março 31, 2011

O meu reino por um joelho ou da felicidade em saquetas de pó solúvel.

Atenção: na crónica que remeto de seguida, relativamente ao declarado, não admito contraditório. Esclarecimentos, sim. Se alguém o tiver, em abordagem credível, que me esclareça e eu agradecerei. Mas – e sublinho – contraditório não admito! Sim, que a perna é minha e diz-se que de mim sei eu…
Ah, e a publicidade inclusa é pro bono.
Posto isto, então, é assim: de há cerca de três anos a esta parte foi-me diagnosticado um desgaste apreciável na cartilagem da articulação do joelho direito que tem, como efeitos óbvios directos, um forte e permanente inchaço, dores significativas e progressiva dificuldade de locomoção.
Nada de raro ou de extraordinário. Sinais da idade, muita moto e dos desgastes que lhe estão associados, mesmo sem acidentes. Consultas médicas, para diagnóstico, consultas, ainda, a especialistas para apuramento e confirmação resultaram em: terapêutica recomendada - Glucosamina, medicamento comparticipado pelo SNS, em saquetas, pó solúvel, ingestão do conteúdo diário de uma saqueta… e, olhe, vá-se aguentando.
Quanto ao mais, avaliar, a par e passo, a evolução da situação até à perspectiva da intervenção cirúrgica, a definir por mim, em função da perda de qualidade de vida.
Tudo bem. Ninguém vai para novo. Era melhor que não acontecesse mas… é a vida.
Três anos a ingerir religiosamente a Glucosamina (nome de medicamento) solúvel e sem qualquer resultado aparente. O joelho um trambolho, quer quanto ao inchaço quer quanto à penosidade do dia-a-dia… E o medicamento a ser consumido, com os encargos inerentes para o SNS e para mim, pelas respectivas consultas médicas e taxas moderadoras, à ilharga.
Um dia, numa conversa informal com um Médico, ele diz-me: «- Há-de experimentar o Optimus. É idêntico à Glucosamina (medicamento), mas tem umas outras coisas que potenciam a acção do sulfato de glucosamina (princípio activo), o que faz com que, em muitos casos clínicos, seja mais eficaz … Só que não é comparticipado pelo SNS…».
Ora, como o meu joelho também não é comparticipado e vai havendo algum dinheiro para gastos e, ainda, porque prezo muito a qualidade de vida – e, aí, em primeira instância a minha, sempre que posso e me deixam ­–, aliado isso ao facto de a incomodidade já ser mais do que muita, o que apontaria para uma intervenção cirúrgica muito mais cedo do que eu preveria, fui dar um passeio até uma farmácia, à cata do tal Optimus.   
Isto ocorreu em 16 de Agosto de 2010. Em quinze dias – e juro pelas alminhas todas, de sobrevivos e de finados, que esta é a mais pura das verdades – o inchaço desapareceu completamente e, com ele, as dores, e quanto às funcionalidades do meu joelho, cerca de um escasso mês depois, não tendo regressado à traquinice dos quinze anos, mostra-se capaz de me levar ainda muito longe, escada acima, escada abaixo. E, até hoje, momento em que vos escrevo esta croniqueta, assim vou estando, cheio de contentamento.
Ora aí está, finalmente, uma história com final feliz! E, numa de serviço público, quem tiver problemas de cartilagens, pergunte ao seu médico se não será de experimentar.
Só não consigo compreender é uma coisa: porque é que sendo o Optimus tão mais eficaz que a tal Glucosamina – como tive, entretanto, bastas outras comprovações – esta é comparticipado pelo SNS e aquele não…
Um medicamento e o outro têm exactamente 1.500 mg de sulfato de glucosamina e a recomendação de ingestão diária é a mesma.
Será que o SNS, sado-masoquisticamente, pretende promover as intervenções cirúrgicas – caras que avonde de per si e mais caras ainda ao país pelo tempo activo que nos consomem – por algum desidério inconfessável? Ou só está, dissimuladamente, a promover um negócio? Ou só estarão, por lá, distraídos?
Pronto. Agora, enquanto eu dou à perna, já podem contraditar à vontade… 

Quem quer ser milionário/a? É agora, malta!

Finalmente está a chegar a crise a sério, com os cámónes invejosos das agências de rating a cortarem no que podem (sim, isto tá tudo ligado), despeitados, e os políticos portugueses demasiado distraídos com o apuramento de culpas e de responsabilidades para acordarem a tempo de evitar o pior.

O pior? Isso pensam eles, os pessimistas.

Perguntem a qualquer excêntrico que nunca tenha precisado de apostar no Euromilhões para garantir o estatuto se a sua fortuna nasceu no meio de um clima de prosperidade.

Dizem-vos de imediato que não, que se fartaram de penar em pequeninos, uma crise do caneco, mas acabaram por subir a pulso e hoje olham para a crise com enorme indiferença porque só lhes toca de raspão em meia dúzia de investimentos na Pampilhosa ou nas Berlengas cujas perdas recuperam pelo retorno das Ilhas Caimão.

É verdade, a crise, esse papão que deixa petrificada a maioria de nós perante o susto de um saldo de conta insuficiente para a prestação do carro e logo a seguir a da casa, para não falar dos que nem têm onde ir buscar o suficiente para a conta da mercearia, constitui um mar, um tsunami de oportunidades para os/as mais atentos/as.

No fundo, é só assumir uma postura de contra-ciclo, remando contra a maré que arrasta em sentido oposto os destroços dos náufragos que basta a pessoa ir recolhendo a custo reduzido, quase de borla, para depois atacar a retoma com as mais-valias dessas compras em saldo.

Claro que nesta altura dirão: “e com que instrumento (dinheiro) vamos nós recolher esses dividendos potenciais da desgraça dos outros hoje que nos irá enriquecer amanhã?”.

Ora, isso é uma argumentação pela negativa (pela interrogativa, vá…) daquelas que o nosso actual Governo tem desmentido com veemência e ninguém acredita.

Está tudo sob controlo, não há nadinha, e se acabarem por nos baixar a cotação até ao nível do lixo é só arregaçarmos as mangas e decidirmos se optamos pela co-incineração ou pela reciclagem da coisa e mostrarmos aos lá de fora que nos andam a dar cabo do canastro com quantos paus se faz uma canoa!

Perguntarão vocês nesta altura: “uma canoa? Mas isso não implica o risco de naufrágio de que falávamos mais acima, acabando por nos tornarmos nos destroços que outros recolherão?”

E lá estão vocês a pensarem o pior. Nós vivemos num país de vanguarda, a caminho da auto-suficiência energética, com o melhor treinador do mundo, o melhor futebolista do mundo, o melhor arquitecto do mundo e até podíamos ter o melhor engenheiro do mundo se uns malandros não tivessem levantado suspeitas que nos fizeram ver mais esse título por um canudo. E só em unidades do Magalhães para guisar temos o suficiente para ninguém passar fome (convém acompanhar com umas batatinhas ou assim) durante uns meses!

Pensamento positivo, malta! Já cá andamos há oito séculos a sacar o guito aos outros para o esturricarmos depois numa orgia consumista, onde é que está a novidade?

Ainda vamos agradecer um dia à oposição esta crise política que nos empurra para o fundo e obriga os outros a intervirem com o seu pilim que o tio Sócrates, esperto o gajo, desdenha para eles quererem comprar. Depois é só arranjarmos maneira de os endrominarmos, fazendo como com o dinheiro da CEE, dando-lhe sumiço em bens de primeira necessidade como carros de luxo e assim, e a vida continua!

Claro que no meio disto tudo vai haver uns quantos chorões a carpirem os empregos que perderam ou as reformas que encolheram.

Mas é aí que entram os gajos que aproveitam para despacharem à grande o stock de lenços em armazém…


O Passos baralhou-me e ainda a procissão vai no adro

Quando o Dr. Pedro Passos Coelho escreve um artigo de opinião num dos maiores meios de comunicação social, a nível planetário, o Wall Street Journal, e faz saber à comunidade internacional (pelo menos àquela que sabe que Portugal é um país soberano, com governo próprio [na maioria das vezes]) que o maior partido da oposição rejeitou o PEC IV e as suas medidas de austeridade "não por irem longe de mais, mas porque não iam suficientemente longe", fico com sérias inquietações, a saber:
a) terá o senhor querido animar as hostes e arrancar gargalhadas de estômagos já poucos dados ao riso?
b) pensará que o português médio é tão estúpido, mas tão soco, que nunca lerá o que escreve um fulano que, em termos institucionais, ainda é muito pouca coisa, ainda por cima em estrangeiro?
c) será que o líder da oposição quer, um dia, ser escritor, porque já viu que isto da política é uma maçada e resolveu enveredar pela lírica, a ver como se saía nas figuras de estilo?
d) possuirá Passos Coelho uma secreta, doentia e irreprimível admiração pelo Eng.º José Sócrates e, pensando-o aniquilado, resolveu tomar-lhe a personalidade, começando desde logo pelo tão nosso conhecido jogo do eu-não-disse-o-que-vossas-mercês-julgais-que-eu-disse-mas-justamente-o-contrário-e-eu-é-que-sei-que-o-emissor-fui-eu-e-bosselências-desconheceis-a intenção-por-detrás-da-palavra?

Estou baralhada e a Assembleia da República ainda nem sequer foi dissolvida.

março 30, 2011

Espremam bem e encontram algumas críticas pertinentes

"Alex Jones explica como os banqueiros e os globalistas controlam a implosão da economia mundial rumo à escravização global"



Charlie disse:
"Já tinha conhecimento desta peça, empolgada quanto baste, mas toda ela a expressão da verdadinha pura do que se passa.
E a propósito deste recente corte pelas agências de rating à nossa economia, sou a dizer que a União Europeia é neste momento tudo menos união. Para começar, quem são esses cavalheiros das agências e em que se baseiam para fazer de Marcelos Rebelos de Sousa para dar pontos por aí?
Não seria altura de haver uma agência de rating para os classificar? E a tal porra da UE, serve afinal para quê? Em vez da união se fechar de lança em riste contra essa canalha vampiresca e tratar dentro do escudo da união dos problemas internos, o que se vê? Uns quantos Países, cada um por seu lado a ser mordido pelos lobos enquanto o rebanho bale lá mais adiante e enche a pança cuidando que a entretenga dos lobos com os outros nunca chegará à sua vez.
É que a estratégia é tão evidente, que roça a ingenuidade. Eles vão conseguir dar cabo do €uro, pois o €uro só tem valor efectivo se representar a solidez económica do grupo de países, suporte da moeda. E o conceito dum espaço sem fronteiras criado pela união deveria se-lo em TODOS os sentidos. Sem fronteiras para exercer o comércio e circulação de capitais, questões de segurança etc, mas principalmente para fazer deste espaço um único corpo aquando de ataques a um dos membros.
O que se passa neste momento, é a expressão da mais profunda cobardia e egoísmo e de tal gravidade que põe em risco todo o projecto europeu que durante seis décadas cresceu a partir dum sonho nascido dos escombros desta velha fenix que é a Europa. Seria importante uma actuação concertada de todos os países, como um bloco único. Em primeiro lugar, não dar qualquer crédito às agências, pois elas não o tem de facto: quem classifica com pontuação máxima uma empresa que no dia seguinte abre falência merece tanta confiança no tocante a palpites, como eu a dar as chaves do euromilhões nas vesperas da sua extracção. A segunda medida seria cair na real quanto ao real valor do €uro. A injecção de capital em países pequenos como Portugal, a juros baixos acompanhado das pertinentes receitas para abrandar alguma efervescências e excessos, daria o sinal aos tais mercados de que a União não precisa dos seus favores de agiotas. A inflação inicial seria recuperada mais tarde pelo fortalecimento da imagem da moeda, expressão duma coesão dum espaço económico comum.
Mas isto sou eu a falar, e ninguém nos ouve,..."

março 29, 2011

Dos políticos que (não) o são.

A propósito deste post, que também publiquei aqui, gerou-se uma troca de ideias sobre o conceito de político. O Charlie afirma que Miguel Portas não é um político. O OrCa, que um político é um político e que não deixa de o ser por ser honesto, como parece ser o caso.
Analisemos a questão: no dicionário online Priberam, e enquanto substantivo masculino, político é "Aquele que se entrega à política. Estadista", sendo que a política é descrita como sendo a "Ciência do governo das nações. Arte de regular as relações de um Estado com os outros Estados. Sistema particular de um governo." Ora, se assim é, não há dúvida de que Miguel Portas é um político, sim senhores. E dos bons, na minha pouco humilde opinião. O facto de, no sentido figurado e enquanto adjectivo masculino, se descrever "político" como "finório, astuto", deriva muito mais do que os seres humanos foram fazendo do nobre exercício da política do que do conceito em si.
E a questão inevitável é se poderemos, com o Charlie, resgatar do âmbito do conceito aqueles que cremos honestos, porque a maioria não o é, ou se, como advoga o OrCa, fazer o contrário: afastar os que privilegiam os favores, o chico-espertismo e os boys (and girls, já agora!), por manifesta incompetência.
Creio que todos estarão com o OrCa por princípio mas acabarão por ir ao encontro das palavras do Charlie por manifesta necessidade. Eu, na utopia dos meus... 37 anos (????? Tinham-me prometido que me deixaria disto lá pelos 30, tinham-me vaticinado um resto de existência entregue ao comodismo e não vejo jeitos...), estou com o OrCa, sem deixar de compreender o sentido do que o Charlie diz.

E se me lembrei disto agora e senti necessidade de o deixar escrito foi porque vi (mais uma lacuna cinematográfica colmatada!) Invictus, de Clint Eastwood, esta noite, e relembrei um outro político que devolveu ao seu país aquilo que o mesmo país lhe retirara: a liberdade. Durante quase 30 anos encarcerado, injustiçado, apelidado de terrorista, Nelson Mandela esqueceu a dor, a revolta, o medo, a sede de vingança e erigiu, como Presidente, um país democrático, onde o apartheid passou a ser apenas um nome feio.
Foi político? Foi.
Dos honestos? Sim, senhores.
E é menos político por isso? Mas é que nem um bocadinho.

É por estas e por outras que os meus heróis nunca estiveram nos livros aos quadradinhos nem nos filmes. São pessoas iguais a mim (mas em bom e em grande), que aparecem na televisão a dizer coisas e a mudar o mundo. Mesmo ao lado dos outros (os finórios, os astutos), sim. Mas estes, pobres!, são aniquilados por poderes especiais que eles nem sonham que existem. (Pelo menos, é assim que o livro/filme acaba, para mim)

Humilitate



Será a tua incredulidade resultado de uma suave subestimação da grandeza e valor que a sociedade que te rodeia teima em fazer-te sentir?

Creio antes que juntas ao teu maravilhoso Ser o ingrediente da humildade, característica apenas disponível aos nobres - que sabem que o são.

Essa é a virtude dos "Filhos da Terra" que engrandecem o nome sem pejo de escusarem-se a projectar a sua imagem nos demais, inebriando tudo e todos e almejando serem superiores.

Humus, "Filha da Terra", ou simplesmente Humildade, é de facto a verdadeira excelência do conjunto das tuas virtudes, proporcionando até o equilíbrio da alheia vaidade que te rodeia.

Boletim de... quê?!

Eu, como acho que é preciso ter muita fé (mesmo não sabendo muito bem o que isso é), proponho que aquele papelinho onde pomos uma cruzinha, pensando que isso é importante para o nosso futuro colectivo, se passe a chamar "boletim devoto".

março 28, 2011

Prostituição - pessoal e intransmissível(?) (Para o A. e para quem (se) pergunta)

Claro que posso tentar explicar a dificuldade ou facilidade com que uma mulher se prostitui por características da sua personalidade; cada mulher é única, cada uma sentirá o que faz de uma forma diferente. Contudo, – sabes tu que fui sempre a mesma mulher – quando decidi prostituir-me de bolsos vazios e aflição nos dedos, custou-me, sim, a angústia imperou; quando decidi fazer exactamente a mesma coisa apenas por mais algum conforto, apenas – confesso – porque me apeteceu mais do que contemplar montras com coisas giras, foi incomparavelmente mais "leve". Sim, poderia achar que sou uma criatura estranha, absurda, desconectada com a realidade mas, garanto-te, outras meninas que conheci traziam a dor no olhar se nos bolsos traziam aflição e vazios, e olhos muito mais tranquilos quando em situações menos extremas ou nada extremas. Concluí, então, que, se a personalidade de cada uma é factor que influencia a emoção com que vive esta situação, os motivos que nos trazem aqui também devem ser pesados; da junção destes dois se formam respostas. É bem vindo quem quiser contrapor, comentar, acrescentar, perguntar; é certo que aqui existem tantas verdades quantas pessoas; eu respeito quem tudo procura, é muito mais fácil reduzir do que indagar.

Proposta de novo boletim de voto para as próximas eleições da Assembleia da República.

Angela Merkel considera, do alto da sua mal iluminada pesporrência, que pode e deve admoestar e puxar as orelhas à Assembleia da República Portuguesa por agir «desconsideradamente» na questão da aprovação ou não do PEC 4 do nosso inestimável e perturbadamente sofrido e compungido Sócrates, no seu afã de «salvar» o país… mesmo contra a vontade deste.
Para além de estranhar este entranhado amor pela coisa socrática, o que, para mim, não deixa de ser significativo é o silêncio quase-quase generalizado de tutti quanti, relativamente a este despudor em imiscuir-se na soberania nacional que a D. Angela se arroga - aparentemente sabendo com quem conta… A consistência gelatinosa das colunas vertebrais de muita desta gentinha é coisa de espantar.
Por essas e por outras é que a proposta que hoje me chegou para a criação do boletim de voto para as eleições para a Assembleia da República que se avizinham me parece ter todo o cabimento. Ei-lo:
Ora, aí está. Manda quem pode, obedece quem deve... Sem se querer saber, entretanto, de que poder e dever se fala.

março 26, 2011

Como um enviado da Al Jazeera vê a situação em Portugal

Ultimamente tenho-me tornado cada vez mais um visitante assíduo da Al Jazeera on-line, acompanhando a par e passo os relatos acerca do que vai acontecendo nos países do Norte de África e do Médio Oriente, e posso dizer que estou extremamente impressionado com a qualidade do serviço informativo prestado por esta estação televisiva.

Nos últimos dias, a Al Jazeera tem acompanhado também a situação político-económica em Portugal através dos seus correspondentes europeus. Entre as várias peças acerca do nosso cantinho à beira-mar plantado, descobri esta crónica, da autoria de Barnaby Phillips (correspondente europeu no Reino Unido), que relata a sua viagem de ontem a Lisboa e na qual faz o retrato de um país desiludido, ansioso e receoso à beira do colapso. Tomei a liberdade de a traduzir pois vale a pena ler.


Apanhei um táxi do aeroporto para o meu hotel no centro de Lisboa e pedi recibo ao condutor.

Ele era um homem amigável e tínhamos tido uma conversa interessante. "Quanto quer que lhe ponha no recibo?" perguntou-me, com um sorriso e um piscar de olho.

Depois da fria e respeitável Londres, foi o recordar de que me encontrava num lugar -como dizê-lo?- talvez mais mediterrânico (com o devido pedido de desculpas se ofendi alguém).

Lisboa é uma das minhas cidades favoritas. Adoro os bairros antigos agarrados às encostas das colinas, a arquitectura e os pequenos eléctricos que andam para cima e para baixo nas ruas com calçada.

Sou fascinado pela história e pelas ligações coloniais com Angola e Moçambique. As pessoas são gentis e generosas, a comida é óptima.

Mas não há lugar para equívocos em relação ao estado de humor, desta vez; uma mistura de ressentimento fervilhante em relação aos políticos portugueses e uma cruel resignação perante o facto de o pior estar ainda por vir.

Já senti este estado de alma antes; lembra-me a Grécia durante os primeiros meses de 2010, à medida que o país caía na bancarrota.

Está presente o mesmo cinismo em relação aos que se encontram no poder, o mesmo sentimento de desamparo e frustração... (e, atrevo-me a dizê-lo, a mesma tendência criativa em relação a alguns aspectos de contabilidade).

Em alguns aspectos, Portugal encontra-se numa situação ainda pior.

Pelo menos a Grécia, sob a liderança do Primeiro Ministro George Papandreou, elegeu recentemente um governo com um mandato forte que lhe permitiu tomar acções firmes para salvar a economia.

Portugal está à deriva após a demissão do Primeiro Ministro José Sócrates.

As eleições podem estar a semanas de distância e podem ser inconclusivas.

É certo que a dívida e o défice de Portugal são menores do que os da Grécia.

Também é verdade que os bancos se encontram em melhor situação do que os da Irlanda ou da Espanha.

Contudo, os problemas económicos são aqui muito profundos; o mercado de trabalho é inflexível e há pouca inovação.

Hoje visitei uma uma empresa de Tecnologias de Informação, dirigida por um grupo de jovens empreendedores portugueses.

Todos eles eram extremamente brilhantes e a empresa está a portar-se bem.

Mas eles partilharam o seu desagrado e sentimento de alienação em relação os políticos do país e o seu sentimento de desespero ao verem cada vez mais colegas seus a procurar emigrar para o Norte da Europa e para os EUA.

Hoje, o metropolitano de Lisboa estava em greve. Ontem eram os ferries. Amanhã serão os comboios.

Será uma maré crescente de inquietação industrial à medida que as medidas de austeridade se tornam mais severas?

Talvez, embora Lisboa não tenha a tradição de protestos de rua dramáticos de Atenas.

Sendo assim, para onde vamos a partir daqui?

Os mercados financeiros claramente não acreditam que Portugal consiga o crescimento necessário para lhe permitir saldar as suas dívidas e há agora imensa especulação sobre o país vir a necessitar de um resgate na ordem dos 70 biliões de euros.

Isto irá levantar mais questões acerca do futuro das fracas economias periféricas da Zona Euro e reavivar os receios de contágio que possam afectar economias maiores como a da Espanha.

Infelizmente, a lição que se tira de Portugal, da Grécia e da Irlanda, é que optar pelo resgate não singnifica necessariamente o fim das aflições do país.

Pelo contrário, é apenas o início de um novo capítulo, num longo e doloroso processo de reforma.


março 25, 2011

Não, os políticos não são todos iguais.

Não sou uma apoiante do Bloco de Esquerda, como não o sou de partido algum (a idade traz esta sapiência). Aprendi que todos os partidos em Portugal têm gente que admiro (à excepção do PPM, pronto...) e o senhor que se segue é um deles. Para contrabalançar, não gosto de Louçã. Nem particularmente de Fernando Rosas. Mas consigo ouvir Luís Fazenda ou Ana Drago, nos dias bons.
E, sobretudo, gostava de ouvir muitos mais, de todos os quadrantes, pensarem, falarem e agirem como Miguel Portas (não necessariamente na mesma direcção, porque isso seria pedir muito, mas com o mesmo sentido de responsabilidade, a mesma honestidade e fidelidade a princípios que são claríssimos e não têm qualquer gene camaleónico). Assim:

«A crise já vem de longe»

O Cápê enviou-me isto por e-mail:
"Em 1892 o rei D. Carlos doou 20% da sua dotação anual para ajudar o Estado e o País a sair da crise criada pelo rotativismo dos partidos."

março 24, 2011

Digam que ele é doido, digam...

Intervenção do Dr. Marinho e Pinto por ocasião da Sessão de Solene de Abertura do Ano Judicial

While I was cycling

Assisti a todo o "debate" parlamentar, durante a tarde, na SIC Notícias.
Não que estivesse à espera de nada, mas porque tenho este je-ne-sais-quois de masoquista que me obriga a assistir mesmo a espectáculos que se conhecem de cor (note-se que eu sou daquelas que raramente vê o mesmo filme duas vezes, por opção).
Na hora H, saí e fui pedalar.
(e isto, por si só, daria lugar a uma bela metáfora que, de tão evidente, vou evitar)

Quando um país está parado, à espera do inevitável, e tem de aguentar mais 3 meses até ir às urnas (senhores e senhoras da manif do passado dia 12, não percam a pica, boa?! Lembrem-se que sair para a rua é lindo e faz história mas o que realmente importa é o papelinho depositado na urna, 'tá? Mostrem lá a quem vos chama nomes que estavam a falar a sério e que querem MESMO mudar o rumo da coisa, sim?! "Conseguiram" que o governo se demitisse, certo?! Agora falta o resto, que é o que dá trabalho.), alguém tem de fazer alguma coisa.
Nem que seja produzir suor. Sempre é mais do que nada.

março 22, 2011

falta de CENSOS 2011 pela internet

Eu gostava, ah, como eu gostava de poder dizer bem destas coisas... Sabem bem os que me acompanham de mais perto o quanto eu me desdobro para fazer um elogio que eu considere merecido.

Mas os fados são-me adversos!

Lê-se no boletim que me foi entregue em casa para preenchimento do CENSOS 2011 pela Internet! - assim mesmo, com ponto de exclamação e tudo: «O período de resposta através da Internet decorre entre 21 de Março e 10 de Abril. Responda preferencialmente no dia 21 de Março» (o sublinhado é meu).

Resultado prático da tentativa de cumprimento desta notável recomendação: no dia 21 foi-me impossível aceder ao respectivo sítio. Hoje, dia 22, demorei duas horas e meia  (!!!) para conseguir concluir um inquérito de cacaracá, que nem levaria quiunze minutos a preencher... Pelo caminho perdi a conta à quantidade de vezes que tive de introduzir os códigos de Identificação e PIN, por queda da aplicação.

Mas quem me manda a mim, ao fim destes anos todos, ser tão estupidamente crédulo?

março 21, 2011

Carta aos Dragões-Poetas

Sob o teu túmulo nada existirá. Se morreste é porque gastaste até ao fim cada milímetro teu.

Porque és daqueles pássaros que desde tenra idade entregam o corpo à alma e a alma à vida e a vida consagram às linhas. Porque te viveste todo, inteiro, incompleto, até ao último grão. Porque lançaste o teu fogo às chamas, as tuas chamas ao fogo, as chamas e o fogo à vida e às páginas amarrotadas, torcidas se te apeteceu torcer; porque voaste para que o olhar pudesse ver do céu e desceste ao centro da Terra para que pudesse ver as quedas e o Mundo de quem se enterra cedo; porque te consumiste sem dó nem piedade da dor nos teus ossos; sob o teu túmulo nada existirá, tudo existiu acima dos teus ossos.
Sob o teu túmulo existirá o vazio, a imensidão do nada que te permitiste sobrar e tudo aquilo que nunca foste. Quando o Outono te trespassar os dias e o peito e te abrir a pele, poderás receber o Inverno de braços abertos na firmeza de quem nunca terminará frio - o frio inveja a noite que escurece o dia, não deseja a Luz - ele há-de-te encontrar fora de ti, muito além de ti, só terminarás nunca porque nunca será quando te terminares; nada de ti será ali, tudo de ti já se foi.

Os que te chorarem como um poema interrompido vão encontrar conforto nos braços sempre quentes das chamas que foste oferecendo; as chamas alimentadas pelo fogo serão eternas; os que não te conheceram chorarão apenas a sua ilusão, vão encostar-se à pedra fria que talvez lhes pareça irmã da vida que conhecem, talvez se apercebam do próprio vazio e o chorem.

Só a palavra pode tudo, não se prende nos impossíveis, não se detém nos limites da existência, não se acorrenta à realidade; a palavra já feriu de morte, já matou, já criou novas vidas, juntou amantes, quebrou paredes ou atravessou-as, saiu de si e voltou a entrar, voou e caminhou sobre as águas, destronou Reis e Rainhas, foi Cupido, Hermes, Vénus, alma, corpo, sede, medo, esperança, força de gigante e utopia; a palavra é um corpo Divino na Terra, único, tem pele de letras e não tem pele, corpo, sequer limites, pode ter e não ter ao mesmo tempo; a palavra é tudo e é nada e o seu poder, a sua magia, a sua força podem ser soberanos. É por isso que és um Dragão, porque escolheste a mais poderosa e mais arriscada de todas as armas, porque a palavras forjada a fogo é espada universal e eterna, é a lâmpada de Aladino, é a Magia de todos os Castelos e Reinos, exige-te a vida única, enche-te de vidas e arranca-te de ti.

Sob o teu túmulo nada existirá; a pedra não te encarcerará; já em vida te desencarceraste e desenterraste de ti.

The Fatalis Verba

Quando no passado me foram ofertadas fracções do presente, rejubilei. Momentos de rara formosura serão sempre as ocasiões em que um presente estrelado, luminoso e reluzente nos crepita no trilho. Transforma-se a ansiedade do meramente imaginável, em impaciência de viver, de chegar e acontecer, contudo sem pressa de concluir.
Desfrutar com mais de cinco sentidos aquilo que o livre arbítrio não quis desfigurar.
Semelhante a um conto erótico onde já conhecemos a chave de ouro e saboreamos avidamente, com fulgor e tacto, cada minuto de observação, com engenho de não apressar a chegada do epílogo.
Não dar por concluído e não espreitar o lado de trás da cortina que desvenda e aviva as cores do que em sépia já nos fora ilustrado.
Não destapar o corpo aveludado que na essência conhecemos, onde o nosso tacto já passeou de mãos dadas com o destino, mas completa-se quando deslumbramos os ulteriores detalhes que dão cor e vida à unidade... finita no Ser, infinita na Paixão.

Quando a fábula me ensinou o futuro, esse funesto capítulo onde, entre os demais, se situa o pérfido e escuro, ensinou-me também a aguardar serenamente o vislumbre do dia em que, havendo essa hipótese, o futuro se pode modificar.
Entrevi de seguida que por vezes, o livre arbítrio não tem local para trabalhar, fora despedido das funções que lhe dão nome, nada lhe resta senão erguer-se, retirar-se e aguardar... apenas aguardar.

março 20, 2011

Porque sou anti-nuclear fundamentalista

...para uma energia de dois anos, as varetas nucleares ficam, e por extensão toda a central, radioactivas durante 25.000....

foto: web.educastur (fusión y fisión nuclear)


Com a recente tragédia a acontecer no mundo da energia Nuclear logo a seguir a Chernobil, o Mundo redescobriu de repente, e novamente da pior forma, o enorme perigo que representa a simples existência da ideia de se produzir energia a partir desta fonte.
Os que porventura passarem por aqui e que ao lerem estas linhas as descobrirem simplistas, que me perdoem, mas não há outra forma de chegar a toda a gente que não seja através da objectiva simplicidade.
Os argumentos que tem sido propagandeados sobre as inestimaveis vantagens e inocuidade da Energia Nuclear, pecam desde o seu início por pertencerem ao universo da paranóia. Não se podem usar metáforas, eufemismos, ou ligeirezas de linguagem quando o que está em causa é a monstruosidade representada por este tipo de instalações. O preço por kilowatt, a segurança, o tratamento de resíduos e por aí fora, são na verdade tremendos e só o lobby poderosíssimo que à sua volta gira fez com que as pessoas acreditassem nesta tríade de mentiras. Porque é de facto de mentiras que se trata.
A energia nuclear é realmente caríssima, perigosíssima, e sem tratamento possível no que aos resíduos diz respeito.
Mas como é que é se fazem as contas? Perguntamos e apenas ainda vamos no primeiro item. As contas são marteladas, pois se considerarmos só o preço do plutónio e matérias da mesma família como elemento de cálculo por kilowatt, este fica mais em conta. Mas basta que introduzamos o coeficiente que todas as seguradoras conhecem bem, o risco, para o preço disparar e ultrapassar de imediato o custo do Kw produzido de outras formas. Ao mesmo tempo, devemos acrescentar aos custos, o valor duma grande porção de terra, do seu subsolo e veios freáticos que ficam afectados ao complexo durante os breves 30 ou 40 anos de funcionamento. Depois disso, toda a central e a sua envolvência ficarão como um cemitério durante algum tempo, coisa pouca: 25.000 anos!!!

Se pensarmos só nesta última frase ficamos de cabelos em pé!!!
Nestes dois mil anos que contamos a partir do suposto nascimento de Cristo, quantos Impérios se ergueram e se desmembraram? Quantas centenas de guerras espoletaram, quantas e quantas crises económicas e ambientais ( terramotos com os movimentos de subsolo e desvio de veios freáticos, incêndios e inundações) aconteceram? Como pode alguém decentemente exprimir e assumir um compromisso para 25.000 anos?
Imagine-se que teria havido em Santarém uma central nuclear no tempo dos Romanos e ainda hoje, ( se tudo tivesse corrido bem, nem tremores de terra, nem deslizamentos nem inundações, nem incêndios) ninguém poderia aproximar-se dos restos da central. Estes restos teriam de ter sido mantidos em segurança de forma continuada pelos Romanos e Celtas, pelos Suevos e Visigodos, pelos Árabes, Lusos e Espanhóis, Franceses invasores e Ingleses tutoriais, pelos Liberais e Absolutistas, reformistas e Republicanos, o Estado Novo e País dos Cravos até chegarmos aos nossos dias de cinza crise onde não haveria dinheiro para a sua manutenção. Isto considerando a mirabolante circunstância de que nunca antes uma crise assolara o País, e no entanto, durantes estes dois mil anos de total improbabilidade apenas teria decorrido menos de um décimo da meia vida dessa herança tirânica.

Como se podem engolir as patranhas argumentativas a favor da construção destas monstruosidades sem que se processe criminalmente e de imediato os seus promotores sob a acusão de grave ameaça, pela via da mentira, à segurança e vida, não de uma região, não de um país, mas de todo o planeta, de toda a Vida e Humanidade?
Para que conste, tem havido centenas de acidentes com fugas de material potencialmente cancerígeno para o meio ambiente que nunca foram relatados. O silêncio e secretismo são uma das características desta actividade verdadeiramente diabólica e apenas quando algo de mais grave acontece é que a verdade rompe com as paredes do pacto de silêncio do mesmo modo que a pressão excessiva dum fluido rebenta qualquer recipiente que o contenha.

Uma central nuclear é na sua essência algo parecido com uma panela de pressão, onde o vapor que saí pela válvula faz mexer uma turbina produtora de electricidade. Em vez do fogão para aquecer a água usam varas de material radioactivo. Essas varas estão imersas num outro circuito de água (cor violeta/rosa na ilustração) que ficará para sempre radioactiva, cujo calor tremendo produzirá o efeito das chamas dum fogão.
Ou seja, dum lado há um tradicional sistema a vapor a produzir energia, do outro para produzir o vapor, um inferno de calor e radiações.
As varetas produzem calor durante um a dois anos, depois ficam radioactivas durante mais 25.000 (numa primeira fase, chamada de meia vida, pois só ao fim de cinco ciclos que seguem a lógica de base neperiana bem conhecida nas curvas de Gauss, é que se podem considerar inócuos os tais resíduos).
Mas as preocupações fundadas começam desde logo com a construção dos complexos. São enormes estruturas, com inúmeras ramificações, e logo aí o risco de falhas de construção é grande, de tal sorte, que quando se acabam de construir se fazem os ensaios de segurança em vazio (sem material radioactivo) introduzindo vapor sob pressão. Em todas as centrais foi necessário remendar, reconstruir, reforçar as tubagens, os irradiadores de calor etc. Depois, a duração duma central é de 30 a 40 anos, porque embora construídas em inox, a radiação é de tal forma corrosiva que ataca e destrói tudo o que a envolve. São frequentes as passagens da água radioactiva (rosa/violeta) para o circuito secundário ( azul) e que por essa via são para o meio ambiente.
A seguir à entrada em funcionamento enceta-se um caminho sem retorno. Não se pode desligar uma central, apenas moderar um pouco o calor emitido pelas varetas através duns invólucros. Quando nas centrais se quer "desligar" a central, emite-se a ordem na sala de comando e uns motores eléctricos fazem descer os tais invólucros sobre as varas. Mas continuam a emitir um tremendo calor e tem de ser obrigatoriamente arrefecidos sob pena da destruição de toda a central. Para esse efeito usam umas bombas que fazem circular permanentemente a água radio-activa (em circuito fechado, cor rosa / violeta na ilustração) que envolve as varas e a fazem arrefecer em irradiadores.
Quando essas bombas falham a água fica tão quente que a pressão sobe sem controlo e rebenta as tubagens. Depois, já sem água para arrefece-las, a varas atingem a temperatura da fusão dos materiais da central e até o próprio suporte do complexo: as rochas do subsolo.
Aí começa então o processo dramático chamado de "síndroma da china" : a amálgama radioactiva em fusão irá continuar a fundir e descer através da rocha até atingir um lençol de água. Chegado a esse ponto e uma vez em contacto com o líquido, começa a arrefecer mas toda a água dessa região ficará para sempre fortemente contaminada assim como o ecossistema tornando-o inabitável. Os impactes no entanto não se confinam à região mas sendo o planeta um sistema interactivo complexo é fácil entender como o desastre terá forçosamente repercussões globais.

Só por estes motivos escritos necessariamente de forma resumida e simples, qualquer cidadão consciente deveria de imediato exigir que se terminassem de imediato a construção de mais centrais deste tipo. As que existem, só por si, constituem uma ameaça tão ou mais perigosa que todas as armas nucleares existentes.

março 19, 2011

dos copos, da perspectiva, da atitude, do seu esvaziamento, da filosofia e dos comportamentos cívicos

Quando vejo um copo meio cheio, bebo-o. Quando o vejo meio vazio, encho-o.

Isso é o que geralmente ocorre se pensarmos que tudo depende das circunstâncias da vida. Tudo depende do conteúdo do copo. Tudo depende da nossa apetência por esse conteúdo.

Assim fui ensinado e apurei, a fim de contrariar desperdícios – o que é pecado, diziam-me – ou para não ficar perante a vida à espera que as coisas aconteçam – o que também é desperdício, logo, também pecado.

E, assim, eu ateu confesso, sigo religiosamente tais preceitos, bebendo copo atrás de copo… enquanto me sobrar a vontade de beber e beberagem disponível.

No que podem dar generalizações simplificadas ou simplificações generalizadas é que, ansiando por constituírem paradigma, transformam-se em não mais que bloqueios de raciocínio, que podem levar a que um esplêndido dia de sol apenas nos faça pensar em poupança de luz eléctrica.

Um copo não está meio cheio nem meio vazio por força do meu estado de espírito – alegre ou triste - ou sequer pela minha natureza – optimista ou pessimista – mas muito mais em função da minha apetência de momento em relação ao seu conteúdo, como já digo antes e que me parece razoável.

Uma abordagem «desinteressada» ou «apolítica» sobre o cerne das questões corre o risco de enfermar dos mesmos males do eunuco na celebração do Dia do Pai.

Tudo depende do conteúdo do vasilhame em apreço, pois. Tudo depende do apetite do indivíduo presente. Tudo depende da dimensão da sua sede e, até, da circunstância em que se encontra, pois esta pode não lhe ser favorável ou permitir dar livre curso aos apetites. Não é por isso que a sede deixa de ser sede. Não é por isso que o apetite se desvanece.

E, agora, da metáfora política para a política metáfora:

É com esta profunda complexidade humana que um governante não autista deve saber lidar, para encabeçar um projecto de sociedade. A questão poderá ser, entretanto, se perante esse «autismo» tal advém, como no caso do conteúdo do copo, de mero modo de ser ou de estado de espírito muito pessoais, ou se, outrossim, se trata de colheita alheia que alguém assume como sua, em função dos proventos que daí lhe advenham… e à seita.  

Quando tal ocorre, a abordagem a que se assiste é que, esteja o copo meio cheio ou meio vazio, mal o cidadão olha para o lado, matutando sobre a filosofia dimensional de conteúdos e de continentes, e já o estado lho surripiou, alambazando-se com o recheio. E logo àquele pobre cidadão que tanto dera à perna para esmagar a uva.

E isto é que não pode ser. Porque o estado não está cá para andar nos copos (sejam de água ou de vinho, pois todos são caros), mas muito mais para apurar e providenciar para que cada cidadão tenha para beber o que necessita para não morrer à sede. E pior quando esse estado rapina o copo a quem já não tem mais nenhuma garrafa à mão.

Moral da história: perante um copo meio cheio ou meio vazio, bebe-o sempre, nem que seja para apurar a qualidade do seu conteúdo. Se gostares, volta a enchê-lo. Se não, lava o copo e arruma-o na prateleira respectiva. É por isso que devemos sempre votar…

P.S. (honni soit...) 1 - Agora, belíssimo mesmo é quando bebemos esse copo em boa companhia. Isso, sim, é uma alegria!

P.S. 2 - Um esclarecimento que é devido aos meus concidadãos: quando reiteradamente refiro a má frequência a que este nosso país está sujeito, devem obviamente excluir-se destas cogitações cerca de 10.000.000 de indivíduos de nacionalidade portuguesa e de umas outras centenas de milhares de nacionalidades várias. Aqueles a quem eu me refiro são outros... Exactamente, são esses mesmos! Eu sabia que vocês sabiam!

Símbolos Vazios

O cansaço é inimigo do discernimento quando nos assalta a insegurança de conduzirmos as nossas opções de forma correcta.
Foi um sábio quem mo disse.
Ouvi o coração no outono... apenas no outono, quando desde a primavera ele me chamava, cada vez mais alto, cada vez mais ensurdecedor. Não consegui ouvir antes, focado na odisseia a que me havia proposto.
Vai por ali, dizia. E resistente, eu ficava, a perder e a perder, ainda não sabia eu o quê.
Ostentava símbolos vazios, ocos, julgando-os alegremente preenchidos de significado. Na realidade, há muito que só eu os via, há muito que eu deveria ver que eles nunca existiram de facto.
Foi um sábio quem mo disse...

março 18, 2011

Do lado onde bater o sol

Desde sempre, a questão do copo meio cheio ou meio vazio ocupa boa parte do tempo e do raciocínio de quem olha a realidade para tentar traduzi-la. E de facto existem várias abordagens possíveis (e igualmente plausíveis) acerca de um mesmo assunto. De resto, se colocarmos dois observadores em lados opostos de uma casa pintada com outras tantas cores cada um deles afirmará a cor da casa que lhe é dada a ver.

O problema é insolúvel em matéria de valoração de perspectivas. Se a visão do copo meio cheio pode fazer pecar por excesso de optimismo, a do copo vazio pode revelar-se menos adequada precisamente pelo oposto, pecando por defeito.

Nesse caso, resta a escolha individual que deriva da personalidade e/ou da conjuntura de cada pessoa, organização ou mesmo de cada país.

E nota-se, ao longo dos registos históricos e pela própria evolução das nações, o quanto pesa a tal escolha difícil entre o pessimismo prudente (alguns confundem com actuante, embora uma coisa não implique de imediato a outra – falar mal é muito mais fácil) e o optimismo descontraído (alguns confundem com desmazelo ou descuido, embora em muitos casos se tenha revelado essa a escolha mais sensata).

Se a lógica imediata não resolve o dilema, os copos continuariam eternamente por encher ou esvaziar, temos que passar à etapa seguinte, a da racionalização da abordagem, da busca de argumentos em função dos contextos e, acima de tudo, do pragmatismo que acaba sempre por reduzir as coisas à sua mínima expressão e por norma reduzem-nas à utilidade específica.

Ou seja, temos que pensar qual das escolhas serve melhor determinado propósito ou permite alcançar um objectivo no horizonte das ambições e/ou das preocupações individuais ou colectivas.

É aqui que entra também a razoabilidade de quem precisa de obter um qualquer resultado, mesmo tendo que moderar os excessos de ambas as abordagens, nomeadamente para ter em conta com clareza qual o melhor caminho a seguir face às circunstâncias.

E é aqui que mesmo sendo pessimista por natureza entendo não servir os meus interesses individuais olhar para o copo de uma forma que não o enche mais de coisa nenhuma mas preenche-me de desânimo que, bem vistas as coisas, não serve propósito algum.

O mesmo raciocínio aplico às escolhas que faço quando está em causa a governação do meu país.

les portugais sont toujours gais...

Parafraseando uma expressão há longo tempo ouvida, eu diria que Portugal está a transformar-se num local perigoso… e eventualmente pouco recomendável para frequentar. Pelo menos, com assiduidade.

Talvez não para estrangeiros, que esses estão sempre cobertos pelas altíssimas personagens do nosso ideário mais ou menos político, católico, apostólico e romano, numa bênção traduzida em hospitalidade, recheada da tradicional bonomia do bom povo português. E alegria, também, pois todos se lembrarão daquele extraordinário slogan turístico: les portugais sont toujours gais    

Perigoso porquê? Ora, vejam-se, assim, pequenas coisas recentes:

- O senhor presidente da República ao activo exorta os nossos jovens modernos a assumirem nos seus projectos de futuro, a galhardia… com que a juventude de 60 marchava para a guerra das colónias!!! Será que ele está a insinuar que a malta deserte? Ainda mais…?! E, depois, para quê? Para a ditosa Pátria, nossa amada, nem sequer lhes reconhecer o padecimento do stress de guerra, que vitima ainda hoje tantos dos pais e dos avós desses mesmos jovens?

Para «boca» infeliz, esta bate o bolo-rei, os carapauzinhos e as escutas a Belém, de longe.

- O nosso excelentíssimo governo propõe-se diminuir o IVA que incide sobre os campos de golfe, esse desporto de massas, de 23% para 6%. Modo quiçá subtil de equilibrar finanças, pois acaba de voltar à carga com o aumento para 23% de bens ditos essenciais, como certos alimentos básicos. Tem de haver – e percebe-se, que diabo! – um justo equilíbrio entre as coisas… E sempre ficará a  relva para pastarmos nos ditos campos quando o vencimento já não der para a sopinha diária.  

- A oposição de regime, dita de direita - porque a outra não é tanto do regime… é só um bocadinho - vai saltitando de PECado em PECado, até à redenção final. Leia-se, até ao momento em que, ganhando as eleições, puder fazer o mesmo ou significativamente pior do que fazem os actuais (des)governantes;

Chegados que fomos ao quarto PEC, barafustam: «- Assim não vale! Não brincamos mais com as vossas bonecas! Estão sempre a mudar-lhes os vestidos e, agora, elas estão já todas rotinhas, não têm graça nenhuma…».

Sócrates, do alto do seu autismo autocrático, cumpre com o que lhe mandam os reis das marionetas e não passa cartão a ninguém, na sua nobilíssima missão de «salvar o país» mesmo contra a vontade deste.      

- Após um dia e meio de greve dos camionistas, Portugal estava sem gasóleo em muitos postos de abastecimento de combustíveis! As filas de condutores desesperados multiplicavam-se e estendiam-se! E dizia o outro que o povo era sereno… Um dia e meio? Será mania de açambarcamento ou é pelintrice institucional? Como será que – mutatis, mutandis -  o povinho se tem amanhado, ao longo destas semanas, na Tunísia e no Egipto – estou a falar, claro, do pãozinho para a boca? Para já não falar da Líbia, do Japão…

- A propósito, as gasolineiras afinam os seus preços ao milésimo do euro e, conveniente e convergentemente, sempre a subir, com uma regularidade de relógio suíço. Mas não há cartelização, não senhores, diz a autoridade respectiva! Claro que não. Em país de milagres nem devemos esperar outras coisas.

- No momento em que as Estradas de Portugal anunciam a necessidade de reparar ou substituir uma data de pontes construídas há meia-dúzia de anos, por iminente ameaça de derrocada, o seu presidente, Almerindo Marques, aproveita para apresentar pedido de demissão ao governo, invocando razões pessoais. Porventura, prevendo alguma eminente derrocada, digo eu, ainda que haja quem sustente que nesta vida não há coincidências…

- O empresário das sucatas Manuel Godinho entregou, entre várias outras coisas que andou por aí a entregar para arrecadar outras, um Mercedes SL 500 a Paiva Nunes, administrador de uma empresa do Grupo EDP. Este parece que fez ao outro uma data de «jeitos» em negócios vários. Mas dizem ambos que a cena do carro foi só a título de empréstimo entre amigos e que tal coisa seria «normal». Coisita de somenos, assim aí a rondar os duzentos mil e muitos euros. Alguém tem aí um Mercedes SL 500 que me empreste, de um modo normal, sem complicações, para ir ali comprar uns enchidos  ao supermercado do bairro, que eu já volto?

- O supostamente insuspeito Instituto Nacional de Estatística, no Censo Nacional que está a levar a efeito por todo o país, quer que os «recibos verdes» se definam, no preenchimento do inquérito, como «trabalhadores por conta de outrem». Claro que isto só pode advir de uma mente perturbada. Talvez por efeitos de alguma droga alucinógena ou – quem sabe? – do muito mais prosaico excesso de tinto… Agora que, se a maltinha for na conversa, isso dá um grande jeito ao Sócrates, ai, lá isso dá…

Seja como for, digo eu que também por cá ando, este país parece estar, de facto, muito mal frequentado. E não haverá novos pastorinhos que reinventem umas apologéticas aparições? Resposta: não. Porque pastorinhos licenciados, mestrados e pós-graduados  são cépticos demais para crendices e as aparições estão pela hora da morte. No limite, só ocorrem por Bruxelas e pouco mais...

De resto, haveria de dizer-se que aquilo não passarva de efeitos 3D de segunda categoria, direccionados para o alto de alguma azinheira num festival de música alternativa qualquer e não se ligava mais ao assunto.

Milagre, milagre, aquilo que se chama verdadeiramente milagre, é descobrir no panorama nacional matéria para se elaborar uma crónica não deprimente…

março 17, 2011

A voz dos outros

Pode ser algo de muito simples.
Um buço a precisar de cera ou descoloração.
Uma coxa mais larga.
Ou um vestido que assenta mal.
Pode ser um hálito desagradável.
Ou um cheiro a sovaco.
Pode ser um texto pobre e sem sumo.
Unhas a precisar de manicura
Ou o cabelo a clamar por tinta.
Também serve um dente torto ou um nariz demasiado grande ou achatado.
Uma bengala linguística.
A constatação de que a nossa cadela está mais trôpega.
Ou alguém que não nos liga um corno mas faz de conta que sim porque era suposto ligar.

Enquanto só nós somos cientes do facto defeituoso (ou pensamos que somos), podemos sentir-nos incomodados, mas vivemos bem com ele, sobretudo se nos rodeamos de gente do tipo "sim-senhor", que insiste que o mal está na nossa cabeça.
Mas quando alguém sem filtros nem receios politicamente correctos (com o coração ao pé da boca, quero dizer) diz em voz alta o que gostaríamos de não ousar admitir (sequer em pensamento) de forma estruturada, o mundo, tal como o construíramos até agora, corre o risco de ruir.
(Ou, em alternativa, é afastarmo-nos do falastrão ou da desbocada, que diabo!, que direito tinham de nos vir macular a vida em cor-de-rosa?!)

Carta aberta aos que já não são

As certezas absolutas alimentam-se de caminhos, de palavras, de histórias, de vidas.

As certezas absolutas devoram-nos, sempre esfomeadas, - o estômago é infinito em incontáveis gavetas e capaz de um ruminar eterno de gaveta em gaveta - e deixam-nos paralisados, impenetráveis no nosso imbecil fascínio que blinda o que julgamos grande sabedoria das vozes dos ignorantes - esses loucos personagens menores em forma de ponto de interrogação - que podem tentar virar-nos os olhos noutra direcção.

As certezas absolutas são uma enorme redoma opaca engaiolada. Tão opaca que entramos e imediatamente surge o mais opaco e mecânico reflexo: fechamos a porta. Tão opaca que nem se vê mais mundo, portanto mais mundo nem existe. Tão opaca que nem vemos as grades da gaiola da redoma opaca engaiolada. Tão opaca que nem o som passa e eu não vou gritar por ti aqui fora se nunca te vejo entreabrir a porta.

As certezas absolutas alimentam-se de ti; agora, do que foste só sobram armaduras que protegem o que serias tu se tu ainda fosses. Falei com o homem. Respondeu-me a armadura. Pedi à armadura que me deixasse entrar. Respondeu-me que não havia para onde. Não falo com armaduras.

As certezas absolutas alimentaram-se de caminhos, de palavras, de histórias, de vidas; em troca deram-te armaduras que defendem vazios.

março 16, 2011

"Quando o povo se junta"...

Como ser ordinário não significa ser inculto, deixo-vos aqui um excerto de um livro da minha colecção, bem polémico para não arrefecermos os argumentos depois da manifestação da Geração à Rasca: «Carta de Sócrates a Alcibíades, seu vergonhoso amante», de Miguel Real (pseudónimo), editora Licorne (2ª edição, 2010).

"(...) Mas com inimigos individuais posso eu, ó Alcibíades, e a saliva que à minha passagem lançam para terra em nada me aflige; ao contrário, revigora-me a alma saber-me nas palavras e nas acções diferente dos homens perversos.
O mesmo não acontece, porém, quando o povo se junta. É difícil fazer frente simultânea contra o ulular, o zurrar e o rosnar. São faces que se confundem e corpos que se chocam no idêntico afã da calúnia e da mentira. O povo precisa de bodes expiatórios para que as culpas próprias se reconvertam em aparentes puras intenções. Vota no orador que mais alto fala ou no que transparentemente se dirige ao seu coração. Juntos, os cidadãos são imorais - ninguém nunca me convencerá, mesmo agora que o cepticismo lançou raízes na minha alma, que de muitas vozes e muitos braços nascerá a moralidade de vida. Confesso, Alcibíades, que tenho medo dessa amálgama de corpos e almas que apenas pode identificar-se com uma de três imagens: um passivo rebanho, uma insaciável vara de porcos ou uma faminta alcateia. Não é menor consideração escrever estas palavras sobre o mais elevado povo que os mortais até hoje contemplaram; é que, ainda que os deuses tenham favorecido o espírito dos atenienses, não lhe mudou o fundo humano, e este é irrecusavelmente animalejo. Em suma, de homens tornam-se bestas os meus concidadãos atenienses. Por isso, recuso falar na assembleia e expor-me aos apartes anónimos que dispõem a mente das multidões às grandes chacinas ou às grandes injustiças. (...)"

Preço dos combustíveis - uma abordagem recebida por e-mail

"CARTA ABERTA

Prezado Dr. Carlos Barbosa
Presidente da Direcção do Automóvel Club de Portugal

Lisboa, 9 Março 2011

ASSUNTO: O DESCARADO AUMENTO DOS COMBUSTÍVEIS - TRÊS PERGUNTAS A FAZER ÀS GASOLINEIRAS

O elevado custo a que os combustíveis chegaram é um doloroso espinho na nossa economia.
Torna-se urgente removê-lo ou pelo menos evitar que se enterre mais, se a quisermos salvar de “morte certa”.
O preço dos combustíveis assenta em quatro custos básicos:
1 – A matéria prima (ramas de petróleo)
2 – O transporte marítimo (frete)
3 – A refinação (transformação do crude nos produtos de consumo)
4 – A distribuição (armazenagem e colocação nas bombas)

Mas as nossas gasolineiras (Galp/BP/Repsol/Shell,etc.) parece só conhecerem o primeiro ou escondem os restantes.

HÁ TRÊS PERGUNTAS URGENTES A FAZER

A primeira grande situação escandalosa do custo dos combustíveis, que abastecemos nas bombas, advêm do facto das gasolineiras, quando trocaram a compra da matéria prima proveniente dos portos do Golfo Pérsico, cerca der 15 dias de viagem, pela dos portos do Norte e do Oeste de África, cerca de 3 a 6 dias de viagem, nem um só cêntimo alguma vez baixaram seus preços! (Alguém soube de tal?)
Por exemplo, se os fretes estiverem a 1 dólar/tonelada/dia de viagem (para usar nºs simples pois o valor é superior) teremos que, no caso dum petroleiro de 100 mil toneladas, com aquela troca de origem resultaria:
De 100.000x1x15 = 1.500.000 dólares
Para 100.000x1x3ou6 = 300.000 ou 600.000 dólares
Uma redução fabulosa!
A pergunta que o ACP deve fazer:
QUEM BENEFICIOU COM ESTA REDUÇÃO DE FRETES?

A segunda grande situação escandalosa advêm do facto (pelo menos no momento actual) da escalada do custo das matérias primas se ter iniciado há menos de um mês e as gasolineiras já fizeram três aumentos. O primeiro escândalo, nesta situação, é o facto de que todo o produto refinado, entregue na distribuição naquele período de tempo, foi primeiro adquirido nos mercados estrangeiros em “spot” a longo termo (talvez seis meses ou mais) com custos muito inferiores aos actuais), depois feito o afretamento dos navios petroleiros estrangeiros (que os não há portugueses) nos “brokers” internacionais, nem sempre de pronto disponíveis. Depois realizam-se as viagens das origens daquela matéria, para os terminais de Sines e Leixões. Seguiu-se o processo de tratamento e refinação, tancagem e distribuição. Tudo levando largas semanas senão meses até ao consumidor.

A pergunta a fazer é:
A QUE PREÇO PAGARAM AS GASOLINEIRAS AS RAMAS QUE SINES E LEIXÕES RECEBERAM NAS ÚLTIMAS SEMANAS?

A terceira situação escandalosa advêm do facto do petróleo bruto ali recebido, primeiro não ser todo proveniente do mesmo terminal de origem, fretes diferentes, depois não possuir as mesmas características (mais ou menos “light” ou mais ou menos betuminoso, etc.) de que resulta produtos refinados de diferente qualidade.

A pergunta a fazer é:
COMO É QUE TODAS AS GASOLINEIRAS CONSEGUEM, COM TAIS PARÂMETROS, FAZER O MESMO PREÇO DE VENDA E NO MESMO DIA?

A minha solicitação a meu prezado Presidente do ACP para que se coloquem estas questões às gasolineiras é porque a mim elas não me respondem. Faço parte daqueles que “elas” consideram de “tansos pagantes”, apesar de ter andado algumas dezenas de anos no transporte de hidrocarbonetos e viajado mais de um milhão de milhas em navios petroleiros por esse mundo fora do petróleo.
Como seria bom ler o que nos vão (se) responder…
E talvez com as respostas dadas o Sr Ministro responsável pelos transportes saísse da meditação em que se encontra e nos ajudasse a resolver o assunto.
E com um muito saudar vos solicito minhas escusas.
Joaquim Ferreira da Silva – Sócio nº 3147
Capitão da Marinha Mercante (Reformado)
Membro da Secção de Transportes da Sociedade de Geografia de Lisboa"

Colunas - Alicerces do Nosso Mundo

Estou numa sala; várias colunas encerram o espaço e circundam o chão que se quer limpo e macio, e apenas por vezes não o é.
Olho em redor e tenho a noção da fragilidade do tecto, sem receios, apenas a consciência do facto. Assim como o tecto, também o chão por vezes oscila deslocando as colunas ou inclinando-as.
As paredes são de vidro translúcido através das quais posso observar o movimento em rodopio dos restantes humanos nas suas salas de vida. Poucos estão em tranquilidade e a maioria tomba por diversas ocasiões procurando o auxílio das suas colunas; os que as têm.
Alguns ostentam uma ou duas colunas quase inquebráveis, quase inderrubáveis. Outros possuem várias... frágeis.

Eu estou na minha sala e observo as minhas colunas, o chão, o tecto e as paredes de vidro translúcido que une umas colunas às outras. O chão e o tecto não mais podem ser alicerçados; as paredes podem durar até ao próximo abanão, e de seguida outras colocarei no seu lugar. Algumas das colunas, as construídas por mim, pequenas, frágeis, ainda em desenvolvimento, irão um dia segurar aquele tecto imenso. Mas só uma dessas colunas me transmite o conforto de não ser esmagado um qualquer dia por aquela pesada e ornamentada estrutura. Essa é a coluna que me serena e tranquiliza o espírito do dia a dia passado naquela sala.

Estou aqui, na minha sala, e olho agradecido para essa coluna.

março 15, 2011

Carveste... e memórias minhas

Fico sempre com um nó na garganta quando leio notícias sobre a Carveste, empresa de confecções da minha terra, já há muitos anos em crise e em risco (sério) de fechar.
A malta que lá trabalha está agora em greve, segundo li na página da Rádio Caria:

"As trabalhadoras da empresa de Confecções Carveste, com sede em Caria, encontram-se em greve, desde as 8 horas desta segunda-feira, pelo pagamento do salário de Fevereiro e da parte ainda em falta do subsídio de férias de 2009.
“Há quase três anos que estas trabalhadoras recebem os salários com muito atraso e, com enorme paciência e sentido de responsabilidade têm suportado todos os sacrifícios para salvar a empresa e os seus postos de trabalho”, dá conta em comunicado o Sndicato Têxti da Beira Baixa.
Ao que tudo indica, “não tem havido a mesma atitude por parte da gerência da empresa que, num comportamento que só pode visar o conflito, sistematicamente falta aos compromissos que assume, que dá o dito por não dito e que usa a chantagem, procurando passar para as trabalhadoras e o Sindicato a responsabilidade de qualquer ruptura”, sublinha o sindicato.
Agora, depois de dizer que iria pagar o salário, ou a maior parte dele, até ao dia 11 de Março e de as trabalhadoras terem exigido o seu pagamento integral nesse dia, veio dizer que afinal só pagaria no dia 16 de Março e, ainda assim, se um cliente lhe adiantasse dinheiro.” Pelo que se passou noutros meses não seria de estranhar que no dia 16 viesse dizer que não teve o tal adiantamento e que, por isso, não pagaria a totalidade do salário”, duvidam os trabalhadores. "Note-se que, para colaborar com a empresa, as trabalhadoras fazem horas, trabalham aos sábados e abdicaram do gozo de férias no Natal para tirarem os dias de férias quando deles necessitassem e mesmo assim a empresa tem vindo a colocar obstáculos a esse gozo".
No entanto os trabalhadores da empresa estão disponíveis para encontrar uma solução para o actual conflito mas, desde já deixam claro que, não pactuarão com mais incumprimentos e muito menos se submetem a atitudes de chantagem e de ameaças de levantamento de trabalho. As encomendas existentes são da Carveste e qualquer tentativa de as tentar retirar configura um crime de sabotagem da empresa que não permitem que seja cometido.
“Em face do exposto fica claro que só a gerência da empresa é responsável pela actual greve e pelas consequências que daí advierem”, sublinha o STBB no seu comunicado enviado às redacções esta manhã."

Isto faz-me recordar os meus tempos como administrador-delegado das Faianças Subtil (Caldas da Rainha) e Miderâmica (Coimbra). E a revolta que me provocavam as atitudes de ameaça e de confronto do sindicato. Aliás, como tinha acontecido antes antes quando assumi, por nomeação do tribunal, a gerência da empresa de confecções Colsi (Coimbra), num processo de gestão controlada. Acusavam-me os representantes do sindicato de mentir quando lhes dizia que não havia dinheiro para pagar salários em alguns finais de mês. E apresentavam-me uma «teoria» que já ouvi tantas vezes em reportagens a trabalhadores de empresas em crise: "Como é que não há dinheiro?! Há encomendas!"
Desafiei-os (tantas vezes) a assumirem a gestão das empresas, "se acham que conseguem fazer melhor". Nunca aceitaram, vá-se lá saber porquê...
E sempre tive pena de ver, com estas atitudes, os sindicatos enterrarem ainda mais as empresas em dificuldades.
Sei pelo que passam os gestores de uma empresa em dificuldades, quando têm que negociar com bancos, fornecedores, Estado (Finanças e Segurança Social)... e a empresa pára, por motivo de greve, estrangulando a tesouraria e reduzindo ainda mais a confiança dos clientes.
Admiro-me como a Carveste ainda se aguenta, após tantos anos em crise.

Os Animais sem Espinha e sem Cérebro

Apresentam-se na Natureza diversos animais que ocupam o nosso quotidiano com mais ou menos relevo, podendo ser enquadrados num sem número de classificações possíveis.
Quanto à existência ou não de "espinha", uns existem que apresentam uma coluna vertebral segmentada e crânio onde é permitido o desenvolvimento de um cérebro.

Outros existem cujo corpo molda-se ao espaço, ao tempo, às vontades e seguem o seu caminho em onda sinusoidal sem que ninguém preveja a direcção do trilho.
São os invertebrados que para qualquer lado pendem conforme a circunstância; que alteram o curso sem pejo, gerando a confusão.
É um caminho de atalho sem nexo.
Um percurso sem honra, esse, dos tais animais invertebrados.

março 14, 2011

Mudança de hora - o contraditório

Adoro as chalaças do meu amigo Diogo sempre que recebe um e-mail meu sobre esta minha petição. Desta vez saiu-se com isto:

"E ele a dar-lhe com a mudança da hora!
Pois eu digo que enquanto houver uma criancinha a passar fome em Portugal a hora pode ir para onde quiser.
E já agora porque é que o dia tem de ter 24 horas? No mínimo o dia devia ter 25 Horas para facilitar as coisas.
Além disso eu sou adepto do sistema decimal e por isso proponho a dia das 100 horas e a hora dos 100 minutos porque assim era muito mais fácil e não tinha de andar sempre a fazer contas complicadíssimas.
Mas se acharem que é muito então teríamos o dia com 10 horas e tanto de verão como de Inverno a parte do dia que era dia (espectacular) teria sempre 5 horas e o parte do dia que era noite (ainda mais espectacular) teria sempre cinco horas. Isto sim é que era bonito
Diogo
Acção persus – Os argumentos da força"

Se, mesmo depois de ler o que escreveu o Diogo, concorda com a petição que está disponível aqui, assine-a e divulgue-a.


Consulta e assina a petição

março 12, 2011

Brinquedo de Estranhos, Marioneta de Sonhos - um livro chamado Joana


Foi um sonho e agora é um livro.
Já está disponível a encomenda online no site da editora Apenas: Brinquedo de Estranhos, Marioneta de Sonhos. :)))

Mudança de hora? Nada "legal"...

... pelo menos no sentido que os Brasileiros dão à palavra "legal".
Mas... só eu e mais 125 Portugueses achamos que deveria acabar-se com a mudança de hora?!

"No último domingo de Março, dia 27, às 01h00m, os relógios devem ser adiantados 60 minutos, entrando em vigor a denominada Hora de Verão."

Se não sabe a origem, razões, vantagens e inconvenientes da mudança de hora, tem aqui alguma informação que tenho vindo a reunir ao longo dos anos.

Se concorda com a petição que está disponível aqui, assine-a e divulgue-a.


Consulta e assina a petição

A maioria só lá esteve para fazer companhia

A esta hora está a sair da rua a manif da geração à rasca e até parece compostinha nos écrãs da televisão.

Contudo, tenho estado atento às entrevistas de rua (as que verdadeiramente definem o calibre de um movimento desta natureza) e fico cada vez mais boquiaberto perante a ausência de credibilidade tanto da causa como, e acima de tudo, da juventude que hoje a protagoniza.

A verdade é esta: a maioria das pessoas na rua não sabem ao que vão. E as que sabem só têm um objectivo e verbalizam-no: fazer cair este Governo, como se estivéssemos a falar do Sporting e estivesse em causa mudar de treinador.

O problema é que não faltam treinadores melhores do que aquele que o Sporting deixou sair, mas as alternativas de poder escasseiam e nenhuma das pessoas presentes na manif faz a mínima ideia ou tem a menor intenção de apresentar a sua.

Cada vez mais é nítido que a malta à rasca quer apenas o sangue de um bode expiatório, procuram a vitória possível de criarem as condições ideais para derrubarem um Executivo cheias de esperança no senhor que se seguir. Mas sem o nomearem, sem soluções para os problemas que os movem e que, quem tem visto o que eu vejo não pode negar, acabam por nem estar directamente ligados ao que serve de mote para esta contestação popular porque sim.

É mesmo, como alguém já referiu, a geração tiririca (tirem os que lá estão porque pior do que está não fica) e utilizam a sua capacidade de mobilização virtual e mediática para algo que feito assim, sem norte, não passa aos meus olhos de uma fantochada.

Das pessoas entrevistadas quase metade dificilmente se podem apelidar de jovens e apresentaram justificações quase sempre ligadas à mobilização de ordem familiar ou se tratava de pequenos grupos representativos de classes que ali se juntaram por oportunismo descarado, para aproveitarem os holofotes dos media e dizerem de suas razões.

Uma manif assim só pode ser um sucesso, chamando por uns (os jovens) mas reunindo outros que se aproveitam do pretexto para darem mais um empurrãozinho na ansiada queda do Governo que, como já se percebeu, dará lugar a um outro capaz de dar a volta a isto numa pressa do camandro.

Eu nem percebo porque insiste o actual Governo em manter-se em funções. Se for verdade que têm garantidos tachos magníficos cá fora não sei o que estão a fazer lá dentro. E se o povo (venham eleições e logo se tiram as conclusões) diz que os que lá estão são maus é porque acredita que os próximos farão melhor e eu sinceramente gostava de ver isso, mas por outro lado tenho que privilegiar os interesses do país e desses não faz parte substituir um Governo baseado num partido que, mal ou bem, está unido em torno de um líder por um outro Governo formado pelo partido alternativo cujo presente (mas sobretudo o passado) esclarecem acerca da forma como se entendem entre si.

Num clima de crise financeira e com vários abutres externos com o cerco montado à espera do safanão que constitui o seu sinal de entrada no castelo, não consigo entender a lógica da malta supostamente tão à rasca que lhes quer abrir os portões com esta sua intervenção queixinhas que continua a dar-me a razão que eu preferiria perder:

Não fazem a mínima ideia do que querem fazer a seguir.

E eu, como muitos outros à rasca propriamente ditos, tenho um presente concreto para gerir e não me compadeço da ameaça de um futuro feito pelos que não sabem por, nem para, onde querem ir.

Governo à Rasca? Deixem de poupar a todo o custo!

300 mil manifestantes em Lisboa e 80 mil no Porto. É obra!
Um rapaz de caracóis louros diz para a televisão que quer que "o Estado caia". E entendo que o Shark fique à rasca.
Mas muitos outros sinais fazem-me pensar que, se eu estivesse no Governo (actual ou potencial, que já sabemos que isto é uma dança do «Vira» - "ora agora viras tu, ora agora viro eu, ora agora viras tu, viras tu mais eu") ficaria à rasca se não tivesse soluções concretas para corrigir o que tem vindo a ser feito pela porca da política. Não é preciso ter estudos para se saber o que acontece quando se poupa a todo o custo e, pior ainda, em vez de se dar o exemplo ainda se mantêm mordomias adquiridas. É fazer ao país o equivalente a chegar a uma empresa em dificuldades e começar a cortar a torto e direito nas despesas.
Por (de)formação, a frase que mais gostei de ouvir hoje foi esta:

"Economia é a tua tia"

Geração à Rasca: Manifesto acerca da nossa fraca responsabilidade democrática e dos protestos mal dirigidos


Manifesto do Katano


David Caetano - Blog do Katano

Uma resposta limpinha à argumentação ORCAlhona

Bom, meu douto parceiro, começo por contestar esse bode expiatório fraquinho que são os pais. Os pais, Orca? Tu que és pai, mesmo tendo a sorte de te tocar um puto à maneira, sabes que é uma lotaria. Por outro lado, desculpabilizar as aventesmas com base nas asneiras bem intencionadas ou por mera inépcia dos progenitores equivale a passar atestados de incompetência a uns e cartas brancas para a estupidez aos outros seus herdeiros.

É claro que o meio envolvente pode determinar/condicionar a evolução de um indivíduo mas se lhes damos acesso a mais informação do que em algum momento da História da Humanidade esteve ao dispor dos plebeus isso permite aos melhores moldarem as suas convicções e, por tabela, abraçarem a democracia participativa como opção.
Deveriam até ser capazes de formarem uma alternativa séria (porra, eleitorado potencial não lhes falta), para poderem criar as condições para as tais manifes bem organizadas e com soluções e não apenas queixinhas.
E não aceito de forma alguma o paralelo com as causas pelas quais tiveram que se bater os que citas. O país é democrático e qualquer cidadão pode (deve) ser capaz de berrar com base em ideais bem concretos e não em queixinhas que se somam às dos restantes e não justificam (até pelas benesses que lhes apontas por via dos pais que criticas) especial relevância em relação à dos reformados ou mesmo à dos trabalhadores que se vêem, esses sim, à rasca para honrarem compromissos já assumidos.
E é a palavra compromisso a chave do meu raciocínio.
É baril participar numa manife, bem o sabemos. Mas a coisa nasce e morre ali se não há planos sérios para o futuro da coisa. E esses, não há volta a dar, fazem-se antes da gritaria e não depois de se ver no que dá, depois de contar espingardas.
É uma cobardia política e um comodismo intelectual, convirás.

Claro que reconheço o perigo das generalizações, mas eles mesmos ao aceitarem rótulos e ao elevarem os mesmos à condição de punch line abraçam a generalização que até lhes convém (para parecerem uma organização com um fio condutor e apelarem à força da multidão).
São a geração à rasca e qualquer de nós sabe que à rasca, insisto, estão aqueles que para além de lhes sustentarem os vícios ainda têm que honrar compromissos e, lá está, fazerem funcionar os mecanismos da democracia que entre outros privilégios que, por exemplo, os jovens líbios não possuem, lhes garante o direito à livre manifestação das suas dores.
E esse não contesto, de todo. Pelo contrário, é o meu apreço (e o meu currículo) nessa matéria que mais motiva o tom da posta que serve de base para esta prazenteira troca de impressões.
A luta popular merece o respeito de ser levada a sério, não pode ser confiada ao livre arbítrio das conjunturas e dos impulsos agregadores. Merece, por exemplo, aquilo que as revoltas no Egipto ou na Tunísia possuíam: causas sérias.
E agora vamos lá à seriedade deste pseudo-movimento deolinda:
dificuldades? recibos verdes? As gerações anteriores à deles conheceram o trabalho sem direito a férias, a necessidade de alugarem casas a meias com hóspedes para as poderem pagar e uma data de coisas que conhecerás tão bem como eu, porra...
Fizeram o quê? Um 25 de Abril, que por muitas pedras que lhe mandem aos telhados de vidro que as múltiplas seitas e associações lhe criaram nestas décadas ainda hoje lhes oferece de bandeja uma democracia que não sabem (nem querem - o discurso abstencionista e a alergia à política partidária predominam) cultivar e defender.
Preferem dar nas vistas, aproveitarem a embalagem do que vêem na tv para reclamarem uma voz que ninguém lhes nega no sistema em vigor. Têm é que vergar a mola, investirem tempo e carola para fazerem aquilo que vão para a rua exigir a terceiros.
E isso é uma seca, não prestigia a pessoa como encher a boca a dizer "eu estive lá".
Mesmo que esse "lá" não passe de uma birra, por muito que alguns deles vejam o futuro negro neste presente cinzento.
Mudem o mundo, mas com maneiras. Com inteligência, com persistência, com ideias alternativas que em não existindo fazem com que os protestos de rua apenas sirvam para apelar ao vazio.
E se para os líbios e os egípcios isso não é ir para pior, na nossa democracia ocidental antes pelo contrário.