julho 21, 2015

A cada vez mais misteriosa Ilha da Páscoa



         








                                                                                   Há um tempo a esta parte publiquei um post sobre a misteriosa Ilha da Páscoa.

Referia então, numa evocação metafórica, a pulsão extraordinária que teria levado os habitantes daquela pequena porção de terra firme a produzir as gigantescas estátuas. Feito absolutamente notável e ímpar, mas que ao que tudo indicava à altura do post, os teria conduzido à desgraça.
Isolada do resto do mundo, o empenho contínuo tanto para a produção, mas principalmente para o transporte das pesadíssimas obras de arte, teria, ao que se pensa, dado origem a uma catástrofe ecológica. Rolos feitos com milhares de árvores sacrificadas de forma contínua teriam levado à desertificação progressiva. Desprovida da cobertura vegetal e sem caça,  nem para fazer pequenas embarcações de pesca havia madeira aquando da chegada dos Europeus àquela ilha.
                                                                   











   A catástrofe ecológica e os parcos recursos restantes teriam levado à luta fraticida entre as diversas tribos em que a população estava dividida conduzindo-os até ao limite canibalismo.

Pondo de lado os considerandos e comparações em jeito de parábola, com determinados grandes projectos  do nosso mundo moderno e os enormes riscos a eles associados a que nesse post fazia então referência, limito-me "apenas" a expressar a mais profunda surpresa e admiração pelo trabalho efectuado pelos antepassados (?) dos Rapa Nui.
De facto, as estátuas, das quais apenas se conheciam as cabeças, são na verdade muito maiores e mais intrigantes do que se pensava.
Por baixo a
terra esconde a continuação das cabeças, corpos inteiros talhados na pedra da ilha, oitocentos e oitenta e sete enormes estátuas, que são atribuídas a umas poucas centenas, talvez um ou dois milhares, de habitantes....

Não podemos deixar de nos interrogarmos profundamente. Algo não está bem explicado. Se as cabeças só por si e dados os parcos meios, já são difíceis de cortar, talhar e transportar, os corpos inteiros, obviamente e  por maioria de razões, ainda mais perplexidade nos suscitam. O intervalo de tempo a que os investigadores atribuíam a construção e instalação, ainda mais inverosímil se apresenta, agora que se descobriu o tamanho final das peças. Algures entre os Séc. XII e XIV,  um povo chegado à ilha por pirogas depois de deambular milhares de quilómetros perdidos no oceano, teria de repente tido uma enorme vontade de fazer estátuas cada  vez maiores...

Não sei, mas agora com esta descoberta, a espectativa é enorme. As petrografias que os corpos das estátuas apresentam são decerto a chave para o
enigma, assim se decifre o que a sua escrita encerra.
Não deixa de ser irónico sermos regularmente confrontados com explicações e decifrações de mistérios, quer sejam sobre as pirâmides do Egipto, quer sobre estas igualmente intrigantes produções do engenho Humano.

Sempre que um iluminado e certamente sabedor académico explica de forma certinha, tudo o que nos enchia as mentes de mistério, eis que  o próprio mistério avança silencioso mais um passo e se encarrega de renovar a sua carga .

Quem terão sido os verdadeiros construtores daquelas estátuas?
 De que meios disporiam?
O que significam de verdade?

O que sabem os RapaNui sobre elas? O que contam as suas lendas?

Onde estão as respostas e que lições mais tem elas para dar-nos?


3 comentários:

  1. Quanto mais descobrimos, mais sabemos que praticamente nada sabemos.

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    1. E sabemos tão, mas tão pouco.....,

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  2. Mas, especulando....
    A julgar pelos hieróglifos inscritos nos corpos das estátuas, será que deveriam estar enterradas, ou seja, fora do alcance visual?
    Estarem até aos pescoços, apenas com as cabeças visíveis, será consequência de uma acção propositada ou dever-se á antes à acção do tempo que progressivamente foi tapando com aluviões vegetação rasteira que seca e forma a base para mais vegetação, lismos etc que vão fazendo subir o nível do solo?
    Este fenómeno é aliás comum por todo o lado. As descobertas arqueológicas estão sempre ou quase sempre muitos metros abaixo do solo por efeito da acção do tempo que progressivamente as vai tampando com terra, vegetação e mais terra.
    Assim, não será possível que existam ainda mais estátuas totalmente cobertas e assim, debaixo do solo?

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