abril 11, 2011

Os FMIgerados inspectores estão a chegar

Amanhã por esta hora já os coveiros da economia portuguesa estarão mergulhados nos números vermelhos que lhes compete, teoricamente, pintar com outro tom.

Claro que não faltam, sobretudo os que mais contribuíram para a vinda dos algozes, aqueles que minimizam a questão afirmando que eles até já cá estiveram e Portugal deu a volta.

Pois deu, mas todos nos lembramos a que preço até cair do céu o milagre chamado CEE que depois se tornou no pesadelo pró-federalista soterrado pela crise internacional, com o salve-se quem puder a ditar leis enquanto os mais desamparados definhavam às garras das mais do que suspeitas agências de notação que aproveitaram o embalo negativo do subprime para tornarem nações reféns destas ajudas financeiras que estrangulam economias e impedem o crescimento de um país.

Os falsos optimistas, que tentam em vão desdramatizar o desastre provocado por uma sucessão de erros, de negligências e de disparates que culminou com a crise política que tanto deve ter agradado a estes senhores que são agora quem manda aqui, não convencem ninguém e esperam-nos vários anos a marcar passo, país e cidadãos, num ritmo imposto de fora, a juntar os cobres para pagar dívidas inventadas pelos malabaristas do rating ou contraídas desde o tempo em que a União Europeia transpirava milhões.

Agora é a nossa vez de suá-los de volta.

abril 10, 2011

47 razões para andarmos baralhados…

O Expresso trouxe-nos, neste fim de semana, o preclaro documento de quarenta e sete insuspeitas (algumas nem tanto e outras nem por isso…) individualidades quanto à imperiosa necessidade de haver, em Portugal, e cito: «um compromisso entre o Presidente da República, o Governo e os principais partidos, para garantir a capacidade de execução de um plano de acção imediato, que permita assegurar a credibilidade externa e o regular financiamento da economia, evitando perturbações adicionais numa campanha eleitoral que deve contribuir para uma escolha serena, livre e informada».

Referem também tais eminências nacionais, insistentemente, nessa «maioria inequívoca», como base de sustentação do tal «compromisso entre os principais partidos…» etc., etc.

Ora, no estado a que as coisas chegaram impor-se-á, obviamente, um pragmatismo – termo tão caro aos políticos da treta, quando as coisas não correm de feição… - na lide da coisa pública. Creio que nisso teremos de estar todos de acordo e, nesta fase da conversa, quer queiramos, quer não.

Perturba-me, no entanto e sobremaneira, a expressão da «maioria inequívoca dos principais partidos» e o que ela tem implícita. Esta exclusão, à partida, dos presuntivos partidos «não principais», assumindo as tais eminências que serão despiciendos no panorama político português, marginaliza, assim, antidemocraticamente, porventura dos mais significativos grupos de cidadãos activos e de profunda consciência de cidadania, goste-se ou não dos dirigentes que, em dado momento, possam estar alcandorados ao topo hierárquico das respectivas organizações, ou das ideologias que professem.

Perturba-me, de igual modo, que suas eminências – a modos que um leal senado da nação – tenha cometido a imperdoável insensatez de não embrulhar no seu pacote de boas (?) intenções os chamados «parceiros sociais» – igrejas incluídas e das diversas fés ­– se, na verdade, é de um desígnio nacional e democrático que aqui se fala.

Isto pela liminar razão de que podem os «partidos da inequívoca maioria» cozinharem os nossos interesses e seu bel prazer que dificilmente chegarão a qualquer lado – e a bem! ­– se não contarem com a cumplicidade e apoio activo da chamada sociedade civil. E isto, que se me depara singelamente liminar, parece ter escapado a este grupo dos 47, denunciando um tique antidemocrático de «democratas por interesse», se assim se lhes pode civilizadamente chamar, que muito me penaliza que integre alguns nomes que fazem parte do meu círculo de referências.

Alguém de bom senso pode imaginar que manterá todas as «gerações à rasca», organizadas ou não, indefinidamente passivas e caladas sem recorrer a severas cargas repressivas, provavelmente já a curto prazo?

O Bloco de Esquerda ou o Partido Comunista Português, ou os Verdes, a CGTP e, até, a UGT, a CIP, a CAP, etc., etc., por aí fora, vão ser ilegalizados, é? É que marginalizados já estão a ser, quer pelos sucessivos governos, quer por este grupo de nobres cidadãos preocupados.  

Querem ver que a infeliz receita da Manuela Ferreira Leite, aquela da interrupção por seis meses da democracia, afinal colheu eco em todos estes bons pensadores?

É que esta chatice da democracia ter mesmo de contar com todos, sendo chata e incómoda, é assim mesmo… E quando não é, não é democracia!     

Nota de rodapé – Um dos signatários dá pelo nome de António Vitorino. Será o mesmo, aquele baixote, que, ainda ontem, perorava em favor do seu querido amigo Zé, no suposto Congresso do PS, contra o resto do mundo, pois que, depois deles, viria coisa mais horrenda que o dilúvio? É este o tal superior interesse de conjugação de esforços? Ou, lamentavelmente, apenas se confirma que o rei continua a ir nu?   

abril 09, 2011

E Portugal, por onde andará?

O médico Hans Rosling mostra a história do desenvolvimento do planeta nos últimos dois séculos, transformando estatísticas em animação gráfica interactiva. Programa "The Joy of Stats" da BBC 4, legendado em português.

O "poder" local

... excerto de um artigo de Mira Lagoa Sobral na revista «C» de 31 de Março de 2011:

"Sinais dos tempos

(...) nos trabalhadores das autarquias com responsabilidades nos diversos patamares das orgânicas das respectivas autarquias em que são trabalhadores por conta de outrém (enquadrados nos sãos princípios, legalmente consagrados e do conhecimento de todos), continuam a verificar-se que são muito poucos os que resistem à tentação de só trabalharem como qualquer trabalhador subordinado. Todos se aprimoram em tanto que querem corresponder que, objectivamente, acabam por extravasar o domínio das competências específicas. Não resistem à tentação de, também, fazer política. Os políticos eleitos decidem no quadro das respectivas competências. Os Directores de primeiro grau das autarquias, na interpretação da decisão tomada e transmitida e na sua execução esmeram-se em, na maioria dos casos, deturparem. Os Chefes da Fiscalização não vêem, os das vistorias vêem mas não vêem, todos lêem mas lêem diferente, de tal forma que a decisão tomada, aquando da execução, se vê desformatada. Acaba sempre por vencer o real. E, nesta matéria, em todo o Portugal, o poder a votos, por razão do futuro destes e destes no futuro, acabam por condescender, fazendo alardeio da sua tolerância, aprovando e ratificando o desrespeito."

abril 08, 2011

Trinta dinheiros mais oitenta mil milhões de euros

Eu confesso que estranhei o entusiasmo da Direita e da alta finança perante a hipótese de Portugal ceder às múltiplas pressões no sentido de empurrar o país para o peditório.

Agora que já conheço duas das condições a serem impostas, flexibilização laboral e ambicioso plano de privatizações (isto, claro, para além de machachada a torto e a direito nas regalias sociais pelas quais a Esquerda sempre lutou) deixei de estranhar.

A Rapariga Vulgar (IV)

A Maria Multidão sai às ruas, traz nos olhos sem olhar o silêncio constantemente mutilado, uma língua esponjosa derrama o seu tamanho baço para fora daquela boca que cospe palavras numa saliva engrossada pela morte da alma. O deserto avançou-lhe pelo peito, faz muito que o coração se transformou num cacto para não morrer de sede. Noites como esta, só escuro, só chiar metálico de tendões (pouco) humanos, só areia, são apenas a dor da lua, o ateísmo crepita nos risos de estranhos contra a sua pele, o arrepio percorre-lhe a luz que se apaga. Já me cansei de gritar que vão matar a lua, faz muito tempo que já me cansei de gritar. Só a solidão não ofende a beleza do silêncio, coagula-o no seu sangue, dissolve-se e mantém-se viva em mim, chama-me para dentro deste templo de carne e mostra a sua tristeza à lua por todas as minhas janelas sempre abertas. [A Rapariga Vulgar (III)]


A mulher lembra-se, ao amanhecer, do amor que fez com o homem, ao tocar o líquido coalhado que reteve na vagina, nada mais reteve, não sobrava mais memória. Todas as manhãs se toca, sozinha, sacia-se em partes que fingirá saciar à noite, em braços alheios, para que lhe saciem o coração. Fecha os olhos e sonha-se uma rapariga vulgar, como aquela que o marido espreita, envergonhado; sonha que atrai desejo suficiente para lhe saciarem o corpo com mais de três golpes de anca, sonha um auge em explosão de abraços entre a ternura e a luxúria, os seios quentes entregues ao toque flamejante de dedos estranhos, contudo meigos, domados pela sua beleza, as pernas entreabrem-se e chega o grito que a almofada amordaça. Mais tarde, sai às ruas, vai espreitar o quadro do marido, da rapariga vulgar e dos seus amantes imaginários.

Bacalhau e chicote

A propósito desta posta desencantada, deixo-vos aqui dois comentários que lá deixaram:

Kikas: "O problema é que passámos muitos anos a dormir... entre o sono, a letargia e o sonho. O nosso clima é ameno, não temos extremos que nos desafiem. Não temos furacões, enxurradas, frios assassinos que nos obriguem a lutar para não morrermos – apenas brumas cálidas e céus azuis que nos adoçam o carácter e a auto-estima. Até em matéria de tradições – devemos ser o único país do mundo cujo prato nacional é feito com algo que não existe nem nunca existiu no respectivo território: o bacalhau.
Sempre fomos buscar o que precisávamos lá fora – e como o encontrámos, desabituámo-nos de procurá-lo cá dentro. Tivemos a pimenta da Índia, o ouro do Brasil, os escravos de Angola e, quando ficámos sem isso (se é que o tivemos verdadeiramente) recorremos aos fundos da União Europeia e aos carrascos do FMI.
O problema é que agora, não somos colonizadores, somos escravos que vão a leilão, facilmente transaccionáveis no mercado de capitais, à mercê de gente sem escrúpulos que nos vão sugar a carne e o sangue."

Charlie: "O Homem sempre fez o mesmo. Fomos nós que, indo lá fora buscar a pimenta, transformámos o «lá fora» em coisa nossa: Portugal. As nossas fronteiras expandiram-se numa geração. Fomos mundo, todo o mundo cabia no Terreiro do Paço e batemos o pé a Espanha, enganámo-los através de uma das manobras de diversão mais espectaculares da História com a invenção das Índias para Oeste, quando nós íamos para o Oriente contornando as Áfricas que desde Ptolomeu se julgavam terra contínua, sem passagem para outros mares. Os outros, mais tarde, fizeram o mesmo. Inglaterra por todo o mundo. Fala-se Inglês por todo o lado, ainda hoje.
Mas manter colónias é pesado, cria desconfortos. Os tempos de hoje são de neo-colonialismo. Os Portugueses sabiam como fazê-lo de forma hábil: de entre os povos dominados, escolhiam uma elite, nunca um grupo, apenas alguns elementos e escolhidos um a um. Davam-lhes privilégios, mordomias e, uma vez ascendidos, utilizavam o que mais faz mexer o Homem - a angústia. Basta uma pequena ameaça, velada, o fazer sentir um desconforto, do tipo de «algo que não está bem». Depois é retirar um privilégio, ter uma conversa mais distante e fria e isto durante uns dias. Depois vai-se ao ataque:
- Escuta.... preciso mesmo de falar contigo.
O interlocutor, pessoa que sentia estar a perder o status, ficava quieto e em expectativa e ouvia:
- Sabes? Não ando satisfeito. Os teus não estão a trabalhar como deve ser e preciso de mais produção. No Puto (Portugal, como se dizia em África) andam aborrecidos porque querem mais café e eu não lhes consigo enviar mais, se calhar tenho que arranjar outra pessoa para o teu lugar...
Não existe melhor forma de ficar com mãos limpas, transferir o odioso e aumentar lucros. No dia seguinte, o chicote estalava nas costas desses malandros, não pelas mãos do Colono, mas através desse que via estar a fugir-lhe das mãos um mundo de benesses, privilégios e status, sem cuidar, pois a memória é volátil, que tudo aquilo já era seu por direito de nascença, por ser daquelas terras muito antes dos chefes brancos terem chegado...
O que se passa nos tempos de hoje é fotocópia, com outros protagonistas, outros chicotes, outros colonos, mas o mesmo fio que mexe as marionetas: a angústia.
Vivemos benesses, criamos status, e agora vivemos o desconforto. Onde está o chefe branco?
Está lá longe, por detrás das secretárias dos Ratings, mancomunadas com o FMI e com as empresas dententoras da dívida dos países.
Por cá estala o chicote. Malandros que não ganham para os juros, bando de malandros, que por vossa causa não vou poder trocar de automóvel este ano nem andar de ski..."

Não! Impossível! Isto dos «mercados» é tudo malta tão séria!

Questiona o Jornal Negócios:
"Houve «insider trading» no pedido de ajuda?
Quando os «traders» olham para os écrãs dos terminais de negociação e observam uma mudança brusca no sentido de uma acção ou obrigação, sabem que aconteceu algo que alterou a leitura dos investidores. Ou, pelo menos, de alguns. Foi o que aconteceu quarta-feira, com os títulos da banca e da dívida pública portuguesa a inverterem a tendência da sessão, fechando em forte alta. Fica a dúvida: no mercado havia quem já soubesse que o ministro das Finanças ia anunciar, horas mais tarde, o pedido de ajuda financeira externa? Os alarmes do sistema de vigilância do mercado dispararam na CMVM."

É como as agências de «rating». Nada é manipulado. São umas santas!


Paixaoeamor.com
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abril 07, 2011

A posta desencantada

A pessoa adormece, embalada pelo som de palavras tranquilizadoras, democracia, liberdade, e até se permite sonhar com um futuro cada vez melhor, o seu e o de gerações vindouras, os filhos que vemos crescer e a quem transmitimos o legado da confiança que entorpece a passada, bêbedos de sono, entregues a organizações por si sustentadas para garantirem, pelo menos, o essencial.

A máquina que se quer funcional para que a sociedade aconteça sem engulhos ou travões, sem as mesmas limitações de um passado que se viu rejeitado quando o povo se fartou daquilo que agora regressou por uma série de asneiras anedóticas e as ameaças hipotéticas ganharam corpo e tornaram-se tangíveis todas as coisas impossíveis como as pintavam nas histórias de encantar ou nas músicas de embalar no som de palavras prometedoras, garantias de prosperidade, enquanto por detrás do véu vigaristas e especuladores, alquimistas amadores, enriqueciam à custa de um balão que um dia rebentou sobre as nossas cabeças e os pedaços do céu começaram a cair.

E a pessoa entretida a dormir, mesmo depois, com os arquitectos da farsa impunes salvo raras excepções e os restantes (ir)responsáveis por tabela, cúmplices por omissão, ou mesmo por intervenção directa num esquema que nunca souberam interpretar nas repercussões se algum dia corresse mal, com os dedos apontados entre si denunciando culpados de segunda categoria, desviando as atenções dos verdadeiros burlões à escala global, mesmo depois de publicamente expostos na sua condição pelo desastre nos resultados.

E a pessoa adormecida, comatosa, ouvindo ao longe os nomes de culpados laranja, azul, vermelho ou cor de rosa que justiça alguma punirá, alheada do presente envenenado para o futuro comprometido que não faz perder o sono, bêbedos de falsa esperança ou de apatia, porque a pessoa dormita à sombra de palavras antigas como árvores centenárias, honra e compromisso, que julgávamos necessárias ao ponto de ganharem raiz.

Mas as palavras leva-as o vento como às folhas e na prática ninguém sabe (ou responde pel)o que diz…

"Portugal não está a negociar ajuda com Bruxelas"...

... garantia ontem de manhã o gabinete do primeiro-ministro, José Sócrates.
Sim, sim. E nós somos todos imbecis!

A propósito disto dos bancos e assim...

... lembrei-me de há 30 anos atrás, era eu responsável financeiro de uma empresa e aguardávamos há mais de 3 semanas pela resposta de um banco sobre um pedido de financiamento. Telefonei para o nosso gestor de conta e disse-lhe:
- Doutor, com essa demora a empresa pode entrar em dificuldades. Não percebo por que motivo demoram tanto tempo.
Resposta de sua excelência:
- O senhor não sabe falar com um banco.
Isto ficou gravado na minha memória. Desde então, sempre soube que não sabia nem sei falar com um banco... de forma subserviente.

abril 06, 2011

Mereciam ser tratados como na Islândia

Há em mim um dilema quando vejo os bancos em aflição ao ponto de exigirem um pedido de empréstimo intercalar por parte do Governo.

Se, por um lado, me preocupa a situação pelo que implica em matéria de má condição financeira do país, pelo outro sinto um prazer dificilmente reprimido ao ver a banca passar por algo de parecido com o que aplicam aos seus clientes mais aflitos.


Nem é preciso entrar no redil porque já cá estamos!

"Para a Moody’s, a solução para o sector financeiro passa por um pedido de ajuda externo por parte do Governo" - Jornal Negócios

"Banqueiros nervosos empurram o governo para pedido de ajuda" - jornal i


Os banqueiros nervosos
(foto Jornal Negócios)


Nós
(foto lavilladetejerina.iespana.es)

Morte aos Cabrai(õe)s que são falsos à Nação

Depois desta posta colocada lá mais atrás só me oferece dizer isto:

Amigos, como ele diz no início, só há duas formas de ocupar um país, uma pela via das armas, a outra pela via da dívida.
O truque, baixo e soez, consiste em ter os moços de recados nos sítios certos. Assim, os culpados de o senhor Hipers vender de preferência coisas importadas, levando a produção nacional ao estrangulamento e à falência, não é dele, é nossa. Esta semana, azeite feito de óleo de travões só por 0.90€ um garrafão de 10 litros, quem vende a merda mais barata? Ninguém, aqui no XXXXX é tudo mais barato!
Também é culpa dos pobres comerciantes que se endividam e arrendam as lojinhas nos Hipers que servem de balões de ensaio gratuitos para o senhor Hiper ver se os negócios, os nichos dessas pessoas, são rentáveis. Logo que sejam ele põe uma acção de despejo, ou simplesmente não renova o contrato e põe tudo na rua, ficando ele com o negócio que os outros abriram com o seu esforço e criatividade. Conheço pessoalmente uma dessas situações. Um negócio, muito popular que empregava 13 pessoas foi simplesmente fechado e tudo para o desemprego e agora o senhor Hiper vai abrir o mesmo negócio que eles tinham e que era um sucesso. Foram culpados de acreditar nele e nos seus pseudo-grupo-de-empresários.
Também somos culpados de comprar carros para nos deslocar, é até um crime, os moços de recados dizem-nos nas TV's que nos portamos mal ao comprar as coisas que esses mesmos moços de recados diziam para comprarmos tempos atrás. E nós acumulamos complexos de culpa, somos culpados da crise! Somos culpados de adquirir casa própria e de estarmos desempregados agora. Somos culpados pelo facto de termos recebido dinheiro da CEE para abater barcos de pesca e arrancar milhões de oliveiras e vinhas, privatizar indústrias-chave que depois os compradores esvaziaram e deslocalizaram e agora não temos nem dinheiro, nem bens para trocar com as coisas que importamos e ficamos devendo
E devemos, devemos e devemos, mas lembro-me de dizerem que não era grave, a coisa aguentava-se sem problemas, o crescimento, a OCDE, a macro economia, as derivadas em X a somar à cotangente numa batedeira, vai ao forno a 180ºC e depois desenforma-se e dá um crescimento de 2.4% e uma inflação abaixo da média europeia e no pelotão da frente...
Agora há moços que gritam pelo FMI, é o recado que lhe deram para ser gritado, são uns bonecos vendidos e nós?...Sentimo-nos culpados....e gente que sente a culpa não se revolta!
Xi, então não somos culpados? Bem dizem os opinion makers nas TV: Os Portugueses viviam muito acima das suas possibilidades e agora têm que pagar... e eu olho para a minha vida, e não vejo qual foi a parte onde me portei mal e gastei o que era do vizinho. Fui ao Banco e paguei o carro, fui ao Banco e paguei a casa, emprestar dinheiro era o negócio dos Bancos e se não comprássemos através deles os Bancos não seriam rentáveis, e os opinion makers fizeram-nos comprar recorrendo à Banca pois era saudável para a economia.
Mas depois vejo BPN que me gastaram e aos restantes Tugas 9.710.000.000€06, mas disso somos todos culpados, não é? E como somos uns malandros e culpados, o Estado (nós) aplacou a culpa metendo o nosso dinheiro lá, e continuámos culpados por causa do pontapé que isso deu no défice, se o Estado não metesse dinheiro, éramos culpados pelo descalabro financeiro. Somos sempre culpados... :(
No fundo, esses moços de recados o que querem agora (nem digo mais nada) a toda a força é que os seus Senhores, donos das suas almas, entrem com as armas e bagagens do FMI pois nós, já mansinhos e cheios de sentimentos de culpa, nem de chicote precisamos para que nos tirem a tanga e enfiem as suas medidas no pacote...

abril 05, 2011

De bradar aos céus… e aos infernos! – (Esta é fresquinha - saiu há cerca de uma hora!)

- Depois de ter apurado que, após aquisição de viatura nova, o Estado me tinha cobrado um valor de IVA à taxa de 20%, que incidiu sobre o preço base acrescido do então IA, hoje ISV – Imposto Sobre Veículos, e que tal incidência violava normas comunitárias relativas ao mesmo IVA;

- Depois de ter tido conhecimento do acórdão C-98/05 do Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias sobre a matéria, segundo o qual o valor do IA/ISV não pode ser incluído no valor tributável do IVA a liquidar sobre a compra do veículo;

- Depois de ter tido conhecimento do processo de infracção nº 2006/4398 que a Comissão Europeia instaurou contra a República Portuguesa, tendo em vista a alteração das normas que violam o direito europeu;

- Depois de ter tido conhecimento de que o Estado Português já reconheceu a necessidade de excluir a incidência do IVA sobre o IA/ISV, tendo introduzido essa alteração na Proposta de Lei nº 42/2010, que aprovou o orçamento de Estado para 2010

Dirigi exposição ao Exmo. Sr. Director Geral das Contribuições e Impostos, através de carta registada com aviso de recepção, já em meados do ano de 2010, requerendo a revisão oficiosa da liquidação efectuada, bem como a restituição do IVA cobrado em violação das normas europeias, acrescido de juros vencidos e vincendos, desde a data da cobrança até à data da respectiva devolução.

Bom… e o tempo foi passando. E eu fui, como qualquer contribuinte que se preza, pagando outros IVA, IRS, IMI, etc., etc., etc., aguardando a devida devolução daquele por parte do Estado… já para não referir uma carta – a que, salvo erro, a lei obriga o Estado, também – de resposta à minha exposição. Sem êxito, uma e outra.

Passado que foi cerca de um ano e já muitos impostos por mim desembolsados, sem outras notícias,  decidi tentar um primeiro contacto/esclarecimento, através do telefone 707 206 707 do sítio oficial da Direcção Geral das Contribuições e Impostos.. Eram as 15h30, do dia 05 de Abril de 2010.

O cavalheiro que me atendeu, após esclarecimento sumário da minha parte ao que vinha, soltou uma sonora gargalhada… Perante alguma (não muita, confesso) perplexidade minha, questionou-me o meu interlocutor se pretendia continuar a conversa com ele enquanto funcionário público e das Finanças, ou como mero cidadão.

Estranhando um pouco a questão e porque o contacto era directo e o homem nem me pediu para premir nenhuma tecla do meu telefone, optei pela versão «cidadão», até para podermos estar numa amena cavaqueira, como sói dizer-se, à mesa do café.

Disse-me, então, esse amigalhaço   que se identificou e tudo, pois assim já vai a coisa – que nem pensasse nisso e as palavras foram estas: «– E onde é que o meu amigo acha que o Estado vai buscar o dinheiro para pagar o que lhe deve? Isto não há dinheiro para ninguém!»

Ainda lhe fui dizendo que talvez se pudesse considerar os descontos que eu faço religiosamente, todos os meses, para a brutalidade do IRS; tartamudeei qualquer coisa acerca do IMI, que terei de pagar, com língua de palmo, até ao final de Abril, a gasolina… Qual nada! Com uma nova e ainda mais sonora gargalhada – que, confesso, me levou ao tapete – garantiu-me que há muitos milhares como eu e que não há nada para ninguém, rematando com um elucidativo «aguente!».

Desliguei, claro, reconhecido e obrigado…

Excelente técnica (e técnico) de Relações Públicas: KO técnico ao cidadão contribuinte ao fim de um assalto! E nem foi preciso ir às cordas!

Questão que coloco à distinta audiência: quando me dirigir, pessoalmente, a um balcão das Finanças para tentar confirmar o que me foi assim dito por um «recebedor» oficial e informativo privilegiado, a fim de chegar a um bom porto qualquer, devo ir munido, em alternativa ou acumulação, de:

a) um fato de palhaço?
b) um taco de beisebol?
c) a equipa do Gato Fedorento?
d) uma moca de Rio Maior?
e) Sua Excelência o senhor Presidente da República Aníbal Cavaco Silva?
f)  o senhor advogado Sá Fernandes?
g) a Comissão Política Concelhia de Lisboa do PS?
h) tudo junto?

Sem fazer outros comentários por considerar tal esforço despiciendo, sempre digo que a sacana da mulher de César está num tal estado de abandalhamento que já nem cuida, sequer, de parecer outra coisa que não seja uma irremediável e indecorosa relaxadona.

A bem da nação… ou, muito provavelmente, não.

O terrorismo mora aqui

Quando se cancela uma viagem, marcada (e sonhada, como o são todas as viagens) com muita antecedência, por puro medo do futuro, o terrorismo (que não equivale necessariamente a homens-bomba ou torres destruídas ou a milhares de mortos e estropiados) anda aí.

abril 04, 2011

«Como os EUA interferem nos países»

John Perkins auto-denomina-se um assassino económico. Segundo alega, a sua função era elaborar estudos económicos falsos sobre determinados países, de modo a fazer com que esses países contraíssem empréstimos que se viriam a revelar mais tarde impossíveis de pagar e, assim, se tornavam economicamente dependentes dos países e corporações credores. John Perkins escreveu o livro «Confissões de um Assassino Económico» que foi publicado em 2004 e teve traduções em diversas línguas, inclusivamente em Português.



A Rapariga Vulgar (II)

Sim, eu sei que a vida é a autora do livro da minha existência. Não posso escrever as páginas. Mas anoto furiosamente as margens, mas lanço-me e ocupo cada espaço que a vida esquece em branco. Porque a vida é demasiado grande, tão grande que não pode ver todos os seus detalhes, tão grande que muitas vezes não me vê; e essa é a minha vantagem, os seus pontos cegos são a janela onde inscrevo a minha vontade. Ainda bem que me sei infinitamente pequena. [A Rapariga Vulgar (I) ]


O Sr. António da retrosaria nunca gostou de se sentir pequeno. Encosta-se à porta do seu estabelecimento para que o olhar possa ir à rua, ao outro lado da calçada, atravessar de gozo o corpo da rapariga; julga que assim a corta ao meio, a metade do seu tamanho, e sente-se ainda maior. A rapariga encolhe os ombros e continua a tentar atrair o desejo e a bolsa dos que passam; a magreza e a saia demasiado curta pintam-na de vulgaridade mas não lhe retiram a beleza, pára um carro e alguém a convida a entrar. O Sr. António é a feição do desdém, lábios finos, uma linha feia de sarcasmo coberta por um bigode amarelado; troca comentários ordinários com o Sr. João da padaria: "lá vai com mais um, lá vai com mais um" e ri-se, seco, gordo, uma gargalhada trocista que lhe ensopa a flacidez do pénis. Corre para dentro da loja, enquanto finge continuar a rir, para que ninguém lhe veja a mancha da humilhação espalhada nas calças. O Sr. António nunca gostou de se sentir pequeno; agora, é o balcão que o corta ao meio; o riso trocista pasmado na cara contrai, nos olhos, o brilho da vergonha que lhe esborracha lágrimas através das órbitas e que lhe espalma o corpo pendente e molhado contra a barreira do balcão.

Colunas - Alicerces do Nosso Mundo II


Estou novamente na minha sala... 

Observo o tecto e a imagem devolvida parece ser de firmeza, aparentemente com as colunas a sustentarem pela mestria do pedreiro que as construiu e pela excelência do que lhe fora colocado à disposição, variável da edificação dignamente alicerçada; num tecto, num Ser Humano, num estado ou numa relação, ou em tantas as demais formas...
Dois são os modos de apreciar a perpetuidade das nossas colunas.
Por observação e vontade;
Ou quando distraímos - por decisivos breves momentos - a atenção do que nos rodeia... e a páginas tantas o desmoronamento dá o seu sinal; num derradeiro chamamento pelo abraço que urgia há muito.

As colunas não são eternas sem manutenção, e o que exigem está por vezes para lá da sapiência que nos foi oferecida.
Parte astúcia do pedreiro querer saber identificar o mal - por vezes ainda mal apresentado - para definir o correcto alicerçar do seu tecto.

As cordas e os nós que enleados seguram para manter a estrutura do que entende como certo, são placebo... O interior nunca devia ser oco. E não está certamente.

abril 02, 2011

Porque sou Antinuclear Fundamentalista II



foto, central de Fukushima

Ha dias tive a surpresa extraordinária de assistir a um debate na RTP2, integrado no programa "Sociedade Civil" sobre o tema da actualidade: A central Nuclear de Fukushima.
Moderado pela extraordinária Fernanda de Freitas tinha, como participantes no painel, elementos pró e contra esta forma de gerar energia.
Antes de continuar a dissertar e a opinar sobre o que foi dado a ouvir por quem se dignou a assistir - como eu- ao programa, devo dizer que abro neste momento uma excepção à geração de energia com recurso ao nuclear. De facto, um dos intervenientes disse que a energia nuclear é a única forma verdadeiramente natural de gerar energia. Todas as outras formas que conhecemos, não criam energia verdadeiramente mas sim reproduzem a energia acumulada ao longo de milénios por força da única fonte de energia autêntica e que é nuclear: O Sol.
O emissor desta notável pérola técnico-filosofica, todo ele a favor das centrais, continuava: a energia das ondas, donde vem?: do Sol! A energia do vento? De onde vem a energia que o vento representa?: do Sol!
De onde vem a energia do carvão e do gás, da gasolina etc?
Do Sol, cuja energia ficou acumulada quimicamente durante um processo de milhões de anos e que através da queima se liberta! Continuava ele depois triunfante dizendo então que uma Central Nuclear era a forma mais natural de gerar energia pois o processo nuclear nas centrais cria de facto energia- como o sol- quando todas as outras apenas a devolvem. É claro que perante um argumento destes, eu, só poderia ter ficado de imediato recrutado pelo entusiasmo desta fonte de energia motivo pelo qual reproduzo o conteúdo do mail enviado onde manisfestava o meu volte-face: de anti nuclear teria passado a defensor acérrimo da energia contida nos núcleos dos átomos, com um ligeiro senão: desde que as Centrais ficassem onde não pudessem fazer mal a ninguém, por exemplo a 160 milhões de Km, na superficie do nosso Astro-Rei!
Ficara estupefacto! Sinceramente, estupefacto...
Extraordinário como depois de tudo o que está acontecendo, apesar de todos os avisos e alertas atempadamente produzidos, continua a haver gente a defender com unhas e dentes estas apocalípticas estruturas. A posição desta figura no painel era duma arrogância e sobranceria impressionantes. Sorria com desdém das mais que justificadas apreensões dos que do outro lado contrapunham os seus argumentos. Do lado dele havia um outro elemento especializado na minorização dos efeitos radioactivos e no fim, não fosse o contraditório, a geração eléctrica por este meio seria a mais eficaz, barata e inócua forma,alguma vez produzida, da Humanidade dispor de energia eléctrica ...
A verdade no terreno é por demais evidente para perdermos sequer tempo a dar ouvidos aos que ainda estão a favor das centrais, mas a tentativa de lavagem de imagem constitui no mínimo um atentado ao mais elementar bom senso, para não dizer as coisas de outro modo e chamar os bois pelos nomes!
O fenómeno do "Síndroma da China" de que falei no post anterior, ja começou. As águas subterrâneas à volta de Fukushima estão ja contaminadas numa ordem de grandeza inimaginável: 10.000 vezes acima do máximo que os organísmos vivos suportam. Isto significa que parte do material nuclear, pelo excesso de aquecimento, fundiu o seu suporte, derreteu o solo por debaixo e foi descendo pela acção da gravidade, sempre fundido a rocha até chegar aos veios freáticos. Agora toda a água doce subterrânea na região da central está contaminada.

O passo seguinte é a sua absorção pelas raízes das plantas. Tal como em Chernobyl toda a flora irá desaparecer no local e sofrer mutações genéticas nas zonas limites. A fauna irá ter sorte semelhante e morrer e os tumores cancerosos reproduzir-se ão nos sobreviventes em enormes proporções. As águas do mar ao redor da central estão também fortemente contaminadas: à volta de 5.000 vezes acima do máximo permitido e considerado "seguro". Jamais se poderá voltar a pescar naquelas águas, nem cultivar os terrenos numa área - para já- de quarenta quilómetros ao redor da central.
Basta ir ao Google Earth, visualizar o Japão, e centrar a atenção sobre as coordenadas 37º25'17.98N / 141º02'00.36E. O serviço disponibiliza imagens a três dimensões da central, e podemos depois utilizando a régua para medir trajectos e distâncias que a barra de ferramentas do Google Earth dispõe, traçar a área afectada. Considerando os 40Km em redor como área contaminada impõe-se a chamada zona tampão que poderá ser de outros tantos quílómetros. Considere-se então uma circunferência com 80 km de raio, 160 km de diâmetro, e teremos a dimensão correcta do impacto que a estupidez humana é capaz de exercer sobre o seu próprio e imediato suporte de vida, e mesmo assim, encontrar espécimes capazes de vir a um meio de comunição social e declarar enormidades como as que referí terem sido afirmadas no ínicio deste post. Países há, e são muitos, mais pequenos que a área afectada por este acidente, mas isso parece não ter qualquer importância para as sumidades em apreciação que não se coibiram de exprimir despudoradamente tamanhas enormidades...

Ainda no Google Earth poderemos focar a nossa atenção sobre a central nuclear de Almaraz, -29º48'25.00" N. / 5º42'12.00" W. mesmo à nossa porta e que a foto em cima retrata- e repetir os mesmos passos. Veremos então o alcance que um acidente grave teria e até que ponto atingiria o nosso país. Os que se derem ao trabalho de visualizar Almaraz verão como existe uma barragem ao lado da central. Trata-se da barragem de Arrocampo cujas águas se destinam ao arrefecimento da central. Esta barragem enferma desde a sua construção de diversas deficiências, não respeitando alguns preceitos anti-sísmicos. Este facto tem sido repetidamente denunciado e a empresa que administra a central tem sido alvo de consecutivas coimas por falhas críticas no funcionamento do equipamento e que puseram em causa aspectos básicos de segurança . Um sismo de intensidade média poderá destruir o paredão da barragem e fazer com que a central fique sem possibilidade de arrefecimento, podendo reproduzir-se então algo semelhante ao sucedido em Fukushima.
Um dos problemas mais graves da energia produzida por centrais nucleares reside no que está já a jusante da vida útil das estruturas que a produzem e que é de extrema gravidade, com horizontes temporais dilatados e quase inimagináveis no caso do plutónio: os resíduos radioactivos. Espanha não é excepção e isto é um facto que nos afecta de forma imediata e irremediável. Espanha está a planear um cemitério para depositar os resíduos das diversas centrais nucleares Espanholas a oitenta quilómetros da nossa fronteira em Albalá, provínca de Cáceres. Não é necessário enfatizar o que poderá acontecer no caso de um acidente, dum sismo com consequencias de fuga de material tóxico para o subsolo nem insistir no exemplo Japonês para imaginarmos os riscos a que estaremos sujeitos a partir do momento em que o cemitério for instalado. A par disto, notemos que Almaraz, mesmo depois de formalmente encerrada, ficará a pender sobre a nossa fronteira como um fio de cabelo a sustentar a espada de Damocles. Dependente duma manutenção constante mesmo depois de já não produzir nem mais um Watt, será obviamente e progressivamente votada ao esquecimento e ao abandono, mal grado a memória eterna dos subprodutos nucleares.

Podemos imaginar um cenário habitual nos complexos industriais que a voragem dos tempos deixa desactivados; cercas ferrugentas, edifícios abandonados de vidros partidos, e um progressivo afrouxamento da segurança e manutenção, que custa dinheiro, e este não abunda nos tempos de crise, ciclicamente repetidos....
A chamada de atenção que este post constitui é apenas mais uma- quiçá a mais modesta entre tantas- no sentido da sensibilização que é imperioso ser levada a cabo.
Recupero para esse efeito um velho "slogan" fora de moda no seu aspecto formal, e talvez pleno de ingenuidade perante a gravidade desmedida do perigo que o nuclear representa: Mais vale ser activo hoje, do que ser radio-activo amanhã.




Charlie