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março 18, 2017

"Operação Marquês", para memória futura. II

Qualquer um de nós tem direito a defesa num tribunal. Mesmo os culpados. Ou os que parecem culpados. E certamente os inocentes. Mas como é que se prepara a defesa de alguém que toda a gente acha que é culpado? É verdade que para um magistrado só o que acontece na sala de audiências deve contar, mas os juízes não vivem em redomas, sem acesso a jornais, televisões e notícias. Na semana em que terminou e foi prolongado o prazo para a acusação da Operação Marquês, o Expresso pediu a um dos maiores penalistas do país, João Nabais, para explicar como é defender alguém que já foi julgado antes do julgamento


Não é nada fácil defender um arguido que toda a gente pensa que é culpado.



E é tão fácil criar a ideia de que alguém é mesmo culpado. Especialmente se se tratar de um arguido apetecível. Um político, um banqueiro, um famoso apresentador de televisão.
Para que a construção de um culpado conveniente seja levada a bom termo basta cumprir três regras de catálogo.

Em primeiro lugar é indispensável que se trate de alguém muito conhecido e, de preferência, envolvido por uma aura de poder. Poder político, poder económico, poder no quadro social.
Depois, bom, depois é conveniente que seja dado o maior destaque possível a factos que ninguém conhece mas que ganham o estatuto de verdades se surgirem no quadro da investigação de um processo criminal e alegadamente emergentes desta.
Finalmente, é necessário que a comunicação social pegue a fundo no tema, morda até ao fundo e não largue o osso. É a comunicação social, ou, pelo menos, alguma comunicação social, que vai dar o devido destaque e a amplificação aos aspetos que escorregam da investigação para o exterior, num carrossel nada inocente e, por vezes, verdadeiramente perverso.

Uma vez criado o monstro, todos têm a tarefa facilitada e o negócio torna-se rentável. A comunicação social vende e os órgãos ligados à investigação criminal adquirem a estatura de grandes vingadores das frustrações populares e ganham, aos olhos do povo, a imagem do último baluarte na defesa da decência.

Os advogados, esses, têm de começar por resistir ao tsunami mediático e procurar o tempo e o espaço para iniciar a reunião dos elementos que permitirão compreender o que está a passar-se.
O primeiro inimigo de um advogado envolvido na defesa de um arguido premium é o acervo de informações difundidas pela comunicação social com a chancela dos gabinetes das estruturas que investigam os factos. Informações tantas vezes falsas, informações por vezes oportunamente plantadas para criar no espírito coletivo a ideia da culpabilidade de quem está a ser investigado.

A organização de uma defesa séria, competente e eficaz faz-se, nestes casos de grande agitação mediática, em contraciclo, em contracorrente.
Em casa, na rua, nos ambientes sociais e mesmo nos corredores dos tribunais é preciso estar constantemente a fazer contrainformação, a desmentir, a chamar à razão, a alertar para a falta de lógica e, por vezes, para a falta de senso de informações que são difundidas e repetidas até à náusea e que não têm, tantas vezes, qualquer aderência à realidade.
Para dificultar a vida dos advogados existem regras muito apertadas para o uso por estes da comunicação social. Face a uma avalanche de notícias alegadamente fundadas na investigação não é possível reagir no espaço público, sob pena de violação de regras deontológicas.

Nos processos gigantescos que vão engrossando todos os dias nas secretarias e nos gabinetes dos Procuradores acumulam-se milhares de extratos de contas bancárias, perícias contabilísticas, pareceres técnicos, autos de inquirições intermináveis, vasta correspondência com entidades judiciais e bancárias do mundo civilizado, análises informáticas, resmas de transcrições de interceções telefónicas, centenas de fotogramas, um mar imenso de notificações e um número incalculável de outros documentos que exigem meses, ou anos, de leitura.
Um culpado que se preze, ainda que tenha a certeza de que está inocente, deve ser logo colocado em prisão preventiva. É o perigo de fuga. É o alarme social. É a perturbação do inquérito. São abstrações. São frases feitas. São conceitos vazios. Mas acentuam a ideia de que aquele que é visado por uma investigação criminal é mesmo culpado. Não há fumo sem fogo!

O mecanismo da metamorfose de um cidadão aparentemente inofensivo em perigoso delinquente, em culpado de facto, vai necessitar, também, da ajuda de uma cuidada gestão do futuro, esse enigmático filho do tempo. É preciso que as coisas durem. É importante que a investigação demore. É bom que uma acusação formal seja antecedida de toda a sorte de especulações.

É neste segmento do processo investigatório que se abre um caminho contaminado pelo profundo desprezo pelos prazos definidos na lei. Apesar de ser claro que os inquéritos devem estar concluídos dentro de prazos rigorosamente definidos pelo Código de Processo Penal, gerou-se a perversa ideia de que, não definindo a lei concretas sansões para a ultrapassagem dos prazos, os investigadores não devem obediência ao que o legislador laboriosamente deixou escrito e podem, quase interminavelmente, estender o período da investigação até à eternidade.

O problema, gravíssimo problema, é que o arguido que nasceu logo culpado devido às circunstâncias que rodearam a divulgação pública dos primeiros factos e que se associaram, tantas vezes, a uma prisão preventiva conveniente, torna-se cada vez mais culpado por cada dia que passa e por cada história, verdadeira ou falsa, que a seu respeito é posta a correr.
É por isso que a falta de respeito pelos prazos para a elaboração e conclusão dos inquéritos judiciais é a maior ameaça aos direitos fundamentais dos arguidos e consubstancia a maior desigualdade de armas entre os defensores destes e os magistrados do Ministério Público que conduzem as investigações.
Não é nada fácil defender uma pessoa que toda a gente pensa que é culpado.

JOÃO NABAIS, ADVOGADO  Artigo publicado no Expresso.
Re-publicado por 

julho 29, 2016

o big pokébrother...

Somos, a cada passo, assaltados por uma onda de aparente palermice à qual aderem acriticamente e de imediato uma data de palermas. Por vezes tão insuspeitos (os palermas) que até podemos ser nós próprios... Aqui fica, em jeito de serviço público, uma das últimas estrondosas palermices, denunciada em texto cuja leitura muito se recomenda:

Retirado do Diário de Notícias on-line -

Pokémon Go é um passo para o totalitarismo? Oliver Stone acha que sim


Oliver Stone alerta para os riscos de fornecer os dados pessoais às grandes corporações em aplicações com o Pokémon Go.

O realizador americano criticou o jogo e os seus jogadores, que se dispõem a fornecer os seus dados a um sistema de "capitalismo de vigilância".

O Pokémon Go, o jogo da moda, é uma ferramenta de "capitalismo de vigilância" que abre caminho para uma sociedade totalitária. O alerta foi dado esta quinta-feira pelo realizador norte-americano Oliver Stone, na Comic-Con de San Diego.

O fenómeno em que se tornou este jogo para telemóveis "não tem graça", sendo uma forma de as grandes corporações conseguirem todos os dados privados dos indivíduos, numa forma de "capitalismo de vigilância", comentou o cineasta perante um painel de jovens.

"O que se vê é uma nova forma de, francamente, sociedade de robôs. É o que se chama de totalitarismo", acrescentou, citado pelo Los Angeles Times.

Stone está na convenção de cultura 'pop' de San Diego para promover o seu mais recente filme, "Snowden", sobre o ex-analista da Agência Nacional de Segurança (NSA na sigla inglesa) que foi responsável pela maior fuga de informações secretas da história americana.


Pokemon, o jogo que traz espiões para dentro de casa - entrevista a Oliver Stone:

por Sergey Kolyasnikov (@Zergulio)

Pode falar-me do "Pokemon Go"? 

Já dei três entrevistas sobre isso, de modo que agora tenho de me aprofundar nas fontes primárias. 
Programador do jogo: Niantic Labs. É uma start-up da Google. Os laços da Google com o Big Brother são bem conhecidos, mas irei um pouco mais fundo. 
A Niantic foi fundada por John Hanke, o qual fundou a Keyhole, Inc. – um projecto de mapeamento de superfícies cujos direitos foram comprados pela mesma Google e utilizados para criar o Google-Maps, o Google-Earth e o Google Streets. 
E agora, atenção, observe as mãos! A Keyhole, Inc. foi patrocinada por uma empresa de capital de risco chamada In-Q-Tel , que é uma fundação oficialmente da CIA estabelecida em 1999. 

As aplicações mencionadas acima resolvem desafios importantes: 
Actualização do mapeamento da superfície do planeta, incluindo estradas, bases [militares] e assim por diante. Outrora tais mapas eram considerados estratégicos e confidenciais. Os mapas civis continham erros propositais. 
Robots nos veículos da Google Streets olhavam tudo por toda a parte, mapeando nossas cidades, carros, caras... 

Mas havia um problema. Como espiar dentro dos nossos lares, porões, avenidas com árvores, quartéis, gabinetes do governo e assim por diante? 

Como resolver isso? O mesmo estabelecimento, Niantic Labs, divulgou um brinquedo genial que se propagou como um vírus, com a mais recente tecnologia da realidade virtual. 

Uma vez descarregada a aplicação e dadas as permissões adequadas (para acessar a câmara, microfone, giroscópio, GPS, dispositivos conectados, incluindo USB, etc) o seu telefone vibra de imediato, informando acerca da presença dos três primeiros pokemons! (Os três primeiros aparecem sempre de imediato e nas proximidades). 

O jogo exige que você dispare para todos os lados, atribuindo-lhe prémios pelo êxito e ao mesmo tempo obtendo uma foto da sala onde está localizado, incluindo as coordenadas e o ângulo do telefone. 

Parabéns! Acaba de registar imagens do seu apartamento! Preciso explicar mais? 

A propósito: ao instalar o jogo você concorda com os termos do mesmo. E não é coisa pouca. A Niantic adverte-o oficialmente: "Nós cooperamos com agências do governo e companhias privadas. Podemos revelar qualquer informação a seu respeito ou dos seus filhos...". Mas quem é que lê isso? 

E há o parágrafo 6: "Nosso programa não permite a opção "Do not track" ("Não me espie") do seu navegador". Por outras palavras – eles o espiam e o espiarão. 

Assim, além do mapeamento alegre e voluntário de tudo, outras oportunidades divertidas se apresentam. 

Por exemplo: se alguém quiser saber o que está a ser feito no edifício, digamos, do Parlamento? Telefones de dúzias de deputados, pessoal da limpeza, jornalistas vibram: "Pikachu está próximo!!!" E cidadãos felizes agarrarão seus smartphones, activarão câmaras, microfones, GPS, giroscópios... circulando no lugar, fitando o écran e enviando o vídeo através de ondas online... 

Bingo! O mundo mudou outra vez, o mundo está diferente. 

Bem vindo a uma nova era.

18/Julho/2016

· Mais de um milhão de downloads do Pokemon em Portugal

julho 11, 2016

10 de Julho com pernas para andar, correr, saltar e etc.!

- Patrícia Mamona - medalha de ouro no triplo salto 
nos Campeonatos da Europa de Atletismo 2016, em Amsterdão, 
(fotografia obtida em: https://www.publico.pt/desporto/noticia/)

Sara Moreira - medalha de ouro na meia maratona
 nos Campeonatos da Europa de Atletismo 2016, em Amsterdão.  
Jessica Augusto conquistou, nesta mesma prova, a medalha de bronze.
(fotografia obtida em: https://www.publico.pt/desporto/noticia/)

 A Selecção Portuguesa de Futebol sagrou-se Campeã da Europa
no Stade de France, em Paris, a jogar na final contra a Selecção Francesa.
 (fotografia obtida em: http://www.dn.pt/desporto/euro-2016/)

Algumas notas, mesmo só para dizer alguma coisa:

1 . No final do jogo, a Torre Eiffel não se iluminou com as cores de Portugal, ao contrário do que ocorrera em jogos anteriores, relativamente a equipas vencedoras. A Torre Eiffel deve estar a funcionar às ordens de Wolfgang Schäuble, o que não indicia nada de bom para os franceses...

2. Confirma-se que algum frio holandês relativamente a Portugal não tem incidência especial nas pernas das atletas portuguesas.

3. Congratulemo-nos pela França que, ao contrário do que dizem alguns maus-pensadores quanto ao racismo que por lá proliferará, apresentou uma selecção de futebol que quase poderíamos chamar megrebina, o que é sempre um sinal de grandeza e largueza de vistas.

4. Esperemos que a euforia que, muito legitimamente, nos inunda os corações, potencie muito rapidamente uma substancial diminuição da taxa de desemprego, acompanhada de céleres medidas de regulamentação do mercado do trabalho e melhoria geral da condição de vida dos cidadãos portugueses mais carenciados.

E, já agora, VIVA PORTUGAL!

julho 06, 2016

Um certo e determinado terrorismo

Perante os actos terroristas perpetrados contra Portugal e a nossa soberania por parte de abencerragens como Schäuble, Regling, Oettinger, Dombrovskys e companhia... uma questão assalta o meu espírito: não há tribunais europeus onde esta canalha possa ir responder pelas suas malfeitorias?

É que se não há, talvez seja oportuno resgatar Nuremberga!

junho 01, 2016

dia da criança
- escola privada – público esbulho

Já que gestores e pais sem escrúpulos se destrambelham na mobilização de crianças para manifestações de carácter absolutamente político, falacioso e oportunista, julgo ter também o direito de aqui lavrar alguns comentários a propósito:

- Com que então, se me apetecer andar num ferrari, o estado tem a pouca vergonha de NÃO me atribuir um subsidiozito para o efeito? Parece impossível! Isto já não há liberdade de escolha para um cidadão, mesmo que se vista de amarelo! Isto é, sem margem para dúvidas, um claro ataque aos meus mais elementares direitos! E, quem sabe, aos meus esquerdos, também…

Bom, como tem sido largamente difundido pelas televisões, é de vómito o argumentário dos queques defensores do ensino privado às custas dos impostos de todos.

Apetece-me sempre, nestas ocasiões, atirar-lhes para o colo com o cadáver de uma das inúmeras crianças mortas por afogamento no Mediterrâneo, por um lado porque isto anda tudo ligado e, por outro, apenas para apurarem qual o possível sentido da vida e da sua concomitante relatividade.

Um único argumento, entretanto, prevalece, subliminarmente escondido naquele argumentário: não temos pago, não pagamos e não queremos pagar! Mas queremos usufruir.

E insistem os gestores dessas escolas privadas e alguns dos papás dos meninos compulsivamente de amarelo: não nos apetece, pois, abdicar do inalienável direito de acharmos melhor que os nossos filhos usufruam de condições a que a grande parte das demais crianças não tem acesso - lá nos vão dizendo estas atrabiliárias criaturas… - e estamo-nos nas tintas para isso e para vocês! Mas queremos que nos paguem, pronto!

Assim, sim, se vê o quão socialmente solidárias são estas bizarras criaturas. E espertas que elas são, que ele, o chico-espertismo, pelos vistos campeia sem freios nestas hostes.    

- Grande lata! Então, paga-a, porra!
Não queres, antes e por exemplo, ó palerma, discutir a vida dos alunos cujos pais não têm dinheiro para os alimentar e cuja única refeição é obtida na cantina da escola?

maio 24, 2016

ainda sobre a demagogia palerma das «pobres» escolas privadas

As «pobres» escolas privadas que não irão sobreviver, as coitadas, sem os fundos sem fundo do estado, suscitam-me uma proposta, pelo menos tão demagógica e palerma como os argumentos que «elas» invocam: que tal constituírem-se numa espécie de parcerias público-privadas, mas nas quais o estado, como financiador, colhesse benefício do negócio, como mero accionista e investidor?

Ainda lhes interessaria o negócio, ou só escorrem plangências pelo «venha a nós o vosso reino»?

novembro 25, 2015

uma pergunta extemporânea e sem interesse nenhum

E, agora, consumado que seja o governo do PS com o consabido apoio parlamentar do BE, do PCP, do PEV, do PAN e, muito provavelmente, do próprio PS, a coligação PàF mantém-se para quê?

novembro 21, 2015

«Deus a falar contigo» - Espinosa

"Pára de rezar e de bater no peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. A minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso o meu amor por ti.
Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que a tua sexualidade fosse algo mau.
O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar o teu amor, o teu êxtase, a tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Pára de ler supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes ler-me num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais-me dizer como eu devo fazer o meu trabalho?!
Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... eu enchi-te de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como te posso culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso castigar-te por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar todos os meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade?! Que tipo de Deus pode fazer isso?!
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; isso são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.
Respeita o teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção à tua vida, que o teu estado de alerta seja o teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.
Eu fiz-te absolutamente livre. Não há prémios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um cartaz. Ninguém leva um registo.
Tu és absolutamente livre para fazeres da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso dar-te um conselho: Vive como se não houvesse. Como se esta fosse a tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei.
E se houver, podes ter a certeza de que Eu não te vou perguntar se foste bem comportado ou não. Eu vou perguntar-te se tu gostaste, se te divertiste... do que mais gostaste? O que aprendeste?
Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas a tua amada, quando agasalhas a tua filhinha, quando acaricias o teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?
Aborrece-me que me louvem. Cansa-me que agradeçam. Tu sentes-te grato? Demonstra-o cuidando de ti, da tua saúde, das tuas relações, do mundo. Sentes-te observado, surpreendido? Expressa a tua alegria! Essa é a maneira de me louvares.
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para quê tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, a bater em ti."
Baruch de Espinosa
in «Ética demonstrada à maneira dos geómetras (Ethica Ordine Geometrico Demonstrata)»
"traduzido do Brasilês" por Paulo Moura

novembro 03, 2015

Reflexão mórbida ou parva (do latim, pequena)

Quando alguém considera que se morre melhor quando se morre felizmente acompanhado (Aguiar-Branco incontinens dixit) ou outro alguém apresenta condolências referindo que, porque o falecido procurou Deus, este lhe dará um lugar adequado (Calvão da Silva in aqua submersu) tudo me leva a pensar que a direita portuguesa anda com uma relação estranha com a morte… ou talvez seja, apenas e sem mistério, um culto empedernido pelo disparate.

E, aqui, ocorre-me Vergílio Ferreira quando nos assinala: «afirma com energia o disparate que quiseres e acabarás por encontrar quem acredite em ti».

Depois, as gentes vão-se afeiçoando…