setembro 23, 2016

alguém sabe como ladram os cães em americano?
- questão dirigida aos adeptos de BD

Tenho andado a ser violentado por um determinado tipo de cançonetas (?!?...) que me aparecem na rádio sem pedir licença - até nas emissoras mais insuspeitas - e porque tudo aquilo me parece surpreendente demais para ser verdade, mas porque assisto a festivais e outros que tais onde a rapaziada se desgrenha a acompanhar o cançonetista (?!?...), decidi efectuar uma pesquisa que me proporcionou uma descida alucinada a um universo piroso de que não fazia ideia, a não ser nalguns pesadelos urbanos, daqueles em que acordamos todos suados e com a sensação de que acabámos de correr uma maratona... 

Mas porque o saber não ocupa lugar e um homem deve estar completado com a emergência dos seus dias, lá fui ver o que se passava. As pérolas são mais do que muitas, de tal modo que acabei por apanhar um excerto aleatório, que convosco partilho.

Os intérpretes sofrem todos muito do mal da coita que, como se sabe, é o mal de amar. São, por isso, uns coitados. Gemem, choram plangências delicodoces até ao vómito e as lágrimas correm-lhes em ímpetos descontrolados, entre angústias existenciais, dores de corno e suspeitas de impotência. E continuam a gemer - oh, baby - e atiram telemóveis contra a parede como se não houvesse amanhã - oh, yeah - e fazem-no sempre com vozes aflautadas e trémulas que não auguram nada de bom...     

Vejam só:

Eu quero esquecer
Tua traição
E arrancar esta mágoa do meu coração
Mas está difícil (ta ta ta ta ta ta ta ta)
Mas está difícil (ta ta ta ta ta ta ta ta) oh yeah

Lhe tocaste aonde?
Lhe beijaste aonde?
Lhe falaste o quê?
Eu quero saber!
Lhe agarraste como?
Lhe Fizeste como?
A imaginação está-me a remoer eh eh
Como foste capaz?
Como foste capaz?
Será que também lhe disseste eu te amo?
Como dizes a miiimmmm.... (prolongável até ao infinito)

(Se alguém me pedir, eu anuncio a autoria... Mas é de um senhor que anda por aí, nas revistas da especialidade).

Experimentem «cantar» este naco em frente a um espelho, sentados ao contrário, isto é, de cabeça para baixo, todos nus, numa cadeira estofada e depois de comerem um belo cozido à portuguesa, por exemplo - outras variações serão admissíveis, como ficar de pé, também todos nus, mas com duas molas da roupa presas aos mamilos... 

Verão que, rapidamente, a voz se vos começa a aflautar e vos surge a sensação de que a vossa vida sentimental nunca mais será a mesma...

O que terá acontecido à Humanidade depois de terem aparecido os Doors ou a Pedra Filosofal?

setembro 20, 2016

de Espanha nem bom vento... mas, felizmente, há enfermeiras!

Portugal acordou, hoje, estremunhado mas espantado e alegrete, pois que uma entidade internacional de renome, a saber, o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) julgou, por violação das normas comunitárias, a favor de uma senhora enfermeira espanhola que se encontrava a trabalhar, ilegalmente, com contratos a prazo sucessivamente renovados há cerca de quatro anos, no serviço de saúde de Madrid.  

O incómodo destas coisas é que, por vezes, até fazem jurisprudência…

A seitinha cá do burgo logo se espantou e, mesmo sem dar especiais ouvidos à coisa, já tive o ensejo de ouvir alguns comentários que encheram de contentamento a minha alma… quando não de alguma azia ou, até, malditos fados, de flatulência.

Para princípio de conversa, é sempre bom saber que «lá fora» alguém ajuda a resolver os problemas que temos «cá dentro» e para os quais nos vamos mantendo a assobiar distraidamente para o ar, haja bola e festivais.

Precariedade? Ah, pois é… Eu conheço alguns casos… ou tantos. Sim, sei lá, o meu filho, o meu sobrinho, aqui a vizinha, o Manelinho da Pacheca, coitadinho, que é tão bom menino e já com três mestrados e quatro pós-graduações e ali de caixa no supermercado… Olha lá, e não estás a lembrar-te do Tozé da Arminda, que só em vodafones e outras lojas de telefones já anda naquilo há mais de uma dúzia de anos… E aquela miúda estagiária da Playboy portuguesa, há três anos sem ganhar tostão, mas cheia de enriquecimento curricular…? E a Zeza, que estava já tão grávida quando a mandaram embora daquela repartição e meteram lá a irmã gémea, a fazer o mesmo, mas que não estava grávida…?

E diz quem aparenta saber e será de insuspeito parecer:

A precariedade laboral agravou-se nos últimos anos, trazendo para as ruas milhares de trabalhadores em protesto. Só no primeiro semestre deste ano, 80% dos contratos de trabalho assinados são precários, garante-nos Carlos Silva, secretário-geral da UGT.

E o que é isto, afinal, da precariedade? Nada mais do que uma «invenção» de chicos-espertos públicos e/ou privados, alegadamente para diminuição do custo final de qualquer artigo ou projecto, sempre através do corte na remuneração do trabalho, mas que voga, invariavelmente, na mais pantanosa ilegalidade.

As faces do truque são mais do que muitas pois é consabido sermos grandes no desenrasca. E isso também vale para os «empresários».

Sim, porque ele há leis (consta até que é o que há mais…) e dizem alguns que a sociedade dita ocidental se fundamente na existência do estado de direito, o qual só faz sentido se se cumprir, contrariando a lei da selva, que é, afinal, o que por aí campeia, em termos de mercado do trabalho.

Dizem-se coisas destas, mas pratica-se pouco ou nada e cada vez menos – não a lei da selva, claro, mas sim o estado de direito -, até por não haver qualquer espécie de mecanismos actuantes para o fazer funcionar, exercendo vigilância pelo cumprimento da lei e punindo os seus prevaricadores.

E, depois, claro, se o próprio estado pratica tal incumprimento, a par com os grandes empórios empresariais, porque é que o Zé-da-Esquina não haveria de o fazer? Ainda que este seja, muito provavelmente, mais depressa apanhado por ter admitido um aprendiz sem contrato e sem habilitações pelo único inspector do trabalho ainda sobrevivente, do que qualquer das tais outras grandes empresas por contarem, nos seus quadros não-efectivos, com várias centenas ou milhares de precários com licenciaturas e pós-graduações e tudo e tal.

Ora, claro que já ouvi, hoje mesmo, um advogado da área do Trabalho – especializado, com certeza – referir que isto é tudo muito bonito mas, cá em Portugal, há que se ser pragmático – que é uma coisa assim a modos que pornográfico, mas com outras incidências e conotações… – e, com certeza, aquela disposição do Tribunal de Justiça não será, por cá, de fácil (?) aplicação pois ele há a competitividade feroz com o estrangeiro e a indigência endémica e atávica dos empresários nacionais e, digo eu, até há esta corja de opinadores especializados em castrarem o tal estado de direito, mal surja uma nuvem menos branca no horizonte dos seus interesses.

Ser um advogado a dizer isto, publicamente, é estranho? Seria, até pela assunção implícita da subversão do direito. Mas isso interessa a alguém? A malta curva a cerviz, pobres e obrigados, que sempre valem mais 300 € por trabalho escravo do que euro nenhum…


Ainda bem que há enfermeiras espanholas! É que por cá já nem sei se existem, sequer, advogados portugueses.

setembro 14, 2016

entrada de leão, saída de sendeiro?

Carlos Alexandre por um triz se diz que é juiz... e não devia! 

Sim, eu sei que a cantiga não rezava assim, mas estas analogias ocorrem-me, que querem...? 

Afinal, a ser verdade o seu afastamento do «caso Sócrates», uma coisa me parece evidente: se ninguém atinava muito bem com as razões que terão levado o «saloio de Mação» a dar aquela abstrusíssima entrevista, talvez agora melhor se vislumbre a sua mais profunda motivação: dar de frosques da camisa de onze varas em que se encontrava atolado.

Ou alguém pensará que uma criatura com aquele grau de «domínio do conhecimento» seria capaz de cometer, leviana e ingenuamente,  tão leviana ingenuidade?

E talvez o processo ainda prossiga sem ele. Mas deverá prosseguir muito, muito devagarinho, como é habitual apanágio. 

E nada se apurará, como também é. O mais certo será, até, Sócrates exigir uma indemnização ao Estado, que somos nós, e sair por cima, filósofo e sorridente.  

Por outro lado, se o acto perpetrado alegadamente contra Sócrates penalizou, afinal, cirurgicamente o PS, o homem até terá desempenhado cabalmente o seu papel.

Teve mandantes? A História nos dirá... ou talvez não, para seguir, também, os parâmetros normais.

O que está feito, feito está. Nada se desmonta e tudo se toca para a frente, que para trás mija a burra e consta que o bicho está em vias de extinção.

E, assim, com papas e bolos se enganam os tolos. Pelo caminho, silenciam-se os cínicos. No entanto, ainda há, por exemplo, no facebook quem muito aplauda e defenda a criatura. Tal é a diversidade humana que nos enriquece. 

Não sei porquê mas ocorreu-me aquela velha canção do Serge Lama onde se dizia «je suis cocu mais content!»... A tradução encontra-se por aí, em qualquer consciência  mais avisada.

agosto 31, 2016

RTP2 - Portugal na Grande Guerra - «Hora Legal»

Na RTP2, em 29 de Agosto de 2016, transmitiram um programa da série «Portugal na Grande Guerra», sobre a hora legal e que pode ser (re)visto aqui.
Por ser um tema que tenho desde há muito estudado e este pequeno documentário me parecer muito interessante, transcrevo aqui o que a RTP 2 publicou na sua página sobre este programa:


Hora legal

É ao Real Observatório Astronómico de Lisboa, 17 anos após a sua criação, que compete "fazer a transmissão telegráfica da hora oficial às estações semafóricas e outros pontos do país".
Em 1912, a Hora em Portugal passou a reger-se pelos Fusos Horários da Convenção de Washington, e a hora continental passou a ser a do Fuso das 0 horas, pelo meridiano de Greenwich.
Um decreto de 1915 regulamenta o Serviço da Hora Legal em relação ao novo relógio público construído em finais de 1913 e colocado na Praça Duque de Terceira (Cais do Sodré), ao lado do edifício do então escritório da Exploração do Porto de Lisboa.


Ilustração Portuguesa nº 410 - Hemeroteca de Lisboa

O relógio estava ligado ao Observatório por cabo eléctrico.
Era por esta hora que os navios no porto de Lisboa acertavam relógios.




Fotografias cedidas pela Biblioteca Nacional de Portugal

Já vinha de 1784 dos Estados Unidos da América a ideia do daylight saving time, ou horário de Verão: mudar a hora para ganhar uma hora de sol e poupar energia.
Mas foi só em 1916, e perante a cada vez maior falta de carvão, que a Alemanha em guerra resolveu mudar a hora. Os aliados seguiram-se, e Portugal não foi excepção. Do dia 17 para 18 de Junho a hora mudou. Os relógios foram adiantados uma hora. Houve polémica, houve humor e, claro está, censura. A verdade é que - com algumas interrupções - o hábito se manteve durante estes 100 anos.
A propósito, a próxima mudança de hora é no dia 30 de Outubro…


O Século Edição da Noite - Biblioteca Nacional de Portugal


O Século - Biblioteca Nacional de Portugal

Enquanto um decreto entrava em vigor mandando mudar a hora para se poupar carvão – a pedido dos empresários dos teatros, concedia-se tolerância para os teatros abrirem mais tarde, isto para lhes evitar prejuízos. Se os aliados tinham teatro pelas oito da noite, Portugal subia ao palco às 22 horas. Com um problema: os espectáculos acabariam pela uma ou duas da manhã, altura em que as carreiras de carros eléctricos já teriam terminado.
Nota: que o horário dos eléctricos foi alterado e o último passou a sair do Rossio pela 1.50 da manhã. Portugal era afinal um país moderníssimo.


Os Ridículos - Biblioteca Nacional de Portugal

Em Espanha, o presidente da câmara dos deputados propôs que fossem acrescentadas duas horas às sessões. Uma hipótese que mereceu reacções hilariantes por cá.
E a nova hora serve para qualquer chalaça n'O Século Cómico:


Século Cómico - Biblioteca Nacional de Portugal

Se uns eram a favor, outros eram contra a mudança da hora – outros mantinham-se neutrais em tempo de guerra. “Do mal o menos, quando constatar que é meio-dia, concluo que é meia-noite e meto-me logo na cama”.


Ilustração Portuguesa - Hemeroteca Nacional de Lisboa


O Século edição da Noite - Biblioteca Nacional de Portugal


A Capital - Hemeroteca Municipal de Lisboa

A verdade é que a confusão estava instalada, com os comerciantes a quererem manter a mesma hora de abertura das lojas, sem entenderem que claro que iriam manter o mesmo horário, o horário solar é que não seria o mesmo.
Lá fora houve quem nos chamasse estúpidos.


Ilustração Portuguesa/Imagem Stuart Carvalhais - Biblioteca Nacional de Portugal

Por cá, os jornais gozavam e diziam que toda a gente tinha percebido e que fingíamos não entender apenas para ter graça.


A Capital - Hemeroteca Municipal de Lisboa

Os funcionários públicos passariam a entrar às 9 da manhã, praticamente de madrugada, e teriam duas horas para almoçar, saindo às 18 horas para suprir a falta dos funcionários mobilizados.

Fonte: RTP2

agosto 16, 2016

Ainda e sempre o processo "Casa Pia".

E se alguém de repente vem dizer para um qualquer pasquim que o nosso Presidente da República também foi indiciado e acusado por "testemunhas" fazer parte da "Rede de Pedofilia"? 
Porque devemos verdade à nossa memória, e porque este processo é uma vergonha, segue o texto de 2011 de autoria de  Carlos Tomás.

-O Ministério Público nunca explicou os critérios usados para acusar uns denunciados e ilibar ou nem sequer investigar outros!-

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*São mais de 200 os nomes que foram referenciados como alegados abusadores de menores na fase de inquérito (investigação) do processo da alegada rede de pedofilia que operava na Casa Pia de Lisboa. Jorge Sampaio, Marcelo Rebelo de Sousa, Jaime Gama, Ferro Rodrigues, Narana Coissoró, Paulo Portas, Francisco Louça, Chalana, Carlos Manuel, Joaquim Monchique, Medina Carreira, Carlos Monjardino, Vítor de Sousa, Adelino Salvado, Bagão Félix e Valente de Oliveira são apenas algumas das figuras públicas que viram os seus nomes referenciados no processo por várias pessoas interrogadas pelos investigadores da PJ ao serviço do Ministério Público.

Marcelo surpreendido
O professor e comentador televisivo Marcelo Rebelo de Sousa está, por exemplo, referenciado como tendo abusado de um menor e presenciado actos de pedofilia numa casa em Lisboa. Foi acusado, a 8 de Abril de 2003, por uma professora, residente na Margem Sul do Tejo. Segundo a denúncia da docente, ela foi levada à referida casa pelo pai, e lá estaria o professor que assistiu, nas palavras desta mulher, a abusos de menores, tendo ele próprio abusado de um. A procuradora Paula Soares, uma das titulares do inquérito (juntamente com o procurador João Guerra e a procuradora Cristina Faleiro), foi quem recolheu este depoimento, que, mais tarde, mandou simplesmente apensar ao inquérito principal. A mesma mulher acusou ainda o ex-ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, de ter abusado de menores (de ambos os sexos) numa casa localizada no Estoril e confessou que ela própria agrediu, com um ferro, uma jovem, na mesma casa, estando convencida ainda hoje que a matou.
A procuradora Paula Soares considerou que os factos denunciados eram muito antigos e não estavam relacionados com nenhum dos arguidos, suspeitos ou ofendidos do inquérito da rede de pedofilia, pelo que não ordenou qualquer diligência investigatória, nomeadamente que se procedesse ao interrogatório do pai da suposta vítima a fim de se apurar que casa era aquela e quem era o seu proprietário. 
Confrontado com esta acusação, Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se surpreendido: “Nunca fui interrogado sobre essa matéria. Nem sabia que tinha sido referenciado. Tinha conhecimento que a minha fotografia aparecia num álbum que foi mostrado às vítimas e até achei isso muito bem. De qualquer forma, essa acusação não faz o mínimo sentido. Não conheço essa pessoa de lado nenhum.”

Testemunhos desvalorizados
Muitos dos testemunhos e denúncias recolhidos pela equipa de investigadores que trabalharam na fase de inquérito do processo foram desvalorizados, apesar de alguns deles terem testemunhado em tribunal contra alguns dos arguidos que foram a julgamento, nomeadamente contra Ferreira Diniz, Jorge Ritto e Carlos Cruz.


Uma das testemunhas que acusou estes três arguidos (baptizado por alguma Comunicação Social como João A., tratando-se na realidade de Ricardo Oliveira, actualmente com cerca de 30 anos, julgado em 2007 por assaltos a várias residências na região de Sintra e referenciado pelas autoridades como estando ligado ao narcotráfico) denunciou à PJ outros alegados abusadores, nomeadamente Paulo Pedroso, Ferro Rodrigues, Jaime Gama, Fernando Chalana e Carlos Manuel, tendo mesmo indicado uma casa em Cascais, no Bairro do Rosário, onde terá sido abusado e filmado em práticas sexuais por Ferro Rodrigues, Jaime Gama e Jorge Ritto.
Uma outra testemunha/vítima, que acusa todos os arguidos de abusos na casa de Elvas, onde agora, de acordo com a sentença, apenas Carlos Cruz terá praticado abusos, denunciou à PJ Carlos Mota, antigo “assessor” de Carlos Cruz. As testemunhas que terão sido abusadas em Elvas referiram também à PJ abusos praticados por outras pessoas, nomeadamente por outros funcionários da Casa Pia, por colegas mais velhos e pelo antigo provedor Luís Rebelo, que foi demitido do cargo na sequência do escândalo. Curiosamente, apesar de ser referenciado nos autos como abusador e de ter estado mais de duas décadas à frente da Casa Pia, nomeadamente na altura em que terão ocorrido os abusos que foram agora julgados, o ex-provedor nunca foi interrogado pelas autoridades na fase de inquérito.
Outros jovens foram claros, quando interrogados pela equipa que investigava a pedofilia na Casa Pia de Lisboa, em denunciar como alegados abusadores de menores Joaquim Monchique, Francisco Louça, Medina Carreira, Narana Coissoró, Paulo Portas, Vítor de Sousa e Carlos Monjardino, entre outros. Todos foram acusados pelas testemunhas/vítimas como frequentadores assíduos do Parque Eduardo VII, onde “arranjariam” os menores de quem abusavam. 


Felícia Cabrita deu vários nomes
Quem também contribui para engrossar a lista de nomes de suspeitos de pedofilia foi a jornalista Felícia Cabrita, autora da notícia que esteve na origem do escândalo. Ouvida pelas autoridades a 16 de Janeiro de 2003, duas semanas antes da detenção de Carlos Cruz, Hugo Marçal e Ferreira Diniz, a jornalista revelou que tinha denúncias contra dois cozinheiros da Casa Pia, Jorge Ritto, Carlos Cruz e Fernando Pessa. Felícia entregou ainda à PJ um papel que lhe terá sido dado pela antiga secretária de Estado Teresa Costa Macedo, onde aquela denunciava o advogado Lawdes Marques, os doutores Eduardo Matias e André Gonçalves Pereira, os embaixadores António Monteiro e Brito e Cunha, bem como Carlos Cruz e João Quintela.
Isabel Raposo, a meia-irmã de Carlos Silvino, também escreveu uma carta à procuradora Paula Soares, que consta do processo, onde denuncia Pedro Roseta e o irmão, Valente de Oliveira, Martins da Cruz, Narana Coissoró, Paulo Portas, Bagão Félix e Adelino Salvado, entre outros.


O Ministério Público nunca explicou os critérios usados para acusar uns denunciados e ilibar ou nem sequer investigar outros!




publicado por Charlie

agosto 07, 2016

Epidemia de amnésia assola “Vestais”


Por João de Sousa, jornalista
Será a amnésia, a falta de vergonha ou o desespero a gerar esta agitação estival de chicana política dos radicais que controlam a direcção dos partidos da direita parlamentar e seus prosélitos nos órgãos de comunicação social que tutelam?
A clique ultra dos neo-liberais que se apoderou da direcção dos partidos representantes da direita no parlamento perdeu o contacto com a realidade. E, ou sofre de uma crise de amnésia aguda, o que seria grave, ou de uma falta de vergonha grave, o que seria agudo! Demagogia, mentiras, desinformação e terrorismo mediático parecem sobejar-lhes!
Nem sei por onde começar: estou dividido entre a probabilidade de me afundar num dos yellow submarines de Portas, como coisa real por fora, e a sensação de me perder no espaço com um dos mil cursos de técnicos aeroportuários ministrados pela empresa, ad hoc, Tecnoforma, como coisa real por dentro.
Das “privatizações” da EDP e da REN a favor do Estado Chinês (que, aparentemente, é uma entidade de direito privado), às brejeirices com a ANA. Das férias de Durão Barroso às viagens de Portas para “vender” a Mota-Engil – pagas pelo erário público – em Angola, na Venezuela e por aí adiante. Aos pequenos computadores da JP Sá Couto que eram má ideia quando Sócrates os divulgava fora de portas mas, num passe de magia, se tornaram um dos motores do crescimento das exportações quando vendidos por Portas… Do esquecimento de pagar a Segurança Social, do Passos, aos swaps assinados pela Maria Luís…
Quando me recordo que a secretaria de estado das Finanças, nas mãos do CDS, implementou um regime de protecção especial para os próprios inspectores acederem aos elementos contributivos de uma pequena lista de eleitos… quando me lembro, enfim, do Ministro Relvas e da sua Licenciatura circense por equivalências… das ausências inexplicáveis do ministro da Defesa às Sextas-Feiras… quando me assaltam a memória os “piegas”, os conselhos para emigrar, os assessores da treta – amigos dos partidos -, as mentiras diárias, os falhanços de metas trimestrais e as nefastas consequências que as medidas de austeridade resultantes do programa baseado em “ir além da troika”, a miséria, a devastação, as falências de empresas e famílias e as mortes que custaram… o retrocesso civilizacional, a destruição dos direitos dos trabalhadores e a desvalorização do factor de produção trabalho, a subserviência repulsiva em relação aos ditames da Sra. Merkel e da Comissão Europeia, sacrificando o próprio povo… não posso deixar de me perguntar: mas de que falam estes senhores quando falam dos três lugares num avião fretado pela GALP?
Que não haja confusões: eu considero a situação condenável. Mas é uma suprema hipocrisia a ênfase com que tais partidos, com hectares de telhados de vidro, atiram assim pedras ao telhadito do vizinho. E a sanha persecutória com que a líder do CDS, o presidente do grupo parlamentar deste partido e o franco-atirador do PSD, Fernando Negrão, atiram às feras os seus adversários políticos? Onde estava Fernando Negrão quando se tornou evidente que o Ministro Dr. Relvas era afinal o Ministro Sr. Relvas? Quando Durão Barroso viajou de férias para uma ilha exótica a convite de um magnata? E quando foi trabalhar para a Goldman Sachs?
Onde estavam ‪#‎Cristas‬ e Nuno quando o ex-líder do ‪#‎CDS‬ foi trabalhar para a companhia que mais vendeu enquanto vice-primeiro ministro?
E que dizer dos esforços patéticos para quebrar a coligação governamental através do assédio constante ao PCP e ao BE, confrontando-os com um “passado” e obrigações imaginários?
A hipocrisia da Imprensa do regime
Deixo de lado o lixo mediático. Concentro-me no órgão oficioso do ‪#‎PSD‬ – a ‪#‎SIC‬ e a ‪#‎SIC_notícias‬ – onde ainda ontem um “jornalista”, cujo nome desconheço, moralizava, prodigiosamente sem se rir, afirmando que jornalistas daquela casa tinham recusado convites do patrocinador por razões éticas… para quem sabe a verdade tal afirmação só pode provocar repulsa ou uma enorme risota.
Eu sou jornalista. Por razões associadas ao tamanho do mercado aceito regularmente convites de empresas para eventos jornalísticos internacionais. No meu sector quase sempre as comitivas integram elementos do Grupo a que pertence este canal de televisão. Convidados, como eu. Isso nunca influenciou o meu trabalho sobre essas companhias. Como acredito que não tenha influenciado, não muito pelo menos, o trabalho dos camaradas de outros meios com quem viajei.
A convite da Vodafone já estive num camarote do estádio do SLB com um jornalista da SIC N. Então e os almocinhos em restaurantes de luxo da rapaziada da Economia, pagos pelos bancos e pelas grandes companhias? Tiveram agora um ataque de Ética? Quem julga iludir o jornalista da “estação 760”, da cobertura paga de festivais comerciais disfarçada de informação, da publicidade encapotada nas telenovelas?
Grande lata!"
JOÃO DE SOUSA · 5 AGOSTO, 2016
Publicado por


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agosto 05, 2016

O Grande Paradoxo: A Democracia em perigo.


Estamos a viver um período histórico muito complicado. 
Guerras e fanatismos, o ressurgir de figuras ditatoriais e o domínio de perversas organizações financeiras.

Enquanto por um lado temos processos engenhosos que põem o Big Brother previsto por George Orwell a um canto, em que são todos através de um jogo aparentemente inocente, os olhos da grande máquina, temos uma figura anedótica mas perigosa, tudo menos um Pokecoisaqualquer, a um passo de se sentar no posto de comando do mais poderoso complexo militar do mundo.

Trump representa o pior que pode haver num ser humano. 

A HIstória está plena destes psicopatas que deixam atrás de si sempre um rasto de desumanidade.
É líquido para o bom senso mediano, o perigo que respresentaria para a segurança mundial,se alguma vez um anormal deste calibre tivesse a possibilidade de aceder ao arsenal nuclear dos EUA. Não acredito, para bem de todos, que ele chegue o poder.


Este brilho lorpa com que ele se pavoneia pode ser e será certamente o cantar do cisne. Mas o futuro? O que nos reserva o futuro? Será que nunca ascenderá ao poder um idiota perigoso e truculento co
mo Donald Trump? Não seria este cenário algo de tal forma perturbador que possa alterar o processo de eleição democrática? Será que continuará a ser o princípio do sonho Americano o de que qualquer cidadão pode chegar a presidente? 

A questão põe-se e é pertinente e poderá haver a prazo uma limitação da própria democracia para que em tese esta se possa defender. É um paradoxo, mas no rescaldo de uma figura destas, quer ganhe quer perca, nada menos se pode esperar do que soluções anti-democráticas. Mesmo que elas venham em defesa da democracia e pela mão de democratas.


julho 29, 2016

o big pokébrother...

Somos, a cada passo, assaltados por uma onda de aparente palermice à qual aderem acriticamente e de imediato uma data de palermas. Por vezes tão insuspeitos (os palermas) que até podemos ser nós próprios... Aqui fica, em jeito de serviço público, uma das últimas estrondosas palermices, denunciada em texto cuja leitura muito se recomenda:

Retirado do Diário de Notícias on-line -

Pokémon Go é um passo para o totalitarismo? Oliver Stone acha que sim


Oliver Stone alerta para os riscos de fornecer os dados pessoais às grandes corporações em aplicações com o Pokémon Go.

O realizador americano criticou o jogo e os seus jogadores, que se dispõem a fornecer os seus dados a um sistema de "capitalismo de vigilância".

O Pokémon Go, o jogo da moda, é uma ferramenta de "capitalismo de vigilância" que abre caminho para uma sociedade totalitária. O alerta foi dado esta quinta-feira pelo realizador norte-americano Oliver Stone, na Comic-Con de San Diego.

O fenómeno em que se tornou este jogo para telemóveis "não tem graça", sendo uma forma de as grandes corporações conseguirem todos os dados privados dos indivíduos, numa forma de "capitalismo de vigilância", comentou o cineasta perante um painel de jovens.

"O que se vê é uma nova forma de, francamente, sociedade de robôs. É o que se chama de totalitarismo", acrescentou, citado pelo Los Angeles Times.

Stone está na convenção de cultura 'pop' de San Diego para promover o seu mais recente filme, "Snowden", sobre o ex-analista da Agência Nacional de Segurança (NSA na sigla inglesa) que foi responsável pela maior fuga de informações secretas da história americana.


Pokemon, o jogo que traz espiões para dentro de casa - entrevista a Oliver Stone:

por Sergey Kolyasnikov (@Zergulio)

Pode falar-me do "Pokemon Go"? 

Já dei três entrevistas sobre isso, de modo que agora tenho de me aprofundar nas fontes primárias. 
Programador do jogo: Niantic Labs. É uma start-up da Google. Os laços da Google com o Big Brother são bem conhecidos, mas irei um pouco mais fundo. 
A Niantic foi fundada por John Hanke, o qual fundou a Keyhole, Inc. – um projecto de mapeamento de superfícies cujos direitos foram comprados pela mesma Google e utilizados para criar o Google-Maps, o Google-Earth e o Google Streets. 
E agora, atenção, observe as mãos! A Keyhole, Inc. foi patrocinada por uma empresa de capital de risco chamada In-Q-Tel , que é uma fundação oficialmente da CIA estabelecida em 1999. 

As aplicações mencionadas acima resolvem desafios importantes: 
Actualização do mapeamento da superfície do planeta, incluindo estradas, bases [militares] e assim por diante. Outrora tais mapas eram considerados estratégicos e confidenciais. Os mapas civis continham erros propositais. 
Robots nos veículos da Google Streets olhavam tudo por toda a parte, mapeando nossas cidades, carros, caras... 

Mas havia um problema. Como espiar dentro dos nossos lares, porões, avenidas com árvores, quartéis, gabinetes do governo e assim por diante? 

Como resolver isso? O mesmo estabelecimento, Niantic Labs, divulgou um brinquedo genial que se propagou como um vírus, com a mais recente tecnologia da realidade virtual. 

Uma vez descarregada a aplicação e dadas as permissões adequadas (para acessar a câmara, microfone, giroscópio, GPS, dispositivos conectados, incluindo USB, etc) o seu telefone vibra de imediato, informando acerca da presença dos três primeiros pokemons! (Os três primeiros aparecem sempre de imediato e nas proximidades). 

O jogo exige que você dispare para todos os lados, atribuindo-lhe prémios pelo êxito e ao mesmo tempo obtendo uma foto da sala onde está localizado, incluindo as coordenadas e o ângulo do telefone. 

Parabéns! Acaba de registar imagens do seu apartamento! Preciso explicar mais? 

A propósito: ao instalar o jogo você concorda com os termos do mesmo. E não é coisa pouca. A Niantic adverte-o oficialmente: "Nós cooperamos com agências do governo e companhias privadas. Podemos revelar qualquer informação a seu respeito ou dos seus filhos...". Mas quem é que lê isso? 

E há o parágrafo 6: "Nosso programa não permite a opção "Do not track" ("Não me espie") do seu navegador". Por outras palavras – eles o espiam e o espiarão. 

Assim, além do mapeamento alegre e voluntário de tudo, outras oportunidades divertidas se apresentam. 

Por exemplo: se alguém quiser saber o que está a ser feito no edifício, digamos, do Parlamento? Telefones de dúzias de deputados, pessoal da limpeza, jornalistas vibram: "Pikachu está próximo!!!" E cidadãos felizes agarrarão seus smartphones, activarão câmaras, microfones, GPS, giroscópios... circulando no lugar, fitando o écran e enviando o vídeo através de ondas online... 

Bingo! O mundo mudou outra vez, o mundo está diferente. 

Bem vindo a uma nova era.

18/Julho/2016

· Mais de um milhão de downloads do Pokemon em Portugal

julho 18, 2016

«Como assaltar um banco sem ir preso» - António Pimpão

Recomendação: não tente seguir as sugestões que se seguem pois, se o fizer, não sendo banqueiro, arrisca-se a ser preso e a ficar com o nome manchado na praça.
Para a hipótese de ser banqueiro, indico a seguir, sem obedecer a uma ordem especial, alguns tópicos para juntar muito dinheiro subtraído ao banco. Posso assegurar que o assunto não envolve qualquer risco.
Ei-los:
1.º - Crie uma sociedade num paraíso fiscal e, através do banco, empreste-lhe uma quantia considerável (milhares de milhões), recebendo como garantia as ações dessa mesma sociedade. O dinheiro assim emprestado servirá para sacar o máximo em proveito próprio, para pagar favores a políticos ou administradores subservientes de sociedades associadas e pagar, por fora, as gratificações aos administradores e diretores do banco.
Claro que, sem qualquer atividade ou receita e despojada do dinheiro emprestado, a sociedade acabará por ir à falência. Neste caso, as ações dadas como garantia são executadas pelo banco mas, como a sociedade vale zero, a perda é total. Esta perda vai deduzir aos lucros do banco, baixando a sua matéria coletável e os impostos a pagar, pelo que, como se vê, o estado acaba por suportar cerca de 1/3 da perda/desvio.
2.º – Empreste uns milhões a um amigo de confiança (por exemplo, o Bibi) que, em contrapartida, lhe fará um donativo de uns milhões. Mesmo que a judiciária ou o ministério público venham a descobrir, não se preocupe: arranje um parecer de um catedrático de Coimbra a argumentar que se tratou de uma liberalidade do amigo em retribuição de conselhos em tão boa hora dados. Claro que o amigo nunca mais vai pagar o empréstimo mas o contencioso do banco também não vai mexer uma palha para tentar a cobrança. A perda assim sofrida pelo banco vai reduzir a sua matéria coletável e … (ver parte final do caso 1);
3.º – Intervenha como consultor do fornecedor estrangeiro de equipamento de defesa (por exemplo, de submarinos) e conduza as coisas para que o preço da adjudicação seja empolado por forma a comportar uma quantia que o referido fornecedor lhe pagará em comissões faturadas por uma empresa fictícia com sede num paraíso fiscal. A referida comissão será, depois, repartida entre os administradores, políticos e diretores, sem inclusão na declaração fiscal de qualquer destes beneficiários.
O que a seguir tem que fazer é exercer lobbying junto do governo para que aprove um Regime Especial de Regularização Tributária (RERT) em que, mediante o pagamento de 5% do dinheiro desviado, fica com ele bem lavado e sem o risco de lhe vir a ser imputado qualquer crime. E nem precisa de repatriar o dinheiro desviado. Com a vantagem de este RERT dar cobertura a qualquer das modalidades utilizadas para desviar o dinheiro para offshores.
4.º – Faça empréstimos sem medida nem controlo a um banco participado com sede nas antigas colónias (por exemplo, Angola). Está assegurado que nem o banco de Angola nem o banco de Portugal exercerão qualquer supervisão ou criarão obstáculos. Esse dinheiro será depois emprestado, sem garantias nem registo de quem são os seus beneficiários (entre os quais se encontrará, necessária e maioritariamente, @ amig@). Para lançar poeira nos olhos dos auditores, o governo angolano subscreverá uma garantia mas, chegada a hora, essa garantia será recusada, sem protestos dos acionistas, do banco de Portugal ou do governo.
5.º - Proceda à emissão, através do seu banco, de obrigações subscritas por empresas do grupo falidas. Logo a seguir, venda-as prontamente essas obrigações a uma financeira manhosa mas de confiança, sedeada por exemplo na Suíça, por um preço consideravelmente inferior àquele a que as mesmas obrigações serão a seguir colocadas por esta financeira em clientes naturalmente incautos, através dos balcões do próprio banco (a intervenção da financeira serviu apenas para desnatar, para formalizar o desvio). Esta financeira com sede na Suiça, não sujeita a auditoria, ficará, sem mexer uma palha - pois todas as transações foram faz de conta -, com o lucro correspondente ao referido diferencial, ficará com uma pequena parte para si, a título de comissão, e, o restante, ficará para @ amig@.
Esta operação acarretará, necessariamente, considerável prejuízo para o banco. Em condições normais, este prejuízo deduziria aos lucros da atividade bancária e faria com que o banco pagasse menos impostos; em condições anormais, e devido à convergência de vários problemas, provocará a falência do banco. Sem stress, pois a banca não pode ir à falência, por causa do tal risco sistémico, e alguém – o mexilhão - vai ser chamado a pagar.
Tem aqui, pois, 5 sugestões todas elas realistas e praticáveis (e praticadas!). Qualquer semelhança com a realidade não passa de pura coincidência.
Se, depois disto, ainda estiver preocupado sobre como encobrir ou lavar o dinheiro assim desviado é porque esteve desatento ao que foi sendo aqui dito. Ou me expliquei mal!
Como é bem de ver, tudo isto só é viável se for banqueiro pois, como vem nos livros, todo o banqueiro é pessoa séria e honrada, acima de quaisquer suspeitas. O que não tem admitido prova em contrário.

António Pimpão

julho 13, 2016

allons enfants d'autre patrie...

Se há uma coisa que aprecio sobremaneira na política francesa é o seu inequívoco apoio à imigração:


julho 12, 2016

sigamos o cherne

O Zé lá vai para a Goldman Sachs, como consultor e presidente não executivo. Para evitar alguma intempestiva perturbação cardíaca, eu nem quis apurar quanto lhe irão pagar. Mas que esta gentalha paga bem aos seus moços de fretes é, uma vez mais, uma evidência.

Mas como o que me faz falar é também a inveja por essa choruda maquia que este epinephelus irá receber, ocorreu-me o bom do O'Neill, na sua recomendação poética:

- Todos atrás dele, para a Goldman Sachs! Sigamos o cherne!


E, a acompanhar a bela caricatura do Nelson Santos, aqui vos deixo o poema do Alexandre O'Neill - que tem algo de premonitório, se virmos bem... 

SIGAMOS O CHERNE

Sigamos o cherne, minha amiga!
Desçamos ao fundo do desejo
Atrás de muito mais que a fantasia
E aceitemos, até, do cherne um beijo,
Senão já com amor, com alegria...

Em cada um de nós circula o cherne,
Quase sempre mentido e olvidado.
Em água silenciosa de passado 
Circula o cherne: traído
Peixe recalcado...

Sigamos, pois, o cherne, antes que venha,
Já morto, boiar ao lume de água,
Nos olhos rasos de água,
Quando, mentido o cherne a vida inteira,
Não somos mais que solidão e mágoa...

Alexandre O’Neill

julho 11, 2016

10 de Julho com pernas para andar, correr, saltar e etc.!

- Patrícia Mamona - medalha de ouro no triplo salto 
nos Campeonatos da Europa de Atletismo 2016, em Amsterdão, 
(fotografia obtida em: https://www.publico.pt/desporto/noticia/)

Sara Moreira - medalha de ouro na meia maratona
 nos Campeonatos da Europa de Atletismo 2016, em Amsterdão.  
Jessica Augusto conquistou, nesta mesma prova, a medalha de bronze.
(fotografia obtida em: https://www.publico.pt/desporto/noticia/)

 A Selecção Portuguesa de Futebol sagrou-se Campeã da Europa
no Stade de France, em Paris, a jogar na final contra a Selecção Francesa.
 (fotografia obtida em: http://www.dn.pt/desporto/euro-2016/)

Algumas notas, mesmo só para dizer alguma coisa:

1 . No final do jogo, a Torre Eiffel não se iluminou com as cores de Portugal, ao contrário do que ocorrera em jogos anteriores, relativamente a equipas vencedoras. A Torre Eiffel deve estar a funcionar às ordens de Wolfgang Schäuble, o que não indicia nada de bom para os franceses...

2. Confirma-se que algum frio holandês relativamente a Portugal não tem incidência especial nas pernas das atletas portuguesas.

3. Congratulemo-nos pela França que, ao contrário do que dizem alguns maus-pensadores quanto ao racismo que por lá proliferará, apresentou uma selecção de futebol que quase poderíamos chamar megrebina, o que é sempre um sinal de grandeza e largueza de vistas.

4. Esperemos que a euforia que, muito legitimamente, nos inunda os corações, potencie muito rapidamente uma substancial diminuição da taxa de desemprego, acompanhada de céleres medidas de regulamentação do mercado do trabalho e melhoria geral da condição de vida dos cidadãos portugueses mais carenciados.

E, já agora, VIVA PORTUGAL!

julho 06, 2016

Um certo e determinado terrorismo

Perante os actos terroristas perpetrados contra Portugal e a nossa soberania por parte de abencerragens como Schäuble, Regling, Oettinger, Dombrovskys e companhia... uma questão assalta o meu espírito: não há tribunais europeus onde esta canalha possa ir responder pelas suas malfeitorias?

É que se não há, talvez seja oportuno resgatar Nuremberga!

junho 08, 2016

5 questões poderosas - Tony Benn


"5 questões poderosas (a fazer a quem tem ou quer ter poder político, em democracia * ):

1ª) Que poder você tem?
2ª) Como o obteve?
3ª) Exerce-o em nome de que interesses?
4ª) Responde perante quem?
5ª) Como podemos ver-nos livres de si?

* Só a democracia nos dá esse direito. É por isso que ninguém com poder gosta de democracia e é por isso que todas as gerações devem lutar para a obter e a manter. Incluindo você e eu, aqui e agora."
Tony Benn, 2005

«Caixa... é Caixa» - António Pimpão

De há uns tempos a esta parte que a comunicação social, alinhada com o governo, vem plantando notícias sobre a necessidade de capitalizar a CGD, sendo a EU apresentada como o mau da fita, por não consentir que o estado intervenha para capitalizar empresas públicas, por isso constituir uma forma de as subsidiar.
Finalmente – e como seria de esperar, pois já estamos suficientemente anestesiados com essas sucessivas notícias – a mesma comunicação social adianta que “Bruxelas dá luz verde a linhas gerais da recapitalização da CGD”.
Ora, iniciar a discussão deste assunto a partir da constatação da necessidade de a CGD ter que ser capitalizada é mistificador, pois se está, dessa forma, a passar uma borracha sobre as causas que conduziram a esta situação.
Não questiono que a CGD esteja descapitalizada e que, face à necessidade de cumprir determinados rácios e, até, por razões prudenciais, precise urgentemente de ver reforçados os seus capitais próprios, via aumento do capital social, que só o estado pode fazer por ser o seu único acionista.
Mas o que me causa indignação e mal estar é pensar nas causas que sistemática e convergentemente têm conduzido ao empobrecimento do banco, sem que qualquer dos gestores ou algum dos membros do governo acionista seja responsabilizado pelo estado a que isto chegou.
A CGD é o banco mais estatista, mais rígido, menos amistoso e mais caro do sistema bancário nacional. É o que, por um lado, cobra comissões mais elevadas e, por outro, o que mais colabora e facilita a vida aos grandes empresários, a quem sempre vem servindo de bengala, sendo, por isso, forte com os fracos e fraco com os fortes.
A CGD tem 19 administradores, todos eles muito bem remunerados. Para quê tanta gente a mandar? Mas o mais grave é que, quando abandonam a administração, independentemente do tempo em que exerceram funções, passam a auferir uma pensão de reforma igual ao seu vencimento, que é suportada pelo fundo de pensões, ou seja, pela própria Caixa (lembro a polémica a respeito da pensão de reforma de Mira Amaral, cujo direito foi adquirido ao fim de um ano de administrador).
As administrações da CGD não chegam a aquecer o lugar, não me lembrando de que algum dos seus membros tenha sido reconduzido. Em consequência, nestes 40 anos de democracia já devem ter por ali passado cerca de 300 administradores, todos eles a receber ainda opíparas pensões de reforma.
Os trabalhadores da CGD (e também os do Banco de Portugal) reformam-se aos 60 anos, contra 65 nos restantes bancos e atividades.
Apesar das elevadas comissões e taxas de juro que cobra, a CGD há 5 anos que tem vindo a apresentar elevados prejuízos. Esses prejuízos refletem más decisões tomadas pela administração e pelos diretores, pelo que são inexplicáveis e inaceitáveis as remunerações e demais regalias de que beneficiam, sem que seja feita qualquer avaliação do seu desempenho. E, depois, cá estamos nós, os contribuintes e acionistas, para cobrir as falhas, sem poder fazer perguntas sobre o assunto, pois outros decidem por nós.
Desta vez, serão cerca de 4 mil milhões de euros, que é uma pipa de massa, que o estado vai aplicar na CGD, às nossas custas. Esta quantia não é determinada nem vai servir para expandir o negócio; serve, sim, para tapar o buraco aberto pelos descomunais prejuízos dos últimos anos.
A parte substancial dessas perdas resulta de imparidades, ou seja, de não conseguir recuperar empréstimos que realizou no passado ou aplicações que fez em empresas de duvidosa rentabilidade, uma vez que tem estado sempre disponível para apoiar uma classe empresarial descapitalizada quando se trata de comprar, como parceiro financiador, algumas dessas empresas, que, depois, acaba por vender na altura em que começam a ser rentáveis, assim abdicando, a favor dos parceiros, das correspondentes mais-valias (vide Cimpor, Brisa, Compal e PT, além dos empresários Berardo, Fino e outros de cariz mais especulativo)
Como diriam os ingleses: “Who cares?!!!”

António Pimpão

junho 01, 2016

dia da criança
- escola privada – público esbulho

Já que gestores e pais sem escrúpulos se destrambelham na mobilização de crianças para manifestações de carácter absolutamente político, falacioso e oportunista, julgo ter também o direito de aqui lavrar alguns comentários a propósito:

- Com que então, se me apetecer andar num ferrari, o estado tem a pouca vergonha de NÃO me atribuir um subsidiozito para o efeito? Parece impossível! Isto já não há liberdade de escolha para um cidadão, mesmo que se vista de amarelo! Isto é, sem margem para dúvidas, um claro ataque aos meus mais elementares direitos! E, quem sabe, aos meus esquerdos, também…

Bom, como tem sido largamente difundido pelas televisões, é de vómito o argumentário dos queques defensores do ensino privado às custas dos impostos de todos.

Apetece-me sempre, nestas ocasiões, atirar-lhes para o colo com o cadáver de uma das inúmeras crianças mortas por afogamento no Mediterrâneo, por um lado porque isto anda tudo ligado e, por outro, apenas para apurarem qual o possível sentido da vida e da sua concomitante relatividade.

Um único argumento, entretanto, prevalece, subliminarmente escondido naquele argumentário: não temos pago, não pagamos e não queremos pagar! Mas queremos usufruir.

E insistem os gestores dessas escolas privadas e alguns dos papás dos meninos compulsivamente de amarelo: não nos apetece, pois, abdicar do inalienável direito de acharmos melhor que os nossos filhos usufruam de condições a que a grande parte das demais crianças não tem acesso - lá nos vão dizendo estas atrabiliárias criaturas… - e estamo-nos nas tintas para isso e para vocês! Mas queremos que nos paguem, pronto!

Assim, sim, se vê o quão socialmente solidárias são estas bizarras criaturas. E espertas que elas são, que ele, o chico-espertismo, pelos vistos campeia sem freios nestas hostes.    

- Grande lata! Então, paga-a, porra!
Não queres, antes e por exemplo, ó palerma, discutir a vida dos alunos cujos pais não têm dinheiro para os alimentar e cuja única refeição é obtida na cantina da escola?

maio 24, 2016

ainda sobre a demagogia palerma das «pobres» escolas privadas

As «pobres» escolas privadas que não irão sobreviver, as coitadas, sem os fundos sem fundo do estado, suscitam-me uma proposta, pelo menos tão demagógica e palerma como os argumentos que «elas» invocam: que tal constituírem-se numa espécie de parcerias público-privadas, mas nas quais o estado, como financiador, colhesse benefício do negócio, como mero accionista e investidor?

Ainda lhes interessaria o negócio, ou só escorrem plangências pelo «venha a nós o vosso reino»?

maio 12, 2016

Há sempre um D. Sebastião que espera por nós...

Como eu gosto de Portugal e dos portugueses! Passamos a vida a dar novos mundos ao mundo e tantas vezes nos esquecemos de que damos, amiúde, novos mundos a nós próprios... e nem notamos

Vem isto ao caso de, após um imbecilóide qualquer ter derrubado a estátua de D. Sebastião na estação de comboios do Rossio, em Lisboa, apenas para se imortalizar no efémero de um retrato – quando, afinal, poderia ter tentado o mesmo feito e com maior sucesso nos sanitários públicos da mesma estação enfiando a cabeça na bacia sifónica, sem partir nada… – e perante a estupefacção arreliada de toda uma nação, se descobre que está salva a honra do convento, do povo e do próprio D. Sebastião.

Então não é que o Instituto de Oftalmologia Doutor Gama Pinto, também em Lisboa e que teve ligações fortes à monarquia, tem um D. Sebastião igual e muito menos escaqueirado nas suas arrecadações e que, ainda para mais, poderá até ser a estátua original?

Na verdade, Edmund Bartissol, um dos engenheiros responsáveis pela obra da estação do Rossio, por ali passou, ao tempo o Palácio dos Condes de Penamacor, o que explica a posse da estátua do monarca, conforme nos esclarece o jornal Público através da administração da instituição.

Ora, essa actual instituição já contactou as Infra-Estruturas de Portugal, com notável sentido cívico e civilizacional, no sentido de proporcionar uma reparação mais célere e genuína à lesão ao nosso património causada pelo totó - do qual, aliás, se espera que tenha, no mínimo, que ressarcir o estado pesadamente pela estúpida ligeireza do seu acto estúpido.

Mas o que mais se releva de todo este feliz desenlace é este facto indesmentível de que, em Portugal, quando se adensam nuvens as mais negras sobre o destino da nação, nos aparecer um D. Sebastião ao virar de cada esquina! Rejubilemos, pois, irmãos!

(Mas não nos esqueçamos, entretanto e no meio de tanta felicidade, de punir o palerma das selfies!)