janeiro 30, 2013

Citação

"Em terra de cegos, quem tem um olho é rei.
Quem tem os dois é abatido."

JOÃO DAMASCENO, Corpo Cru (Coimbra, 1984)

janeiro 29, 2013

brincadeiras

Raim on Facebook

A posta num aumento de pressão


No espaço de dias um pai português disparou sobre a cabeça de um filho e uma mãe portuguesa envenenou dois. Estes dois exemplos mais recentes somam-se a outros que sempre chocam a opinião pública e que, para horror da maioria, tendem a proliferar.
Existe um denominador comum em boa parte destes casos e que obriga a uma reflexão séria acerca da forma como a sociedade está a lidar com o problema: a estas tragédias costuma estar associada uma doença mental, a depressão, que tem provocado outros exemplos similares um pouco por todo o mundo.

A depressão é um daqueles problemas cuja visibilidade só parece explodir na sequência dos episódios mediáticos protagonizados por quem, mesmo tendo sido diagnosticado na condição, não teve o acompanhamento devido e acabou por perder por completo o controlo de ideias e de acções.
Fala-se da depressão com a ligeireza de quem pretende justificar tristezas várias ou, quando as pessoas afectadas exibem de forma mais evidente o seu completo desnorte, evitam falar de todo sob o espectro do rótulo de malucos que se cola como um estigma definitivo na imagem de a quem talvez bastasse a medicação adequada para equilibrar a química em desacerto.

A emergência de um plano concreto de acção, até no domínio legislativo, que permita uma intervenção mais directa e actuante por parte dos organismos já existentes no âmbito do SNS, em conjugação com as autoridades policiais, junto de adultos a quem seja evidente a necessidade de tratamentos que quantas vezes se recusam a aceitar, faz-se sentir no quotidiano de muitas pessoas que lidam dia a dia com casos de depressão e respectivas consequências sobre a vida de quem padece e de quem tenta cuidar.
O reverso dessa alteração de mentalidades e tomada de consciência da crescente gravidade do problema será a proliferação destes dramas nas primeiras páginas dos jornais e na abertura dos noticiários radiofónicos ou televisivos.

(Des)acordo ortográfico: Carta Aberta ao Ministro da Educação e Ciência

Subscrevi - tal como 1900 outros Portugueses, até ao momento - uma Carta Aberta ao Ministro da Educação contra o (des)Acordo Ortográfico (documento com 20 páginas).

Excerto da fundamentação:
"(...) Impõe-se pressionar quem de direito e de múnus em Portugal a que reajam, abandonem o torpor burocrático, o "porque sim" e tomem uma posição, façam o que sempre se têm escusado a fazer: o diagnóstico dos estrangulamentos e constrangimentos a que a aplicação do AO90 tem dado azo (cf. a DECLARAÇÃO DE LUANDA dos Ministros da Educação da CPLP, de 30 de Março de 2012). E que mais ainda: suscitem a única posição que permite salvar a face, a honra, a língua e a independência nacionais de Portugal e dos restantes países lusófonos: a revogação do AO90.
Nesse sentido, são todos convidados e encorajados a participar nesta iniciativa, a subscrição de uma Carta Aberta ao Sr. Ministro de Educação e Ciência (comprometido com a Declaração de Luanda), e eventualmente a outros responsáveis governamentais, como o Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros e Sr. Secretário de Estado da Cultura.
Nunca como hoje as circunstâncias foram tão favoráveis. Daí a urgência, a necessidade absoluta de manter a pressão, de os cidadãos ajudarem os governantes a governar.

Rui Miguel Duarte
Autor e primeiro subscritor da Carta Aberta"

A subscrição deve ser feita aqui.

Para se manterem actualizados sobre as iniciativas anti-Acordo Ortográfico adiram ao grupo Em aCção contra o Acordo Ortográfico, no Facebook. O objectivo é chegar às 4000 assinaturas, para que seja discutida obrigatoriamente, em sede de comissão, na Assembleia da República.
Aqui no «Persuacção» já malhámos tanto neste (des)Acordo Ortográfico...

janeiro 28, 2013

as misérias dos protegidos

Carlos Peixoto, deputado do PSD pela Guarda, licenciado em licenciaturas (?), perorando no jornal i, aqui há uns dias atrás, acerca do que é, na sua visão limitada, serôdia e com muitas probabilidades de ser mesmo imbecil, o mal tremendo que assola Portugal, destrambelha-se com o seguinte dislate: “A nossa pátria foi contaminada com a já conhecida peste grisalha.

E, como forma de debelar o mal, tresvaria numa apologia à fornicação procriativa, como se não houvesse amanhã, para concluir com esta inevitabilidade: «Se assim não for, envelhecemos e apodrecemos com o País."

Contaminação, peste e apodrecimento. Eis como a bestialidade desta criatura, por associação, mimoseia os seus avós, pais e a si próprio, muito em breve, pois conta já este garboso pimpolho com 45 anitos feitos.

Eu não sei em que alfombre foram criados estes cidadãos ou, melhor dizendo, em que entulheira medraram tais fungos que assim se assanham contra quem, afinal, lhes garantiu e garante o sustento.

Sim, porque do alto dos meus grisalhos sessenta anos, com mais de trinta e cinco de vida retributiva, trabalhando por conta de outrem (isto é, pagando efectivamente impostos) e com mais cerca de meia-dúzia de anos de vida activa pela frente, sou um dos que está a sustentar a vidorra da criatura e, até, segundo os cânones distorcidos da sociedade em que vivemos, lhe estou, mesmo, a assegurar a futura reforma que, como deputado que é, lhe deve estar para muito breve.

As grandes questões que se me colocam são as seguintes:

- Esta gentinha não pode ser banida da Assembleia após uma barbaridade deste quilate? Vai tão longe a imunidade parlamentar? Os seus pares (e nós todos) não temos vergonha na cara e permitimo-lo como representante da nação? Os pais dele – se é que não nasceu de geração espontânea, por entre os tais fungos… – convivem bem com este filho ou já lhe pespegaram dois bofetões bem aplicados e o baniram do convívio familiar?

Poucos dias depois, o mesmo inefável Peixoto – que assim apurámos ser homem dado a filosofias pimba -, entulha-nos as consciências com mais este primor: quem aceita «o casamento homossexual pode também vir a aceitar o casamento entre irmãos, primos directos ou pais e filhos…».  

Ora estamos aqui com uma contradição tremenda naquela cabecinha pensadora: se é verdade que a união entre homossexuais, no estadio actual da técnica civilizacional, não gera rebentos, pelo menos sem assistência colateral, já o casamento entre irmãos, primos directos ou pais e filhos pode vir a revelar-se um modo airoso de dar bom seguimento ao que o homem acima preconiza: a procriação como desidério nacional. Afinal, sempre se diz que em tempo de guerra não se limpam armas…

O meu receio é tão só que as consanguinidades daí decorrentes venham a dar origem a muitos Peixotos como este desta fábula…


janeiro 26, 2013

«Pesadelo recorrente» do Carlos Carvalho

A propósito do texto «Mas por que raio os políticos fazem de nós parvos?», o meu colega e amigo Carlos Carvalho fez o seguinte comentário:

"No início da semana, vi no programa Prolongamento, da TVI 24, um relato divertido. Confessou o Dr Eduardo Barroso que andava com insónias, derivadas de um pesadelo recorrente, que era o seguinte. Dizia ele que, ao adormecer, começava a ouvir um relato radiofónico com esta descrição: «João Moutinho serve Varela, à direita, que de imediato abre para a esquerda, para Izmaylov. Este amortece a bola e, de imediato, cruza para a pequena área, onde está Liedson, que cabeceia e... Gooloooooooooooooo! Gooooolooooooo do PORTO!»
Pois eu também tive um sonho parecido. Imaginei o seguinte. O Governo injecta 1.100 milhões de euros nos estaleiros de Viana do Castelo, estes produzem umas dúzias de traineiras, o Governo selecciona um conjunto de pescadores da Figueira da Foz, da Nazaré, das Caxinas, etc. e faz o seguinte acordo. «Meus amigos, vocês vão pescar e uma percentagem do resultado da vossa labuta é arrecadada pelo Estado, até pagarem o respectivo Investimento».
Isto vem na sequência de duas informações que detectei recentemente. No Verão passado, foram avistados dois grandes tubarões nas praias algarvias. Em Setembro, foi capturado um tubarão branco, por pescadores de Sesimbra. Perante uma pesquisa do jornal Público, junto de um biólogo marinho, se estes acontecimentos eram devido ao aquecimento global, este respondeu que não. Explicou que os tubarões andam sempre atrás de bons restaurantes e que a nossa zona marítima está a abarrotar de peixe. Fui pesquisar e soube do seguinte. A zona exclusiva marítima portuguesa é a 2ª maior da Europa e a 10ª maior do Mundo. Portugal é o 2º país do Mundo em consumo per capita de peixe e, de bradar aos céus, importa mais de 90% do peixe que consome!
E os 1.100.000.000€ foram para o BANIF!
ARRE PORRA QUE É DEMAIS! Fico pior que o Dr Eduardo Barroso."
Carlos Carvalho

chocolate...


Mas por que raio os políticos fazem de nós parvos?

Apreciai a evolução das taxas de juro da dívida soberana dos 4 países europeus intervencionados (Portugal, Itália, Espanha e Grécia), desde 2008 até agora:


(gráficos do blog Aspirina B)

O que achais? A descida das taxas de juro da dívida soberana de Portugal desceu pelo que tem sido (des)feito pelo nosso (des)Governo, que (não) se tem fartado de deitar foguetes por estes dias?!
Não, malta! A razão, explica-a Miguel Abrantes no blog Câmara Corporativa: "(...) em meados do ano passado (...) [Mario] Draghi assumiu, perante os mercados, que o BCE se posicionaria como «credor de último recurso» em relação à dívida pública dos membros da zona euro, à semelhança do que ocorre com outros bancos centrais, como a Reserva Federal norte-americana, o Banco de Inglaterra ou o Banco do Japão. Naturalmente, essa alteração de política do BCE fez com que os mercados recuperassem a tranquilidade, com os resultados que estão à vista. Os países em dificuldades da zona euro têm beneficiado da descida de juros. É o caso de Portugal, que agora vai ao mercado amparado pela declaração de conforto de Mario Draghi."
No blog Aspirina B aprofundam mais este tema, no texto «It’s a bird… it’s a plane… no, wait… oh, my god… it’s Super-rabbit!!!», em que só se perdem as que caem para o chão.

Que falta nojenta de vergonha a vossa, senhores desGovernantes!

janeiro 24, 2013

alunos...

traficam senhas de refeição...
cartoon sobre esta notícia
Raim on Facebook

grandes mulas!

Respigo, com a devida vénia, da TSF o seguinte artigo, da autoria de Nuno Domingues:

Fundação do PSOE demite diretor-geral, coautor de estudo do FMI sobre Portugal

Publicado ontem às 19:30

O vice-presidente da Fundação Ideas, vinculada ao PSOE, demitiu hoje o diretor da instituição, Carlos Mulas Granados - um dos coautores do estudo do FMI sobre Portugal -, depois de comprovar que recebeu por trabalhos que assinou com um pseudónimo.

Carlos Mulas Granados é um professor universitário de economia, na Universidade Complutense de Madrid. E era, até agora, o diretor da Fundação Ideas, próxima do Partido Socilaista Operário Espanhol.
O pecado do professor Mulas Granados começou com a desconfiança dos colegas na fundação.
Diziam que a fundação pagava bem por cada artigo de Amy Martin, que seria uma afamada colunista norte americana.
No entanto, a colunista não existe e é, afinal, apenas um nome e uma marca, registados pelo próprio Mulas Granados.
Ou seja, o professor determinava que a fundação pagasse ao seu alter ego uma quantia que o jornal "El Mundo" define como um suplemento salarial.
O "El Mundo" diz que a escritora inventa rendia a Mulas Granado, 16 cêntimos por carater e 10 cêntimos pela cópia em inglês.
As faturas provam que Mulas Granado recebia pouco mais de 5 mil euros mês à conta deste esquema.
O que torna a história mais interessante é que Carlos Mulas Granado foi responsável por um gabinete de aconselhamento económico do primeiro-ministro socialista Zapatero e tem o nome na ficha técnica do relatório encomendado pelo governo português, ao Fundo monetário internacional, para a reforma do Estado.
Um relatório muito criticado pela oposição e pelos parceiros sociais, mas que o primeiro-ministro e vários membros do governo consideraram muito bem feito.
O professor Mulas Granado foi despedido, e agora, o presidente da Fundacion Ideas exige a devolução dos dinheiros pagos à inexistente Amy Martin.
O nome de Mulas Granado tinha sido já alvo de dúvidas em relação ao estudo do FMI. É que o académico espanhol recomenda para Portugal mais austeridade. A mesma austeridade que critica em Espanha.
Nuno Domingues

Rosário Breve n.º 293 - nO RIBATEJO de 24 de Janeiro de 2013




Homem-do-fraque à Presidência já!

Se o Brasil teve como presidente um Silva que era Lula, nós vingamo-nos mantendo um Silva que é choco. Choco que faz correr muita tinta, ainda por cima.
Tu, leitor desalmado meu, ris-te, mas olha que a metáfora cefalópode é triste. Esta que te escrevo é crónica feita de pé desde as sete da manhã na fila do Centro de (des)Emprego cá da parvónia. Já daí vês que mais me corrói a bílis do que me rói o gozo. Se comigo recuares em espírito datado ao tempo do famigerado Cavaquistão (quando os dias eram loureiros e de artes limas), saberás que foi então que, por superior desmando e a córneo imperativo da vaca estúpida de Bruxelas, o então primeiro-ministro assinou de cruz a destruição, por abate, da frota pesqueira e da safra agrícola íncolas. Nem o Tenreiro da Outra Senhora nem o mefistofelismo alucinado do Barreto desta se atreveram a tanto, ó leitor! Perdoar-me-ás ou não (sinceramente, também não quero saber se sim ou sopas), mas não consigo ser compassivo nem deixar de cuspir no fósforo que me queima a alma e o bolsilho dos cêntimos. Em qualquer ajuntamento folclórico, perante um vulgar grupo de cavaquinhos, nunca deixo de sentir que aquilo é mas é um grupo de bêpêénezinhos. Se eu mandasse, a Presidência da República seria entregue ao homem-do-fraque, não a um homem fraco, não a cúmplices acatadores e persignados e genuflectidos do ataque mais intolerável aos direitos mais básicos e mais inalienáveis da dignidade de todo um povo. Se fosse para viver de joelhos, eu seria guarda-redes de hóquei em patins, não sei se ’tás a ver…
Sim, se eu mandasse, poria o BPN todo na prisão sem que a vaca tossisse ou ficasse feita ao bife. MECA é o que o chamo ao duplo mandato presidencial: Mumificação Em Curso Acelerado de uma responsabilidade que era suposta como de salvaguarda da Constituição, que é (ou deveria ser) Lei Fundamental por ser lei e por ser fundamental. Mandando eu, o Mexia da EDP teria de vir a Santarém explicar ao pessoal a estranha dendroclastia precoce do município local, que abate árvores em vez das devidas moitas e das endividadas flores. Chiça, que a indignidade também cansa, pá!
Ouve-me: eu sei que não é possível carochinhar a qualquer actual ou pretérito desgovernante a história da Branca de Neve e os Sete Anões sem que ele, ao espelho, queira saber onde estão os outros seis. O velho Cícero bem prègou no deserto pré-bíblico quando assentou, com admirabilíssima concisão lapidar, que “não há honra onde não há justiça”. O ricto mandibular de Cavaco não sinaliza suavidades analgésicas de ter lido o anticatilinário orador romano, bem o sei eu. (E sim, señor Presidente, os Cantos de Os Lusíadas perfazem a dezena.) Pois. Mas é que para a reforma dele trabalhou mais de meio século febril e fabril o meu senhor e saudoso Pai, a quem, ao cabo de uma vida de honesto e perfumado suor, escarraram no rosto a esmola de 27 contos até que a morte o tratou por tu, pá.
A 21 de Abril de 1977, leitor, ficas a saber que, em palestra na SEDES, António José Saraiva depunha que “no caso português, para dar um exemplo, uma política de austeridade só poderia ter como resultado uma diminuição dos empregos e o desaparecimento de empresas.” 1977, ó leitor! Há 36 anos que o caminho é claro como água lavada. Na mesma data e na ocasião mesma, o mesmo AJS assentava com todo o acerto que “a sociedade de mercado é incompatível com quaisquer valores, excepto um: o valor monetário. Tudo o que o favorece é bom, tudo o que o contraria é mau.” Pois é, pá, pois é, povinho. E de que nos vale que, oito dias depois (a 29/4/77, no velho Diário Popular), o co-autor (com o grande Óscar Lopes) da melhor História da Literatura Portuguesa invocasse a “máxima kantiana segundo a qual todo o homem deve ser tratado como sujeito e nunca como objecto por qualquer outro homem”? Diz-me tu, ó leitor, que também és sujeito e não é aqui que hás-de ser tratado como objecto. Olha que até uma figura oblíqua do Bloco de Esguelha (Daniel Oliveira) deu na mouche quando, lapidar e concisamente também, se referiu ao inenarrável “ministro” da “Economia” como figura “que se comporta como uma criança num velório”.
O trocadilho supra da lula e do choco, leitor, merecerá de ti, talvez, que passes o jornal ao amigo que a teu lado bebe café e resmunga indignações de café também. Talvez. Mas repara no quanto chove lá fora para comigo concluíres, em irmanado acerto, que a diferença entre o mau tempo, de um lado, e o desPresidente e o desGoverno, do outro – é que na verdade só o mau tempo mete respeito. 

janeiro 21, 2013

Solução para a Crise é a revisão Constitucional? A grande falácia.

Para quê a alteração constitucional?

Nos últimos tempos tem vindo a agitar-se um chavão que de resto tem sido recorrente sempre que outros argumentos  se mostram insuficientes.
Há crise?
Altere-se a Constituição!
Há leis que não passam, porque são anti-constitucionais?
Altere-se a Constituição!
Apresenta-se assim a Constituição como um texto imutável, fundamentalista e desenquadrado da dinâmica da realidade, entenda-se: da vida, e por isso, um entrave ao desenvolvimento e bem estar...
No entanto, nada mais falacioso.
Em Portugal, a primeira revisão do texto constitucional derivado do após 25 de Abril de 1974 ocorreu em 15 de outubro de 1982 e teve como objectivo a extinção do Conselho da Revolução e a reformulação do sistema dos órgãos de soberania. A segunda  foi realizada em 1989 e visou a reversibilidade das nacionalizações. A terceira revisão deu-se em 1992 e produziu as  alterações com vistas a adequar as normas constitucionais ao Tratado de Maastricht, que versava sobre o ingresso de Portugal na União Europeia. A quarta revisão realizada em 1997, tratou a revitalização do sistema político. A quinta revisão ocorreu em 2001 e teve em vista as modificações necessárias para a ratificação do Estatuto do Tribunal Penal Internacional.  Ou seja, tem havido modificações da Constituição na medida das necessidades de adaptação.
Mas rever agora a constituição?
Para quê?
O professor Jorge Miranda escreve:

" Uma Constituição não resolve uma  crise nem pode ser posta em causa a pretexto de uma crise, nem ser modificada a toda a hora (....) é imprescindível preservar a duração e estabilidade das Constituições, ou seja, a segurança juridica...

E aqui é que está  o cerne da questão. Quando certos governantes apelidam de muito bem feito um documento do FMI, recheado de imprecisões e observações gratuitas umas e fortemente ideológicas outas, e agitam a seu propósito da sua implementação o entrave que a Constituição representa, precisamos urgentemente de expor a nu o que querem dizer estas afirmações.
Rever a Constituição? Quais os artigos? Os que conferem o direito em abstracto a um mínimo de dignidade social? Coisas como direito ao ensino segurança e saúde, tidas como fundamentais, passarão a ser acessórias? O direito a uma habitação digna é algo anti-económico?
Ou uma retribuição decente e mínima, será algo mirabolante e alvo imprescindível a ser revisto?
Que sociedade quer esta gente propôr, ou melhor, impor aos Portugueses?
E os Portugueses, vão deixar? Vão continuar a ser cozidos em lume brando?
Até quando?

janeiro 17, 2013

gémeos...


Raim on Facebook

Bom dia. Crónica de hoje, 17 de Janeiro de 2013, nO RIBATEJO


Em palaciana levitação

Em uma espécie de suspensão nos próprios sais: assim me sinto e ando. Como num dia de temperado inverno que o sol esclarece de quando em vez. Como nos sonhos da noite, que me (a)parecem tecidos e bordados pelas fragmentárias penélopes do pensamento sem lápis à mão nem mão. Sem luto, às vezes. Sem luta, às vezes. Uma “suspensão”, disse eu? Digo – uma levitação. Mais de olhos que de pés na terra – confesso.
De cada dia, as solicitações comezinhas da vidinha: fechar sempre a gaveta das meias, descer rebordo e tampo da sanita, mudar finalmente o arrancador do néon da cozinha, ver se é hoje que Cristo volta à Terra, agora que o mundo acabou a 21 de Dezembro passado.
Também se pode tomar o dia por palácio, resultando curial habitá-lo em domínio. Nem todos os dias é possível apalaçar a mutualidade corpo-vivo/horas-mortas. Mas, levantando-se cedo a pessoa, a evidência do Tempo é a mais reparável: em reparo como em reparação.
Na volta, reconquistar a casa, os países que cada casa, para ser Casa, deve dispor em domínio & dominação: sítio do pão, altura das louças, guarda dos livros, sarcófago das roupas, disposição territorial-operatória das máquinas, alfobre das velas, das conservas, dos sapatos, dos instrumentos de limpeza, do cinema não tão mudo quanto isso dos retratos.
Não por regra mas premeditada excepção, apanhar uma bebedeira impune e republicana à deputado(a) de agora – mas uma cardina tal, que, caindo ao chão, seja preciso apanharem-me à colherada de entre os escombros do figurativo hemiciclo pra-lamentar do chão. Na ressaca, verificar que Cristo não volta porque não existe, a necessidade Dele é que sim, à maneira do pobre com fome mas sem pão, pois que o alimento não é anterior à necessidade de o encontrar em criação. Adiante, porém. Aproveitar o retorno à sobriedade para escrever um par de versos, guardá-lo e partilhá-lo. Este par de versos: “Tenho sabido desconhecer com pertinaz valentia o que aí vem. / Uma pessoa nasce, o corpo faz-se homem, o coração nem tanto.”
Entrementes, fazer tudo e mais alguma coisa por não deixar que a íntima hialurgia rache de vez e de repugnância ante a sordidez engravatada dos “senhores à força / mandadores sem lei” que telejornalmente evangelizam a urgência de a humanidade deixar de estorvar os números, acabando sim com a miséria mas pela fome, que a um pobre morto nenhuma esmola se deve, a bem da Nação.
E, finalmente, sossegar a interior procela com a bonança da II.ª Ode Olímpica de Píndaro: “Das nossas acções / justas ou injustas, nem o Tempo, pai de quanto existe, / pode conseguir que não tenham sido praticadas, / nem pôr-lhes termo. O olvido poderá surgir, / se houver sorte.”
Sossegada enfim a procela, pois, abrir em pleno os estores do olhar ao sol do dia, que, ao contrário do Messias e do néon da cozinha enquanto o arrancador da lâmpada não for mudado, acaba sempre por voltar de jeito a iluminar a santa e palaciana paciência do meu leitor.

janeiro 15, 2013

olá, cidadãos!


Passei ao longo de largas dezenas de anos desta vida a regar ideais, a plantar alvoradas, a adubar utopias... Cultivo essa vida, ainda e (espero bem que) sempre, por ter interiorizado ser a Humanidade um bem maior e passível de permanente melhoria em que a mim, sua parte integrante ainda que ínfima, cabe a obrigação, transcendente e intangível, de participar e de ser útil, mesmo que nem sempre aproveitável a contento, lado a lado com o meu semelhante.

Cheguei, entretanto, ao ponto a que todos nós chegamos, neste rincão do mundo, janela debruçada sobre o mar Atlântico, muito pouco esperançoso e sequer sem esperar que o meu filho ache adequado ou pertinente manter a estirpe, tal a atribulação de que é o viver um dia-a-dia sem horizontes.

Os velhos suicidam-se. Os novos suicidam a geração vindoura. E se alguém quiser dizer-me que isso não é culpa dos governantes que nos têm caído no prato, é favor saírem-me da frente!

Chateia-me isto, o que é que vocês querem? Creio bem que não foi para nada disto que, gerações após gerações, chegaram até mim. E, também, chegaram até cada um daqueles que me estejam a ler.

Recordo o meu pai. Ainda consigo chegar aos meus avôs. E às avós, também. E, não, não os vejo envolvidos nesta mixórdia pasmacenta e pantanosa em que esbracejamos, aflitos.

Cultivaram couves, livros, saberes, sabores. Arados e martelos e bigornas. Transmitiram, com maior ou menor jeito, o testemunho de que amanhã é que vai ser…!

Não vivo acima das minhas possibilidades. E, se alguma vez tal ocorreu, paguei-o com língua de palmo, a taxas de juro de fazerem empalidecer de inveja quaisquer agiotas medievais, mais ou menos judeus.

Sei, entretanto, que alguém vive muito acima das minhas possibilidades.

Olho para o meu filho e para os filhos dos meus companheiros de viagem e não tenho nenhuma sugestão a dar-lhes. Não tenho, pelos vistos, nenhum legado a deixar-lhes.

Perdi a carroça da História e arrasto-os comigo? Ou terá chegado o tempo de erguer novas barricadas e inventar as bandeiras que o futuro deve empunhar?

Não sei. Mas estou, muito seriamente empenhado, a pensar no assunto.

E para aqueles que padecem da maleita do nada-se-pode-fazerite, ocorre-me sugerir algumas ideias de desobediência civil – que é do que a corja anda a precisar -, à português suave, definitivamente temporário ou provisoriamente definitivo:

- os gajos, que são gajos, podem pensar em deixar crescer as pilosidades faciais e clamar que não as cortarão enquanto este governo não for derrubado. Eis aí um modo eficaz e barato de dar a cara à luta, na verdadeira acepção do termo e em favor de uma causa, política como o caraças. Um novo tango dos barbudos contra a tanga dos sabujos…

- as gajas poderão fazer algo similar, enxameando o País que temos com potenciais Godivas morenas e algumas loiras, mas todas genuínas, curvilíneas e exaltantes, de cabelos à Madalena-que-não-se-arrepende e, pelo contrário, se a deixarem, ainda há-de ir mais longe na rebeldia, selvagem, afoita e cabeluda;

- entretanto, eles e elas, sem emprego, sem perspectivas, sem arco-íris nem horizontes, devem correr todos, pressurosos, a inscreverem-se nas juventudes partidárias do chamado «arco do poder» - mas, note-se, em todas e em simultâneo! – e, depois de lá estarem dentro, exijam cargos de assessorias, de mordomias, de confrarias, de assimetrias, de arrebaldarias, de regalias, de flostrias…

Será, quiçá, um novo Abril sem cravos, mas com cravas. Às avessas, portanto, mas sempre Abril. Um universo glorioso e uniforme de cravas a exigirem igualdade de tratamento discricionário. Um amanhã que não canta, mas assarapanta e avassala. A igualdade de acesso ao condomínio fechado, à sinecura, ao beneplácito, à prebenda, ao nepotismo.  

Afinal, apenas o cultivo do conceito de que, para pior, também eu sou capaz e de que o Sol, quando nasce, há-de ser para todos, se Deus quiser e se o Diabo deixar… 

Mas, fundamentalmente, cada um de nós a optar por sobreviver à sombra da bananeira, como modo airoso de singrar na vida, a despeito de sabermos da existência de uma parte da Humanidade que não tem, sequer, como viver. Todos iguais, enfim, na desgraça de sermos como fizermos.

O «outro», como a Alice do filme, já não mora aqui…  

E, a talhe de foice, é sempre bom lembrar:

          

janeiro 14, 2013

As impossibilidades dos outros

É impossível que não torças por nenhum clube de futebol ou que não tenhas cor partidária.
Não acredito que não faças nada para não engordar.
Estás a dizer que X, mas o que pensas é Y, eu é que sei.
Não me venhas dizer que não gostas de novelas nem do programa que toda a gente vê, isso és tu a armar ao intelectual.
É impossível que te metas em todas essas coisas ao mesmo tempo, vais falhar nalguma.
Não podes não gostar de tripas, de sardinhas assadas nem dos doces do Natal.
Não tem lógica que gostes de literatura e de sapatos, cremes e filosofia, batons e cinema, estás a ser incoerente.

[E é assim que, pela voz dos outros, eu vou sabendo aquilo que posso ou não ser, o que vejo e defendo, os interesses que me é permitido ter e o limite para além do qual vou falhar.
Obrigadinha, é sempre bom ter a vossa voz a centrar-me, de outro modo nem sei o que seria de mim.]

A posta que quando voltar a acontecer dirão que foi apenas um azar


Dificilmente alguém poderá contestar a capacidade e a competência de um domador para treinar animais. De resto, os domadores conseguem criar laços de proximidade extrema com animais selvagens ou mesmo ferozes e espantam multidões ao enfiarem a cabeça na boca de leões sem que nenhum mal lhes aconteça.
Ainda assim, não há muito tempo, o próprio Hugo Cardinalli acabou internado num hospital e os ferimentos sofridos na sequência do ataque imprevisto por parte de uma das suas feras domesticadas acabaram por ser um mal menor, pois sobreviveu.
A criança alentejana que, aos 18 meses de idade, foi atacada por uma fera de estimação numa casa de família teve menos sorte, pois morreu.

O paralelo entre ambas as situações é simples: seres humanos forçaram a barra da natureza e entregaram a sua segurança ao pressuposto de que tudo correria pelo melhor, confiando no bom senso de animais perigosos para saberem lidar com situações imprevistas. Contudo, tanto o felino que marcou o domador com unhas e dentes como o canídeo que fincou estes últimos no crânio de um bebé defraudaram as expectativas criadas em torno da alegada eficácia do treino ou da domesticação de criaturas cuja evolução natural ouman made lhes incutiu um instinto predador ou simplesmente agressivo em matéria de domínio territorial.

Um leão pertence tanto à arena de um circo como um pit bull pertence à cozinha de um apartamento. Criticar o dono de um cão de raça perigosa por ser incapaz de controlar o animal a todo o momento equivale a criticar o dono de uma metralhadora por esta se disparar sozinha por encravamento do gatilho ou defeito não descoberto no mecanismo de bloqueio da arma em causa.
O problema continua a ser o mesmo: muitos cidadãos comuns são incapazes de prevenir as coisas que só acontecem aos outros quando tomam a seu cargo responsabilidades que envolvam o risco de vida para si e para quem esteja por perto.
Essa é a lógica expressa na Lei quando proíbe os cidadãos comuns de terem metralhadoras ou morteiros em casa e é o mesmo espírito da que não autoriza a adopção de tigres da Sibéria ou de serpentes venenosas como animais de companhia.

Quando milhares de cidadãos se aprestam a assinar uma petição para impedirem o abate de um animal que, por incúria dos donos mas também dos adultos que deixaram uma criança entregue a si mesma num espaço sem luz, já se provou constituir uma ameaça para os seres humanos, com base no argumento de que a fera assassina não é culpada do que se passou e pode ser treinada para não repetir a façanha, apetece-me levar o raciocínio ao extremo a ver se entendem a base imbecil do seu impulso salvador.
Se confiam em absoluto na capacidade de treino de um animal que matou alguém, porque não arriscam promover o animal a cão de guarda numa creche frequentada por filhos dos subscritores da dita petição? Seria uma questão de coerência e desmentiria até os que como eu defendem a proibição absoluta da permanência de cães de raça perigosa em casas de habitação e, acima de tudo, nas mesmas ruas onde a minha filha merece circular sem temer perigos mais habituais numa savana.

A referida petição pode até ser subscrita pelos mesmos cidadãos defensores dos animais que as assinam contra as touradas ou, ironia, contra o cativeiro de animais selvagens nos circos deste país. Ou seja, podem estar carregados de boas intenções e centrados apenas no interesse dos bichinhos. Porém, ao seu gesto adorável que promove o indulto para um monstro potencial que matou porque o deixaram e não porque quis corresponderá uma ainda maior permissividade legislativa para com as máquinas assassinas (contra factos e números não há argumentos) que nada pode impedir de reagirem como tal em determinadas circunstâncias que, cedo ou tarde, acabarão por se repetir e somarão mais morte e mutilação ao triste registo destes cães que matam mais só em Portugal do que matam os tubarões no mundo inteiro.

O resto é folclore mais a ingenuidade e a estupidez tradicionais dos que deixam manipular as suas emoções pelos interesses de criadores abastados e de donos incapazes de aceitarem a evidência de que muitos cães mordem as mãos que os alimentam até ao dia em que são surpreendidos à dentada nas suas ou nas de quem se torna vítima da negligência ou apenas do azar de ir a passar quando a verdadeira Natureza se impõe.

janeiro 13, 2013

Da relação entre a Pepa e o Benfica-Porto

Durante esta semana, não se ouviu outra coisa: que o mundo está perdido quando uma blogger de moda contratada para participar numa qualquer publicidade a uma marca de telemóveis deseja uma Chanel e a considera uma conquista pessoal, que há que combater a futilidade, que temos de nos manifestar contra o vazio de valores que é apanágio da actual sociedade, que é errado quando alguém emite desejos unicamente para si e esquece o mundo e a fome e a crise e as guerras (blhec lá para a conversa daqueles que têm uma conversa de candidata a Miss Universo em si) e que patati-patatá.
Quanto a esse assunto, já disse o que tinha a dizer e ponto final que o que é demais enjoa.

Só gostava de levar o assunto um nadinha mais longe, desejando, eu, que aqueles que se manifestaram, indignadíssimos, contra a futilidade das Pepas Xavier desta vida não sejam os mesmos que estão agora aos berros lá fora (nas ruas, nos cafés e in loco) ou no mural de Facebook, como se a coisa mais importante do mundo fosse um jogo de futebol a decorrer junto à Segunda Circular. Esses, capazes de beber meia dúzia de minis (e multiplique-se essa meia dúzia pelos não sei quantos jogos para os não sei quantos troféus que cada equipa disputa) e duas sandes de couratos - e nada para os meninos a morrer em África. Capazes de pagarem bilhetes ou quotas (mas a fugirem ao pagamento do IVA, os malandros) ou marcarem férias de acordo com o calendário de uma equipa que decidiram ser a do seu coração (e nada de voluntariado, os grandes safardanas).

Porque eu não vejo grande diferença entre o bem que traz ao mundo o futebol e uma 2.55 da Chanel.
Ou melhor, até vejo: o futebol é mais caro, mais corrupto e mais feio. E nunca ninguém se travou de razões porque gosta mais da 2.55 do que da Birkin.

A FALÁCIA DA INSUSTENTABILIDADE DA SEGURANÇA SOCIAL

 Na sequência do projecto neoliberal que está a arrasar todo o nosso sistema social em prol do ressurgimento de modelos regressivos e privados, o ministro Gaspar, em jeito de porta-voz da súmula do pensamento deste governo, saiu com a tirada  sobre o modelo social que  estaríamos dispostos a pagar. Os governos seriam assim, segundo este conceito, sobrecarregados com prestações para as quais não possuiriam verbas, antevendo-se assim  um progressivo descartas dessas obrigações, excessivas portanto para um Estado saudável. 
A desmontar a falácia deste argumento sou aqui  a reproduzir este texto que circula na Net e que acho importante também aqui divulgar: 


A Segurança Social nasceu da Fusão (Nacionalização) de praticamente todas as Caixas de Previdência existentes, feita pelos Governos Comunistas e Socialistas, depois do 25 de Abril de 1974.
As Contribuições que entravam nessas Caixas eram das Empresas Privadas (23,75%) e dos seus Empregados (11%).
O Estado nunca lá pôs 1 centavo.

Nacionalizando aquilo que aos Privados pertencia, o Estado apropriou-se do que não era seu.
Com o muito, mas muito dinheiro que lá existia, o Estado passou a ser "mãos largas"!
Começou por atribuir Pensões a todos os Não Contributivos (Domésticas, Agrícolas e Pescadores).
Ao longo do tempo foi distribuindo Subsídios para tudo e para todos.
Como se tal não bastasse, o 1º Governo de Guterres (1995/99) criou ainda outro subsídio (Rendimento Mínimo Garantido) em 1997, hoje chamado RSI.
E tudo isto, apenas e só, à custa dos Fundos existentes nas ex-Caixas de Previdência dos Privados.
Os Governos não criaram Rubricas específicas nos Orçamentos de Estado,

para contemplar estas necessidades.
Optaram isso sim, pelo "assalto" àqueles Fundos.
Cabe aqui recordar que os Governos do Prof. Salazar, também a esses Fundos várias vezes recorreram.
Só que de outra forma: pedia emprestado e sempre pagou. É a diferença entre o ditador e os democratas?
Em 1996/97 o 1º Governo Guterres nomeou uma Comissão, com vários especialistas, entre os quais os Profs. Correia de Campos e Boaventura de Sousa Santos, que em 1998, publicam o "Livro Branco da Segurança Social".
Uma das conclusões, que para este efeito importa salientar, diz respeito ao Montante que o Estadodevia à Segurança Social, ex-Caixas de Previdência, dos Privados, pelos "saques" que foi fazendo desde 1975.
Pois, esse montante apurado até 31 de Dezembro de 1996 era já de 7.300 Milhões de Contos, na moeda de hoje, cerca de 36.500 Milhões ?.
De 1996 até hoje, os Governos continuaram a "sacar" e a dar benesses, a quem nunca para lá tinha contribuído, e tudo à custa dos Privados.
Faltará criar agora outra Comissão para elaborar o "Livro NEGRO da Segurança Social", para, de entre outras rubricas,
se apurar também o montante actualizado, depois dos "saques" que continuaram de 1997 até hoje.
Mais, desde 2005 o próprio Estado admite Funcionários que descontam 11% para a Segurança Social e não para a CGA e ADSE.


Então e o Estado desconta, como qualquer Empresa Privada 23,75% para a SS?

Claro que não!...


Outra questão se pode colocar ainda.
Se desde 2005, os Funcionários que o Estado admite, descontam para a
Segurança Social, como e até quando irá sobreviver a CGA e a ADSE?
Há poucos meses, um conhecido Economista, estimou que tal valor, incluindo juros nunca pagos pelo Estado, rondaria os 70.000 Milhões?!
Ou seja, pouco menos, do que o Empréstimo da Troika!...
Ainda há dias falando com um Advogado amigo, em Lisboa, ele me dizia que isto vai parar ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.
Há já um grupo de Juristas a movimentar-se nesse sentido.
A síntese que fiz, é para que os mais Jovens, que estão já a ser os mais penalizados com o desemprego, fiquem a saber o que se fez e  faz também dos seus descontos e o quanto irão ser também prejudicados, quando chegar a altura de se reformarem!...
Falta falar da CGA dos funcionários públicos, assaltada por políticos sem escrúpulos que dela mamam reformas chorudas sem terem
descontado e sem que o estado tenha reposto os fundos do saque dos últimos 20 anos.
Quem pretender fazer um estudo mais técnico e completo, poderá recorrer ao Google e ao INE.



 Charlie

janeiro 10, 2013

A mala da Pepa, a Samsung e a hipocrisia que por aí grassa

Perdoar-me-ão mas só tomei consciência do assunto-quente do dia há um par de horas: lamentavelmente hoje não consegui vir ao Facebook com tempo senão ao fim da tarde (e peço desculpas públicas por isso, tentarei que não volte a acontecer) - altura em que me senti a maior das ignorantes e quase me fustiguei por ainda não ter tecido qualquer comentário (o que seria estranho, sem saber do que se tratava exactamente, mas isso, que eu saiba, não é impedimento para que se arrotem opiniões como postas de pescada) sobre aquele que foi o tema que abalou Portugal, aos dez de Janeiro de dois mil e treze.

Sobre a estória como ela é e o contexto em que a cena se dá, leiam A Pipoca Mais Doce (mas só a partir da segunda metade do post, que o resto interessa pouco para o caso), mas eu resumo a coisa, para me redimir da falha (estou a fustigar-me vigorosamente com um cinto de fivela pesada, em simultâneo):
1. A Samsung quer vender mais telefones;
2. Em Portugal como no resto do mundo, toda a gente quer aparecer;
3. Uma das formas de aparecer é ser blogger;
4. Uma das formas de aparecer ainda mais é ser blogger de moda;
5. Vale ser blogger de moda, mesmo que má, desde que com os conhecimentos certos;
6. A Filipa Xavier, a.k.a. Pepa, é uma pretensa blogger de moda;
7. Quem já passou pelo blogue da senhora, sabe que ela não se destaca por nenhuma das características que tornam um(a) blogger um(a) opinion maker e que não será propriamente alguém de quem se queira saber o que pensa (mesmo porque pensa pouco);
8. A Samsung achou que podia vender mais telefones se contratasse a Pepa Xavier (e suponho que outros bloggers) para emitir em vídeo os seus desejos para 2013;
9. A Pepa é uma menina irritante e afectada que não disse NADA que jeito tivesse durante os dois minutos e vinte e três segundos que dura o filme e a malta está preocupada com o facto de um dos objectivos dela para 2013 ser comprar uma mala de bom gosto;
10. A Samsung retirou todos os vídeos melindrada com as críticas que choveram nas redes sociais por uma menina querer comprar uma Chanel em 2013.

As minhas conclusões:
1. A Samsung está a precisar de mudar de equipa de publicitários - isso é ponto assente.
2. Os portugueses conhecem mal a blogosfera.
3. A Pepa-irritante (mas de bom gosto, e só por isso ganhou uns pontos na minha cotação) vai ter mais não sei quantos leitores no seu blogue (que é fraquiiiiiiinho como tudo) - e os portugueses passarão a conhecer melhor a (má) blogosfera.
4. Gostava de saber como é que as massas reagiriam se a Pepa-enervante tivesse falado de paz mundial e do fim da fome no mundo e da crise em Portugal - tudo treta, mas treta daquela que a malta gosta de ouvir.
5. De tudo o que a Pepa-burrinha disse, a única coisa que me pareceu com sentido foi "eu sempre quis a mala X e espero que 2013 seja o ano em que a consiga comprar com o meu dinheiro".
6. Se ela tivesse substituído o caraças da mala por "uma casinha", toda a gente acharia o máximo.
7. Bardamerda mais a hipocrisia de quem acha que pode julgar aquilo em que os outros devem gastar o SEU dinheiro, em época de crise ou fora dela.

E é basicamente isto.

ziko...

uma segunda oportunidade para o cão
Raim on Facebook

a propósito de orçamentos criminosos...

Poderá haver aqui conceitos que carecem de segunda análise mas, ainda assim, há aqui também matéria de reflexão. Se calhar, profunda:

Coloquem os idosos nas prisões para que recebam um banho por dia, vigilância de vídeo em caso de problemas, três refeições por dia, acesso a uma biblioteca, computador, TV, ginásio...

Coloquem os criminosos em casas de repouso para que recebam refeições frias, luzes apagadas às 20h, um banho por semana, vivam numa sala diminuta e paguem 400 euros por mês.

Que tipo de tratamento é que, com os avanços civilizacionais e bem vistas as coisas, estamos a tratar os nossos idosos e os criminosos? 


Diz o FMI, o Estado “é um empecilho ao crescimento”

Carlos Moedas, secretário de Estado adjunto de Passos Coelho
Não é novidade, estamos carecas de ouvir falar nisto nos últimos dias. A pedido de Pedro Passos Coelho,  o FMI elaborou  um relatório.
Então, concluem, como temos um mau Estado, eles propõem um Estado bom, o qual deverá assim exercer a sua bondade seguindo as medidas que abaixo se descrevem.
Carlos Moedas afirma que são fruto de um trabalho muito sério e inteligente da equipa que o elaborou.
A apreciar o seu conteudo, inteligente e "bondoso"... e, ah! É verdade, antes que me esqueça: não somos a Grécia....

 
1 - Cortes no subsídio do desemprego, que “continua demasiado longo e elevado”. O Estado pouparia até 600 milhões de euros se quem estivesse desempregado há 10 meses visse o subsídio reduzido para o valor do subsídio social, ou seja, para 419,22 euros;
 
2 - Dispensa de 50 mil professores, que permitiria poupar até 710 milhões de euros. Aumento do horário de trabalho para 40 horas semanais, aumento da duração das aulas e recurso à mobilidade especial, no âmbito do sistema educativo;
 
3 - Subida nas taxas moderadoras na saúde e diminuição destes serviços. A taxa paga numa urgência hospitalar polivalente de 20 euros para 33,62 euros, além da criação de um pacote de cuidados essenciais, reduzindo assim o leque de serviços oferecidos;
      
4 - Cortes nos sistemas de pensões de militares e polícias, considerados “demasiado generosos”. Tendo em conta que a classe goza de “regalias excessivas”, sugere-se a eliminação de créditos-extra previstas, a integração dos subsistemas no Serviço Nacional de Saúde, embora se reconheça que os salários estão entre os mais baixos da Europa;
 
5 - Aumento das propinas no Ensino Superior, para que seja possível alcançar poupanças significantes e duradouras e reduzir o subfinanciamento;
 
6 - Despedimento de excendentários da Função Pública ao fim de dois anos, uma vez que o quadro de mobilidade especial deveria ser temporário e os seus procedimentos simplificados;
 
7 - Mudança “urgente” nas tabelas salarias da Função Pública e dispensa de trabalhadores, entre os 10% e os 20%, o que permitiria uma poupança entre 795 e 2.700 milhões de euros;
 
8 - Cortes nos salários e nas pensões. Eliminação de todos os regimes de excepção das pensões, que passariam a ter mais escalões em função dos anos de desconto, podendo sofrer cortes até 20%;
 
9 - Subida da idade da reforma para os 66 anos e proibição expressa de reformas antes dos 65 anos, mesmo para quem cesse o subsídio de desemprego;
 
10 - Delegação de competências de ensino aos privados, apostando em contratos de associação, alegando que a concorrência de mercado seria benéfica para as escolas públicas.
 
....$»«$....
 
...Espaço para pergunta: se os mandássemos para o deserto, não ficariam deslumbrantes? Lá não há "despesas" nem fazem despesa a nós. Pois!!! É que se não descobriram ainda, os impostos que nos lançam por tudo e por nada, sem retorno, são despesas: nossas! Quando nos tiram serviços, fazem aumentar as nossas despesas, quer sejam em transportes, em saúde  ou no ensino. Diminuem a nossa qualidade de vida, e que é a sua primeira  obrigação observar e defender mas que colocam em último lugar. E dizem que é para aliviar o Estado que somos nós, e assim pagamos menos,  que poupamos.... Nao sei, devo ser tonto ou estúpido,  não sinto estar a pagar menos, cada vez pago é mais por tudo o que deveria estar pago por via dos impostos, e cada vez tenho menos poupanças.....Vão, vão-se embora, desapareçam, façam-nos felizes e sejam ainda mais felizes nos sítios onde a economia é um paraíso.  A gente não precisa de um Estado que em vez do o ser, seja um misto entre ingénuos e um gang de assalantes e malfeitores
 

janeiro 08, 2013

Espelhos

A ser verdade o célebre adágio segundo o qual somos, antes de mais, aquilo que os outros pensam de nós, não posso deixar de temer que a vida de cada um seja uma gigantomaquia de personas (e, pelos vistos, todas legítimas) em tensão.
Se um dia perdermos o norte relativamente ao que sabemos que somos, ao que quisemos e ousámos construir, não passaremos de esquizofrénicos em busca da aprovação alheia, assistindo de camarote à luta do eu consigo próprio.

E não, nem sequer estou a pensar em Cristiano Ronaldo.

janeiro 07, 2013

A posta que o superficial tende para o efémero


Aos vinte anos de idade o apêndice para números telefónicos da minha agenda tinha letras que esgotavam o espaço, ao ponto de acabarem muitos nomes arrumados na letra  que era sempre a menos utilizada.
Hoje, quando olho para esses contactos, sinto aquilo como uma lista de fantasmas, meras referências de um passado que não conseguiu aguentar-se até este presente envenenado das relações precárias que o fenómeno das redes sociais, por exemplo, ilustra sem contemplações.

Sou do tempo dos amigos para toda a vida. Era assim na amizade como no amor.
Claro que nem sempre as coisas corriam de feição, a vida é trapaceira e coloca-nos muitas vezes em posições insustentáveis perante os outros e vice-versa. Mas essas eram as excepções à regra. Bem ou mal, as ligações amorosas conseguiam resistir às inúmeras pressões que uma vida a dois acarreta. Bem ou mal, as amizades sobreviviam aos maus momentos e prolongavam-se no tempo à custa, quantas vezes, de cedências e de compromissos que nunca nos passaria pela cabeça tolerar. De simples pedidos sinceros de desculpa.

Talvez fosse apenas o instinto que nos levava a preservar essa ligação com quem se cruzava o nosso caminho e de alguma forma prendia a nossa atenção. Ou então seria a lógica que nos avisava que cada pessoa saída da nossa vida era mais um pequeno passo rumo a uma inevitável solidão. Nem arrisco presumir que era a natureza das emoções a fazerem a diferença. Certo é que conseguíamos manter a ligação com as pessoas ao longo de anos, muitas vezes apenas com base num telefonema anual a propósito de uma efeméride qualquer.
E agora isso não acontece, como o provam as minhas agendas sistematicamente vazias e a minha falta de empenho para voltar a preenchê-las.

Assumo o meu quinhão nesta mudança de paradigma, deixo cair os outros com a mesma ligeireza e leviandade com que o fazem comigo. Basta um pretexto, às vezes nem isso, para determinada pessoa sumir da minha vida. Basta algo tão simples como o desaparecimento de um telemóvel sem cópia dos contactos lá gravados, pois é quase certo que poucos, muito poucos, desses contactos voltarão a ligar. Por não estranharem a ausência ou por se estarem nas tintas para a minha falta no cenário.
É assim, preto no branco, que a coisa se processa em ambos os sentidos das ligações de merda, displicentes, descomprometidas, indiferentes, que estabelecemos entre nós em qualquer das dimensões que uma relação pode abranger.

É assim na amizade como no amor: temos meros conhecidos em vez de amigos a sério e amantes ocasionais em vez de amores duradouros. Apenas nos esforçamos para colorir a realidade, para a maquilhar para parecer como era dantes, no discurso e apenas. Fingimos acreditar que é coisa para durar, mas depois desertamos uns dos outros e das imensas maçadas que as relações mais próximas podem implicar. Queremos apenas um grupo que possamos integrar para não andarmos sozinhos na paródia, só para a reinação, e depois estranhamos quando nos momentos de maior aflição não faz sentido recorrer a qualquer uma dessas pessoas com quem não temos laços fortes o bastante para abusarmos da sua confiança que, de resto, é pouca ou quase nenhuma.

Isto a propósito desta prosa que li e recomendo a quem tenha pachorra para ler em inglês. É um texto corajoso de alguém que fala na primeira pessoa acerca da verdade dos factos, muito melhor do que eu seria capaz de o fazer.

janeiro 06, 2013

Depardieu...

hesita...
Raim on Facebook

Auto do Relvas

Adaptação do «Auto da Barca do Inferno», de Gil Vicente, feita por Gonçalo, Carolina e Filipe, alunos de 42 anos (14 cada um) da Escola EB23 Dra. Maria Alice Gouveia, de Coimbra, numa aula de Português, que teve direito a uma publicação na biblioteca digital da escola e que merece ser partilhada:

Vem Miguel Relvas conduzindo aos zigue zagues o seu Mercedes banhado a ouro e sai do carro com o seu diploma na mão. Chegando ao batel infernal, diz:
RELVAS – Hou da barca!
DIABO – Ó poderoso Doutor Relvas, que forma é essa de conduzir?
RELVAS – Tirei a carta de scooter e deram-me equivalência. Esta barca onde vai hora?
DIABO – Pera um sítio onde não hai contribuintes para roubar!
RELVAS – Pois olha, não sei do que falais… Quantas aulas eu ouvi, nom me hão elas de prestar?
DIABO – Ha Ha Ha. Oh estudioso sandeu, achas-te digno de um diploma comprado nos chineses ao fim de três aulas?
RELVAS – Um senhor de tal marca não há de merecer este diploma?
DIABO – Senhores doutores como tu, tenho eu cá muitos.
Miguel Relvas, indignado com a conversa, dirige-se ao batel divinal.
RELVAS – Oh meu santo salvador, que barca tão bela, porque nom eu dir eu nela?
ANJO – Esta barca pertence ao Céu, nom a irás privatizar!
RELVAS – Tanto eu estudei, que nesta barca eu entrarei.
ANJO – Tu aqui não entrarás, contribuintes cortaste, dinheiro roubaste e um curso mal tiraste.
Relvas, sem alternativa, volta à barca do Diabo.
RELVAS – Pois vejo que não tenho alternativa. Nesta barca eu irei…Tanto roubei, tanto cortei, não cuidei que para o inferno fosse.
DIABO – Bem vindo ao teu lar, muitos da tua laia já cá tenho e muitos mais virão. Entra, entra, ó poderoso senhor doutor magistrado Relvas. Pegarás num remo e remarás com a força e vontade com que roubaste aos que afincadamente trabalharam.

Gonçalo, Filipe e Carolina
Turma 9º D
Escola EB23 Dra. Maria Alice Gouveia
Coimbra

janeiro 03, 2013

Carta publicada no Facebook, por Carlos Paz


      Carta aberta ao Presidente da República publicada no Facebook.                    

 
Meu caro Ilustre Prof. CAVACO SILVA,

Tomo a liberdade de me dirigir a V. Exa., através deste meio
[o Facebook],  uma vez que o Senhor toma a liberdade de se dirigir a mim da mesma forma.
É, aliás, a única maneira que tem utilizado para conversar comigo (ou com qualquer dos outros Portugueses, quer tenham ou não, sido seus eleitores).

Falando de eleitores, começo por recordar a V. Exa., que nunca votei em si, para nenhum dos cargos que o Senhor tem ocupado, praticamente de forma consecutiva, nos últimos 30 anos em Portugal (Ministro das Finanças, Primeiro Ministro, Primeiro Ministro, Primeiro Ministro, Presidente da
República, Presidente da República).

No entanto, apesar de nunca ter votado em si, reconheço que o Senhor:
1) Se candidatou de livre e espontânea vontade, não tendo sido para isso coagido de qualquer forma e
    foi eleito pela maioria dos eleitores que se dignaram a comparecer no acto eleitoral;
2) Tomou posse, uma vez mais, de livre vontade, numa cerimónia que foi PAGA POR MIM (e por todos
    os outros que AINDA TINHAM, nessa altura, a boa ventura de ter um emprego para pagar os seus
    impostos);
3) RESIDE NUMA CASA QUE É PAGA POR MIM (e por todos os outros que AINDA TÊM a boa ventura de
    ter um emprego para pagar os seus impostos);
4) TEM TODAS AS SUAS DESPESAS CORRENTES PAGAS POR MIM (e pelos mesmos);
5) TEM TRÊS REFORMAS CUMULATIVAS (duas suas e uma da Exma. Sra. D. Maria) que são PAGAS por
    um sistema previdencial que é alimentado POR MIM (e pelos mesmos);
6) Quando, finalmente, resolver retirar-se da vida política activa, vai ter uma QUARTA REFORMA
    (pomposamente designada por subvenção vitalícia) que será PAGA POR MIM (e por todos os outros
    que, nessa altura, AINDA TIVEREM a boa ventura de ter um emprego para pagar os seus impostos).

Neste contexto, é uma verdade absoluta que o Senhor VIVE À MINHA CUSTA (bem  como toda a sua família directa e indirecta).

Mais: TEM VIVIDO À MINHA CUSTA quase TODA A SUA VIDA.      
 


E, não me conteste já, lembrando que algures na sua vida profissional:
a) Trabalhou para o Banco de Portugal;
b) Deu aulas na Universidade.


Ambos sabemos que NADA DISSO É VERDADE.

BANCO DE PORTUGAL: O Senhor recebia o ordenado do Banco de Portugal, mas fugia de lá, invariavelmente com gripe, de cada vez que era preciso trabalhar. Principalmente, se bem se lembra (eu lembro-me bem), aquando das primeiras visitas do FMI no início dos anos 80, em que o Senhor se fingiu doente para que a sua imagem como futuro político não ficasse manchada pela associação ao processo de austeridade da época. Ainda hoje a Teresa não percebe como é que o pomposamente designado chefe do gabinete de estudos NUNCA esteve disponível para o FMI (ao longo de MUITOS meses. Grande gripe essa).

Foi aliás esse movimento que lhe permitiu, CONTINUANDO A RECEBER UM ORDENADO PAGO POR MIM (e sem se dignar sequer a passar por lá), preparar o ataque palaciano à Liderança do PSD, que o levou com uma grande dose de intriga e traição aos seus, aos vários lugares que tem vindo a ocupar (GASTANDO O MEU DINHEIRO).

AULAS NA UNIVERSIDADE: O Senhor recebia o ordenado da Universidade (PAGO POR MIM). Isso é verdade. Quanto ao ter sido Professor, a história, como sabe melhor que ninguém, está muito mal contada. O Senhor constava dos quadros da Universidade, mas nunca por lá aparecia, excepto para RECEBER O ORDENADO, PAGO POR MIM. O escândalo era de tal forma que até o nosso comum conhecido JOÃO DE DEUS PINHEIRO, como Reitor, já não tinha qualquer hipótese de tapar as suas TRAPALHADAS. É verdade que o Senhor depois o acabou por o presentear com um lugar de Ministro dos Negócios Estrangeiros, para o qual o João tinha imensa apetência, mas nenhuma competência ou preparação.

Fica assim claro que o Senhor, de facto, NUNCA trabalhou, poucas vezes se  dignou a aparecer nos locais onde recebia o ORDENADO PAGO POR MIM e devotou toda a vida à sua causa pessoal: triunfar na política.

Mas, fica também claro, que o Senhor AINDA VIVE À MINHA CUSTA e, mais ainda, vai, para sempre, CONTINUAR A VIVER À MINHA CUSTA.

Sou, assim, sua ENTIDADE PATRONAL.

Neste contexto, eu e todos os outros que O SUSTENTÁMOS TODA A VIDA, temos o direito de o chamar à responsabilidade:
a) Se não é capaz de mais nada de relevante, então: DEMITA-SE e desapareça;
b) Se se sente capaz de fazer alguma coisa, então: DEMITA O GOVERNO;
c) Se tiver uma réstia de vergonha na cara, então: DEMITA O GOVERNO e, a seguir, DEMITA-SE.

Aproveito para lhe enviar, em nome da sua entidade patronal (eu e os outros
PAGADORES DE IMPOSTOS), votos de um bom fim de semana.*

Respeitosamente,
Carlos Paz
 
*( e já agora, acrescento, um Ano Novo longe, bem longe - e principalmente - da vista)
 
 
publicado neste blogue por Charlie

janeiro 02, 2013

Segue um parágrafo comprido... para começar bem 2013

Segue um parágrafo comprido, com pouco estilo, mas que me é sugerido pelo estado em que estamos, quase como metáfora dos tempos que querem fazer-nos viver:

Entre um secretário de estado da Saúde (?) que anacronicamente nos aconselha a não adoecermos assim tanto a fim de tornar o Serviço Nacional de Saúde mais sustentável; um primeiro ministro – que, afinal,  talvez até seja só segundo – que estupidamente declara que há reformados a auferir reformas para as quais não contribuíram e que, em sequência alienada, em vez de cair sobre os seus pares partidários que mamam, à tripa forra, da porca do Estado com reformas milionárias, vai limpar os bolsos de quem contribuiu, uma vida inteira, para uma reforma minimamente digna; culminando num presidente da República que considera que este orçamento é contrário a tudo aquilo que supostamente defende, mas que ainda assim o promulga à conta de uma pretensa boa imagem externa e de uma não menos pretensa estabilidade interna, que todos, começando por ele próprio, sabem podre e rota, creio mesmo que o melhor que cada um de nós tem a fazer é dedicar-se à agricultura, ao amanho da terra.

Pelo menos, teremos pás e enxadas à mão de semear para quando voltarmos a sair à rua.

O esperado regresso do fumo de artifício


O Governo já está à procura de boas ideias para desviar as atenções dos problemas principais e, como quem não quer a coisa, os movimentos de índole pseudo cristã afiam as suas naifas proibicionistas para ajudarem à festa na preparação de um 2013 tão imbecil quanto qualquer ano desta Legislatura já se provou capaz.

O tabaco, esse malvado, voltará a preencher as prioridades daqueles a quem interessa mudar de assunto e dos papalvos que compram o politicamente correcto com um entusiasmo tão ingénuo quanto despropositado.
O despropósito reside na asneira do costume: relegar para segundo plano a prevenção junto daqueles que ainda não adquiriram o vício, crianças e adolescentes, para concentrar energias na guerra ao consumo com medidas que visam apenas hostilizar os fumadores que ainda restam.
Imagens chocantes nas embalagens de tabaco, o dito por não dito relativamente aos espaços da hotelaria destinados aos fumadores, aumento do preço com base no agravamento da carga fiscal. São essas as medidas inteligentes do Ministério da Saúde que sabe quantificar os custos provocados pelas consequências nefastas do fumo dos cigarros mas, por outro lado, não nos confronta com os custos provocados, por exemplo, pelos acidentes de viação. Porque não proíbem a condução em vias rápidas para os prevaricadores, não obrigam a pintar imagens chocantes nos veículos nem aumentam ainda mais os impostos ligados aos veículos automóvel? Simples: os fumadores, já devidamente pintados como marginais, são um alvo mais fácil porque a opinião pública alinha na boa com a perseguição a quem está dependente ou apenas aprecia fumar.

O risco implícito nesta segmentação dos grupos a combater é o de se tornar num hábito, como a aparente mobilização dos tais movimentos anti aborto, anti casamentos entre pessoas do mesmo género, anti legalização das drogas leves e anti tudo quanto não lhes agrade mesmo que não lhes seja imposto por terceiros, denuncia.
Hoje são os fumadores, amanhã serão os bebedores e depois passaremos aos homossexuais seguindo o exemplo de alguns países africanos. A eliminação sistemática dos transtornos com pernas, por terem escolhas que não agradam à maioria que aplaude a imposição de proibições, serve, sempre serviu, os interesses das lideranças em apuros a quem convêm as questões fracturantes, dividir para reinar, para ninguém se concentrar naquilo que mais interessa nesta altura.

O Ministério da Saúde tem ainda muito por onde exibir a sua capacidade para o corte na despesa que os partidos no poder prometeram a quem os elegeu, apenas segue o mesmo critério de todo o Governo paupérrimo: o de apontar baterias às falsas questões para caírem no esquecimento as mais prementes.

Até pode dar-me na mona deixar de fumar entretanto. Mas nem por isso passarei a papar grupos.