janeiro 31, 2013
janeiro 30, 2013
Citação
"Em terra de cegos, quem tem um olho é rei.
Quem tem os dois é abatido."
JOÃO DAMASCENO, Corpo Cru (Coimbra, 1984)
Quem tem os dois é abatido."
JOÃO DAMASCENO, Corpo Cru (Coimbra, 1984)
janeiro 29, 2013
A posta num aumento de pressão
No espaço de dias um pai português disparou sobre a cabeça de um filho e uma mãe portuguesa envenenou dois. Estes dois exemplos mais recentes somam-se a outros que sempre chocam a opinião pública e que, para horror da maioria, tendem a proliferar.
Existe um denominador comum em boa parte destes casos e que obriga a uma reflexão séria acerca da forma como a sociedade está a lidar com o problema: a estas tragédias costuma estar associada uma doença mental, a depressão, que tem provocado outros exemplos similares um pouco por todo o mundo.
A depressão é um daqueles problemas cuja visibilidade só parece explodir na sequência dos episódios mediáticos protagonizados por quem, mesmo tendo sido diagnosticado na condição, não teve o acompanhamento devido e acabou por perder por completo o controlo de ideias e de acções.
Fala-se da depressão com a ligeireza de quem pretende justificar tristezas várias ou, quando as pessoas afectadas exibem de forma mais evidente o seu completo desnorte, evitam falar de todo sob o espectro do rótulo de malucos que se cola como um estigma definitivo na imagem de a quem talvez bastasse a medicação adequada para equilibrar a química em desacerto.
A emergência de um plano concreto de acção, até no domínio legislativo, que permita uma intervenção mais directa e actuante por parte dos organismos já existentes no âmbito do SNS, em conjugação com as autoridades policiais, junto de adultos a quem seja evidente a necessidade de tratamentos que quantas vezes se recusam a aceitar, faz-se sentir no quotidiano de muitas pessoas que lidam dia a dia com casos de depressão e respectivas consequências sobre a vida de quem padece e de quem tenta cuidar.
O reverso dessa alteração de mentalidades e tomada de consciência da crescente gravidade do problema será a proliferação destes dramas nas primeiras páginas dos jornais e na abertura dos noticiários radiofónicos ou televisivos.
(Des)acordo ortográfico: Carta Aberta ao Ministro da Educação e Ciência

Excerto da fundamentação:
"(...) Impõe-se pressionar quem de direito e de múnus em Portugal a que reajam, abandonem o torpor burocrático, o "porque sim" e tomem uma posição, façam o que sempre se têm escusado a fazer: o diagnóstico dos estrangulamentos e constrangimentos a que a aplicação do AO90 tem dado azo (cf. a DECLARAÇÃO DE LUANDA dos Ministros da Educação da CPLP, de 30 de Março de 2012). E que mais ainda: suscitem a única posição que permite salvar a face, a honra, a língua e a independência nacionais de Portugal e dos restantes países lusófonos: a revogação do AO90.
Nesse sentido, são todos convidados e encorajados a participar nesta iniciativa, a subscrição de uma Carta Aberta ao Sr. Ministro de Educação e Ciência (comprometido com a Declaração de Luanda), e eventualmente a outros responsáveis governamentais, como o Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros e Sr. Secretário de Estado da Cultura.
Nunca como hoje as circunstâncias foram tão favoráveis. Daí a urgência, a necessidade absoluta de manter a pressão, de os cidadãos ajudarem os governantes a governar.
Rui Miguel Duarte
Autor e primeiro subscritor da Carta Aberta"
A subscrição deve ser feita aqui.
Para se manterem actualizados sobre as iniciativas anti-Acordo Ortográfico adiram ao grupo Em aCção contra o Acordo Ortográfico, no Facebook. O objectivo é chegar às 4000 assinaturas, para que seja discutida obrigatoriamente, em sede de comissão, na Assembleia da República.
Aqui no «Persuacção» já malhámos tanto neste (des)Acordo Ortográfico...
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janeiro 28, 2013
as misérias dos protegidos
Carlos Peixoto, deputado do PSD pela Guarda, licenciado em licenciaturas (?), perorando no jornal i, aqui há uns dias atrás, acerca do que é, na sua visão limitada, serôdia e com muitas probabilidades de ser mesmo imbecil, o mal tremendo que assola Portugal, destrambelha-se com o seguinte dislate: “A nossa pátria foi contaminada com a já conhecida peste grisalha.”
E, como forma de debelar o mal, tresvaria numa apologia à fornicação procriativa, como se não houvesse amanhã, para concluir com esta inevitabilidade: «Se assim não for, envelhecemos e apodrecemos com o País."
Contaminação, peste e apodrecimento. Eis como a bestialidade desta criatura, por associação, mimoseia os seus avós, pais e a si próprio, muito em breve, pois conta já este garboso pimpolho com 45 anitos feitos.
Eu não sei em que alfombre foram criados estes cidadãos ou, melhor dizendo, em que entulheira medraram tais fungos que assim se assanham contra quem, afinal, lhes garantiu e garante o sustento.
Sim, porque do alto dos meus grisalhos sessenta anos, com mais de trinta e cinco de vida retributiva, trabalhando por conta de outrem (isto é, pagando efectivamente impostos) e com mais cerca de meia-dúzia de anos de vida activa pela frente, sou um dos que está a sustentar a vidorra da criatura e, até, segundo os cânones distorcidos da sociedade em que vivemos, lhe estou, mesmo, a assegurar a futura reforma que, como deputado que é, lhe deve estar para muito breve.
As grandes questões que se me colocam são as seguintes:
- Esta gentinha não pode ser banida da Assembleia após uma barbaridade deste quilate? Vai tão longe a imunidade parlamentar? Os seus pares (e nós todos) não temos vergonha na cara e permitimo-lo como representante da nação? Os pais dele – se é que não nasceu de geração espontânea, por entre os tais fungos… – convivem bem com este filho ou já lhe pespegaram dois bofetões bem aplicados e o baniram do convívio familiar?
Poucos dias depois, o mesmo inefável Peixoto – que assim apurámos ser homem dado a filosofias pimba -, entulha-nos as consciências com mais este primor: quem aceita «o casamento homossexual pode também vir a aceitar o casamento entre irmãos, primos directos ou pais e filhos…».
Ora estamos aqui com uma contradição tremenda naquela cabecinha pensadora: se é verdade que a união entre homossexuais, no estadio actual da técnica civilizacional, não gera rebentos, pelo menos sem assistência colateral, já o casamento entre irmãos, primos directos ou pais e filhos pode vir a revelar-se um modo airoso de dar bom seguimento ao que o homem acima preconiza: a procriação como desidério nacional. Afinal, sempre se diz que em tempo de guerra não se limpam armas…
O meu receio é tão só que as consanguinidades daí decorrentes venham a dar origem a muitos Peixotos como este desta fábula…
janeiro 26, 2013
«Pesadelo recorrente» do Carlos Carvalho
A propósito do texto «Mas por que raio os políticos fazem de nós parvos?», o meu colega e amigo Carlos Carvalho fez o seguinte comentário:
"No início da semana, vi no programa Prolongamento, da TVI 24, um relato divertido. Confessou o Dr Eduardo Barroso que andava com insónias, derivadas de um pesadelo recorrente, que era o seguinte. Dizia ele que, ao adormecer, começava a ouvir um relato radiofónico com esta descrição: «João Moutinho serve Varela, à direita, que de imediato abre para a esquerda, para Izmaylov. Este amortece a bola e, de imediato, cruza para a pequena área, onde está Liedson, que cabeceia e... Gooloooooooooooooo! Gooooolooooooo do PORTO!»
Pois eu também tive um sonho parecido. Imaginei o seguinte. O Governo injecta 1.100 milhões de euros nos estaleiros de Viana do Castelo, estes produzem umas dúzias de traineiras, o Governo selecciona um conjunto de pescadores da Figueira da Foz, da Nazaré, das Caxinas, etc. e faz o seguinte acordo. «Meus amigos, vocês vão pescar e uma percentagem do resultado da vossa labuta é arrecadada pelo Estado, até pagarem o respectivo Investimento».
Isto vem na sequência de duas informações que detectei recentemente. No Verão passado, foram avistados dois grandes tubarões nas praias algarvias. Em Setembro, foi capturado um tubarão branco, por pescadores de Sesimbra. Perante uma pesquisa do jornal Público, junto de um biólogo marinho, se estes acontecimentos eram devido ao aquecimento global, este respondeu que não. Explicou que os tubarões andam sempre atrás de bons restaurantes e que a nossa zona marítima está a abarrotar de peixe. Fui pesquisar e soube do seguinte. A zona exclusiva marítima portuguesa é a 2ª maior da Europa e a 10ª maior do Mundo. Portugal é o 2º país do Mundo em consumo per capita de peixe e, de bradar aos céus, importa mais de 90% do peixe que consome!
E os 1.100.000.000€ foram para o BANIF!
ARRE PORRA QUE É DEMAIS! Fico pior que o Dr Eduardo Barroso."
Carlos Carvalho
"No início da semana, vi no programa Prolongamento, da TVI 24, um relato divertido. Confessou o Dr Eduardo Barroso que andava com insónias, derivadas de um pesadelo recorrente, que era o seguinte. Dizia ele que, ao adormecer, começava a ouvir um relato radiofónico com esta descrição: «João Moutinho serve Varela, à direita, que de imediato abre para a esquerda, para Izmaylov. Este amortece a bola e, de imediato, cruza para a pequena área, onde está Liedson, que cabeceia e... Gooloooooooooooooo! Gooooolooooooo do PORTO!»
Pois eu também tive um sonho parecido. Imaginei o seguinte. O Governo injecta 1.100 milhões de euros nos estaleiros de Viana do Castelo, estes produzem umas dúzias de traineiras, o Governo selecciona um conjunto de pescadores da Figueira da Foz, da Nazaré, das Caxinas, etc. e faz o seguinte acordo. «Meus amigos, vocês vão pescar e uma percentagem do resultado da vossa labuta é arrecadada pelo Estado, até pagarem o respectivo Investimento».
Isto vem na sequência de duas informações que detectei recentemente. No Verão passado, foram avistados dois grandes tubarões nas praias algarvias. Em Setembro, foi capturado um tubarão branco, por pescadores de Sesimbra. Perante uma pesquisa do jornal Público, junto de um biólogo marinho, se estes acontecimentos eram devido ao aquecimento global, este respondeu que não. Explicou que os tubarões andam sempre atrás de bons restaurantes e que a nossa zona marítima está a abarrotar de peixe. Fui pesquisar e soube do seguinte. A zona exclusiva marítima portuguesa é a 2ª maior da Europa e a 10ª maior do Mundo. Portugal é o 2º país do Mundo em consumo per capita de peixe e, de bradar aos céus, importa mais de 90% do peixe que consome!E os 1.100.000.000€ foram para o BANIF!
ARRE PORRA QUE É DEMAIS! Fico pior que o Dr Eduardo Barroso."
Carlos Carvalho
Mas por que raio os políticos fazem de nós parvos?
Apreciai a evolução das taxas de juro da dívida soberana dos 4 países europeus intervencionados (Portugal, Itália, Espanha e Grécia), desde 2008 até agora:
O que achais? A descida das taxas de juro da dívida soberana de Portugal desceu pelo que tem sido (des)feito pelo nosso (des)Governo, que (não) se tem fartado de deitar foguetes por estes dias?!
Não, malta! A razão, explica-a Miguel Abrantes no blog Câmara Corporativa: "(...) em meados do ano passado (...) [Mario] Draghi assumiu, perante os mercados, que o BCE se posicionaria como «credor de último recurso» em relação à dívida pública dos membros da zona euro, à semelhança do que ocorre com outros bancos centrais, como a Reserva Federal norte-americana, o Banco de Inglaterra ou o Banco do Japão. Naturalmente, essa alteração de política do BCE fez com que os mercados recuperassem a tranquilidade, com os resultados que estão à vista. Os países em dificuldades da zona euro têm beneficiado da descida de juros. É o caso de Portugal, que agora vai ao mercado amparado pela declaração de conforto de Mario Draghi."
No blog Aspirina B aprofundam mais este tema, no texto «It’s a bird… it’s a plane… no, wait… oh, my god… it’s Super-rabbit!!!», em que só se perdem as que caem para o chão.
Que falta nojenta de vergonha a vossa, senhores desGovernantes!


(gráficos do blog Aspirina B)
O que achais? A descida das taxas de juro da dívida soberana de Portugal desceu pelo que tem sido (des)feito pelo nosso (des)Governo, que (não) se tem fartado de deitar foguetes por estes dias?!
Não, malta! A razão, explica-a Miguel Abrantes no blog Câmara Corporativa: "(...) em meados do ano passado (...) [Mario] Draghi assumiu, perante os mercados, que o BCE se posicionaria como «credor de último recurso» em relação à dívida pública dos membros da zona euro, à semelhança do que ocorre com outros bancos centrais, como a Reserva Federal norte-americana, o Banco de Inglaterra ou o Banco do Japão. Naturalmente, essa alteração de política do BCE fez com que os mercados recuperassem a tranquilidade, com os resultados que estão à vista. Os países em dificuldades da zona euro têm beneficiado da descida de juros. É o caso de Portugal, que agora vai ao mercado amparado pela declaração de conforto de Mario Draghi."
No blog Aspirina B aprofundam mais este tema, no texto «It’s a bird… it’s a plane… no, wait… oh, my god… it’s Super-rabbit!!!», em que só se perdem as que caem para o chão.
Que falta nojenta de vergonha a vossa, senhores desGovernantes!
janeiro 24, 2013
grandes mulas!
Respigo, com a devida vénia, da TSF o seguinte artigo, da autoria de Nuno Domingues:
Fundação do PSOE demite diretor-geral, coautor de estudo do FMI sobre Portugal
Publicado ontem às 19:30
O vice-presidente da Fundação Ideas, vinculada ao PSOE, demitiu hoje o diretor da instituição, Carlos Mulas Granados - um dos coautores do estudo do FMI sobre Portugal -, depois de comprovar que recebeu por trabalhos que assinou com um pseudónimo.
Carlos Mulas Granados é um professor universitário de economia, na Universidade Complutense de Madrid. E era, até agora, o diretor da Fundação Ideas, próxima do Partido Socilaista Operário Espanhol.
O pecado do professor Mulas Granados começou com a desconfiança dos colegas na fundação.
Diziam que a fundação pagava bem por cada artigo de Amy Martin, que seria uma afamada colunista norte americana.
No entanto, a colunista não existe e é, afinal, apenas um nome e uma marca, registados pelo próprio Mulas Granados.
Ou seja, o professor determinava que a fundação pagasse ao seu alter ego uma quantia que o jornal "El Mundo" define como um suplemento salarial.
O "El Mundo" diz que a escritora inventa rendia a Mulas Granado, 16 cêntimos por carater e 10 cêntimos pela cópia em inglês.
As faturas provam que Mulas Granado recebia pouco mais de 5 mil euros mês à conta deste esquema.
O que torna a história mais interessante é que Carlos Mulas Granado foi responsável por um gabinete de aconselhamento económico do primeiro-ministro socialista Zapatero e tem o nome na ficha técnica do relatório encomendado pelo governo português, ao Fundo monetário internacional, para a reforma do Estado.
Um relatório muito criticado pela oposição e pelos parceiros sociais, mas que o primeiro-ministro e vários membros do governo consideraram muito bem feito.
O professor Mulas Granado foi despedido, e agora, o presidente da Fundacion Ideas exige a devolução dos dinheiros pagos à inexistente Amy Martin.
O nome de Mulas Granado tinha sido já alvo de dúvidas em relação ao estudo do FMI. É que o académico espanhol recomenda para Portugal mais austeridade. A mesma austeridade que critica em Espanha.
O pecado do professor Mulas Granados começou com a desconfiança dos colegas na fundação.
Diziam que a fundação pagava bem por cada artigo de Amy Martin, que seria uma afamada colunista norte americana.
No entanto, a colunista não existe e é, afinal, apenas um nome e uma marca, registados pelo próprio Mulas Granados.
Ou seja, o professor determinava que a fundação pagasse ao seu alter ego uma quantia que o jornal "El Mundo" define como um suplemento salarial.
O "El Mundo" diz que a escritora inventa rendia a Mulas Granado, 16 cêntimos por carater e 10 cêntimos pela cópia em inglês.
As faturas provam que Mulas Granado recebia pouco mais de 5 mil euros mês à conta deste esquema.
O que torna a história mais interessante é que Carlos Mulas Granado foi responsável por um gabinete de aconselhamento económico do primeiro-ministro socialista Zapatero e tem o nome na ficha técnica do relatório encomendado pelo governo português, ao Fundo monetário internacional, para a reforma do Estado.
Um relatório muito criticado pela oposição e pelos parceiros sociais, mas que o primeiro-ministro e vários membros do governo consideraram muito bem feito.
O professor Mulas Granado foi despedido, e agora, o presidente da Fundacion Ideas exige a devolução dos dinheiros pagos à inexistente Amy Martin.
O nome de Mulas Granado tinha sido já alvo de dúvidas em relação ao estudo do FMI. É que o académico espanhol recomenda para Portugal mais austeridade. A mesma austeridade que critica em Espanha.
Nuno Domingues
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teorias da conspiração
Rosário Breve n.º 293 - nO RIBATEJO de 24 de Janeiro de 2013
Homem-do-fraque à Presidência já!
Se
o Brasil teve como presidente um Silva que era Lula, nós vingamo-nos mantendo
um Silva que é choco. Choco que faz correr muita tinta, ainda por cima.
Tu,
leitor desalmado meu, ris-te, mas olha que a metáfora cefalópode é triste. Esta
que te escrevo é crónica feita de pé desde as sete da manhã na fila do Centro
de (des)Emprego cá da parvónia. Já daí vês que mais me corrói a bílis do que me
rói o gozo. Se comigo recuares em espírito datado ao tempo do famigerado
Cavaquistão (quando os dias eram loureiros e de artes limas), saberás que foi
então que, por superior desmando e a córneo imperativo da vaca estúpida de
Bruxelas, o então primeiro-ministro assinou de cruz a destruição, por abate, da
frota pesqueira e da safra agrícola íncolas. Nem o Tenreiro da Outra Senhora
nem o mefistofelismo alucinado do Barreto desta se atreveram a tanto, ó leitor!
Perdoar-me-ás ou não (sinceramente, também não quero saber se sim ou sopas),
mas não consigo ser compassivo nem deixar de cuspir no fósforo que me queima a
alma e o bolsilho dos cêntimos. Em qualquer ajuntamento folclórico, perante um
vulgar grupo de cavaquinhos, nunca deixo de sentir que aquilo é mas é um grupo
de bêpêénezinhos. Se eu mandasse, a Presidência da República seria entregue ao
homem-do-fraque, não a um homem fraco, não a cúmplices acatadores e persignados
e genuflectidos do ataque mais intolerável aos direitos mais básicos e mais
inalienáveis da dignidade de todo um povo. Se fosse para viver de joelhos, eu
seria guarda-redes de hóquei em patins, não sei se ’tás a ver…
Sim,
se eu mandasse, poria o BPN todo na prisão sem que a vaca tossisse ou ficasse
feita ao bife. MECA é o que o chamo ao duplo mandato presidencial: Mumificação Em
Curso Acelerado de uma responsabilidade que era suposta como de salvaguarda da
Constituição, que é (ou deveria ser) Lei Fundamental por ser lei e por ser
fundamental. Mandando eu, o Mexia da EDP teria de vir a Santarém explicar ao
pessoal a estranha dendroclastia precoce do município local, que abate árvores
em vez das devidas moitas e das endividadas flores. Chiça, que a indignidade
também cansa, pá!
Ouve-me:
eu sei que não é possível carochinhar a qualquer actual ou pretérito
desgovernante a história da Branca de
Neve e os Sete Anões sem que ele, ao espelho, queira saber onde estão os
outros seis. O velho Cícero bem prègou no deserto pré-bíblico quando assentou,
com admirabilíssima concisão lapidar, que “não
há honra onde não há justiça”. O ricto mandibular de Cavaco não sinaliza
suavidades analgésicas de ter lido o anticatilinário orador romano, bem o sei
eu. (E sim, señor Presidente, os Cantos de Os Lusíadas perfazem a dezena.) Pois. Mas é que para a reforma dele
trabalhou mais de meio século febril e fabril o meu senhor e saudoso Pai, a
quem, ao cabo de uma vida de honesto e perfumado suor, escarraram no rosto a
esmola de 27 contos até que a morte o tratou por tu, pá.
A
21 de Abril de 1977, leitor, ficas a saber que, em palestra na SEDES, António
José Saraiva depunha que “no caso
português, para dar um exemplo, uma política de austeridade só poderia ter como
resultado uma diminuição dos empregos e o desaparecimento de empresas.”
1977, ó leitor! Há 36 anos que o caminho é claro como água lavada. Na mesma
data e na ocasião mesma, o mesmo AJS assentava com todo o acerto que “a sociedade de mercado é incompatível com
quaisquer valores, excepto um: o valor monetário. Tudo o que o favorece é bom,
tudo o que o contraria é mau.” Pois é, pá, pois é, povinho. E de que nos
vale que, oito dias depois (a 29/4/77, no velho Diário Popular), o co-autor (com o grande Óscar Lopes) da melhor História da Literatura Portuguesa
invocasse a “máxima kantiana segundo a
qual todo o homem deve ser tratado como sujeito e nunca como objecto por
qualquer outro homem”? Diz-me tu, ó leitor, que também és sujeito e não é
aqui que hás-de ser tratado como objecto. Olha que até uma figura oblíqua do
Bloco de Esguelha (Daniel Oliveira)
deu na mouche quando, lapidar e
concisamente também, se referiu ao inenarrável “ministro” da “Economia” como
figura “que se comporta como uma criança
num velório”.
O
trocadilho supra da lula e do choco, leitor, merecerá de ti, talvez, que passes
o jornal ao amigo que a teu lado bebe café e resmunga indignações de café
também. Talvez. Mas repara no quanto chove lá fora para comigo concluíres, em
irmanado acerto, que a diferença entre o mau tempo, de um lado, e o desPresidente
e o desGoverno, do outro – é que na verdade só o mau tempo mete respeito.
janeiro 22, 2013
janeiro 21, 2013
Solução para a Crise é a revisão Constitucional? A grande falácia.
Para quê a alteração constitucional?
Há crise?
Altere-se a Constituição!
Há leis que não passam, porque são anti-constitucionais?
Altere-se a Constituição!
Apresenta-se assim a Constituição como um texto imutável, fundamentalista e desenquadrado da dinâmica da realidade, entenda-se: da vida, e por isso, um entrave ao desenvolvimento e bem estar...
No entanto, nada mais falacioso.
Em Portugal, a primeira revisão do texto constitucional derivado do após 25 de Abril de 1974 ocorreu em 15 de outubro de 1982 e teve como objectivo a extinção do Conselho da Revolução e a reformulação do sistema dos órgãos de soberania. A segunda foi realizada em 1989 e visou a reversibilidade das nacionalizações. A terceira revisão deu-se em 1992 e produziu as alterações com vistas a adequar as normas constitucionais ao Tratado de Maastricht, que versava sobre o ingresso de Portugal na União Europeia. A quarta revisão realizada em 1997, tratou a revitalização do sistema político. A quinta revisão ocorreu em 2001 e teve em vista as modificações necessárias para a ratificação do Estatuto do Tribunal Penal Internacional. Ou seja, tem havido modificações da Constituição na medida das necessidades de adaptação.
Mas rever agora a constituição?
Para quê?
O professor Jorge Miranda escreve:
" Uma Constituição não resolve uma crise nem pode ser posta em causa a pretexto de uma crise, nem ser modificada a toda a hora (....) é imprescindível preservar a duração e estabilidade das Constituições, ou seja, a segurança juridica...
E aqui é que está o cerne da questão. Quando certos governantes apelidam de muito bem feito um documento do FMI, recheado de imprecisões e observações gratuitas umas e fortemente ideológicas outas, e agitam a seu propósito da sua implementação o entrave que a Constituição representa, precisamos urgentemente de expor a nu o que querem dizer estas afirmações.
Rever a Constituição? Quais os artigos? Os que conferem o direito em abstracto a um mínimo de dignidade social? Coisas como direito ao ensino segurança e saúde, tidas como fundamentais, passarão a ser acessórias? O direito a uma habitação digna é algo anti-económico?
Ou uma retribuição decente e mínima, será algo mirabolante e alvo imprescindível a ser revisto?
Que sociedade quer esta gente propôr, ou melhor, impor aos Portugueses?
E os Portugueses, vão deixar? Vão continuar a ser cozidos em lume brando?
Até quando?
janeiro 20, 2013
janeiro 17, 2013
Bom dia. Crónica de hoje, 17 de Janeiro de 2013, nO RIBATEJO
Em palaciana levitação
Em uma espécie de suspensão nos próprios sais: assim me sinto e ando. Como num dia de temperado inverno que o sol esclarece de quando em vez. Como nos sonhos da noite, que me (a)parecem tecidos e bordados pelas fragmentárias penélopes do pensamento sem lápis à mão nem mão. Sem luto, às vezes. Sem luta, às vezes. Uma “suspensão”, disse eu? Digo – uma levitação. Mais de olhos que de pés na terra – confesso.
De cada dia, as solicitações comezinhas da vidinha: fechar sempre a gaveta das meias, descer rebordo e tampo da sanita, mudar finalmente o arrancador do néon da cozinha, ver se é hoje que Cristo volta à Terra, agora que o mundo acabou a 21 de Dezembro passado.
Também se pode tomar o dia por palácio, resultando curial habitá-lo em domínio. Nem todos os dias é possível apalaçar a mutualidade corpo-vivo/horas-mortas. Mas, levantando-se cedo a pessoa, a evidência do Tempo é a mais reparável: em reparo como em reparação.
Na volta, reconquistar a casa, os países que cada casa, para ser Casa, deve dispor em domínio & dominação: sítio do pão, altura das louças, guarda dos livros, sarcófago das roupas, disposição territorial-operatória das máquinas, alfobre das velas, das conservas, dos sapatos, dos instrumentos de limpeza, do cinema não tão mudo quanto isso dos retratos.
Não por regra mas premeditada excepção, apanhar uma bebedeira impune e republicana à deputado(a) de agora – mas uma cardina tal, que, caindo ao chão, seja preciso apanharem-me à colherada de entre os escombros do figurativo hemiciclo pra-lamentar do chão. Na ressaca, verificar que Cristo não volta porque não existe, a necessidade Dele é que sim, à maneira do pobre com fome mas sem pão, pois que o alimento não é anterior à necessidade de o encontrar em criação. Adiante, porém. Aproveitar o retorno à sobriedade para escrever um par de versos, guardá-lo e partilhá-lo. Este par de versos: “Tenho sabido desconhecer com pertinaz valentia o que aí vem. / Uma pessoa nasce, o corpo faz-se homem, o coração nem tanto.”
Entrementes, fazer tudo e mais alguma coisa por não deixar que a íntima hialurgia rache de vez e de repugnância ante a sordidez engravatada dos “senhores à força / mandadores sem lei” que telejornalmente evangelizam a urgência de a humanidade deixar de estorvar os números, acabando sim com a miséria mas pela fome, que a um pobre morto nenhuma esmola se deve, a bem da Nação.
E, finalmente, sossegar a interior procela com a bonança da II.ª Ode Olímpica de Píndaro: “Das nossas acções / justas ou injustas, nem o Tempo, pai de quanto existe, / pode conseguir que não tenham sido praticadas, / nem pôr-lhes termo. O olvido poderá surgir, / se houver sorte.”
Sossegada enfim a procela, pois, abrir em pleno os estores do olhar ao sol do dia, que, ao contrário do Messias e do néon da cozinha enquanto o arrancador da lâmpada não for mudado, acaba sempre por voltar de jeito a iluminar a santa e palaciana paciência do meu leitor.
janeiro 15, 2013
olá, cidadãos!
Passei ao longo de largas dezenas
de anos desta vida a regar ideais, a plantar alvoradas, a adubar utopias...
Cultivo essa vida, ainda e (espero bem que) sempre, por ter interiorizado ser a
Humanidade um bem maior e passível de permanente melhoria em que a mim, sua
parte integrante ainda que ínfima, cabe a obrigação, transcendente e
intangível, de participar e de ser útil, mesmo que nem sempre aproveitável a
contento, lado a lado com o meu semelhante.
Cheguei, entretanto, ao ponto a
que todos nós chegamos, neste rincão do mundo, janela debruçada sobre o mar
Atlântico, muito pouco esperançoso e sequer sem esperar que o meu filho ache
adequado ou pertinente manter a estirpe, tal a atribulação de que é o viver um
dia-a-dia sem horizontes.
Os velhos suicidam-se. Os novos
suicidam a geração vindoura. E se alguém quiser dizer-me que isso não é culpa
dos governantes que nos têm caído no prato, é favor saírem-me da frente!
Chateia-me isto, o que é que
vocês querem? Creio bem que não foi para nada disto que, gerações após gerações,
chegaram até mim. E, também, chegaram até cada um daqueles que me estejam a ler.
Recordo o meu pai. Ainda consigo
chegar aos meus avôs. E às avós, também. E, não, não os vejo envolvidos nesta
mixórdia pasmacenta e pantanosa em que esbracejamos, aflitos.
Cultivaram couves, livros,
saberes, sabores. Arados e martelos e bigornas. Transmitiram, com maior ou
menor jeito, o testemunho de que amanhã é que vai ser…!
Não vivo acima das minhas
possibilidades. E, se alguma vez tal ocorreu, paguei-o com língua de palmo, a
taxas de juro de fazerem empalidecer de inveja quaisquer agiotas medievais,
mais ou menos judeus.
Sei, entretanto, que alguém vive
muito acima das minhas possibilidades.
Olho para o meu filho e para os
filhos dos meus companheiros de viagem e não tenho nenhuma sugestão a dar-lhes.
Não tenho, pelos vistos, nenhum legado a deixar-lhes.
Perdi a carroça da História e
arrasto-os comigo? Ou terá chegado o tempo de erguer novas barricadas e
inventar as bandeiras que o futuro deve empunhar?
Não sei. Mas estou, muito
seriamente empenhado, a pensar no assunto.
E para aqueles que padecem da
maleita do nada-se-pode-fazerite, ocorre-me sugerir algumas ideias de
desobediência civil – que é do que a corja anda a precisar -, à português
suave, definitivamente temporário ou provisoriamente definitivo:
- os gajos, que são gajos, podem
pensar em deixar crescer as pilosidades faciais e clamar que não as cortarão
enquanto este governo não for derrubado. Eis aí um modo eficaz e barato de dar
a cara à luta, na verdadeira acepção do termo e em favor de uma causa, política
como o caraças. Um novo tango dos barbudos contra a tanga dos sabujos…
- as gajas poderão fazer algo
similar, enxameando o País que temos com potenciais Godivas morenas e algumas
loiras, mas todas genuínas, curvilíneas e exaltantes, de cabelos à
Madalena-que-não-se-arrepende e, pelo contrário, se a deixarem, ainda há-de ir
mais longe na rebeldia, selvagem, afoita e cabeluda;
- entretanto, eles e elas, sem
emprego, sem perspectivas, sem arco-íris nem horizontes, devem correr todos,
pressurosos, a inscreverem-se nas juventudes partidárias do chamado «arco do
poder» - mas, note-se, em todas e em
simultâneo! – e, depois de lá estarem dentro, exijam cargos de assessorias,
de mordomias, de confrarias, de assimetrias, de arrebaldarias, de regalias, de
flostrias…
Será, quiçá, um novo Abril sem
cravos, mas com cravas. Às avessas, portanto, mas sempre Abril. Um universo glorioso
e uniforme de cravas a exigirem igualdade de tratamento discricionário. Um
amanhã que não canta, mas assarapanta e avassala. A igualdade de acesso ao
condomínio fechado, à sinecura, ao beneplácito, à prebenda, ao nepotismo.
Afinal, apenas o cultivo do
conceito de que, para pior, também eu sou capaz e de que o Sol, quando nasce,
há-de ser para todos, se Deus quiser e se o Diabo deixar…
Mas, fundamentalmente, cada um de
nós a optar por sobreviver à sombra da bananeira, como modo airoso de singrar
na vida, a despeito de sabermos da existência de uma parte da Humanidade que
não tem, sequer, como viver. Todos iguais, enfim, na desgraça de sermos como fizermos.
O «outro», como a Alice do filme,
já não mora aqui…
E, a talhe de foice, é sempre bom lembrar:
janeiro 14, 2013
As impossibilidades dos outros
É impossível que não torças por nenhum clube de futebol ou que não tenhas cor partidária.
Não acredito que não faças nada para não engordar.
Estás a dizer que X, mas o que pensas é Y, eu é que sei.
Não me venhas dizer que não gostas de novelas nem do programa que toda a gente vê, isso és tu a armar ao intelectual.
É impossível que te metas em todas essas coisas ao mesmo tempo, vais falhar nalguma.
Não podes não gostar de tripas, de sardinhas assadas nem dos doces do Natal.
Não tem lógica que gostes de literatura e de sapatos, cremes e filosofia, batons e cinema, estás a ser incoerente.
[E é assim que, pela voz dos outros, eu vou sabendo aquilo que posso ou não ser, o que vejo e defendo, os interesses que me é permitido ter e o limite para além do qual vou falhar.
Obrigadinha, é sempre bom ter a vossa voz a centrar-me, de outro modo nem sei o que seria de mim.]
Não acredito que não faças nada para não engordar.
Estás a dizer que X, mas o que pensas é Y, eu é que sei.
Não me venhas dizer que não gostas de novelas nem do programa que toda a gente vê, isso és tu a armar ao intelectual.
É impossível que te metas em todas essas coisas ao mesmo tempo, vais falhar nalguma.
Não podes não gostar de tripas, de sardinhas assadas nem dos doces do Natal.
Não tem lógica que gostes de literatura e de sapatos, cremes e filosofia, batons e cinema, estás a ser incoerente.
[E é assim que, pela voz dos outros, eu vou sabendo aquilo que posso ou não ser, o que vejo e defendo, os interesses que me é permitido ter e o limite para além do qual vou falhar.
Obrigadinha, é sempre bom ter a vossa voz a centrar-me, de outro modo nem sei o que seria de mim.]
A posta que quando voltar a acontecer dirão que foi apenas um azar
Dificilmente alguém poderá contestar a capacidade e a competência de um domador para treinar animais. De resto, os domadores conseguem criar laços de proximidade extrema com animais selvagens ou mesmo ferozes e espantam multidões ao enfiarem a cabeça na boca de leões sem que nenhum mal lhes aconteça.
Ainda assim, não há muito tempo, o próprio Hugo Cardinalli acabou internado num hospital e os ferimentos sofridos na sequência do ataque imprevisto por parte de uma das suas feras domesticadas acabaram por ser um mal menor, pois sobreviveu.
A criança alentejana que, aos 18 meses de idade, foi atacada por uma fera de estimação numa casa de família teve menos sorte, pois morreu.
O paralelo entre ambas as situações é simples: seres humanos forçaram a barra da natureza e entregaram a sua segurança ao pressuposto de que tudo correria pelo melhor, confiando no bom senso de animais perigosos para saberem lidar com situações imprevistas. Contudo, tanto o felino que marcou o domador com unhas e dentes como o canídeo que fincou estes últimos no crânio de um bebé defraudaram as expectativas criadas em torno da alegada eficácia do treino ou da domesticação de criaturas cuja evolução natural ouman made lhes incutiu um instinto predador ou simplesmente agressivo em matéria de domínio territorial.
Um leão pertence tanto à arena de um circo como um pit bull pertence à cozinha de um apartamento. Criticar o dono de um cão de raça perigosa por ser incapaz de controlar o animal a todo o momento equivale a criticar o dono de uma metralhadora por esta se disparar sozinha por encravamento do gatilho ou defeito não descoberto no mecanismo de bloqueio da arma em causa.
O problema continua a ser o mesmo: muitos cidadãos comuns são incapazes de prevenir as coisas que só acontecem aos outros quando tomam a seu cargo responsabilidades que envolvam o risco de vida para si e para quem esteja por perto.
Essa é a lógica expressa na Lei quando proíbe os cidadãos comuns de terem metralhadoras ou morteiros em casa e é o mesmo espírito da que não autoriza a adopção de tigres da Sibéria ou de serpentes venenosas como animais de companhia.
Quando milhares de cidadãos se aprestam a assinar uma petição para impedirem o abate de um animal que, por incúria dos donos mas também dos adultos que deixaram uma criança entregue a si mesma num espaço sem luz, já se provou constituir uma ameaça para os seres humanos, com base no argumento de que a fera assassina não é culpada do que se passou e pode ser treinada para não repetir a façanha, apetece-me levar o raciocínio ao extremo a ver se entendem a base imbecil do seu impulso salvador.
Se confiam em absoluto na capacidade de treino de um animal que matou alguém, porque não arriscam promover o animal a cão de guarda numa creche frequentada por filhos dos subscritores da dita petição? Seria uma questão de coerência e desmentiria até os que como eu defendem a proibição absoluta da permanência de cães de raça perigosa em casas de habitação e, acima de tudo, nas mesmas ruas onde a minha filha merece circular sem temer perigos mais habituais numa savana.
A referida petição pode até ser subscrita pelos mesmos cidadãos defensores dos animais que as assinam contra as touradas ou, ironia, contra o cativeiro de animais selvagens nos circos deste país. Ou seja, podem estar carregados de boas intenções e centrados apenas no interesse dos bichinhos. Porém, ao seu gesto adorável que promove o indulto para um monstro potencial que matou porque o deixaram e não porque quis corresponderá uma ainda maior permissividade legislativa para com as máquinas assassinas (contra factos e números não há argumentos) que nada pode impedir de reagirem como tal em determinadas circunstâncias que, cedo ou tarde, acabarão por se repetir e somarão mais morte e mutilação ao triste registo destes cães que matam mais só em Portugal do que matam os tubarões no mundo inteiro.
O resto é folclore mais a ingenuidade e a estupidez tradicionais dos que deixam manipular as suas emoções pelos interesses de criadores abastados e de donos incapazes de aceitarem a evidência de que muitos cães mordem as mãos que os alimentam até ao dia em que são surpreendidos à dentada nas suas ou nas de quem se torna vítima da negligência ou apenas do azar de ir a passar quando a verdadeira Natureza se impõe.
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