janeiro 12, 2017

e, agora, para falar de outra coisa...
já olhou, com olhos de ver, para a sua factura de electricidade?

Há, nesta espuma dos dias, como alguns lhe chamam, algumas coisas mais sólidas e substanciais nas quais não nos convém tropeçar sem que, pelo menos, arrisquemos sérios danos na canela dos pensamentos.
 
Ora, vem ao caso, a circunstância de me ter debruçado sobre o sacrossanto tarifário da electricidade que uso lá por casa e, após cuidado apuramento de factos, apurar que, afinal, a desgraçada violência doméstica é assumida por improváveis agentes, porventura com os mesmos perniciosos efeitos civilizacionais.   
 
Sabemos de uma praga que assola todos quantos tenham celebrado um contrato de fornecimento de electricidade, de há longos anos, e que se chamava «aluguer de contador» que consiste, por sua vez, numa espórtula prestada à entidade fornecedora tão só por nos dar a benesse de existir e apesar de cobrar, em paralelo, o consumo que, efectivamente, tivermos, em termos de Kwh consumidos.
 
Quando o avanço civilizacional decidiu considerar que aquele «aluguer» era um abuso e, concomitantemente, um insulto à inteligência e à dignidade do bom povo e, como tal, teria de ser erradicado, logo a inteligência do costume transmutou a coisa em «taxa de potência» - tudo sempre sob a alçada do forte braço da lei -, na perspectiva ancestral de que mudam as moscas mas não muda a matéria que as atrai. E assim se ficou a pagar o mesmo, o que, no fundo e bem vistas as coisas, era o que interessava.
 
Entretanto, o nível de sofisticação foi-se apurando graças aos sacrossantos avanços tecnológicos, também conhecidos por progresso, e essa «taxa de potência» passou a estar sustentada no argumento de que, enquanto o caduco e troglodita «aluguer de contador» pouca ou nenhuma variação tinha de cliente para cliente, esta «nova» taxa incidia agora sobre a «potência contratada». Leia-se, a capacidade, disponibilizada pela empresa fornecedora, de o cliente poder ligar, em simultâneo, cada vez mais electrodomésticos.
 
Ora, numa lógica sem lógica nenhuma - pois o consumo é suposto pagar-se pelos Kwh gastos e quantos mais electrodomésticos ligados, mais se consumindo, logo, mais se paga... - o pagador, se queria usufruir da possibilidade de  ligar um aquecimento ao mesmo tempo que passava a roupa a ferro e aproveitava o tempo (cada vez mais escasso) para lavar a roupa suja da semana, lá via aumentar a tal «taxa de potência» na sua inestimável facturinha, ao solicitar «instalação» aumentada de potência contratada.
 
Dito de outra maneira: o cliente paga mais para poder gastar mais... Percebe-se? Duvida-se.
 
Esse aumento, sem entrar noutros devaneios despiciendos, traduzia-se tão-só pela calibragem de um aparelhómetro, instalado a seguir ao contador de electricidade e que se chama disjuntor diferencial. Por acréscimo, além de calibrar a potência disponível, até tinha a simpatia de proteger a instalação em casos de curto-circuitos, o que até era, vamos lá e como disse, simpático e - lá está! -, civilizado.  Uma vez mais, o forte braço da lei dava cobertura ao enredo.
 
Um dia, em pleno cavaquismo, o País amanheceu com a privatização da empresa fornecedora deste bem. E, ao privatizá-la, algum jurista atento apurou que uma empresa privada não deve cobrar taxas... Enfim, que diabo, não estamos no México, não é? Logo a solução foi fácil e brilhante: mudou-se-lhe, de novo, o nome e passou a denominar-se então «encargo de potência», mantendo-se todos os demais pressupostos.
 
Aqui convém parar e referir que este «aluguer-taxa-encargo» sofre regulares aumentos anuais, como é de bom tom numa sociedade que caminha para o futuro...
 
Mas o irrequieto legislador não dorme sobre os louros conquistados e no seu afã de se actualizar em novas realidades e novos desafios, cada vez mais engrossado institucionalmente, até com entidade «reguladora» a preceito, que lhe vai conferindo uma armadura de aço - o «mercado regulado» - contra débeis tentativas de sobrevivência do cliente, a esbracejar aflito num consabido mar de taxas e taxinhas.
 
Encurtando razões, que o palavrório vai longo, eis o actual estado da arte - uma outra vez, com todo o suporte legal:
 
- O «encargo de potência» mantém-se;
 
- Os «contadores inteligentes» em fase de instalação, permitem a definição da tal «potência contratada», ficando os encargos de instalação do sistema de protecção à responsabilidade integral do utente/cliente... Será por isso que regressaram em força os incêndios motivados por curto-circuito...?  
 
- Para cúmulo, uma vez mais civilizacional, actualmente o preço do próprio Kwh também varia em função da «potência contratada», ou seja, o cliente paga mais para poder gastar mais (potência contratada) e paga mais cara cada unidade consumida por já pagar mais para poder gastar mais (diferencial de preço em função da potência). Confusos? Pois têm mais...

-Na factura emitida avisa-se o bom povo de algo quase iniciático: «O preço da electricidade inclui o valor X (sem IVA) correspondente às tarifas de acesso às redes, que contêm o valor dos Custos de Interesse Económico Geral (CIEG) no valor de Y. Estes valores são independentes do comercializador» - fim de citação e de paciência. E, então, perceberam?
 
Há, neste contexto, uma questão filosófica que me avassala: o que é tudo isto...?!?... Enfim, o que nos vale é que vivemos num estado de direito... Olha se não fosse!
 
 

janeiro 07, 2017

A Idade dos Porquês



Porque já passaram tantos anos...
Porque devemos esta interrogação à memória.
Porque devemos esta inquietação às vítimas
Porque devemos a indignação à mentira.
Porque devemos ao desassossego quando dormimos a nossa tranquilidade sobre uma cama de sangue.
Porque devemos a decência a nós mesmos
Porque foi no dia 11 de Setembro mas passou a ser o nosso dia-a-dia.
Porque devemos duvidar do que os nossos olhos vêem:
Perguntamos:

Porque é que uma asa de avião não é capaz de derrubar um poste de telefone feito de madeira?
Porque é que é a asa a ficar seccionada pelo embate no poste de madeira?
Porque é que as mesmas asas teriam supostamente cortado  pilares de aço?
Porque é que no teste a madeira corta o alumínio
quando nas Torres Gémeas é o alumínio a cortar o aço?
Porque é que  as aeronaves não se esborracharam contra as torres?
Porque é que o avião parece uma faca aquecida a entrar  por torres feitas de manteiga?

Porque é que nos mentem???
Porque é que nós (a grande maioria) acredita na mentira?
Porquê e como conseguimos ainda dormir o sono dos justos?....



dezembro 31, 2016

Maldito Acordo(?) Ortográfico!

...Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado, não!...
Ary dos Santos

Os exemplos (maus) estão por todo lado, a língua Portuguesa, tornou-se numa javardice, levada que foi por promessas de proxenetas, para os mais porcos bordéis.



...A "RECESSÃO" foi calorosa....


Está para quem quiser ver, nas legendagens de uma peça documental sobre o Nepal, acessível num dos canais temáticos dos serviços de Televisão por Cabo. 
Na passagem em consideração, um familiar recebia calorosamente um dos seus após uma viagem complicada por um país em que as estradas são apenas passagens entre florestas e espaços cultivados.

Mais uma vez a bomba em explosão lenta e contínua que é o (des)Acordo Ortográfico...
Os exemplos dramáticos sobre o efeito que este verdadeiro crime contra o mais importante património imaterial de qualquer povo - a sua língua- exerceu, são por demais evidentes.
Mas a minha indignação não é de agora, os maus exemplos estão por todo o lado, já se escrevia mal, -falta de leitura-, e o Acordo apenas legitimou e aprofundou o fenómeno.

As imagens anexas relativas ao assassinato da palavra RECEPÇÃO, apenas três num universo lato de calinadas e enormidades, demonstram isso à exaustão.

Este maldito Acordo Ortográfico, feito sob um pressuposto totalmente falso, de onde sobressai entre vários disparates o sacrifício da etimologia à fonética, tem conseguido, até neste particular, dar um tiro nos pés dos seus defensores.

É que à custa do corte da palavra com a sua origem, empurrando a mesma para o contexto, -onde em vez de ser a palavra por si a criadora do contexto-, são as outras a contextualizar, tem-se conseguido os prodígios de desligar a palavra do seu sentido primitivo, da sua génese e por falta dessa âncora, de tornar átonas as sílabas que eram dantes abertas.

Exemplos?

Adoptar, de onde derivam as palavras que não suscitam dúvidas quanto à pronúncia, deu agora, pela sua castração para adotar,  origem às estapafúrdias sonoridades:
  Adutar, adutado, adução....

Recepção, onde não se duvida que se deva dizer "re-cép-ção", passou a ser pronunciado pelo mão do intragável veículo " receção" precisamente por "recessão".
E tal como é dito, é escrito...






E não há quem tenha a força e coragem suficiente para acabar de vez com esta monstruosidade?

Qual é o nosso papel como cidadãos? O se de sermos borregos acéfalos e seguidistas nestes pastos de ignorância e demagogias?

dezembro 29, 2016

Algumas pobres reflexões a caminho de um ano que lá vem (com algum asco pela «informação» do ano que vamos tendo)

- Morreu o músico George Michael. E foi triste e todos soubemos, mesmo os que não queriam saber.
Mas morreu, na mesma altura, o músico José Pracana. E foi triste e muito poucos souberam, mesmo os que quereriam saber.
Alguém questionou sobre o que é que os distinguia para tal diferente tratamento e muitas circunstâncias foram avançadas. A mais plausível: era português, cantava em Portugal e os noticiários são feitos por maltinha que só sabe inglês… ou mandarim.  
- Mário Soares é personagem conhecida. Controverso, está muito longe de unanimidades apreciativas. Foi um estadista, com sucessos, insucessos e outras coisas assim-assim. Integra, entretanto, a nossa História recente, com destaque. Hoje é um homem de muita idade, com severíssimos problemas de saúde. Circula, em torno do seu natural infortúnio, um hediondo circo de abutres mediáticos. Onde fica o respeito pela dignidade humana?
 - Disse-se para aí, em jornais «insuspeitos», imediatamente replicado exponencialmente nos fb do nosso descontentamento, que Elisa Costa, a mulher de um autarca de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, teria visto aumentar os seus rendimentos auferidos numa IPSS em 390%, apenas em cinco anos (passando de 475 € para 2.343, 71 €), sublinhando-se a ligação matrimonial e partidária. Afinal, apura-se que os «insuspeitos» compararam um vencimento em regime de meio-tempo, com posterior regime a tempo inteiro, se «esqueceram» que o autarca só tomou posse há três anos e, não bastando isso, apuraram o tal valor através do mês em que foi pago o subsídio de férias.
Vejamos, a ser verdade, os «insuspeitos», após processo respectivo, não deveriam ser obrigados a coima a reverter a favor dos cofres do Estado, por exemplo, por crime de lesa-pátria ou qualquer coisa quejanda e a bem da ética pública? Isto, claro, em paralelo com os processos que os directamente lesados lhe possam (e deveriam) mover.
Ah, crime de lesa-pátria é exagero? Então e que tal pensarmos na pólvora que este argumentário mete no canhão do ressabiamento? Basta andar um pouco pelos facebooks. Digo eu, que nem tenho votado PS…
- Passos Coelho e a sua acólita Maria Luís Albuquerque manifestaram, ao longo de 2016, tanta, mas tanta certeza na impossibilidade de se atingir um deficit abaixo dos 3% que, agora, estão irremediavelmente em primeiro lugar na candidatura ao tema Ai, se ele cai, premonitoriamente interpretado pelos Xutos e Pontapés… que é mesmo o que me estava a apetecer dar-lhes! Pelo caminho, pode juntar-se-lhes o inefável José Gomes Ferreira.
Apesar de tudo ou por isso mesmo, tenham todos um grande e belo 2017… e, se descobrirem uma plantinha de esperança, cultivem-na bem. Água a mais ou a menos poderá danificá-la. E quando ela medrar, veremos que, como diziam alguns, ele há mais vida ara além do deficit.
Façam o favor, pois, de ser felizes que isso é que «os» trama.

dezembro 21, 2016

Natal, o tal, sempre que a gente o quiser...

... e que afeiçoaremos como melhor nos aprouver.

De mim, recebam esta família primordial - lá está, afeiçoada por olhos que tiveram artes de ver de outra maneira - e que, sem fragilizarem o conceito, bem pelo contrário o fortalecem.

 (- Artesanato da serralharia O Pinha, de Manuel Machado, em Celeirós, Braga)  
 
O Natal é uma janela
 
o Natal é uma janela
que abrimos a quem passa
tão-só para cumprimentar
dando um ar da nossa graça
porque o tempo passa
passa
sem dar tempo de parar
 
temos musgo
e azevinho
na ombreira da janela
não vá o nosso vizinho
passar também a correr
e nem sequer dar por ela
 
o Natal tem afinal
esse dom de por um dia
- ou
vamos lá… por um mês –
sentirmos essa alegria
de sermos gente outra vez
 
de ficarmos à janela
aberta de par em par
lançando à rua um sorriso
e deixando entrar o ar
que nos varra os pesadelos
os medos
as aflições
de que estamos pelos cabelos
sem aprendermos lições
 
o Natal é esse olhar
que vai além da vidraça
e que nos mostra quem passa
apenas por lá passar
 
um tempo de ter presente
mesmo quando estamos sós
que quem quer que passe em frente
da janela que abrirmos
de repente descobrirmos
ser gente
tal como nós.
 
- Jorge Castro
Dezembro de 2016

dezembro 05, 2016

"Após pesquisa mais aprofundada, encontrámos novos dados relevantes para responder à sua questão"

Recebi hoje uma nova mensagem da Comissão Europeia, bem mais esclarecedora que a primeira:

"Caro Paulo Moura,
Obrigado por contactar o Europe Direct Contact Centre.
Após pesquisa mais aprofundada, encontrámos novos dados relevantes para responder à sua questão.
A Comissão Europeia realizou um estudo em 2014 sobre esta matéria. Informamos que os consultores contratados para realizar este estudo receberam a contribuição das autoridades portuguesas e esta informação foi tida em conta nos resultados do estudo. O estudo pode ser consultado na seguinte ligação: [LINK]
Conforme referido na resposta anterior, informamos que alguns deputados do Parlamento Europeu também indagaram a Comissão Europeia sobre esta questão. Neste contexto, a Comissão fez uma declaração à Sessão Plenária do Parlamento Europeu, em 5 de Outubro de 2016, onde demonstrou estar a analisar esta questão. Pode consultar a declaração no sítio do Parlamento Europeu: [LINK]
Esperamos que considere esta informação útil. Não hesite em contactar-nos caso tenha uma outra questão.
Com os melhores cumprimentos,
Centro de Contacto EUROPE DIRECT"

O estudo cujo link disponibilizam faz referência, de facto, a contributos recebidos dos Estados-Membros. Mas fá-lo de uma forma muito vaga, sem sequer nomear os países ou o que transmitiram concretamente. Limitam-se a quantificar quantos países responderam e o sentido global da posição de cada um. Ou seja, ficamos sem saber se os argumentos que apresentámos foram transmitidos e tidos em conta para o estudo. Pelo conteúdo geral do estudo, parece-me bem que não.
Em 80 páginas de estudo, fazem por duas vezes referência ao conceito que consideramos mais relevante nesta questão: bem-estar ("wellbeing"). E fazem-no para referir que "Examples of the positive effects of summertime include: An increase in wellbeing caused by an increase in exposure to sunlight (...)" - isto é, devemos todos ter pago, com os nossos impostos, balúrdios por este estudo que conclui que um efeito positivo do Verão é um aumento da exposição à luz solar! Extraordinário! Genial! Querem ver que é a mudança de hora que aumenta a exposição à luz do Sol?! Se não fosse a mudança de hora, ficaríamos menos expostos ao Sol?!
Valha-nos, por isso, a iniciativa que tiveram recentemente alguns eurodeputados, que questionaram este procedimento da mudança de hora e manifestaram a sua oposição ao mesmo. Aguardemos pelos resultados da análise da Comissão Europeia, a ser feita em 2017, porque com estes doutos consultores e estes «estudos», não nos safamos...

dezembro 02, 2016

Preciso de saber se a nossa posição foi transmitida à Comissão Europeia

Face à resposta da Comissão Europeia à minha mensagem sobre a mudança de hora, enviei agora mesmo esta mensagem para o Professor Rui Agostinho, director do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL):

"Boa noite, professor Rui Agostinho

Recebi hoje esta resposta da Comissão Europeia ao meu pedido de esclarecimentoE fui surpreendido com a informação de que não receberam nenhuma informação ou participação da parte da Comissão Permanente da Hora. Como, se o Professor me tinha assegurado, em 2014, que iria transmitir a nossa posição à Comissão Europeia?!
Preciso de saber o que se passou, pois confiei no que me disse.
Só me conforta saber que este assunto está a ser analisado pela Comissão Europeia, por interpelação de vários deputados do Parlamento Europeu. Mas preciso que me assegure que a nossa posição é transmitida (se ainda não o foi) à Comissão Europeia.

Cumprimentos,
Paulo Moura"

A resposta da Comissão Europeia

A Comissão Europeia respondeu à minha mensagem do passado dia 27 de Novembro:

"Dear Mr Moura,

Thank you for your message.
The Commission did not receive any information or notice from the Portuguese Standing Commission of the Hour.
We can inform you that the Commission is also being asked about this by some Members of the European Parliament. Recently, the Commission made a statement in this context to the European Parliament's Plenary Session on 5 October 2016. In that statement, the Commission declared that it is looking into the matter. You can consult the statement on the European Parliament's website: [LINK]
We hope you find this information useful. Do not hesitate to contact me in case you have any other question.

EUROPE DIRECT Contact Centre/ Research Enquiry Service

The answer or information contained in this message is based on the information provided by you, which may not be sufficiently detailed or complete to provide a full and correct answer or response to your question. The Commission is committed to providing accurate information through the enquiry services; however, the information provided has no binding nature. The Commission cannot be held liable for any use made of this information or for its accuracy."

Os meus comentários:

"A Comissão não recebeu qualquer informação ou participação da Comissão Permanente da Hora, de Portugal"
Se foi assim, houve claramente uma falha de comunicação entre a Comissão Europeia e a Comissão Permanente da Hora/ Observatório Astronómico de Lisboa (OAL). Ora, se este é um assunto, por si só, penalizado por uma forte inércia das instituições europeias, se não houver comunicação da posição dos cidadãos, como pode a Comissão Europeia tomar decisões adequadas?
Vou ter que transmitir esta informação ao Professor Rui Agostinho, director do OAL, e pedir-lhe que esclareça esta alegada ausência de transmissão da nossa posição à Comissão Europeia, como me tinha garantido que faria, já em 2014.

"Podemos informar que a Comissão também está a ser questionada sobre este assunto por alguns membros do Parlamento Europeu. Recentemente, a Comissão fez uma declaração neste contexto, na Sessão Plenária de 5 de Outubro de 2016 do Parlamento Europeu. Nessa declaração, a Comissão declarou que está a analisar o assunto."
Boa notícia! Mas só será excelente se a Comissão tiver em conta os argumentos de quem, como nós, defende o término da mudança de hora.

Recomendo que consultem o link acima disponibilizado. Ficamos a saber que não estamos sós nesta causa. Nessa sessão, a Comissão assumiu o compromisso de concluir a análise deste assunto "no decurso do próximo ano de 2017".

novembro 27, 2016

A hora continua a mudar? Eu não mudo nas minhas insistências!


Como não tenho novas da Comissão Permanente da Hora, apesar das minhas insistências, aí foi disto hoje para a União Europeia:

"Bom dia
Em Outubro de 2013, contactei-vos sobre este assunto e esclareceram-me, em Dezembro desse ano, que a entidade responsável, em Portugal, é a Comissão Permanente da Hora. Contactei essa entidade e informaram-me, na altura, que "a União Europeia deverá sondar os estados-membros em relação a este assunto em 2014-15". Pelo que sei, essa auscultação não chegou a ser feita. Podem informar-me qual é o ponto de situação do procedimento da mudança de hora, tendo em conta as múltiplas manifestações de desacordo com a manutenção deste regime? Da minha parte e de um grupo de pessoas que têm esta opinião, transmitimos essa posição, já em 2013, à Comissão Permanente da Hora. Essa informação chegou aos órgãos decisores da União Europeia?
Cumprimentos,
Paulo Moura"

novembro 09, 2016

Donald Trump! O futuro a Deus pertence?

Para memória futura, se um dedo imprudente não accionar aquilo que  transforme o futuro num neverland
O que poderia fazer mudar uma pessoa que toda a vida se pautou pela arrogância, vaidade, mentira e comportamentos básicos e irresponsáveis?
Aos setenta anos de idade?
Nada! Mais fácil seria o mundo começar a rodar ao contrário.
Os votantes Norte-Americanos revêem-se nesta "coisa"?
SHAME ON YOU, AMÉRICA!
SHAME ON YOU!!!


The electorate has, in its plurality, decided to live in Trump’s world.


The NEW YORKER


The election of Donald Trump to the Presidency is nothing less than a tragedy for the American republic, a tragedy for the Constitution, and a triumph for the forces, at home and abroad, of nativism, authoritarianism, misogyny, and racism. Trump’s shocking victory, his ascension to the Presidency, is a sickening event in the history of the United States and liberal democracy. On January 20, 2017, we will bid farewell to the first African-American President—a man of integrity, dignity, and generous spirit—and witness the inauguration of a con who did little to spurn endorsement by forces of xenophobia and white supremacy. It is impossible to react to this moment with anything less than revulsion and profound anxiety.

There are, inevitably, miseries to come: an increasingly reactionary Supreme Court; an emboldened right-wing Congress; a President whose disdain for women and minorities, civil liberties and scientific fact, to say nothing of simple decency, has been repeatedly demonstrated.
Trump is vulgarity unbounded, a knowledge-free national leader who will not only set markets tumbling but will strike fear into the hearts of the vulnerable, the weak, and, above all, the many varieties of Other whom he has so deeply insulted.

The African-American Other. The Hispanic Other. The female Other. The Jewish and Muslim Other. The most hopeful way to look at this grievous event—and it’s a stretch—is that this election and the years to follow will be a test of the strength, or the fragility, of American institutions. It will be a test of our seriousness and resolve.
Early on Election Day, the polls held out cause for concern, but they provided sufficiently promising news for Democrats in states like Pennsylvania, Michigan, North Carolina, and even Florida that there was every reason to think about celebrating the fulfillment of Seneca Falls, the election of the first woman to the White House. Potential victories in states like Georgia disappeared, little more than a week ago, with the F.B.I. director’s heedless and damaging letter to Congress about reopening his investigation and the reappearance of damaging buzzwords like “e-mails,” “Anthony Weiner,” and “fifteen-year-old girl.” But the odds were still with Hillary Clinton.
All along, Trump seemed like a twisted caricature of every rotten reflex of the radical right. That he has prevailed, that he has won this election, is a crushing blow to the spirit; it is an event that will likely cast the country into a period of economic, political, and social uncertainty that we cannot yet imagine. That the electorate has, in its plurality, decided to live in Trump’s world of vanity, hate, arrogance, untruth, and recklessness, his disdain for democratic norms, is a fact that will lead, inevitably, to all manner of national decline and suffering.
In the coming days, commentators will attempt to normalize this event. They will try to soothe their readers and viewers with thoughts about the “innate wisdom” and “essential decency” of the American people. They will downplay the virulence of the nationalism displayed, the cruel decision to elevate a man who rides in a gold-plated airliner but who has staked his claim with the populist rhetoric of blood and soil.

George Orwell, the most fearless of commentators, was right to point out that public opinion is no more innately wise than humans are innately kind. People can behave foolishly, recklessly, self-destructively in the aggregate just as they can individually. Sometimes all they require is a leader of cunning, a demagogue who reads the waves of resentment and rides them to a popular victory. “The point is the relative freedom which we enjoy depends of public opinion,” Orwell wrote in his essay “Freedom of the Park.” “The law is no protection. Governments make laws, but whether they are carried out, and how the police behave, depends on the general temper in the country. If large numbers of people are interested in freedom of speech, there will be freedom of speech, even if the law forbids it; if public opinion is sluggish, inconvenient minorities will be persecuted, even if laws exist to protect them.”

Trump ran his campaign sensing the feeling of dispossession and anxiety among millions of voters—white voters, in the main. And many of those voters—not all, but many—followed Trump because they saw that this slick performer, once a relative cipher when it came to politics, a marginal self-promoting buffoon in the jokescape of eighties and nineties New York, was more than willing to assume their resentments, their fury, their sense of a new world that conspired against their interests. That he was a billionaire of low repute did not dissuade them any more than pro-Brexit voters in Britain were dissuaded by the cynicism of Boris Johnson and so many others. The Democratic electorate might have taken comfort in the fact that the nation had recovered substantially, if unevenly, from the Great Recession in many ways—unemployment is down to 4.9 per cent—but it led them, it led us, to grossly underestimate reality.

The Democratic electorate also believed that, with the election of an African-American President and the rise of marriage equality and other such markers, the culture wars were coming to a close. Trump began his campaign declaring Mexican immigrants to be “rapists”; he closed it with an anti-Semitic ad evoking “The Protocols of the Elders of Zion”; his own behavior made a mockery of the dignity of women and women’s bodies. And, when criticized for any of it, he batted it all away as “political correctness.” Surely such a cruel and retrograde figure could succeed among some voters, but how could he win? Surely, Breitbart News, a site of vile conspiracies, could not become for millions a source of news and mainstream opinion. And yet Trump, who may have set out on his campaign merely as a branding exercise, sooner or later recognized that he could embody and manipulate these dark forces. The fact that “traditional” Republicans, from George H. W. Bush to Mitt Romney, announced their distaste for Trump only seemed to deepen his emotional support.
The commentators, in their attempt to normalize this tragedy, will also find ways to discount the bumbling and destructive behavior of the F.B.I., the malign interference of Russian intelligence, the free pass—the hours of uninterrupted, unmediated coverage of his rallies—provided to Trump by cable television, particularly in the early months of his campaign. We will be asked to count on the stability of American institutions, the tendency of even the most radical politicians to rein themselves in when admitted to office. Liberals will be admonished as smug, disconnected from suffering, as if so many Democratic voters were unacquainted with poverty, struggle, and misfortune. There is no reason to believe this palaver. There is no reason to believe that Trump and his band of associates—Chris Christie, Rudolph Giuliani, Mike Pence, and, yes, Paul Ryan—are in any mood to govern as Republicans within the traditional boundaries of decency. Trump was not elected on a platform of decency, fairness, moderation, compromise, and the rule of law; he was elected, in the main, on a platform of resentment. Fascism is not our future—it cannot be; we cannot allow it to be so—but this is surely the way fascism can begin.

Hillary Clinton was a flawed candidate but a resilient, intelligent, and competent leader, who never overcame her image among millions of voters as untrustworthy and entitled. Some of this was the result of her ingrown instinct for suspicion, developed over the years after one bogus “scandal” after another. And yet, somehow, no matter how long and committed her earnest public service, she was less trusted than Trump, a flim-flam man who cheated his customers, investors, and contractors; a hollow man whose countless statements and behavior reflect a human being of dismal qualities—greedy, mendacious, and bigoted. His level of egotism is rarely exhibited outside of a clinical environment.

For eight years, the country has lived with Barack Obama as its President. Too often, we tried to diminish the racism and resentment that bubbled under the cyber-surface. But the information loop had been shattered. On Facebook, articles in the traditional, fact-based press look the same as articles from the conspiratorial alt-right media. Spokesmen for the unspeakable now have access to huge audiences. This was the cauldron, with so much misogynistic language, that helped to demean and destroy Clinton. The alt-right press was the purveyor of constant lies, propaganda, and conspiracy theories that Trump used as the oxygen of his campaign. Steve Bannon, a pivotal figure at Breitbart, was his propagandist and campaign manager.

It is all a dismal picture. Late last night, as the results were coming in from the last states, a friend called me full of sadness, full of anxiety about conflict, about war. Why not leave the country? But despair is no answer. To combat authoritarianism, to call out lies, to struggle honorably and fiercely in the name of American ideals—that is what is left to do. That is all there is to do.






novembro 03, 2016

DURA LEX SED LEX....

.... quem coube julgar achou mais digno de indignação, não a indignação de quem foi tratado por peste, mas sim aquele que se indigna por ter sido usado como termo de comparação entre louco e imbecil.... 
Os loucos por vezes curam-se,
os imbecis nunca.
(Óscar Wilde) (sic
)

Um homem foi condenado em Tribunal pelo facto de ter ficado indignado. Trataram a sua geração, a sua faixa etária, por Peste Grisalha. Não gostou como milhares em iguais circunstâncias, e certamente milhares mais a aproximar-se do estatuto de jubilado, também não terão gostado. É que a esperança que todos temos é de viver o mais possível sem nunca chegar a velhos, mesmo que esse último pormenor nos esteja vedado. 
E velhos,  tendo descontado para um Estado que se compromete gerir esses nossos recursos disponibilizados para garantir o nosso último quartel de vida, e por isso não nos faz qualquer favor, o mínimo que se pode exigir de todos é um nadinha de respeito.
Sentido de dignidade e respeito, como soía dizer-se "pelas cãs"
Quem não se sente não é filho de boa gente. Serve para ambos os lados da contenda.  Mas a quem coube julgar achou mais digno de indignação, não a indignação de quem foi tratado por Peste, mas sim aquele que se indigna por ter sido usado como termo de comparação entre louco e imbecil. 
Dura Lex, Sed Lex, e há que cumprir.
Segue o copy/paste da carta em forte teor do indignado que tanto indignou o deputado da nação.

A PESTE GRISALHA 
(Carta aberta a deputado do PSD)
Exmo. sr.
António Carlos Sousa Gomes da Silva Peixoto
Por tardio não peca.
Eu sou um trazedor da peste grisalha cuja endemia o seu partido se tem empenhado em expurgar, através do Ministério da Saúde e outros “valorosos” meios ao seu alcance, todavia algo tenho para lhe dizer.
A dimensão do nome que o titula como cidadão deve ser inversamente proporcional à inteligência – se ela existe – que o faz blaterar descarada e ostensivamente, composições sonoras que irritam os tímpanos do mais recatado português.

Face às clavas da revolta que me flagelam, era motivo para isso, no entanto, vou fazer o possível para não atingir o cume da parvoíce que foi suplantado por si, como deputado do PSD e afecto à governação, sr. Carlos Peixoto, quando ao defecar que “a nossa pátria foi contaminada com a já conhecida peste grisalha”, se esqueceu do papel higiénico para limpar o estoma e de dois dedos de testa para aferir a sua inteligência.
A figura triste que fez, cuja imbecilidade latente o forçou à encenação de uma triste figura, certamente que para além de pouca educação e civismo que demonstrou, deve ter ciliciado bem as partes mais sensíveis de muitos portugueses, inclusivamente aqueles que deram origem à sua existência – se é que os conhece. Já me apraz pensar, caro sr., que também haja granjeado, porém à custa da peste grisalha, um oco canudo, segundo os cânones do método bolonhês. Só pode ter sido isso.

Ainda estou para saber como é que um homolitus de tão refinado calibre conseguiu entrar no círculo governativo. Os “intelectuais” que o escolheram deviam andar atrapalhados no meio do deserto onde o sol torra, a sede aperta a miragem engana e até um dromedário parece gente.
É por isso que este país anda em crónica claudicação e por este andar, não tarda muito, ficará entrevado.
Sabe sr. Carlos Peixoto, quando uma pessoa que se preze está em posição cimeira, deve pensar, medir e pesar muito bem a massa específica das “sentenças”, ou dos grunhidos, - segundo a capacidade genética e intelectual de cada um - que vai bolçar cá para fora. É que, milhares pessoas de apurados sentidos não apreciam o cheiro pestilento do vomitado, como o sr. também sente um asco sem sentido e doentio, à peste grisalha. Pode estar errado, mas está no seu direito… ainda que torto.

Pela parte que me toca, essa maleita não o deve molestar muito, porque já sou portador de uma tonsura bastante avantajada, no entanto, para que o sr. não venha a sofrer dessa moléstia, é meu desejo que não chegue a ser contaminado pelo vírus da peste grisalha e vá andando antes de atingir esse limite e ficar sujeito a ouvir bacoradas iguais ou de carácter mais acintoso do que aquelas que preteritamente narrou como um “grande”, porém falhado “artista”.

E mais devo dizer-lhe: quando num cesto de maçãs uma está podre, essa deve ser banida, quando não, infecta as restantes; se isso não suceder, creio que o partido de que faz parte, o PSD, irá por certo sofrer graves consequências decorrentes da peste grisalha na época da colheita eleitoral. Pode contar comigo para a poda.
Atentamente.
António Figueiredo e Silva
Coimbra, 28/04/2013
www.antoniofigueiredo.pt.vu
Obs:Esta carta vai ser enviada sob A.R.

novembro 01, 2016

Habilitações falsas? Ora quais, Expliquem por favor...





Sobre este cidadão, Nuno Miguel Aguiar Felix, recém demitido,  pesou durante a última semana toda a carga do combate político.
Mas se ainda me resta um pouco de discernimento, literacia e sentido crítico, não consigo ver onde é que as Habilitações Académicas  foram declaradas como amplamente os Média fizeram alarde.

No parágrafo assinalado sobre o despacho nº 7248/2016, do Diário da República e que se refere ao currículo de Nuno Miguel Aguiar Felix está preto no branco:

" 1- Frequência do Curso de Licenciatura em Ciências da Comunicação na Faculdade das Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
2 -Frequência do curso de Licenciatura em Direito na Universidade Autónoma.

Posto isto, colocam.-se prementes questões. Se qualquer um pode consultar os documentos supra apresentados, (clicar no link) porque é que toda a Comunicação Social propagou a notícia de que ele teria dado habilitações que não possuía?

Se ele não cometeu nenhuma incorrecção, porque é que se demitiu?
Cansaço? Pressão entre os seus, incompatibilidades?
Enfim, tudo é possível, mas a questão essencial permanece. Afinal, nunca foram declaradas habilitações por excesso, nem houve mentira. A existir esta última, foram os Média, mas ninguém os desmentiu atempadamente.
E assim se comprova mais uma vez que há mais mistérios entre o céu e a terra do que.....

outubro 31, 2016

A Praça (RTP1) - «Mudança de Hora»

Programa «a Praça» - parte 4
RTP1
28 de Outubro de 2016
Excerto sobre a mudança de hora, para o qual fui convidado a participar, como estudioso do assunto. Declinei o convite, explicando-lhes as razões.

outubro 28, 2016

Cada vez me sinto mais a modos que assim...

- Em 2013, um deputado aparentemente inominável perorou, em artigo de opinião, sobre a «peste grisalha» insultando alegremente e fazendo indignar uma parte muito significativa de portugueses. No seguimento, um grisalho e respeitável cidadão elaborou um notável texto em que atirou um apurado par de verdades ao indigno.

Três anos são volvidos e um tribunal (?) condena o grisalho cidadão ao pagamento de uma multa de 4.200 euros por difamação. Querem vocês saber das alegações? Pois aí vai este naco precioso: as afirmações do idoso foram consideradas «insultuosas e suscetíveis de abalar a honra e a consideração pessoal, política e familiar do assistente».

Isto é: a luminária que produziu os dislates fundamentou-os (?) com outras preciosidades, tais como afirmar que «o envelhecimento dos portugueses e o incremento do seu índice de dependência», para além de provocarem um «aumento penoso dos encargos sociais com reformas, pensões e assistência médica», colocam em causa a «sobrevivência» de Portugal «enquanto país soberano».

Dizendo de forma ainda mais clara, um fedelho destemperado insulta toda uma comunidade de anciãos e fica incólume. Um elemento dessa comunidade responde-lhe – aliás, com uma qualidade e elegância inalcançável pelo fedelho mesmo quando for velhinho – e é obrigado, em tribunal, a pagar-lhe uma indemnização.

Conclusão: eu, em relação à independência das instituições, nada tenho contra. Já relativamente às atitudes estúpidas e/ou indecorosas dos seus agentes…

- O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, deixou esta quarta-feira recados ao Governo português. Disse o inteligente desta tourada que são os «mercados» que tudo corria bem até António Costa ter tomado posse.

Tem dito, aliás e no que a Portugal respeita, tudo e mais um cento em favor do governo de Passos Coelho e contra o actual governo, legitimamente constituído.

De que é que Portugal e o actual governo estão à espera para pedir esclarecimentos institucionais ao governo alemão sobre as atitudes deste seu tão limitado membro? Sei lá, uma convocatória do embaixador alemão com nota de desagrado e pedido de esclarecimentos… Qualquer coisa, enfim, que provasse ao mundo e, em primeira instância, aos portugueses que, finalmente, no governo, há uma coluna vertebral que lhe mantém a cabeça erguida e direita.

- Durante esta semana tivemos notícia da morte de duas personalidades marcantes da nossa História recente: João Lobo Antunes e Jaime Fernandes. É o ciclo da Vida a cumprir-se. Mas não deixa de ser, ao mesmo tempo, um empobrecimento lamentável para todos nós.

Apesar de todas as referências elogiosas a que assistimos nos media, o espaço dedicado ao futebol sobrepôs-se largamente ao tempo dedicado a essas referências. Valerá a pena comentar…?

- Quase como notícia de última hora apurámos que a vice-presidente da Comissão Europeia, logo depois de ter feito o frete de simular que disputava o cargo de secretário-geral da ONU a António Guterres, de seu cristalino nome Kristalina Giorgieva, que já nos tinha divertido com uma licença sem vencimento no seu lugar de vice-presidente enquanto fazia o tal frete, demitiu-se agora para assumir a direcção executiva do Banco Mundial.

Não é a primeira vez que faço este comentário pouco elegante mas, em boa verdade, este tipo de situações leva-me invariavelmente a ele: a mulher de César, não apenas não é séria, como se está nas tintas para o parecer e, bem pelo contrário, assume o seu estatuto de galdéria com uma galhardia que estonteia… Assuma-se ela com os nomes de Durão, Portas, Maria Luís ou Kristalina – aqui sim há, pelas evidências, igualdade de género.

- No próximo fim de semana a hora volta a mudar, em Portugal. Mas para quê, senhores, ninguém me diz?

outubro 26, 2016

Alteração para a hora de inverno traz mais riscos que benefícios


Artigo do jornal «as Beiras» sobre a mudança de hora:

A alteração dos ponteiros do relógio para a hora de inverno traz “mais riscos que benefícios” devido à “súbita exigência de mudança” do “tempo interno” das pessoas, referiu o presidente da Associação Portuguesa de Cronobiologia e Medicina do Sono.
Os relógios vão atrasar uma hora, na madrugada de 29 para 30 de Outubro, dando início ao horário de inverno, uma mudança que, segundo Miguel Meira Cruz, tem impactos negativos na saúde.
“Apesar de o impacto ser claramente maior no recuo que exigimos ao tempo em meados de Março, qualquer das direcções em que se proceda uma mudança súbita num relógio de adaptação lenta, como o que temos no cérebro, tem prejuízos significativos e potencialmente graves”, referiu Miguel Meira Cruz num comunicado enviado à agência Lusa.
O especialista explicou que uma hora a mais de sono pode, em teoria, promover o bem-estar de quem se encontra privado desta necessidade, sendo o impacto deste benefício maior nas pessoas que se deitam mais tarde e tendencialmente se levantam mais tarde ou naqueles que atrasam a sua hora de deitar, como acontece com adolescentes.
No entanto, verifica-se que “as atitudes não acompanham as intenções e este ganho tem provavelmente uma influência menor”, sublinha. Além disso, “os matutinos privados de sono, podem sofrer mais nos dias subsequentes à mudança para a hora de inverno”, dado que para “além da menor flexibilidade na resposta a mudanças, as condicionantes impostas pelo novo horário afectam o humor”.
Alguns dos sintomas causados pela alteração da hora incluem a prevalência de alguns tipos de dores de cabeça, nomeadamente a cefaleia hípnica (surge durante o sono) e a cefaleia em salvas (dor muito forte só num lado da cabeça). De acordo com Miguel Meira Cruz, “estas condições são frequentemente desencadeadas por alterações nos ritmos circadiários estabelecidos naturalmente”.
Uma vez que a “capacidade de alerta” da pessoa oscila com o “carácter circadiário” e com o aumento do tempo na escuridão, o risco de acidentes também fica aumentado.

No domingo muda hora: Vale a pena perguntar para quê?


Artigo muito interessante e completo da jornalista Luísa Oliveira para a «Visão»:

Este ano é a vez das Ilhas Baleares fazerem frente ao atraso do ponteiros do relógio que vai acontecer já no domingo, dia 30. Mas esta é uma história com cem anos, feita de muita contestação.

Todos os anos, a conversa volta à mesa do café (e agora a essa enorme mesa de café que são as redes sociais). Começa a aproximar-se o horário de inverno, e a inevitabilidade dos dias mais curtos e escuros, e saltam os estudos e os protestos. Este ano, é a vez das espanholas Ilhas Baleares (Maiorca, Menorca, Formentera, Cabrera e Ibiza) estarem a bater o pé para não mudarem a hora, na madrugada do próximo domingo.
Nós por cá, não temos outro remédio. Basta ir ao site do Observatório Astronómico de Lisboa para ler o extracto do jornal oficial da Comissão Europeia (nºC 083 de 17/03/2011) que determina a data da mudança para o dia 30 de Outubro.
Mas aquele território autónomo da Espanha, situado no mar Mediterrânico, tem vários argumentos na manga e conseguiu gerar um consenso entre todos os partidos do parlamento, que assinaram uma declaração institucional (esta terça tornada oficial) para apresentar ao governo (há um ano em modo interino).
Naquelas ilhas queixam-se de que, na hora de Inverno, o sol se põe às 17h45, uma diferença de quase 50 minutos em relação às cidades mais a Oeste da Península Ibérica, como é o caso de Lugo, na Galiza. O texto da declaração contém frases como "a sociedade moderna necessita que as horas de sol se adaptem ao seu tempo livre" e defende que, com mais luz solar, se fomenta as actividades pós-laborais, a poupança de energia e a dinamização turística e comercial.
Argumentos à parte, as ilhas não são originais neste campeonato. Conheça outros casos em que se tentou e conseguiu ficar para sempre na mesma hora (na verdade dos 195 países do mundo, apenas 82 seguem esta norma) e até um estudo que advoga que isso é mais saudável:
* O presidente da Associação Portuguesa de Cronobiologia e Medicina do Sono manifestou-se contra a alteração dos ponteiros do relógio que se avizinha. Miguel Meira Cruz diz que esta adaptação tem impactos negativos na saúde, causando alguns tipos de dores de cabeça e aumentando o risco de acidentes. "Este é mais um exemplo do predomínio do interesse económico em detrimento daqueles dirigidos à promoção da saúde", conclui.
* No Brasil, apenas os 17 estados do Norte e Nordeste não mudam de hora no Inverno, porque estão muito próximos do Equador e a sua exposição solar é quase a mesma durante todo o ano.
* Apesar de só existirem seis estados na Austrália, mesmo assim há dois que decidiram não mexer no relógio quando muda a estação.
* Em 2010, a Rússia recusou-se a mudar mais de horário, alegando um difícil ajuste no bioritmo. Na altura, a Ucrânica juntou-se ao protesto, mas acabou por recuar quando as relações entre os dois países se deterioraram.
* A China, apesar da sua dimensão, tem toda o mesmo fuso e não há lá mudanças ao longo do ano. A Índia é outro exemplo de hegemonia horária.
* No Continente africano existem poucos países que mudem de hora. A Líbia, Marrocos, a Nabímia e o Saara Ocidental são algumas excepções.
* Em 1992, o governo de Cavaco Silva adoptou o horário da Europa Central. Quatro anos mais tarde, e depois de muitas críticas à medida cavaquista, o executivo de António Guterres repôs a normalidade que vigora até hoje.
* Há quem se queixe que esta medida é obsoleta, pois tem precisamente cem anos e foi tomada durante a Primeira Guerra, como uma medida de poupança de recursos. Tornou-se directiva europeia em 1981.
* Só a Gronelândia tem o mesmo horário dos Açores (menos uma hora do que o Continente e a Madeira) - estão ambos no fuso GMT -1.

outubro 24, 2016

«Mudança da hora, os prós e os contras» no programa «A Praça» da RTP

Mensagem que recebi hoje:

"Boa tarde Paulo Moura,
O meu nome é Sofia Serpa e sou produtora do programa da manhã da RTP, “A Praça”. Na próxima 6ª feira, dia 28, vamos debater na última parte do programa o tema: “Mudança da hora”, os prós e os contras.
A entrevista será feita pelo apresentador Jorge Gabriel e em estúdio teremos o Dr. Anselmo Pinto, especialista do sono que vê vantagens na mudança da hora.
Gostaríamos de o convidar a estar presente em estúdio, para nos dar o seu ponto de vista e enriquecer este debate. A minha colega, Joana Ramalhão contactou-o pelo facebook para o mesmo efeito.
O programa é em direto dos estúdios da RTP Porto que ficam em Vila Nova de Gaia.
Agradeço desde já atenção e fico a aguardar uma resposta assim que possível. Deixo-lhe ficar o meu contacto mais direto – 92x xxx xxx.
Melhores cumprimentos
Sofia Serpa
Centro de Produção do Norte
RTP"

A minha resposta:

"Boa noite, Sofia Serpa e Joana Ramalhão
O vosso convite honra-me muito e aceitaria participar nesse debate se entendesse que seria útil para a causa que defendo: que se termine com a mudança da hora, por não haver vantagens económicas claras e comprovadas e, pelo contrário, em termos de bem-estar, este ser um artificialismo que causa problemas comprovados às pessoas e à sociedade, duas vezes por ano e ao longo de várias semanas, até se dissipar. Mas não é esse o caso. O problema é que este procedimento, que estudo já há mais de dez anos e que me levou e leva a contactar diversas entidades nacionais, europeias e de outros países, ultrapassa a capacidade de decisão de Portugal, por cair no âmbito da União Europeia, a qual por sua vez faz depender a sua manutenção de uma consulta a cada Estado-membro, de cinco em cinco anos, num processo pouco ou nada claro e transparente, uma pescadinha de rabo na boca que redunda na actual inércia.
Se querem um contributo válido para o debate sobre este assunto, sugiro que convidem o Professor Rui Agostinho, director do Observatório Astronómico de Lisboa e presidente da Comissão Permanente da Hora, com quem tenho mantido contacto desde há algum tempo.
Quanto ao vosso outro convidado, Dr. Anselmo Pinto, desconheço os seus argumentos a favor da mudança de hora, mas conheço outros especialistas e cientistas, nacionais e internacionais, que têm argumentos válidos contra a mudança de hora ou que, no mínimo, destroem os argumentos a favor da mesma. E, como diz um amigo meu, se tal coisa fosse biologicamente imperiosa, então nasceríamos com um relógio regulável como componente anatómico.
Cumprimentos,
Paulo Moura"

outubro 20, 2016

Especialista do sono afirma que mudança de hora traz "mais riscos que benefícios"


Artigo publicado hoje no jornal «Público»:

A alteração dos ponteiros do relógio para a hora de Inverno traz "mais riscos que benefícios" devido à "súbita exigência de mudança" do "tempo interno" das pessoas, adverte o presidente da Associação Portuguesa de Cronobiologia e Medicina do Sono, Miguel Meira Cruz.
Na madrugada de 28 para 29 de Outubro [errado - será na madrugada de 30 de Outubro], os relógios vão atrasar uma hora, dando início ao horário de Inverno, uma mudança que, segundo Miguel Meira Cruz, tem impactos negativos na saúde. "Apesar de o impacto ser claramente maior no recuo que exigimos ao tempo em meados de Março, qualquer das direcções em que se proceda uma mudança súbita num relógio de adaptação lenta como o que temos no cérebro, tem prejuízos significativos e potencialmente graves", adverte Miguel Meira Cruz em comunicado à imprensa.
O especialista afirma que uma hora a mais de sono pode, em teoria, promover o bem-estar de quem se encontra privado desta necessidade, sendo o impacto deste benefício maior nas pessoas que se deitam mais tarde e tendencialmente se levantam mais tarde ou naqueles que atrasam a sua hora de deitar, como acontece com os adolescentes. Porém, na prática, verifica-se que "as atitudes não acompanham as intenções e este ganho tem provavelmente uma influência menor", sublinha.
Além disso, acrescenta, "os matutinos privados de sono, podem sofrer mais nos dias subsequentes à mudança para a hora de Inverno", dado que para "além da menor flexibilidade na resposta a mudanças, as condicionantes impostas pelo novo horário afectam o humor".
Meira da Cruz aponta alguns sintomas causados pela alteração da hora, como prevalência de alguns tipos de dores de cabeça, nomeadamente a cefaleia hípnica (surge durante o sono) e a cefaleia em salvas (dor muito forte só num lado da cabeça). Segundo o especialista em medicina de sono, "estas condições são frequentemente desencadeadas por alterações nos ritmos circadiários estabelecidos naturalmente".
Uma vez que a "capacidade de alerta" da pessoa oscila com o "carácter circadiário" e com o aumento do tempo na escuridão, o risco de acidentes é também aumentado, alerta.
Para o especialista, a mudança da hora "é mais um exemplo do predomínio de interesses económico-financeiros, que vigora no mundo, em detrimento daqueles dirigidos à promoção da saúde".
"Efectivamente a alteração proposta originalmente por Benjamim Franklin, perspectivava a rentabilização de energia luminosa poupando gastos", mas "em rigor, não só não se confirmaram os ganhos teorizados, como se tem vindo a descobrir perdas importantes associadas à alteração brusca da hora", sustenta.

pouca terra-pouca terra...

Pudemos, ontem, ler em:

Desmaios nos comboios dão origem a campanha contra o jejum
Se viajar de comboio, tome o pequeno-almoço: é esta a mensagem da Fertagus.
Viajar sem tomar o pequeno-almoço pode afetar a viagem de todos, diz a Fertagus, empresa que detém a concessão do serviço ferroviário entre Lisboa e Setúbal, com passagem na ponte 25 de Abril. Por isso, deu hoje início a uma campanha contra o jejum.
De acordo com a edição de hoje do jornal Público, a empresa avançou com esta campanha na sequência dos desmaios que ocorreram durante viagens, por falta de pequeno-almoço, e que levaram a atrasos na circulação dos comboios. Só no primeiro semestre deste ano, registaram-se 46 episódios de "doença súbita", que prejudicaram a pontualidade de 51 comboios num total de 209 minutos, avança a publicação.

De 2012 a outubro deste ano contabilizaram-se mais de 370 casos, dos quais 82 dentro dos comboios. E a maioria no período entre as 7:00 e as 10:00. Cada caso implica um atraso na ordem dos 20 ou 40 minutos, pelo que, além do comboio em causa, também os seguintes podem ser afetados em termos de pontualidade, o que tem consequências para milhares de passageiros - cada comboio tem capacidade para 1200 pessoas.
"Esta situação não é nova e já tivemos uma campanha mais genérica com várias mensagens, mas agora decidimos fazer esta mais focada na questão dos pequenos-almoços, nas boas práticas", disse à Lusa Raquel Santos, da Fertagus. A campanha passa por entregar folhetos às pessoas, cartazes e na próxima semana na distribuição de maçãs e em princípio iogurtes", explicou.
"As nossas conclusões são baseadas em relatos transmitidos pelas pessoas que, num primeiro momento, são assistidas pelos nossos colaboradores. Algumas revelaram que não tinham tomado pequeno-almoço ou que não comiam há muitas horas", disse.
Além de aconselhar os passageiros a tomarem o pequeno-almoço, a empresa aconselha-os a, em caso de indisposição, a não seguir viagem ou sair na estação seguinte.
A campanha pelo pequeno-almoço arrancou hoje com a colocação de cartazes nas estações e a distribuição de folhetos. Nos próximos dias haverá também a distribuição gratuita de maçãs e, em princípio, iogurtes no período da manhã.
A Fertagus serve atualmente 14 estações numa extensão de linha com cerca de 54 quilómetros. Dez na margem sul, a partir de Setúbal, e quatro na margem norte, até Roma-Areeiro, já em Lisboa.(Fim de citação)

Há alguma coisa de assustador nisto. De anacronismo, também. E poder-se-ia elucubrar profusos tratados antropológicos sobre o assunto. Mas vamos, antes, ao comezinho: 

Devemos presumir que estas «fraquezas súbitas», derivadas daquilo a que vulgarmente se chama fominha e verificando-se de um modo recorrente e não como mero fenómeno esporádico ou contenções alimentares para as passerelles, comprova AOS GRITOS, aquela evidência que não vê quem não quer ver: grande parte da população portuguesa não aufere rendimentos que lhe permitam, ao menos, sequer sobreviver. 

Depois, uma reflexão que me apoquenta: quem é a Fertagus para «aconselhar» comportamentos ao cidadão? Ainda para mais, comportamentos que implicam com a carteira do mesmo cidadão, quando praticam o tarifário que nos apresentam. 

Vejamos, um exemplo: ao efectuar uma investigação sumária (https://www.fertagus.pt/pt/viajar/fertagus# e Via Michelin), apura-se que um bilhete em tarifário simples, entre Lisboa e Setúbal, custa, pela Fertagus, 4,35 € (de estação a estação, fora o resto, claro: estacionamentos, local exacto de destino, etc.). Sabem Vocências quanto custa essa viagem em viatura própria, com portagens incluídas? Pois custa certa de 5,73 €. 

Digam-me lá, quais de Vocências, muito classe média baixa ou remediada que sejam, trocam o conforto óbvio da viatura numa viagem que cerca de 60 Km, pela diferença espantosa de 1,38 € (não contabilizando os restos de que acima se fala)… Isto se viajarem sozinhos, pois simples duas pessoas subvertem toda esta lógica, em favor da viatura própria. 

E quanto ao passe não vamos muito melhor. Passe que serve, fundamentalmente, para o bom povo trabalhador e ordeiro ou estudantada, que precisa de se deslocar entre as duas cidades, não para petiscar choco frito ou sardinha assada, mas para ganhar ou aprender o pão-nosso-de-cada-dia. 22 dias por mês, mais coisa, menos coisa 

A Fertagus, magnânima, cobra-lhe a «ridicularia» de 128,05 €, mas avisa não menos magnanimamente o seu utente, que esse passe, e cito, «permite a realização de um número ilimitado de viagens de comboio entre a estação de origem e a de destino para a qual o Título foi emitido. Válido por 31 dias a partir do carregamento/venda». 

Tudo isto é, sociologicamente, muito interessante. Estou a imaginar alguém do bom povo trabalhador a efectuar «viagens ilimitadas» pelo simples desfrute de viajar no comboio suburbano, para cá e para lá, dias a fio e várias vezes ao dia... 

E sendo «válido por 31 dias a partir do carregamento», para um tal cidadão obreiro isso significará, basicamente, que, de 9 a 11 dias por mês, será, em regra geral, pura perda para ele em favor da Fertagus… A não ser, claro, que seja um adepto fervoroso do choco frito e da sardinha assada e não guarde, para a sua degustação, feriados ou dias santos. 

Assim se poderá presumir que aquilo que a Fertagus embolsa com tal tarifário sobre o bom povo trabalhador há-de dar para comprar umas bolachinhas e, segundo parece, uns iogurtes, não para debelar a fome (o que nem lhe competirá…), mas para se precaver de atrasos, que são sempre uma maçada e um transtorno e dão má imagem à casa. 

Estaremos muito longe de uma parceria entre a Fertagus e a senhora dona Isabel Jonet com o seu «banco alimentar» e a caridadezinha aos molhos? Os Pingos Doces e os Continentes agradecerão, como sempre. Directamente da grande superfície para a estação ferroviária, sempre a engrandecer o País. 

Também se imaginará o futuro apelo da Fertagus ao utente mais remediado: «Já deu a sua bolachinha hoje ao seu companheiro de viagem? Bolachemo-nos, irmãos!»… 

E os bons espíritos irão para o céu que nem passarinhos – e sem carecerem sequer de passe social. 

Pelo caminho, falar das composições atulhadas de gente em horas de ponta, na desregulação permanente do ar condicionado, nas correrias entre comboios e autocarros em serviço da mesma Fertagus, na falta de pessoal de apoio nas estações, tudo não passa de argumentário irrelevante neste contexto. 

E a Fertagus ainda vai invocar as bolachas e os iogurtes como o sacrossanto e tão na moda «serviço social da empresa», abichando assim a complacência bonacheirona das entidades governativas e alguma complacência fiscal, também. 

O que haverá de mais certo é que, nestas exactas circunstâncias, a fominha aumentará e, se as coisas correrem bem, na mesma proporção em que aumentará o tarifário da Fertagus. 

Ele há, afinal, muita matéria, ainda, digna de uma reflexão por parte de quantas geringonças possam abençoar este País, para que o céu que possa existir esteja ao alcance de todos.

A grande questão que todas as fertagus, edpês, redes móveis e imóveis, águas, autarquias, etc., etc., etc. deste País podiam e deviam colocar-se não deveria ser antes: quanto é que podemos baixar os nossas tarifários para permitir alguma dignidade de vida para os nossos utentes, em vez de andarmos a brincar às bolachinhas caridosas, aos museus de espavento e ao foguetório geral em que andamos mergulhados?  

Desculpem lá a extensão da escrevinhação. Vou, entretanto, ali tomar o meu pequeno-almoço, enquanto ficam a pensar no assunto, e já volto...