março 19, 2005

"Falar em público" - crónica de Laurinda Alves na «Xis»

A Laurinda Alves, na sua crónica "À luz do dia" na revista XIS do Público de hoje, escreve sobre a temática do meu livro. Alguns excertos:
«Debater ideias, defender argumentos, sustentar uma polémica, comunicar pontos de vista ou participar numa discussão de forma assertiva e construtiva é um embaraço para muitos portugueses.
(...) O sistema de ensino português tem lacunas graves e não são apenas aquelas que nos habituámos a enunciar. (...) Acontece que, para além das dificuldades clássicas do sistema, existem alguns vazios por preencher e um deles é seguramente o da comunicação. (...) Não existe nas salas de aula um espaço exclusivamente reservado à troca de ideias, ao ensaio do debate ou ao treino da argumentação (...).
Ao contrário do que é comum nas escolas inglesa, francesa e alemã (para dar apenas três exemplos próximos) onde há disciplinas de recitation, treino e improviso retórico, o sistema escolar português não aposta na capacidade de comunicação dos seus alunos.
Ora uma criança ou um adolescente que não aprende a falar em público, que não está habituado a expor as suas ideias perante os outros, que não treina a sua capacidade de argumentação, que não é estimulado no diálogo e é permanentemente poupado ao confronto verbal, é alguém que corre o risco de ficar para sempre amputado de uma faculdade essencial.
Saber comunicar não é um dom de poucos, mas antes um direito e um dever de todos.
(...) Por tudo isto e porque em matéria de comunicação (como em tudo na vida) ninguém nasce ensinado, valia a pena pensar no assunto e rever os currículos escolares na próxima reforma do ensino.»

fevereiro 28, 2005

Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2003

Tenho andado tão nervoso...
Vinte anos após ter terminado a licenciatura, foi hoje o dia em que pude mostrar a mim próprio se ainda valho algo em termos académicos. Já que, em termos empresariais, estamos conversados (e a ambiguidade desta frase é propositada).
Para trás, ficou o período lectivo do Mestrado em Ciências Empresariais na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Que ultrapassou as minhas expectativas, tanto pelo curso como por mim. E em que me senti velhinho, ao lado do companheirão António Ricciulli, rodeados que estávamos de colegas recém-ou-quase-licenciados com idade para serem nossos filhos...
Hoje foi o dia da dissertação. Defendi a tese «Argumentação falaciosa e mudança organizacional», onde tentei sistematizar um aspecto que considero importantíssimo para quem trabalha numa organização: o risco quase permanente de se cair em armadilhas argumentativas.


O júri, composto pelos Professores Correia Jesuíno (meu co-orientador, em conjunto com o Doutor Desidério Murcho), Pina da Silva e Fernando Carvalho, foi extremamente atencioso e honrou-me com a classificação de «muito bom por unanimidade».


Recordarei sempre, em especial, algumas das palavras do Professor Correia Jesuíno: «O seu trabalho abre uma caixa de Pandora» e «convido-o a ir mais longe». Uma grande responsabilidade para mim.

fevereiro 12, 2005

Sábado, 18 de Julho de 1983

Levantei-me às 7h30, tomei o pequeno-almoço no quarto e deixei um papel na porta a dizer:

"o doutor Moura vem já!"

Fui para a faculdade de Economia fazer o meu último exame da licenciatura, que me correu bastante bem.
Coimbra hoje até me parece mais bonita. Será o encanto da hora da despedida? Alguma vez terei saudades dos galinheiros em que tínhamos aulas?...
Telefonei para Caria. O meu Pai atendeu-me. Não estava à espera do telefonema.
Passei o resto do dia com a Luísa, que regressou hoje de Trancoso. Fui buscá-la à estação, almoçámos, num banco do nosso Jardim da Sereia contámos as nossas histórias e voltámos cada um para sua casa, porque ela ainda tem que estudar.
Jantámos juntos na cantina, passeámos um pouco e comemos um gelado no "Troika".
Deitei-me com uma sensação estranha... esta de "ser doutor"...