março 24, 2014
Portas...
mal soube que os alemães pretendem usar um submarino não
tripulado para as buscas do avião desaparecido, propôs...
Raim on Facebook
março 23, 2014
março 22, 2014
Sem MAIS palavras
março 21, 2014
Mudança de hora - mais uma voltinha... mais uma viagem...

"Para
Centro de Contacto EUROPE DIRECT
Como podem constatar pelas minhas mensagens abaixo, no dia 27 de Janeiro enviei um e-mail para a entidade que me indicaram como sendo a responsável em Portugal por este assunto da mudança de hora e, desde então, apesar das minhas insistências e de envio com conhecimento para vários destinatários, não tive qualquer resposta nem mesmo uma simples confirmação de recepção.
Como me informaram que a "Comissão incorpora representantes de diversos ministérios do Governo Português e também das Regiões da Madeira e dos Açores", agradeço que me informem quais são esses ministérios que integram a Comissão Permanente da Hora, a fim de tentar obter resposta às questões que coloquei.
Cumprimentos,
Paulo Moura"
março 20, 2014
março 18, 2014
«Praxe e praxes - Tradições ou sistemas de repressão em rede?» - Professor Luís Reis Torgal
Na revista Via latina de Março de 2014, publicada pela Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra, vem o artigo (pp. 14-21) que abaixo disponibilizo, em que o Prof. Luís Reis Torgal analisa o ‘percurso’ das praxes académicas e o seu significado.
Deixo-vos um excerto:
"A massificação das universidades, se tornou mais vulgares os graus, sobretudo da licenciatura e do mestrado (o que origina estatísticas de sucesso, que se costuma antes chamar “sucesso das estatísticas”), também veio reforçar a afirmação de uma elite, ainda que falsa, desenvolvendo a ideia de “doutorice”, sempre presente na mentalidade portuguesa. Por isso os estudantes — numa sociedade em crise, em que a intervenção seria mais natural — estão cada vez mais fora da acção política, como cidadania, embora possam estar mais próximos de praxes inúteis e da vida partidária das “jotas”, que lhes podem dar o emprego que a competência (quando existe) não lhes confere. Portanto, pode dizer-se que para terminar com o abuso da praxe será necessário alterar os valores da sociedade, que se guia mais pelo espectáculo (por vezes obsceno, como se verifica, por exemplo, na televisão e até na vida política) e pelo interesse do que pela ética."
Recomendo a leitura do artigo completo:
Deixo-vos um excerto:
"A massificação das universidades, se tornou mais vulgares os graus, sobretudo da licenciatura e do mestrado (o que origina estatísticas de sucesso, que se costuma antes chamar “sucesso das estatísticas”), também veio reforçar a afirmação de uma elite, ainda que falsa, desenvolvendo a ideia de “doutorice”, sempre presente na mentalidade portuguesa. Por isso os estudantes — numa sociedade em crise, em que a intervenção seria mais natural — estão cada vez mais fora da acção política, como cidadania, embora possam estar mais próximos de praxes inúteis e da vida partidária das “jotas”, que lhes podem dar o emprego que a competência (quando existe) não lhes confere. Portanto, pode dizer-se que para terminar com o abuso da praxe será necessário alterar os valores da sociedade, que se guia mais pelo espectáculo (por vezes obsceno, como se verifica, por exemplo, na televisão e até na vida política) e pelo interesse do que pela ética."
Recomendo a leitura do artigo completo:
março 17, 2014
Diz a DECO: «Factura da Sorte é "versão pimba" do Ministério das Finanças»
Desde há muitos anos que deixei de ser filiado da DECO, por motivos que não vêm ao caso.
Mas tenho que concordar com a tomada de posição do secretário-geral da Deco, que acusa o Governo de querer transformar os contribuintes em fiscais de impostos:
"Onde está aqui a sustentabilidade da economia portuguesa?"
"O sorteio é uma medida que 'descentra' a obrigação de os consumidores pagarem impostos"
"A razão de pagar impostos é para ter mais protecção social e não para participar num 'eventual' prémio de automóveis, ainda por cima topo de gama"
"Somos claramente pela obrigação de os portugueses pagarem de forma justa os impostos. Não há sociedade que possa viver sem impostos devidamente pagos e administrados, para que haja prestações do Estado na saúde, ensino ou estradas"
"Não é correcto transformar os consumidores em inquiridores e fiscais de impostos, em agentes de fiscalização"
"Este governo tem recuado muito nas prestações sociais, ao mesmo tempo que aumenta os impostos, e temos consciência que há aqui alguma contradição e que não seria este o Governo com mais condições para mobilizar as pessoas para o pagamento de impostos"
"A importância do pagamento dos impostos é um trabalho que deve ser feito nas famílias, nas escolas, nas comunidades"
E nós... pimba! Nós... pimba!
Mas tenho que concordar com a tomada de posição do secretário-geral da Deco, que acusa o Governo de querer transformar os contribuintes em fiscais de impostos:
"Onde está aqui a sustentabilidade da economia portuguesa?"
"O sorteio é uma medida que 'descentra' a obrigação de os consumidores pagarem impostos"
"A razão de pagar impostos é para ter mais protecção social e não para participar num 'eventual' prémio de automóveis, ainda por cima topo de gama"
"Somos claramente pela obrigação de os portugueses pagarem de forma justa os impostos. Não há sociedade que possa viver sem impostos devidamente pagos e administrados, para que haja prestações do Estado na saúde, ensino ou estradas"
"Não é correcto transformar os consumidores em inquiridores e fiscais de impostos, em agentes de fiscalização"
"Este governo tem recuado muito nas prestações sociais, ao mesmo tempo que aumenta os impostos, e temos consciência que há aqui alguma contradição e que não seria este o Governo com mais condições para mobilizar as pessoas para o pagamento de impostos"
"A importância do pagamento dos impostos é um trabalho que deve ser feito nas famílias, nas escolas, nas comunidades"
E nós... pimba! Nós... pimba!
março 14, 2014
Pode não ser masoquismo, senhor Presidente. Pode ser... realismo!
«Surpreende-me que em Portugal existam analistas e até políticos que digam que a dívida pública não é sustentável», afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas esta semana.
Sublinhando que os próprios credores, a comissão, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Europeu dizem que «é sustentável», Cavaco Silva questionou por que são os próprios portugueses, que são os «devedores», a dizer que não é sustentável.
«Só há uma palavra para definir esta atitude: masoquismo»
Já tive que renegociar uma dívida de uma empresa com vários credores (bancos, Estado e Segurança Social). Defendi perante os representantes desses credores (na maioria advogados) que o pagamento da dívida era insustentável e que o perdão parcial de juros seria insuficiente para a empresa poder recuperar... e pagar essa dívida aos seus credores. Quando lhes tentava mostrar que os meios libertos estimados para os anos seguintes só permitiriam liquidar, no máximo, 70% da dívida (com perdão total de juros), esses credores «consolaram-me»:
- Doutor, não seja pessimista. Vai ver que conseguirá pagar tudo...
Sublinhando que os próprios credores, a comissão, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Europeu dizem que «é sustentável», Cavaco Silva questionou por que são os próprios portugueses, que são os «devedores», a dizer que não é sustentável.
«Só há uma palavra para definir esta atitude: masoquismo»
Já tive que renegociar uma dívida de uma empresa com vários credores (bancos, Estado e Segurança Social). Defendi perante os representantes desses credores (na maioria advogados) que o pagamento da dívida era insustentável e que o perdão parcial de juros seria insuficiente para a empresa poder recuperar... e pagar essa dívida aos seus credores. Quando lhes tentava mostrar que os meios libertos estimados para os anos seguintes só permitiriam liquidar, no máximo, 70% da dívida (com perdão total de juros), esses credores «consolaram-me»:
- Doutor, não seja pessimista. Vai ver que conseguirá pagar tudo...
março 12, 2014
março 11, 2014
Machete passa ao ataque...
não sabe ainda o que fazer com a verba arrecadada.
mas para já a certeza de que a mesma não servirá
de indemnização para os Ucranianos.
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O professor Aníbal e o professor Heraba
Deslocava-me eu, tranquila e civilizadamente, para o meu local de trabalho, assumindo, como em cada dia, que o meu dia seria eu a fazê-lo, quando, ao virar de uma esquina, um jovem quilométrico, africano e de resplandecente dentadura me entregou um folhetozinho que anunciava:
«Prof. Heraba – Astrólogo Médium Africano Vidente – Prof. Diplomado – Segredo Absoluto – Grande conselheiro com 25 anos de experiência. Especialista em todos os trabalhos ocultos. Conhecido por grandes personalidades do Mundo inteiro…, etc. etc., aconselha rapidamente sobre todos os seus problemas mesmo os mais difíceis e desesperados tais como: amarração, afastamento, problemas profissionais e familiares, negócios e impotência sexual, sorte, justiça, doenças, vícios (…) Pagamento depois do resultado. (…) Trabalho honesto, sério, eficiente e rápido».
E tal arenga não pôde deixar de me suscitar uma comparação óbvia: o nosso ilustre professor Aníbal. Veja-se: vidente, 25 anos de experiência, especialista em trabalhos ocultos, conhecido por grandes personalidades… um nunca acabar de coincidências.
Ora, elucubrações não eram feitas e eis senão quando o nosso vidente de serviço à Presidência nos anuncia, sem dó nem piedade, que o sofrimento a que votaram os portugueses em geral e a grande maioria em particular deverá prolongar-se, no mínimo, até 2035!
Delapida a esperança, trucida o labor, esmaga o sonho. Portugal, até 2035, segundo o vidente – que não previdente professor de meia-tigela, ou não teria feito tantos disparates como até aqui, enquanto primeiro-ministro e presidente da República – não é lugar recomendável nem apetecível.
(Caramba, o que é que esta gente anda a beber…?)
E dei por mim, também obviamente, a imaginar o quão melhor ficaríamos se trocássemos de professor, saltando do Aníbal para o Heraba. Mal por mal e com credenciais tão idênticas, aquele só recebe depois do resultado. E, cá para nós, tenho a certeza de que tem uma dentadura em muito melhor estado.
Enfim, se conseguíssemos levar estes tipos a sério - ainda que receie aqui o tal inconseguimento da Assunção -, o que o professor Aníbal presidente disse, como e onde o disse, talvez justificasse mais um a voar de alguma apropriada janela. Mas isso foi noutros tempos. Agora todos voamos baixinho…
«Prof. Heraba – Astrólogo Médium Africano Vidente – Prof. Diplomado – Segredo Absoluto – Grande conselheiro com 25 anos de experiência. Especialista em todos os trabalhos ocultos. Conhecido por grandes personalidades do Mundo inteiro…, etc. etc., aconselha rapidamente sobre todos os seus problemas mesmo os mais difíceis e desesperados tais como: amarração, afastamento, problemas profissionais e familiares, negócios e impotência sexual, sorte, justiça, doenças, vícios (…) Pagamento depois do resultado. (…) Trabalho honesto, sério, eficiente e rápido».
E tal arenga não pôde deixar de me suscitar uma comparação óbvia: o nosso ilustre professor Aníbal. Veja-se: vidente, 25 anos de experiência, especialista em trabalhos ocultos, conhecido por grandes personalidades… um nunca acabar de coincidências.
Ora, elucubrações não eram feitas e eis senão quando o nosso vidente de serviço à Presidência nos anuncia, sem dó nem piedade, que o sofrimento a que votaram os portugueses em geral e a grande maioria em particular deverá prolongar-se, no mínimo, até 2035!
Delapida a esperança, trucida o labor, esmaga o sonho. Portugal, até 2035, segundo o vidente – que não previdente professor de meia-tigela, ou não teria feito tantos disparates como até aqui, enquanto primeiro-ministro e presidente da República – não é lugar recomendável nem apetecível.
(Caramba, o que é que esta gente anda a beber…?)
E dei por mim, também obviamente, a imaginar o quão melhor ficaríamos se trocássemos de professor, saltando do Aníbal para o Heraba. Mal por mal e com credenciais tão idênticas, aquele só recebe depois do resultado. E, cá para nós, tenho a certeza de que tem uma dentadura em muito melhor estado.
Enfim, se conseguíssemos levar estes tipos a sério - ainda que receie aqui o tal inconseguimento da Assunção -, o que o professor Aníbal presidente disse, como e onde o disse, talvez justificasse mais um a voar de alguma apropriada janela. Mas isso foi noutros tempos. Agora todos voamos baixinho…
março 10, 2014
«O Partido do 25 de Abril» - artigo de Boaventura de Sousa Santos
Suspeito que tarde ou cedo vai surgir em Portugal o partido do homem e da mulher comuns. Será a resposta política aos que, aproveitando um momento de debilidade, destruíram em três anos o que construímos durante 40.
Escrevo esta crónica da Índia, onde tenho estado nas últimas três semanas. Na década passada, a Índia foi avassalada pelo mesmo modelo de desenvolvimento neoliberal que a direita europeia e seus agentes locais estão a impor no Sul da Europa. As situações são dificilmente comparáveis mas têm três características comuns: concentração da riqueza, degradação das políticas sociais (saúde e educação), corrupção política sistémica, envolvendo todos os principais partidos envolvidos na governação e setores da administração pública.A frustração dos cidadãos perante a venalidade da classe política levou um velho ativista neo-gandhiano, Anna Hazare, a organizar em 2011 um movimento de luta contra a corrupção que ganhou grande popularidade e transformou as greves de fome do seu líder num acontecimento nacional e até internacional. Em 2013, um vasto grupo de adeptos decidiu transformar o movimento em partido, a que chamaram o Partido do Homem Comum (Aam Aadmi Party, AAP).
O partido surgiu sem grandes bases programáticas, para além da luta contra a corrupção, mas com uma forte mensagem ética: reduzir os salários dos políticos eleitos, proibir a renovação de mandatos, assentar o trabalho militante em voluntários e não em funcionários, lutar contra as parcerias público-privadas em nome do interesse público, erradicar a praga dos consultores através dos quais interesses privados se transformam em públicos, promover a democracia participativa como modo de neutralizar a corrupção dos dirigentes políticos. Dada esta base ética, o partido recusou-se a ser classificado como de esquerda ou de direita, dando voz ao sentimento popular de que, uma vez no poder, os dois grandes partidos de governo pouco se distinguem.
Em dezembro passado, o partido concorreu às eleições municipais de Nova Delhi e, para surpresa dos próprios militantes, foi o segundo partido mais votado e o único capaz de formar governo. O governo foi uma lufada de ar fresco, e já em fevereiro o AAP era o centro de todas as conversas. Consistente com o seu magro programa, o partido propôs duas leis, uma contra a corrupção e outra instituindo o orçamento participativo no governo da cidade, e exigiu a redução do preço da energia elétrica, considerado um caso paradigmático de corrupção política. Como era um governo minoritário, dependia dos aliados na assembleia municipal. Quando o apoio lhe foi negado, demitiu-se em vez de fazer cedências. Esteve 49 dias no poder e a sua coerência fez com que visse aumentar o número de adeptos depois da demissão.
Perplexo, perguntei a um colega e amigo, que durante 42 anos fora militante do Partido Comunista da Índia e durante 20 anos membro do seu comité central, o que o levara a aderir ao AAP. "Fomos vítimas do veneno com que liquidámos os nossos melhores, favorecendo uma burocracia cujo objetivo era manter-se no poder a qualquer preço. É tempo de começar de novo e como militante-voluntário de base", respondeu-me. Outro colega e amigo, socialista e votante fiel do Partido do Congresso (o centro-esquerda indiano), disse-me: "Aderi ao AAP quando o vi a enfrentar Mukesh Ambani, o homem mais rico da Ásia, cujo poder de fixar as tarifas de eletricidade é tão grande quanto o de nomear e demitir ministros, incluindo os do meu partido".
Suspeito que tarde ou cedo vai surgir em Portugal o partido do homem e da mulher comuns. Já tem nome e muitos adeptos. Chamar-se-á Partido do 25 de Abril. Será, 40 anos depois da Revolução, a resposta política aos que, aproveitando um momento de debilidade, destruíram em três anos o que construímos durante 40. O 25 de Abril é o nome do português e da portuguesa comum cuja dignidade não está à venda no mercado dos mercenários, onde todos os dias se vende o país. Será um partido de tipo novo que estará presente na política portuguesa, quer se constitua ou não. Se se constituir, terá o voto de muitas e muitos; se não se constituir, terá igualmente o voto de muitas e muitos, na forma de voto em branco. Por uma ou por outra via, o Partido do 25 de Abril não esperará pelo próximo livro de Joseph Stiglitz, Prémio Nobel da Economia, onde ele explicará como o FMI destruiu o sul da Europa com a conivência da União Europeia.
Boaventura de Sousa Santos
(Ensaio publicado na VISÃO 1096, de 06 de Março)
março 07, 2014
Análise Simbólica das Manifestações diante do Parlamento
Mais uma manifestação de descontentamento , e certamente muitas outras virão diante do Palácio de São Bento
O edifício onde funciona a Assembleia da República data do
Sec XVI.
Construído em estilo neoclássico, poucos edifícios poderiam
exprimir melhor o que existe no Homem no que toca à sua subconsciente matriz organizacional
no que ao simbolismo do Poder diz respeito.
Assente sobre a sublimação do falicismo, a fachada do edifício
replica essa eterna referência e é assim com muita naturalidade que o imóvel
transitou do seu objectivo original, mosteiro Beneditino, para sede de Poder,
mal esse Poder extinguiu as ordens religiosas, um dos braços de uma outra
expressão de Poder que na essência tende a ser sempre e apenas um.
É diante do edifício que se têm produzido ciclicamente
manifestações e é no pormenor particular do afrontamento simbólico do Poder instituído
que devemos centrar a nossa atenção.
Tecnicamente é fácil tomar o edifício se foram consideradas
as alas laterais, que estão praticamente ao mesmo nível da entrada principal. As
escadarias diante do edifício são um enorme inconveniente já que uma
pressão de
massas nas laterais empurra quem defende o edifício para os lances inferiores fazendo
perder a eficácia de uma eventual cortina de defesa.
No entanto, os manifestantes colocam-se sempre na parte
inferior das escadarias, olhando de baixo para cima para o edifício, num
alinhamento com o topo do triângulo, o Falo ancestral, o Poder.
É um momento de enorme carga simbólica. Ao colocarem-se na parte mais
baixa da escadaria, elevando o olhar, assumem a sua posição no que à pirâmide
de Poder diz respeito, reconhecendo a sua subalternidade enquanto afrontam esse mesmo Poder. Não é a tomada
do Poder que é pretendido, mas sim a contestação do mesmo, e a tomada de lances
de escada, no sentido ascensional, emerge do mais profundo do Homem no que à
sublimação para o campo do simbólico, relativamente ao fenómeno da erecção fálica
diz respeito e quanto à projecção do mesmo como expressão de força.
Se olharmos para as fotos do edifício e as suas imediações
teremos diversas perspectivas do mesmo. Vistas
as fotos mais antigas reparamos
como as escadarias, que hoje são vistas como ante-câmaras abertas do edifício,
eram apenas um ornamento externo e que uma rua dava acesso directo a um pequeno
lance de escadas à entrada principal.
O facto de terem
feito um contínuo do empedrado ligou de forma absoluta a escadaria ao edifício,
potenciando por esse motivo todas as manifestações e operações de confrontação
ao Poder.
O que o futuro nos irá trazer, só aos Deuses cabe responder,
mas os dados estão lançados, e o Homem, sendo eterno, é de forma eterna que os
dados se organizam, sempre da mesma forma, dando sempre as mesmas respostas.
E a haver acontecimento digno de nota, não será certamente pelo facto de assistirmos a manifestações.
Mas estas são certamente de levar em conta, se não se quiser consultar os oráculos.
E a haver acontecimento digno de nota, não será certamente pelo facto de assistirmos a manifestações.
Mas estas são certamente de levar em conta, se não se quiser consultar os oráculos.
março 06, 2014
Eu não consigo - tu desconsegues - ela inconsegue...
No fundo, Assunção Esteves tem razão e reflecte, porventura através de reminiscências de alguma sua cultura germanófila, o que de mais hiperbólico (des)grassa em Portugal: o inconseguimento frustracional derivado da crise, articulado com o espasmódico facto da Europa não projectar para o mundo o seu soft-power sagrado.
O Miguel do fugaz e metafísico empreendedorismo, aliás, não se expressaria melhor, quiçá alicerçado no hard-power, ainda que não menos sagrado, que um outro Miguel, mas mais Relvas, lhe conferia, ao nível da protecção lombar.
No fundo e para além das grandes metafísicas, como sempre tudo se resume a sabermos quem detém o dinheiro e, assim, o poder. E, munido de tais virtudes, consegue, mais coisa, menos coisa, o que quiser.
Já a outra malta, com fundos de maneio ao nível de subcave húmida e bafienta de prédio manhoso, quando intenta perseguir algum objectivo, não consegue. Por vezes, até, apura que desconseguiu. E outras vezes, ainda, padece de inevitável inconseguimento.
Ontem mesmo tive oportunidade de assistir a um outro inconseguimento performativo de Assunção Esteves no momento luminoso do debate, com o Passos Coelho a fazer que amuava porque Catarina Martins afirmou, em preâmbulo às questões colocadas ao senhor primeiro ministro, que ninguém acreditava na palavra dele – coisa com que eu estou tentado a concordar.
Dúbia jogada, no entanto, apesar de eu ter apreciado sobremaneira a restante diatribe da dirigente do BE, a que Passos Coelho, embirrento e embirrado, decidiu fazer orelhas moucas. É que deu oportunidade ao homem para fugir com o rabo à seringa alegando o amuo. Eis aqui um outro caso típico de inconseguimento, pois o senhor primeiro agarrou-se a esta bóia argumentativa e pulou para fora da resposta que lhe era devida à Assembleia, aliás, como a toda a nação.
Assunção Esteves conseguiu, entretanto, inconseguir numa série sequencial de atitudes frustracionais, ao divagar por aquela tormenta espumosa, sem mão nem jeito, mormente para quem esperasse dela um magistério eficaz próprio de lugar de tal relevância. Que Diabo, afinal, sempre é um dos superiores quadros da nação...
E rematou a deriva, a modos que em tércio de bandarilhas, salerosa, com uma recusa – que bons são todos os nossos governantes na recusa… –, recusando ao BE a conferência de líderes extraordinária, por eles solicitada, face a tal gritante deficiência democrática.
Em boa verdade, esta ditadura do pêessedêriado – um presidente eleito, um governo não eleito, uma maioria de conveniência e circunstância, no fundo também não eleita, uma presidente da Assembleia eleita pelos seus pares e precocemente reformada, muitos analistas televisivos e ainda mais jornalistas da cor, também nenhum deles eleitos, nem sequer pela paróquia de cada um… – está a tornar Portugal tão idêntico ao pré-25 de Abril que eu já nem sei se esta gente quer comemorar os 40 anos de Abril ou… os 40 anos e mais alguns mesitos.
Se houvesse pão em todas as mesas e – vá lá, para empurrar… – um vinhozinho à maneira, todo este inconseguimento até seria, para o país que assiste a tal cavalgada do seu futuro em lastimável Rocinante, risível, ridículo, anedótico, larachoso, até. Assim – e lá tenho eu de dar razão à senhora presidente da Assembleia da Repúbica –, é tão-só mais um inconseguimento frustracional a acabrunhar ainda mais o nosso fulgor lusitano.
«Afinal» o nosso primeiro quer manter como definitivo o que cortou «provisoriamente» em salários e pensões, argumento com que torneou os tíbios escrúpulos do Tribunal Constitucional. Tudo a bem da «estabilidade orçamental», espécie de país das maravilhas onde apenas a seita, a seitinha e a seitona se governam, desde o empregozinho de conveniência até ao grande hipermercado..
O resto da malta, que se lixe, nas suas doutas e preclaras palavras.
Quando alguém o alerta para que, assim, essas suas palavras (dele) nada valem, o homem amua. E amarra o burrinho, como dizia a minha avó. Vá lá que ainda não fez uma perrice. Mas há-de fazer.
Os «seguros» – do Partido dos Seguros, claro – oficial e oficiosamente, aos costumes dizem nada. Aliás, solidariedade «à esquerda», não ocorrerá nem com algum milagre de Fátima.
E lá vamos, de inconseguimento em inconseguimento até ao soft power sagrado final, que deve ser a modos que um paraíso intermitente que só abre portas, de quatro em quatro anos, em período pré-eleitoral.
Pessoalmente já levo mais de 60 anos disto... Vejam lá bem: ainda nem tinha arrebentado o 25 de Abril, como diria, também, a minha avozinha, esse poço de sabedoria! Arre, porra que é demais, digo eu, para parafrasear um desabafo dos tempos da negra ditadura… O que uma pessoa atura!
O Miguel do fugaz e metafísico empreendedorismo, aliás, não se expressaria melhor, quiçá alicerçado no hard-power, ainda que não menos sagrado, que um outro Miguel, mas mais Relvas, lhe conferia, ao nível da protecção lombar.
No fundo e para além das grandes metafísicas, como sempre tudo se resume a sabermos quem detém o dinheiro e, assim, o poder. E, munido de tais virtudes, consegue, mais coisa, menos coisa, o que quiser.
Já a outra malta, com fundos de maneio ao nível de subcave húmida e bafienta de prédio manhoso, quando intenta perseguir algum objectivo, não consegue. Por vezes, até, apura que desconseguiu. E outras vezes, ainda, padece de inevitável inconseguimento.
Ontem mesmo tive oportunidade de assistir a um outro inconseguimento performativo de Assunção Esteves no momento luminoso do debate, com o Passos Coelho a fazer que amuava porque Catarina Martins afirmou, em preâmbulo às questões colocadas ao senhor primeiro ministro, que ninguém acreditava na palavra dele – coisa com que eu estou tentado a concordar.
Dúbia jogada, no entanto, apesar de eu ter apreciado sobremaneira a restante diatribe da dirigente do BE, a que Passos Coelho, embirrento e embirrado, decidiu fazer orelhas moucas. É que deu oportunidade ao homem para fugir com o rabo à seringa alegando o amuo. Eis aqui um outro caso típico de inconseguimento, pois o senhor primeiro agarrou-se a esta bóia argumentativa e pulou para fora da resposta que lhe era devida à Assembleia, aliás, como a toda a nação.
Assunção Esteves conseguiu, entretanto, inconseguir numa série sequencial de atitudes frustracionais, ao divagar por aquela tormenta espumosa, sem mão nem jeito, mormente para quem esperasse dela um magistério eficaz próprio de lugar de tal relevância. Que Diabo, afinal, sempre é um dos superiores quadros da nação...
E rematou a deriva, a modos que em tércio de bandarilhas, salerosa, com uma recusa – que bons são todos os nossos governantes na recusa… –, recusando ao BE a conferência de líderes extraordinária, por eles solicitada, face a tal gritante deficiência democrática.
Em boa verdade, esta ditadura do pêessedêriado – um presidente eleito, um governo não eleito, uma maioria de conveniência e circunstância, no fundo também não eleita, uma presidente da Assembleia eleita pelos seus pares e precocemente reformada, muitos analistas televisivos e ainda mais jornalistas da cor, também nenhum deles eleitos, nem sequer pela paróquia de cada um… – está a tornar Portugal tão idêntico ao pré-25 de Abril que eu já nem sei se esta gente quer comemorar os 40 anos de Abril ou… os 40 anos e mais alguns mesitos.
Se houvesse pão em todas as mesas e – vá lá, para empurrar… – um vinhozinho à maneira, todo este inconseguimento até seria, para o país que assiste a tal cavalgada do seu futuro em lastimável Rocinante, risível, ridículo, anedótico, larachoso, até. Assim – e lá tenho eu de dar razão à senhora presidente da Assembleia da Repúbica –, é tão-só mais um inconseguimento frustracional a acabrunhar ainda mais o nosso fulgor lusitano.
«Afinal» o nosso primeiro quer manter como definitivo o que cortou «provisoriamente» em salários e pensões, argumento com que torneou os tíbios escrúpulos do Tribunal Constitucional. Tudo a bem da «estabilidade orçamental», espécie de país das maravilhas onde apenas a seita, a seitinha e a seitona se governam, desde o empregozinho de conveniência até ao grande hipermercado..
O resto da malta, que se lixe, nas suas doutas e preclaras palavras.
Quando alguém o alerta para que, assim, essas suas palavras (dele) nada valem, o homem amua. E amarra o burrinho, como dizia a minha avó. Vá lá que ainda não fez uma perrice. Mas há-de fazer.
Os «seguros» – do Partido dos Seguros, claro – oficial e oficiosamente, aos costumes dizem nada. Aliás, solidariedade «à esquerda», não ocorrerá nem com algum milagre de Fátima.
E lá vamos, de inconseguimento em inconseguimento até ao soft power sagrado final, que deve ser a modos que um paraíso intermitente que só abre portas, de quatro em quatro anos, em período pré-eleitoral.
Pessoalmente já levo mais de 60 anos disto... Vejam lá bem: ainda nem tinha arrebentado o 25 de Abril, como diria, também, a minha avozinha, esse poço de sabedoria! Arre, porra que é demais, digo eu, para parafrasear um desabafo dos tempos da negra ditadura… O que uma pessoa atura!
março 05, 2014
A «Factura da Sorte» - um erro de palmatória
No dia 17 de Fevereiro foi publicado o Decreto-Lei desta ideia peregrina, numa nova versão dos vendilhões do templo (a diferença é ser improvável que Jesus desça à terra para os expulsar).
Segundo diz o...
... ou seja, se um consumidor fizer a sua parte e pedir facturas com o seu número de contribuinte, não tem qualquer garantia de que essas facturas contem para o sorteio, pois o fornecedor pode não fazer aquilo a que está legalmente obrigado: comunicar as facturas à Autoridade Tributária.
Que tal, ahn?...
Segundo diz o...
"Artigo 5.º
Documentos elegíveis
Para efeitos do sorteio «Fatura da Sorte», são apenas elegíveis as faturas, as faturas simplificadas e as faturas--recibo que (...) tenham sido validamente comunicadas à AT, pelo emitente (...)."
... ou seja, se um consumidor fizer a sua parte e pedir facturas com o seu número de contribuinte, não tem qualquer garantia de que essas facturas contem para o sorteio, pois o fornecedor pode não fazer aquilo a que está legalmente obrigado: comunicar as facturas à Autoridade Tributária.
Que tal, ahn?...
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valores
março 01, 2014
«Argileu Palmeira de novo» - António Pimpão

Sempre que o poeta encontrava uma pessoa, nem que fosse pela terceira vez, dizia-lhe: “Já lhe dei o meu cartão”?
Também hoje em dia, quando vamos a uma gasolineira, a um hipermercado ou a um estabelecimento dos shoping não há um em que não perguntem se já temos cartão de pontos ou do estabelecimento e procuram impingir-nos um. Se acedêssemos a todas as ofertas andaríamos com a carteira mais inflada do que grávida de 8 meses.
Se fosse da área, procuraria desenvolver e comercializar um sistema do tipo cartão do cidadão para agregar num só todos os cartões que temos à disposição.
Mais recentemente, são os CTT a quererem impingir-nos bilhetes da lotaria. Enquanto que nas nossas casas podemos evitar a receção de publicidade colocando no exterior da caixa do correio uma etiqueta com os dizeres “Publicidade, não, obrigado”, nas estações dos correios não podemos evitar o “quer comprar lotaria?”, o que nos coloca na posição de antipáticos, de não colaborantes, quando recusamos. Ainda se ao menos reformulassem a pergunta para uma frase menos agressiva, do tipo “temos aqui bilhetes da lotaria, está interessado?” – vá que não vá!
Pessoalmente, tenho resolvido este assunto: elaborei um cartaz em folha A4 que tenho no carro e quando vou a uma estação dos correios levo-o comigo Ao fazer o pagamento – altura que estrategicamente aproveitam para fazer a pergunta – exibo-o com os dizeres: “Lotaria não, obrigado”.
António Pimpão
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