outubro 16, 2013

Metáfora ciclística a Passos Coelho e ao seu elenco governativo, em dia de orçamento desgraçado...

Eles são assim uma espécie de ciclistas suburbanos, sem ciclovias para dar à perna, quiçá porque vivem num país onde se pensa em cada coisa por sua vez - quando se pensa - daí decorrendo que, passando algures uma estrada criada para automóveis, sempre se considerou que aí onde circula um carro há-de caber uma bicicleta. 

Então, estão constrangidos a circular nas vias destinadas a todos os veículos e nelas, correm incontáveis riscos e contribuem alegre e conscientemente para o caos do trânsito sub e urbano. 

Triste e inconscientemente contribuem, também, para os índices de sinistralidade.  

Para algum céptico do que vou dizendo, sempre posso invocar a estrada marginal da Costa do Estoril até Lisboa onde, a partir das sete horas da manhã, apenas dois a três ciclistas conseguem o feito homérico de promover quilométricas bichas de milhares de concidadãos automobilizados, a bem da produtividade nacional e dos impostos em combustíveis a favor do Estado.

Mas têm, gritantemente, toda a legitimidade e direitos que qualquer outro circulante, tal como o Código da Estrada assim define e regulamenta e também por rigores de constitucionalidade.

E eles lá vão, equipados a rigor e de mochila às costas, onde transportam o fatinho de circunstância para o emprego que houver, dando à perna com denodo e valentia, enquanto atrás de si se formam as filas de carros, espreitando uma oportunidade – também ela legal e regulamentada, mas constrangida – para ultrapassar aqueles legítimos empatas. 

Estes dignos cidadãos a duas rodas só têm contra eles uma pequena colecção de senãos: quando a alguns lhes apetece ou é mais obviamente conveniente, passam por cima da circunstância de serem, de facto e de direito, cidadãos em cumprimento das leis e é vê-los, determinados e audazes, a marimbarem-se para os sinais de trânsito em geral e os semáforos vermelhos em particular, rodando nos passeios carregados de peões em gincanas alucinadas, atravessando passadeiras em ímpetos inesperados, que o tempo urge e quem anda a pé que se cuide e amanhe. 

É este o melhor dos mundos: na lei quando ela nos favorece, fora dela quando nos constrange. A impunidade está garantida, à partida, pelo estado geral de desleixo que grassa num país também sem dinheiro para pagar a agentes que assegurem serviços mínimos de civismo ou civilidade. 

Restará ao peão munir-se com uma armadura para se proteger de atropelamentos, mas munir-se também de algum sarrafo adequado para praticar, quando algum despautério de um desses briosos e atléticos cidadãos o justificar, alguma «justiça popular». Se calhar, também impunemente… 

Carais! Como acontece com os caracóis e as lesmas, os exemplos que nos chegam de cima deixam rasto…

Também podia fazer aqui outra metáfora mas com os donos dos cãezinhos, queridíssimos e domésticos, que pontuam as calçadas com a merda do nosso descontentamento, mas creio que a conclusão não seria muito diferente.  

Pronto! É o que me está a suscitar uma análise sucinta do orçamento de estado apresentado para 2014.

a super-avó...

 Ana Baptista, de 87 anos, conseguiu salvar do fogo uma amiga de infância de... 82

outubro 15, 2013

assim de repente...


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Greves da fome na prisão de Guantánamo Bay reveladas num vídeo de animação

"No final de Setembro, os militares dos E.U.A. declararam que as greves de fome na prisão da baía de Guantánamo acabaram. «No seu auge», escreve Charlie Savage no The New York Times, «106 dos 166 prisioneiros... foram listados como tendo participado» na greve. Esse número agora caiu para 19, dizem eles, e «a todos eles está a ser dado o nível adequado de cuidados». O que isso significa exactamente? Podemos ter uma ideia com este vídeo animado criado pelo jornal «The Guardian». Em 6 minutos, somos introduzidos no mundo das pessoas que passaram anos na prisão. Eles nunca foram acusados de nenhum crime, nem tiveram acesso ao sistema legal. Apesar de terem tido decisões judiciais para a sua libertação, muitos permanecem presos no limbo, ano após ano. Quando eles perdem a esperança e entram em greve de fome, eles têm tubos e alimentos introduzidos pelos seus narizes. Por mais pungente que seja, a animação colorida pode fazer-nos reagir em relação ao que está realmente a acontecer em Guantánamo. Talvez seja melhor olhar para estas imagens coloridas para apreciar plenamente o sistema kafkiano que o governo dos E.U.A. colocou em prática."
- in Open Culture


outubro 14, 2013

A verdade tremenda sobre as origens da emigração ilegal do Norte de África


...é mais do que altura de abrirmos os olhos, ainda o podemos fazer, o Somali na foto já não o pode
É de admirar que os desgraçados assaltem os barcos e outros tenham de fugir de um sítio que os viu nascer mas onde não podem viver?...


habitante Somali atingido por lixo tóxico Foto http://somalitalk.com/
Somos praticamente todos os dias confrontados com a tragédia em corrente contínua que é em resumo o fluxo ininterrupto de gente que se atira literalmente ao mar em desespero. Uma pequena parte da austeridade que sofremos e que apenas serve para enriquecer ainda mais os mais ricos e empobrecer os mais pobres e tornar os que são mais pobres miseráveis resolveria o drama inadmissível dos milhares de mortes resultantes da emigração ilegal do Norte de África para a Europa.

As causas são difusas e mantidas distantes do nosso entendimento, para a grande maioria das pessoas são apenas uma estranheza incómoda, essa coisa de gente nos barcos que vêm engrossar os bairros marginais.

Pouco ou nada podemos fazer, julgamos, mas a verdade é que poderíamos fazer toda a diferença.
E começaria na nossa rua, e por razões aparentemente tão distantes, que nem nos damos conta como quando por exemplo compramos um pacote de açúcar.
Na Africa equatorial, existiam não um nem dois tipos de açúcar, mas dezenas.
Com paladares, texturas e aplicações diferentes.
Um dos açúcares, por exemplo, tinha a característica de se transformar pela acção do calor em caramelo líquido de forma permanente. Com um sabor distinto e inconfundível e adequados para os pudins e bolos.
Esse produto, cuja produção em toda a linha, desde o cultivo, a apanha e a transformação, poderia dar trabalho e dignidade aos povos, foi simplesmente cilindrado por ? ....a nossa PAC.
A par da equivalente nos EUA, um pacote de açúcar chega tão barato aos mercados africanos que tradicionalmente viviam do nicho dos açúcares, que pura e simplesmente foram à falência. O mesmo se pode dizer em relação a quase todas as outras produções tradicionais que não têm hipótese perante a máquina cilindradora com os apoios dos Estados à cabeça.
O que acontece é de facto um dumping puro e simples de todas as produções em todas as áreas. Por outro lado, e decorrente da situação de desgraça em que os povos se encontram, encetam então a penúltima fase da sua - a prazo da nossa- desgraça: a desflorestação. Na mão dos especuladores e oportunistas desbaratam pela pressão da sobrevivência imediata, toda a sua riqueza natural e a troco de quase nada.
O que resta no fim é apenas o que vemos. Gente desesperada que se atira ao mar de qualquer maneira.
Porque morrer por morrer, que seja antes por tentar do que à fome.
O mesmo quadro temos a situação que se vive nas costas orientais do grande continente negro.

Todos nos interrogamos o porquê da brandura com que se tratam os assaltantes dos navios. Mas é de facto um afloramento de má consciência a acção suave exercida relativamente aos desmandos dos  chamados piratas. O que ninguém diz é que as máfias tomaram conta de um negócio milionário e extremamente perigoso com consequências trágicas para já para os desgraçados dos Africanos, e a prazo para todos.
contentores cheios de lixo tóxico Foto http://somalitalk.com/
O “tratamento” de lixos perigosos e tóxicos, inclusivamente nucleares que muitas empresas do ramo encetam acaba pura e simplesmente em contentores que são atirados junto às costas desses países. Um negócio milionário já que os tratamentos a sério, são caríssimos, e as empresas cobram-nas dos Estados mas depois atiram o veneno para cima dos “não-Estados” vítimas de lutas internas e dominados pelos “senhores da guerra”.
Muitos contentores rebentam junto às costas envenenando todo o ambiente e os habitantes locais pura e simplesmente não podem já viver da pesca como sempre fizeram, nem podem sequer aproximar-se da maior parte dos areais, pejados de centenas de contentores a verter de forma contínua o seu conteúdo letal para o meio envolvente.

-Ficamos doentes- dizem, e apontam para os barcos que ao longe se dirigem de,  e para, o estreito de Suez.
-Foram eles que nos mataram os peixes e agora a gente vai lá para que paguem pelo mal que nos tem feito.

É de admirar que por um lado os países onde NÓS VIVEMOS, fazendo conta que não sabem de nada, apenas exercitem uma suave dissuasão? É de admirar que os desgraçados assaltem os barcos e outros  tenham de fugir de um sítio que os viu nascer mas onde não podem viver?

A desculpa da crise veio ainda agravar mais o problema. Sem dinheiro, os Estados são reféns e recorrem aos que menos cobram em todas as áreas e é a Mafia que domina no fim da linha as actividades ligadas a lixos tóxicos. É uma perfeita vergonha e estupidez alimentar esta bomba-relógio que temos literalmente nas mãos. São os Estados que fazem o dinheiro, e os governantes não tem nada que ser reféns de outra coisa que não seja a sua missão em relação aos cidadãos que compõem os Estados. Nem crises, Troikas  e mafiosos poderão alguma estar acima destes valores.
por isso urge acordar, abrir os olhos e tomar um atitude, seja qual for, porque uma vez atingido determinados limites e ultrapassados estes, tudo é admissível excepto o deixar andar.
 

outubro 13, 2013

Daniel Oliveira diz de Pedro Passos Coelho só aquilo que ele merece:



Texto de Daniel Oliveira acerca da sua perplexidade – a que gostaria de juntar a minha – ao ver, ouvir e ler uma personagem que nos saiu em rifa eleitoral e que dá pelo nome de Pedro Passos Coelho.

"Há pessoas que tiveram uma vida difícil. Por mérito próprio ou não, ela melhorou. Mas ficaram para sempre endurecidas na sua incapacidade de sofrer pelos outros. São cruéis.
Há pessoas que tiveram uma vida mais fácil. Mas, na educação que receberam, não deixaram de conhecer a vida de quem os rodeia e nunca perderam a consciência de que seus privilégios são isso mesmo: privilégios. São bem formadas.
E há pessoas que tiveram a felicidade de viver sem problemas económicos e profissionais de maior e a infelicidade de nada aprender com as dificuldades dos outros. São rapazolas.

Não atribuo às infantis declarações de Passos Coelho
sobre o desemprego nenhum sentido político ou ideológico. Apenas a prova de que é possível chegar aos 47 anos com a experiência social de um adolescente, a cargos de responsabilidade com o currículo de jotinha,a líder partidário com a inteligência de uma amiba, a primeiro-ministro com a sofisticação intelectual de um cliente habitual do fórum TSF e a governante sem nunca chegar a perceber que não é para receberem sermões idiotas sobre a forma como vivem que os cidadãos participam em eleições.
Serei insultuoso no que escrevo? Não chego aos calcanhares de quem fala com esta leviandade das dificuldades da vida de pessoas que nunca conheceram outra coisa que não fosse o "risco" Sobre a caracterização que Passos Coelho fez, na sua intervenção, dos portugueses, que não merecia, pela sua indigência, um segundo do tempo de ninguém se fosse feita na mesa de um café, escreverei depois. Hoje fico-me pelo espanto que diariamente ainda consigo sentir:
Como é que este rapaz chegou a primeiro-ministro?
 
- Texto de Daniel Oliveira

A propósito do dito:

Nome: Pedro Passos Coelho
Data de nascimento: 24 de julho de 1964
Formação Académica: Licenciatura em Economia pela Universidade Lusíada (concluída em 2001, com 37 anos de idade).
Percurso profissional: Até 2004, apenas actividade partidária na JSD e PSD.
A partir de 2004 (com 40 anos de idade) passou a desempenhar vários cargos em empresas do amigo e companheiro de Partido, Eng.º Ângelo Correia, de quem foi diligente e dedicado moço-de-fretes, tais como:
(2007-2009) Administrador Executivo da Fomentinvest, SGPS, SA;
(2007-2009) Presidente da HLC Tejo, SA;
(2007-2009) Administrador Executivo da Fomentinvest;
(2007-2009) Administrador Não Executivo da Ecoambiente, SA;
(2005-2009) Presidente da Ribtejo, SA;
(2005-2007) Administrador Não Executivo da Tecnidata SGPS;
(2005-2007) Administrador Não Executivo da Adtech, SA;
(2004-2006) Director Financeiro da Fomentinvest, SGPS, SA;
(2004-2009) Administrador Delegado da Tejo Ambiente, SA;
(2004-2006) Administrador Financeiro da HLC Tejo, SA.

E é este homem que:
- Nunca soube o que era trabalhar até aos 37 anos de idade!
- Mesmo sem ocupação profissional, só conseguiu terminar a Licenciatura (numa universidade privada) aos 37 anos de idade!
- Sem experiência de vida e de trabalho, conseguiu logo obter emprego como ADMINISTRADOR!

Se atreve a:
- Falar de mérito profissional e de esforço na vida!
- Pretender dar lições de vida a milhares de trabalhadores deste país que nunca chegarão a administradores de coisa alguma, mas que labutam arduamente há muitos anos, ganhando salários de sobrevivência!
 
É esta amostra de homem que governa este País!

solução para a 25 Abril

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outubro 11, 2013

Ponte 25 Abril

corridas sim, manifestações... não convém
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outubro 09, 2013

o coelho vai ser interrogado...

a ver vamos...
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A posta na plástica

É fácil rotular o cuidado (que se tem por excessivo) que algumas pessoas dedicam à sua aparência. Basta considerar coisas como o botox, o silicone ou o branqueamento anal.
É fácil porque é excessivo. Porém, é impossível traçar uma linha a partir da qual já podemos catalogar um excesso, salvo raras excepções, sobretudo num domínio em que cada um/a sabe de si e todos têm o direito a não levar com considerações de terceiros acerca de opções tão pessoais.
Claro que isto é muito claro na teoria. Na prática, apontamos o dedo a quem acrescenta as mamas enquanto reparamos que está na altura de cortar as unhas.

Onde quero eu chegar com isto? As tais linhas que todos gostamos de traçar relativamente às escolhas dos outros são imaginárias e subjectivas (quase mitológicas, portanto) e nunca coincidem com as das pessoas visadas.
Definimos os nossos próprios limites mas isso não nos impede de os alterar ao longo do caminho, nem que pelo efeito tramado da passagem do tempo no nosso visual.
Alguns dos que se chocam com o excesso de maquilhagem de outrem pintam o cabelo de outra cor que não a sua, deitando às urtigas o tal conceito do artificial que, bem vistas as coisas, veste os dois exemplos em causa ainda que com diferentes (e hipotéticas) gradações.

É o tal piso escorregadio dos limites e das avaliações quantitativas, nos outros como em nós. Às tantas, mesmo os que se afirmam alheios a essas coisas da aparência acabam um dia confrontados com a realidade da sua. E lá vão por água abaixo os argumentos “para fora”, na reacção hostil à verdade que qualquer espelho insiste reflectir.
A aparência, que não conta para ninguém, é lixada quando constitui uma clara desvantagem na interacção com os tais outros que também afirmam não ligar coisa alguma e depois a pessoa cai do céu quando percebe que falar é fácil e que toda a gente vai concentrar a atenção na borbulha feia por cima do nariz.

Para felizes contemplados com um visual agradável de origem o problema pode assumir proporções mais sérias, pela novidade da perda de confiança em si mesmos, o abanão num dado adquirido tão fácil de tombar pelo efeito da perda de um dente frontal ou de largas porções de cabelo. Ou das primeiras rugas. Ou de outra coisa qualquer que se imponha como um handicap potencial e seja demasiado óbvia para dissimular.
É nessa altura que a aparência passa de figurante a protagonista e o filme é quase de terror.

Tudo é muito relativo e de estanque já nem se safam as verdades ditas universais como, por exemplo, a que dizia que as pessoas e os livros não se julgam pela capa.
Nas bibliotecas como no resto da vida, são instintivamente escolhidos os mais apelativos, os mais perfeitos, os mais bonitos, os mais jovens e depois do que a vista selecciona, só depois, podem eventualmente impor-se outros detalhes a que chamamos “as coisas importantes” ou assim.
E o resto, perdoem-me a franqueza, não passa de mais um politicamente correcto folclore das boas intenções.

outubro 08, 2013

Isto não é rever em alta! É rever em menos baixa!

"O Banco de Portugal reviu nesta terça-feira em alta as suas estimativas de crescimento para a economia durante este ano. Em Julho, apontava para uma contracção de 2%, agora prevê uma redução mais moderada do PIB de 1,6%"
(in Público)

Registo de marcas - um abuso dos agentes da propriedade industrial que se mantém desde há muitos anos


Os detentores de uma marca ou patente já devem ter recebido cartas como esta, de «agentes oficiais de propriedade industrial», cujo texto é abusivo e enganador, pois dá a entender, de forma enganosa, que essa renovação tem de passar por essa entidade remetente, quando os registos e renovações de marcas ou patentes podem ser feitos directamente no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) pelos interessados, sendo que se pode usar a sua página internet para esse fim, com custos até mais reduzidos em relação à tabela "normal".

Saturado de receber estas cartas, contactei o INPI, que me remeteu para a ACPI - Associação Portuguesa dos Consultores em Propriedade Industrial. Contactei esta Associação em Maio deste ano e recebi um e-mail em que me comunicavam ir analisar o assunto. E que "podemos desde já informar e sem qualquer juízo de valor sobre o teor da carta que nos enviou em anexo, que nem a empresa que figura no papel de carta nem quem a assina não são associados da ACPI". Depois de muitas insistências minhas e de enviar uma segunda carta de teor idêntico (de outra entidade), em 27 de Setembro recebi finalmente este e-mail da ACPI:

"Exmo. Senhor Paulo Moura,
A Direcção da ACPI analisou o seu email de 14 de Maio de 2013 que nos parece suscitar 2 questões:
- a entidade “Agente Oficial da Propriedade Industrial”;
- o alegado carácter “enganoso” da carta recebida.
Quanto ao primeiro aspecto, gostaríamos de esclarecer que o Agente Oficial da Propriedade Industrial é uma profissão legalmente reconhecida e regulamentada pelo Decreto Lei n.º 15/95, de 24 de Janeiro. O AOPI é um profissional especialmente habilitado, por investidura formal do INPI após a prestação de provas de aptidão, a praticar actos junto do INPI e a aconselhar os interessados sobre matérias de propriedade industrial. Trata-se de matérias frequentemente complexas e muito relevantes para a actividade económica das empresas em que, portanto, o papel do agente e consultor em propriedade industrial é fundamental.
Quanto ao segundo aspecto, queremos salientar, antes de mais, que a ACPI é uma associação privada, sem fins lucrativos, cujo objectivo é limitado à defesa dos direitos e interesses profissionais dos seus associados e à contribuição para o estudo e aperfeiçoamento das leis sobre a Propriedade Intelectual. Não compete à ACPI o sancionamento ou a aplicação de quaisquer penas disciplinares aos Agentes Oficiais da Propriedade Industrial. Nos termos do artigo 19 do DL n.º 15/95, de 24 de Janeiro, o regime sancionatório da violação dos deveres profissionais dos Agentes Oficiais da Propriedade Industrial deverá constar de diploma próprio, ainda não aprovado. A este respeito, a direção da ACPI irá tentar minorar este problema junto das entidades oficiais. Nas atuais condições, a ACPI pode apenas pronunciar-se sobre o cumprimento das regras definidas nos seus próprios Estatutos por parte dos seus associados.
No caso concreto, o Conselho Disciplinar, a quem foi pedido que se debruçasse sobre o conteúdo da sua carta, e a Direcção da ACPI entenderam que, à luz dos Estatutos da ACPI, não se verificam os pressupostos necessários para iniciar um procedimento disciplinar.
No entanto, a direção da ACPI compreendeu o problema que nos endereçou, com a possibilidade do texto ser entendido como enganoso. Neste sentido a ACPI vai enviar aos seus associados uma recomendação para que tentem utilizar uma linguagem que afaste a possibilidade de esses avisos serem classificados como enganosos.
Por último e relativamente à última carta que recebeu, o resultado seria o mesmo, uma vez que ninguém nesse escritório é associado da ACPI.
Com os melhores cumprimentos,
João Carlos Santana Jorge
Secretário-Geral"

Ou seja, trabalho há 30 anos e há 30 anos que vejo estas "cartas"... mas não há nenhum diploma legal que regulamente a actividade dos Agentes Oficiais da Propriedade Industrial?!

outubro 06, 2013

Do lado de cá

Nunca primei pelo optimismo, admito. Perante alguns factos que me chocam opto sempre pela preocupação inerente às minhas previsões (quase sempre) catastrofistas.
Quando tento entender o funcionamento desse mecanismo interno que me conduz para os receios pelo pior, apenas um dos desfechos possíveis em qualquer situação, percebo que a lógica assume um papel relevante.
Essa lógica é a que me diz ser absurdo não vaticinar um pesadelo quando, à face das evidências, estão reunidos todos os ingredientes para o mesmo se verificar.

Lampedusa, uma localidade italiana que bem dispensaria a associação sinistra impossível de evitar, é apenas uma face visível dessa tragédia que está a acontecer com cada vez maior frequência, o êxodo em massa por parte das populações aterrorizadas e famintas de boa parte do hemisfério sul.
E na minha visão pessimista do futuro, a fortaleza em que se estão a transformar muitos países ocidentais da zona mediterrânica mas também nos EUA no que respeita à sua fronteira com o México, por exemplo, vai progredir para uma barreira instransponível futura que, na prática, assumirá esta vergonhosa divisão do planeta em dois.

Nunca conheceremos a verdadeira dimensão deste horror, nos números como nos contornos tenebrosos da jornada dos emigrantes africanos no mar feito estrada para um paraíso como naturalmente o entenderão.
É desumano, é assustador e, face à reacção hostil que acaba por marcar a actuação das autoridades nos países confrontados com o problema, é descaradamente cruel.
É de pessoas que se trata. Com peles diferentes, com culturas distintas, com o azar de terem nascido no local e no tempo errados para quem ambicione a felicidade de coisas tão simples como uma terra em paz. Mas são gente, gente que arrisca a morte com filhos nos braços depois de pagar fortunas por uma viagem sem retorno nas piores condições que conseguimos imaginar.
Essa é a realidade tal como está a acontecer e envolve números na casa das dezenas de milhar, todos os anos. E não estamos a falar de gnus.

O dilema com que deste lado dourado do mundo, por estranho que isso possa soar, nos confrontamos passa pela luta interna entre o humanismo elementar que nos impele a acudir a estas pessoas em aflição, com culpas no cartório para a Europa colonialista, e o pragmatismo financeiro dos que têm optado pela via da fortificação, no sentido de impedir o afluxo de gente de fora que custa dinheiro só pelo facto de ter que se reparti-lo.
Numa balança com um dos pratos ocupados pelo dinheiro já sabemos para que lado os pratos, as decisões, penderão, somando-lhe a xenofobia, o racismo, a ganância, a desumanidade de uns quantos que, quando todos em sintonia, são demasiados e até há exemplos de como conseguem chegar ao poder em eleições nestas democracias cada vez mais bizarras.

É esse, sem dúvida, o rumo que italianos, espanhóis, turcos e todos quantos, na Europa, sentem mais de perto e com maior intensidade o problema têm optado por seguir. Mais vigilância nas fronteiras, mais repressão dos clandestinos, repatriamento na ponta da língua para a maioria dos que conseguem capturar com vida.
É essa a barreira intransponível que estamos todos a construir, passo a passo, até à tal visão pessimista do futuro como o prevejo para um mundo inteiro em convulsão. Um planeta armado até aos dentes e dotado de tecnologia superior, a norte, com os seus recursos empenhados na manutenção dessa fronteira global pouco acima do equador. Interdito para todos aqueles que, dessa forma, serão abertamente declarados inferiores.
E um outro planeta, a sul, faminto e desesperado, sem recursos ou com os mesmos esgotados pelas alterações climáticas ou pela rapina ocidental, a alimentarem os ódios que se converterão naquilo a que chamaremos terrorismo mas não deixará por isso de ser na realidade uma luta pela sobrevivência, a exigência de um equilíbrio que, por este caminho que lhes oferecemos, é fácil concluir dos dois lados da barricada que só à bruta poderão algum dia alcançar.  

outubro 05, 2013

"Em Portugal, ninguém está acima da lei" - Cavaco da Silva hoje

Ah, pois não! Nem precisam! Contornam-na!

Hoje, pós-eleições e de feriado roubado, acordei assim: caceteiro!
E viva a República!


Neste dia de encerramento do feriado do 5 de Outubro, sinto pena do povo português. Logo e como corolário, sinto pena de mim. Ora, porquê?

Nada de muito especial ou novo. Atente-se:

- José Luís Vaz, autarca de Sátão, que, por não ser Camões, pode abrir sem poesia os dois olhos para a vida e, principalmente, para a vidinha, atingido que foi o seu limite de mandatos, manda a mulher concorrer; o povo vota nele através dela; ela ganha e abdica em favor dele e o Luís Vaz que não é Camões, enquanto vice da mulher, assume de novo a presidência da autarquia. Elementar, meu caro Luís Vaz.

Não é ilegal? Não foi aqui contornada a lei com uma chiquelina indecente? Não é um expediente indigno, até pelo papel da mulher neste processo?
Ora, que se lixem as eleições e, por extensão, a democracia, já lá dizia o outro, e os bons exemplos vêm de cima, etc. e tal…

Se o povo de Sátão tivesse ainda a consciência, mesmo vaga, do que é um pingo da mais elementar dignidade ou decência teria zurzido o energúmeno espertalhóide por elementar falta de respeito ao povo e pespegado com ele e mai-la mulherzinha, cúmplice da palhaçada, no pelourinho da terra, exposto o seu opróbio à tomatada da populaça e tudo haveria de acabar em bem e num ambiente bem menos poluído para os lados de Sátão.

Mas não. Estão todos bem com as respectivas consciências, desde o voto à aceitação do caso e como burro velho não toma andadura, dificilmente se imaginará que alguma coisa boa nos venha de Sátão, pelas gerações mais próximas. Que isto pega-se, de pais para filhos…

Não será despiciendo apurar que este Luís, noutras carnaduras, foi professor. Pode imaginar-se o extraordinário magistério exercido durante o cargo e a passagem de testemunho de tão elevado exemplo de pendor cívico.

- Já no concelho de Portugal com mais licenciados e outras coisas ainda mais tremendas, Oeiras, um ex-presidente de Câmara, Isaltino Morais, a quem se pode admitir obra feita mas que só não se alcandora à postura de Marquês de Pombal do século XXI por vivermos em mal-amanhada república, actualmente condenado e preso por fraude fiscal ou lá pelo que muito bem seja, mas ainda assim condenado pelos Tribunais portugueses, ganha as eleições por Vistas entrepostas e recebe, ainda que da lonjura da sua cela prisional, uma manifestação de regozijo do povão, mal concluída que foi a contagem de votos.

Ora, as manifestações «espontâneas», sendo ilegais, não costumam ser objecto de cacetada policial? Lembram-se da recente marcha sobre a Ponte 25 de Abril? Vejam bem o que agora se perdeu…! Manifestação de apoio e regozijo a um preso condenado? Porquê? Deveria ter continuado a fazer aquilo que o fez condenar? E por alma de quem? A bem da nação? Ou da carteira dele e dos amigos? A alegada «obra feita» pode justificar o crime?

O povo não tem, necessariamente, pudor, já se sabe, até por ser entidade sem partes pudendas específicas ou explícitas. Mas supõe-se, geralmente, que tem decência e a sua ética enquanto entidade colectiva é o paradigma comportamental do indivíduo.

Aqui, não. Pelos vistos e pelas vistas. De onde se concluirá, no contexto, qual a transcendência da paisagem.

- Também apurei que os três partidos mais votados contabilizaram menos 800.000 votos do que nas anteriores eleições e que a abstenção se situou nos 47% dos votantes, ou seja, em números arredondados, cerca de metade da população de Portugal considera que votar é perda de tempo e, portanto, a alternativa é tratar da vidinha ou ficar a coçar os atributos ou a falta deles no sofá da sala.

Imagino-me, por este caminho, a assistir, em eleições autárquicas daqui a uns vinte anitos, a resultados do tipo:

« - Na freguesia de Alpendurada da Coxa o partido X obteve uma retumbante vitória de 100% nas eleições, como claro e indesmentível indício do apoio esmagador do eleitorado, reflexo da obra transcendente levada a cabo na moradia de residência do actual e já anterior presidente, que tanto enriquece o património da freguesia… O partido X contou com dois votos: o do único residente que se dignou ser levado às urnas, transportado pelo carro dos bombeiros do lar onde se encontrava internado, por sinal o progenitor do presidente da Junta, e o do próprio presidente em funções e candidato, que no-lo confidenciou com um sorriso maroto mas esclarecido… A própria Coxa que deu o nome à freguesia encontra-se com residência incerta no estrangeiro, pelo que não terá votado, e o marido, dono do restaurante O Cantinho Central da Coxa, conforme nos confidenciou, por desgosto ocasionado pelo abandono da extremada esposa, do qual, aliás, responsabiliza o governo em funções e os três anteriores, nunca mais exerceu o seu direito de votar, em sinal muito íntimo e respeitável de protesto democrático».

Entretanto e até que melhores dias venham, que havemos de fazer senão dar vivas à República!?

Nem que seja só para chatear!

O Pedro... que não é Paços...

"Quem segue a Família irReal pode pensar que a crise não a afecta. Não é verdade. Há pelo menos um dos seus elementos que sofre (literalmente) no pêlo as consequências dos tempos que vivemos. Pode dizer-se que, apesar de ser um animal de estimação, é a maior vítima da austeridade em toda a família. Coitado..."
Família irReal


E o Jorge Castro ode-o como só ele sabe (mas todos sentimos):

"ele há paços dos concelhos
ele há paços de outra vida
ele há passos de coelhos
ele há passos de corrida
ele há viver de joelhos
ele há viver outra vida

e se eu me passo p'los paços
por onde passos não dou
quer ele seja Pedro ou Passos
por aí é que eu não vou!"

outubro 03, 2013

Manuela e o provérbio milionário

P.Bobone e José.C.B. prestam o seu apoio a Manuela
no caso do provérbio... milionário
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«Noite Negra» de André Coutinho - um livro que merece um grande efe-erre-á!


Coimbra deixa sempre muito para contar a todos os que passam pela sua Universidade, de raízes profundas e velhinhas mas todos os anos rejuvenescida.
Infelizmente, são muito raros aqueles que partilham essas suas histórias em livro.
André Coutinho nasceu em Vale de Cambra em 1988 e veio para Coimbra tirar uma licenciatura em Serviço Social pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade. Depois de concluir os estudos, escreveu o seu primeiro livro, «Noite Negra», editado agora pela Chiado Editora.
André Coutinho aproveitou a sua experiência como estudante para criar esta ficção, em que nos leva a percorrer os cantos, recantos e encantos (isto saiu-me bem, não saiu?) de Coimbra. E ao longo das 268 páginas, nas noites de Coimbra há lugar para tudo: diversão, paixão, aventura e mistério.
Recomendo para todos os que conhecem Coimbra... e também para os que querem compreender por que razões (ou melhor, emoções) esta cidade nos seduz e cativa de forma perene.
Deixo-vos um excerto da página 60:
"Quando nos sentamos, vi como a Margarida era maravilhosa. Senti a força do destino, impondo as suas mãos sobre nós, como um gigantesco íman que nos impele para o pólo oposto. Como era possível sentir um amor assim, um fogo ardente invisível de Camões, por alguém que até então não conhecia? E, no entanto, eu sentia-o. Sentia-o bem dentro do meu ser, tal como Pedro sentiu o poder do mesmo amor, defronte da sua bela Inês. Os dois, ainda sem conhecerem o futuro, apenas poderiam suspeitar que contra aquele amor proibido se levantariam os céus, a guerra, a dor, a morte e todas as forças cósmicas, com o único intuito de os destruírem com a sua inveja. A minha esperança era que as mesmas forças cósmicas, ao invés de nos destruírem, nos abraçassem, em redor do sonho, onde ainda hoje, Pedro e Inês se contemplam, num vento, sem tempo nem fim, habitado unicamente pela força invencível da paixão."
O livro «Noite Negra» pode ser adquirido nesta página da Chiado Editora ou na FNAC.