março 22, 2016

quem segura este Brasil?

Por demais enfartado com o monolitismo da «informação» oficial que nos invade e bombardeia o raciocínio até à náusea, aqui vos deixo informação alternativa que acabou de chegar ao meu conhecimento:

Caras/os amigas/os

O que se passa no Brasil está a ser tratado de forma miserável pela comunicação social portuguesa pelo que devemos fazer um esforço para ter informação de fontes que não façam parte da rede manipuladora a soldo dos interesses estadunidenses. O que ali se passa configura mais uma etapa da política dos Estados Unidos da América, que procura recuperar posições perdidas nos últimos anos na América do Sul.

Para melhor compreender o caso brasileiro, deve-se colocar ao lado o que se passou nos últimos meses na Argentina (onde conseguiram afastar a presidente Cristina Kirchner e pôr um "amigo" na presidência), e ter presente o bombardeamento a que têm sujeitado a revolução bolivariana na Venezuela, onde estão ganhando também algumas vitórias na defesa dos interesses do norte; sem perder de vista a guerra surda que movem a Evo Morales (Bolívia) e a Rafael Correa (Equador), e se desvalorizar a nova táctica em relação a Cuba (mas sem pôr fim ao bloqueio a que a submetem desde 1962). No entanto, segundo o portal do PT, a jogada reaccionária está sendo bem interpretada internacionalmente e Lula é alvo de manifestações de solidariedade. Ver a este respeito

http://www.pt.org.br/lideres-internacionais-divulgam-manifesto-em-apoio-a-lula/

Na maioria é gente que esteve no poder nos seus países e que se destacou pela honestidade e na defesa dos seus povos. Destaco o nome de Mujica, ex-presidente do Uruguay, um homem acima de qualquer suspeita de corrupção e de ter andado em negócios escuros com Lula ou com o PT. É que nestas coisas valorizo muito a posição dos que não têm rabos de palha, têm uma qualidade que prezo particularmente: autoridade moral. Valorizar os aspectos políticos revolucionários é muito importante mas devemos subestimar os aspectos éticos na prática política.

Eis o manifesto que subscreveram:

“DECLARAÇÃO

Durante várias décadas, Luiz Inácio Lula da Silva destacou-se como sindicalista, lutador social, criador e dirigente do Partido dos Trabalhadores.

Eleito Presidente da República, em 2002, Lula levou adiante um ambicioso programa de mudança social no Brasil, que tirou da pobreza e da miséria milhões de homens e mulheres. Sua política econômica permitiu a criação de milhões de empregos e uma extraordinária elevação da renda dos trabalhadores.

Seu Governo aprofundou a democracia, estimulando a diversidade política e cultural do país, a transparência do Estado e da vida pública. O Executivo, o Ministério Público e o Poder Judiciário puderam realizar investigações de atos de corrupção eventualmente ocorridos na administração direta ou indireta do Estado.

Preocupa à opinião democrática, no entanto, a tentativa de alguns setores de destruir a imagem deste grande brasileiro.

Lula não se considera nem está acima das leis. Mas tampouco pode ser objeto de injustificados ataques a sua integridade pessoal.

Estamos com ele e seguros de que a verdade prevalecerá.

Cristina Fernández de Kirchner (Argentina)
Eduardo Duhalde (Argentina)
Carlos Mesa (Bolívia)
Ricardo Lagos (Chile)
Ernesto Samper (Colômbia)
Maurício Funes (El Salvador)
Felipe González (Espanha)
Manuel Zelaya (Honduras)
Álvaro Colón (Guatemala)
Massímo D’Alema (Itália)
Martín Torrijos (Panamá)
Nicanor Duarte (Paraguai)
Fernando Lugo (Paraguai)
Leonel Fernández (República Dominicana)
José Mujica (Uruguai)
José Miguel Insulza (OEA)”


No portal do PT podem ver mais informação de última hora que vos pode dar uma ideia da dimensão da guerra que o povão brasileiro está a sofrer, por exemplo novos golpes baixos de figuras de topo da "justiça" brasileira .

http://www.pt.org.br/planalto-moro-violou-constituicao-e-medidas-judiciais-serao-adotadas/

Aos interessados em seguir o que se passa na América do Sul na sua luta contra o neoliberalismo e pela autonomia do gigante do norte recomendo vivamente que vejam TelesurTV (canal 223 para quem tem o serviço da NOS)

saudações antifascistas

março 18, 2016

março 02, 2016

as coisas são como são...

As coisas são como são, lá se diz, com a pretensão, tímida e frustre, de não se agitar muito o pântano, em favor de que não se evolem incómodas pestilências a pituitárias mais sensíveis.

Cavaco primeiro-ministro recusa, perdão, ignora pensão a Salgueiro Maia, enquanto Cavaco presidente condecora dois pides, um dos quais responsável pelos disparos indiscriminados sobre a multidão, em pleno 25 de Abril.

Cavaco lá sabe o que faz. E, assim, Cavaco condecora com a força que o sistema eleitoral que temos lhe confere e, quanto a isso, nada a dizer. Ou melhor, talvez criar algumas salvaguardas democráticas a decisões arbitrárias dos mandantes não fosse despiciendo, até para evitar este alinhava e desalinhava em que Portugal é pródigo.

Cavaco, de uma assentada, condecorou com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, na área da Educação, Maria de Lourdes Rodrigues e Nuno Crato e brindou-nos com esta alegoria: «… as pessoas que vão ser agraciadas vão sê-lo sem que isso signifique qualquer juízo de valor em relação às políticas que executaram». Compreendi-te, como diria o nosso embriagado Vasco Santana falando para a rigidez impávida de um candeeiro.

E diz mais: que «deram o melhor de si próprio para ajudar nas suas convicções a construir um Portugal melhor».

Bagão Félix, também ele então agraciado e em paga pela fábula, retorque: «Nós observamos e agradecemos esta condecoração numa perspetiva de que a política verdadeiramente se engrandece através da diferença, diferença de ideias e de ideais em nome de Portugal».

Nesta altura, a comoção que me invadiu a par de indecoroso e inoportuno embargo da voz, não foram, no entanto, bastantes para evitar que uma dúvida atroz me assaltasse: diferença…? Onde, onde…? 

E releio os nomes: Vítor Gaspar, Bagão Félix, Álvaro Santos Pereira, Luís Campos e Cunha, Paulo Macedo, Maria de Lurdes Rodrigues, Nuno Crato e Rui Pereira. E não me ocorre um, unzinho, que não integre a mesma orquestra de interesses. Talvez os penteados sejam diferentes, 

Pouco depois, Cavaco condecora Sousa Lara, outra eminente arara desta orquestra reaccionária, que se notabilizou por boicotar a candidatura de Saramago a um prémio literário europeu por, alegadamente, o Evangelho Segundo Jesus Cristo não representar Portugal (?). Ai, reaccionário já não se usa? Tenho pena, mas não me ocorre outro termo ou expressão melhor enquadrados. Devem ser limitações minhas…

Sousa Lara, o então subsecretário do governo de Cavaco, que nem anda cá para enganar ninguém, lá foi anunciando que «um Governo tem uma conotação ideológica, não tem que agradar a toda a gente… É um Governo da maioria contra a minoria, em última análise. Toma medidas polémicas que, democraticamente sufragadas, têm de ser aceites». 

O problema do homem é não perceber (nem tal lhe interessar) que o que foi democraticamente sufragado foi o elenco parlamentar de onde resultou um governo. Não – nem nunca – as «medidas polémicas» que ele possa tomar. Essas nunca se sufragam. E talvez resida aí uma ineficiência democrática. 

Vejam lá se alguém os esclarecesse que, por essa mesma ordem de ideias, talvez fosse mais higiénico referendar ou sufragar as condecorações a atribuir, em cada ano, sem que tal estivesse dependente de algum relampejo anacrónico de qualquer personalidade política em falência técnica? 

Entretanto, os telejornais todos nos bombardeiam há semanas com a campanha eleitoral dos Estados Unidos, cuja fase final ocorrerá em Novembro de 2016 (!!!) como se tal efeméride, se não divulgada à exaustão, já hoje, nos impedisse sequer de respirar.

Olha se lhes dava para fazerem o mesmo, democraticamente, a todos os países do mundo… Era a insanidade. Atente-se a um mero exemplo: - Conforme notícia recém-chegada directamente de Ouagadougou, Roch Marc Christian Kaboré disputa a par e passo, no Burkina Faso, as eleições ao seu opositor Zephirin Diabré. Vamos de seguida proporcionar aos excelentíssimos telespectadores as duas horas de debates, convulsões e murraças que têm vindo a acompanhar estas disputadíssimas eleições ao longo da última semana…, etc., etc., etc. 

E não venham dizer-me que o Burkina Faso não integra também este mundo em que vivemos, que diabos! 

Bom e gostariam, então, que esclarecesse, nesta fase chegados, que cargas de água ligam as condecorações do Cavaco às eleições nos EUA ou no Burkina Faso: então não sabem que isto anda tudo ligado?