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outubro 07, 2016

E Agora Merkel?

O título da notícia era " E agora Merkell?"
Depois da noite Kristalina, o pesadelo esfrega os olhos e acorda.

Pois eu sinto-me impelido a estender a pergunta.
Não é só "agora Merkel". É mais, " e agora Europa?"  
A Alemanha não se importou de liquidar a Grécia para salvar a sua banca mas mesmo assim, com todos os golpes porcos e baixos, a banca Alemã não está a aguentar.
E isso porque embora sendo neste momento o fulcro da tempestade, o problema não é financeiro, é um problema de estratégia global.

Todos os bancos estão a passar pelas mesmas dificuldades, A cosmética do BES não foi exclusiva das terras Lusas e andam todos a esconder as rugas com camadas de betume.
Mas o facto é este: os bancos não podem ter receitas sustentáveis e sadias se continuarem a apostar nos mercados de títulos financeiros em vez de apostar na economia. 

Como os títulos são tretas especulativas e não criam riqueza, mais tarde ou mais cedo caem na real que é a perda de valor em bolsa, 
Vai daí a vaga de só acumular perdas com as consequentes falências de que o agora Deutsche Bank é só o próximo "senhor que se segue".

Mas os Bancos não são os únicos culpados, talvez sejam eles quem menos culpa tenha. Foram apenas no engodo de algo mais pesado, perverso e embalaram na crista da onda enebriados pela espuma constante dos aumentos de valores em título, porque a economia já não estava a gerar valor suficiente e até pior, cada vez menos valor...


Ir de Lisboa ao Porto de comboio é ver isto durante Km...
Enquanto não houver uma forte reversão de estratégia e deixar de se produzir na China o que se poderia e deveria produzir cá, criando riqueza e emprego, em vez de encerramento de empresas, iremos de mal a pior. E os Alemães armados em espertos a pensar que o mal só acontecia aos outros, estão agora beber do veneno que fizeram os outros tomar.  

Mas isso não é motivo de regozijo, mas sim de profunda preocupação. Está mais do que na altura de se entender o fenómeno não como mais um "episódio normal" numa economia aberta, como aparentemente Merkel pretende fazer passar, mas antes como um sinal de alarme de prioridade vermelha para que se proceda a uma viragem profunda e imediata.



junho 08, 2016

«Caixa... é Caixa» - António Pimpão

De há uns tempos a esta parte que a comunicação social, alinhada com o governo, vem plantando notícias sobre a necessidade de capitalizar a CGD, sendo a EU apresentada como o mau da fita, por não consentir que o estado intervenha para capitalizar empresas públicas, por isso constituir uma forma de as subsidiar.
Finalmente – e como seria de esperar, pois já estamos suficientemente anestesiados com essas sucessivas notícias – a mesma comunicação social adianta que “Bruxelas dá luz verde a linhas gerais da recapitalização da CGD”.
Ora, iniciar a discussão deste assunto a partir da constatação da necessidade de a CGD ter que ser capitalizada é mistificador, pois se está, dessa forma, a passar uma borracha sobre as causas que conduziram a esta situação.
Não questiono que a CGD esteja descapitalizada e que, face à necessidade de cumprir determinados rácios e, até, por razões prudenciais, precise urgentemente de ver reforçados os seus capitais próprios, via aumento do capital social, que só o estado pode fazer por ser o seu único acionista.
Mas o que me causa indignação e mal estar é pensar nas causas que sistemática e convergentemente têm conduzido ao empobrecimento do banco, sem que qualquer dos gestores ou algum dos membros do governo acionista seja responsabilizado pelo estado a que isto chegou.
A CGD é o banco mais estatista, mais rígido, menos amistoso e mais caro do sistema bancário nacional. É o que, por um lado, cobra comissões mais elevadas e, por outro, o que mais colabora e facilita a vida aos grandes empresários, a quem sempre vem servindo de bengala, sendo, por isso, forte com os fracos e fraco com os fortes.
A CGD tem 19 administradores, todos eles muito bem remunerados. Para quê tanta gente a mandar? Mas o mais grave é que, quando abandonam a administração, independentemente do tempo em que exerceram funções, passam a auferir uma pensão de reforma igual ao seu vencimento, que é suportada pelo fundo de pensões, ou seja, pela própria Caixa (lembro a polémica a respeito da pensão de reforma de Mira Amaral, cujo direito foi adquirido ao fim de um ano de administrador).
As administrações da CGD não chegam a aquecer o lugar, não me lembrando de que algum dos seus membros tenha sido reconduzido. Em consequência, nestes 40 anos de democracia já devem ter por ali passado cerca de 300 administradores, todos eles a receber ainda opíparas pensões de reforma.
Os trabalhadores da CGD (e também os do Banco de Portugal) reformam-se aos 60 anos, contra 65 nos restantes bancos e atividades.
Apesar das elevadas comissões e taxas de juro que cobra, a CGD há 5 anos que tem vindo a apresentar elevados prejuízos. Esses prejuízos refletem más decisões tomadas pela administração e pelos diretores, pelo que são inexplicáveis e inaceitáveis as remunerações e demais regalias de que beneficiam, sem que seja feita qualquer avaliação do seu desempenho. E, depois, cá estamos nós, os contribuintes e acionistas, para cobrir as falhas, sem poder fazer perguntas sobre o assunto, pois outros decidem por nós.
Desta vez, serão cerca de 4 mil milhões de euros, que é uma pipa de massa, que o estado vai aplicar na CGD, às nossas custas. Esta quantia não é determinada nem vai servir para expandir o negócio; serve, sim, para tapar o buraco aberto pelos descomunais prejuízos dos últimos anos.
A parte substancial dessas perdas resulta de imparidades, ou seja, de não conseguir recuperar empréstimos que realizou no passado ou aplicações que fez em empresas de duvidosa rentabilidade, uma vez que tem estado sempre disponível para apoiar uma classe empresarial descapitalizada quando se trata de comprar, como parceiro financiador, algumas dessas empresas, que, depois, acaba por vender na altura em que começam a ser rentáveis, assim abdicando, a favor dos parceiros, das correspondentes mais-valias (vide Cimpor, Brisa, Compal e PT, além dos empresários Berardo, Fino e outros de cariz mais especulativo)
Como diriam os ingleses: “Who cares?!!!”

António Pimpão

novembro 01, 2015

Pogrom, porque as memórias têm rosto, e não somos bons nem de brandos costumes.

Como escrevi muitas vezes, um silêncio sepulcral pesa sobre a mancha do irracional do nosso comportamento colectivo.
É tão fácil atribuir culpas a uma determinada etnia, grupo politico ou indivíduo. O irracional colectivo, a Besta humana, sempre pronta a ser conduzida por uma mão qualquer, sempre pronta a purgar pelo castigo máximo uma culpa individual qualquer que a todos prejudica.

É conhecida esta prática desde sempre. Entre os povos da Antiguidade, sempre que uma crise, uma seca, a fome se abatia sobre um aglomerado era necessário sacrificar alguém, quase sempre um ou mais jovens para que a ira dos Deuses se aplacasse e que a abundância regressasse.

Podemos dizer  hoje, que nos julgamos longe desses tempos, que não somos mais esses bárbaros. Nada mais errado, somos na essência os mesmos seres cujo comportamento basal se situa muito nos limiares da inteligência e do irracional instinto, uma mistura explosiva de onde tudo sai: a criatividade, a superstição, a efabulação, a religiosidade e finalmente a estupidez.

No entanto, se regressarmos aos tempos dos sacrifícios humanos, analisando os procedimentos sacrificiais, veremos como esses sacrifícios tinham um poderoso efeito sobre o comportamento colectivo.
A morte trágica de um inocente tinha o condão de aplacar as tensões sociais, a "culpa" tinha rosto, tinha corpo e tinha a missão suprema de já no campo do transcendente interferir sobre os humores Divinos. Em vez da culpabilização mútua entre determinados grupos, da guerra entre eles, das tragédias levadas a todo o território, um só sacrificado tinha o condão mágico de a todos unir...

Isto não nos faz lembrar nada?
De onde é que o Cristianismo bebe o básico dos seus fundamentos?
À sublimação do sacrifício supremo de um indivíduo para salvação colectiva. Facto que na Biblia está substanciado na passagem em que Abraão  vai, por ordem de Deus Pai, sacrificar o seu único filho. Salvo no último instante pelo Anjo quando Abraão estava prestes a atingir fatalmente Isaac, o seu filho. Apontando para um arbusto o Anjo indicou onde estava um carneiro para substituir a peça sacrificial.
.
******

Nenhum Anjo surgiu no entanto em 1506. Naquilo que ficou para a História como o Pogrom de Lisboa, ou a Matança da Páscoa quando uma multidão perseguiu, torturou e matou centenas de Judeus, acusados de serem a causa da seca, peste e a fome que assolavam o país. Barbaramente torturados foram queimados em Autos de Fé no Rossio, numa manifestação que brutalidade que nos enche de incredulidade, que nos enoja, que nos envergonha....
. Nove anos antes os Judeus já tinham sido obrigados por D. Manuel a serem convertidos à fé Cristã. Cristãos Novos eram a designação pela qual eram conhecidos.

 A matança teve a faísca inicial no Convento de São Domingos de Lisboa no dia 19 de Abril de 1506.
Enquanto os fieis rezavam para o fim da seca e da peste que assolavam o país, subitamente a imagem de Cristo surgiu iluminada. De imediato, o povo em epifania, atribuiu o fenómeno a uma manifestação milagrosa
de origem divina. 
Deus teria por intervenção do seu Filho na Cruz, intercedido a favor do povo.
Contudo, um Cristão Novo que assistia à celebração, reparou como a luz que iluminava  o crucifixo era afinal apenas um reflexo vindo da rua. Bastou ele fazer referência à evidência para que o povo em fúria o espancasse até à morte....
A partir daí, e nunca é demais enfatizar a responsabilidade de determinadas figuras-chave no contexto dos diversos poderes, os Frades Dominicanos incitaram com promessas de expiação de pecados e  salvação das almas, a todos que perseguissem e matassem os Judeus, culpando-os pela desgraça que o país atravessava.
Durante três dias uma tragédia, só comparável hoje ao que o Estado Islâmico perpetra, caiu sobre os desgraçados que tinham assentado em Lisboa trazendo consigo uma fé diferente. Perseguidos casa a casa,  foram capturados, corpos arrastados pelas ruas, torturados e queimados vivos.
Tudo o que de mais bárbaro o homem pode infligir ao seu semelhante, conheceu palco na capital deste pais de Brandos Costumes...
Para que conste, porque o Futuro, tem memória....

julho 28, 2015

«Dívidas» - Crónica de José Luís Peixoto

Quanto devemos aos bombeiros voluntários? Enquanto estamos aqui, preocupados com os nossos assuntos, a tratarmos daquilo que nos diz respeito, eles estão disponíveis para serem arrancados da sua vida e colocados à frente de chamas, incêndios que não foram ateados por eles, a arrasarem propriedades que não lhes pertencem. É domingo à tarde, por exemplo, e, de repente, estão num carro a alta velocidade, arrastam uma sirene desesperada ao longo do caminho. Encontram aflição quando chegam, desenrolam uma mangueira áspera e respiram golfadas de fumo que lhes mascarra as faces. Passam horas assim e, no final de tudo, a sua recompensa será assistir à desolação de um campo negro e, talvez, beber de um pacote de leite oferecido por alguém.

Há bombeiros voluntários que morrem durante esse trabalho. Quanto devemos à sua memória? Quanto devemos às famílias desses bombeiros mortos? Agora, onde estiverem, sentem a sua ausência em todos os dias. São pais, filhos, maridos, mulheres, irmãos que imaginam como seria a vida daqueles que perderam, imaginam-nos com idades que nunca chegarão a ter.

Quanto devemos aos técnicos do INEM? Quanto devemos aos enfermeiros? Quanto devemos às pessoas que recebem os doentes nas urgências dos hospitais? São poucos os que têm paciência de preencher os papéis, mas os papéis precisam de ser preenchidos.

Quanto devemos aos professores? Não sabem onde vão trabalhar para o ano, não sabem se terão trabalho. Quanto devemos aos jovens em cubículos de call-centers? Quanto devemos aos estagiários não remunerados? Quanto devemos aos vendedores com excesso de habilitações? Quanto devemos aos desempregados?

Quanto devemos aos músicos? Depois de aprenderem a tocar, passam anos a fazê-lo de borla para nosso divertimento e, garantem-lhes, para mostrar o seu trabalho. Ao fim da noite, entre o público, poucos considerarão trabalho aquilo que eles fizeram. E quanto devemos aos bailarinos? Quanto devemos às bailarinas? Quanto devemos às atrizes? De repente, colocam-nas no centro de todos os olhares, de todos os julgamentos, a troco de uma oportunidade. Uma oportunidade de quê? Uma oportunidade de uma oportunidade. Serão velhas e terão a mesma maquilhagem. Quanto devemos a todos os que trabalham para que exista teatro e cinema neste país?

Quanto devemos aos desportistas das chamadas modalidades amadoras? Levam o equipamento na mochila, vão para o treino depois do trabalho, chegam tarde a casa. Os fins-de-semana são pequenos, acabam depressa. E quanto devemos aos atletas paralímpicos? Com muita probabilidade, quando os jogos forem notícia, havemos de contar medalhas de modalidades que desconhecemos e teremos moral para exigir; diremos cinco ou seis, sem nos lembrarmos que, atrás de cada uma, está o esforço contínuo de alguém durante anos.

Já que falamos nisso, quanto devemos àqueles que têm mobilidade reduzida e que não podem sair de casa? Não há rampas, há carros estacionados em cima de passeios com buracos, não há dinheiro para comprar a cadeira de rodas adequada. São prisioneiros sem culpa formada, sem acusação, sem julgamento. Foram condenados a prisão domiciliária. Não há data marcada para o fim da sua pena.

Quanto devemos aos guardas prisionais? Estão agora atrás de muros, rodeados de ameaças. Quanto devemos aos homens do lixo? Queixamo-nos do barulho que fazem quando recolhem o nosso próprio lixo. Não queremos ser incomodados, estamos a repousar. Quanto devemos às mulheres-a-dias? Havemos de culpá-las se desaparecer alguma coisa. Quanto devemos aos coveiros?

E quanto devemos aos credores internacionais? Definiram juros e emprestaram aquilo de que não precisavam a outros que estavam aqui e que se retiraram na hora de pagar. Ficámos cá nós, não temos para onde ir. A propósito, quanto devemos àqueles que emigraram? Deixaram a família contra a sua vontade. Vimo-los partir. Sentimos a sua falta.

Afinal, quanto devemos aos bancos e às instituições económicas internacionais? Nunca lidámos com elas. Os acordos foram feitos em nosso nome mas, tantas vezes, sem o nosso conhecimento. Enquanto isso acontecia, estávamos a viver, acreditando que contribuíamos para a construção, dignidade e prosperidade do país a que pertencemos. Quanto devemos a nós próprios?

Não se trata de não pagar as nossas dívidas, trata-se de saber a quem devemos.

José Luís Peixoto
in revista Visão (23 Julho 2015)

fevereiro 21, 2015

Uma outra Troika: A Dívida, a Alemanha e o Moto Perpétuo

“Os que buscam o moto-perpétuo estão tentando obter alguma coisa a partir de nada.” 

Sir Isaac Newton



Esta roda, com pesos
fixados a braços móveis giraria sozinha
pelo efeito da gravidade
Tem sido um festival da parte dos elementos do nosso Governo, leia-se " feitores do protectorado" e de toda a sorte de comentadores alinhados com o fundamentalismo ideológico que os caracteriza, a posição da Grécia. 

Uma única coisa move os seus pensamentos: a dívida. A imensa dívida da Grécia, e como cereja no topo do bolo, o castigo colectivo imposto por não terem feito o "trabalho de casa".

Pois lamento ter de dizer que a verdade não é essa, a Grécia foi o país sob assistência financeira que mais medidas tomou, que mais destruiu a economia, seguindo as receitas da Troika e que mais viu nada dar resultado. 
Tal como cá, por mais que martelem resultados, nem se pagou a dívida, a qual cresceu assustadoramente, nem a economia acelerou a partir do nada.


A verdade é esta e é assim que funciona esta economia assente no crédito: toda a gente deve  milhares de euros a outros, e
esses outros devem ainda a outros que por sua vez devem de novo qualquer coisa a alguém que deve dinheiro à Grécia que deve dinheiro à gente. 
Isto no fundo é uma roda gigante, empurrada pelo colectivo mas que a Alemanha quer que gire em moto perpétuo. 
Ou seja, o plano dos Bosches para a Europa, é aquela coisa que gira sozinha e que quanto menos se empurra, mais roda, até ao ponto de acelerar sozinha e criar assim energia a partir do nada, que por fim iria para as tomadas das casas dos Alemães... 



E depois os outros é que acreditam em contos de crianças...






junho 04, 2014

... mas a ganância dos especuladores continua!

[Na década de 1990] "(...) os economistas faziam inveja aos físicos: os investigadores ganhavam prémios pela construção de modelos multi-dimensionais de movimentos cambiais ou de transacções de activos complexos. Esse modelos foram úteis até certo ponto, mas como não contemplavam os comportamentos gananciosos dos banqueiros, causaram desastres como a derrocada do fundo de alto risco [hedge-fund], Long-Term Capital Management ou a crise do subprime [empréstimos imobiliários subavaliados]."
Excerto de um artigo da «Visão» de 22/5/2014 sobre o livro «Capital no Século XXI» de Thomas Piketty, que muitos apelidam de «novo Marx»


Comentários meus:

1) Nos inícios dos anos 1980, quando eu estudava Economia na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, já me causavam muita confusão os modelos económicos que assumiam como pressupostos uma economia pura e perfeita, a transparência da informação e a racionalidade de todos os agentes económicos. Que eu saiba, pouco ou nada mudou no ensino da Economia, a este nível;

2) Pelo que me apercebo, os Estados (e a Europa) não fizeram nada para estancar as perdas derivadas da ganância dos especuladores. Antes pelo contrário, até alimentaram ainda mais essa espiral especulativa, ao assumirem como perdas dos cidadãos o que foram perdas de quem especulou e que estão a ser cobertas com recurso a mais impostos e menos serviços do Estado. Aliás, gostaria de ter acesso a informação concreta sobre as entidades que têm recebido os juros elevadíssimos dos créditos prestados ao Estado português. Abençoada Islândia, que fez o que deveria ter sido feito!

3) A especulação continua... os bancos não têm os seus balanços "limpos"... os paraísos fiscais continuam a deturpar tudo como buracos negros da economia mundial... e esta enorme bolha ainda não rebentou (até agora, só foi um pé a pisar um cogumelo «peido da avó»)...

Para quem quiser uma análise económica mais aprofundada e científica, tem aqui uma selecção e tradução feita pelo meu professor Júlio Mota a uma análise de Thomas Palley ao livro «Capital no Século XXI» de Thomas Piketty: parte I e parte II. Boa digestão, que eu também tive que estudar estes assuntos quando o professor Júlio Mota me deu aulas na FEUC!
Para funcionar como Rennie, têm aqui e aqui artigos que resumem o livro de Thomas Piketti. E aqui, uma leitura feita pelo Bloco de Esquerda.

junho 03, 2014

«Litania para um país pobre» - António Pimpão

Temos um mau primeiro-ministro.
Temos um mau vice-primeiro ministro.
Temos um mau governo.
Temos um mau presidente da república.
Temos um mau parlamento.
Temos um mau tribunal constitucional.
Temos uma má oposição.
Temos uma má oposição à oposição.
Temos um mau poder autárquico.
Temos um mau sistema de justiça.
Temos um mau sistema educativo.
Temos um mau sistema tributário.
Temos más corporações profissionais
Temos uma má classe empresarial.
Temos anémicos sindicatos
Temos um mau… (deixo espaço para que cada um faça o seu acrescento).
Sendo assim, como temos conseguido sobreviver? E vamos sobreviver?
Se vivêssemos ainda nos tempos do antigo testamento, já Deus teria tratado do assunto à maneira de Sodoma e Gomorra.
Disse o Senhor: “O clamor de Sodoma e Gomorra é imenso e o seu pecado agrava-se extremamente. Vou descer a fim de ver se, na realidade, a conduta deles corresponde ao brado que chegou até mim.” […]
“Abraão aproximou-se e disse: E será que vais exterminar, ao mesmo tempo, o justo com o culpado? Talvez haja 50 justos na cidade; matá-los-ás a todos? Não perdoarás à cidade por causa dos cinquenta justos que nela podem existir? […] O Senhor disse: Se encontrar em Sodoma cinquenta justos perdoarei a toda a cidade por causa deles” […]
“Então o Senhor fez cair do céu, sobre Sodoma e Gomorra, uma chuva de enxofre e fogo. Destruiu estas cidades, todo o vale e todos os habitantes das cidades e até a vegetação da terra.” (Génesis, 19)
Felizmente (felizmente?!), não somos o povo eleito.
Infelizmente, somos o povo eleitor.
E mau!

António Pimpão

maio 25, 2014

«Reflexões em Dó Maior - VII» - António Pimpão

Nem o Espírito Santo nos salva… e se salva.
É consabido que os bancos, por mais disparates e falcatruas que cometam, estão sempre a salvo de qualquer dissabor, seja financeiro seja reputacional.
Se estiverem financeiramente mal, descapitalizados, o estado põe sempre a mão por baixo e acode-lhes com o dinheiro dos nossos impostos. Se praticarem ações dolosas, o banco e a sua administração safam-se sempre e quem acaba por pagar as culpas são sempre subalternos.
O Banco Espírito Santo é um bom exemplo do que afirmo. Tem praticado toda a sorte de irregularidades e, no entanto, nunca acontece nada, ou seja, paga as multas mas segue em frente:
- nos Estados Unidos foi condenado por lavagem de dinheiro;
- em Espanha, idem;
- no Brasil, também;
- o mesmo em Angola.
- esteve envolvido no caso Portucale, de suborno de políticos para legalização de uma urbanização, com abate de sobreiros, mas apenas os seus gestores e os decisores públicos foram condenados.
- esteve envolvido na compra dos submarinos e no caso das respetivas contrapartidas mas nada se provou por a investigação ter sido feita de forma incompetente, segundo o juiz;
- Ricardo Espírito Santo esqueceu-se de declarar 6 milhões de euros de rendimentos sujeitos a IRS e isso não foi crime fiscal, limitou-se a pagar o correspondente imposto. Assim, vale sempre a pena correr o risco…
- recentemente, em 2012 – e como refere esta notícia –, adulterou a suas contas (melhor, as contas da holding familiar que detém as participações no banco) para camuflar, omitindo-os das contas, empréstimos de 1 200 milhões de euros concedidos a sociedades do grupo em situação económica difícil, isto à custa, e com risco, dos seus clientes, e, de passo, encobrir o facto de os capitais próprios da referida holding terem passado a negativo.
Confesso não entender como foi possível fazer sair o dinheiro do banco sem que, de acordo com a regra contabilística das partidas dobradas, essa saída fosse compensada com um crédito a terceiros. A menos que tenham inventado clientes fictícios para suportar este crédito. Mas, e os auditores não detetaram?!!
Não obstante a fraude envolver empresas do grupo, o seu principal dirigente afirma em entrevista, com uma candura desarmante, que ignorava o assunto e que a culpa foi do contabilista. Que terá sido mais papista do que o papa, pelos vistos. Este – o contabilista, não o papa –acabou por se demitir, imagino que após uma sessão de auto-flagelação e uma opípara indemnização.
Os hebreus, durante as cerimónias do Yon Kippur, ou da Expiação, na antiga Jerusalém, também costumavam apartar um bode do rebanho e enviá-lo para o deserto para ser ele a suportar sozinho a culpa de uma calamidade ou crime de toda a comunidade. É o chamado “bode expiatório”. A história é, pois, já muito antiga. E resulta!
E, no entanto, Ricardo Salgado prossegue incólume e limpo por fora, como se nada de mal tivesse acontecido, sendo olhado como a personalidade mais importante do regime. Foi-o, seguramente, no governo Sócrates e Manuel Pinho.
Assim vai o mundo!...

António Pimpão

maio 06, 2014

«Dívida Pública Europeia - O grande truque!»

"Dívida Pública - David Copperfield não faria melhor! Neste vídeo com pouco mais de três minutos, temos a explicação de uma forma simples, que até uma criança consegue entender! Não são necessários grandes debates com economistas e políticos com palavras caras sobre esta matéria! Infelizmente ainda existe muita gente que anda alienada a falar de políticos, partidos e eleições, que não consegue ver um boi a dois palmos do nariz! Ainda acreditam que os coelhinhos e as pombitas habitam na cartola do mágico!"

maio 02, 2014

«Reflexões em Dó Maior» - António Pimpão

O governo acaba de anunciar que vai aumentar o IVA em 0,2% e a TSU dos trabalhadores em 0,25%.
Já nem vale a pena perder tempo a invocar que ainda há poucos dias vários ministros nos diziam que não iria haver mais aumentos de impostos. Aos governantes, aos políticos, já os conhecemos de ginjeira, já sabemos que são pessoas sem palavra!...
Desta vez, o governo argumenta, em sua defesa, através do PM e do vice-PM, que não há aqui qualquer aumento de impostos atendendo a que a receita resultante não vai para o Estado, antes se destinando ao pagamento das pensões dos reformados. Como se as pensões não estivessem a ser pagas com os impostos dos trabalhadores e das empresas!...
Lamento, mas é um argumento que só pode ser invocado se o governo nos tomar por parvos e ignorantes, ou se nós o estivermos a ser.
Com efeito, não colhe dizer que não há aumento de impostos quando a correspondente receita tem uma finalidade específica. Isso seria o equivalente a dizer que não se pode falar em aumento de impostos quando são agravados e a sua receita se destina a pagar as PPP ou a pagar juros da dívida ou a cobrir o deficit das empresas públicas, etc, etc. Há aumento de impostos sempre que as pessoas passam a pagar mais imposto, como é o caso.
Uma questão diferente e que merece análise é se se justificava que houvesse um aumento de impostos para garantir a sustentabilidade das pensões. Em minha opinião, isso não se justifica.
Estando as pensões a ser pagas com a receita obtida em cada ano das contribuições diretas e indiretas dos trabalhadores ativos e sendo esta contribuição insuficiente, então seriam as pensões que deveriam baixar. De outra forma, está-se a sobrecarregar ainda mais os atuais trabalhadores no ativo, para sustentar as pensões em pagamento, sem que se possa garantir a sustentabilidade das pensões que irão receber quando mais tarde se reformarem.
Bem sei que esta questão das pensões é delicada, que a sua fixação criou legítimas espectativas aos reformados, mas há que, de uma vez por todas, encarar a questão de frente e com realismo: as atuais pensões foram estabelecidas quando a economia estava em permanente crescimento, quando a esperança de vida era baixa, quando os rendimentos eram mais elevados e quando havia mais pessoas a contribuir para a segurança social (e caixa geral de aposentações) do que a beneficiar de pensão. Tendo-se tudo isto alterado profundamente, sempre no mesmo sentido negativo, não é realista continuar a invocar os direitos adquiridos e as espectativas criadas. É claro que já há muito se deveria ter mexido no sistema, se deveria ter corrigido a trajetória, mas os políticos são vendedores de ilusões, pessoas sem realismo, sem conhecimentos e sem coragem. Tenho dito!

António Pimpão

abril 21, 2014

«Aquilo que eu não fiz» - Tiago Bettencourt



Eu não quero pagar por aquilo que eu não fiz
Não me fazem ver que a luta é pelo meu país
Eu não quero pagar depois de tudo o que dei
Não me fazem ver que fui eu que errei

Não fui eu que gastei
Mais do que era para mim
Não fui eu que tirei
Não fui eu que comi

Não fui eu que comprei
Não fui eu que escondi
Quando estavam a olhar
Não fui eu que fugi

Não é essa a razão
Para me querem moldar
Porque eu não me escolhi
Para a fila do pão
Este barco afundou
Houve alguém que o cegou
Não fui eu que não vi

Eu não quero pagar por aquilo que eu não fiz
Não me fazem ver que a luta é pelo meu país
Eu não quero pagar depois de tudo o que dei
Não me fazem ver que fui eu que errei

Talvez do que não sei
Talvez do que não vi
Foi de mão para mão
Mas não passou por mim
E perdeu-se a razão
Todo o bom se feriu
foi mesquinha a canção
Desse amor a fingir
Não me falem do fim
Se o caminho é mentir
Se quiseram entrar
Não souberam sair
Não fui eu quem falhou
Não fui eu quem cegou
Já não sabem sair

Meu sonho é de armas e mar
Minha força é navegar
Meu Norte em contraluz

março 14, 2014

Pode não ser masoquismo, senhor Presidente. Pode ser... realismo!

«Surpreende-me que em Portugal existam analistas e até políticos que digam que a dívida pública não é sustentável», afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas esta semana.
Sublinhando que os próprios credores, a comissão, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Europeu dizem que «é sustentável», Cavaco Silva questionou por que são os próprios portugueses, que são os «devedores», a dizer que não é sustentável.
«Só há uma palavra para definir esta atitude: masoquismo»

Já tive que renegociar uma dívida de uma empresa com vários credores (bancos, Estado e Segurança Social). Defendi perante os representantes desses credores (na maioria advogados) que o pagamento da dívida era insustentável e que o perdão parcial de juros seria insuficiente para a empresa poder recuperar... e pagar essa dívida aos seus credores. Quando lhes tentava mostrar que os meios libertos estimados para os anos seguintes só permitiriam liquidar, no máximo, 70% da dívida (com perdão total de juros), esses credores «consolaram-me»:
- Doutor, não seja pessimista. Vai ver que conseguirá pagar tudo...

fevereiro 19, 2014

«Portugal, herói surpresa para o Financial Times» - António Pimpão

Ultimamente estamos a ser inundados com notícias com indicadores positivos sobre a situação económica portuguesa, de que o governo se tem aproveitado para se promover.
Oxalá os indícios desses indicadores se concretizem e que as coisas melhorem no futuro, embora o mais provável, mesmo que isso ocorra, é que as próximas eleições levem os nossos políticos a, mais uma vez, nos atirarem alguns cobres para o bolso, mera cosmética, e mais poeira para os olhos. E, a seguir, voltamos a estar como há 3 anos.
Por mim, ainda dou um moderado crédito a esses indicadores e dou mais, muito mais, ao que pessoalmente sinto, como é o caso da crescente carga dos impostos, que se vão agravar mais este ano, indiferentemente à melhoria dos indicadores, da inexistência de qualquer reforma do estado, apesar dos cortes e do guião, do desemprego, cujos efeitos são dramáticos, sobretudo para casais ambos desempregados, das vozes que de todo o lado vão reclamando mais despesa do estado.
Mas o que de todo não consigo compreender é que o governo continue a ser o único ator sobre o palco, sem que se note, ainda que moderadamente, a ação de uma oposição forte. Bem sei que não é fácil fazer-se oposição, mas se ela não se nota em período de crise o que poderá fazer quando as coisas estiverem realmente melhor?
O que esperaria era que o PS se fizesse eco do geral descontentamento das pessoas e se fizesse ouvir com propostas alternativas. Infelizmente, o PS falante entretém-se a reclamar, por exemplo, que Sines se transforme numa plataforma intercontinental (como se para os navios com carga para o centro da europa não fosse mais prático e económico continuarem a fazer as suas descargas em portos como o de Hamburgo, em vez de o fazerem em Sines e depois a mercadoria seguir por comboio para a Alemanha, Holanda, etc) ou que se criem tribunais especializados para grandes empresas que cá se instalem.
Infelizmente – e os meus amigos do PS que me perdoem a franqueza, mas é o que sinto – António José Seguro quando não diz banalidades está a dizer banalidades. Não é nada convincente.

António Pimpão

fevereiro 13, 2014

«Paga, Zé!» - António Pimpão

No meu post anterior, a que dei o título de SOVITEJBO, referi que o IFCP – Instituto de Gestão do Crédito Público era um dos principais interessados no agravamento da dívida pública, por ser remunerado pelo governo português com uma permilagem calculada sobre o montante dessa dívida. Mas não será o único interessado.
Referi ainda que, estranhamente, o governo português, através do referido IGCP, mantinha uma almofada de dez mil milhões de euros em excedentes de tesouraria, para cuja constituição foi necessário recorrer a empréstimos e sobre a qual se está a pagar juros a uma taxa superior a 5%.
Afinal, eu estava enganado. De acordo com esta notícia, essa almofada não é de 10 mil milhões mas, sim, de 20 mil milhões de euros e a sua manutenção implica o pagamento de 50 milhões de euros em juros por mês. Ou seja, 600 milhões por ano. Ou seja, ainda, várias vezes o custo ESTIMADO do Metro Mondego, por exemplo. Este excedente de tesouraria representa quase 30% do valor do resgate da troika, aquando do acordo tripartido. Que exagero!
Em 2013 e em 2014 o governo português procedeu a 4 emissões de dívida que atingiram o montante global de 11 mil e 600 milhões de euros. Se não fosse para criar a referida almofada, não teria sido necessário, afinal, recorrer a novos empréstimos, nem no ano passado nem neste ano.
Ainda de acordo com a notícia do Público que venho comentando, os economistas Paulo Trigo Pereira e João Duque são contra a existência desta almofada ou excedente de tesouraria, o que subscrevo inteiramente.
O principal argumento para o recurso à referida almofada é que isso dá um bom sinal aos mercados e é um bom indicador para Portugal não precisar de recorrer a um segundo resgate ou a um programa cautelar quando, em maio próximo a Troika concluir o programa de ajustamento. Isto parece conversa de remediado que gasta o que tem e o que não tem só para impressionar a vizinhança. Mas a que custo!
Não consigo vislumbrar qual o problema em assinar um novo programa cautelar, desde que isso implicasse a fixação de objetivos sérios para a reforma do estado e o pagamento de juros mais baixos. Sem esse programa, é certo e sabido que mais nada se reformará – mesmo com o programa em vigor as reformas foram quase nulas – e que os juros da dívida serão muito mais elevados.
Quem acha que Portugal não deveria subscrever novo acordo com os credores internacionais são os administradores da banca, como o afirmou ontem o presidente do Santander.
Enquanto os economistas defendem que Portugal deveria subscrever novo acordo e reduzir a almofada financeira, a banca defende exatamente o contrário. E o governo vai fazer o quê? Não custa adivinhar: servir a quem serve, naturalmente.

António Pimpão

fevereiro 12, 2014

«SOVITEJBO» - António Pimpão

O título desta crónica não se refere a algo relacionado, por exemplo, com a Eslovénia nem tão-pouco com possível organismo criado para supervisionar o rio Tejo.
O título é apenas a palavra OBJETIVOS, ao contrário. Também ao contrário são fixados objetivos a organismos ou instituições do estado.
O exemplo que trago hoje respeita ao Instituto de Gestão do Crédito Público, dirigido pelo jovem Moreira Rato, a quem compete gerir a dívida pública portuguesa. É, pois, este Instituto que avalia as necessidades de financiamento da república, define o montante, o momento e os intermediários a que recorrer para colocar a dívida, faz a opção entre recurso a investidores nacionais ou internacionais e ao pagamento da dívida e respetivos juros. Sobretudo destes. É ainda quem define e gere aquilo que poderíamos considerar como uma almofada de meios financeiros a utilizar em períodos futuros, servindo estes ainda para acorrer a imprevistos, dificuldades ou demoras em obter novos empréstimos. Este Instituto dispõe de autonomia financeira mas as suas receitas provêm integralmente de dotações do estado.
Estranhamente, o valor destas dotações orçamentais não é calculado em atenção à estrutura dos recursos humanos e materiais do organismo e correspondentes necessidades financeiras. Pelo contrário, o valor das dotações encontra-se indexado ao montante da dívida pública portuguesa, correspondendo a 0,1 a 0,15 do seu quantitativo. Por exemplo, em 2012 recebeu do estado uma dotação de 17,5 milhões de euros, o que representou um aumento de 17,4% relativamente ao ano precedente.
Quer isso dizer que quanto maior for a dívida portuguesa, mais este organismo recebe do estado. E o que recebe terá pouco a ver com as suas necessidades.
Assim sendo, que mensagem é que esta forma de estabelecer dotações orçamentais pode transmitir a quem dirige o organismo?
Desde logo, que quanto mais elevada for a dívida maior será a dotação.
Depois, quanto mais elevados forem os juros, mais necessidade de financiamento existe e maior é a dívida.
A seguir, quanto mais elevada for aquela almofada maior é necessidade de pedir emprestado e maior é a dívida.
E, finalmente, nenhum estímulo há à racionalização dos serviços uma vez que, face à abundância de receitas, o mais plausível é aumentar as despesas em pessoal, em luxos, em remuneração dos dirigentes – o presidente tem um vencimento mensal superior a 10 mil euros - em coisas não essenciais, já que o dinheiro abunda e é dado pelo governo.
Tem mais: estas despesas suportadas com o IGCP, tais como as de intermediação na colocação da dívida pública, que são elevadíssimas, são incluídas, em contabilidade pública, na rubrica de juros, aumentando estes e deixando de pesar nos gastos gerais do estado. Este procedimento é contrário aos princípios gerais do registo contabilístico, que obrigam à classificação das despesas de acordo com a sua natureza e, não, com a sua finalidade.
Em conclusão: a forma como o Instituto é “remunerado” é a antítese daquilo que deveria ser, uma vez que dá sinais opostos ao que deveria.
Isto talvez ajude a compreender a existência da tal almofada, da ordem dos 10 mil milhões de euros (não é engano) que, embora não utilizados nem indispensáveis, exigiram que se tivesse que recorrer a empréstimos.
Claro que a responsabilidade pelo sucedido não é do presidente mas do político que fixou esta forma de dotação e daquele a quem competiria monitorizar a situação e não o faz, apesar do desmando.
Aliás, segundo notícias de hoje, dia em que se recorreu a mais um pedido de empréstimo de 3,5 mil milhões de euros, esta quantia destina-se a cobrir as necessidades financeiras dos primeiros meses do próximo ano!!!
Faz sentido este procedimento? Não era preferível aguardar até perto do fim do ano e, então, sim, pedir o dinheiro, passando a pagar juros só daí em diante?! Se se tratasse de uma empresa ou de uma família, seguramente não iriam criar uma almofada deste tipo nem deste montante, com as devidas proporções, quando os juros são tão elevados.
Sinais errados como este são, por exemplo, o de financiar as universidades em função do número de alunos. Isto convida a instituição a preocupar-se pouco com os chumbos, a ser laxista na definição das cadeiras nucleares de acesso, eliminando a matemática, a, sobretudo, formar “dux veteranorum”.

António Pimpão

fevereiro 08, 2014

«O assalto aos reformados»

Dívida pública - a maior fraude da história da humanidade!

"O governo não pode ser autorizado a contrair empréstimos - nem um cêntimo - nunca mais, de ninguém! Os bancos são empresas e requer-se às empresas que maximizem os seus lucros. O que isso significa? Isso significa que os bancos NUNCA terão como objetivo o interesse público! É impossível para eles funcionar para o interesse público! Portanto, não podemos dar-lhe o poder do dinheiro."

Palestra completa aqui.

"Palestra de Bill Still na conferência do IFSS (Fórum Internacional sobre Sistemas Financeiros) em Istambul, Turquia (2013.09.12).
Bill Still é um ex-editor e redactor de jornal. Escreveu para os jornais USA Today, The Saturday Evening Post, the Los Angeles Times Syndicate, OMNI magazine, etc. Escreveu 22 livros e dois vídeos documentários.
Em 1996 produziu o documentário aclamado "The Money Masters / Os Mestres do Dinheiro" (www.themoneymasters.com) que previu os eventos económicos que estão apenas a começar a acontecer. Coordenado pelo economista vencedor do prémio Nobel Milton Friedman, este é considerado o trabalho clássico sobre a reforma monetária."