fevereiro 02, 2009

Desculpem lá a minha pergunta estúpida

Mundo perdeu 3,8 biliões de euros por causa da crise

"Klaus Schwab, fundador do Fórum Económico Mundial de Davos, afirmou hoje que a crise financeira mundial fez perder cinco biliões de dólares (cerca de 3,8 biliões de euros) à economia global, que terão que ser repostos pelos contribuintes"
jornal Sol, 27/11/08

Esse dinheiro todo foi... para um buraco negro?!

Entretanto, quem se lixa é o mexilhão. Não só o mexilhão contribuinte como o mexilhão trabalhador, como ilustra com humor esta campanha da CareerBuilder.com:







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Malinowski [no blog da FEUC] - "Segundo algumas leituras da teoria da relatividade de Einstein, nós próprios nos encontramos já dentro dum buraco negro. A ser assim, as perdas do furacão que assolou a economia global são o corolário natural das forças centrífugas que este desencadeou, encontrando-se os ditos biliões num universo paralelo, quiça numa qualquer estrela anã da galáxia «Off Shore»."
Paulo Moura - "Sabes uma coisa, grande Malinowski? Acho que tens toda a razão: nós é que estamos num buraco negro e o dinheiro está fora!"

fevereiro 01, 2009

Os portugueses não ficam atrás do Barack Obama!


Tanto mediatismo tem o Barack Obama que a frase «Yes, we can» se tornou um ícone.
E nós, portugueses, sempre com o nosso ancestral complexo de inferioridade, nem sequer nos apercebemos que temos uma frase tipicamente nossa, no mínimo igualmente interessante e com uma sonoridade muito idêntica a «Yes, we can», que usamos no dia a dia. Mas a banalidade não lhe tira a força. Antes pelo contrário. Senão vejamos um exemplo de aplicação:

E é se... queres!

Sonhas ser professor?
Fazes muito bem. Portugal agradece. Mas...
Passas uma carrada de anos a fazer vida de cigano, de terra em terra, do cu de Judas até à parte de trás do sol posto...
E é se... queres!
As tuas ferramentas de trabalho e os consumíveis, tu é que os tens que comprar que as escolas não tos disponibilizam nem te reembolsam...
E é se... queres!
Durante o tempo que passas na escola não tens um espaço em condições nem recursos disponíveis para preparares as aulas e tens que te desenrascar... normalmente trabalhando em casa, à noite e nos fins de semana...
E é se... queres!
Aceitas que o Governo do teu país destrua a imagem da tua profissão...
E é se... queres!
...
E é se... queres!
...

(a propósito, o Governo tem vários méritos na área da educação: conseguiu unir uma classe que nunca foi coesa... e até os alunos concordam com os professores, como mostraram na manifestação em Coimbra, no passado dia 29 de Janeiro, exigindo "a desburocratização do ensino para que os docentes se possam dedicar às suas tarefas fundamentais: a preparação e concretização das aulas e a avaliação"; entretanto, também tenho que agradecer ao Ministério da Educação a oportunidade que me deu para criar este post e este poster... num dos muitos fins de semana em que não pude sair de casa porque a minha mulher esteve a preparar aulas, materiais para os alunos e testes... e é se quero!)
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Comentário do OrCa: "Não consegui chegar cá mais cedo para produzir um clap-clap bem sonoro acerca desta tua entrada... que não se sabe se conduzirá a uma saída feliz.
O dito está bem apanhado, até pela sonoridade, mas dá-nos um ponto de situação abissal entre as duas atitudes: yes, we can é um apelo à mobilização geral; e é se queres tem, por trás, aquele tom semi-ameaçador, semi-arrogante, semi-condescendente em que só faremos quando alguém nos der licença.
Pelo que conheço cá do burgo, se nos aparecer algum Obama para eleições, grande parte do eleitorado é capaz de pensar com os seus botões: o caraças do preto não querem lá ver para o que lhe havia de dar?! E zarparia, acto contínuo, para o Alasca em busca da silly miss que lhes fornecesse bilhetes para o próximo concerto do Tony Carreira, que a malta precisa é de se distrair..."

janeiro 25, 2009

Mais um contributo para a discussão sobre a mudança da hora

Tempo só para mim
Miguel Esteves Cardoso no «Público» de 23 de Janeiro de 2009

"Sou daqueles chatos que abominam a mudança de hora, seja para mais ou para menos, sem perceber como se pode ganhar ou perder uma hora.
Dentro de mim, estou convecido, correm as horas com que nasci e nada há que as possa atrasar ou adiantar ou trocar à minha revelia.
As notícias sobre o tempo - seja o que chove; seja o que passa - são cada vez mais deprimentes. Mas no PÚBLICO de ontem tocou-se no fundo. Diz um estudo na revista Nature - cada vez mais sensacionalista - que as próprias estações do ano estão a antecipar-se dois dias.
Teremos assim a Primavera a arrancar já no dia 19 de Março. É um dos aliciantes, como a hora que se «ganha» no Inverno. Mas não se diz que o Verão vai acabar (e o Inverno começar) mais cedo. Está quieto. E aqueles dois últimos dias da Primavera e do Outono, que são tão agradáveis, viste-los.
Claro que não acredito nem por um momento que as estações estejam a antecipar-se e queiram pôr termo à longa e sólida relação que têm com os equinócios e os solstícios.
Desconfio é que se está a criar um clima conducente a mais intromissões humanas. Já devem estar a formar-se comissões para descontar e somar dias às estações: «Este ano, por causa dos efeitos do XYZ, o Outono só vai começar a 2 de Outubro. Em contrapartida, o Inverno vai durar até Maio de 2010. É favor acertarem os relógios e os calendários.»
Se calhar, é altura de cada um de nós reivindicar o direito a ter o seu próprio tempo."


Bem hajas, Carlos Carvalho, pela pista.

janeiro 16, 2009

Colón? Columbus? Colombo?... Português, de Cuba!

O grandioso Pedro Laranjeira não sabe estar quieto, para bem dos nossos pecados.
Não lhe bastava ter editado o livro «O Alentejano que descobriu a América - 1492 - a Viagem Épica do português Salvador Fernandes Zarco mais conhecido como Cristóvão Colombo» de que já falei aqui. Agora já existe uma edição em espanhol e outra em inglês. "Excelent, coño!"


janeiro 11, 2009

«Nós por cá»...

... vamos indo.
Em Dezembro de 2007, na minha «sétima carta de trás da serra» na revista «Perspectiva», relembrei de forma romanceada uma conversa entre mim e o Alexandre, em 1980, no intervalo entre duas aulas nos «galinheiros» (pavilhões pré-fabricados) da faculdade de economia da universidade de Coimbra. Na «carta», ficou assim:
"Quando na mesma conferência [da Ordem dos Economistas, em Lisboa] se falou dos problemas que se colocam à economia portuguesa, ficou claro que o Estado português está em falência técnica. Isto é uma conclusão minha, que aquela malta não pode dizê-lo, sob risco de terem problemas com a entidade patronal. Aliás, quando depois das primeiras chuvas de Outono fui aos míscaros com a Rosita e o Alex Narigudo, ele viu um «peido da avó», como chamamos por aqui àqueles cogumelos cujo chapéu parece um balão. Como sempre fizemos desde pequenos, pisou-o e aquilo soltou o ar lá de dentro como uma discreta bufa. E o Alex comparou: «Estes peidos da avó são como a economia. Transmitem uma imagem que nos ilude, mas são ocos por dentro».
Por isso, agora nada me admira. Aliás, estou bem preocupado com algo de que quase não ouço falar e que nos afecta praticamente a todos: a Segurança Social já estava com dificuldades de há anos a esta parte porque, diziam, os fundos e as contribuições recebidas não eram suficientes para garantir as pensões de reforma e invalidez da geração actual das pessoas que vêem uma fatia significativa do seu ordenado (11%) irem obrigatoriamente para essa entidade. Ou seja, de um salário de mil euros, por exemplo, 110 euros não recebemos porque a entidade patronal tem que entregar em nosso nome essa verba à Segurança Social. E, "ainda por cima" - aqui aplica-se muito bem esta frase - a entidade patronal ainda tem que pagar mais 237,50 euros. Para quê? Supostamente para termos garantido - diz o Estado - uma pensão quando nos reformarmos... ou em caso de invalidez... ou de desemprego...
Mas, como um desenho humorístico recente resumia sobre o «caso Madoff», dois matulões interrogavam o Bernard L. Madoff:
- Onde é que aprendeu a pagar a investidores antigos com dinheiro de novos investidores?
Encandeado com um foco de luz a apontar-lhe a cara, Madoff responde-lhes:
- Com a Segurança Social!
"Então, Paulo Moura, isto não é nada de novo!" - Pois não, mas já ouviram falar da pancada que os fundos da Segurança Social levaram com esta queda nas bolsas de valores? Sim, sim, o nosso dinheirinho, que a Segurança Social já não podia garantir que chegava para todos, agora ainda minguou mais. E nós, cantamos e rimos?

O Medina Carreira chama os bois pelos nomes. Na entrevista que deu ao «Nós por cá» relembrou que já Rafael Bordalo Pinheiro chamava no fim do século XIX a "porca da política" e a economia era uma "galinha choca". Medina Carreira comparou a política actual a uma "santola só com casca". Eu continuo a chamar a tudo isto "o peido da avó".

janeiro 08, 2009

Uma grande lição (e bem humorada)...

... de Warren Buffet, o homem mais rico do mundo, para os alunos de um MBA da Universidade da Florida.

Parte 1:


Todos os videos (9 partes - 1h30 total) aqui.

dezembro 28, 2008

Mais pistas sobre a mudança da hora

O Mário Nogueira, sempre atento a esta temática, enviou-me alguns links interessantes:

«Obama deveria cortar o Day-Light Time» - artigo da «Green Daily» em que referem "um estudo feito no Indiana, um estado que recentemente começou o DST, mostrou um aumento geral de 1% no uso da electricidade residencial com aumentos ocasionais de 2 a 4% no fim da primavera e no início do outono. (...) Enquanto o DST é bom para reduzir a iluminação dentro das casas, a mudança de hora exige ar condicionado durante os fins de tarde quentes de verão e aumento de aquecimento nas manhãs do início da primavera e do fim do outono. O consumo de energia para aquecimento e ar condicionado poderiam eliminar quaisquer poupanças da redução de iluminação e, como o estudo no estado de Indiana mostrou, de facto aumentam o consumo de electricidade."

«Mais munições para quem detesta o Daylight Saving Time» - artigo «Freakonomics» no «The New York Times»

«Bart Simpson e o DST» - ficheiro audio

Os portuguesinhos e o Euromilhões

Leiam no «Sol» o artigo «Portugal joga 96 milhões por semana no Euromilhões» e façam contas:

"prémios acumulados desde 2004 atingiram 1,8 mil milhões de euros" - os portugueses ganharam em média, desde 2004, 360 milhões de euros por ano no Euromilhões.

"em 2008 a despesa associada ao Euromilhões deverá oscilar entre 4,5 a cinco mil milhões de euros, o equivalente a quase 3% do Produto Interno Bruto (PIB)"

Conclusão - Belo negócio, portugueses. Mas não é para vocês! E não se queixem da crise. Quem gasta 5.000 milhões de euros num ano para receber 360 milhões só se pode queixar de si próprio e da sua falta de jeito para fazer contas.

dezembro 21, 2008

Eu não acredito em bruxas...

... mas o facto é que a estatueta «o professor» da Júlia Ramalho, que sempre esteve inteirinha cá em casa, partiu a cabeça.

dezembro 08, 2008

Quando não há argumentação racional que valha...

... até uma classe normalmente desunida se une. Esse mérito ninguém tira a este governo.
Eu só não apareço nas fotos porque fui o fotógrafo.

Manifestação dos professores em Coimbra no dia 28 de Novembro de 2008









novembro 14, 2008

Deixa cá ver se isto pega...

Aprendi no liceu (sim, sim, já não se usa) que as árvores durante o dia libertam oxigénio e à noite libertam dióxido de carbono.
Ou seja, como diria o já saudoso George Bush, as árvores são boas de dia mas más à noite.
Logo, por que não se cortam todas as árvores ao fim do dia e não são replantadas de manhã?

Não sei se esta ideia pega, mas já houve algo parecido que pegou mesmo:
Benjamin Franklin (1706-1790) escreveu um artigo humorístico para o «Journal de Paris em 26 de Abril de 1784 (quando já tinha 78 anos) com o título «Um projecto económico». Franklin queixa-se de os parisienses se levantarem tarde, já pelo meio dia. Ironicamente, assegura aos leitores que o Sol se levanta muito mais cedo, diz tê-lo visto com os seus próprios olhos... Sugere que a hora mude e que no Verão a vida comece 60 minutos mais cedo. Faz algumas contas e diz que Paris poderá assim poupar anualmente 32 mil toneladas de cera de vela.

Mais sobre a mudança de hora aqui.

Troféus Ovos de Ouro


São tantos os candidatos na área da Educação que tenho de fazer uma selecção dos mais fresquinhos (não quero problemas com a ASAE).
Estes troféus não são atribuídos e sim atirados... mas devagarinho, para o colo do Ministério da Educação.


Ovo "uau!"


Maria de Lurdes Rodrigues ontem - "Uma parte da burocratização [do trabalho dos professores] pode ter sido induzida pelo Ministério"




Ovo de Economia Doméstica

para José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues, ex-aequo

Professora - É preciso comprarmos folhas de papel e tinteiros para a impressora.
Marido de professora - Mas ainda há pouco tempo comprei. Gastamos tanto dinheiro com coisas que deveria ser a escola a suportar...
Professora - Deixa estar. O que gastamos nisto, poupamos por não podermos sair de casa à noite, durante a semana, nem nos fins de semana, por eu ter de trabalhar para as papeladas da escola, para contactar os meus colegas para esclarecer pontos em que eles estão tão confusos como eu e para preparar as minhas aulas. Ah! E não vás trabalhar para o nosso computador que vou precisar de digitalizar documentos para a escola.


Ovo "OTL"

Pai de estudante do secundário - O teu professor de Geometria Descritiva já entregou o teste?
Estudante do secundário - Não, pai. Ele faltou nas duas últimas aulas. E os professores de substituição não entregam o teste, claro.
Pai de estudante do secundário - Então que têm feito nas aulas da substituição?
Estudante do secundário - O jogo da forca, por equipas.

novembro 13, 2008

Que raio de pedido de desculpas!

"Peço desculpa aos senhores professores por ter provocado tanta desmotivação, mas é do interesse dos pais, alunos e escolas"
Maria de Lurdes Rodrigues, ontem, na Assembleia da República

Tal como eu, por vezes as minhas filhas fazem disparates.
E elas sabem que, se há coisa que me revolta, é quando elas pedem desculpa com uma entoação que dá a entender que é um frete o que estão a dizer.
E, mais ainda, quando após o pedido de desculpas ainda pioram mais as coisas colocando os pais no papel de maus da fita.
Maria de Lurdes Rodrigues, ontem, para pedir desculpas aos professores da forma como o fez, mais valia ter estado calada. Ou ela acha que os professores não têm autoridade moral para contestarem as políticas do ministério da Educação?!
É do interesse dos pais e dos alunos que os professores não tenham tempo para preparar aulas?!
É do interesse das escolas chular (a palavra mais adequada que encontro é esta) os professores, roubando-lhes (sim, é isso mesmo) tempo da sua vida pessoal e familiar?! Ou que nome se pode chamar a alegar que "tempo de reuniões não conta para o horário de trabalho"?! E continuando a "assobiar para o ar" para a falta de meios nas escolas que obrigam os professores a comprar as ferramentas e os consumíveis de que necessitam para trabalhar?!
Quando digo isto, levo muita porrada de colegas e amigos que não são professores nem estão casados com um exemplar desses, como eu. Mas em geral ficam calados quando lhes pergunto como seria se, nas empresas ou instituições onde trabalham, tivessem que comprar um computador portátil e andar com ele entre a casa e o trabalho porque o patrão só disponibilizava um computador cheio de vírus para mais de uma centena de trabalhadores... e tivessem que produzir e imprimir em casa (à noite e aos fins de semana) a documentação que produzissem para a organização, pagando tudo isso (tempo e dinheiro) dos seus orçamentos familiares. Devia ser bonito, devia...

novembro 01, 2008

Mensagem nunca fora de horas

"Meu caro, sabes bem que estou solidário contigo no combate contra esta aberração de natureza. Claro que entendo o teu colega quando diz que só assina para a próxima. Era o que mais faltava raparem-nos agora mais uma horita de sono, neste tempo de crise instalada. Ainda que receie que se o Sócrates fizer as contas, venha a eliminar a mudança da hora desde que algum assessor lhe assegure que o rapinanço representará 0,0001% no cômputo do défice...
O que eu te posso assegurar, pela minha parte, é que a alvorada, cá por casa, se está a fazer às seis da manhã, acompanhando o nosso bio-ritmo, que o pobre (do bio-ritmo, entenda-se) já não está em idade de fazer adaptações tão violentas de seis em seis meses.
E assim me é sonegado, de uma forma ou de outra, o dia de 24 horas. Para nós passaram a ter 25 horas.
À meia-noite ainda só tenho o sono das 23 horas, mas acordo às seis porque o meu corpo me informa de que já são sete. É uma confusão do caraças!
Um abraço, sem horas.
OrCa"

outubro 26, 2008

Argumento «genial» contra a mudança de hora

Pois... mudou a hora mais uma vez.
Um amigo meu cantou-me hoje esta canção infantil:
"Vai mudar a hora...nhã,nhã,nhã,nhã,nhã,nhã!
Vai mudar a hora... nhã,nhã,nhã,nhã,nhã,nhã!"


Um colega meu disse-me anteontem: "Só assino uma petição que tu faças para acabar com as mudanças de hora depois desta de Outubro. Agora está quietinho que eu quero recuperar a hora que me tiraram antes do Verão".

O Mário Nogueira enviou-me este recorte de um jornal que, pela cidade do leitor (Albury) e pela referência à CSIRO, deduzo que seja australiano:
Tradução livre:
"A causa da seca clara como o dia

Quando era criança nunca tivemos seca após seca.
Entretanto começou o horário de verão. Até começou com um pouquinho mas agora temos horário de verão durante seis meses do ano.
Tornou-se demasiado para o meio ambiente aguentar.
É tão lógico: durante seis meses do ano temos uma hora extra por dia de tardes quentes.
Li algures que os estudos científicos tinham demonstrado que actualmente há muito menos humidade na atmosfera, o que significa que temos menos chuva.
Eu acho que é esta hora extra de sol que lentamente evapora toda a humidade de tudo.
Porque é que o governo não pode pôr a CSIRO a fazer estudos sobre esta matéria, ou melhor ainda, a acabar com a hora de verão?
Eles têm que fazer algo antes que seja tarde demais.
Chris Hill
Albury"


Com amigos assim, quem precisa de inimigos?

Argumentação parabancária

(excertos de uma carta que circula pela internet, alegadamente enviada ao BES por autor não identificado)

"Exmos. Senhores Administradores do BES

Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina da v/. Rua, ou pela existência do posto de gasolina ou da farmácia ou da tabacaria, ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.
Funcionaria desta forma: todos os senhores e todos os usuários pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, farmácia, mecânico, tabacaria, frutaria, etc.). Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao utilizador. Serviria apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade ou para amortizar investimentos. Por qualquer outro produto adquirido (um pão, um remédio, uns litros de combustível, etc.) o usuário pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até ligeiramente acima do preço de mercado.
Que tal?
Pois, ontem saí do BES com a certeza que os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e honestidade. A minha certeza deriva de um raciocínio simples.
Vamos imaginar a seguinte situação: eu vou à padaria para comprar um pão. O padeiro atende-me muito gentilmente, vende o pão e cobra o serviço de embrulhar ou ensacar o pão, assim como todo e qualquer outro serviço. Além disso impõe 'taxas de'. Uma 'taxa de acesso ao pão', outra 'taxa por guardar pão quente' e ainda uma 'taxa de abertura da padaria'. Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro.
Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo no meu Banco.
Financiei um carro, ou seja, comprei um produto do negócio bancário. Os senhores cobram-me preços de mercado, assim como o padeiro me cobra o preço de mercado pelo pão. Entretanto, de forma diferente do padeiro, os senhores não se satisfazem cobrando-me apenas pelo produto que adquiri. Para ter acesso ao produto do v/. negócio, os senhores cobram-me uma 'taxa de abertura de crédito' - equivalente àquela hipotética 'taxa de acesso ao pão', que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar. Não satisfeitos, para ter acesso ao pão, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente no v/. Banco. Para que isso fosse possível, os senhores cobram-me uma 'taxa de abertura de conta'.
Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa 'taxa de abertura de conta' assemelhar-se-ia a uma 'taxa de abertura de padaria', pois só é possível fazer negócios com o padeiro depois de abrir a padaria.
Antigamente os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como 'papagaios'. Para gerir o 'papagaio', alguns gerentes sem escrúpulos cobravam 'por fora' o que era devido. Fiquei com a impressão que o Banco resolveu antecipar-se aos gerentes sem escrúpulos. Agora, ao contrário de 'por fora' temos muitos 'por dentro'.
Pedi um extracto da minha conta - um único extracto no mês - os senhores cobram-me uma taxa de 1 EUR. Olhando o extracto, descobri uma outra taxa de 5 EUR 'para manutenção da conta' - semelhante àquela 'taxa de existência da padaria na esquina da rua'.
A surpresa não acabou. Descobri outra taxa de 25 EUR a cada trimestre - uma taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros mais altos do mundo. Semelhante àquela 'taxa por guardar o pão quente'.
Mas os senhores são insaciáveis.
A prestável funcionária que me atendeu, entregou-me um desdobrável onde sou informado que me cobrarão taxas por todo e qualquer movimento que eu fizer.
Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os senhores se devem ter esquecido de cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações de v/. Banco.
Por favor, esclareçam-me uma dúvida: até agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma?
Depois de eu pagar as taxas correspondentes talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria. Que a v/. responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências legais, que os riscos do negócio são muito elevados, etc., etc., etc. e que apesar de lamentarem muito e de nada poderem fazer, tudo o que estão a cobrar está devidamente coberto pela lei, regulamentado e autorizado pelo Banco de Portugal. Sei disso, como sei também que existem seguros e garantias legais que protegem o v/. negócio de todo e qualquer risco. Presumo que os riscos de uma padaria, que não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais elevados.
Sei que são legais, mas também sei que são imorais. Por mais que estejam protegidos pelas leis, tais taxas são uma imoralidade. O cartel algum dia vai acabar e cá estaremos depois para cobrar da mesma forma."

outubro 09, 2008

Economia paralela sempre é melhor que economia oblíqua!


A economia anda estúpida.
Não é que alguma vez tenha estado bem. Só que agora estão a vir alguns podres ao de cima. E não são nem serão todos!
Com esta aflição dos bancos e dos governos que os querem «salvar», lembro-me das várias vezes em que tive que negociar com bancos (e com o Estado e a Segurança Social, diga-se) a dívida de empresas em dificuldades, tentando torná-las viáveis e evitando o desemprego de muitas pessoas.
Por mais que me esforçasse nas negociações, interiormente senti sempre que não poderia exigir muito, já que o perdão de dívida é uma forma indirecta de prejudicar as empresas concorrentes que conseguem cumprir os seus compromissos.
Faliram já muitas fábricas que acompanhei de perto (profissional ou emocionalmente) - têxteis, confecções, cerâmicas,... - ao longo dos últimos anos.
As pessoas (por vezes famílias inteiras) que ficaram desempregadas tiveram que se fazer à vida noutras actividades, emigrando,...
"São as leis do mercado", diziam-nos.
Espero que estas mesmas leis do mercado se apliquem agora aos bancos. Pessoalmente, não estou disponível para premiar, com os impostos que pago, gestões ineficientes e danosas, se as houve. Nem os salários e benefícios principescos que se praticam nesse sector. Quem especulou, que assuma as consequências dos riscos que correu. «É a vida!»
Será pedir muito?!
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Entretanto, o Raim consegue dizer mais que eu (como é hábito), com um desenho:


Raim's blog

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Em tempo: li hoje uma notícia no «Expresso» com o título «O golpe de Estado financeiro na América». Nesse artigo, as origens do actual 'crash' são explicadas por uma ex-'insider' da Wall Street, Catherine Austin Fitts, que em 1990 foi demitida do Departamento da Habitação, depois de denunciar o sistema ligado ao escândalo financeiro das Savings & Loans.
Desse artigo, achei especialmente interessantes dois parágrafos (os destaques são meus):
"O sistema cresceu e consolidou-se porque beneficiou toda uma cultura americana de viver a débito e de enriquecer com rendas nos instrumentos 'tóxicos', nas bolsas ou na exportação de capitais. Os gloriosos trinta anos de esplendor económico da América com três 'bolhas' sucessivas (dos anos 1980, depois das 'dot-com' e, finalmente, do crédito hipotecário) alimentaram-se dessa criatividade."
"Alguns analistas designam este período (transitório) que temos pela frente de "capitalismo de regulação" ou "capitalismo colete de salvação" (life-jacket capitalism). "O pacote de salvação ataca um sintoma de curto prazo, para impedir deslindar-se as raízes do problema", frisa a conselheira de investimentos que dirige a Solari."

Só um cego não vê!