A propósito da minha petição para se acabar com a mudança de hora, recebi este e-mail, que originou uma troca de mensagens e que suscitou um comentário do Jorge Castro:
Mário Feliciano - "Problemas à saúde, ao bem estar e à segurança das pessoas? Porquê? Porque amanhece mais cedo e os miúdos podem ir para a escola sem ser de noite no inverno? Os argumentos usados, como o da mudança da hora da ordenha, são perfeitamente patéticos! Se os animais continuam a seguir o ritmo do nascer e pôr-do-sol, que diferença faz o acerto do relógio? Ainda por cima contrdizem-se a si próprios ao invocar que o sono devia seguir o ritmo do anoitecer e amanhecer. Pois é precisamente isso que esta mudança de hora faz.
É como as deputadas que na ânsia de protagonismo resolveram propor a abolição dos feriados a meio da semana. Muita gente há neste país entretida a fazer coisa nenhuma! Hoje em dia tudo serve de pretexto para invocar problemas psicológicos e de saúde. Até o fim das férias provoca depressões. Haja paciência! Não haverá nada de mais interessante com que se preocupem?
Não só não assino a petição como, se for preciso, faço campanha contra ela. Tenham juízo."
Paulo Moura - "Está no seu direito a ter a sua opinião e a defendê-la. Agora... com esse “tom” e a fazer ataques pessoais, fica a falar sozinho!"
Mário Feliciano - "Peço desculpa se considerou alguma expressão como um ataque pessoal. Não era essa a intenção. O "ataque", se assim lhe quer chamar, é à petição e às razões da mesma."
Paulo Moura - "Se não era intenção, a expressão "tenham juízo" foi muito infeliz. Quanto aos argumentos que «ataca», como já disse, está no seu direito e respeito. Os seus contra-argumentos também são «atacáveis». Mas não quero fazer disto uma discussão entre duas pessoas. A petição certamente será divulgada por alguns órgãos de comunicação social. Nessa altura será debatida. Se atingir as 4.000 assinaturas, será obrigatória a discussão em plenário da Assembleia da República. Serão muitas oportunidades para «atacar» esta petição e defender os seus argumentos."
Mário Feliciano - "Também não quero entrar pela discussão pessoal, mas já agora, e uma vez que a menciona, a expressão "tenham juízo" é porque acho uma total perda de tempo com um assunto que não o justifica, quando há coisas bem mais úteis, graves e importantes do que discutir se há ou não hora de inverno e hora de verão. Por exemplo, acabar com as acumulações de reformas dos políticos mereceria não uma, mas 10 petições. E bem pior foi quando tivemos a hora igual ao resto da Europa por razões meramente economicistas, só porque os senhores empresários acham que a diferença horária prejudica os negócios... Por causa disso no verão anoitecia quase à meia-noite. Isso sim, é que causava distúrbios no ritmo biológico das pessoas, era um completo absurdo, de tal forma que quando o governo de Durão Barroso tentou voltar a esse horário houve um parecer negativo do Observatório Astronómico de Lisboa, pois ficaríamos com 3 horas de diferença em relação à hora solar. Isso é que mereceria uma petição se voltasse a acontecer. Felizmente houve o bom-sendo de repor a hora no fuso horário de Greenwich.
Agora, de facto, este tema, com todo o respeito pelo direito que lhe assiste de promovê-lo... para mim não faz sentido.
E por aqui me fico. Pela minha parte termino aqui a discussão."
Paulo Moura - "Está a ver como não estamos de acordo? Pela sua "lógica", enquanto houver assuntos mais importantes para tratar, não se trata de mais nada?! Como para mim o mais relevante é a minha saúde e a mudança de hora afecta-me, durante vários dias, duas vezes por ano, todos os anos, permito-me fazer o que posso para me manifestar e para auscultar outros concidadãos.
Agradeço-lhe o trabalho que teve de me escrever (salvo a parte mais ofensiva). Pela minha parte, também termino a discussão."
Jorge Castro - "Caro Mário Feliciano:
Eu creio piamente no direito à opinião. Aplaudo-o. Reverencio-o, até. Por formação, por educação, por ideologia. Posto isto, permita-me que lhe refira coisas elementares que o seu comentário me suscita:
- Porque considerará o meu caro concidadão que está no direito de me considerar pateta porque não comunga, nesta especiosa matéria, da mesma opinião do que eu?
- Por outro lado, a questão que coloca quanto à «nossa» eventual ausência de coisas mais interessantes que «nos» preocupem, deve ser considerada mera questão retórica e, como tal, irrelevante. Já o mesmo não se poderá considerar quanto à admoestação no sentido de termos juízo, que mais não seja porque essa é matéria que sempre carece, no mínimo, de que se peçam meças ao interlocutor, sendo o juízo essa coisa tão volátil quanto se sabe… E, por favor, nunca por nunca ser presuma que o seu interlocutor é mestre na arte de estar entretido em fazer coisa nenhuma, pois aí, sim, a asserção pode ser ofensiva. Sabe, ele há gente capaz de se entreter com as mais desvairadas ocorrências! E em acumulação - o que chega a ser tremendo.
Veja bem que eu, por exemplo, estou para aqui entretido a remeter-lhe esta resposta porquanto considero, liminarmente, ser o meu interlocutor merecedor e digno dela.
- Quanto à matéria de facto que nos trouxe a este amável convívio, interessa considerar que não há, no mundo, coisas de maior ou menor importância se não atendermos previamente ao subjectivismo ou ao circunstancialismo das mesmas. Ora, a verdade é que, a mim, a mudança da hora me causa transtorno, até ao nível biológico… e contra isso, caro amigo, não posso fazer nada que o console. Mas também não o devo calar apenas pela razão de que, para si, o meu transtorno não é matéria de incómodo.
E já reparou que os seus estimáveis argumentos contra a «nossa» tomada de posição contra a mudança da hora podem servir exactamente para alguém se questionar sobre esta elementar evidência: então, se não há problema nenhum, se a questão é tão pacífica, porque é que, afinal, se hão-de desperdiçar tantos recursos a mudar o raio da hora, chateando meia-dúzia de concidadãos, ainda que a mim não me cause mossa nenhuma? Enfim, é deixá-la estar como está…
Convenhamos que é um belo exercício de democracia.
- E, não, o que as senhoras deputadas à cata de protagonismo, como alega, pretendem não é uma feliz comparação. Desde logo, porque eu nem quero protagonismo nenhum para além daquele que já tenho. Depois, porque as senhoras deputadas falam do suposto interesse da nação, do colectivo, e «nós» falamos do interesse do indivíduo – que também existe, benzam-no todas as divindades.
E deixe-me confessar-lhe uma coisa: a mudança da hora nem me causa problemas psicológicos nem de saúde. Simplesmente me chateia. Muito. Até por aquilo que considero ser a sua incomensurável inutilidade. E as coisas inúteis não servem para nada. E isso é-me bastante.
Mas considero muito louvável que promova uma petição a favor da mudança da hora, claro. Não por reacção, mas por convicção. Até para ver se a sua argumentação me convence a mudar de opinião. Uma coisa lhe asseguro: não me ouvirá recomendar-lhe a que tenha juízo…
Com consideração,
Jorge Castro"
novembro 07, 2010
novembro 03, 2010
A mudança de hora vista com humor por um mestre do dito
Miguel Esteves Cardoso
O bom tempo no mau
Crónica no «Público» de 2010-11-02
"No domingo mudou a hora. Tudo ficou uma hora mais cedo. Pela primeira vez na vida, decidi não obedecer. Desobecedi. Deixei os meus relógios à hora que era antes de chegarem as bruxas, todos os santos e los muertos dos mexicanos.
Fiz como fiz com o acordo ortográfico. Não liguei. Durante seis meses, pensarei que toda a gente acorda uma hora mais tarde. Ou seja, pela parte que me toca, que os restaurantes abrem mais tarde para almoçar (à uma) mas, para compensar, fecham mais tarde para jantar.
O sol não liga nenhuma à hora de nascer ou de se pôr. Como me explicou Sebastião Carvalho, numa carta, lusco-fusco vem do latim de “luz que foge”, pelo que nunca se pode aplicar ao amanhecer.
Ao não alterar os relógios e ao alterar o computador, dei comigo a pensar que a primeira acção era boa (não contrariar a mecânica dos cronómetros), mas a segunda era má (ir contra o acompanhamento automático dos terminais ligados à Internet). É boa esta mistura de 50 por cento de bom com 50 por cento de mau, como o cocktail Rusty Nail, que é metade de belo whisky de malte e metade do enjoativo licor Drambuie.
É verdade que estou adiantado metade do ano - mas todos os outros estão atrasados. Na outra metade, quando a hora volta a ser igual à minha, são os outros que vêm acertar a hora comigo.
Assim tenho sempre a hora certa e - não sei explicar como - um bocadinho mais de tempo. Já de razão, se calhar, tenho um pouco menos. Mas acaba por compensar."
Aposto que o MEC assinará a minha petição, quando a conhecer:

Não à mudança de hora - petição aqui
(desenho do mestre Raim)
Obrigado, Carlos Carvalho, pela pista!
O bom tempo no mau
Crónica no «Público» de 2010-11-02
"No domingo mudou a hora. Tudo ficou uma hora mais cedo. Pela primeira vez na vida, decidi não obedecer. Desobecedi. Deixei os meus relógios à hora que era antes de chegarem as bruxas, todos os santos e los muertos dos mexicanos.
Fiz como fiz com o acordo ortográfico. Não liguei. Durante seis meses, pensarei que toda a gente acorda uma hora mais tarde. Ou seja, pela parte que me toca, que os restaurantes abrem mais tarde para almoçar (à uma) mas, para compensar, fecham mais tarde para jantar.
O sol não liga nenhuma à hora de nascer ou de se pôr. Como me explicou Sebastião Carvalho, numa carta, lusco-fusco vem do latim de “luz que foge”, pelo que nunca se pode aplicar ao amanhecer.
Ao não alterar os relógios e ao alterar o computador, dei comigo a pensar que a primeira acção era boa (não contrariar a mecânica dos cronómetros), mas a segunda era má (ir contra o acompanhamento automático dos terminais ligados à Internet). É boa esta mistura de 50 por cento de bom com 50 por cento de mau, como o cocktail Rusty Nail, que é metade de belo whisky de malte e metade do enjoativo licor Drambuie.
É verdade que estou adiantado metade do ano - mas todos os outros estão atrasados. Na outra metade, quando a hora volta a ser igual à minha, são os outros que vêm acertar a hora comigo.
Assim tenho sempre a hora certa e - não sei explicar como - um bocadinho mais de tempo. Já de razão, se calhar, tenho um pouco menos. Mas acaba por compensar."
Aposto que o MEC assinará a minha petição, quando a conhecer:

Não à mudança de hora - petição aqui
(desenho do mestre Raim)
Obrigado, Carlos Carvalho, pela pista!
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outubro 29, 2010
Vamos ver a argumentação que vai ser utilizada, a favor e contra
Quem concorda comigo decerto assina e divulga esta petição, que quero apresentar à Assembleia da República com pelo menos 4.000 assinaturas (para ser obrigatoriamente agendada para apreciação em Plenário da Assembleia da República): «Não à mudança de hora».
Para quem quiser divulgar esta petição na sua página, há «banners» disponíveis aqui.
Para quem quiser divulgar esta petição na sua página, há «banners» disponíveis aqui.
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setembro 06, 2010
A origem pré-histórica de uma instituição que se pensava moderna

(ampliar)
Desconheço o autor - MEL? - mas acertou na mouche
junho 28, 2010
Uma grande verdade
Mark Rowlands
(filósofo inglês que investiga "o lado obscuro dos atributos associados à nossa superioridade sobre os outros animais: a inteligência, a moral e a consciência de que somos mortais")
Desde a minha adolescência, com os cães Tarzan e Tejo que tivemos em nossa casa, que eu questionava os meus Pais e a minha Avó, os três professores primários, sobre essa apregoada (pelos próprios seres humanos) superioridade. Do meu Pai, as únicas «respostas» que tive foram:
- O nosso cão é muito esperto: a gente diz-lhe "vens ou não vens?" e ele vem ou não vem.
- O nosso cão, quando está com os outros cães de Caria, costuma dizer-lhes: "o meu dono é muito esperto. Só lhe falta ladrar".
junho 23, 2010
Os argumentos da natureza
Gostei de ler este artigo do Público: «Pavan Sukhdev: A invisibilidade económica da natureza é um problema»."Pavan Sukhdev é o economista indiano que interrompeu a sua carreira de banqueiro no Deutsche Bank para liderar o projecto que liga os europeus, o G8 e as Nações Unidas: convencer as sociedades de que tanto a destruição como o usufruto da biodiversidade e dos ecossistemas têm um valor. A realidade vai dando razão ao trabalho da equipa de Sukhdev, que terminará antes da cimeira da biodiversidade, a realizar em Outubro, em Nagoya, no Japão."
Pois... como pode a natureza argumentar contra a orientação para o lucro? Pavan Sukhdev aponta o caminho:
"Os decisores ainda não agem tendo em conta os benefícios públicos. Como, por exemplo, os benefícios de ter água e ar limpos, de não ter inundações em França e na Alemanha e secas na Índia. Esses casos são vistos como catástrofes naturais, as pessoas não os ligam com a ecologia que deve ser protegida, apesar de existirem todas as razões para o fazer. Há locais, desde Nova Iorque a São Francisco e Bombaim, onde as florestas são usadas como reservatórios de água para abastecer as cidades. Por isso, deviam estar a pensar em investir em infra-estruturas ecológicas. No fim de contas, isto é um bem público.
Todos pagamos impostos, é dinheiro público que deveria ser usado para o bem de todos. Este pensamento ainda não existe em muitos governos. Alguns estão à frente, mas ainda assim a atenção está voltada para criar riqueza privada, na mão das empresas.
Temos de repensar a nossa política de impostos e começar a taxar as externalidades, como as emissões poluentes, e não apenas os lucros e receitas. O esgotamento de recursos deveria ser taxado, por exemplo."
Mas corremos o risco de conservar apenas o que nos pode dar lucro...
"Sim, há um risco de isso acontecer. É uma questão ética enorme (...). Ao mostrar que os ecossistemas têm valor, estaremos nós a criar o risco de, de alguma forma, reduzirmos a natureza e o seu objectivo apenas à sua utilidade, ao que é antropocêntrico? Existe esse risco. Mas ao mesmo tempo temos de reconhecer que a valorização é uma instituição social, não se trata de um grupo de economistas.
A sociedade valoriza aquilo que tem valor para ela. E, por vezes, essa valorização pode nem ter referência à economia ou a números. Se valorizarmos um monumento ou uma floresta sagrada para uma comunidade, não há nada que diga que precisamos de os proteger por algum motivo. E, assim, a protecção acontece por si mesma, sem precisar de razões. Mas em outras situações precisamos de demonstrar que tem impacto económico, e aí a política muda."
Cartoon visto aqui
junho 20, 2010
maio 12, 2010
Abençoada matemática que não é uma batata
Cardeal Saraiva Martins
numa entrevista ao jornal i
publicada em 6 de Maio de 2010
Vamos lá então fazer continhas.
Há em todo o mundo 1 papa, 192 cardeais, 5.002 bispos e 409.166 padres da Igreja Católica (fontes: «The Pontifical Yearbook 2010» via EWTN.com; e Wikipedia) - total: 414.361.
A população mundial é actualmente de cerca de 6.800.000.000 habitantes.
Ou seja, a estrutura básica da Igreja representa 0,006% da população mundial.
Como "0,03% dos casos [de pedofilia] ocorrem na Igreja", 0,03% a dividir por 0,006% é 5. Ou seja, haverá o quíntuplo de incidência de casos de pedofilia na Igreja em relação à média mundial?
maio 07, 2010
Petição pela extinção das lombas nas estradas portuguesas

Lomba «disfarçada» de passagem de peões, à entrada da Mealhada, vindo de Grada. De um lado, um passeio. Do outro, uma valeta e um terreno agrícola. Passagem? Só se for de ovelhinhas. Repare-se na areia no chão, posta por causa dos derrames de óleo naquela armadilha.
Já tinha enviado há um ano uma carta para ao presidente da Câmara Municipal da Mealhada sobre este assunto. A resposta foi inócua. Há um mês enviei uma carta idêntica para o presidente da Câmara Municipal de Anadia. Ainda não tive resposta.
Agora assinei esta petição da iniciativa de cidadãos das Caldas da Rainha:
"É com indignação que todos os dias vemos surgir inúmeras lombas ao longo das estradas portuguesas, por vezes sem que qualquer tipo de sinalização as denuncie. Justificam-nas afirmando: “objectivo de fazer reduzir a velocidade excessiva das viaturas”.
A verdade é que, não se pode combater esta infracção com outra ilegalidade, colocando obstáculos nas estradas, omissos na lei e que põem em causa a segurança dos seus utilizadores.
Nascem como cogumelos! Como acontece, por exemplo, no concelho de Caldas da Rainha. No troço rodoviário Caldas da Rainha – Benedita, 20 km portanto, existem 16 lombas. Se contarmos a viagem de regresso, são 32 no total… Ocorre ainda que numa distância de 1 km, existem 6 lombas, algumas com apenas 50 m entre elas.
Apenas os veículos do tipo todo-o-terreno estão mecanicamente preparos para ultrapassar estes obstáculos, ao contrário dos utilitários (a esmagadora maioria das viaturas em circulação em Portugal), que sendo baixos, facilmente embatem nesses empecilhos, mesmo circulando com velocidade reduzida.
Por outro lado, há um acréscimo significativo de poluição, resultante do “pára/arranca” interminável a somar ao desgaste da viatura, que tanto nos custa a “sustentar”… Resumidamente, pagamos as lombas, o combustível e o mecânico e contribuímos mais para o aquecimento global!
Aquele/a que teve esta “esplêndida” ideia, decerto não considerou a circulação das ambulâncias e outros veículos de emergência, nos preciosos minutos que perdem na transposição destes entraves. Ora na eventualidade de um sinistrado em estado crítico ter de ser transportado rapidamente para o hospital necessitando de ser reanimado durante o transporte, estes obstáculos podem fazer a diferença entre salvar ou perder aquela vida!
Já para não falar nos custos com a sua implementação, cujos saem do erário público, ou seja, do bolso de todos os contribuintes, verbas essas que, alegadamente, nunca são suficientes para o que realmente é necessário.
Pelos fundamentos apresentados, vêm os abaixo assinados, nos termos da Constituição da República Portuguesa e ao abrigo das leis vigentes, fazer petição para que sejam removidas todas as lombas que se encontram nas estradas portuguesas em geral, e nos concelhos de Alcobaça e Caldas da Rainha em particular.
Os signatários"
A petição está disponível aqui.
Entretanto, descobri este artigo muito interessante sobre as lombas ditas redutoras de velocidade.
abril 29, 2010
Combustíveis - ... e bem pagos!
Detesto quando alguém me quer fazer passar por estúpido, dando desculpas esfarrapadas. Os preços dos combustíveis subiram tanto porquê?
A culpa é do Estado, que cobra um balúrdio em impostos - respondem as empresas e as associações do sector.
De facto isso faz com que tenhamos em Portugal, em valor absoluto e desde há muitos anos, os combustíveis para veículos mais caros da Europa. Só que as taxas dos impostos sobre os combustíveis, que eu saiba, não sofreram qualquer variação recente. Por isso, o aumento que se tem verificado só se justifica, logicamente, por aumentos dos custos ou das margens dos fornecedores.
Meus senhores, adaptando o que disse o primeiro-ministro, "estúpido é a vossa tia, pá!"
A culpa é do Estado, que cobra um balúrdio em impostos - respondem as empresas e as associações do sector.
De facto isso faz com que tenhamos em Portugal, em valor absoluto e desde há muitos anos, os combustíveis para veículos mais caros da Europa. Só que as taxas dos impostos sobre os combustíveis, que eu saiba, não sofreram qualquer variação recente. Por isso, o aumento que se tem verificado só se justifica, logicamente, por aumentos dos custos ou das margens dos fornecedores.
Meus senhores, adaptando o que disse o primeiro-ministro, "estúpido é a vossa tia, pá!"
abril 21, 2010
Artigo do jornal i: «Castigos corporais. Reguadas fazem bons alunos»
"A reguada regressou às escolas do Texas a pedido dos pais. Em Portugal as memórias são demasiado frescas para se defender o mesmo."
O professor Rogério, meu Pai, tinha uma régua onde tinha escrito de um lado "Chocolate Regina..." e do outro "... é coisa fina". Lembro-me de ter levado, em quatro anos de escola primária, algumas reguadas. E nenhuma foi imerecida.
Do que me lembro, e muito bem, é de eu ser criança e tanta pessoa «crescida» que eu nem conhecia ir a nossa casa visitar o meu Pai e, relembrando os tempos de escola, agradecer "as reguadas que me deu, que na altura me doeram mas agora reconheço que me ajudaram a ser o que sou". Visto agora, à distância, não me parece que aquela malta fosse toda uma cambada de masoquistas.
Bem, antes que os meus amigos de Caria me chamem a atenção, chamo eu: a minha Avó, a professora Claudina, era brilhante a ensinar mas também tinha a fama e o proveito de uma mão pesadíssima. A sua cana da índia ficou marcada em muito boa rapaziada. Lembro-me de ela pedir a um colega meu, cujo pai era o fornecedor de canas da índia, depois de partir a que estava a usar na cabeça do próprio rapaz:
- Pede ao teu pai para tu trazeres amanhã uma cana.
"A reguada regressou às escolas do Texas a pedido dos pais. Em Portugal as memórias são demasiado frescas para se defender o mesmo."
O professor Rogério, meu Pai, tinha uma régua onde tinha escrito de um lado "Chocolate Regina..." e do outro "... é coisa fina". Lembro-me de ter levado, em quatro anos de escola primária, algumas reguadas. E nenhuma foi imerecida.
Do que me lembro, e muito bem, é de eu ser criança e tanta pessoa «crescida» que eu nem conhecia ir a nossa casa visitar o meu Pai e, relembrando os tempos de escola, agradecer "as reguadas que me deu, que na altura me doeram mas agora reconheço que me ajudaram a ser o que sou". Visto agora, à distância, não me parece que aquela malta fosse toda uma cambada de masoquistas.
Bem, antes que os meus amigos de Caria me chamem a atenção, chamo eu: a minha Avó, a professora Claudina, era brilhante a ensinar mas também tinha a fama e o proveito de uma mão pesadíssima. A sua cana da índia ficou marcada em muito boa rapaziada. Lembro-me de ela pedir a um colega meu, cujo pai era o fornecedor de canas da índia, depois de partir a que estava a usar na cabeça do próprio rapaz:
- Pede ao teu pai para tu trazeres amanhã uma cana.
abril 10, 2010
Os professores desunidos serão sempre vencidos
A propósito da notícia «Aluna insulta docentes na net» do Correio da Manhã e do video que a acompanha, recebi esta mensagem do Jorge Castro:
"Pois... nem sei bem que diga. Não consigo ver-me, hoje em dia, na pele de um professor - e já o fui, durante cerca de quatro anos, de Português e com turmas de adultos... mas foi há muito tempo.
Esta gajada, com pais e mães e mais as patas que as vão pondo, com Marias de Lourdes por trás ou pela frente, numa aula minha não tinham mais entrada. Saíam e não voltavam a entrar, nunca mais. Ou elas ou eu. E o Conselho Directivo que se desemerdasse!
Não há lei nem regulamento que possa obrigar um mortal a aturar isto, tenham lá santa paciência.
Em último recurso e quando o cerco apertasse demasiado, baixa do foro psiquiátrico... Quando chegassem aos 100.000 até um Sócrates teria de parar e, porventura, arrepiar caminho.
De facto, o que por vezes me enoja é esta cobardia «institucional». Numa escola média, com cento e tal professores, não conseguem, entre eles, criar um «corpo de ordem» constituído por uma vintena de elementos que, em questão de minutos, acorresse a uma situação destas, interrompendo as demais aulas, claro, mas invocando o superior interesse dos demais alunos, da escola e do próprio pessoal docente, para restabelecer a ordem na sala e promover a imediata expulsão das garinas?
E o que valiam, depois, estas duas putéfias (ou outros quaisquer), em termos argumentativos?
Será demasiado crua esta abordagem, mas no estado a que tudo chegou, parece-me um caminho viável. E não carece de sindicatos, nem de ministérios, nem, sequer, de conselhos directivos.
Trata-se da salvaguarda da dignidade da escola e do ensino, a que a maioria dos pais também não estará avessa. E se, aqui, se fala de tomadas de posição de força, esta parece-me supinamente legítima. No meu local de trabalho, se algum estranho ou mesmo colega me falta ao respeito, no que à matéria profissional se refira, está sempre o caldo entornado.
Invoco, a cada passo, o conceito da dignidade profissional para sustentar algum argumento. Perguntava-me, há dias, um director se eu presumia que só eu a tinha... Respondi-lhe, liminar e institucionalmente, que sim, eu tinha-a e defendia-a. Esperava sempre que os demais também a invocassem, na defesa de argumentos ou de atitudes, com a mesma legitimidade que eu, claro. E estranhava que tal quase nunca ocorresse. Como foi, aliás, o caso.
E não se trata desse dignidade não existir, sendo inerente à função cabalmente desempenhada. Só que não é invocada, não é colocada na mesa, como elemento primordial da relação entre as partes envolvidas.
Tenho, pois, alguma dificuldade em perceber esta falta de solidariedade activa do corpo docente... Caramba, nunca ouviram dizer que a união faz a força?
E, note-se, isto vale também para aqueles «corpos estranhos» que aparecem entre o corpo docente e mancham, pelas suas práticas, a reputação dos demais.
Há conceitos de democracia, de tal modo distorcidos pela sociedade do «meu umbigo», que transformam o regime numa caricatura ou, na perspectiva individual, na mais cruel das ditaduras. Com que cara é que aquela professora encara o resto da turma e a própria vida, após um episódio daqueles?
E mais não digo, ficando quase tudo por dizer...
Grande abraço.
Jorge Castro"
Eu repito isso sempre a quem me quer ouvir (poucos): a Educação só está como está porque os professores estão dispersos e não se unem.
Abre aço,
Paulo
"Pois... nem sei bem que diga. Não consigo ver-me, hoje em dia, na pele de um professor - e já o fui, durante cerca de quatro anos, de Português e com turmas de adultos... mas foi há muito tempo.
Esta gajada, com pais e mães e mais as patas que as vão pondo, com Marias de Lourdes por trás ou pela frente, numa aula minha não tinham mais entrada. Saíam e não voltavam a entrar, nunca mais. Ou elas ou eu. E o Conselho Directivo que se desemerdasse!
Não há lei nem regulamento que possa obrigar um mortal a aturar isto, tenham lá santa paciência.
Em último recurso e quando o cerco apertasse demasiado, baixa do foro psiquiátrico... Quando chegassem aos 100.000 até um Sócrates teria de parar e, porventura, arrepiar caminho.
De facto, o que por vezes me enoja é esta cobardia «institucional». Numa escola média, com cento e tal professores, não conseguem, entre eles, criar um «corpo de ordem» constituído por uma vintena de elementos que, em questão de minutos, acorresse a uma situação destas, interrompendo as demais aulas, claro, mas invocando o superior interesse dos demais alunos, da escola e do próprio pessoal docente, para restabelecer a ordem na sala e promover a imediata expulsão das garinas?
E o que valiam, depois, estas duas putéfias (ou outros quaisquer), em termos argumentativos?
Será demasiado crua esta abordagem, mas no estado a que tudo chegou, parece-me um caminho viável. E não carece de sindicatos, nem de ministérios, nem, sequer, de conselhos directivos.
Trata-se da salvaguarda da dignidade da escola e do ensino, a que a maioria dos pais também não estará avessa. E se, aqui, se fala de tomadas de posição de força, esta parece-me supinamente legítima. No meu local de trabalho, se algum estranho ou mesmo colega me falta ao respeito, no que à matéria profissional se refira, está sempre o caldo entornado.
Invoco, a cada passo, o conceito da dignidade profissional para sustentar algum argumento. Perguntava-me, há dias, um director se eu presumia que só eu a tinha... Respondi-lhe, liminar e institucionalmente, que sim, eu tinha-a e defendia-a. Esperava sempre que os demais também a invocassem, na defesa de argumentos ou de atitudes, com a mesma legitimidade que eu, claro. E estranhava que tal quase nunca ocorresse. Como foi, aliás, o caso.
E não se trata desse dignidade não existir, sendo inerente à função cabalmente desempenhada. Só que não é invocada, não é colocada na mesa, como elemento primordial da relação entre as partes envolvidas.
Tenho, pois, alguma dificuldade em perceber esta falta de solidariedade activa do corpo docente... Caramba, nunca ouviram dizer que a união faz a força?
E, note-se, isto vale também para aqueles «corpos estranhos» que aparecem entre o corpo docente e mancham, pelas suas práticas, a reputação dos demais.
Há conceitos de democracia, de tal modo distorcidos pela sociedade do «meu umbigo», que transformam o regime numa caricatura ou, na perspectiva individual, na mais cruel das ditaduras. Com que cara é que aquela professora encara o resto da turma e a própria vida, após um episódio daqueles?
E mais não digo, ficando quase tudo por dizer...
Grande abraço.
Jorge Castro"
Eu repito isso sempre a quem me quer ouvir (poucos): a Educação só está como está porque os professores estão dispersos e não se unem.
Abre aço,
Paulo
abril 09, 2010
Grande mestre Millôr Fernandes!
e chamam-me contribuinte!"

Millôr Fernandes
no Twitter
abril 06, 2010
Gestores de tachos - a experiência de outro santo inocente
"Olá, puto Paulo
A carta poderia ter sido escrita por mim, de tal forma ela mostra a massa de que somos feitos.
Há uns anos vieram dar-me uma concessão de máquinas fotocopiadoras da Xerox.
Como eu não entendia nada disso, recusei.
Bem me arrependi, pois o caramelo que ficou com o concessão passou a ser meu cliente e passava a vida a levar-me as placas das fotocopiadoras para reparação.
Ora cá está.
Nada como ser realmente bem ignorante.
Se fores muito ignorante arranjas quem te faça as coisas das quais não entendes um corno.
Se souberes algo dum assunto, pensas sempre não saber o suficiente.
Abraço
Carlos Almeida"
A carta poderia ter sido escrita por mim, de tal forma ela mostra a massa de que somos feitos.
Há uns anos vieram dar-me uma concessão de máquinas fotocopiadoras da Xerox.
Como eu não entendia nada disso, recusei.
Bem me arrependi, pois o caramelo que ficou com o concessão passou a ser meu cliente e passava a vida a levar-me as placas das fotocopiadoras para reparação.
Ora cá está.
Nada como ser realmente bem ignorante.
Se fores muito ignorante arranjas quem te faça as coisas das quais não entendes um corno.
Se souberes algo dum assunto, pensas sempre não saber o suficiente.
Abraço
Carlos Almeida"
abril 02, 2010
A minha segunda carta na revista online «Free Zone»

Gestores de tachos
Olá
Desde que foste para Lisboa, ainda não te tinha escrito sobre um assunto que te diz respeito e que, como bem sabes, muito me incomoda: ver pessoas a quem são atribuídos cargos de administração e direcção, muito menos por mérito técnico de gestão do que por compadrio político ou cunhas pessoais.
Este desagrado transforma-se numa grave alergia quando tenho conhecimento dos níveis de remuneração auferidos por essas pessoas.
Obviamente, não se trata apenas dos salários de base mas de todas as outras remunerações, prémios e regalias complementares, em dinheiro e em espécie.Sabes-me explicar os critérios de selecção dessas pessoas? E os critérios que levam à atribuição das suas remunerações? Se souberes diz-me, que eu adoro aprender.
Como te deves lembrar, quando comecei a trabalhar, depois de tirar a licenciatura em economia, foi nos serviços regionais da região Centro de uma empresa pública de grande dimensão. Nessa altura, imaginava (só os podia imaginar, pois raramente saíam de Lisboa “para a província”) os administradores dessas empresas como seres fora de série, quase “deuses da gestão”.
Alguns anos mais tarde, fui trabalhar para uma empresa industrial de média dimensão. Passados alguns anos passei a fazer parte da administração dessa empresa.
Entretanto, houve uma mudança de accionistas, o administrador-delegado foi afastado e fui convidado para o substituir.
Recusei, por entender faltar-me experiência para tal.
Depressa me arrependi, quando verifiquei que a pessoa que foi contratada para esse cargo entendia menos daquilo do que eu percebo de lagares de azeite.
Perguntas-me o que aprendi?
Valeu-me a experiência, por tudo o que teve de mau. Mas aprendi a não menosprezar os meus conhecimentos e experiências… e a entender bem melhor estes cargos de gestão. Fiquei a saber que, na prática, as preocupações e compromissos pessoais tendem a sobrepor-se, levando a formas de pensar e de estar fortemente egoístas, em detrimento da organização e, em última análise, dos seus clientes/ utentes/ cidadãos.
Como já alguém disse, “muitos executivos despendem muita energia e engenho trabalhando para as suas próprias compensações e «pára-quedas dourados»”.
E como eu penso que deveria ser na prática, perguntas-me tu? Simples: a avaliação e selecção deviam ser feitas tendo em conta que valor acrescentado pode uma pessoa dar a uma organização num dado cargo. E essa avaliação deveria ser contínua pois, como já escrevi no meu livro «Persuacção», “por paradoxal que pareça, o gestor «ideal» deveria ser aquele que se tornasse dispensável, que desse o lugar a outro nesse cargo, quando se apercebesse que o valor acrescentado que dá à organização é reduzido, inexistente, ou mesmo negativo”.
Desculpa o incómodo e toma lá um abraço do
Paulo Proença de Moura
Carta publicada aqui, na revista online «Free Zone»
abril 01, 2010
Esta miúda não vai longe. É que... já lá chegou!
A Ana Andrade apareceu na televisão (TVI 24), numa reportagem sobre o curso de «Cidadania Responsável» que ela lecciona na Universidade Católica. Podem vê-la, ouvi-la e comentar aqui.
Isto explicadinho por ela é muito melhor: "O Curso de Cidadania Responsável, a decorrer às sextas-feiras na Universidade Católica do Porto, foi estruturado por esta vossa criada, em resposta a um desafio do Professor Doutor Agostinho Guedes (vénia, Grande-Chefe!), Director da Escola de Direito. Um projecto pioneiro e de que me dá muito gozo fazer parte. O curso é oferecido pela Escola de Direito (onde dou duas cadeiras, integradas na licenciatura de Direito) mas é um projecto paralelo, que pretendemos desenvolver anualmente."
É pena eu não conseguir encontrar nenhuma referência ao curso na página da Universidade Católica...

Ver video (no Facebook)
Isto explicadinho por ela é muito melhor: "O Curso de Cidadania Responsável, a decorrer às sextas-feiras na Universidade Católica do Porto, foi estruturado por esta vossa criada, em resposta a um desafio do Professor Doutor Agostinho Guedes (vénia, Grande-Chefe!), Director da Escola de Direito. Um projecto pioneiro e de que me dá muito gozo fazer parte. O curso é oferecido pela Escola de Direito (onde dou duas cadeiras, integradas na licenciatura de Direito) mas é um projecto paralelo, que pretendemos desenvolver anualmente."
É pena eu não conseguir encontrar nenhuma referência ao curso na página da Universidade Católica...

Ver video (no Facebook)
março 22, 2010
Pornoeconomia - a versão do Jorge Castro
fui a uma casa de tia
deixar por lá algum verso
que de atrevido ou perverso
nos fizesse algum sentido
ou trouxesse demasia
no concerto do universo
mas fiquei desiludido
por não haver nesse abrigo
as boas putas coitadas
já todas escorraçadas
por morais e bons costumes
e outros tantos estrumes
em que é o mundo pródigo
só lá encontrei uns velhos
rameiros politiqueiros
que a malta já não indulta
mas cheios de bons conselhos
malvados alcoviteiros
de pôr todos de joelhos
a bem dos da face oculta
e por quanto se anuncia
a não louvar velhas putas
por ser indigno e machista
digo eu que há mais poesia
nessas penosas labutas
do que na corja chupista
que nos esmifra a carteira
bem mais que alguma rameira
muito mais que as velhas putas.
Jorge Castro"
E ele próprio esclarece:
"Reposicionemos a cena, sem linguagem encriptada:
- Ele há os gestores de topo, depois vêm os outros gestores, até aos gestorzinhos. Logo abaixo, há uma cáfila de agentes bem remunerados - directores, directores adjuntos, subdirectores, etc. - que constituem o exército, os homens (ou mulheres) de mão que, metendo a mão na merda, estão mais em contacto com os servos.
Acima e ao lado dos primeiros do elenco estarão os governantes.
O meu protopoema, na verdade, é dirigido à cáfila dos que fazem cumprir as ordens do dono, aos «intermediários», ao exército de paus-mandados com quem convivemos no dia-a-dia... e com os quais, tantas vezes, condescendemos, também por interesse, por cobardia ou por simples acomodação.
O que se passa com a alteração sucessiva das regras das pensões, por exemplo, justificaria por si só um levantamento nacional. Mas quem quer, com tanto tomate que anda para aí à solta, empunhar essa bandeira?
O que vemos nós? Uma correria desarvorada às reformas, antes que seja «tarde». Tarde para quê? Para batermos a bota ou para levarmos com ela, ritmadamente, no cu?
Quanto ao mais, a poesia serve para o que quisermos. A maior parte das vezes para nada ou muito pouco. Ainda assim, diz-se que é uma arma carregada de futuro...
Jorge Castro"
março 21, 2010
Pornoeconomia
Rui Pedro Soares recebe 1,5 milhões de euros da PT em 2009
Eu acho isto* pornográfico!
PT divulga pela primeira vez os salários dos gestores
Estes valores pretendem remunerar o quê? O risco? A responsabilidade? O desgaste rápido? Alguém me explica?
Sim, no resto da Europa também é assim:
Remuneração a gestores da PT é 35% inferior à média europeia
O que isso quer dizer é que não é só em Portugal que isto se passa. Engraçado, não me lembro de alguma vez ouvir falar em «justiça económica». Será tabu?...
* Não me refiro somente ao caso específico deste senhor. Isto, como sempre ouvimos nos cursos de economia, é "sem perda de generalidade"
Entretanto, li no Facebook este comentário do Amadeu Magalhães:
"Portugal é o melhor patrão do mundo! É a conclusão a que chego, tendo em conta os ordenados que pagamos aos nossos empregados, que gerem o nosso dinheiro e cargos de mais «responsabilidade». Não me parece difícil de perceber onde está a origem dos nossos problemas: andamos na horta, mas não vemos as couves!"
Eu acho isto* pornográfico!
PT divulga pela primeira vez os salários dos gestores
Estes valores pretendem remunerar o quê? O risco? A responsabilidade? O desgaste rápido? Alguém me explica?
Sim, no resto da Europa também é assim:
Remuneração a gestores da PT é 35% inferior à média europeia
O que isso quer dizer é que não é só em Portugal que isto se passa. Engraçado, não me lembro de alguma vez ouvir falar em «justiça económica». Será tabu?...
* Não me refiro somente ao caso específico deste senhor. Isto, como sempre ouvimos nos cursos de economia, é "sem perda de generalidade"
Entretanto, li no Facebook este comentário do Amadeu Magalhães:
"Portugal é o melhor patrão do mundo! É a conclusão a que chego, tendo em conta os ordenados que pagamos aos nossos empregados, que gerem o nosso dinheiro e cargos de mais «responsabilidade». Não me parece difícil de perceber onde está a origem dos nossos problemas: andamos na horta, mas não vemos as couves!"
março 20, 2010
Os bancos, a especulação, a crise... e os economistas
Joseph Stiglitz
Prémio Nobel da Economia 2001

Excertos de uma entrevista para «Le Nouvel Observateur» publicada na «Visão» de 11 de Março de 2010, em que Joseph Stiglitz, depois de ter alertado para os perigos da "financialização» da economia, denuncia a avidez dos bancos e a sua recusa de qualquer reforma financeira:
Qual é a sua reacção face à especulação contra os elos fracos da Zona Euro?
É incrível: as dívidas externas e os défices públicos da Grécia, Portugal, Espanha e Itália são resultado da salvação dos bancos, cujas malfeitorias causaram a crise. E, agora, estas mesmas instituições fazem fortunas mordendo a mão dos seus salvadores! Mas não deveríamos admirar-nos. Não mudaram nem as regras nem as motivações destas instituições. Foi-lhes dado dinheiro barato para fazerem o que queriam, sem limitações, e eles utilizam-no para maximizar os seus lucros, sem se preocuparem com os custos sociais induzidos.
(...) A avidez de Wall Street é a única causa da crise? Os reguladores não falharam?
(...) a responsabilidade primordial [é] dos banqueiros. Não só não fizeram o seu trabalho e destruíram a nossa economia, como fizeram a campanha para atribuir a culpa a outros. Os banqueiros falharam por incompetência e por avidez: puseram em prática um sistema de remunerações que incentiva a assumpção de riscos excessivos e as estratégias a curto prazo. É verdade que os reguladores não impediram os bancos de se portarem mal. Mas quando alguém rouba uma loja, acusamos o ladrão... não a polícia, por não estar no local. E os economistas também tiveram um papel importante, ao legitimarem a ideologia da desregulamentação.
É muito crítico sobre a forma como o presidente dos EUA, Barack Obama, geriu a crise. Mas não terá ele herdado os remédios da equipa de Bush? Poderia fazer reformas enquanto a casa ardia?
Barack Obama podia ter feito mais. Fez campanha com «a mudança em que podemos acreditar» mas escolheu uma equipa económica associada aos políticos de ontem. Deu centenas de milhares de milhões de dólares aos bancos, sem impor condições. E, em lugar de recapitalizarem os seus bancos, os financeiros utilizaram o dinheiro para irem de férias, pagar a si próprios superbónus e distribuir dividendos. Por não ter actuado com vigor suficiente, perdeu parte da sua credibilidade.
(...)
As reformas definidas no G20 são à medida da crise?
Se as novas normas sobre os fundos próprios dos bancos forem efectivamente aplicadas, as coisas vão mudar. (...) Se tivéssemos reconduzido as «alavancas financeiras» autorizadas, de 30 para 1 (rácio dívida/capital) para... 10 ou 12 para 1, nunca teríamos tido um problema desta amplitude. A reforma dos bónus também deverá limitar a excessiva tomada de riscos (...).
Mas como asseguramos que a redução da dimensão dos bancos não afecta a sua capacidade para financiar a economia?
Reduzir a importância do sector financeiro é uma coisa boa. O facto de este sector pesar 40% no total dos lucros das empresas demonstra a que ponto a nossa economia está distorcida. Uma reforma pertinente encorajaria, pelo contrário, actividades mais úteis: o capital de risco, o crédito às empresas, a investigação...
Podemos levar a cabo essas reformas simultaneamente em todos os países ocidentais?
Isso seria o ideal, mas não é realista. Se esperarmos por uma acção concertada, não faremos nada. Os banqueiros apostam, de resto, nesta paralisia. Cada governo deve fazer o que lhe parecer adequado à sua situação. O argumento da concorrência desleal é uma falsa questão. O core business da banca continuará a ser local. Quanto às actividades especulativas, pouco importa que emigrem para as Caraíbas. De qualquer forma, não têm grande utilidade social. Interessam essencialmente aos apostadores e aos seus accionistas.
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Noutro artigo («as tragédias da austeridade») da mesma revista, a respeito da crise e revolta social na Grécia, podia ler-se:
"Manhattan (...) há três meses, decorreu um jantar num hotel de luxo onde alguns dos maiores gestores de fundos especulativos do mundo, caso do SAC Capital Advisers e do Soros Fund Management, terão discutido a melhor estratégia para fazer descer a cotação do euro, arrastando-a para uma quase paridade com o dólar. Objectivo: o lucro, claro. Afinal, estes fundos conseguem endividar-se 20 ou 30 vezes mais que o valor do seu capital e uma simples variação de 5% da taxa de câmbio pode render-lhes o dobro ou o triplo do investimento feito (...)"
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