outubro 06, 2014

carta da APRE! - a bem da coesão intergeracional

Texto de uma carta enviada pela APRE! ao Expresso e que não foi publicada (recebido por mail, através da direcção da Associação).

Com efeito, os actuais pensionistas portugueses nasceram antes, durante ou pouco depois da 2ª Guerra Mundial, numa sociedade essencialmente agrícola, com um elevadíssimo índice de analfabetismo. Mais tarde enfrentaram uma guerra colonial, em quatro frentes: Angola, Moçambique, Guiné e Timor. Quis o destino que a nossa vida fosse consumida a implantar a democracia, a realizar a descolonização, a construir a sociedade industrial e depois a sociedade de serviços; a transformar o analfabetismo em conhecimento e ciência, substituindo os quartéis militares por universidades e politécnicos, dispersos pelo país. O prémio de todo o nosso esforço parecia estar na adesão à então CEE, actual União Europeia, com uma tal energia e entusiasmo que integrámos o pelotão da frente da moeda única, o euro.

Quando hoje se diz que a actual geração jovem do país é a melhor preparada de sempre, está a dizer-se que nunca antes os pais prepararam a sociedade e investiram tanto nos filhos, para lhes dar um futuro que os próprios pais não tiveram.

Quando os jovens se queixam de pagar impostos e a segurança social para pagarem as pensões dos actuais pensionistas, esquecem-se que os pais podiam não ter investido neles e egoisicamente terem poupando para a sua reforma.

Quando hoje uns senhores de ideologia liberal dizem que o Estado não produz riqueza para pagar as reformas, estão a dizer que não querem pagar impostos para gente que não produz, constituindo uma espécie de resíduo social, esquecendo-se dos benefícios que usufruem, em consequência das transformações sociais que levamos a efeito.

Quando hoje se diz que para atingir as metas orçamentais impostas pela TROIKA, sob caução do Governo, tem de se cortar na despesa social, esquecem-se que a despesa social e os vínculos legalmente constituídos já existiam quando tomaram a decisão de atingir tais metas. Governantes sérios e honestos não podem decidir e assumir compromissos com terceiros que não possam cumprir. Os governantes não são proprietários do poder, desses tratámos nós, os governos governam em nome do povo. (...)

É lamentável a máquina que está montada na comunicação social contra os reformados, pobres ou da classe média. Jornalistas, analistas e comentadores apelando a cortes sobre cortes, achincalhando a Constituição (que também já existia antes de assumirem compromissos irrealistas), implorando à sua violação, esquecem-se que estão a «cavar a sua própria sepultura». Um Estado, integrado na União Europeia, é obrigado a agir de boa fé, como uma pessoa de bem. Um Estado que agora viola princípios e desrespeita direitos, passa a violar sempre e a desrespeitar sempre que isso lhe convém.

Nós não admitiremos que governantes inexperientes, idealistas e manipuladores políticos desrespeitem os nossos direitos, conquistados ao longo duma vida de trabalho e de transformação social. Seremos coerentes com a nossa história, seria triste, muito triste, se ela acabasse assim.

Maria do Rosário Gama, Presidente da Direcção da Apre!
Carlos Frade, Presidente do Conselho Fiscal da Apre

Estando no geral muito de acordo com o que fica dito - encontrando-me ainda ao activo - só terei muitos pruridos em apelidar os actuais governantes de «idealistas», como se refere no texto. Criminosos, talvez, inconscientes, com muitas reservas, deliberados, sempre. Em suma, alguém que mente deliberada e conscientemente em função de um modelo social assumido e cúmplice dos interesses de minorias endinheiradas e que utiliza o voto que lhe foi dado como justificativo das suas malfeitorias.   

3 comentários:

  1. Eu não vou atrás do eufemismo do "liberal".
    Os bandidos gostam muito de usar chavões
    Ele é os activos tóxicos, e não burlas.
    É acções de alto rendimento, e não carrocéis ilegais de fundos que acabam SEMPRE mal.
    Ele é "insustentabilidade" da Segurança Social e não: saque dos fundos de pensões, imenso dinheiro que aos milhões de milhões cada um de nós investe durante toda a vida, para uma vida que não será nunca tanta quanto os anos que se descontou.
    Ou seja, a cleptocracia instalada no mundo sob uma capa mal alfaiatada de ideologia.
    São bandidos.
    Pura e simplesmentes, bandidos.
    A sua "ideologia" não resiste mais que meia hora.
    Como aconteceu num programa de TV, onde o recém empossado "crânio" o Moedas, se esgotou em gaguejos e suores frios, em pouco menos de trinta minutos de debate.
    Parecia um cão a correr à volta da cauda, não porque tivesse pulga, mas porque o dono tinha dito que sim.
    Não saía do mesmo sítio, por mais que se tentasse extender a conversa. Definitivamente o rapaz, tudo o que sai do conforto da cartilha decorada, é o terreno do terror...
    E é desta gentinha que os ladrões põem à frente, na boca de cena a dizer coisas e teorias, enquanto mais ou menos na sombra mexem cordelinhos uns, e outros vão à socapa pelas coxias a deitar a mão às carteiras dos distraídos.

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    1. A minha vénia, Charlie

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