março 12, 2011

Brinquedo de Estranhos, Marioneta de Sonhos - um livro chamado Joana


Foi um sonho e agora é um livro.
Já está disponível a encomenda online no site da editora Apenas: Brinquedo de Estranhos, Marioneta de Sonhos. :)))

Mudança de hora? Nada "legal"...

... pelo menos no sentido que os Brasileiros dão à palavra "legal".
Mas... só eu e mais 125 Portugueses achamos que deveria acabar-se com a mudança de hora?!

"No último domingo de Março, dia 27, às 01h00m, os relógios devem ser adiantados 60 minutos, entrando em vigor a denominada Hora de Verão."

Se não sabe a origem, razões, vantagens e inconvenientes da mudança de hora, tem aqui alguma informação que tenho vindo a reunir ao longo dos anos.

Se concorda com a petição que está disponível aqui, assine-a e divulgue-a.


Consulta e assina a petição

A maioria só lá esteve para fazer companhia

A esta hora está a sair da rua a manif da geração à rasca e até parece compostinha nos écrãs da televisão.

Contudo, tenho estado atento às entrevistas de rua (as que verdadeiramente definem o calibre de um movimento desta natureza) e fico cada vez mais boquiaberto perante a ausência de credibilidade tanto da causa como, e acima de tudo, da juventude que hoje a protagoniza.

A verdade é esta: a maioria das pessoas na rua não sabem ao que vão. E as que sabem só têm um objectivo e verbalizam-no: fazer cair este Governo, como se estivéssemos a falar do Sporting e estivesse em causa mudar de treinador.

O problema é que não faltam treinadores melhores do que aquele que o Sporting deixou sair, mas as alternativas de poder escasseiam e nenhuma das pessoas presentes na manif faz a mínima ideia ou tem a menor intenção de apresentar a sua.

Cada vez mais é nítido que a malta à rasca quer apenas o sangue de um bode expiatório, procuram a vitória possível de criarem as condições ideais para derrubarem um Executivo cheias de esperança no senhor que se seguir. Mas sem o nomearem, sem soluções para os problemas que os movem e que, quem tem visto o que eu vejo não pode negar, acabam por nem estar directamente ligados ao que serve de mote para esta contestação popular porque sim.

É mesmo, como alguém já referiu, a geração tiririca (tirem os que lá estão porque pior do que está não fica) e utilizam a sua capacidade de mobilização virtual e mediática para algo que feito assim, sem norte, não passa aos meus olhos de uma fantochada.

Das pessoas entrevistadas quase metade dificilmente se podem apelidar de jovens e apresentaram justificações quase sempre ligadas à mobilização de ordem familiar ou se tratava de pequenos grupos representativos de classes que ali se juntaram por oportunismo descarado, para aproveitarem os holofotes dos media e dizerem de suas razões.

Uma manif assim só pode ser um sucesso, chamando por uns (os jovens) mas reunindo outros que se aproveitam do pretexto para darem mais um empurrãozinho na ansiada queda do Governo que, como já se percebeu, dará lugar a um outro capaz de dar a volta a isto numa pressa do camandro.

Eu nem percebo porque insiste o actual Governo em manter-se em funções. Se for verdade que têm garantidos tachos magníficos cá fora não sei o que estão a fazer lá dentro. E se o povo (venham eleições e logo se tiram as conclusões) diz que os que lá estão são maus é porque acredita que os próximos farão melhor e eu sinceramente gostava de ver isso, mas por outro lado tenho que privilegiar os interesses do país e desses não faz parte substituir um Governo baseado num partido que, mal ou bem, está unido em torno de um líder por um outro Governo formado pelo partido alternativo cujo presente (mas sobretudo o passado) esclarecem acerca da forma como se entendem entre si.

Num clima de crise financeira e com vários abutres externos com o cerco montado à espera do safanão que constitui o seu sinal de entrada no castelo, não consigo entender a lógica da malta supostamente tão à rasca que lhes quer abrir os portões com esta sua intervenção queixinhas que continua a dar-me a razão que eu preferiria perder:

Não fazem a mínima ideia do que querem fazer a seguir.

E eu, como muitos outros à rasca propriamente ditos, tenho um presente concreto para gerir e não me compadeço da ameaça de um futuro feito pelos que não sabem por, nem para, onde querem ir.

Governo à Rasca? Deixem de poupar a todo o custo!

300 mil manifestantes em Lisboa e 80 mil no Porto. É obra!
Um rapaz de caracóis louros diz para a televisão que quer que "o Estado caia". E entendo que o Shark fique à rasca.
Mas muitos outros sinais fazem-me pensar que, se eu estivesse no Governo (actual ou potencial, que já sabemos que isto é uma dança do «Vira» - "ora agora viras tu, ora agora viro eu, ora agora viras tu, viras tu mais eu") ficaria à rasca se não tivesse soluções concretas para corrigir o que tem vindo a ser feito pela porca da política. Não é preciso ter estudos para se saber o que acontece quando se poupa a todo o custo e, pior ainda, em vez de se dar o exemplo ainda se mantêm mordomias adquiridas. É fazer ao país o equivalente a chegar a uma empresa em dificuldades e começar a cortar a torto e direito nas despesas.
Por (de)formação, a frase que mais gostei de ouvir hoje foi esta:

"Economia é a tua tia"

Geração à Rasca: Manifesto acerca da nossa fraca responsabilidade democrática e dos protestos mal dirigidos


Manifesto do Katano


David Caetano - Blog do Katano

Uma resposta limpinha à argumentação ORCAlhona

Bom, meu douto parceiro, começo por contestar esse bode expiatório fraquinho que são os pais. Os pais, Orca? Tu que és pai, mesmo tendo a sorte de te tocar um puto à maneira, sabes que é uma lotaria. Por outro lado, desculpabilizar as aventesmas com base nas asneiras bem intencionadas ou por mera inépcia dos progenitores equivale a passar atestados de incompetência a uns e cartas brancas para a estupidez aos outros seus herdeiros.

É claro que o meio envolvente pode determinar/condicionar a evolução de um indivíduo mas se lhes damos acesso a mais informação do que em algum momento da História da Humanidade esteve ao dispor dos plebeus isso permite aos melhores moldarem as suas convicções e, por tabela, abraçarem a democracia participativa como opção.
Deveriam até ser capazes de formarem uma alternativa séria (porra, eleitorado potencial não lhes falta), para poderem criar as condições para as tais manifes bem organizadas e com soluções e não apenas queixinhas.
E não aceito de forma alguma o paralelo com as causas pelas quais tiveram que se bater os que citas. O país é democrático e qualquer cidadão pode (deve) ser capaz de berrar com base em ideais bem concretos e não em queixinhas que se somam às dos restantes e não justificam (até pelas benesses que lhes apontas por via dos pais que criticas) especial relevância em relação à dos reformados ou mesmo à dos trabalhadores que se vêem, esses sim, à rasca para honrarem compromissos já assumidos.
E é a palavra compromisso a chave do meu raciocínio.
É baril participar numa manife, bem o sabemos. Mas a coisa nasce e morre ali se não há planos sérios para o futuro da coisa. E esses, não há volta a dar, fazem-se antes da gritaria e não depois de se ver no que dá, depois de contar espingardas.
É uma cobardia política e um comodismo intelectual, convirás.

Claro que reconheço o perigo das generalizações, mas eles mesmos ao aceitarem rótulos e ao elevarem os mesmos à condição de punch line abraçam a generalização que até lhes convém (para parecerem uma organização com um fio condutor e apelarem à força da multidão).
São a geração à rasca e qualquer de nós sabe que à rasca, insisto, estão aqueles que para além de lhes sustentarem os vícios ainda têm que honrar compromissos e, lá está, fazerem funcionar os mecanismos da democracia que entre outros privilégios que, por exemplo, os jovens líbios não possuem, lhes garante o direito à livre manifestação das suas dores.
E esse não contesto, de todo. Pelo contrário, é o meu apreço (e o meu currículo) nessa matéria que mais motiva o tom da posta que serve de base para esta prazenteira troca de impressões.
A luta popular merece o respeito de ser levada a sério, não pode ser confiada ao livre arbítrio das conjunturas e dos impulsos agregadores. Merece, por exemplo, aquilo que as revoltas no Egipto ou na Tunísia possuíam: causas sérias.
E agora vamos lá à seriedade deste pseudo-movimento deolinda:
dificuldades? recibos verdes? As gerações anteriores à deles conheceram o trabalho sem direito a férias, a necessidade de alugarem casas a meias com hóspedes para as poderem pagar e uma data de coisas que conhecerás tão bem como eu, porra...
Fizeram o quê? Um 25 de Abril, que por muitas pedras que lhe mandem aos telhados de vidro que as múltiplas seitas e associações lhe criaram nestas décadas ainda hoje lhes oferece de bandeja uma democracia que não sabem (nem querem - o discurso abstencionista e a alergia à política partidária predominam) cultivar e defender.
Preferem dar nas vistas, aproveitarem a embalagem do que vêem na tv para reclamarem uma voz que ninguém lhes nega no sistema em vigor. Têm é que vergar a mola, investirem tempo e carola para fazerem aquilo que vão para a rua exigir a terceiros.
E isso é uma seca, não prestigia a pessoa como encher a boca a dizer "eu estive lá".
Mesmo que esse "lá" não passe de uma birra, por muito que alguns deles vejam o futuro negro neste presente cinzento.
Mudem o mundo, mas com maneiras. Com inteligência, com persistência, com ideias alternativas que em não existindo fazem com que os protestos de rua apenas sirvam para apelar ao vazio.
E se para os líbios e os egípcios isso não é ir para pior, na nossa democracia ocidental antes pelo contrário.


março 11, 2011

Comentário à opinião, muito legítima, mas algo desiludida, do Shark sobre a manifestação do dia 12…

 Antes de mais e do alto dos meus 59 anos, amanhã também estarei na manifestação. Não sei em qual, nem sei ao serviço de quê, mas NÓS todos deixamos chegar isto a tal ponto, que alguma responsabilidade devemos, colectivamente, assumir. Nem que seja a do protesto e a desse outro conceito tão marginalizado quanto esquecido que se chama solidariedade.

E também por duas razões, outras, relevantes: nem gosto de tomar a árvore pela floresta, nem gosto que a floresta esconda a bela individualidade de cada árvore que a enforma. Digo isto, obviamente, como esclarecimento quanto à minha abordagem às motivações dos organizadores do protesto.

Nem será porque uma tal manifestação alberga dois ou dois mil totós que os motivos passam a ser menos nobres.

Tenho, entretanto, o privilégio de privar de perto com muitos e muitos jovens que não são enquadráveis na moldura definida pelo Shark. E que estão mais do que motivados para protestar contra o verdadeiro estado de sítio para onde nos conduziram os sucessivos governos do centrão - afinal, os únicos destinatários do protesto. E para que não fiquem dúvidas, estou a falar do PSD e do PS – enquanto partidos no poder -, que partilham o(s) poder(es) entre si há dezenas de anos, e todos os seus apaniguados das franjas da manjedoura estatal, mais ou menos «independentes», analistas do convénio, economistas dos interesses, engenheiros das malfeitorias, etc., etc.   

Quanto à má-formação inquestionável de tantos e tantos jovens - onde reconheço muita razão à argumentação do Shark - a questão é esta: quem é que os mal-formou? Os pais, os parentes próximos, os professores, os padres, a sociedade que vimos construindo e onde eles se inserem? Quem é que lhes compra as consolas e os jogos? Quem é que permite que, na mesa do restaurante, o pimpolho matraqueie nessa consola, enquanto os pais olham para o infinito? Quem é que se demitiu e demite do seu mais que nobre magistério de influência paternal? Quem é que lhes põe os carros nas mãos (estou a falar dos filhos das classes médias e altas, claro, que os outros ou andam a pé ou vão roubá-los)? Quem é que lhes fornece o guito para os shots e outras minudências estimulantes? Quem é que permite o descalabro no sistema do ensino público, que parece institucionalmente apostado em só formar idiotas desde a mais tenra idade, se os paizinhos não tiverem dinheiro e discernimento bastante para lhes facultarem «instrumentos paralelos» para a vida, instrumentos, uma vez mais, dos que se pagam com duro metal sonante? Quem é que cria, como paradigma de cidadania, o ambiente imbecilizante dos Morangos com Açúcar do nosso descontentamento?

É que (e muito longe da teoria do «bom selvagem», entenda-se) quando um puto cá chega – e, desde logo, devia chegar por um acto responsável e consciente de quem mandou a respectiva queca, o que muito raramente ocorre – o mundo está feito e (mal) pronto para o receber. E ele vai fazer-se a ele, completamente dependente das circunstâncias que o envolvem.

Então, chegado o tempo de juntarem dois e dois e não atingirem resultado nenhum, se acham que devem protestar, pois que protestem. Porque são, também, muitos os jovens que dão o corpo no Egipto, que o dão na Líbia, que o deram no Kosovo, na Sérvia, como já o tinham dado no Vietnam. Antigamente, chamávamos-lhe o idealismo e a generosidade da juventude… e sentíamos orgulho por isso. Teremos o direito, hoje, de até isso lhes negar?

Se, desgraçadamente, os jovens portugueses não se revêem nos partidos e demais instituições existentes que poderiam enquadrar este protesto com outro élan organizativo e «perspectivação política»... a culpa também será deles? E a alternativa, enquanto não formarem o(s) novo(s) partido(s) – como se tal fosse elementarmente exequível –,  é calarem-se e continuarem, precariamente, a recibo verde?

Por estas e por muitas outras, caro Shark, atenção, que precisamos de ir com calma...

Também conheço muitas abécolas, amorfas ou alienadas, como aquelas que referes. Mas sempre as conheci, desde que a mim me conheço, desde aqueles para os quais a sua política era o trabalho ou o futebol, até aos que andavam sempre de carteira recheada pela bem-aventurança de paizinhos bem instalados.

E, já agora, tenho um filho, com licenciatura concluída mas já atropelada por Bolonha – outra cagada «economicista» sem nome – que já passou por meia-dúzia de ocupações qualitativamente relevantes, ao longo de meia dúzia de anos, até como professor universitário (!!!), que para tanto lhe chegam formação e saberes, e que desde os seus 20 anos faz questão de tentar viver com independência não subsidiada e sem cunhas... e só lhe aparecem ou maus pagadores (as excepções são raras) ou esquemas a seis meses, mal pagos, mas tudo com muitas palmadas nas costas e louvores à excelência.

A propósito, por uma prestação de serviço de cerca de seis meses, numa autarquia, a «recibo verde», teve de pagar ao estado mais do que aquilo que recebeu! E não é conversa da treta, que eu posso testemunhá-lo. É neste estado-vampiro (ou sanguessuga, para o caso…) que os «putos» não se querem rever. E eu também não.    

Se me aparecer por aí algum andróide que me prove que se pode assim construir um futuro diverso do dos sem-abrigo, eu agradeço a informação. Ele ainda tem esperança de que o mundo que ajudei a construir cumpra regras. Eu já não sei se verei esse amanhã cantante…  

E, não obstante, nunca foi criada e produzida tanta riqueza no mundo!

Como ele, uma imensidão, que lamentavelmente apenas vê futuro na emigração. Se o que devemos advogar é essa sangria de tantos dos melhores – cuja formação, aliás, também pagámos com os nossos impostos –, enquanto nação, enquanto povo, enquanto cidadãos, então estamos conversados e Portugal está bem entregue nas mãos dos socretinos a que temos direito e em quem cordeiramente votamos.

Ou, se calhar, afinal Portugal não tem relevância e ser português ainda menos e venham de lá os chineses, ou os indianos, como ontem vieram os americanos e, antes deles, os franceses, enquanto culturas dominantes, a bem do «progresso do mundo». Desse «progresso» a que assistimos nos diários e amarfanhantes conflitos de interesses, sob a égide dos sacrossantos e inatacáveis «mercados».

Não, Shark amigo, eu compreendo muito do que dizes desse grupo de jovens que caracterizas, mas eles não são todos. E amanhã também vou manifestar-me com eles. Contra... qualquer coisa, a bem do meu descontentamento. Não foi para isso que houve Abril! E nesse Abril, estes de que falamos, uns e outros, nem eram ainda nascidos. Pelo que, daí para cá, o que há e por muito que nos custe é de nossa exclusiva responsabilidade.

No meio disto tudo, quer os Deolinda quer os Homens da Luta são efeitos perfeitamente colaterais, como o foi a Tourada de outros tempos, ou a Grândola Vila Morena ou o E Depois do Adeus. E espúria será, até, a comparação. Mas está muito na natureza humana localizar ícones ou pontos de referência para cada um não se perder ainda mais da tribo...

Não se entenda, entretanto, todo este arrazoado como uma polémica estéril ou picardia de somenos. Trata-se apenas, digamo-lo assim, de uma declaração de voto, enquanto direito que nos assiste.   
O Paulo sugeriu outro poema... mas saiu este. Que é soneto e terá algo a ligá-lo a muitas das razões que, amanhã, dia 12 de Março de 2011, irão agitar as consciências da(s) cidade(s).

como iremos dar de nós algum sinal
exaltando de repente a madrugada
a fazer-se em tons de anil e quase nada
mas que suscite o ressurgir de um madrigal?

como tentar então unir o que é diverso
como soltar de nós a voz no tempo incerto
como trazer o sempre longe p’ra mais perto
vesti-lo enfim com a coragem de algum verso?

porque o porvir nunca se faz de mãos fechadas
se não se abrirem essas mãos à vida acesa
que nos desperta em horizontes e alvoradas

algum caminho haverá tenho a certeza
como sabemos outrossim das mil estradas
que surgem sempre pela mão da Natureza

A liberdade de expressão tem o costado largo...

... e é em nome dela que bestialidades destas não são (fortemente) penalizadas.
Enquanto não percebermos que a nossa liberdade acaba quando violamos a liberdade dos outros, enquanto não nos convencermos que a Constituição (e o Código Civil, c'um raio!) não são uns livrinhos bonitos para ter na estante, que só os juristas e candidatos a juristas têm de ler, viveremos num país de vale-tudo, onde qualquer cidadão de bem, cioso da sua intimidade, a vê devassada por impropérios e ofensas advindas de um dito médico (pago pelo Estado português) que, graças à nacionalidade norte-americana, não deve estar obrigado à formação e reciclagem profissionais a que os trabalhadores portugueses estão vinculados.
Porque, se o estivesse, saberia que a sua "opinião" está ultrapassada. Há quase 40 anos, caramba!!!

(Pornográfico, como diria a nossa São.)

março 10, 2011

Indiferença

O indiferente age com desdém;
O que tem desprezo pelos demais;
O que prefere a desconsideração, apatia e insensibilidade no trato com os restantes semelhantes;
Os que praticam acções desenhadas com frieza;
É o sono da alma, o adormecimento da personalidade.

É pior a indiferença de um dito benemérito envolto em supostas responsabilidades sociais, que os gritos estridentes de pessoas de quem nada se espera;
É o péssimo pecado para com um semelhante, pior que odiá-los, vestir o lobo com pele de cordeiro e atraiçoá-lo com indiferença, a essência da desumanidade;
É o perpétuo adeus;

E os que advogam a Liberdade?
Será que falam daquela que os permite dizer o pensam sem se preocuparem com o limiar da interferência na Liberdade do próximo? Ou andar livremente na rua? E no seio dessa Liberdade qual a reacção interior quando passam pelos semáforos? E pelos vãos das escadas, o que fazem perante o que vêem, se é que sequer olham.

E os que proclamam a Igualdade?
Será aquela Igualdade que coloca no mesmo patamar dos restantes aqueles que sem condições para o trabalho, vivem cada dia sem preverem comida ou dormida quente para dali a umas horas? Ou será a Igualdade daqueles que convergidos pela contingência política de um sistema implementado, não encontram alternativas senão prostituírem-se de todas as formas conhecidas e mesmo as mais subtis, para poderem sobreviver?

E os que preconizam a Fraternidade?
É aquela em que uma pessoa com condições de vida, seja em que medida forem, ajuda o seu semelhante a somar dividendos ficando de consciência tranquila quanto à beneficência que praticou?

Não serão estes conceitos hipócritas quando não efectivamente trabalhados em conjunto?

Contudo existem claramente uns poucos que somam estes conceitos à Tolerância, seguem-nos diariamente, e juntos conseguem fazer alguma diferença nos protocolos sociais e morais implementados.
São poucos, são quase nenhuns, e menos ainda os que se expõem...

março 09, 2011

A posta numa manif à rasca mas montes de bué

A sério que gostava de poder levar a sério o levantamento popular (virtual, até ver) que a música dos Deolinda, a crise financeira ou a simples sede de protagonismo de uma geração maioritariamente constituída por gente mimada, arrogante e demasiado umbiguista para reunir o arcaboiço necessário a um movimento colectivo espontâneo como os que viram na televisão e pretendem reproduzir na versão limpinha de um país democrático onde não existe um mauzão para lhes soltar as feras aos calcanhares suscitou.

Mas não posso. E explico-vos porquê.

Nunca fui um entusiasta dos rebels without a cause, excepto na sua componente lúdica. Uma revolução não acontece só porque sim, tal como uma manifestação não faz sentido quando se aliam a futilidade de um objectivo imbecil e despropositado, típico de quem não percebe pevas do que se passa à sua volta porque nunca esteve lá para ver, e a motivação dispersa por queixas que não passam da denúncia de problemas que todos conhecemos mas sem qualquer bitaite acerca de hipotéticas soluções.

O Sporting está mal e perde demasiados jogos? Expulsem todos os jogadores. Já agora, como a nossa Liga é muito inferior à espanhola e à inglesa acabem com o futebol no país.

O Ensino não corresponde às expectativas? É correr com o Corpo Docente no seu todo.

O país está em crise? É correr com toda a classe política.

E depois logo se vê.

Claro que o entusiasmo vai crescendo, há a popularidade da gaja parva que ela é, as mais de 20 mil clicadelas numa página revolucionária do Facebook e agora até já ganharam o festival da canção.

Os sinais multiplicam-se perante o olhar deslumbrado das gaiatas e dos gaiatos que depois de uma vida burguesa e sem dificuldades parecidas sequer com as que mobilizaram os seus pais e avós décadas atrás descobriram a pólvora sem fumo da contestação popular, da tenda armada na praça, do insulto impune ao agente de autoridade porque viva a liberdade e o people tá todo na rua a gritar.

Mas afinal vão gritar o quê, estes fedelhos que nunca mostraram interesse sequer em conhecer o funcionamento das instituições que querem agora, na prática, confiadas ao vazio?

Claro que muitos já sentem na pele as consequências do mau bocado que estamos a passar e juntarão a sua voz aos paladinos da moda contra o monstro de contornos difusos que é a classe política no seu todo, livres do jugo de partidos e outras organizações expiatórias de uma culpa que não assumem na sua birra mediática, tal como ninguém os ouve falar acerca de tomarem o seu posto nos bastiões tomados pela força do berreiro inconsequente na sua utopia abastada de meninas e de meninos que concordam na ideia de que estudar não serve para nada e por isso é certo e sabido que vão todos aprender os ofícios que dão futuro à pessoa, uma geração inteira a trabalhar no duro, pasteleiros, carpinteiros, serventes da construção civil e sem um canudo que só serve para atrapalhar.

Sentem-se poderosos, como os bandos de chimpazés, assim todos unidos num grupo grande quanto baste para impressionar os mais cépticos e para os contagiar com o impacto de uma imensa mole de carolas nos ecrãs de televisão. E nos monitores dos seus portáteis, as armas que esgrimem com a mestria de quem acha que sabe tudo e se habituou a vergar com chantagem emocional os adultos pelo ponto fraco do remorso pela sua falta de disponibilidade para os criar.

Cresceram na convicção de que berrar, como faziam em pequenos (ainda mais pequenos), sempre acaba por resultar numa vitória qualquer, tanto lhes dá.

Razões de queixa legítimas existem e talvez um dia até justifiquem que o poder caia na rua quando de entre os que gritam sobressaiam os líderes do futuro, inteligentes, consequentes, animados por uma convicção e dotados de um projecto alternativo que sirva melhor o país como o anseiam.

Mas do que já sei desta agitação das águas, aposto que a montanha não irá parir nem um rato de pedra.

Irá apenas abortar os delírios patetas de uma ínfima parte de uma geração que, como qualquer outra, engloba no seu seio um pequeno séquito de jovens calhaus.

Prostituição: carta aberta. Pelos e-mails que me enviam a pedir conselho. Pela responsabilidade de desmanchar ilusões.

Riscos? Todos. Tudo em nós fica em risco. A vida. A saúde física. O equilíbrio mental. Tudo. Uma pequena parte do que nos acontece depende da cautela; a grande parte depende da sorte. E não se pode confiar na sorte. E não se pode confiar em quase ninguém. Porque as pessoas que tiveram poucas ou nenhumas oportunidades na vida costumam ficar com as garras mais saídas. E as garras estão preparadas para arranhar. E muitas já só sabem sobreviver a arranhões. E muitas arranham-te porque acham que és uma ameaça ou porque isso lhes traz ganhos e outras arranham-te só porque sim. E vais estar num sitio onde ninguém sabe o nome de ninguém, ninguém sabe a morada de ninguém, ninguém sabe quem é quem. E podes bater na porta errada ou na porta muito errada. E podes abrir a porta à pessoa errada ou à pessoa muito errada. Num dia podes ter uma arma na cabeça, noutro podes ter uma faca no pescoço ou até uma doença grave. Ou podes simplesmente sentir-te mal, apenas porque viver assim te faz sentir mal ou porque alguém te fez sentires-te mal. A dignidade pode transformar-se em areia que escorrega entre dedos e os sonhos podem começar a cheirar a naftalina.

Dificuldades? Todas. Tudo é difícil. Começar. Sair daqui.Ter clientes. Não ter clientes. Perceber que a realidade luxuosa que se imagina não existe para a maioria ou que não se chega lá pelo menos sem começar mais baixo. E mais baixo pode ser ganhar trinta ou quarenta euros (ou menos) por cada pessoa que nos despe. E perceber que mesmo que se aceite isso, pode ganhar-se pouco, muito pouco. Sim, eu sei que ali digo que são duzentos ou duzentos e cinquenta euros. E é a responsabilidade de dizer isso que me faz confessar que já foram 25 euros. E que não consegui melhorar as condições por ser muito bonita - não sou - ou por ser muito inteligente. Sorte, foi pura sorte. E a sorte maior que tenho, depois de tudo, é a de estar viva - por sorte, sim.

Dicas? Tem mesmo que ser? Tens mesmo que...? Tentaste os caminhos todos? É que se vais arriscar vida, saúde física e mental, um dia podes ter que explicar a ti mesma(o) porque te fizeste tanto mal. E como vou eu dar dicas a quem pretende iniciar-se, se eu mesma não vejo a hora de sair e só agora tive um vislumbre da porta de saída? Ninguém nos força, ninguém nos obriga, ninguém nos retém aqui mas parecemos presas em teias e ficamos, quase sempre, muito mais tempo do que prevíamos. Acreditem. Ao entrar corre-se sempre o risco de ficar aqui como se fosse a única vida que se conheceu até agora; há quem fique até depois da fase em que se torna ridículo pela idade. Cuidado com o mundo, cuidado com as ilusões, ambição não é ganância, cuidado com a falta de segurança, arriscar o mínimo e rejeitar tudo o que não permitir manter a dignidade.

Não gosto de escrever acerca da minha actividade como prostituta, nem mesmo acerca da prostituição no geral. É a responsabilidade que sinto que me faz fazer isto. Porque recebo vários e-mails de homens e mulheres a pedir conselho. Porque os valores que pratico e o que escrevo podem dar a ideia de luxo e facilidade. Porque não é assim. Porque foi ainda mais difícil, tremendamente mais difícil do que agora é. Penso que cada resposta que dou a cada pergunta pode influenciar uma vida. Penso que o que escrevo por aqui e a forma como consigo fazer as coisas agora podem influenciar decisões. Penso que não tenho a culpa... mas terei culpa se não perceber que, ao virar costas à responsabilidade e ao manter o silêncio, posso mesmo vir a ter. De mim, o que vão ouvir, é a parte deste mundo que é feia, porca e má. E ainda vos asseguro que, depois disso, o que resta por contar é - existe - , mas é muito pouco.

Crise Financeira; Crise Humana ou Apenas Crise

(Dissertação Poetizada)

Singular o cansaço quando associado ao rejubilo das nossas pontuais vitórias.
A vida coloca-nos de feição ao caminho das metas, ajuda-nos a lá chegar para... para depois retirar-nos a capacidade de solenizar e congratular.
Observamos... à procura dos comuns intervenientes dessas lides, aqueles que nos acompanham nesses pequenos nadas que temos energicamente a veleidade de transformarmos em tudo, e... não está lá ninguém.
Não reparamos que dia após dia um ou outro foi desaparecendo, para nos depararmos com a triste e funesta realidade de passarmos a ser eremitas naquele lugar.
Nesse espaço, quando isolados, sentimo-lo ermo e frio, sem Luz, cor ou abraço.
Poucos serão os que desejam estar sós em lugares desses que quando preenchidos de calor humano se transmuta em Nirvana de vida.
E o ajustado desenlace... não será certamente regressar, mas ajudar todos os que devemos, podemos ou queremos a trepar os degraus, levantar dos tombos, transpor os obstáculos e agarrar-lhes nas mãos e puxar; puxá-los para nós, onde só acompanhados podemos (vir a) ser verdadeiramente felizes.

março 08, 2011

No Dia Internacional da Mulher, aos homens (e às mulheres também)

Tenho mil e um desejos irrealistas e um deles é acabar com o Dia Internacional da Mulher, quando for um perfeito disparate a necessidade de defender um dos géneros.
Até lá, ainda que somente uma vez por ano, digam-nos que somos o máximo e ofereçam-nos rosas e levem-nos a jantar e admitam que os nossos defeitos são qualidades e que nenhum homem aguentaria o que as mulheres aguentam e tudo o que de bom se lembrarem.
Nos outros 364 dias, porém, não se esqueçam de que o mundo não é só o vosso país, nem a vossa casa, nem a vossa empresa onde, aparentemente, tudo vai bem. Mesmo porque, se conseguirem ver para lá do que é aparente, dificilmente irá.













Recadinho final às mulheres: se são daquelas que se dizem "femininas, não feministas", tenham a decência de calar a bocarra e de pensar que há mulheres que não se podem dizer o que quer que seja.

José Soeiro, do Bloco de Esquerda, critica os falsos recibos verdes, inclusive no próprio aparelho estatal, e a precariedade

a luta é uma alegria

O autor desta crónica aqui declara solenemente que está de corpo e alma com os Homens da Luta nesta sua aventura pela Eurovisão.

Contra os fariseus da «opinião pública», arvorados em mentores do pensamento de um povo, dos defensores mais ou menos assumidos do politicamente correcto, e muito a favor da paródia de ir à casa da senhora Merkel gritar, ao som de bombos, que «A Luta É Uma Alegria», estou com o Jel, o Falâncio e os amigos.

Pasmo de ler opiniões de melindrados e de malandrins de vários quadrantes invocando que, assim, se dá uma má imagem da «grande qualidade da música portuguesa». A hipocrisia aliada à estupidez, assanhada pela demagogia, atinge, na verdade, píncaros inexcedíveis! É, então, aquele o fórum preferencial para a música ligeira de qualidade? Muito me espanta...

E, pior, faz-me lembrar comentários que ouvi quando o Fernando Tordo levou a Tourada, do Ary dos Santos, ao mesmíssimo  festival da Eurovisão. Sem fazer comparações espúrias, faço, no entanto, aquelas que me parecem óbvias. 

E, hoje, a Tourada é um ícone. E não tanto pela qualidade literária do poema ou do brilhantismo da melodia, mas muito mais pela ousadia de, ali e então, se ter tido a coragem de chamar os bois pelos nomes, com a agilidade bastante para tourear a Censura, mesmo num espectaculozinho para a burguesia acomodada como é essa coisa do Festival da Eurovisão - comercialão então, como agora. 

Mais: face à piroseira generalizada das musiquinhas que, com ligeiríssimas excepções, ontem por ali passaram, só há mesmo uma atitude a tomar: viva os Homens da Luta!

(Sim, sim, arvorado em burguês acomodado, eu assisti, este ano, ao festival na versão doméstica... Portanto, sempre falo do que ouvi.)       

- Por razões pessoais de oportunidade, esta crónica é publicada excepcionalmente, em simultâneo nos blogs PersuAcção e Sete Mares.

março 07, 2011

"Dona Cila" - Maria Gadú

Se há coisa que me comove é o amor.
(Tanto que já devo ter usado a frase anterior em vários posts)
Todos os tipos de amor, sim, mas sobretudo o amor entre seres humanos, porque o ser humano não é fácil de amar.
Somos egoístas e refilões e pouco condescendentes e cheiramos pior do que qualquer animal se não tomamos banho (desafio qualquer um a ficar um mês sem um duche, como os cães, ou a lavar-se com a língua, como os gatos - a expressão "cheiro a cão" tornar-se-ia obsoleta) e somos pouco transparentes e medrosos e invejosos e tantas coisas más que já estou a ficar deprimida.
Ainda assim, há sempre quem nos ame. Mesmo como os nossos defeitos, ou apesar deles, o que é absolutamente extraordinário, se nos dedicarmos a pensar seriamente no assunto. Há quem goste de coisas em nós que nem os próprios suportamos. E há por quem estejamos dispostos a dar a vida, se pudermos.
E isso é grandioso e, quanto a mim, muito maior do que a racionalidade que nos fartamos de apregoar (tantas vezes na sua ausência).

É esta infinita capacidade de amar (o trabalho, os bichos, um hobby mas, acima de tudo, os outros, sejam eles familiares, amigos ou amantes) que faz de nós humanos.
O amor é, por isso, algo de delicioso.
Como é deliciosa a canção de Maria Gadú que descobri este fim de semana. Sobre o amor. Um amor maior do que a vida, porque acompanha a morte.
Vale a pena ouvir a letra e assistir, com olhos de ver, ao teledisco (sim, sim, eu ainda digo "teledisco").
Ao pé de amores assim, tudo o resto nos parece comezinho. E menor.

março 03, 2011

estaremos, agora e também, a criar a «geração na merda»?

Na Escola Secundária (pública) de Linda-a-Velha, às portas de Lisboa -  escola com mais de mil alunos, portanto não estando ainda para fechar nos próximos dois ou três meses, consoante as práticas ministeriais socretinas -, por ausência absoluta de pessoal dito auxiliar ou de apoio ou de qualquer outra coisa, compete aos professores e aos alunos (!!!...???) a limpeza das casas de banho, vulgo sanitários, bem como das salas de aula.


Fica, assim, dado um importante passo no sentido, que se adivinha desidério superior desta maralha mandante, de transformar o ensino público, em Portugal, numa actividade de merda – e, aqui, perdoem-me,  mas se não utilizo o vernáculo, ainda me dá uma coisinha má...!

Na verdade e se é verdade o que foi dito na notícia, segundo a qual, desde 2008, esta escola perdeu 12 funcionários a quem competiam as nobres funções de manter a escola limpa e segura, estamos perante um extraordinário problema quase quântico, a saber:

- Como se arroga o ministério da Educação o direito a tratar assim os impostos de nós todos, mormente os dos pais e encarregados de educação daqueles jovens?

- Como pagará ao pessoal docente tão desenrascada tarefa? E como a enquadrará? Deverá ser considerada tempo lectivo, se executada em comum com os alunos, ou, tal como as substituições de má fama, tempo não lectivo, eventualmente desempenhado em horário pós-laboral, não remunerado, como as reuniões?

- Como se olharão ao espelho os progenitores excelentíssimos ao confraternizarem com esta actividade lúdica (?), cívica (?), cultural (?), que não sei que tipo de créditos irá conferir internacionalmente aos seus gentis descendentes? - Parece-me que já estou a ver: certificado de habilitações de 12º ano, com pós-graduação em serviços de limpeza…

- Como nos olhamos, afinal, todos nós, no mesmo espelho, ao compactuarmos com esta indecência generalizada que assola o ensino público? Que cara de palhaço é que veremos?

Assim, sim, mobilidade, polivalência e precariedade elevadas ao seu expoente máximo, com os patrocínios de Ajax Limpa-Vidros e WC-Pato. Mas a malta não terá vergonha, pelo menos?

Afinal, diz-me lá tu, para além de onde estavas no 25 de Abril, se tencionas continuar a votar nesta apagada e vil tristeza, nesta gentinha sem terra que chame sua, nesta seita de apátridas e vendilhões, que desbaratam o futuro, atascando o presente nesta… merda?

E informam os bonzos do ministério que lá para a Páscoa recorrerão a um outsourcing, com quatro adventícios, para suprir a falta da tal dúzia acima referida.

Valha-nos um burro aos coices! Esta seita maléfica está a conseguir do povão dos futebóis e dos caracóis o que nem o Mao terá conseguido durante a Revolução Cultural na China: professores e alunos para limparem retretes. Não porque tal fosse contrário ao espírito revolucionário de então, mas porque na escola é suposto aproveitar-se o tempo para uns ensinarem e outros aprenderem… outras coisas, sei lá, como ler, escrever e contar. Isso, sim, é que é revolucionário como o caraças!

A não ser que a Escola Secundária (pública) de Linda-a-Velha seja um pólo de formação profissional especializado e especialmente vocacionado para a formação de limpadores de casas de banho e outros equipamentos sanitários… e, nesse caso, retiro tudo o que disse, com as minhas desconsoladas desculpas.

Nota depois da nota: e quem dirige aquela escola fica-se, mudo e quedo? Denunciou a situação a quem de direito ou não? E, se sim, sem resultados práticos como parece evidente, não coloca o lugar à disposição, pelo menos? É tanto assim o temor que devem aos mandantes? Ou consideram-se (in)justamente remunerados? Estarão ainda vivos e a mexer? O que é que se passa por lá? Alguém sabe?               

As relações dos outros

Nunca percebi muito bem por que é que um casal não resolve as coisas entre si, antes de as vir badalar aos amigos. É sempre injusto para o membro da parelha que está a ser motivo de conversa e, quanto a mim, é confrangedor para os amigos. Pelo menos, para aqueles que o são de ambos e têm a amizade acima da cusquice.
Há cerca de um mês (demasiado tempo, eu sei), fui confessora de algo que não me apetecia ouvir.
Soube que uma relação acabara, para um dos lados de um casal, e que só se mantinha, no dizer de quem comigo falava, por uma questão de altruísmo, "porque não é justo acabar com uma relação só porque uma das partes não se sente bem".
Vou exceptuar-me a comentar esta última ideia pelo respeito que a pessoa, por outros motivos, me merece e passar ao que de facto me interessa: possuidora daquela informação, e sendo amiga da metade que (como o corno) seria a última a saber que já não era gostada, que fazer?
Nada, dir-me-ia a maioria. O melhor, nestas coisas, é não fazer nada. Não te metas. Eles são adultos, que se resolvam. Não és advogada de ninguém: se fores falar com o que permanece na ignorância, o outro até tem a vida facilitada, não teve de ser ele a lançar a bomba.
Aproveitei-me do facto de ter ido para a neve para "esquecer" o assunto; de resto, podia ser que o autor do desabafo fizesse o que me permiti sugerir-lhe: que conversasse com a outra pessoa, que lhe falasse do amor acabado (de que eu já sabia há muito tempo, mas de que só agora ouvira falar), que fosse honesto, era o mínimo que (se) esperava dele.
No entanto, um dia antes da partida, jantámos juntos e o que sentiu necessidade de "partilhar comigo" (não me lixem, não foi partilha!) estava como se nada fosse. (Que direito tivera de me tirar o sono para agora fazer de conta que nada acontecera?!)

Mas hoje falei com a outra metade. Quis saber como estava. E não estava bem, por motivos vários, todos relacionados com a parelha. Que lhe tinha feito X, Y e Z. Pedi-lhe desculpa pelo que lhe ia dizer e por não lho ter dito antes e contei-lhe. Porque gostaria que fizessem o mesmo comigo e, sobretudo, porque acho que é o que deveria ter feito desde logo. Mas pelo menos houve menos drama, menos indignação (da minha parte).
Sei que, se alguém vai ficar mal no meio disto tudo, para além da metade que está a tentar perceber qual era a matrícula do camião que lhe passou por cima, sou eu. É dos livros. Um dia, reconciliam-se, passam uma borracha no assunto e, porque eu lhes faço lembrar a merda que fizeram, em mim também.
Mas, at the end of the day, se o fizerem, que tipo de amigos são?!
(Tento convencer-me e não estou convencida.)

A minha verdadeira natureza é esta e ser assim dá-me cabo da mioleira.