abril 06, 2011

Morte aos Cabrai(õe)s que são falsos à Nação

Depois desta posta colocada lá mais atrás só me oferece dizer isto:

Amigos, como ele diz no início, só há duas formas de ocupar um país, uma pela via das armas, a outra pela via da dívida.
O truque, baixo e soez, consiste em ter os moços de recados nos sítios certos. Assim, os culpados de o senhor Hipers vender de preferência coisas importadas, levando a produção nacional ao estrangulamento e à falência, não é dele, é nossa. Esta semana, azeite feito de óleo de travões só por 0.90€ um garrafão de 10 litros, quem vende a merda mais barata? Ninguém, aqui no XXXXX é tudo mais barato!
Também é culpa dos pobres comerciantes que se endividam e arrendam as lojinhas nos Hipers que servem de balões de ensaio gratuitos para o senhor Hiper ver se os negócios, os nichos dessas pessoas, são rentáveis. Logo que sejam ele põe uma acção de despejo, ou simplesmente não renova o contrato e põe tudo na rua, ficando ele com o negócio que os outros abriram com o seu esforço e criatividade. Conheço pessoalmente uma dessas situações. Um negócio, muito popular que empregava 13 pessoas foi simplesmente fechado e tudo para o desemprego e agora o senhor Hiper vai abrir o mesmo negócio que eles tinham e que era um sucesso. Foram culpados de acreditar nele e nos seus pseudo-grupo-de-empresários.
Também somos culpados de comprar carros para nos deslocar, é até um crime, os moços de recados dizem-nos nas TV's que nos portamos mal ao comprar as coisas que esses mesmos moços de recados diziam para comprarmos tempos atrás. E nós acumulamos complexos de culpa, somos culpados da crise! Somos culpados de adquirir casa própria e de estarmos desempregados agora. Somos culpados pelo facto de termos recebido dinheiro da CEE para abater barcos de pesca e arrancar milhões de oliveiras e vinhas, privatizar indústrias-chave que depois os compradores esvaziaram e deslocalizaram e agora não temos nem dinheiro, nem bens para trocar com as coisas que importamos e ficamos devendo
E devemos, devemos e devemos, mas lembro-me de dizerem que não era grave, a coisa aguentava-se sem problemas, o crescimento, a OCDE, a macro economia, as derivadas em X a somar à cotangente numa batedeira, vai ao forno a 180ºC e depois desenforma-se e dá um crescimento de 2.4% e uma inflação abaixo da média europeia e no pelotão da frente...
Agora há moços que gritam pelo FMI, é o recado que lhe deram para ser gritado, são uns bonecos vendidos e nós?...Sentimo-nos culpados....e gente que sente a culpa não se revolta!
Xi, então não somos culpados? Bem dizem os opinion makers nas TV: Os Portugueses viviam muito acima das suas possibilidades e agora têm que pagar... e eu olho para a minha vida, e não vejo qual foi a parte onde me portei mal e gastei o que era do vizinho. Fui ao Banco e paguei o carro, fui ao Banco e paguei a casa, emprestar dinheiro era o negócio dos Bancos e se não comprássemos através deles os Bancos não seriam rentáveis, e os opinion makers fizeram-nos comprar recorrendo à Banca pois era saudável para a economia.
Mas depois vejo BPN que me gastaram e aos restantes Tugas 9.710.000.000€06, mas disso somos todos culpados, não é? E como somos uns malandros e culpados, o Estado (nós) aplacou a culpa metendo o nosso dinheiro lá, e continuámos culpados por causa do pontapé que isso deu no défice, se o Estado não metesse dinheiro, éramos culpados pelo descalabro financeiro. Somos sempre culpados... :(
No fundo, esses moços de recados o que querem agora (nem digo mais nada) a toda a força é que os seus Senhores, donos das suas almas, entrem com as armas e bagagens do FMI pois nós, já mansinhos e cheios de sentimentos de culpa, nem de chicote precisamos para que nos tirem a tanga e enfiem as suas medidas no pacote...

abril 05, 2011

De bradar aos céus… e aos infernos! – (Esta é fresquinha - saiu há cerca de uma hora!)

- Depois de ter apurado que, após aquisição de viatura nova, o Estado me tinha cobrado um valor de IVA à taxa de 20%, que incidiu sobre o preço base acrescido do então IA, hoje ISV – Imposto Sobre Veículos, e que tal incidência violava normas comunitárias relativas ao mesmo IVA;

- Depois de ter tido conhecimento do acórdão C-98/05 do Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias sobre a matéria, segundo o qual o valor do IA/ISV não pode ser incluído no valor tributável do IVA a liquidar sobre a compra do veículo;

- Depois de ter tido conhecimento do processo de infracção nº 2006/4398 que a Comissão Europeia instaurou contra a República Portuguesa, tendo em vista a alteração das normas que violam o direito europeu;

- Depois de ter tido conhecimento de que o Estado Português já reconheceu a necessidade de excluir a incidência do IVA sobre o IA/ISV, tendo introduzido essa alteração na Proposta de Lei nº 42/2010, que aprovou o orçamento de Estado para 2010

Dirigi exposição ao Exmo. Sr. Director Geral das Contribuições e Impostos, através de carta registada com aviso de recepção, já em meados do ano de 2010, requerendo a revisão oficiosa da liquidação efectuada, bem como a restituição do IVA cobrado em violação das normas europeias, acrescido de juros vencidos e vincendos, desde a data da cobrança até à data da respectiva devolução.

Bom… e o tempo foi passando. E eu fui, como qualquer contribuinte que se preza, pagando outros IVA, IRS, IMI, etc., etc., etc., aguardando a devida devolução daquele por parte do Estado… já para não referir uma carta – a que, salvo erro, a lei obriga o Estado, também – de resposta à minha exposição. Sem êxito, uma e outra.

Passado que foi cerca de um ano e já muitos impostos por mim desembolsados, sem outras notícias,  decidi tentar um primeiro contacto/esclarecimento, através do telefone 707 206 707 do sítio oficial da Direcção Geral das Contribuições e Impostos.. Eram as 15h30, do dia 05 de Abril de 2010.

O cavalheiro que me atendeu, após esclarecimento sumário da minha parte ao que vinha, soltou uma sonora gargalhada… Perante alguma (não muita, confesso) perplexidade minha, questionou-me o meu interlocutor se pretendia continuar a conversa com ele enquanto funcionário público e das Finanças, ou como mero cidadão.

Estranhando um pouco a questão e porque o contacto era directo e o homem nem me pediu para premir nenhuma tecla do meu telefone, optei pela versão «cidadão», até para podermos estar numa amena cavaqueira, como sói dizer-se, à mesa do café.

Disse-me, então, esse amigalhaço   que se identificou e tudo, pois assim já vai a coisa – que nem pensasse nisso e as palavras foram estas: «– E onde é que o meu amigo acha que o Estado vai buscar o dinheiro para pagar o que lhe deve? Isto não há dinheiro para ninguém!»

Ainda lhe fui dizendo que talvez se pudesse considerar os descontos que eu faço religiosamente, todos os meses, para a brutalidade do IRS; tartamudeei qualquer coisa acerca do IMI, que terei de pagar, com língua de palmo, até ao final de Abril, a gasolina… Qual nada! Com uma nova e ainda mais sonora gargalhada – que, confesso, me levou ao tapete – garantiu-me que há muitos milhares como eu e que não há nada para ninguém, rematando com um elucidativo «aguente!».

Desliguei, claro, reconhecido e obrigado…

Excelente técnica (e técnico) de Relações Públicas: KO técnico ao cidadão contribuinte ao fim de um assalto! E nem foi preciso ir às cordas!

Questão que coloco à distinta audiência: quando me dirigir, pessoalmente, a um balcão das Finanças para tentar confirmar o que me foi assim dito por um «recebedor» oficial e informativo privilegiado, a fim de chegar a um bom porto qualquer, devo ir munido, em alternativa ou acumulação, de:

a) um fato de palhaço?
b) um taco de beisebol?
c) a equipa do Gato Fedorento?
d) uma moca de Rio Maior?
e) Sua Excelência o senhor Presidente da República Aníbal Cavaco Silva?
f)  o senhor advogado Sá Fernandes?
g) a Comissão Política Concelhia de Lisboa do PS?
h) tudo junto?

Sem fazer outros comentários por considerar tal esforço despiciendo, sempre digo que a sacana da mulher de César está num tal estado de abandalhamento que já nem cuida, sequer, de parecer outra coisa que não seja uma irremediável e indecorosa relaxadona.

A bem da nação… ou, muito provavelmente, não.

O terrorismo mora aqui

Quando se cancela uma viagem, marcada (e sonhada, como o são todas as viagens) com muita antecedência, por puro medo do futuro, o terrorismo (que não equivale necessariamente a homens-bomba ou torres destruídas ou a milhares de mortos e estropiados) anda aí.

abril 04, 2011

«Como os EUA interferem nos países»

John Perkins auto-denomina-se um assassino económico. Segundo alega, a sua função era elaborar estudos económicos falsos sobre determinados países, de modo a fazer com que esses países contraíssem empréstimos que se viriam a revelar mais tarde impossíveis de pagar e, assim, se tornavam economicamente dependentes dos países e corporações credores. John Perkins escreveu o livro «Confissões de um Assassino Económico» que foi publicado em 2004 e teve traduções em diversas línguas, inclusivamente em Português.



A Rapariga Vulgar (II)

Sim, eu sei que a vida é a autora do livro da minha existência. Não posso escrever as páginas. Mas anoto furiosamente as margens, mas lanço-me e ocupo cada espaço que a vida esquece em branco. Porque a vida é demasiado grande, tão grande que não pode ver todos os seus detalhes, tão grande que muitas vezes não me vê; e essa é a minha vantagem, os seus pontos cegos são a janela onde inscrevo a minha vontade. Ainda bem que me sei infinitamente pequena. [A Rapariga Vulgar (I) ]


O Sr. António da retrosaria nunca gostou de se sentir pequeno. Encosta-se à porta do seu estabelecimento para que o olhar possa ir à rua, ao outro lado da calçada, atravessar de gozo o corpo da rapariga; julga que assim a corta ao meio, a metade do seu tamanho, e sente-se ainda maior. A rapariga encolhe os ombros e continua a tentar atrair o desejo e a bolsa dos que passam; a magreza e a saia demasiado curta pintam-na de vulgaridade mas não lhe retiram a beleza, pára um carro e alguém a convida a entrar. O Sr. António é a feição do desdém, lábios finos, uma linha feia de sarcasmo coberta por um bigode amarelado; troca comentários ordinários com o Sr. João da padaria: "lá vai com mais um, lá vai com mais um" e ri-se, seco, gordo, uma gargalhada trocista que lhe ensopa a flacidez do pénis. Corre para dentro da loja, enquanto finge continuar a rir, para que ninguém lhe veja a mancha da humilhação espalhada nas calças. O Sr. António nunca gostou de se sentir pequeno; agora, é o balcão que o corta ao meio; o riso trocista pasmado na cara contrai, nos olhos, o brilho da vergonha que lhe esborracha lágrimas através das órbitas e que lhe espalma o corpo pendente e molhado contra a barreira do balcão.

Colunas - Alicerces do Nosso Mundo II


Estou novamente na minha sala... 

Observo o tecto e a imagem devolvida parece ser de firmeza, aparentemente com as colunas a sustentarem pela mestria do pedreiro que as construiu e pela excelência do que lhe fora colocado à disposição, variável da edificação dignamente alicerçada; num tecto, num Ser Humano, num estado ou numa relação, ou em tantas as demais formas...
Dois são os modos de apreciar a perpetuidade das nossas colunas.
Por observação e vontade;
Ou quando distraímos - por decisivos breves momentos - a atenção do que nos rodeia... e a páginas tantas o desmoronamento dá o seu sinal; num derradeiro chamamento pelo abraço que urgia há muito.

As colunas não são eternas sem manutenção, e o que exigem está por vezes para lá da sapiência que nos foi oferecida.
Parte astúcia do pedreiro querer saber identificar o mal - por vezes ainda mal apresentado - para definir o correcto alicerçar do seu tecto.

As cordas e os nós que enleados seguram para manter a estrutura do que entende como certo, são placebo... O interior nunca devia ser oco. E não está certamente.

abril 02, 2011

Porque sou Antinuclear Fundamentalista II



foto, central de Fukushima

Ha dias tive a surpresa extraordinária de assistir a um debate na RTP2, integrado no programa "Sociedade Civil" sobre o tema da actualidade: A central Nuclear de Fukushima.
Moderado pela extraordinária Fernanda de Freitas tinha, como participantes no painel, elementos pró e contra esta forma de gerar energia.
Antes de continuar a dissertar e a opinar sobre o que foi dado a ouvir por quem se dignou a assistir - como eu- ao programa, devo dizer que abro neste momento uma excepção à geração de energia com recurso ao nuclear. De facto, um dos intervenientes disse que a energia nuclear é a única forma verdadeiramente natural de gerar energia. Todas as outras formas que conhecemos, não criam energia verdadeiramente mas sim reproduzem a energia acumulada ao longo de milénios por força da única fonte de energia autêntica e que é nuclear: O Sol.
O emissor desta notável pérola técnico-filosofica, todo ele a favor das centrais, continuava: a energia das ondas, donde vem?: do Sol! A energia do vento? De onde vem a energia que o vento representa?: do Sol!
De onde vem a energia do carvão e do gás, da gasolina etc?
Do Sol, cuja energia ficou acumulada quimicamente durante um processo de milhões de anos e que através da queima se liberta! Continuava ele depois triunfante dizendo então que uma Central Nuclear era a forma mais natural de gerar energia pois o processo nuclear nas centrais cria de facto energia- como o sol- quando todas as outras apenas a devolvem. É claro que perante um argumento destes, eu, só poderia ter ficado de imediato recrutado pelo entusiasmo desta fonte de energia motivo pelo qual reproduzo o conteúdo do mail enviado onde manisfestava o meu volte-face: de anti nuclear teria passado a defensor acérrimo da energia contida nos núcleos dos átomos, com um ligeiro senão: desde que as Centrais ficassem onde não pudessem fazer mal a ninguém, por exemplo a 160 milhões de Km, na superficie do nosso Astro-Rei!
Ficara estupefacto! Sinceramente, estupefacto...
Extraordinário como depois de tudo o que está acontecendo, apesar de todos os avisos e alertas atempadamente produzidos, continua a haver gente a defender com unhas e dentes estas apocalípticas estruturas. A posição desta figura no painel era duma arrogância e sobranceria impressionantes. Sorria com desdém das mais que justificadas apreensões dos que do outro lado contrapunham os seus argumentos. Do lado dele havia um outro elemento especializado na minorização dos efeitos radioactivos e no fim, não fosse o contraditório, a geração eléctrica por este meio seria a mais eficaz, barata e inócua forma,alguma vez produzida, da Humanidade dispor de energia eléctrica ...
A verdade no terreno é por demais evidente para perdermos sequer tempo a dar ouvidos aos que ainda estão a favor das centrais, mas a tentativa de lavagem de imagem constitui no mínimo um atentado ao mais elementar bom senso, para não dizer as coisas de outro modo e chamar os bois pelos nomes!
O fenómeno do "Síndroma da China" de que falei no post anterior, ja começou. As águas subterrâneas à volta de Fukushima estão ja contaminadas numa ordem de grandeza inimaginável: 10.000 vezes acima do máximo que os organísmos vivos suportam. Isto significa que parte do material nuclear, pelo excesso de aquecimento, fundiu o seu suporte, derreteu o solo por debaixo e foi descendo pela acção da gravidade, sempre fundido a rocha até chegar aos veios freáticos. Agora toda a água doce subterrânea na região da central está contaminada.

O passo seguinte é a sua absorção pelas raízes das plantas. Tal como em Chernobyl toda a flora irá desaparecer no local e sofrer mutações genéticas nas zonas limites. A fauna irá ter sorte semelhante e morrer e os tumores cancerosos reproduzir-se ão nos sobreviventes em enormes proporções. As águas do mar ao redor da central estão também fortemente contaminadas: à volta de 5.000 vezes acima do máximo permitido e considerado "seguro". Jamais se poderá voltar a pescar naquelas águas, nem cultivar os terrenos numa área - para já- de quarenta quilómetros ao redor da central.
Basta ir ao Google Earth, visualizar o Japão, e centrar a atenção sobre as coordenadas 37º25'17.98N / 141º02'00.36E. O serviço disponibiliza imagens a três dimensões da central, e podemos depois utilizando a régua para medir trajectos e distâncias que a barra de ferramentas do Google Earth dispõe, traçar a área afectada. Considerando os 40Km em redor como área contaminada impõe-se a chamada zona tampão que poderá ser de outros tantos quílómetros. Considere-se então uma circunferência com 80 km de raio, 160 km de diâmetro, e teremos a dimensão correcta do impacto que a estupidez humana é capaz de exercer sobre o seu próprio e imediato suporte de vida, e mesmo assim, encontrar espécimes capazes de vir a um meio de comunição social e declarar enormidades como as que referí terem sido afirmadas no ínicio deste post. Países há, e são muitos, mais pequenos que a área afectada por este acidente, mas isso parece não ter qualquer importância para as sumidades em apreciação que não se coibiram de exprimir despudoradamente tamanhas enormidades...

Ainda no Google Earth poderemos focar a nossa atenção sobre a central nuclear de Almaraz, -29º48'25.00" N. / 5º42'12.00" W. mesmo à nossa porta e que a foto em cima retrata- e repetir os mesmos passos. Veremos então o alcance que um acidente grave teria e até que ponto atingiria o nosso país. Os que se derem ao trabalho de visualizar Almaraz verão como existe uma barragem ao lado da central. Trata-se da barragem de Arrocampo cujas águas se destinam ao arrefecimento da central. Esta barragem enferma desde a sua construção de diversas deficiências, não respeitando alguns preceitos anti-sísmicos. Este facto tem sido repetidamente denunciado e a empresa que administra a central tem sido alvo de consecutivas coimas por falhas críticas no funcionamento do equipamento e que puseram em causa aspectos básicos de segurança . Um sismo de intensidade média poderá destruir o paredão da barragem e fazer com que a central fique sem possibilidade de arrefecimento, podendo reproduzir-se então algo semelhante ao sucedido em Fukushima.
Um dos problemas mais graves da energia produzida por centrais nucleares reside no que está já a jusante da vida útil das estruturas que a produzem e que é de extrema gravidade, com horizontes temporais dilatados e quase inimagináveis no caso do plutónio: os resíduos radioactivos. Espanha não é excepção e isto é um facto que nos afecta de forma imediata e irremediável. Espanha está a planear um cemitério para depositar os resíduos das diversas centrais nucleares Espanholas a oitenta quilómetros da nossa fronteira em Albalá, provínca de Cáceres. Não é necessário enfatizar o que poderá acontecer no caso de um acidente, dum sismo com consequencias de fuga de material tóxico para o subsolo nem insistir no exemplo Japonês para imaginarmos os riscos a que estaremos sujeitos a partir do momento em que o cemitério for instalado. A par disto, notemos que Almaraz, mesmo depois de formalmente encerrada, ficará a pender sobre a nossa fronteira como um fio de cabelo a sustentar a espada de Damocles. Dependente duma manutenção constante mesmo depois de já não produzir nem mais um Watt, será obviamente e progressivamente votada ao esquecimento e ao abandono, mal grado a memória eterna dos subprodutos nucleares.

Podemos imaginar um cenário habitual nos complexos industriais que a voragem dos tempos deixa desactivados; cercas ferrugentas, edifícios abandonados de vidros partidos, e um progressivo afrouxamento da segurança e manutenção, que custa dinheiro, e este não abunda nos tempos de crise, ciclicamente repetidos....
A chamada de atenção que este post constitui é apenas mais uma- quiçá a mais modesta entre tantas- no sentido da sensibilização que é imperioso ser levada a cabo.
Recupero para esse efeito um velho "slogan" fora de moda no seu aspecto formal, e talvez pleno de ingenuidade perante a gravidade desmedida do perigo que o nuclear representa: Mais vale ser activo hoje, do que ser radio-activo amanhã.




Charlie

março 31, 2011

O meu reino por um joelho ou da felicidade em saquetas de pó solúvel.

Atenção: na crónica que remeto de seguida, relativamente ao declarado, não admito contraditório. Esclarecimentos, sim. Se alguém o tiver, em abordagem credível, que me esclareça e eu agradecerei. Mas – e sublinho – contraditório não admito! Sim, que a perna é minha e diz-se que de mim sei eu…
Ah, e a publicidade inclusa é pro bono.
Posto isto, então, é assim: de há cerca de três anos a esta parte foi-me diagnosticado um desgaste apreciável na cartilagem da articulação do joelho direito que tem, como efeitos óbvios directos, um forte e permanente inchaço, dores significativas e progressiva dificuldade de locomoção.
Nada de raro ou de extraordinário. Sinais da idade, muita moto e dos desgastes que lhe estão associados, mesmo sem acidentes. Consultas médicas, para diagnóstico, consultas, ainda, a especialistas para apuramento e confirmação resultaram em: terapêutica recomendada - Glucosamina, medicamento comparticipado pelo SNS, em saquetas, pó solúvel, ingestão do conteúdo diário de uma saqueta… e, olhe, vá-se aguentando.
Quanto ao mais, avaliar, a par e passo, a evolução da situação até à perspectiva da intervenção cirúrgica, a definir por mim, em função da perda de qualidade de vida.
Tudo bem. Ninguém vai para novo. Era melhor que não acontecesse mas… é a vida.
Três anos a ingerir religiosamente a Glucosamina (nome de medicamento) solúvel e sem qualquer resultado aparente. O joelho um trambolho, quer quanto ao inchaço quer quanto à penosidade do dia-a-dia… E o medicamento a ser consumido, com os encargos inerentes para o SNS e para mim, pelas respectivas consultas médicas e taxas moderadoras, à ilharga.
Um dia, numa conversa informal com um Médico, ele diz-me: «- Há-de experimentar o Optimus. É idêntico à Glucosamina (medicamento), mas tem umas outras coisas que potenciam a acção do sulfato de glucosamina (princípio activo), o que faz com que, em muitos casos clínicos, seja mais eficaz … Só que não é comparticipado pelo SNS…».
Ora, como o meu joelho também não é comparticipado e vai havendo algum dinheiro para gastos e, ainda, porque prezo muito a qualidade de vida – e, aí, em primeira instância a minha, sempre que posso e me deixam ­–, aliado isso ao facto de a incomodidade já ser mais do que muita, o que apontaria para uma intervenção cirúrgica muito mais cedo do que eu preveria, fui dar um passeio até uma farmácia, à cata do tal Optimus.   
Isto ocorreu em 16 de Agosto de 2010. Em quinze dias – e juro pelas alminhas todas, de sobrevivos e de finados, que esta é a mais pura das verdades – o inchaço desapareceu completamente e, com ele, as dores, e quanto às funcionalidades do meu joelho, cerca de um escasso mês depois, não tendo regressado à traquinice dos quinze anos, mostra-se capaz de me levar ainda muito longe, escada acima, escada abaixo. E, até hoje, momento em que vos escrevo esta croniqueta, assim vou estando, cheio de contentamento.
Ora aí está, finalmente, uma história com final feliz! E, numa de serviço público, quem tiver problemas de cartilagens, pergunte ao seu médico se não será de experimentar.
Só não consigo compreender é uma coisa: porque é que sendo o Optimus tão mais eficaz que a tal Glucosamina – como tive, entretanto, bastas outras comprovações – esta é comparticipado pelo SNS e aquele não…
Um medicamento e o outro têm exactamente 1.500 mg de sulfato de glucosamina e a recomendação de ingestão diária é a mesma.
Será que o SNS, sado-masoquisticamente, pretende promover as intervenções cirúrgicas – caras que avonde de per si e mais caras ainda ao país pelo tempo activo que nos consomem – por algum desidério inconfessável? Ou só está, dissimuladamente, a promover um negócio? Ou só estarão, por lá, distraídos?
Pronto. Agora, enquanto eu dou à perna, já podem contraditar à vontade… 

Quem quer ser milionário/a? É agora, malta!

Finalmente está a chegar a crise a sério, com os cámónes invejosos das agências de rating a cortarem no que podem (sim, isto tá tudo ligado), despeitados, e os políticos portugueses demasiado distraídos com o apuramento de culpas e de responsabilidades para acordarem a tempo de evitar o pior.

O pior? Isso pensam eles, os pessimistas.

Perguntem a qualquer excêntrico que nunca tenha precisado de apostar no Euromilhões para garantir o estatuto se a sua fortuna nasceu no meio de um clima de prosperidade.

Dizem-vos de imediato que não, que se fartaram de penar em pequeninos, uma crise do caneco, mas acabaram por subir a pulso e hoje olham para a crise com enorme indiferença porque só lhes toca de raspão em meia dúzia de investimentos na Pampilhosa ou nas Berlengas cujas perdas recuperam pelo retorno das Ilhas Caimão.

É verdade, a crise, esse papão que deixa petrificada a maioria de nós perante o susto de um saldo de conta insuficiente para a prestação do carro e logo a seguir a da casa, para não falar dos que nem têm onde ir buscar o suficiente para a conta da mercearia, constitui um mar, um tsunami de oportunidades para os/as mais atentos/as.

No fundo, é só assumir uma postura de contra-ciclo, remando contra a maré que arrasta em sentido oposto os destroços dos náufragos que basta a pessoa ir recolhendo a custo reduzido, quase de borla, para depois atacar a retoma com as mais-valias dessas compras em saldo.

Claro que nesta altura dirão: “e com que instrumento (dinheiro) vamos nós recolher esses dividendos potenciais da desgraça dos outros hoje que nos irá enriquecer amanhã?”.

Ora, isso é uma argumentação pela negativa (pela interrogativa, vá…) daquelas que o nosso actual Governo tem desmentido com veemência e ninguém acredita.

Está tudo sob controlo, não há nadinha, e se acabarem por nos baixar a cotação até ao nível do lixo é só arregaçarmos as mangas e decidirmos se optamos pela co-incineração ou pela reciclagem da coisa e mostrarmos aos lá de fora que nos andam a dar cabo do canastro com quantos paus se faz uma canoa!

Perguntarão vocês nesta altura: “uma canoa? Mas isso não implica o risco de naufrágio de que falávamos mais acima, acabando por nos tornarmos nos destroços que outros recolherão?”

E lá estão vocês a pensarem o pior. Nós vivemos num país de vanguarda, a caminho da auto-suficiência energética, com o melhor treinador do mundo, o melhor futebolista do mundo, o melhor arquitecto do mundo e até podíamos ter o melhor engenheiro do mundo se uns malandros não tivessem levantado suspeitas que nos fizeram ver mais esse título por um canudo. E só em unidades do Magalhães para guisar temos o suficiente para ninguém passar fome (convém acompanhar com umas batatinhas ou assim) durante uns meses!

Pensamento positivo, malta! Já cá andamos há oito séculos a sacar o guito aos outros para o esturricarmos depois numa orgia consumista, onde é que está a novidade?

Ainda vamos agradecer um dia à oposição esta crise política que nos empurra para o fundo e obriga os outros a intervirem com o seu pilim que o tio Sócrates, esperto o gajo, desdenha para eles quererem comprar. Depois é só arranjarmos maneira de os endrominarmos, fazendo como com o dinheiro da CEE, dando-lhe sumiço em bens de primeira necessidade como carros de luxo e assim, e a vida continua!

Claro que no meio disto tudo vai haver uns quantos chorões a carpirem os empregos que perderam ou as reformas que encolheram.

Mas é aí que entram os gajos que aproveitam para despacharem à grande o stock de lenços em armazém…


O Passos baralhou-me e ainda a procissão vai no adro

Quando o Dr. Pedro Passos Coelho escreve um artigo de opinião num dos maiores meios de comunicação social, a nível planetário, o Wall Street Journal, e faz saber à comunidade internacional (pelo menos àquela que sabe que Portugal é um país soberano, com governo próprio [na maioria das vezes]) que o maior partido da oposição rejeitou o PEC IV e as suas medidas de austeridade "não por irem longe de mais, mas porque não iam suficientemente longe", fico com sérias inquietações, a saber:
a) terá o senhor querido animar as hostes e arrancar gargalhadas de estômagos já poucos dados ao riso?
b) pensará que o português médio é tão estúpido, mas tão soco, que nunca lerá o que escreve um fulano que, em termos institucionais, ainda é muito pouca coisa, ainda por cima em estrangeiro?
c) será que o líder da oposição quer, um dia, ser escritor, porque já viu que isto da política é uma maçada e resolveu enveredar pela lírica, a ver como se saía nas figuras de estilo?
d) possuirá Passos Coelho uma secreta, doentia e irreprimível admiração pelo Eng.º José Sócrates e, pensando-o aniquilado, resolveu tomar-lhe a personalidade, começando desde logo pelo tão nosso conhecido jogo do eu-não-disse-o-que-vossas-mercês-julgais-que-eu-disse-mas-justamente-o-contrário-e-eu-é-que-sei-que-o-emissor-fui-eu-e-bosselências-desconheceis-a intenção-por-detrás-da-palavra?

Estou baralhada e a Assembleia da República ainda nem sequer foi dissolvida.

março 30, 2011

Espremam bem e encontram algumas críticas pertinentes

"Alex Jones explica como os banqueiros e os globalistas controlam a implosão da economia mundial rumo à escravização global"



Charlie disse:
"Já tinha conhecimento desta peça, empolgada quanto baste, mas toda ela a expressão da verdadinha pura do que se passa.
E a propósito deste recente corte pelas agências de rating à nossa economia, sou a dizer que a União Europeia é neste momento tudo menos união. Para começar, quem são esses cavalheiros das agências e em que se baseiam para fazer de Marcelos Rebelos de Sousa para dar pontos por aí?
Não seria altura de haver uma agência de rating para os classificar? E a tal porra da UE, serve afinal para quê? Em vez da união se fechar de lança em riste contra essa canalha vampiresca e tratar dentro do escudo da união dos problemas internos, o que se vê? Uns quantos Países, cada um por seu lado a ser mordido pelos lobos enquanto o rebanho bale lá mais adiante e enche a pança cuidando que a entretenga dos lobos com os outros nunca chegará à sua vez.
É que a estratégia é tão evidente, que roça a ingenuidade. Eles vão conseguir dar cabo do €uro, pois o €uro só tem valor efectivo se representar a solidez económica do grupo de países, suporte da moeda. E o conceito dum espaço sem fronteiras criado pela união deveria se-lo em TODOS os sentidos. Sem fronteiras para exercer o comércio e circulação de capitais, questões de segurança etc, mas principalmente para fazer deste espaço um único corpo aquando de ataques a um dos membros.
O que se passa neste momento, é a expressão da mais profunda cobardia e egoísmo e de tal gravidade que põe em risco todo o projecto europeu que durante seis décadas cresceu a partir dum sonho nascido dos escombros desta velha fenix que é a Europa. Seria importante uma actuação concertada de todos os países, como um bloco único. Em primeiro lugar, não dar qualquer crédito às agências, pois elas não o tem de facto: quem classifica com pontuação máxima uma empresa que no dia seguinte abre falência merece tanta confiança no tocante a palpites, como eu a dar as chaves do euromilhões nas vesperas da sua extracção. A segunda medida seria cair na real quanto ao real valor do €uro. A injecção de capital em países pequenos como Portugal, a juros baixos acompanhado das pertinentes receitas para abrandar alguma efervescências e excessos, daria o sinal aos tais mercados de que a União não precisa dos seus favores de agiotas. A inflação inicial seria recuperada mais tarde pelo fortalecimento da imagem da moeda, expressão duma coesão dum espaço económico comum.
Mas isto sou eu a falar, e ninguém nos ouve,..."

março 29, 2011

Dos políticos que (não) o são.

A propósito deste post, que também publiquei aqui, gerou-se uma troca de ideias sobre o conceito de político. O Charlie afirma que Miguel Portas não é um político. O OrCa, que um político é um político e que não deixa de o ser por ser honesto, como parece ser o caso.
Analisemos a questão: no dicionário online Priberam, e enquanto substantivo masculino, político é "Aquele que se entrega à política. Estadista", sendo que a política é descrita como sendo a "Ciência do governo das nações. Arte de regular as relações de um Estado com os outros Estados. Sistema particular de um governo." Ora, se assim é, não há dúvida de que Miguel Portas é um político, sim senhores. E dos bons, na minha pouco humilde opinião. O facto de, no sentido figurado e enquanto adjectivo masculino, se descrever "político" como "finório, astuto", deriva muito mais do que os seres humanos foram fazendo do nobre exercício da política do que do conceito em si.
E a questão inevitável é se poderemos, com o Charlie, resgatar do âmbito do conceito aqueles que cremos honestos, porque a maioria não o é, ou se, como advoga o OrCa, fazer o contrário: afastar os que privilegiam os favores, o chico-espertismo e os boys (and girls, já agora!), por manifesta incompetência.
Creio que todos estarão com o OrCa por princípio mas acabarão por ir ao encontro das palavras do Charlie por manifesta necessidade. Eu, na utopia dos meus... 37 anos (????? Tinham-me prometido que me deixaria disto lá pelos 30, tinham-me vaticinado um resto de existência entregue ao comodismo e não vejo jeitos...), estou com o OrCa, sem deixar de compreender o sentido do que o Charlie diz.

E se me lembrei disto agora e senti necessidade de o deixar escrito foi porque vi (mais uma lacuna cinematográfica colmatada!) Invictus, de Clint Eastwood, esta noite, e relembrei um outro político que devolveu ao seu país aquilo que o mesmo país lhe retirara: a liberdade. Durante quase 30 anos encarcerado, injustiçado, apelidado de terrorista, Nelson Mandela esqueceu a dor, a revolta, o medo, a sede de vingança e erigiu, como Presidente, um país democrático, onde o apartheid passou a ser apenas um nome feio.
Foi político? Foi.
Dos honestos? Sim, senhores.
E é menos político por isso? Mas é que nem um bocadinho.

É por estas e por outras que os meus heróis nunca estiveram nos livros aos quadradinhos nem nos filmes. São pessoas iguais a mim (mas em bom e em grande), que aparecem na televisão a dizer coisas e a mudar o mundo. Mesmo ao lado dos outros (os finórios, os astutos), sim. Mas estes, pobres!, são aniquilados por poderes especiais que eles nem sonham que existem. (Pelo menos, é assim que o livro/filme acaba, para mim)

Humilitate



Será a tua incredulidade resultado de uma suave subestimação da grandeza e valor que a sociedade que te rodeia teima em fazer-te sentir?

Creio antes que juntas ao teu maravilhoso Ser o ingrediente da humildade, característica apenas disponível aos nobres - que sabem que o são.

Essa é a virtude dos "Filhos da Terra" que engrandecem o nome sem pejo de escusarem-se a projectar a sua imagem nos demais, inebriando tudo e todos e almejando serem superiores.

Humus, "Filha da Terra", ou simplesmente Humildade, é de facto a verdadeira excelência do conjunto das tuas virtudes, proporcionando até o equilíbrio da alheia vaidade que te rodeia.

Boletim de... quê?!

Eu, como acho que é preciso ter muita fé (mesmo não sabendo muito bem o que isso é), proponho que aquele papelinho onde pomos uma cruzinha, pensando que isso é importante para o nosso futuro colectivo, se passe a chamar "boletim devoto".

março 28, 2011

Prostituição - pessoal e intransmissível(?) (Para o A. e para quem (se) pergunta)

Claro que posso tentar explicar a dificuldade ou facilidade com que uma mulher se prostitui por características da sua personalidade; cada mulher é única, cada uma sentirá o que faz de uma forma diferente. Contudo, – sabes tu que fui sempre a mesma mulher – quando decidi prostituir-me de bolsos vazios e aflição nos dedos, custou-me, sim, a angústia imperou; quando decidi fazer exactamente a mesma coisa apenas por mais algum conforto, apenas – confesso – porque me apeteceu mais do que contemplar montras com coisas giras, foi incomparavelmente mais "leve". Sim, poderia achar que sou uma criatura estranha, absurda, desconectada com a realidade mas, garanto-te, outras meninas que conheci traziam a dor no olhar se nos bolsos traziam aflição e vazios, e olhos muito mais tranquilos quando em situações menos extremas ou nada extremas. Concluí, então, que, se a personalidade de cada uma é factor que influencia a emoção com que vive esta situação, os motivos que nos trazem aqui também devem ser pesados; da junção destes dois se formam respostas. É bem vindo quem quiser contrapor, comentar, acrescentar, perguntar; é certo que aqui existem tantas verdades quantas pessoas; eu respeito quem tudo procura, é muito mais fácil reduzir do que indagar.

Proposta de novo boletim de voto para as próximas eleições da Assembleia da República.

Angela Merkel considera, do alto da sua mal iluminada pesporrência, que pode e deve admoestar e puxar as orelhas à Assembleia da República Portuguesa por agir «desconsideradamente» na questão da aprovação ou não do PEC 4 do nosso inestimável e perturbadamente sofrido e compungido Sócrates, no seu afã de «salvar» o país… mesmo contra a vontade deste.
Para além de estranhar este entranhado amor pela coisa socrática, o que, para mim, não deixa de ser significativo é o silêncio quase-quase generalizado de tutti quanti, relativamente a este despudor em imiscuir-se na soberania nacional que a D. Angela se arroga - aparentemente sabendo com quem conta… A consistência gelatinosa das colunas vertebrais de muita desta gentinha é coisa de espantar.
Por essas e por outras é que a proposta que hoje me chegou para a criação do boletim de voto para as eleições para a Assembleia da República que se avizinham me parece ter todo o cabimento. Ei-lo:
Ora, aí está. Manda quem pode, obedece quem deve... Sem se querer saber, entretanto, de que poder e dever se fala.

março 26, 2011

Como um enviado da Al Jazeera vê a situação em Portugal

Ultimamente tenho-me tornado cada vez mais um visitante assíduo da Al Jazeera on-line, acompanhando a par e passo os relatos acerca do que vai acontecendo nos países do Norte de África e do Médio Oriente, e posso dizer que estou extremamente impressionado com a qualidade do serviço informativo prestado por esta estação televisiva.

Nos últimos dias, a Al Jazeera tem acompanhado também a situação político-económica em Portugal através dos seus correspondentes europeus. Entre as várias peças acerca do nosso cantinho à beira-mar plantado, descobri esta crónica, da autoria de Barnaby Phillips (correspondente europeu no Reino Unido), que relata a sua viagem de ontem a Lisboa e na qual faz o retrato de um país desiludido, ansioso e receoso à beira do colapso. Tomei a liberdade de a traduzir pois vale a pena ler.


Apanhei um táxi do aeroporto para o meu hotel no centro de Lisboa e pedi recibo ao condutor.

Ele era um homem amigável e tínhamos tido uma conversa interessante. "Quanto quer que lhe ponha no recibo?" perguntou-me, com um sorriso e um piscar de olho.

Depois da fria e respeitável Londres, foi o recordar de que me encontrava num lugar -como dizê-lo?- talvez mais mediterrânico (com o devido pedido de desculpas se ofendi alguém).

Lisboa é uma das minhas cidades favoritas. Adoro os bairros antigos agarrados às encostas das colinas, a arquitectura e os pequenos eléctricos que andam para cima e para baixo nas ruas com calçada.

Sou fascinado pela história e pelas ligações coloniais com Angola e Moçambique. As pessoas são gentis e generosas, a comida é óptima.

Mas não há lugar para equívocos em relação ao estado de humor, desta vez; uma mistura de ressentimento fervilhante em relação aos políticos portugueses e uma cruel resignação perante o facto de o pior estar ainda por vir.

Já senti este estado de alma antes; lembra-me a Grécia durante os primeiros meses de 2010, à medida que o país caía na bancarrota.

Está presente o mesmo cinismo em relação aos que se encontram no poder, o mesmo sentimento de desamparo e frustração... (e, atrevo-me a dizê-lo, a mesma tendência criativa em relação a alguns aspectos de contabilidade).

Em alguns aspectos, Portugal encontra-se numa situação ainda pior.

Pelo menos a Grécia, sob a liderança do Primeiro Ministro George Papandreou, elegeu recentemente um governo com um mandato forte que lhe permitiu tomar acções firmes para salvar a economia.

Portugal está à deriva após a demissão do Primeiro Ministro José Sócrates.

As eleições podem estar a semanas de distância e podem ser inconclusivas.

É certo que a dívida e o défice de Portugal são menores do que os da Grécia.

Também é verdade que os bancos se encontram em melhor situação do que os da Irlanda ou da Espanha.

Contudo, os problemas económicos são aqui muito profundos; o mercado de trabalho é inflexível e há pouca inovação.

Hoje visitei uma uma empresa de Tecnologias de Informação, dirigida por um grupo de jovens empreendedores portugueses.

Todos eles eram extremamente brilhantes e a empresa está a portar-se bem.

Mas eles partilharam o seu desagrado e sentimento de alienação em relação os políticos do país e o seu sentimento de desespero ao verem cada vez mais colegas seus a procurar emigrar para o Norte da Europa e para os EUA.

Hoje, o metropolitano de Lisboa estava em greve. Ontem eram os ferries. Amanhã serão os comboios.

Será uma maré crescente de inquietação industrial à medida que as medidas de austeridade se tornam mais severas?

Talvez, embora Lisboa não tenha a tradição de protestos de rua dramáticos de Atenas.

Sendo assim, para onde vamos a partir daqui?

Os mercados financeiros claramente não acreditam que Portugal consiga o crescimento necessário para lhe permitir saldar as suas dívidas e há agora imensa especulação sobre o país vir a necessitar de um resgate na ordem dos 70 biliões de euros.

Isto irá levantar mais questões acerca do futuro das fracas economias periféricas da Zona Euro e reavivar os receios de contágio que possam afectar economias maiores como a da Espanha.

Infelizmente, a lição que se tira de Portugal, da Grécia e da Irlanda, é que optar pelo resgate não singnifica necessariamente o fim das aflições do país.

Pelo contrário, é apenas o início de um novo capítulo, num longo e doloroso processo de reforma.


março 25, 2011

Não, os políticos não são todos iguais.

Não sou uma apoiante do Bloco de Esquerda, como não o sou de partido algum (a idade traz esta sapiência). Aprendi que todos os partidos em Portugal têm gente que admiro (à excepção do PPM, pronto...) e o senhor que se segue é um deles. Para contrabalançar, não gosto de Louçã. Nem particularmente de Fernando Rosas. Mas consigo ouvir Luís Fazenda ou Ana Drago, nos dias bons.
E, sobretudo, gostava de ouvir muitos mais, de todos os quadrantes, pensarem, falarem e agirem como Miguel Portas (não necessariamente na mesma direcção, porque isso seria pedir muito, mas com o mesmo sentido de responsabilidade, a mesma honestidade e fidelidade a princípios que são claríssimos e não têm qualquer gene camaleónico). Assim:

«A crise já vem de longe»

O Cápê enviou-me isto por e-mail:
"Em 1892 o rei D. Carlos doou 20% da sua dotação anual para ajudar o Estado e o País a sair da crise criada pelo rotativismo dos partidos."

março 24, 2011

Digam que ele é doido, digam...

Intervenção do Dr. Marinho e Pinto por ocasião da Sessão de Solene de Abertura do Ano Judicial