maio 31, 2014

«Reflexões em Dó Maior - IX» - António Pimpão

Com o chumbo de ontem do Tribunal Constitucional, que impediu o governo de levar avante a sua intenção de proceder a cortes nos vencimentos dos servidores do estado e de aplicar as outras duas medidas, o mais provável é este, para compensar o aumento de despesas provocado por esta decisão, vá aumentar o IVA, diz-se por aí que em mais 2% (o mais provável é que o aumento venha a ser de 1% e ficarmos todos contentes por não ter chegado aos 2%).
Pelo meu lado, estou tranquilo a esse respeito, pois estou convencido de que – e caso alguém suscite a inconstitucionalidade da lei que vier a decretar o aumento – o TC manterá a sua coerência e chumbará o diploma com a mesma argumentação de ontem, em que fundamentou a sua decisão não tanto na violação de um qualquer princípio constitucional mas no facto de os cortes serem excessivos. Espero que, então, e em coerência, não deixe de considerar como excessivo qualquer aumento de IVA. E, nessa base, chumbar o aumento.
Atrevo-me a perguntar: este desenfreado aumento dos impostos nunca é considerado uma quebra do princípio da confiança? Nem da igualdade? Os contribuintes nunca têm direitos adquiridos?
Da decisão do TC pode-se concluir que o “Court” é contra os cortes! Mas não contra o aumento de impostos.

António Pimpão

Drone da Marinha portuguesa não é missão falhada, diz o Ministro da Defesa (que devia ter ido no drone)

video

maio 30, 2014

«Reflexões em Dó Maior - VIII» - António Pimpão

O Tribunal Constitucional acaba de declarar inconstitucionais as medidas mais emblemáticas com que o último orçamento de estado visava a redução da despesa pública, incidentes sobre gastos com o pessoal.
Não tenho conhecimentos técnicos para comentar o fundamento da decisão. Não obstante, não consigo aderir sem hesitações aos argumentos que foram apresentados, nos quais adivinho alguma errância e incoerência.
Nas explicações dadas pelo presidente do TC não vislumbrei a indicação de normas concretas da Constituição que tenham sido violadas. E, ainda que o tivessem sido, considero que é muito resvaladiço invocar os princípios da confiança ou da solidariedade, uma vez que, por esse lado, é sempre possível apresentar casos em que esses princípios são violados sem que o TC se preocupe. Gostaria de ter sido mais bem esclarecido e ficar convencido.
Em todos os casos desta declaração de inconstitucionalidade foi invocada a violação do princípio da igualdade mas, nas explicações dadas em concreto, o único argumento apresentado foi o de que os cortes previstos eram excessivos. Ou seja, o problema não se porá, então, em o TC querer assegurar uma qualquer forma de igualdade - nunca possível de atingir, uma vez que a igualdade tem inúmeras facetas e patamares - mas no grau e profundidade das reduções. Ora, nestas condições, nunca será possível a um qualquer governo apresentar, com um mínimo de segurança, quaisquer medidas que alterem o status quo, na medida em que não dispõe da balança com que o TC vai, depois, pesar as consequências ou impacto das medidas.
Comparando as medidas que o TC chumbou com aquela que deixou passar, acho, até, que esta última, a que passou, era muito mais violadora de um princípio relevante, o da confiança, do que as primeiras.
A medida em causa era aquela que previa que as empresas públicas deixassem de pagar aos seus ex-trabalhadores que aceitaram reformar-se antecipadamente um complemento de reforma, negociado aquando da sua reforma antecipada. É que a decisão de aceitarem a reforma nessas condições foi tomada tendo em conta que a empresa lhes assegurava um complemento de vencimento que, somado à pensão que iriam receber da Caixa Nacional de Pensões, no caso penalizada por causa da antecipação, lhe asseguraria um vencimento igual ao que auferiam.
Ora, neste caso é que me pareceria inconstitucional a pretensão do governo na medida em que a decisão tomada então pelos trabalhadores aderentes teve em conta este complemento. É muito provável que sem esse complemento não tivessem aceitado a reforma antecipada. E agora já não podem voltar atrás!
Em conclusão: vamos pagar mais 2% de IVA!

António Pimpão

maio 28, 2014

que raio de democracia é esta? (parte II)

Outro aspecto que cai, neste domínio, no abismo abissal da minha ignorância trata-se do voto dos cidadãos portugueses na diáspora – como eu gosto deste termo, que sempre me recorda os diospiros e outros suspiros…

Eu nem faço uma ideia precisa de quantos cidadãos portugueses andarão espalhados por esse mundo, mas serão para cima de um milhão deles. Grande parte dos quais espalhados por países da Europa: Espanha, França, Inglaterra, Luxemburgo, Suíça, Alemanha, Bélgica…, para já nem falar nos States, na Argentina, nos Palopes. Então e para o Parlamento Europeu estes cidadãos não votam?

Para cima de 300.000 emigrados só nos três últimos anos, todos com corpinho para irem à procura do trabalho que cá não têm, e não votam?

Nascidos cá, registados cá, formados cá, revoltados cá… e não votam?

Ou votaram e a malta nem deu por isso? Ou nem é preciso, nem interessante, nem conveniente que votem e o melhor é esquecer a sua existência?

É que eu cheguei a ouvir um «analista», daqueles profundos que por aí abundam, antever que a abstenção iria aumentar porque tantos cidadãos emigraram. Grande lata! Então, emigram e não votam? Porquê?

E, se ao contrário daquilo que a minha ignorância leva a crer, afinal sempre votaram, como é que foi esse voto?

E se não votaram como deviam ter votado, um milhão que sejam, representam uma fatia enorme dos cidadãos eleitores. Ou também já não são cidadãos?

É que eu, quanto mais olho para isto tudo, menos percebo!

maio 27, 2014

que raio de democracia é esta?

Perante a recente votação para o Parlamento Europeu, receio muito não perceber nada de política… e, pelos vistos, desta democracia ainda menos.

Dois terços da população nem vota e mal estrebucha, e tal deve ser considerado, conforme unanimemente reconhecido, como uma postura de protesto. Vejamos, então: dos 9.685.294 potenciais votantes, 6.402.742 – o que perfaz 66,11% – não votaram.

Oito vírgula noventa e oito por cento (8,98%) da rapaziada que sobra – do tal terço votante - vota nos partidos que não elegeram ninguém; vinte e quatro vírgula trinta e sete por cento (24,37%) acorreram, respectivamente, à CDU, ao MPT e ao BE, que sempre elegeram alguma coisa; sete vírgula quarenta e sete por cento (7,47%) são votos nulos ou brancos. Ou seja, tudo gente que está contra o «arco do poder».

Não se cansem, que eu faço as contas: estes três grupos perfazem 40,82%, ou seja, quarenta vírgula oitenta e dois por cento do terço dos efectivos votantes… !

Resumo, concluído dos números acima: neste momento, somos governados por uma coligação de dois partidos que tiveram uma expressão eleitoral, para efeitos de Parlamento Europeu, de 9,39% do total dos cidadãos eleitores portugueses.

Já o PS – que como «grande partido da oposição» que devia ser, mas se esqueceu, entretanto, de praticar… – contabiliza, na mesma ordem de ideias, 10,66% do tal total de cidadãos.

Que o mesmo será dizer que os «partidos do arco do poder» – que é, como todos sabemos, um arco que fica ali para os lados do arco da Rua Augusta, em Lisboa –, somam, entre si, 20,05% do total de cidadãos eleitores deste país. Assim vistos, estes números assumem a dimensão da poesia…

Ou seja, temos uma democracia onde, na melhor das hipóteses e imaginando, até, a coligação surreal proposta pelo nosso distintíssimo e preclaro Presidente da República, actualmente vinte por cento da população exerce um poder absoluto (ou quase) sobre os outros oitenta.

Assim, ou os cidadãos que não votam não têm existência real ou cidadania incorporada e reconhecida ou, a manter-se este despautério, poderemos falar, com propriedade, de que vivemos numa sociedade manifesta e assumidamente autocrática, com laivos ditatoriais ou, até, fascizantes, onde a vontade de uma ténue minoria prevalece sobre o interesse de quase toda uma nação, pelo menos na sua avassaladora maioria.

Pelo caminho não se faz um referendo sobre qualquer das matérias candentes que perturbam o nosso viver e até às próximas quatro ou cinco gerações.

Nem a democracia grega dos bons velhos tempos, que não contabilizava nem os escravos nem largas camadas de «desfavorecidos», atingia tal requinte de abstrusidade.

Só me questiono sobre o seguinte: com a ancestralidade que transportamos às costas, vivemos felizes, contentes e calados com este estado de coisas? Ou seja, não votamos e pronto…!?

maio 25, 2014

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«Reflexões em Dó Maior - VII» - António Pimpão

Nem o Espírito Santo nos salva… e se salva.
É consabido que os bancos, por mais disparates e falcatruas que cometam, estão sempre a salvo de qualquer dissabor, seja financeiro seja reputacional.
Se estiverem financeiramente mal, descapitalizados, o estado põe sempre a mão por baixo e acode-lhes com o dinheiro dos nossos impostos. Se praticarem ações dolosas, o banco e a sua administração safam-se sempre e quem acaba por pagar as culpas são sempre subalternos.
O Banco Espírito Santo é um bom exemplo do que afirmo. Tem praticado toda a sorte de irregularidades e, no entanto, nunca acontece nada, ou seja, paga as multas mas segue em frente:
- nos Estados Unidos foi condenado por lavagem de dinheiro;
- em Espanha, idem;
- no Brasil, também;
- o mesmo em Angola.
- esteve envolvido no caso Portucale, de suborno de políticos para legalização de uma urbanização, com abate de sobreiros, mas apenas os seus gestores e os decisores públicos foram condenados.
- esteve envolvido na compra dos submarinos e no caso das respetivas contrapartidas mas nada se provou por a investigação ter sido feita de forma incompetente, segundo o juiz;
- Ricardo Espírito Santo esqueceu-se de declarar 6 milhões de euros de rendimentos sujeitos a IRS e isso não foi crime fiscal, limitou-se a pagar o correspondente imposto. Assim, vale sempre a pena correr o risco…
- recentemente, em 2012 – e como refere esta notícia –, adulterou a suas contas (melhor, as contas da holding familiar que detém as participações no banco) para camuflar, omitindo-os das contas, empréstimos de 1 200 milhões de euros concedidos a sociedades do grupo em situação económica difícil, isto à custa, e com risco, dos seus clientes, e, de passo, encobrir o facto de os capitais próprios da referida holding terem passado a negativo.
Confesso não entender como foi possível fazer sair o dinheiro do banco sem que, de acordo com a regra contabilística das partidas dobradas, essa saída fosse compensada com um crédito a terceiros. A menos que tenham inventado clientes fictícios para suportar este crédito. Mas, e os auditores não detetaram?!!
Não obstante a fraude envolver empresas do grupo, o seu principal dirigente afirma em entrevista, com uma candura desarmante, que ignorava o assunto e que a culpa foi do contabilista. Que terá sido mais papista do que o papa, pelos vistos. Este – o contabilista, não o papa –acabou por se demitir, imagino que após uma sessão de auto-flagelação e uma opípara indemnização.
Os hebreus, durante as cerimónias do Yon Kippur, ou da Expiação, na antiga Jerusalém, também costumavam apartar um bode do rebanho e enviá-lo para o deserto para ser ele a suportar sozinho a culpa de uma calamidade ou crime de toda a comunidade. É o chamado “bode expiatório”. A história é, pois, já muito antiga. E resulta!
E, no entanto, Ricardo Salgado prossegue incólume e limpo por fora, como se nada de mal tivesse acontecido, sendo olhado como a personalidade mais importante do regime. Foi-o, seguramente, no governo Sócrates e Manuel Pinho.
Assim vai o mundo!...

António Pimpão

maio 22, 2014

«Reflexões em Dó Maior - VI» - António Pimpão

Esta notícia do Público merece uma reflexão séria.
Enquanto o governo vai apregoando aos quatro ventos a melhoria da economia nacional, como se isso fosse obra sua, baseado no afinal inconsistente aumento das exportações, a situação do país degrada-se a olhos vistos, mais parecendo um barco sem rumo e a caminho de se afundar. Com efeito:
- de janeiro a março de 2014 a dívida pública aumentou 7 mil milhões de euros (!!!!), tendo passado, em apenas 3 meses, de 129 para 132% do PIB. E esta situação de agravamento incomportável da dívida vai persistir enquanto o orçamento do estado for deficitário, que é o que está previsto para os próximos anos;
- de janeiro a abril a despesa da administração central cresceu 3,5%, contra uma redução de 0,9% prevista no orçamento para 2014.
- este aumento da despesa pública deu-se a par da diminuição em mais de 4% dos gastos com o pessoal;
- as aquisições de bens e serviços aumentaram quase 2%, enquanto que, para o mesmo período, o orçamento previa uma redução de 9,1%;
- em contrapartida, o orçamento do estado para 2014 previa um aumento dos impostos de 2,71%; na realidade, estes aumentaram 4,3%.
- está em vigor uma Lei dos Compromissos nos termos da qual nenhum dirigente/decisor público pode autorizar uma despesa sem a mesma ter o devido cabimento. Se a lei estivesse a ser aplicada, não seria possível a derrapagem que se verificou nas despesas com a aquisição de bens e serviços. Esta lei não está a ser cumprida e ninguém é punido por isso nem ninguém quer saber do assunto. As leis responsabilizadoras e sancionatórias apenas se aplicam aos cidadãos comuns, nunca aos políticos.
- enquanto as famílias viram significativamente reduzidos os seus rendimentos e nível de despesa, a partir de 2011; enquanto as empresas sofreram uma quebra muito importante da sua atividade, à custa do encerramento de algumas e da redução da produção (e das despesas) das outras; enquanto tudo isso se passava, o estado não só não reduziu as suas despesas como, pelo contrário, as tem vindo sistematicamente a aumentar, sem qualquer controlo nem pudor.
Isto revolta!!!

António Pimpão

maio 21, 2014

«Hora de Verão o ano todo?! Nem pensar!» - uma opinião fundamentada

A propósito deste post, um leitor deixou o seguinte comentário:

"Hora de Verão o ano todo?! Nem pensar! Hora de Inverno o ano todo, isso sim! E mesmo assim, ainda estaríamos 30 minutos adiantados em relação à hora do meridiano central de Portugal (7ºW30').
Até 31-12-1911 a hora legal de Portugal Continental era a hora local de Lisboa (TMG-0h36m44,68s), a mais próxima da hora solar. A partir de 01-01-1912 passou a ser a hora do meridiano de Greenwich, ou Tempo Médio de Greenwich (TMG, actualmente designado por Tempo Universal Coordenado, ou TUC), correspondente à actual "hora de Inverno", ou seja, uma hora adiantada 0h36m44,68s (37 minutos, arredondando a coisa) em relação à hora local de Lisboa. Portugal Continental geograficamente está situado no fuso TMG-1 (como se pode ver neste mapa) e no entanto, por uma decisão puramente política adoptou-se como hora legal a hora correspondente ao fuso TMG, do final de Outubro ao final de Março (1 hora a mais do que o devido) e a hora correspondente ao fuso TMG+1 do final de Março ao final de Outubro (ou seja mais duas horas do que o devido!). Seria boa altura que Portugal Continental adoptasse a hora legal coincidente com o fuso horário em que se encontra, TMG-1, bem assim como a Madeira que se encontra nesse mesmo fuso, e que os Açores adoptassem a hora TMG-2 do fuso onde se encontram."
Joca

Esta situação não põe de forma alguma em causa o que eu desde sempre defendo: que acabem com a mudança de hora duas vezes por ano. Se é fixada pela hora de Inverno, pela hora de Verão, pela hora local de Lisboa ou outra, isso já me é indiferente e deixo isso ao critério de quem esteja mais avalizado, como pelos vistos é o caso do Joca.

alguns presidentes...

 nem no banco de suplentes
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O altruísmo, a especulação e a economia numa frase de Matthieu Ricard


"Se tivermos mais consideração pelos outros não vamos entrar em especulações selvagens, desbaratando as economias daqueles que depositaram a sua confiança em nós"

Matthieu Ricard
Monge budista francês
(excerto de uma entrevista à revista Visão de 1/5/2014)

Página pessoal
Artigo e video do Expresso: O monge Matthieu Ricard e a arte de ser feliz

maio 20, 2014

"Tenho 58 anos mas, em tempo perdido, devo ter praí uns 25..." - Miguel Esteves Cardoso



"Era tão bom se a pessoa pudesse editar a vida! Dizer assim: esta pessoa tscc tscc [gesto de tesoura], esta viagem tscc tscc. Poder ganhar três anos perdidos, ou os minutos gastos a ler livros que eram uma merda, ou a falar de pessoas que não interessam e que não estão interessadas em nós. Tenho 58 anos mas, em tempo perdido, devo ter praí uns 25..."

Miguel Esteves Cardoso
(excerto de entrevista à revista Visão de 1/5/2014)

maio 17, 2014

O "AJUSTAMENTO" funcionou!!! Cada Português deve agora mais de 21.000€. Um êxito portanto....

" se se perderam empregos, é porque havia empregos a mais,".(SIC Notícias, 16/05/2014)
Nunca gostei da pessoa.
Não é por nada de especial, mas as pessoas que vendem certezas absolutas, deixam-me sempre de pé atrás.
Uma questão de feitio: só sei que nada sei, e quanto mais sei, mais sei que mais há para saber.
Por isso, por gostar de História, da grande e das pequenas, gosto de comparar as pessoas pelo que elas são agora versus o que foram. Muitas vezes -e isso é bom-, as pessoas ficam melhores, aprendem com a vida, aumentam horizontes, e ao ver mais sabem dizer aos outros que os ouvem o alcance da sua visão.
Outros, que passam a vida a dizer que o sol é quadrado, e explicam à saciedade, com a lógica da sua razão e  artes de retórica, a bondade e precisão da sua análise, não aprendem rigorosamente nada.
Curiosamente, quando após uma manhã de nevoeiro o sol desponta com a sua redondez ingénua, ei-los a agitar diante dos olhos dos interlocutores, a caixa quadrada e perfeita dos seus argumentos que colocados diante do astro demonstra como ali não cabe o "Pi", que o corpo luminoso tem tanto de largura como de altura, que os lados são iguais, que o perímetro é L x 4, a sua área é LxL, e que ainda, os diversos triângulos  em que podemos dividir a figura, tem em si a génese da trigonometria, catetos e hipotenusas, senos e cosenos.

É assim este José Gomes Ferreira.
Perante a desgraça deste "ajustamento" , com a falência,  o desemprego, a emigração, o aumento da dívida que em Março de 2014 era de 212.323.491.343€ (21.323€ por cada Português, contra 18.430€ em 2011)*  o figurão saiu-se com a tirada de que " se se perderam empregos, é porque havia empregos a mais, a economia estava acima  das suas possibilidades reais".   O mesmo para os restaurantes e demais empresas. Ou seja, O ajustamento funcionou, e agora é que estamos bem!!!!
Fantástico!!! Devemos agora mais e não temos nada e assim é que a coisa está bem....

Este JGF que esteve sempre alinhado com esta estratégia, um fiasco completo,  agora que se acabou o dinheiro da Troika o qual em vez de servir para criar riqueza para abater dívida, serviu como ferramenta para a chantagem humilhante que levou às falências e ao assalto "privatizador" das nossas melhores empresas, não teve outra tirada senão a de que havia empregos a mais.
Sou no limite a concordar com ele: há de facto empregos a mais, a começar pelo dele.
Não há pachorra....
 * dados do Banco de Portugal

maio 16, 2014

«Reflexões em Dó Maior - V» - António Pimpão

A reflexão de hoje tem a ver, novamente, com as opiniões dos comentadores desportivos. Falam de tudo com uma pesporrência e uma certeza que nos fazem crer que os presidentes dos clubes fariam melhor, porque mais barato e melhor servidos, se substituíssem o treinador por estes comentadores. Mas um de cada vez: todos juntos também não se entenderiam!
Há dois temas em particular que me fazem eriçar os pelos dos braços: um é quando defendem que o treinador deveria fazer alinhar o jogador A ou B. No caso do Benfica, por exemplo, acham que deveriam jogar o Enzo Peres, o Fejsa, o Ruben Amorim e o André Gomes, o Sálvio e o Markovic, o Lima, o Rodrigo e o Cardoso, ou seja, a concretização destes pareceres só seria alcançável se a equipa jogasse com 20 jogadores, o que, tanto quanto sei, ainda não é possível.
O outro tema recorrente tem a ver com as contratações de jogadores e os resultados alcançados pelos clubes. Ainda pegando no exemplo do Benfica – mas, não há muito, diziam o mesmo do FC Porto – defendem que a gestão é incorreta pois se há uma ou outra venda bem sucedida, há muitos jogadores contratados que não se valorizam. E pegam no exemplo da última época em que o Benfica encaixou 25 milhões com a venda de Matic e gastou 36 milhões com diversas contratações. Na sua douta opinião, o Benfica perdeu 11 milhões.
Ignoram, por um lado, que, como qualquer negócio, o futebol é uma atividade de risco, ganhando-se nuns casos e perdendo-se noutros, sendo relevante apenas o resultado global; por outro lado, ignoram que as contas não podem ser feitas desta forma. Um resultado não se apura comparando as receitas do período com as despesas desse período, uma vez que estas despesas poderão ocasionar receita em períodos seguintes (da mesma forma que a receita do ano pode ter tido origem numa despesa de anos anteriores).
O apuramento do resultado só pode ser feito elemento a elemento, comparando a receita apurada na sua venda com o SEU custo de entrada (sem esquecer as comissões pagas aos agentes). É claro que alguns jogadores são um fiasco. Neste caso também se faz a mesma comparação, com a diferença de que o resultado será negativo. O resultado global corresponderá, assim, ao somatório dos resultados parciais e, nunca, à comparação entre as receitas e as despesas da época.
Nesta análise não se está a valorizar o contributo dos jogadores para o desempenho da equipa nem, por outro lado, os salários que auferem ao longo do ano.

António Pimpão

Cavaco em campanha


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maio 12, 2014

Seres

Por vezes surgem-me frases soltas e penso que dariam um bom mote para um texto. Se não as aponto, varrem-se do meu pensamento tão depressa como apareceram e depois não há forma de as encontrar. Mas há uma que por mais voltas que dê não me esqueço dela: “esta terra não é para mim”. Esta frase nem sempre vem associada à minha cidade. São tantos os cenários em que a enquadro que até chateia.

Esta terra não é para mim

As pessoas. Estou tão farta das pessoas. As pessoas. Aqueles seres robóticos que andam e falam e fazem xixi e comem mas que tão raramente pensam.
As pessoas. Aquelas coisas que têm alguns membros como pernas e braços mas que tantas vezes se orientam, pensam e vivem exclusivamente através de outro membro.
As pessoas. Aqueles seres que na origem são assexuados mas que insistem em colocar rótulos e etiquetas em tudo o que vêm à frente.
As pessoas. Aquelas coisas que nascem todos iguais e de igual forma e são feitos através do mesmo processo mas que insistem que são diferentes pelos valores que possuem demonstrando que são escassos dos valores que importam.
As pessoas. Aqueles seres vivos que não respeitam os outros seres vivos porque consideram que têm um peso maior no planeta.
As pessoas. Aquelas coisas que só sabem ocupar espaço.
As pessoas. Aquelas coisas que não sabem o que é respeito.
Estou tão farta das pessoas.
Nota-se muito?
(É uma pergunta retórica)

maio 11, 2014

«Reflexões em Dó Maior - IV» - António Pimpão

Na Idade Média, e com maior incidência na sua parte final, a Igreja criou uma forma engenhosa de angariar dinheiro para as suas obras ou para cobrir as suas dívidas: vendendo bulas, ou indulgências. Padres e frades serviam de angariadores: metiam medo aos cristãos, aterrorizando-os com as agruras das penas do inferno, para eles e seus familiares, vivos ou já mortos, penas que poderiam ser aliviadas ou suspensas através da compra de bulas, que custavam bom dinheiro. Também se vendiam bulas para se dispensar do jejum e da abstinência de carne na Quaresma.
Também neste particular a Igreja mostrou ser inventiva.
Hoje em dia esta caraterística deixou de ser exclusiva da Igreja, tendo-se laicizado.
Nos nossos dias passou a ser governo a criar e vender as bulas. Fê-lo quando, no governo Sócrates, criou os famosos projetos PIN (Projetos de Potencial Interesse Nacional), em que se davam todas as facilidades a quem investisse em empreendimentos turísticos, em que não eram respeitadas as regras comuns; fê-lo quando, há 2 anos, permitiu a repatriação das fortunas que os ricos tinham evadido, pondo-as a salvo em off-shores, mediante o pagamento do ridículo imposto extraordinário de 5% dessas quantias (com isso, o dinheiro sujo ficou completamente lavadinho); fá-lo presentemente, ao atribuir o visto dourado (“golden visa”) a qualquer estrangeiro endinheirado que se disponha a investir em Portugal mais de 500 mil euros na compra de um imóvel, bastando-lhe estar pelo menos 7 dias por ano em Portugal. O visto de residência dourado permite aos seus titulares o fácil acesso ao mercado europeu, onde depois vão investir a sério e, até, adquirir a nacionalidade portuguesa.
Já aderiram a esta facilidade mais de 500 investidores, dos quais 79% são chineses e 6% russos, ou seja, quase exclusivamente cidadãos de regimes comunistas.
Creio que qualquer jogador de futebol que compre um prédio nas referidas condições passa imediatamente a ter visto português, sem ter que esperar os 6 anos a que até há pouco estava obrigado.
Como é evidente, este tipo de investimento não gera qualquer riqueza nem cria qualquer posto de trabalho, uma vez que incide sobre bens pré-existentes e não produtores de riqueza.
Quem ganha com o esquema? Os ricos proprietários de casas apalaçadas e as agências imobiliárias, claro!
Faz falta um novo Martin Lutero!

António Pimpão

maio 09, 2014

painel turístico

Lisboa já nos tinha presenteado com a cabine telefónica transformada em mini-biblioteca
Ponte de Lima apresenta agora o primeiro painel turístico transformado em cine-porno

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«Reflexões em Dó Maior - III» - António Pimpão

De D. Afonso Henriques, o nosso amado e primeiro rei, de todos o mais longevo e valente, dizia cruamente Oliveira Martins, na sua História de Portugal:
D. Afonso Henriques “era audaz, temerário até, pessoalmente bravo, qualidades nem tão comuns no tempo, como a muitos acaso pareça […], mas era seco, astuto, friamente ambicioso, sem quimeras nem ilusões. Submisso e humilde quando se achava vencido, subscrevia todas as condições, aceitava todas as durezas; para logo mentir a todas as promessas, rasgar todos os tratados, com uma franqueza ingénua, uma simplicidade natural, que chegavam a espantar a própria Idade Média.”
Afinal, nem sequer o rei tinha palavra de rei! Com tais fundamentos, não é de admirar que os nossos atuais governantes façam o mesmo, que mintam sobre todas as promessas, pois “a fama do Constantino já vem de longe”. A fama e o proveito.
Porém, a situação é muito grave: perante tanta trapaça, quem mais pode acreditar no que diz um político nas campanhas eleitorais e na hora da governação ou da oposição? E como se pode decidir em consciência, e com fundamento, e votar em conformidade, se o que eles dizem num dia é o oposto do que farão no seguinte? Como se pode eleger o melhor, o mais íntegro? E já não falo da ideia que pretendem transmitir-nos de que agem e se sacrificam para o bem do povo.
Sabendo-nos intrujados, são legítimas todas as dúvidas que nos assaltam.
Como se pode transmitir princípios éticos aos filhos e netos, se os mandantes do país não os têm, nem palavra, se são uns mentirosos, se não são exemplo para ninguém?!
A etiqueta de mentiroso ficou indelevelmente colada a Sócrates (o nosso), mas alguém está em condições de afirmar que o atual PM e vice-PM são melhores, neste particular? Assim, onde iremos parar? Só nos resta encolher os ombros?! Ou esperar por D. Sebastião?!
Afirma J. Rentes de Carvalho (Portugal, A Flor e a Foice): “ Olhando para trás, ao longo de oitocentos anos, há aqui e ali um estadista íntegro, outro que é sábio e avisado, um jurista capaz e justo. Houve políticos de valor, homens de vistas largas e generosas. Alguns vice-reis voltaram da Índia mais pobres do que para lá tinham ido. Raras exceções. Mas nenhum dos seus atos justificavam a profusão de estátuas, nem as comemorações, nem os discursos bombásticos de ontem, de hoje ou amanhã. Nos oitocentos anos, mais que as virtudes isoladas ou as benfeitorias de um ou outro governante, avultam os crimes contra o povo”.
Mais palavras, para quê?!"

António Pimpão

maio 08, 2014

caixas negras

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Aos filhos da puta» - Carlos Mendes (letra de

"E aqui vai uma canção de alto nível literário e conteúdo político, que tive oportunidade de ouvir e ajudar a entoar ao vivo ontem, no “Buedalouco”, bar na Rua do Norte pertencente ao Carlos Mendes…"
EM

Música Carlos Mendes
Letra Arthur Santos

maio 07, 2014

«Reflexões em Dó Maior - II» - António Pimpão

Cientistas indianos que analisaram as nossas transmissões televisivas concluíram que a saúde mental dos portugueses está a ser preocupantemente afetada pelo acompanhamento dos comentários sobre futebol que aos domingos, segundas e dias de competições europeias pululam em todos os 87 canais televisivos mais frequentados.
Além de problemas de saúde mental, alertam, tais programas poderão desencadear ou agravar afeções daltónicas, tal é a fixação que cada comentador tem por uma só cor, com exclusão das restantes.
Em contrapartida, os comentadores revelam boa memória, pois se recordam de, e invocam até à exaustão, todas as situações em que o seu clube foi prejudicado pelo árbitro, nos últimos cem anos.
Ali assistimos – os que assistem – a discussões boçais, desinteressantes e intermináveis, com a agravante de há largos anos serem sempre as mesmas caras a massacrar-nos. Ressalva-se, até certo ponto, em minha opinião, os comentários da RTP1, com os residentes António Oliveira, António Simões e Manuel Fernandes, cujo clubismo é menos acintoso, onde há alguma reflexão e onde o próprio Tempo Extra, com menos corda, menos espaço e melhores gravatas, não chateia.

António Pimpão

maio 06, 2014

saída limpa...

depois de uma entrada suja.
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«O que é feito da "alínea j" do ponto 2 do Programa do MFA?»

Boa pergunta feita pela AJA (Associação José Afonso) - Núcleo da Região de Aveiro!

O programa do Movimento das Forças Armadas tinha nas suas medidas imediatas um ponto 2 com o que a Junta de Salvação Nacional propunha decretar, entre outras alíneas, a j):

"Medidas que conduzam ao combate eficaz contra a corrupção e a especulação"




«Dívida Pública Europeia - O grande truque!»

"Dívida Pública - David Copperfield não faria melhor! Neste vídeo com pouco mais de três minutos, temos a explicação de uma forma simples, que até uma criança consegue entender! Não são necessários grandes debates com economistas e políticos com palavras caras sobre esta matéria! Infelizmente ainda existe muita gente que anda alienada a falar de políticos, partidos e eleições, que não consegue ver um boi a dois palmos do nariz! Ainda acreditam que os coelhinhos e as pombitas habitam na cartola do mágico!"

maio 02, 2014

«Reflexões em Dó Maior» - António Pimpão

O governo acaba de anunciar que vai aumentar o IVA em 0,2% e a TSU dos trabalhadores em 0,25%.
Já nem vale a pena perder tempo a invocar que ainda há poucos dias vários ministros nos diziam que não iria haver mais aumentos de impostos. Aos governantes, aos políticos, já os conhecemos de ginjeira, já sabemos que são pessoas sem palavra!...
Desta vez, o governo argumenta, em sua defesa, através do PM e do vice-PM, que não há aqui qualquer aumento de impostos atendendo a que a receita resultante não vai para o Estado, antes se destinando ao pagamento das pensões dos reformados. Como se as pensões não estivessem a ser pagas com os impostos dos trabalhadores e das empresas!...
Lamento, mas é um argumento que só pode ser invocado se o governo nos tomar por parvos e ignorantes, ou se nós o estivermos a ser.
Com efeito, não colhe dizer que não há aumento de impostos quando a correspondente receita tem uma finalidade específica. Isso seria o equivalente a dizer que não se pode falar em aumento de impostos quando são agravados e a sua receita se destina a pagar as PPP ou a pagar juros da dívida ou a cobrir o deficit das empresas públicas, etc, etc. Há aumento de impostos sempre que as pessoas passam a pagar mais imposto, como é o caso.
Uma questão diferente e que merece análise é se se justificava que houvesse um aumento de impostos para garantir a sustentabilidade das pensões. Em minha opinião, isso não se justifica.
Estando as pensões a ser pagas com a receita obtida em cada ano das contribuições diretas e indiretas dos trabalhadores ativos e sendo esta contribuição insuficiente, então seriam as pensões que deveriam baixar. De outra forma, está-se a sobrecarregar ainda mais os atuais trabalhadores no ativo, para sustentar as pensões em pagamento, sem que se possa garantir a sustentabilidade das pensões que irão receber quando mais tarde se reformarem.
Bem sei que esta questão das pensões é delicada, que a sua fixação criou legítimas espectativas aos reformados, mas há que, de uma vez por todas, encarar a questão de frente e com realismo: as atuais pensões foram estabelecidas quando a economia estava em permanente crescimento, quando a esperança de vida era baixa, quando os rendimentos eram mais elevados e quando havia mais pessoas a contribuir para a segurança social (e caixa geral de aposentações) do que a beneficiar de pensão. Tendo-se tudo isto alterado profundamente, sempre no mesmo sentido negativo, não é realista continuar a invocar os direitos adquiridos e as espectativas criadas. É claro que já há muito se deveria ter mexido no sistema, se deveria ter corrigido a trajetória, mas os políticos são vendedores de ilusões, pessoas sem realismo, sem conhecimentos e sem coragem. Tenho dito!

António Pimpão

1 Maio

será que alguém ontem passou por uma destas situações...
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