, que é hora da janta e tenho ao lume um arroz de míscaros numa panela de ferro, que vou acompanhar com um tinto da Quinta dos Termos do meu amigo João Carvalho, um dos miminhos da nossa terra.

Paulo Proença de Moura
Página on-line da revista «Perspectiva». Na secção das Crónicas estão disponíveis todos os meus textos anteriores.

dezembro 24, 2007

A sombra do Pai Natal - Raim | Um cabaz de luxo - por Pedro Laranjeira


A sombra do Pai Natal - Raim

"Nenhuma das grandes festas das tradições mundiais, como a noite das bruxas na américa ou ano novo chinês, consegue subverter tão profundamente os mais nobres princípios da humanidade como o Natal do ocidente.
Os festejantes parecem esquecer aquilo que eram supostos festejar: o nascimento de um Cristo pobre, humilde, pacífico, humano.
A comemoração do Natal na data romana da chegada do Inverno existe há dezasseis séculos. Tradições várias se lhe juntaram, como a figura do Pai Natal, inspirada no bispo turco Nicolau (os ingleses chamam-lhe Santa Claus), ou a simbologia do presépio, introduzida por S. Francisco de Assis no século XIII.
Já Vasco da Gama tinha chegado à Índia quando a Árvore de Natal foi inventada por Martinho Lutero, com velas a lembrar estrelas e algodão a imitar neve.
Hoje, tudo mudou. A árvore mantém-se, o presépio já só existe nos círculos religiosos, mas o Pai Natal multiplica-se por milhares de figuras que são mais promotores de vendas que símbolos de festa.
Talvez tudo tenha começado com a campanha publicitária da Coca-Cola que em 1881 deu às roupas castanhas do velhinho o seu vermelho actual.
Agora, o Natal já não é dos pobres, nem dos cristãos, nem dos humildes. É da sociedade de negócios, do consumismo desenfreado, do lucro a qualquer preço.
Somos inundados por campanhas publicitárias, apontadas a um “target” fácil, que cativa todos: as crianças.
A cada novo Natal aumenta a exploração fácil a troco do dinheiro abundante: este ano temos até bonecas que a criança pode maquilhar... e usar os cosméticos nela própria! – com poucos anos de idade! Parabéns!
O grande “boom”, porém, são os brinquedos das novas tecnologias, virados para lutas, combates, uso de armas, violência gratuita.
Um cabaz de lixo!
Estamos distraídos, ou somos já mutantes de nós próprios?..."
Pedro Laranjeira
Director Editorial
Artigo publicado na revista «Perspectiva» do passado sábado, em que saíu também a minha sétima «carta de trás da serra». Leram?

dezembro 19, 2007

Ainda a respeito da ASAE - a opinião do OrCa sobre 'normalização'

"Genericamente sou contra a 'normalização' do não normalizável. Por este andar, o ritmo de higiene diária - que, segundo consta, por exemplo nos ingleses é supostamente semanal - também virá a ser normalizada.

Já estou a ver-me, entrando no meu local de trabalho, com várias etiquetas confirmando:

1 - que me lavei hoje;
2 - que ontem já me tinha lavado;
3 - que os slips que uso hoje estavam lavados ontem;
4 - que não calquei merda de cão, nas últimas 24 horas, com os sapatos que trago calçados ;
5 - que a minha barba de três dias corresponde a um padrão estético definido pela norma comunitária XPTO e não a mero indício de desmazelo ou pressa matinal;
6 - que não sou portador de doença infectocontagiosa há, pelo menos, cinco anos;
7 - que sou casado com comunhão de adquiridos e não impende sobre mim nenhum processo litigioso de foro conjugal pela parte de cônjuge ou de terceiros;
8 - que estacionei devidamente a minha viatura, conforme documento comprovativo a exibir na portaria;
9 - que a dimensão do perímetro craniano está conforme a qualificação profissional que me está atribuída;
10 - que não me são conhecidas atitudes violentas ou actos atentatórios do pudor há, pelo menos, 20 anos;
11 - que a minha elevada estatura - para cima de 1m63 - é compatível com o nível de instalações que me estão disponibilizadas e, se tal não se verificar, se possuo curso pós-formação em horário pós-laboral que coadune o tamanho às instalações;
12 - que a normal inclinação do pénis para a esquerda não excede o normativo comunitário, tendo em vista eventuais derrames danosos nos mictórios disponíveis;
13 - que o meu inefável odor corporal não é susceptível:
a) de provocar delírios eróticos nas colegas;
b) de ocasionar vómito nos circunstantes;
14 - que as peúgas não comportam nenhuma conspícua 'batata' que possa colocar em causa o bom nome da firma;
15 - que sou detentor de um certificado que me identifica como utilizador do WC sem nunca ocupar tempo superior a três minutos e sem nunca deixar a tampa da sanita aberta;
16 - que o meu cesto de papéis contribui para o depósito de 250 gr de papel por dia, que encaminho para a reciclagem, conforme recibo comprovante;
17 - que os meus pais eram animais mamíferos,homem e mulher (de Lineu), heterossexuais e que fui concebido com ambos em vida...

Basta que alguém se vá lembrando de cada uma destas coisas, que lhe passe pela cabeça que cada um dos items é relevante para qualquer causa mirífica... e que nós todos vamos dizendo amén.

A verdade é que a legislação comunitária apresenta os caracóis como 'peixes de água doce' apenas para favorecer o seu cultivo com acesso a subsídios a favor de agricultores franceses.

Depois, digam que é brincadeira...
e lembrem-se da história do macaco!"
________________________________________
"A ver:
- uma coisa, importante para todos, é o bom cumprimento de regulamentos existentes, consensualmente definidos como salvaguarda da saúde pública;
- outra, muito diversa, é a homogeneização (ou homogeneidade, talvez) em tudo quanto é produto.
Se ambas caem sob a alçada de um mesmo organismo, a confusão está instalada e a possibilidade do 'napoleonismo' também.
Quem regula a actividade do regulador?
Mas, bem no fundo, interessa acautelar o seguinte: quem, onde e como é que se dá voz ao consumidor, afinal o interessado?"

OrCa

dezembro 05, 2007

Ainda a ASAE - mais uma experiência pessoal de higiene (ou melhor, da falta dela)

"O António Barreto é um senhor. Concordo com ele na generalidade e contigo, Paulo, na especialidade. Quando fui comer leitão à BoaVista (recentemente) vi chegar o empregado que prepara os 'leitanitos'. Chegou com muita brilhantina no cabelo, chaves do carro e carteira na mão. Despiu o blusão, arrumou as tralhas e ala que se faz tarde, fez-se aos 'leitanitos' mesmo debaixo dos nossos narizes ligeiramente contorcidos. Perdoámos-lhe pelo bem que nos soube, mas..."
Guida

dezembro 01, 2007

A ASAE - a opinião de A. Vilhena

"Ainda se lembram de quando, muito preocupada com o nosso bem estar e a nossa boa forma física, a Dinamarca propôs a pasteurização das massas queijeiras?E houve quem embandeirasse em arco... santa ingenuidade e abençoada ignorância!"
A. Vilhena

Visitei o link que sugere (do blog Café Portugal) e de facto surpreendeu-me a «estratégia dos dinamarqueses»:
"Lembram-se quando, muito preocupada com o nosso bem estar e a nossa boa forma física, a Dinamarca propôs a pasteurização das massas queijeiras. O que eu li por aí de aplauso a uma medida que ia matar germens, combater infecções e trazer saúde a rodos. Ingénuos, não perceberam que a indústria de laticínios dinamarquesa pressionava esta medida, não por estar preocupada com a qualidade de vida de cidadãos e consumidores mas, apenas, porque através da pasteurização conseguia quase anular as características distintivas dos diversos queijos. E depois de serem todos idênticos, eles até podiam fazer Queijo da Serra, Serpa, Ilha: passava a ser uma questão de alquimia e de rotulação."

Se é como diz, seria algo de maquiavélico.
Outra coisa que refere um dos comentadores - e concordo - é a diferente postura dos espanhóis face a estas medidas de pseudo-homogeneização da UE:
"Os nossos (des)governantes deviam negociar com a UE a manutenção e as boas práticas do nosso mundo rural, tal como fizeram os espanhóis."

E faço minhas as suas palavras:
"Deixem-me com as açordas, não me obriguem a espargos de lata e não me retirem do mercado as mação com bicho. Que eu tenho medo é das outras, tão bonitas, tão calibradas, tão quimicamente tratadas."

Disto, já Miguel Esteves Cardoso escrevia num dos primeiros números do Independente!...

A opinião de António Barreto sobre a ASAE... e uma pequena observação final minha

"A MEIA DÚZIA DE LAVRADORES que comercializam directamente os seus produtos e que sobreviveram aos centros comerciais ou às grandes superfícies vai agora ser eliminada sumariamente. Os proprietários de restaurantes caseiros que sobram, e vivem no mesmo prédio em que trabalham, preparam-se, depois da chegada da “fast food”, para fechar portas e mudar de vida. Os cozinheiros que faziam a domicílio pratos e “petiscos”, a fim de os vender no café ao lado e que resistiram a toneladas de batatas fritas e de gordura reciclada, podem rezar as últimas orações. Todos os que cozinhavam em casa e forneciam diariamente, aos cafés e restaurantes do bairro, sopas, doces, compotas, rissóis e croquetes, podem sonhar com outros negócios. Os artesãos que comercializam produtos confeccionados à sua maneira vão ser liquidados.
A SOLUÇÃO FINAL vem aí. Com a lei, as políticas, as polícias, os inspectores, os fiscais, a imprensa e a televisão. Ninguém, deste velho mundo, sobrará. Quem não quer funcionar como uma empresa, quem não usa os computadores tão generosamente distribuídos pelo país, quem não aceita as receitas harmonizadas, quem recusa fornecer-se de produtos e matérias-primas industriais e quem não quer ser igual a toda a gente está condenado. Estes exércitos de liquidação são poderosíssimos: têm Estado-maior em Bruxelas e regulam-se pelas directivas europeias elaboradas pelos mais qualificados cientistas do mundo; organizam-se no governo nacional, sob tutela carismática do Ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho; e agem através do pessoal da ASAE, a organização mais falada e odiada do país, mas certamente a mais amada pelas multinacionais da gordura, pelo cartel da ração e pelos impérios do açúcar.
EM FRENTE À FACULDADE onde dou aulas, há dois ou três cafés onde os estudantes, nos intervalos, bebem uns copos, conversam, namoram e jogam às cartas ou ao dominó. Acabou! É proibido jogar!
Nas esplanadas, a partir de Janeiro, é proibido beber café em chávenas de louça, ou vinho, águas, refrigerantes e cerveja em copos de vidro. Tem de ser em copos de plástico.
Vender, nas praias ou nas romarias, bolas de Berlim ou pastéis de nata que não sejam industriais e embalados? Proibido.
Nas feiras e nos mercados, tanto em Lisboa e Porto, como em Vinhais ou Estremoz, os exércitos dos zeladores da nossa saúde e da nossa virtude fazem razias semanais e levam tudo quanto é artesanal: azeitonas, queijos, compotas, pão e enchidos.
Na província, um restaurante artesanal é gerido por uma família que tem, ao lado, a sua horta, donde retira produtos como alfaces, feijão verde, coentros, galinhas e ovos? Acabou. É proibido.
Embrulhar castanhas assadas em papel de jornal? Proibido.
Trazer da terra, na estação, cerejas e morangos? Proibido.
Usar, na mesa do restaurante, um galheteiro para o azeite e o vinagre é proibido. Tem de ser garrafas especialmente preparadas.
Vender, no seu restaurante, produtos da sua quinta, azeite e azeitonas, alfaces e tomate, ovos e queijos, acabou. Está proibido.
Comprar um bolo-rei com fava e brinde porque os miúdos acham graça? Acabou. É proibido.
Ir a casa buscar duas folhas de alface, um prato de sopa e umas fatias de fiambre para servir uma refeição ligeira a um cliente apressado? Proibido.
Vender bolos, empadas, rissóis, merendas e croquetes caseiros é proibido. Só industriais.
É proibido ter pão congelado para uma emergência: só em arcas especiais e com fornos de descongelação especiais, aliás caríssimos.
Servir areias, biscoitos, queijinhos de amêndoa e brigadeiros feitos pela vizinha, uma excelente cozinheira que faz isto há trinta anos? Proibido.
AS REGRAS, cujo não cumprimento leva a multas pesadas e ao encerramento do estabelecimento, são tantas que centenas de páginas não chegam para as descrever.
Nas prateleiras, diante das garrafas de Coca-Cola e de vinho tinto tem de haver etiquetas a dizer Coca-Cola e vinho tinto.
Na cozinha, tem de haver uma faca de cor diferente para cada género.
Não pode haver cruzamento de circuitos e de géneros: não se pode cortar cebola na mesma mesa em que se fazem tostas mistas.
No frigorífico, tem de haver sempre uma caixa com uma etiqueta “produto não válido”, mesmo que esteja vazia.
Cada vez que se corta uma fatia de fiambre ou de queijo para uma sanduíche, tem de se colar uma etiqueta e inscrever a data e a hora dessa operação.
Não se pode guardar pão para, ao fim de vários dias, fazer torradas ou açorda.
Aproveitar outras sobras para confeccionar rissóis ou croquetes? Proibido.
Flores naturais nas mesas ou no balcão? Proibido. Têm de ser de plástico, papel ou tecido.
Torneiras de abrir e fechar à mão, como sempre se fizeram? Proibido. As torneiras nas cozinhas devem ser de abrir ao pé, ao cotovelo ou com célula fotoeléctrica.
As temperaturas do ambiente, no café, têm de ser medidas duas vezes por dia e devidamente registadas.
As temperaturas dos frigoríficos e das arcas têm de ser medidas três vezes por dia, registadas em folhas especiais e assinadas pelo funcionário certificado.
Usar colheres de pau para cozinhar, tratar da sopa ou dos fritos? Proibido. Tem de ser de plástico ou de aço.
Cortar tomate, couve, batata e outros legumes? Sim, pode ser. Desde que seja com facas de cores diferentes, em locais apropriados das mesas e das bancas, tendo o cuidado de fazer sempre uma etiqueta com a data e a hora do corte.
O dono do restaurante vai de vez em quando abastecer-se aos mercados e leva o seu próprio carro para transportar uns queijos, uns pacotes de leite e uns ovos? Proibido. Tem de ser em carros refrigerados.
TUDO ISTO, como é evidente, para nosso bem. Para proteger a nossa saúde. Para modernizar a economia. Para apostar no futuro. Para estarmos na linha da frente. E não tenhamos dúvidas: um dia destes, as brigadas vêm, com estas regras, fiscalizar e ordenar as nossas casas. Para nosso bem, pois claro."
António Barreto
«Retrato da Semana» - «Público» de 25 de Novembro de 2007


Hoje fui almoçar a um restaurante que mudou de gerência. Os novos donos falaram-me do que encontraram na cozinha, quando lá entraram pela primeira vez. E bastou-me ouvir isso para aceitar melhor o que a ASAE faz. E para não ser tão anti-ASAE como era até ontem...

novembro 21, 2007

Cientistas fazem luz sobre os efeitos da mudança de hora

Alguns excertos do artigo de Tom Paulson "Scientists shed light on effects of clock change" em SeattlePI.com:

"Cientistas defendem que a manipulação do tempo duas vezes por ano tem claramente alguns inconvenientes. Isto é devido em larga medida aos múltiplos relógios biológicos do nosso organismo, que evoluiram de modo a operar de acordo com o comportamento do sol.
«A luz da manhã é a luz mais importante para sincronizarmos os nossos ritmos circadianos», defendeu o Dr. David Avery, psiquiatra na Universidade de Washington especializado em estudar a ligação entre luz, sono e depressão. O ritmo circadiano diz respeito ao ciclo de 24 horas da vida na Terra.
Quando a mudança de hora é efectuada e reduz a luz matinal, diz Avery, o risco de depressão sazonal aumenta em algumas pessoas. Disse que se pode ainda esperar por aumento do número de acidentes de tráfego, à medida que as pessoas que se deslocam para os seus empregos lutam contra a biologia.
«De um ponto de vista biológico, realmente a mudança de hora não faz qualquer sentido», concordou Horacio de la Iglesia, um neurobiólogo da Universidade de Washington que estuda a forma como o cérebro governa alguns dos outros relógios biológicos do corpo.
A maioria das pessoas sabe que o cérebro funciona de acordo com um relógio biológico neste ciclo solar de 24 horas. De la Iglesia mostrou que o corpo humano depende de facto de muitos desses relógios biológicos, uma rede coordenada que precisa de funcionar em sincronia.
«Há relógios biológicos no fígado, pulmões e também em outros órgãos», disse. «Temos estes ritmos circadianos porque eles permitem ao corpo antecipar eventos cíclicos».
Por exemplo, disse ele, as glândulas supra-renais libertam a hormona de stress cortisona antes de você se levantar em cada manhã, para mover o açúcar, glucose acumulada, das células para a circulação sanguínea. «Isso ajuda-o», disse de la Iglesia. Alguns destes relógios biológicos podem ajustar-se razoavelmente rápido ao ciclo dia-noite (recuperando do jet lag, por exemplo) mas outros parecem necessitar de mais tempo, disse.
De um ponto de vista científico, a mudança de hora, tal como os mapas mostrando os fusos horários e o conceito de Tempo Universal Coordenado (anteriormente chamado Tempo Médio de Greenwich) não são em conceito menos arbitrários que a decisão de algumas comunidades de não aceitar estas regras."

Recomendo a leitura do artigo completo (em inglês).

Mudança de hora - estúpido desperdício de esforços

Adenda do OrCa em tempo (só não sei se pela hora antiga):

"Pois, meu caro, agradecendo o destaque, cá vou reiterando o que fica dito. Já lá vai um mês e o meu relógio biológico não me larga, nem condescende!
Uma hora antes de ser preciso, lá vem a hora da mija - e nem tenho problemas prostáticos, felizmente... -, lá me vem o chamamento das torradas e do leitinho, como prenúncio de mais um mergulho na fila de trânsito.
E, depois, tentar dormir para quê? Uma meia-horita? Só faz dores de cabeça. Ir para o trânsito mais cedo? Não vale a pena, pois chego ao emprego mais cedo mas não posso sair mais cedo... É só contrariedades e arrelias!
Quando, daqui a cinco meses, já tiver convencido o meu biorritmo da inevitabilidade legal, mudam-me a hora outra vez! E reinicia-se a saga, agora com a agravante de desconvencer quem tinha acabado de ser convencido.
Se isto não é um estúpido desperdício de esforços, é o quê?

Um grande abraço.
OrCa"

novembro 14, 2007

A mudança de hora é "a modos que uma passagem de escudos para euros semestral"

O OrCa é um lutador de causas. E esta é uma pela qual vale a pena lutar:

"Tu sabes que eu estou por ti neste combate. Já nem sei que mais argumento esgrimir para confirmar a grandiosidade do disparate...
A verdade é que, à medida que a idade vai entrando por nós adentro, pelas partes anatómicas mais conspícuas, tudo se nos torna de mais difícil adaptação e aconchego. É assim, que continuo com os sonos trocados e mais de dois terços dos relógios cá de casa continuam carentes de acerto.
Tem vantagens. Por exemplo, aos fins de semana nunca sei a quantas ando. Mas quando há compromissos é chato.
Os relógios é que já são tantos, por força das modernices, que os meus velhos dedos têm bem mais que fazer do que andar a acertá-los a todos, ainda para mais se daqui a seis meses volta tudo ao mesmo. É uma perda de tempo!
Depois, durante para aí um mês, um mês e meio, anda tudo aflito com as horas, não sendo raro ouvirmos alguém completar uma frase temporal com a funesta expressão 'pela hora antiga'. É assim a modos que uma passagem de escudos para euros semestral que nos destrambelha os neurónios e outras partes mais atreitas a rotinas biológicas.
Eu, se mandasse, mandava-os à fava... mas sempre pela hora antiga que era para chegarem mais cedo!

Um abraço.
OrCa"

novembro 03, 2007

A minha sexta carta de trás da Serra na revista Perspectiva

Olá,

Desculpa eu estar a escrever-te com o meu ânimo em baixo, mas só de pensar que no dia 28 de Outubro vai passar a ser a hora de Inverno, perco toda a vontade quer de pão, quer de circo. Aliás, é tanta a raiva de ter que me adaptar à força às mudanças de hora que, se estivesse a usar uma máquina de escrever das antigas, pelo menos os pontos finais aparecer-te-iam nesta carta como buracos na folha.
Talvez por isso me apeteça hoje falar-te de algo que nos preocupa muito desde há já alguns anos: a situação difícil em que está o sector dos têxteis e confecções, que emprega tantas pessoas aqui na nossa terra. E, ao contrário de regiões onde há mais indústrias e de diversas actividades, aqui por perto não há praticamente nenhumas alternativas à única fábrica de confecções que existe.
Lembras-te da minha carta quando, há uns quinze anos atrás, regressei de uma viagem de trabalho à Alemanha? Contei-te que, na região que visitei, dezenas de fábricas cerâmicas tinham encerrado há pouco tempo, devido à invasão do mercado por produtos mais baratos da Europa de Leste e da Ásia. Foi claro para mim, se te recordas, que a globalização, se não seria um bicho-de-sete-cabeças, teria pelo menos seis, como num desenho que o Lourencinho do Professor Rogério fez um dia sobre uma cadeira do curso de engenharia: grande pincel!
Mas temos o que merecemos, não achas? Como trabalhadores, queixamo-nos da concorrência desleal. Só que, como consumidores, compramos o que e onde é mais barato, «esquecendo-nos» da nossa revolta. Alguém deixa de comprar produtos numa «loja dos chineses», por exemplo, por não conseguir saber como é possível vender com aqueles preços e ter lucro? Ou alguém, antes de pagar, faz cálculos ao que poderá ser o salário de quem fabrica aquilo? Pois é, como trabalhadores queremos que as nossas empresas tenham sucesso, mas como consumidores a prática é outra.
Como sabes, durante vários anos aceitei desafios para tentar recuperar empresas em situação difícil, inclusivamente no sector têxtil. E sempre houve algumas coisas que me fizeram muita confusão. Os trabalhadores admiram-se sempre de haver encomendas e a empresa deixar de pagar salários, mas será que ninguém pensa que o problema está nos preços de mercado esmagados pela concorrência, muitas vezes também desesperada, e que não permitem cobrir os custos? Porque há sempre quem ache que o Estado deve apoiar empresas em situação difícil, sabendo que isso se torna uma forma de concorrência desleal para com outras empresas? Por que motivo os sindicatos acham que a melhor «forma de luta» numa empresa em situação difícil é a greve? Não conseguem antever o impacto negativo que quaisquer paragens têm em termos de prazos de entrega, agravamento de custos e deterioração da imagem da empresa perante os clientes, fornecedores e bancos? O que leva algumas pessoas a queixarem-se das condições de trabalho e da situação das suas empresas quando, entretanto, não cumprem parcial ou completamente as suas obrigações laborais, prejudicando os seus colegas e a empresa como um todo? É que, como sempre me ouviste dizer, uma empresa não pode ser a Santa Casa da Misericórdia!
Voltemos à nossa terra, que é onde se está bem. Sei que concordas comigo quando digo que esta gente tem uma capacidade de resistência fora de série, à imagem das giestas que crescem entre os penhascos de granito e resistem ao frio cortante da serra. É a nossa riqueza (do) interior. Despeço-me com votos de que nos consigamos sempre adaptar ao que o futuro nos trouxer.

Paulo Proença de Moura
Página on-line da revista «Perspectiva». Na secção das Crónicas estão disponíveis todos os meus textos anteriores.

ps - tenho que agradecer ao meu amigo Pedro Laranjeira a sugestão que ele me deu com o anúncio que colocou na página da minha carta na revista Perspectiva. É bom andar prevenido e isto não é de granito dente de cavalo, como o monumento fálico do Ferro.