novembro 24, 2015
novembro 23, 2015
e o senhor doutor Cavaco Silva, Aníbal, insiste, insiste...
Fica uma vez mais provado que um dos problemas que aflige este País é a incompetência atroz dos seus gestores.
O senhor em funções de presidente da República quer mais esclarecimentos do senhor António Costa. O senhor de Boliqueime considera assisado o que assisado não é.
O governo proposto é do PS. Ponto final, aqui.. e já vai para dois meses.
Depois, vem a consideração de que tal circunstância conta com o apoio parlamentar de vários partidos.
Não é um governo de uma qualquer coligação, chiça! É - vou dizer outra vez - um governo do PS. No caso, com garantias de apoio parlamentar maioritário.
Se será, em futuro mais ou menos longínquo, estável ou não esta solução governativa é coisa que não pertence às competências do senhor de Boliqueime nem de qualquer outro senhor que ocupe as mesmas funções.
Será, tão-só, do foro íntimo e estrito das forças políticas envolvidas o relacionamento, presente e futuro, qualquer que ele venha a ser, que manterão entre si. Se não se entenderem, cairá o governo. Ou não será assim? O que é que não se percebe, aqui chegados?
Por outro lado, se, um destes dias, o BE ou o PCP obtiverem uma maioria parlamentar em eleições, o que é que o senhor de Boliqueime faria se ainda cá morasse? Uma birra, a bater com as chancas no chão? Uma raivinha de dentes? Dar-lhe-ia uma sulipampa, quiçá o badagaio?
Mas que raio de abetardas nos vão caindo na sopa...! E é que, depois, com as asas ensopadas, não levantam voo nem por um decreto!
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falácias,
opinião,
pensamento crítico
Há um Terror Maior...
Estamos assistindo, sobressaltados, a um dos males mais incompreendidos da Humanidade: A matança em nome do Ódio! Um Ódio camuflado de "amor" a alguma "coisa".
A cada segundo àquelas atrocidades, certamente milhões se perguntavam: quem somos, imperfeitos mortais, para decretarmos Pena de Morte, indiscriminadamente, em nome de uma Fé?
Mas há um outro tipo de Terror, que nos rodeia, tão maléfico quanto aquele que está deixando rastros nas vidas de tantas famílias enlutadas, mundo afora.
É um Terror assintomático. Cresce, de forma incipiente, mas nada percebemos. Ou fingimos não percebê-lo. Estamos ocupados demais com o nosso trabalho; com o dia a dia no salão de beleza; em adquirir um novo smarphone e tantas coisas que poderiam vir em segundo plano. Filhos sendo concebidos apenas por prazer, mas sem Amor. Filhos sendo trocados pela droga; pelas prisões; por outros relacionamentos que logo adiante também se desfazem.
Tenhamos a Família como nossa prioridade. Devemos estar atentos aos primeiros indícios de rebeldia incontrolada, e à dificuldade de impor limites e de distribuir obrigações.
Por outro lado, quando o Estado finge que não existe a periferia; que teima em afirmar que inexiste a diferença entre ricos e pobres; que aplica suas leis de forma desproporcional e injusta; que assola seu povo à miséria, privando-os dos seus direitos básicos de sobrevivência; que veda os olhos diante de uma corrupção que enlameia a educação, a alimentação, e até os rios, nossas fontes de riqueza... de alguma forma está criando descontentamento, e enfraquecendo a mente daqueles que poderiam apoiar esse mesmo Estado, quando aviltada a sua Soberania.
Um Estado falido, com cenários de insegurança, onde prevalecem o conflito, as opressões econômicas, a extrema pobreza e a fome são armadilhas perfeitas para algumas "religiões", que prometem, muitas vezes, preencher essa carência do Estado, oferecendo redes de proteção e chances de ascensão social.
Um Estado falido, com cenários de insegurança, onde prevalecem o conflito, as opressões econômicas, a extrema pobreza e a fome são armadilhas perfeitas para algumas "religiões", que prometem, muitas vezes, preencher essa carência do Estado, oferecendo redes de proteção e chances de ascensão social.
E jamais esqueçamos!
Em nome da Paz muitas "religiões" deixaram um banho de sangue em guerras, crimes e tantas atrocidades cometidos contra a Humanidade. Em nome das divindades supremas, o homem vem se matando há milhares de anos.
Cuidemos, também, desse Terror - na mesma dimensão - dentro de nossos lares. Em lugar do Respeito, do Zelo, da Admiração, do Companheirismo, as pessoas estão se alimentando de Ódio, e explodem a cada "não!". Foram acostumadas a interpretarem erroneamente o sentido exato de Liberdade.
É deste Terror maior que tenho medo. Porque ele dará lugar lugar a uma morte que não mata de imediato. É uma morte devagar. Os ossos do corpo assistem, diariamente, a carne se deteriorando. Enfraquecendo. E a mente, vulnerável, já não se sente forte para combater qualquer mal.
Nada substitui o Amor
(Imagem: Internet)
Mamãe Coruja
novembro 22, 2015
testemunhas...
afirmam que Cavaco recorreu ontem aos serviços de um conhecido vidente de Stª Comba
Raim on Facebook
novembro 21, 2015
«Deus a falar contigo» - Espinosa
Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. A minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso o meu amor por ti.
Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que a tua sexualidade fosse algo mau.
O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar o teu amor, o teu êxtase, a tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Pára de ler supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes ler-me num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais-me dizer como eu devo fazer o meu trabalho?!
Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... eu enchi-te de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como te posso culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso castigar-te por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar todos os meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade?! Que tipo de Deus pode fazer isso?!
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; isso são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.
Respeita o teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção à tua vida, que o teu estado de alerta seja o teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.
Eu fiz-te absolutamente livre. Não há prémios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um cartaz. Ninguém leva um registo.
Tu és absolutamente livre para fazeres da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso dar-te um conselho: Vive como se não houvesse. Como se esta fosse a tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei.
E se houver, podes ter a certeza de que Eu não te vou perguntar se foste bem comportado ou não. Eu vou perguntar-te se tu gostaste, se te divertiste... do que mais gostaste? O que aprendeste?
Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas a tua amada, quando agasalhas a tua filhinha, quando acaricias o teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?
Aborrece-me que me louvem. Cansa-me que agradeçam. Tu sentes-te grato? Demonstra-o cuidando de ti, da tua saúde, das tuas relações, do mundo. Sentes-te observado, surpreendido? Expressa a tua alegria! Essa é a maneira de me louvares.
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para quê tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, a bater em ti."
Baruch de Espinosa
in «Ética demonstrada à maneira dos geómetras (Ethica Ordine Geometrico Demonstrata)»
"traduzido do Brasilês" por Paulo Moura
novembro 20, 2015
novembro 19, 2015
novembro 18, 2015
Paris, 13 de Novembro de 2015
não há céu nem mar
nem tanto azul
nesse tanto sangue rubro derramado
nem nos fica tanto assim
lá para o sul
a urgência do saber ser solidário
é tão rubro e é tanto o sangramento
desse jovem que estilhaços dilaceram
que o horizonte todo ele se avermelha
e inflama um olhar tão sempre à espera
e o sangue é igual nessa corrente
sem ter cor de pele
nem rosto
nem idade
e é um rio
que se espraia numa rua
qu’inda há pouco era o centro da cidade
é um rio
cujas margens em vertigem
nos fazem soar ao longe
na nascente
de Brecht
um poema recorrente:
Do rio que tudo arrasta se diz que é violento.
Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem
mas nem tudo é sempre igual
que tudo muda
só nos resta perceber
o que é diferente…
nem tanto azul
nesse tanto sangue rubro derramado
nem nos fica tanto assim
lá para o sul
a urgência do saber ser solidário
é tão rubro e é tanto o sangramento
desse jovem que estilhaços dilaceram
que o horizonte todo ele se avermelha
e inflama um olhar tão sempre à espera
e o sangue é igual nessa corrente
sem ter cor de pele
nem rosto
nem idade
e é um rio
que se espraia numa rua
qu’inda há pouco era o centro da cidade
é um rio
cujas margens em vertigem
nos fazem soar ao longe
na nascente
de Brecht
um poema recorrente:
Do rio que tudo arrasta se diz que é violento.
Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem
mas nem tudo é sempre igual
que tudo muda
só nos resta perceber
o que é diferente…
novembro 16, 2015
Um caso (elementar) de desonestidade intelectual
Declaração de interesse: sou um
espectador atento e interessado do Governo
Sombra.
Democraticamente, de um João
Miguel Tavares (JMT) ouço atentamente o argumentário elaborado e bem
arquitectado, ainda que errático e com frequência inconsistente. E isto é digno
de registo apenas porque a personagem não é um humorista, como o Ricardo Araújo
Pereira (RAP), mas um dos incontáveis opinion
makers (que melhor seria chamar-lhes opinion
shakers), em que, muito, muito, modestamente até eu me incluo, que mais não
seja neste recanto opinativo que partilho, com gosto e com gozo, do blog
Persuacção.
Ora, um comentário político não é
mera pilhéria. É coisa para levar a sério, mesmo quando emitida com boa
disposição em redor…
Vem isto ao caso de que, na sua mais
recente emissão, e a propósito da crítica jocosa e inteligente que RAP fazia ao «desafio»
alienígena de Passos Coelho para uma abstrusa revisão constitucional, JMT
contrapôs – subliminarmente, é certo, mas com insistência, por três ou quatro vezes,
ou seja, deliberadamente e com vontade de marcar presença – à argumentação
crítica de RAP o «facto» de também Vasco Lourenço ter proposto uma revisão
constitucional, esta para a possível destituição do Presidente da República.
A insistência de JMT, por demais
óbvia, levou até RAP a referi-la, expressamente, por se ter sentido coagido a
comparar ambas as propostas em pé de igualdade, em termos de disparate.
Ora, o que Vasco Lourenço disse
sobre a proposta de Passos Coelho foi e cito:
Naquilo
que considero uma tentativa de levantamento popular da chamada “maioria
silenciosa”, vem agora Passos Coelho propor uma revisão da Constituição da
República, oportunista e casuística, para abrir a hipótese de dissolução da AR
e de convocação de novas eleições.
Como
qualquer constitucionalista honesto explica liminarmente, tal hipótese é
totalmente impossível e impraticável.
O
que torna o simples levantamento dessa hipótese numa provocação desesperada e
sem sentido.
Mas
se, por absurdo, o golpe frutificar, sugiro e desafio tais personagens
que aproveitem para incluir na Constituição uma norma que permita a destituição
do PR. Solução que poderá passar pela convocação de um referendo, sob proposta
de um número mínimo de eleitores (15.000, para imitar o máximo admitido para
uma candidatura a PR ) - fim
de citação e os sublinhados são meus. Só a um lobotomizado poderá escapar a
ironia, ainda que agreste.
Como tenho a ideia de que JMT,
para além de escrever, sabe ler, a sua descontextualização daquilo que foi
escrito por Vasco Lourenço, esgrimido depois como disparate do mesmo calibre do
de Passos Coelho é um caso de elementar desonestidade intelectual.
Agravado pelo facto de ter
obrigado – é o termo – o seu companheiro de painel a assumir uma posição
errada, em programa de grande audiência.
Espero que Ricardo Araújo Pereira
lhe ferre a canelada devida em futuro programa, tão-só por uma razão elementar:
- a ética! Para além de elementares regras de convívio.
Não falando em minudências do
tipo do direito ao bom nome e da reputação, ainda que, sobre direitos
constitucionais, já saibamos que é matéria em que a direita tem tendência a despistar-se
um pouco.
Já agora, um ligeiro comentário
mais: mesmo que houvesse um pingo de verdade no que JMT disse – o que não é o
caso, como resulta claro –, subsiste uma ligeiríssima diferença entre os
cidadãos envolvidos: um é o presidente de uma associação cívica e cultural
emitindo uma opinião; o outro é só o primeiro-ministro de Portugal, ainda que
em perturbações de identidade, a pretender mudar o curso do País. Os pesos relativos não podem ser,
honestamente, comparados em pé de igualdade.
novembro 14, 2015
Ataques do "Estado Islâmico" em Paris.
Um dos primeiros erros do mundo moderno é presumir, profunda e tacitamente, que as coisas passadas se tornaram impossíveis
(Gilbert Chesterton)
Os ataques ontem em Paris, mostram o quanto a Europa e todos nós, temos andado na estrada ao lado, preocupados com coisas comezinhas tais como percentagens e défices, fingindo não ver na faixa contígua, como estávamos a ser ultrapassados pela Besta, cada vez mais gorda e forte.
Uma Besta cujo poder crescente mesmo à nossa porta se via nos rostos de horror dos muitos que preferem correr o risco de morrer afogados do que nas chamas desse inferno que julgávamos longe.
Uma Besta cujo poder crescente mesmo à nossa porta se via nos rostos de horror dos muitos que preferem correr o risco de morrer afogados do que nas chamas desse inferno que julgávamos longe.
Sim, meus amigos e amigas, estamos muito próximos do fascismo, do obscurantismo, do totalitarismo, da perda de liberdade de expressão, e por causa disso tudo, da própria liberdade de pensamento, livre e abrangente.
Pese embora todos os meios, ou se calhar por causa deles, a inteligência e a estupidez são a combinação perfeita para derrubar o que julgamos de uma firmeza inabalável....
Estamos a caminho de nos tornarmos reféns do medo, e, pelas mãos dos meios trazidos pelo conhecimento, de entrarmos nas trevas de um período de ignorância e preconceito.
A LIBERDADE é o bem mais precioso e mais frágil de que as sociedades podem usufruir, uma flor delicada. E não nos iludamos, os ataques de ontem além das vítimas, foram ao coração da LIBERDADE...
Note-se bem e para memória futura: os ataques de ontem, mais do que um sucesso dos terroristas, foram um bálsamo para os xenófobos e extremistas de direita, eles de igual modo interessados num modelo de sociedade fechada e exclusora, repressiva e limitadora da liberdade de expressão.. Exactamente o que os terroristas a coberto do tema religioso tem vindo a fazer no Médio Oriente.
novembro 10, 2015
Tanta dor, senhor doutor...!
O apego cego e tão pouco democrático ao poder, o argumentário, que de tão contraditório é esquizofrénico, a raiva incontida que desce, com frequência, ao insulto político ao nível de disputa entre vizinhas histéricas, a futurologia catastrófica… que dizer mais de quantos notabilíssimos comentadores da chamada direita portuguesa arrepelam os cabelos, por estes dias, qual coro dos aflitos de novo tipo, em face de uma possível modificação das passadas a que o baile mandado do sacrossanto «arco da governação» nos habituou?
Eu, cidadão, muito se me dá, hoje, que um possível governo de esquerda… governe. Quer gostem ou não as sumidades do comentário televisivo, isso decorre do regime democrático, ponto final! Se possível, que esse governo, como se espera, assuma diferente feição daquela conhecida a que nos votou a perversão neoliberal (onde alguns «socialistas da oportunidade» também navegam…) – que, essa sim, meteu a social-democracia não na gaveta, mas nos esconsos mais pútridos de tantas subcaves de interesses.
E é vê-los que, ao longo de quatro anos, com arrogância inaudita mas atoleimada, cuspiram, espezinharam, ignoraram ou, sempre que lhes ocorria, gozaram à fartazana com tudo quanto é oposição, com o PS incluído e em destaque, estarem agora a perorar amarguras e crocodilinas lágrimas perante o desprezo olímpico com que António Costa os mimoseou na Assembleia da República.
Entretanto, recorrem à habitual castração pelo medo: ele é os mercados, ele é o Banco Central, ele é a conjuntura internacional… ele é o Diabo, como prova aparentemente inequívoca (para esta gente) de que «Deus nem sempre é bom para os homens», conforme Calvão dixit.
O que sobressalta é tentar apurar em que recôndita parte da anatomia – aquela onde, porventura, o próprio Deus é Diabo – é que esta gente guarda o conceito de Democracia. Talvez tão-só onde o Sol não brilhe…
Enfim, como pedra cimeira deste arco imperfeito da governação, ainda não estou convencido de que o senhor presidente da República não se assuma mais como o conjurado de Boliqueime e dê luz verde ao governo proposto por António Costa. Só nos faltava mesmo este para transformar em cinza este sol radioso que hoje, em São Martinho antecipado, teima em nos iluminar…
novembro 07, 2015
novembro 04, 2015
Quando a rosa não arredonda a saia
Ele havia uma musiquinha,
premonitoriamente intitulada A Cavalo Dado e constante do álbum não
menos premonitoriamente nomeado Dos Benefícios de um Vendido no Reino dos
Bonifácios, dos Banda do Casaco e editado em 1974, cuja letra, da
autoria de António Pinho, assim rezava:
Imperador...
a tua imperatriz é por um triz que não se diz ser meretriz... e merecia!
Perante a oportunidade, extemporânea e trânsfuga,
de um Assis (e mais uns quantos assanhados com cartão do PS mas de presente
duvidoso), que se agita e palpita em ânsias de se guindar a um lugar ao sol se
as coisas correrem mal a António Costa, fazendo lembrar um bando de necrófagos
à espera da carniça, tudo aquilo me saltou à memória.
Com mil perdões ao António Pinho que, porventura,
não mereceria o despautério, aqui fica o que tenho andado a trautear, nesta
cinzenta manhã e com o anúncio do almoço dissidente de Assis y sus muchachos
para
o próximo sábado:
-
Ó Costa… esse teu Assis é por um triz que não de diz ser meretriz… e merecia!
Deixem lá, pelo menos, chegarmos
a segunda-feira, cambada. Se, então aí, as coisas, por fim e como é vosso desidério
inflamado, correrem mal com o Bloco e com o PCP ao António Costa,
façam lá esse funeral mexicano ao homem, pelo qual tanto desesperais, carais!
Agora, até lá, não quereis
imaginar que a vossa destemperada gesticulação pode cheirar a traição a uns
milhõezitos de portugueses? Qual direito de tendência, qual escaramantilhão! É
que, em tempo de guerra – e metaforicamente é este o tempo que vivemos, cá pelo
burgo –, aos traidores fuzilam-nos.
Claro que no partido da rosa não
se usam os fuzilamentos, a não ser com pétalas da dita – ou as facadas nas
costas ou, na circunstância, no Costa –, mas que eu, se fosse a ele,
providenciaria correr com essa gente dali para fora, ai, isso, eu faria…! A bem
de alguma pureza do ar que respiramos.
Porque, no fundo, o que é que os
desgostosos com o Costa, no seio angustiado do PS, preconizam, em alternativa e
objectivamente? A coligação abstrusa do PS com o já coligado PàF, viabilizando a
aberrante (des)governação que nos caiu na sopa para mais quatro anitos? Que
belíssima perspectiva! Que magnífico vislumbre democrático!! Que raio de
gentinha!!!
Ou, então, não: se a coisa pintar, saiam umas eleiçõezinhas antecipadas para a mesa do canto, que talvez haja oportunidade para algum poleirito agora assisadamente inalcançável.
Ou, então, não: se a coisa pintar, saiam umas eleiçõezinhas antecipadas para a mesa do canto, que talvez haja oportunidade para algum poleirito agora assisadamente inalcançável.
novembro 03, 2015
Reflexão mórbida ou parva (do latim, pequena)
Quando alguém considera que se morre melhor quando se morre felizmente acompanhado (Aguiar-Branco incontinens dixit) ou outro alguém apresenta condolências referindo que, porque o falecido procurou Deus, este lhe dará um lugar adequado (Calvão da Silva in aqua submersu) tudo me leva a pensar que a direita portuguesa anda com uma relação estranha com a morte… ou talvez seja, apenas e sem mistério, um culto empedernido pelo disparate.
E, aqui, ocorre-me Vergílio Ferreira quando nos assinala: «afirma com energia o disparate que quiseres e acabarás por encontrar quem acredite em ti».
Depois, as gentes vão-se afeiçoando…
novembro 02, 2015
As inundações em Albufeira, a lagoa...
![]() |
| Al Buhera, A Lagoa.. |
Não é só em Albufeira que há ciclicamente inundações. De modo geral em todos os sítios onde não se observa o elementar preceito do bom senso, as inundações são fenómenos recorrentes.
O caso de Albufeira é no entanto e por várias razões um paradigma do disparate e da asneira, do desastre anunciado.
Basta olhar uns instantes para onde está o parque de campismo, um quilómetro antes da entrada da cidade.
![]() |
| leito de cheia assoreado, ainda sem construção |
Mas de onde vem o nome de Albufeira?
Da expressão árabe "Al Buhera" que significa "a lagoa"
![]() |
| cheias na baixa de Albufeira na década de 50 Sec. XX |
Se atendermos a gravuras antigas veremos como a actual praia dos pescadores era a entrada para um porto de abrigo e que o areal ficava quase trezentos metros acima.
Albufeira deve o seu nome ao facto de ser um porto de abrigo formado por uma pequena lagoa onde a ribeira desembocava. Se bem que o grande terremoto de 1755 e os sucessivos assoreamentos tenham feito avançar o areal até ao ponto onde o conhecemos hoje, a água nunca deixou de correr pela passagem que ela mesma abriu ao longo de milénios. Corre muita água mesmo de Verão por debaixo do areal e as tubagens e encanamentos feitos mais a montante são paliativos fracos para qualquer enxurrada que tem a baixa como foz de uma expressiva bacia hidrográfica. Das enormes inundações ocorridas no século XX há aliás reportagens publicadas nos jornais da época de que na foto em cima se faz mostra. Esta ficará durante algum tempo na ribalta das atenções. Mas ultrapassados os picos de crise, logo as memórias se desvanecem e os outros interesses se sobrepõem. E toca a reconstruir, a impermeabilizar e a entubar, e ainda mais, ainda com mais potencial destruidor para a inundação seguinte!
![]() |
| Inundações em 2015 A antiga lagoa ressurgida no espaço agora ocupado por construções, |
E pergunta-se, não se poderá utilizar o espaço outrora leito navegável? Este e muitos outros pelo país fora?
Sim, claro que se pode, contudo nunca se deveria ter construído nada naqueles espaços excepto zonas verdes destinadas ao lazer, permeáveis e inundáveis, onde os equipamentos auxiliares e turísticos não mais fossem do que apoios móveis e sazonais.
Mas a ganância aliada à falta de memória, à estupidez pura, é uma mistura explosiva. e assim, ciclicamente repetir-se ão as inundações até que o mesmo motor que fez construir onde não se deve fazer, decida recuar: a economia...
novembro 01, 2015
Pogrom, porque as memórias têm rosto, e não somos bons nem de brandos costumes.
Como escrevi muitas vezes, um silêncio sepulcral pesa sobre a mancha do irracional do nosso comportamento colectivo.
É tão fácil atribuir culpas a uma determinada etnia, grupo politico ou indivíduo. O irracional colectivo, a Besta humana, sempre pronta a ser conduzida por uma mão qualquer, sempre pronta a purgar pelo castigo máximo uma culpa individual qualquer que a todos prejudica.
É conhecida esta prática desde sempre. Entre os povos da Antiguidade, sempre que uma crise, uma seca, a fome se abatia sobre um aglomerado era necessário sacrificar alguém, quase sempre um ou mais jovens para que a ira dos Deuses se aplacasse e que a abundância regressasse.
Podemos dizer hoje, que nos julgamos longe desses tempos, que não somos mais esses bárbaros. Nada mais errado, somos na essência os mesmos seres cujo comportamento basal se situa muito nos limiares da inteligência e do irracional instinto, uma mistura explosiva de onde tudo sai: a criatividade, a superstição, a efabulação, a religiosidade e finalmente a estupidez.
No entanto, se regressarmos aos tempos dos sacrifícios humanos, analisando os procedimentos sacrificiais, veremos como esses sacrifícios tinham um poderoso efeito sobre o comportamento colectivo.
A morte trágica de um inocente tinha o condão de aplacar as tensões sociais, a "culpa" tinha rosto, tinha corpo e tinha a missão suprema de já no campo do transcendente interferir sobre os humores Divinos. Em vez da culpabilização mútua entre determinados grupos, da guerra entre eles, das tragédias levadas a todo o território, um só sacrificado tinha o condão mágico de a todos unir...
Isto não nos faz lembrar nada?
De onde é que o Cristianismo bebe o básico dos seus fundamentos?
À sublimação do sacrifício supremo de um indivíduo para salvação colectiva. Facto que na Biblia está substanciado na passagem em que Abraão vai, por ordem de Deus Pai, sacrificar o seu único filho. Salvo no último instante pelo Anjo quando Abraão estava prestes a atingir fatalmente Isaac, o seu filho. Apontando para um arbusto o Anjo indicou onde estava um carneiro para substituir a peça sacrificial.
.
Nenhum Anjo surgiu no entanto em 1506. Naquilo que ficou para a História como o Pogrom de Lisboa, ou a Matança da Páscoa quando uma multidão perseguiu, torturou e matou centenas de Judeus, acusados de serem a causa da seca, peste e a fome que assolavam o país. Barbaramente torturados foram queimados em Autos de Fé no Rossio, numa manifestação que brutalidade que nos enche de incredulidade, que nos enoja, que nos envergonha....
. Nove anos antes os Judeus já tinham sido obrigados por D. Manuel a serem convertidos à fé Cristã. Cristãos Novos eram a designação pela qual eram conhecidos.
A matança teve a faísca inicial no Convento de São Domingos de Lisboa no dia 19 de Abril de 1506.
Enquanto os fieis rezavam para o fim da seca e da peste que assolavam o país, subitamente a imagem de Cristo surgiu iluminada. De imediato, o povo em epifania, atribuiu o fenómeno a uma manifestação milagrosa
de origem divina.
Deus teria por intervenção do seu Filho na Cruz, intercedido a favor do povo.
Contudo, um Cristão Novo que assistia à celebração, reparou como a luz que iluminava o crucifixo era afinal apenas um reflexo vindo da rua. Bastou ele fazer referência à evidência para que o povo em fúria o espancasse até à morte....
A partir daí, e nunca é demais enfatizar a responsabilidade de determinadas figuras-chave no contexto dos diversos poderes, os Frades Dominicanos incitaram com promessas de expiação de pecados e salvação das almas, a todos que perseguissem e matassem os Judeus, culpando-os pela desgraça que o país atravessava.
Durante três dias uma tragédia, só comparável hoje ao que o Estado Islâmico perpetra, caiu sobre os desgraçados que tinham assentado em Lisboa trazendo consigo uma fé diferente. Perseguidos casa a casa, foram capturados, corpos arrastados pelas ruas, torturados e queimados vivos.
Tudo o que de mais bárbaro o homem pode infligir ao seu semelhante, conheceu palco na capital deste pais de Brandos Costumes...
Para que conste, porque o Futuro, tem memória....
É tão fácil atribuir culpas a uma determinada etnia, grupo politico ou indivíduo. O irracional colectivo, a Besta humana, sempre pronta a ser conduzida por uma mão qualquer, sempre pronta a purgar pelo castigo máximo uma culpa individual qualquer que a todos prejudica.
É conhecida esta prática desde sempre. Entre os povos da Antiguidade, sempre que uma crise, uma seca, a fome se abatia sobre um aglomerado era necessário sacrificar alguém, quase sempre um ou mais jovens para que a ira dos Deuses se aplacasse e que a abundância regressasse.
Podemos dizer hoje, que nos julgamos longe desses tempos, que não somos mais esses bárbaros. Nada mais errado, somos na essência os mesmos seres cujo comportamento basal se situa muito nos limiares da inteligência e do irracional instinto, uma mistura explosiva de onde tudo sai: a criatividade, a superstição, a efabulação, a religiosidade e finalmente a estupidez.
No entanto, se regressarmos aos tempos dos sacrifícios humanos, analisando os procedimentos sacrificiais, veremos como esses sacrifícios tinham um poderoso efeito sobre o comportamento colectivo.
A morte trágica de um inocente tinha o condão de aplacar as tensões sociais, a "culpa" tinha rosto, tinha corpo e tinha a missão suprema de já no campo do transcendente interferir sobre os humores Divinos. Em vez da culpabilização mútua entre determinados grupos, da guerra entre eles, das tragédias levadas a todo o território, um só sacrificado tinha o condão mágico de a todos unir...
Isto não nos faz lembrar nada?
De onde é que o Cristianismo bebe o básico dos seus fundamentos?
À sublimação do sacrifício supremo de um indivíduo para salvação colectiva. Facto que na Biblia está substanciado na passagem em que Abraão vai, por ordem de Deus Pai, sacrificar o seu único filho. Salvo no último instante pelo Anjo quando Abraão estava prestes a atingir fatalmente Isaac, o seu filho. Apontando para um arbusto o Anjo indicou onde estava um carneiro para substituir a peça sacrificial.
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. Nove anos antes os Judeus já tinham sido obrigados por D. Manuel a serem convertidos à fé Cristã. Cristãos Novos eram a designação pela qual eram conhecidos.
A matança teve a faísca inicial no Convento de São Domingos de Lisboa no dia 19 de Abril de 1506.
Enquanto os fieis rezavam para o fim da seca e da peste que assolavam o país, subitamente a imagem de Cristo surgiu iluminada. De imediato, o povo em epifania, atribuiu o fenómeno a uma manifestação milagrosa
de origem divina.
Deus teria por intervenção do seu Filho na Cruz, intercedido a favor do povo.
Contudo, um Cristão Novo que assistia à celebração, reparou como a luz que iluminava o crucifixo era afinal apenas um reflexo vindo da rua. Bastou ele fazer referência à evidência para que o povo em fúria o espancasse até à morte....
A partir daí, e nunca é demais enfatizar a responsabilidade de determinadas figuras-chave no contexto dos diversos poderes, os Frades Dominicanos incitaram com promessas de expiação de pecados e salvação das almas, a todos que perseguissem e matassem os Judeus, culpando-os pela desgraça que o país atravessava.
Durante três dias uma tragédia, só comparável hoje ao que o Estado Islâmico perpetra, caiu sobre os desgraçados que tinham assentado em Lisboa trazendo consigo uma fé diferente. Perseguidos casa a casa, foram capturados, corpos arrastados pelas ruas, torturados e queimados vivos.
Tudo o que de mais bárbaro o homem pode infligir ao seu semelhante, conheceu palco na capital deste pais de Brandos Costumes...
Para que conste, porque o Futuro, tem memória....
Muito bem haja e muito obrigado!
Depois de mais uma visita aos
vales e montes que me viram nascer, para cumprir mais um dever com os que já
partiram, o regresso é sempre uma hora e meia de reflexão sobre o visto, o
ouvido e o pensado. Pensámos neles e agradecemos-lhes o muito que nos deram.
Por outro lado, o ouvido começou a rodopiar na mente, levando a refletir sobre
o bem haja muito ouvido na minha
aldeia e raramente o obrigado.
Veio-me ao vórtice do pensamento a frase várias vezes dita perante um obrigado: ‘Eu não fui obrigado; fiz isso
porque quis’, sugerindo o menosprezo desta forma de agradecimento e até que
poderá ser indelicada. Ora nada é menos verdade do que isso.
Na verdade, em bom português,
deve dizer-se obrigado ou obrigada, segundo a pessoa que agradece,
incluindo as formas plurais, e não aquele ou aquela a quem se dirige. E a
explicação é simples: Obrigado é a
forma de agradecimento mais compromissiva, a mais profunda, que cria um vínculo
com quem nos fez o favor.
S. Tomás de Aquino elabora, no
ato de agradecer, 3 níveis distintos, do mais superficial para o mais profundo.
As línguas que melhor conhecemos dão conta desses 3 níveis.
No primeiro deles encontramos o simples
ato de reconhecer que alguém nos fez um favor. Para reconhecer é necessário
pensar, razão por que, no inglês, se usa a forma thank, etimologicamente evoluída de think (pensar) e o alemão danke,
também verbo evoluído de denken. Agradecer, neste caso, é
reconhecer e pensar em alguém que nos fez o bem.
No nível intermédio temos o
desejo de querer bem ao outro que nos fez o favor. Usam estas formas línguas
como o castelhano gracias, o francês merci, o italiano grazie
ou o português bem haja. Independentemente
das intenções que queremos colocar no ato de agradecer, linguisticamente não
estamos a dizer mais do que ‘Desejo que alguém o/a favoreça com coisas boas (as graças, as mercês, o bem). A
forma portuguesa é bem explícita ao usar o conjuntivo presente do verbo ‘haver’
com sentido de’ ter’ e com valor desiderativo: ‘Que tenha bem’.
No nível mais profundo e mais
envolvente da gratidão só conheço uma língua que o verbaliza: o português. Quando
dizemos obrigado, na realidade
estamos a vincular-nos com uma dívida que fica. No livro do deve e do haver,
temos um saldo negativo, uma dívida de gratidão que não precisa de entrar na
economia do ‘fazes agora e eu pago-te depois’, pois tão simplesmente a palavra (muito) obrigado é o sinal do reconhecimento pelo favor, o desejo do bem e
o garante do compromisso. A forma bem
haja, por muito que nos custe, não é tão rica quanto a forma obrigado, apesar do casticismo que
acarreta e do sentido de profundo respeito que nós, os beirões, lhe queiramos
associar.
Ao nível da pragmática,
observamos que é muito frequente aquele menosprezo de que falei, porque alguns falantes
distraídos usam obrigado quase como
uma simples interjeição, sem as concordâncias e esvaziando-o de sentido (como o
inglês thanks), e a existência de uma
frase como bem haja/hajam parece-nos
ser mais sentida. Um dia poderá ser assim, mas ainda não o é. Por isso, muito
obrigado!
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