dezembro 31, 2012

leituras

literatura dirigida a adultos...
fiquei indeciso entre "evitar" e "lamentar"...
amanhã saberemos

postal de natal

postal de natal aos funcionários da edp (porto)...
porque carga de água me fui eu lembrar de tal coisa ;0))
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Um Secretário de Estado que é um luxo

Diz o senhor secretário de estado da saúde (assim mesmo, com minúsculas) que, se o povo português deseja realmente a manutenção do Sistema Nacional de Saúde, tem de ficar menos vezes doente.
Ora eu, que já tinha agendadas duas gripes, uma constipação ligeira mas com expectoração, um ataque de alergia complicado e um princípio de joanetes para o primeiro semestre de 2013 não sei bem o que fazer para substituir o gáudio que tais situações me provocariam.
Sempre a tramar-nos os baratos, os maganos.

(se ficassem todos em 2012 é que era...)

E, ainda assim, um novo dia desponta…
Bom ano de 2013!

Poderia citar incontáveis casos concretos para cada circunstância que sustenta o que vou dizer, mas não o faço para não expor ainda mais às vicissitudes do mau poder as vítimas desse caso grave de vilanagem em que se vai transformando o Estado, que somos nós (ou que assim deveria ser), mas tão deficientemente representados. Então, que cada um acredite ou não na matéria exposta e que o leve à simples conta de desabafo, como imperativo necessário e urgente para criar equilíbrios mentais, tão necessários como qualquer outro suporte de vida.

Muito para além do bombardeamento constante da promoção da insanidade a que todos somos sujeitos por parte de (des)governantes, acolitados pela intoxicação - dir-se-ia militantemente empenhada – dos assim-ditos órgãos da comunicação social, ocorre por todo o País uma desumanização institucional que, insidiosamente, se vem instalando e que degenera num cerco ao cidadão que o manieta na sua capacidade de bom cumprimento da cidadania, na perspectiva do colectivo em que se integra, bem como do seu livre arbítrio, enquanto indivíduo.

Matéria pouco ventilada, talvez porque dela não ocorra, directa e espectacularmente, sangue derramado, mas porque apenas provoca o definhar gradual da individualidade e do seu inestimável livre pensamento, a relação entre o Estado e o cidadão, nos múltiplos aspectos (públicos ou semiprivados) em que ela incide, assume, hoje em dia, uma inextrincável teia de iniquidades, de desvarios, de perdas de tempo, de incomodidades, das quais já ninguém sabe, sequer, apontar responsáveis ou eventual cura e, menos ainda, lobrigar cara ou costados visíveis onde assentar merecido bofetão ou incontestável bengalada.

Certo é que a vida do cidadão se vai infernizando com a constante angústia existencial por não ter sabido preencher adequadamente qualquer obscuro formulário, no fisco, na (in)Segurança Social, no contrato do telemóvel, ou do fornecimento eléctrico, ou da seguradora; que não tenha assumido, em tempo devido, o prazo para a entrega de declaração, qualquer que ela seja, tendo-se verificado benefício ou usufruto ou não, mas que, em qualquer caso, cuja omissão faz impender sobre o mesmo desgraçado as penas mais penosas dos purgatórios sociais, em forma de taxa e de coima e de multa, criadas e recriadas a um ritmo impossível de seguir por quem faça, de facto, alguma coisa na vida e careça de tempo para isso.

Invariavelmente ouço queixas e lamentos – quando não de mim próprio e tantas elas são… – por haver que pagar a tal taxa, ou coima, a multa, a disfunção, a falta de acesso a uma expectável benesse, porque falhou um «pisco» num formulário, que até pode ser electronicamente preenchido, ou tão-só pelo simples atraso de entrega – cuja multa, por esse lapso, pode ser indetermináveis vezes superior ao benefício usufruído, etc., etc., etc.,…

Assim se mantém toda uma população – fala-se aqui da laboriosa, da pagadora, da que tem da vida uma noção do social, que não da «outra» - refém de um esquema generalizado de terror de onde, por muito estranho que pareça – ou talvez não – apenas passam incólumes os grandes barões, burlões e outros tubarões da sociedade que todos fomos criando ou deixando criar-se.

Assim vamos, pois, tão pseudo-iludidos em vilanezas de troikas e de Passos incertos, como de Sócrates vorazes e de serôdias filosofias.

Assim vamos, ainda que o suposto garante supremo da Constituição da República – que jurou cumprir e fazer cumprir – dê primazia a uma mão-cheia de sebentas universitárias onde ele próprio e os seus pares brincam aos deuses e aos monopólios do nosso descontentamento.

Mas o certo é que vamos. E sempre fomos. E iremos, claro. Sempre em frente e até ao fim do mundo, qualquer que seja o calendário, qualquer que seja o algoz, qualquer que seja a maleita.

Este é o legado que te deixo, meu filho: a nossa ancestralidade, a nossa sobrevivência, inestimáveis patrimónios imateriais da Humanidade.

E quando, na rua, me cruzar com algum daqueles que não têm amor à terra que os pariu, que pretendem fazer da nação a enxovia de onde sugam os seus interesses indizíveis, os vendilhões e os vendidos deste templo que é de todos e em partes iguais, a esses enfrentarei com o olhar sereno e determinado.

Mas se alguma perturbação me pressentires, tratar-se-á apenas da súbita vontade de lhes fazer pagar, aqui e agora, o seu desvario, a sua concupiscência à custa do seu semelhante e a traição à Vida que em cada dia cometem.

E só assim serei capaz de te desejar um feliz ano de 2013, sabendo também que posso contar contigo deste lado do mundo!

dezembro 23, 2012

«Muito além das boas festas...» - do Jorge Castro

"Amizades,

Cá somos chegados a mais uma época natalícia. Ou, se melhor quisermos, a uma nova celebração do solstício de inverno, onde tudo e todos se aprestam a um novo recomeço ou ao eterno retorno da espiral de Vida onde vamos viajando...
Do novo ano, quando ele findar, queremos esperar que, apesar das incertezas e, porventura ainda mais, das certezas - que sabemos, entretanto, sempre efémeras - nos deixe saudades e felizes recordações.
No fundo e pelo meio da conversa abstrusa da desesperança que nos é «vendida» por tão elevado preço, que nos fique a garantia de sermos quem somos. E isso, como é óbvio, depende muito de cada um de nós.
O meu contributo para esta comemoração do solstício aí vai. Fiz-me acompanhar pelo grupo mirandês Trasga, com o seu tema Al Absedo... - e para quem melhor quiser apurar o sentido da coisa, sempre lhes digo que «l absedo ye ua lhadeira birada a norte, adonde, ne ls meses de ambierno, nun bate l sol. Yé ne l absedo que nácen i se dan melhor ls buxos, ls anguelgues e las urzes, madeiras que prodúzen un eicelente sonido e con que son construídos ls strumentos musicales ousados por Trasga»:

Jorge Castro - Natal de 2012
(ficheiro de som - mp3)

Com um forte abraço, os meus votos de boas festas, então. E um ano 2013 memorável e, se possível, pelas melhores razões."
Jorge Castro

Em defesa do Dépardieu

Hoje tem sido notícia em todos os telejornais a decisão do actor francês Gérard Dépardieu: uma vez possuindo rendimentos pertencentes à categoria que François Hollande anunciou passar a ser taxada em 75%, Dépardieu decidiu mudar-se para a Bélgica (à semelhança do que fez o Pingo Doce, por cá). E, depois de criticado pelo Presidente, que lhe chamou "pouco patriota", entre outras coisas simpáticas, acabou por ir mais longe e renunciar ao passaporte francês, dando início ao processo de pedido de cidadania belga.
Agora aqui d'el rei que o Dépardieu devia era ficar no seu país natal e contribuir "como os outros" para a sua recuperação económica.

Como os outros??? Seriously?
Então o homem não roubou nada a ninguém, fez fortuna (que nunca escondeu) à custa de uma profissão que está aberta a todos (ou seja, só não faz a mesma fortuna, com os mesmos meios, quem não quer ou não tem capacidade - e quanto a isso temos pena) e agora querem taxá-lo em 3/4 dos seus rendimentos só porque mentes armadas em igualitárias crêem que o senhor ganha demais? Quantos cidadãos pagarão 75% do que recebem como salário ou outros dividendos? E que raio vem a ser isso de ganhar demais, se se ganha aquilo que é acordado entre quem ganha e quem paga? Não devíamos estar todos preocupados com quem ganha de menos, mas é...?
Esta porcaria desta mentalidade populista que não percebe que a proporcionalidade é linda (sejam aplicados x% a todos os contribuintes e quem ganha menos pagará sempre uma quantia muito inferior, porque proporcional, a quem ganha mais) e que ganhar dinheiro não é criminoso vai acabar por pôr a mexer não só o talento mas também o dinheiro.
Palermas.

dezembro 22, 2012

Respostas de um pai ateu

"Não gosto de ser anti-nada, é uma questão de princípio. Não sou anti-deuses porque seria ridículo proclamar-me inimigo de seres imaginários. Seria como dizer que sou anti-Asterix. E também não sou anti-religioso. O meu discurso tenta trazer à luz os absurdos das crenças religiosas na medida em que essas crenças são utilizadas para tirar direitos básicos a outras pessoas."


(Clemente G.a Nouvella, autor de Onde Está Deus, Papá? Respostas de Um Pai Ateu, editora Verso da Kapa)

Gosto de lucidez.
Palminhas.

EUA | Quando os dogmas levam à morte

Nos Estados Unidos, há quem (as associações que defendem a venda livre de armas de fogo) prefira pensar que a violência mais depressa advém do contacto com os videojogos do que da venda livre de armas. Num país onde a liberdade é a palavra de ordem, há quem entenda que ser livre também é sinónimo de possuir armas de fogo.
Tenho medo do ser humano.

"It's not too soon, it's too late. Enough!"

dezembro 20, 2012

que fazer...

 antes do fim do mundo (previsto para amanhã) com o tempo que lhe resta... ?
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dezembro 19, 2012

a troca...

outra legenda para o coelho:
- Se convenci os "pamonhos" com as minhas falsas promessas acho que fácilmente posso enganar um palhaço de pijama encarnado
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dezembro 17, 2012

encontros... imediatos

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Os limites da legitimidade democrática dos eleitos .


 
A História é feita dos que combatem os sitiantes, não dos que trocam a bandeira pela bandeira dos inimigos....a procuração que os governantes têm nas mãos através do voto, é no sentido de gerir o património público e não de se desfazer dele, de o alienar...

É usual que à contestação sobre determinadas medidas que os governantes tomam, estes argumentem recorrentemente com a legitimidade que uma eleição democrática confere às decisões que tomam.  O facto de terem sido eleitos, passa assim uma esponja sobre os compromissos  que levaram os eleitores a preferir umas propostas em detrimento de outras, quando uma vez instalados no Poder fazem tábua rasa dessas mesmas propostas.  Sabemos obviamente que a dinâmica própria das sociedades faz com que determinadas soluções sejam rapidamente ultrapassadas, esvaziando ou tornando-as  caducas pelo próprio evoluir das circunstâncias.
Churchill costumava dizer que a Democracia era a pior forma de governação excluindo todas as outras, mas isso, longe de ser um problema é uma das suas virtudes; não se deve insistir em soluções erradas apenas por fazerem parte de uma agenda e o bom senso e o apurado killer instinct  próprio de um político deve fazer com que este saiba inflectir, corrigir, enfrentar se necessário, para manter o rumo no sentido do bom porto.
Nos tempos que correm, o País, todos nós, estamos confrontados com uma das piores crises de sempre. Fosse ela apenas mais um episódio transitório da nossa secular teimosia mas não.
Bem se pode argumentar de forma demagógica com o anterior governante, mas ele não governou na Grécia, nem na Irlanda, nem em Espanha ou França, muito menos Itália e a mesmíssima Alemanha que agora se abeira da estagnação, e todos estes países estão no epicentro de uma crise económica cuja evolução apresenta as características de espiral negativa, implosiva, mortal… As soluções tiradas a papel químico de uns para outros países, passam sempre pelas mesmas opções que por sua vez afundam ainda mais a estrutura económica. No entanto, insiste-se sempre nas  mesmas medidas , cortes, impostos e por fim o filet mignon; as privatizações. E é aqui, neste particular, a entrega do património colectivo a interesses particulares muitas vezes obscuros, que os limites da legitimidade democrática se devem questionar. 
 
É sabida a história de João Vale e Azevedo, condenado mais do que uma vez por toda a sorte de abusos. Alguns deles foram efectuados com a legitimidade de uma procuração assinada voluntariamente pelos que depois se apresentaram como queixosos. De procuração-legal- nas mãos, permitia-se gerir o património alheio ao seu bel prazer; de forma legitima, pode dizer-se por um lado. Sim mas abusiva e criminosa dizemos por outro, e disseram os lesados também aos quais os juízes deram razão, por mais legais que as procurações tivessem sido. Esta mesma postura deve ser observada quanto à legitimidade das privatizações agora no prelo, apressadas, esquisitas, mais do que suspeitas: absolutamente desnecessárias  e contra os interesses nacionais.

Tal como no caso de Vale e Azevedo, a procuração que os governantes têm nas mãos através do voto, é no sentido de gerir o património público e não de se desfazer dele, de o alienar e isto pela simples razão de que o património público não lhes pertence, é do páis e não é deles.  Dificilmente alguém vê uma só característica de probidade na truculência reles de um  Relvas, ou descortina um pensamento profundo e de longo alcance no fundamentalismo vazio de Passos Coelho. E é às mãos destes senhores  que  parcelas do património valioso construído ao longo de décadas pelo esforço colectivo de várias gerações,  está a passar para mãos alheias, para interesses alheios, alguns que nem se sabe quem são.  Mais do que uma operação comercial péssima, é toda uma filosofia do existir  que está em causa. A História é feita dos que combatem os sitiantes, não dos que trocam a bandeira pela bandeira dos inimigos. É feita dos homens que tem coragem de defender-se da gula dos que vem ocupar, e não dos que trocam a alma por um saco de moedas.  Aos que abriam as portas que deveriam defender, dava-se um nome. O mesmo nome  que Dom João II deu aos que queriam vender os Descobrimentos a Espanha, a todos chamou um figo. Eu não sei o que lhes chame mas não é possível dar um nome bonito a quem insiste em  ver na alienação da coisa nossa, no empobrecimento da população, na consequente fome, doença e o incontornável atraso que se vão instalar, a saída para a crise.  

Não foi para isso que receberam mandato, não tem legitimidade por mais que invoquem ter-lhe sido dada pelo sufrágio democrático.  Traíram o projecto que os fez eleger, e traíram o país, mas tudo isso é feito com a intenção clara de minar o futuro a quem queria mais tarde inflectir o rumo que estes senhores estão a dar. Uma vez o terreno minado, muito dificilmente se recupera.  Uma fé cega e irracional na ideologia neo liberal que já está fazendo as pessoas ir aos caixotes do lixo e  que ameaça voltar a fazer surgir os bairros de lata, é o que move Passos Coelho. Nada disso que ressalta à vista faz mudar quem não tem outra estratégia que não seja a de desmontar o Estado para que este não seja passível de tomar outro rumo.  Custe o que custar, por mais ilegítimo que esse custo seja.

E nós? Não temos uma palavra a dizer?

dezembro 16, 2012

Wikileaks e Anonymous: algo mudou para pior


Nutri simpatia pelas suas causas desde o dia em que tomei conhecimento da sua existência e não escondo a minha desilusão por perceber que nenhuma das duas organizações resistiu a dois pecados mortais para as boas intenções: o diabo da arrogância e o demónio da tentação capitalista.
Mas se me caiu mal a paywall com a qual a Wikileaks entendeu a dada altura impor a venda dos seus serviços sob a capa de generosas doações, limitando o acesso à informação aos que possuam poder de compra para lhe aceder, a guerrinha entre os Anonymous e uma igreja evangélica norte-americana que os hostilizou esclarece-me quanto à falta de controlo na mira daqueles a quem admirava pelo tiro certeiro.

Num mundo no qual temos razão para temer tanto a inépcia como o abuso de quem detém o poder, e sobretudo neste último caso, acolheria sempre com agrado uma reacção da sociedade civil como a Wikileaks e os Anonymous protagonizam.
Mas atenção: estou a falar dos princípios que pareciam representar e agora, no meu entender, violaram.
Não faz sentido para mim que a Wikileaks tenha nascido para oferecer ao mundo o livre acesso a informação confidencial que precisamos conhecer para sabermos com que lidamos no poder político e, talvez em desespero de causa mas ainda assim, esse acesso passe a gozar de uma liberdade condicionada pela carteira dos cidadãos.
Contudo, a retaliação anunciada como bem sucedida pelos Anonymous contra a Westboro Baptist Church (WBC) arrisca transformar uma organização de defesa de valores primordiais numa milícia capaz de intimidar pelo medo qualquer cidadão ou instituição que os hostilize.

A minha desilusão é sincera, pois começam a rarear as causas e os projectos capazes de nos fornecerem a esperança de equilibrar a parada com quem oprime ou tenta silenciar os seus opositores.
Nesse aspecto, os Anonymous constituíam para mim um bastião sagrado, um recurso valioso para contrabalançar a degradação das democracias e manter vigilância apertada sobre os abusos de poder, nomeadamente sobre as tentativas para silenciar os cidadãos. Nada menos do que isso.

Como posso, depois do episódio WBC, apoiar uma organização que acaba de me provar que, em caso de discordância com alguma das suas operações ou mesmo por ter acordado num dia mau, amanhã o silenciado posso ser eu? 

dezembro 14, 2012

dezembro 13, 2012

Caridade versus solidariedade... ou o apagado e vil discernimento

Não me incomoda particularmente a existência das Isabéis Jonets deste mundo, tão cheio de tão maiores iniquidades e de imbecilidades não inocentes, nem a minha insistência neste tema deve ser considerado como qualquer ataque pessoal à personagem, tão caritativa ainda que tão sem graça.

Mas a personagem mediatizou-se. E fala. Fala pelos cotovelos, pelos pés, que não apenas pela boca, esse aparelho áudio do nosso cérebro. E, assim sendo, põe-se a jeito para colher ecos dos concidadãos, a quem não bastam os governantes fascistóides que vamos tendo, como ainda têm de aturar estes serôdios movimentos nacionais femininos do nosso descontentamento.

Atentemos em dois reduzidíssimos espasmos da suma Jonet, paridos em dois cruciais momentos da vida miserável que nos está a ser imposta, recentes ambos, que nos ilustram acerca de como uma economista arvorada em benfeitora dos pobres através do incremento das negociatas dos ricos, prova à saciedade e, já agora, também à sociedade, qual a barricada pela qual optou:  

«As pessoas passaram a achar que têm direito a todas as prestações sociais e dão-no como adquirido. Muitas vezes, preferem ir para o subsídio de desemprego do que ter um emprego, ainda que ele seja menos bem pago, porque sabem que vão ter a prestação social no final do mês.» (http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=1870626)

«Eu sou mais adepta da caridade do que da solidariedade. A caridade é muito mais. A palavra está desvirtuada por ter uma conotação religiosa, mas para mim a caridade é a solidariedade com amor. Com entrega de si mesmo. A grande diferença é que caridade é amor e solidariedade é serviço(http://www.solidariedade.pt/sartigo/index.php?x=2149)

Perante a perplexidade que tais paupérrimos dislates nos suscitam e que  já foram sujeitos ao crivo de  milhentos comentários críticos, pelo que poupo os meus improváveis leitores a maiores arrazoados, olhemos, agora, com justificado pânico, através da sua biografia oficial, para as instituições onde a senhora, advogada destes (pre)conceitos obscurantistas e desumanos, exerce magistério de influência:

Isabel Jonet, Presidente do Banco Alimentar - Maria Isabel Torres Baptista Parreira Jonet, nasceu em Lisboa a 16 de Fevereiro de 1960, é casada e tem cinco filhos. Licenciou-se em Economia em 1982, na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa. Desde 1993 trabalha em regime de voluntariado no Banco Alimentar Contra a Fome, sendo actualmente Presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome de Lisboa e Membro do Conselho de Administração da Federação Europeia dos Bancos Alimentares. Nessa qualidade apoiou a criação dos 11 Bancos Alimentares portugueses.
 
É fundadora e Presidente da ENTRAJUDA, instituição de apoio a instituições de solidariedade social numa óptica de gestão e organização. Trabalhou no Comité Económico e Social das Comunidades Europeias, em Bruxelas, entre 1987 e Julho de 1993. Foi adjunta da Direcção Administrativo-Financeira da Sociedade Portuguesa de Seguros entre Março de 1983 e Dezembro de 1986 e da Direcção Financeira da Assurances Général de França em Bruxelas em 1987.
– Dados obtidos no sítio do Banco Alimentar contra a Fome - http://baeslc12.blogspot.pt/2011/05/biografia-de-isabel-jonet.html).

Se não fosse, realmente, digna de se lhe atribuir importância, para quê fustigar a criatura? Mas ela tem uma relevância assumida em cada uma destas instituições, para além de ser continuamente insensada como exemplo maior de altruismo, havendo então que a denunciar bem como a essas instituições como braços «armados» da sociedade esclavagista a que alguma desta gentinha parece apostada em fazer regredir a Humanidade.
<br>
Nada tendo eu a opor ao conceito de caridade, mas não estando nada de acordo com o conceito de que a caridade esteja desvirtuada por conotações religiosas – o que poderá ocorrer na casa e entre os amigos da senhora mas está longe de ter a abrangência que ela lhe quer vestir –, repugna-me muito especialmente que a alminha tenha escolhido criar essa dicotomia de caridade versus solidariedade.   

Vejamos: quando esta senhora assume as suas obrigações fiscais no Estado em que se integra está a praticar um acto de caridade ou um acto solidário? E, cuidado, pois se ela menospreza o carácter solidariamente cívico do pagamento de impostos, poderá estar a promover a desobedência civil... O Gaspar que se acautele. E quando ajuda a erguer o velho que acabou de se estatelar na rua, está a ser  solidária ou caridosa, ou ambas? Ou, caridosa, ajuda o pobre velho a erguer-se e, logo mais, solidária, oferece-se para o levar a casa, mas chama, entretanto, um polícia para participar do buraco no passeio que provocou a lamentável ocorrência?

Se podemos de boamente afirmar que a caridade é um sentimento ou uma acção altruísta de ajuda a alguém sem busca de qualquer recompensa – o que nem sempre é claro, pois algumas almas impolutas sempre levaram isso à conta do deve-haver de acesso ao paraíso… – já o conceito de solidariedade, incidindo sobre o mesmo altruísmo, traz em si, mais entranhadamente, conceitos mais burilados como consciência social, atitude racional e voluntariamente assumida.

Em qualquer dos casos não fará grande sentido criar oposição entre os conceitos, como Isabel Jonet o fez e que, como já se disse, se só servem para perturbar mais mentes já perturbadas, por outro lado desmascaram a sua clara posição ideológica. Porque isto, meus amigos, quer se queira quer não, anda tudo ligado...

E então assim todos ficamos a saber que esta caritativa Jonet é muito mais adepta de oferecer ao faminto o peixinho frito – a tal caridadezinha muito sua  – do que lhe fornecer a cana de pesca, transmitindo-lhe também as condições e os ensinamentos necessários – a solidariedade que Jonet desmerece – para que o tal faminto possa deixar de o ser, mas através da sua individualidade, pela força das suas próprias mãos e na dignidade do seu próprio trabalho.   

E isso, além de imperdoável, está muito fora de todos os avanços civilizacionais ocorridos de há uma pipa de séculos a esta parte. 

o repouso...

é justificado?
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dezembro 12, 2012

dezembro 10, 2012

Não sei se tenho um problema com as monarquias, se com a histeria que elas geram

Sou profundamente republicana e dificilmente alinharia na ideia da transferência do poder por sucessão dinástica. Mal por mal, prefiro continuar a assistir ao desatino de quem vota desinformado do que aceitar um rei ou rainha que o são só porque os progenitores o foram também.
Dito isto, não tenho nada contra as famílias reais europeias, que inclusivamente me despertam simpatia quando os encontro nas revistas-de-cabeleireiro: esta nova geração de futuros reis e rainhas é toda giraça, sobretudo porque os herdeiros têm tido a inteligência de cruzar o seu sangue azul com o vermelhão dos plebeus, que lhes têm dado filhos lindos de morrer e desempoeirado as mentes.

Agora, não entendo a histeria colectiva em volta de namoros e casamentos e gravidezes e os trapinhos que usa a princesa X mais as plásticas que faz a Y - tratam-se os príncipes e princesas e reis e raínhas como se os soberanos fôssemos nós e eles tivessem de andar a toque da nossa própria caixa, o que me parece absolutamente despropositado e quase dramático (veja-se o mal que acabou Diana de Gales ou a anorexia nervosa da miúda da Suécia). Quero lá bem saber das amantes do hermano aqui do lado, ou se o nórdico gosta de mulheres ou de homens - mas isso sou eu, cuja vida do vizinho do lado, rei ou plebeu, sempre me interessou muito poucochinho.

Mas já quero saber e muito da loucura que se gerou em redor daquele episódio espoletado pelos locutores de rádio australianos, na semana passada, que dizem ter levado ao suicídio da enfermeira que (burra como as casas) julgou estar efectivamente a falar com a Rainha Elizabeth e o Príncipe Charles e vá de se desbocar toda e falar das intimidades prenhes da Kate. A sério que o mundo está a condenar dois profissionais que, no máximo, podem ser acusados de mau gosto (perdoe-se-me a assertividade, mas episódios de apanhados nunca fizeram o meu género)? A sério que os fulanos já vieram pedir desculpas à família e afirmar que se sentem responsáveis pela morte da senhora? A sério que alguém acredite que alguém são de espírito acabe com a própria vida por causa de semelhante fantochada? (se acabou, teria com certeza problemas bem mais graves com que lidar)

Às vezes, tenho a sensação de viver numa realidade paralela, de onde não quero sair.

prazeres natalícios...


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A prisão das gavetas

As pessoas convencem-se de coisas.
De que são praticamente a Giselle Bünchen, de que dançam como a Jennifer Lopez, de que conduzem como o Schumacher, correm como o Obikwelu ou escrevem como o Miguel Esteves Cardoso. Ou de que a colega nova só pode ter subido na horizontal (porque é gira e tudo), ou de que a atlética do ginásio só pode tomar umas bombas (porque ninguém define assim tão depressa e muito menos continua a ser tão magra, com o que aventesma come, sem uma ajudinha química), ou de que o fulano de tal é tão brilhante como o maior dos génios ou de que o outro é burro como um soco. Ou de que A é bom e grande amigo e de que B é uma besta e mau como as cobras. Ou que o político/partido X é magnânimo e o político/partido Y só quer é tacho.

Estas coisas tornam-se todas verdades absolutas: porque engavetámos as pessoas e as situações, não conseguimos ver a sacanice/burrice/maldade dos que decidimos que eram o máximo ou, pelo contrário, não damos crédito a quem metemos na gaveta daqueles de quem não gostamos.
É muito mais fácil, a vida, assim. O que vem dali sabemos que é sempre bom e o que surge dacolá é sempre mau - não se pensa mais nisso e não só não temos de nos maçar no intervalo da novela ou da sobremesa que fizemos com tanto empenho, como dificilmente somos capazes de ver para além do que estabelecemos (e o ver para além faz mal à vista, aos neurónios e, sobretudo, ao sossego).

E depois somos surpreendidos, não estávamos à espera, ficamos para morrer, quando os absolutamente bons até têm uma dimensão menos agradável ou quando os camelos que odiamos agem da melhor das formas - porque durante muito tempo fomos incapazes de constatar o que decidimos não ter existência.
O perigo das gavetas em que encerramos verdades absolutas é mesmo esse: juntamente com os dogmas, fechamos à chave também a nossa capacidade de pensar e de lidar com o novo - o que, parecendo que não, muitas vezes, dá um jeitaço.

dezembro 09, 2012

O coto da mentira (porque nem a perna curta chega)*

Odeio mentiras. De morte. Os sacanas que vivem à custa delas deviam ser punidos com prisão ou coima (adoro esta palavra...) de estalo. Não deviam passar impunes. Os xilindrós deste país passariam a estar ainda mais sobrelotados, mas os filhos de uma prostituta (versão académica) dos mentirosos deviam ir todos dentro. Todos! Não merecem viver em sociedade porque não sabem estar em sociedade.

Claro que há vários tipos de mentira, bem sei. Mas todas elas representam uma só realidade: a incapacidade que os trastes dos mentirosos têm de lidar com as consequências de dizer a verdade. Que pode ser bem dura, por vezes. Do tipo: estás mais gorda, sim senhora, aliás pareces um barril e não tarda parecerás um tonel se não páras com o caraças das porcarias que comes e se não desalapas o rabo do sofá e não vais fazer exercício. Ou: esse corte de cabelo faz-te parecer ainda mais horrível que o antigo, vai-me já colocar umas extensões/peruca/gorro que olhar para ti é visão do demo! Ou ainda: não, não és propriamente o protótipo da pessoa culta, vai-me mas é enfiar-te na biblioteca e, nos intervalos, vê telejornais, para não cansares a vista, que o mundo está a rolar e dava jeito que soubesses disso... Para já não falar do: cheiras mal que tolhes, já ouviste falar de desodorizantes?! Ou do: sim, tens mau hálito, se me desvio de ti quando falas não é por uma questão de timidez, toma lá um smint para disfarçar, aproveita para lavar os dentes mal possas e trata de marcar a visita anual no dentista.

Perde-se amigos? É uma possibilidade a que não dou grande crédito, mesmo porque estas coisas só se dizem a quem se gosta, os outros não valem a maçada da ultrapassagem do politicamente correcto que traz conhecidos à farta - mas amigos poucos.
Ora quando a mentira vem de alguém próximo, a coisa passa da tristeza à vontade de utilizar o trícepe medianamente trabalhado e espetar-lhe uma murraça que lhe partisse os dentes da frente (e os detrás também, mas para isso teria de treinar à bicho).
Se se é apanhado de surpresa? Nem sempre ou quase nunca, o que torna a coisa ainda mais feia. Quando nos mentem, normalmente mentem-nos mal, porque até para ser mentiroso, em bom, é preciso ter estaleca. E o mau mentiroso (como o são quase todos - observe-se, como confirmação, a prestação do nosso actual governo, para não recuar ao último e penúltimos) tem memória curta e não conta (porque é imodesto e sobranceiro) com a capacidade de armazenamento de informação da pessoa ou pessoas a quem está a mentir. E, mais uma vez imodestamente, garanto que há bases de dados como o universo: permanentemente em expansão.

Para além do mais, quando nos mentem, há sempre uma sensação de formigueiro que nos percorre. Podemos não o poder provar, mas sabemos estar perante uma inverdade. Não sempre, claro: há mentirosos dos bons e a esse tiro o meu chapéu e faço a devida vénia, já que uma mentira nunca descoberta é uma verdade-verdadinha e não se fala mais nisso. Mas quando o mentiroso é recorrente, e se torna menos cauteloso, porque já colou uma e duas e três vezes e ainda não teve sinais de ser apanhado, elas começam a vir umas atrás das outras.

E até seria giro de observar até onde vai o (ou a) idiota, se a coisa não nos começasse a bulir com os nervos e se não nos apetecesse enfiar-lhe um pano encharcado em água fétida no focinho.
Pronto, acabou-se o divertimento. O energúmeno é apanhado. Pode não ficar a saber (se não estivermos para nos chatear), mas foi apanhado.
E quando é apanhado, o mentiroso não se livra de, pelo menos, passar a ser absolutamente desprezado, achincalhado, detestado até (se nos apetecer e, por acaso, a mim raramente me apetece, que o ódio é uma canseira) pela pessoa que lhe descobriu a careca.

E se essa pessoa sou eu, acrescente-se-lhe o sentimento de me sentir profundamente injustiçada pelo estupor do mentiroso, porque parte do pré-conceito de que eu não saberei lidar com a verdade.

Não, não há mentiras justificáveis. Há mentiras justificadas, perdoadas até.
Mas nunca, jamais, se equipararão à verdade.
Viver em verdade será mais difícil, mas sabe incomparavelmente melhor.

* O conceito de "coto" é da responsabilidade do Paulo Moura - e é bem mais eficaz do que o de pernoca curta.

«pensamentos catatónicos (285)» - bagaço amarelo

O capitalismo é a antítese do Amor.
As pessoas casam-se para pagarem a conta da luz, da água e do gás a meias. Dizem que a vida vai mais ou menos quando conseguem manter a prestação do carro e da casa. Sorriem quando lhes é perguntado se têm as contas em dia, abanam os ombros descontentes quando lhes és perguntado se ainda estão apaixonados um pelo outro. Do Amor pode-se abdicar, do pagamento das contas não.
O Amor até é dispensável, a contabilidade é que não. Somos geridos com falta de Amor e é com ele que pagamos a factura dessa asneira. O problema é que é mesmo assim porque escolhemos viver assim.
Os Amantes deixaram de perceber que a forma como decidimos distribuir a riqueza que um país produz é uma concepção. O Amor, pelo contrário, é um impulso natural. Apaixonamo-nos e pronto. Nem sequer sabemos porquê.
Pelo contrário, sabemos muito bem porque é que pagar as contas é difícil. Decidimos que nesta vida é cada um por si e outros que se fodam. A não ser, claro, que o outro esteja casado connosco. Mas aí não é um Amante, é um sócio de capital. Podíamos ter uma lógica em que todos pagavam as contas de todos. Pelo menos aquelas que são essenciais: a da água, a do gás, a da electricidade, a da saúde, a da educação e a da mobilidade. Ficávamos todos com disponibilidade para nos apaixonarmos. Mas não.
Cada um por si significa que ninguém é por ninguém, e que um destes dias ninguém consegue pagar contas. Quando esse dia chegar, também ninguém conseguirá Amar.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
e
Blog «a funda São»

dezembro 08, 2012

A posta que este não é o meu país de origem


Talvez por ter nascido antes do 25 de Abril aprendi a encarar o meu país mais do que como simples local de nascimento mas como uma Pátria. Era essa a educação que nos davam porque era a que melhor servia os propósitos do regime de merda da altura, embora eu tenha aprendido a distinção entre o que implica o amor a uma Pátria e o fanatismo inerente ao nacionalismo exagerado e me acredite capaz de não trair qualquer das minhas convicções por abraçar esse amor que nos incutiam.
Contudo, essa Pátria que amo é uma realidade completamente alheia à que vivo nesta altura enquanto português porque está a ser gerida por gente sem qualquer tipo de semelhança com pessoas que identifico na condição de meus conterrâneos.
E dessa gestão apátrida por gente canalha estão a resultar coisas tão indignas como o absoluto desprezo pela fase terrível que a maioria de nós atravessa.

Tempos atrás tomei a desconfortável decisão de me desfazer de um bem imóvel, tentando remediar o impacto da crise no meu quotidiano, não sem antes me dirigir à repartição de Finanças para me informar acerca das questões fiscais associadas.
Nessa altura referiram-me que dois anos depois seria tributado pela mais-valia. Mas, para minha surpresa, constatei à posteriori que seria no ano seguinte ao da transacção que a martelada me atingiria.
Foi mesmo uma surpresa e virou do avesso todas as contas e expectativas para o ano em causa, a ponto de nem ter conseguido reunir a quantia necessária para liquidar o montante de imposto que me era exigido.
Percorri então o calvário do pedir batatinhas e lá fizeram o obséquio de me permitir a liquidação do imposto surpresa (por erro de informação prestada por um funcionário público) em prestações nada suaves quando somadas a outros compromissos assumidos.

Um Estado canalha, de má fé

Dessa aparente compreensão do Estado perante o mau momento dos cidadãos que o sustentam caiu-me mal a exigência de uma garantia, bancária ou outra, para acautelar a dívida em apreço. Note-se: uma garantia só pode aplicar-se a um bem que a possa salvaguardar e se a pessoa está em aflição por ter vendido esse bem só pode recorrer a duas alternativas: um seguro de caução quase impossível de subscrever ou uma garantia bancária igualmente dispendiosa e naturalmente dependente do estatuto da pessoa em crise junto da instituição. Ou seja, um beco sem saída típico dos presentes envenenados que um Estado de má fé oferece a quem lhe dá os flancos por não optar por uma existência não contribuinte à conta da economia paralela.

Claro que não pude obter a garantia em causa e disso dei conta na mesma repartição de Finanças onde antes me tinham induzido em erro mas que, azar, é a da minha área de residência (Sacavém). Que estava tudo bem, interessa é que nunca falhe com alguma prestação, o único problema da falta de garantia será o de não poder voltar a receber reembolso do IRS enquanto a dívida não estiver liquidada por inteiro. A custo, não falhei uma única prestação até à data mesmo sentindo na pele a ausência do tal reembolso relativo às retenções na fonte das quais não posso e até hoje não quis escapar.
Ou seja, nesta fase já me tinham entalado com uma informação errada que implicava mais um compromisso mensal que só me dificultava a vida num momento particularmente difícil.

Um Estado sem escrúpulos, chantagista

Hoje, para meu espanto, aprendi que vale a pena exigir prestadas por escrito todas as informações prestadas pelos funcionários das Finanças ou gravar as conversas com os mesmos. Aprendi que o Estado é incompetente, é aldrabão e é perigoso quando munido de poderes acima dos que lhe devemos conceder sobre a vida dos cidadãos contribuintes.
Aprendi que esse Estado sem palavra, pelo menos na boca de diversos dos seus funcionários públicos, pode acordar mal disposto e chegar a qualquer conta bancária, individual ou conjunta, e penhorar o que lá houver. E isto com base em alegados avisos prévios que nunca chegam a acontecer: recebi uma carta (que referia ser a terceira) no mesmo dia em que a penhora aconteceu.
Descobri entretanto que, mesmo não falhando com o compromisso assumido de pagamento em prestações, enquanto a situação da penhora se mantiver, enquanto a dívida não for liquidada na totalidade, perderei o direito a qualquer tipo de dedução fiscal.
É essa a chantagem descarada com que o Estado acabou de me confrontar, depois de me induzir em erro com uma falsa compreensão do problema que me permitiu diluir em prestações mensais.

Só me falta perceber se os montantes penhorados de várias contas farão a diferença entre conseguir manter sob controlo os meus vários compromissos mensais ou entrar num incumprimento provocado, nem mais nem menos, pelo Estado que se tornou na maior ameaça à nossa existência social, substituindo-se à banca nesse particular.
Mas já percebi que esta gente que se apoderou do destino da Pátria que amo está a transformá-la numa realidade bem distinta de tudo aquilo que representa o sentir português que, como os hipócritas que elegemos tanto elogiam, é reconhecido como solidário nos momentos de maior aflição.

E por isso mesmo a partir desta data declaro guerra sem quartel, sob todos os meios que a Lei e a Democracia me concedem, aos miseráveis bandalhos que estão a destruir nos princípios mais elementares a alma da minha Nação.

dezembro 07, 2012

Oscar Niemeyer

Nasceu em 15 de Dezembro de 1907. Morreu no dia 05 de Dezembro de 2012.

Passou pelo mundo todo por «retas e curvas entrelaçadas», que foi seu legado.

Um homem só e, no entanto, o  bater de asas da sua vida agitou  esse mundo todo. Um homem só, então, que se fez em multidão.

Não cairei no lugar comum de afirmar que o mundo nos ficou mais pobre, porque, afinal e bem vistas as coisas, ele deixou-nos esse mundo todo muito mais enriquecido!


- Fotografia obtida aqui

Autodefinição

Na folha branca de papel faço o meu risco.
Retas e curvas entrelaçadas.
E prossigo atento e tudo arrisco na procura das formas desejadas.
São templos e palácios soltos pelo ar, pássaros alados, o que você quiser.
Mas se os olhar um pouco devagar, encontrará, em todos,
os encantos da mulher.
Deixo de lado o sonho que sonhava.
A miséria do mundo me revolta.
Quero pouco, muito pouco, quase nada.
A arquitetura que faço não importa.
O que eu quero é a pobreza superada,
a vida mais feliz, a pátria mais amada.

Oscar Niemeyer

Um GPS que nos conduz à desgraça...

Reportagem TVI sobre a extraordinária vigarice da maior rede de colégios privados portuguesa, a GPS  – 25 milhões de euros do Estado, só em 2012:


(Tentem, claro, saltar a publicidade...)

Para divulgar, pois nem toda a gente vê televisão, nem toda a gente vê a TVI. Mas todos devemos saber.

E eu só me pergunto: a «Judite» não pode, como medida de saneamento básico, investigar estes senhores, até expedita averiguação? Então, fazem-se escolas públicas «topo de gama», com equipamentos de primeira água, para estarem a esvaziar-se de alunos, despejados para escolas privadas sem condições e de critérios de funcionamento mais do que duvidosos?  Quer dizer: estouram-se recursos a montante e a jusante do sistema educativo, para alimentar a corja e com contrapartidas, pedagógicas e outras, mais do que discutíveis? Não percebo nada disto...! Ou, melhor: talvez esteja a perceber o inconcebível...

De certeza que não se pode exterminá-los?

dezembro 06, 2012

dezembro 05, 2012

pontifex


@pontifex é o nome da nova conta de Bento XVI na rede social Twitter
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dezembro 01, 2012

Às vezes faz falta



Fala-se do frio. Do Natal. Da crise, na Europa, no país e no sporting. Fala-se de depressão e da falta de dinheiro. Do Renato Seabra e do Mário Soares. Dos números de desemprego. Do feriado. Do Jerónimo. Do passivo da Madeira. Do Ronaldo, fala-se sempre do Ronaldo. Do Benfica. Do Seguro e do assalto ao Estado (social). Fala-se de tanto mas não se faz nada. Eu também não faço. Mas sempre disse e já o escrevi aqui que tenho um desejo enorme de um dia conduzir um tanque. Se eu pudesse, um dia juntava-os todos e passava-lhes por cima, fazia uma sopa, juntava-lhe uns brócolos e alho francês e dava de comer a outros tantos. Estou tão farta deste país…


O Portugal de Sempre

"(...) tinham a obrigação, pela formação que têm, de saber analisar as finanças do país os impostos cobrados e recebidos, as contas do Orçamento, a falta de crédito nacional e internacional, e aí ficariam sem dúvidas nenhumas. É que Portugal está à beira da bancarrota, os impostos subiram astronomicamente, e se é verdade que o novo ministro foi capaz de tornar mais eficaz os aparelhos de Estado e os mecanismos de cobrança, não é menos que quando se aliam mais impostos e mais burocracia à vida de um povo, e simultaneamente a coroa e os governantes parecem menos sérios, a mistura é explosiva. Acabo este ano na certeza de que para Portugal o próximo vai ser difícil."

(Diário de Vitória de Inglaterra, correspondente e amiga da rainha D. Maria II, em 20 de Dezembro de 1845, citada por Isabel Stilwell, em D. Maria II. Tudo Por Um Reino, Lisboa, A Esfera dos Livros, pp. 489-490)
 
 
Há 167 anos como hoje, sem tirar nem pôr.
Não sei se rie pela constância, se rejubile pela experiência (e se ultrapassámos esta e outra crise, ultrapassaremos mais uma), se chore desesperadamente pelos mesmos motivos.

(Nunca fui uma pessimista, mas há realidades incontornáveis e o desgoverno nacional através dos séculos, mesmo em períodos de maior abundância, é uma delas)