junho 13, 2005

Faça uma crítica literária

Se quiser, envie-ma que eu publico.
Ou então, faça-a na página


CriticaLiteraria.com

Terei todo o gosto em transcrever aqui a sua crítica.
Eu já lá deixei «algumas notas do autor».

Mais locais onde pode comprar o livro

Publindústria

Byblos

O livro pode ser ainda encontrado em todas as boas livrarias que tenham livros técnicos. Por exemplo:

Livraria 115



Almedina

Espero que valha a pena...

"Comprei recentemente o seu livro.
Iniciei a sua leitura e estudo. Pelo conteúdo, estou convicto que será um instrumento valioso para o meu desempenho profissional.
Parabéns pela iniciativa e esforço. Bem haja.
José Pinho
recebido por e-mail"

Eu é que agradeço as suas palavras e a iniciativa que teve em me escrever. Isto altera um pouco o estatuto de livro como uma obra solitária (do autor, quando a escreve, e depois do leitor).
Espero que dê por bem empregue o dinheiro que pagou e, já agora, ficar-lhe-ia muito grato se pudesse depois dar-me a sua opinião crítica sobre o livro.
Pela minha parte, estou aqui à disposição.

junho 12, 2005

A política é o domínio por excelência das falácias

O Ministério da Saúde anunciou na semana passada a redução de 6% no preço dos medicamentos.
Como explica Abílio Ferreira no «Expresso» "é uma falácia que assenta em contas erradas. A verdade é que a queda no preço final será inferior a 4%, tendo em conta que o efeito da perda de 2% na margem de distribuição se aplica aos 27% que ela representa no preço de venda. Um medicamento que agora custe € 100 sofre uma primeira redução para € 97, suportada por todos os agentes da fileira, acrescida da quebra de 1% da margem do grossista e de 2% da farmácia. Este efeito vale € 0,50 - o preço final será de € 96,5. A queda é, como é notório, inferior a 4%".

Isto faz-me lembrar, nas empresas, os descontos feitos em vendas por grosso. Por exemplo, "40% mais 20% mais 5%". Parece que o desconto é de 65%, mas quem anda nestas lides sabe que não é nada disso e sim "40% mais 20% sobre o preço com o primeiro desconto mais 5% sobre o preço com os dois descontos anteriores". Por exemplo, um artigo que tenha € 100 de preço de tabela tem um primeiro desconto de 40% - fica a € 60 -, um segundo desconto de 20% sobre estes € 60 - fica a € 48 - e finalmente um desconto de 5% sobre os € 48. Resulta então um preço final de € 45,60. Ou seja, o desconto total foi de 54,4% e não os tais 65%.

junho 11, 2005

Há argumentação nas escolas de gestão

"Caro Paulo, o mundo é uma aldeia ou, como diria um tio meu, Coimbra é que é grande!
Como sabes passei por várias universidades para além da FEUP! Nesta nunca tive nenhuma cadeira relacionada com os temas que referes; nem nesta nem nas outras. Contudo, ao nível de mestrados sim.
Aliás, depois de ter estudado em Coimbra, no Porto e em Lisboa, foi na Católica que encontrei uma escola de livre pensamento, onde os alunos podiam refutar o professor desde que, para isso, apresentassem argumentação sólida e estruturada.
E nada melhor do que fazer business cases em equipa com pessoas de origens académicas e profissionais manifestamente diversas (falo do MBA). Aprendi a trabalhar e a pensar em equipa, a negociar melhor, a argumentar na defesa das conclusões face a uma plateia que, não sendo céptica, era exigente.
De facto, os temas que referes são cobertos nas cadeiras de negociação, ética e outras, não havendo uma cadeira específica para elas.
Termino com uma pequena estória contada por um professor que tinha acabado de regressar de Harvard, onde se doutorara. Dizia ele que na defesa de um trabalho de grupo, um colega pedira desculpa ao professor por apresentar um documento com demasiadas páginas, mas que de facto eles não tinham tido tempo para o sintetizar.
João Mãos de Tesoura"

Meu caro João, eu não digo que nos cursos de gestão não se usa argumentação. Aliás, uma tese é um argumento, não é? O que digo é que não se aprendem as bases e as regras da argumentação. Assume-se - quanto a mim muito erradamente - que os alunos devem saber desenrascar-se por si próprios. Ou seja, pratica-se sem enquadramento teórico. E depois dizemos que os portuguesinhos têm espírito de desenrascanço. E, tal como o vinho, que tanto pode servir para comemorar como para esquecer, essa característica portuguesa tanto é vista como um mérito como uma praga cultural. No meu ponto de vista, é algo que só deveria ser «usado em caso de emergência» e não como se verifica: a torto e a direito.

junho 09, 2005

"a obra deve ocupar a biblioteca joanina de Coimbra"

O João Mãos de Tesoura - que nem sabe ainda que me conhece - fez o seguinte comentário ao livro "Persuacção» no blog Aliciante:
"Pelo título, «o que não se aprende nos cursos de gestão», a obra deve ocupar a biblioteca joanina de Coimbra... e estou a falar só do índice! :D
Não conheço o autor, mas li que tirou o curso em Coimbra o que fará com que esta obra traga capítulos dispensáveis noutras escolas (provocação saudável de alguém da católica de Lisboa, mas com a qual estou certo que o autor concordará). Temos em Lisboa cursos de empreendedorismo, isso sim, fazer com que o curso de gestão crie valor e não somente engenharia de carreira. Alonguei-me, o tema era aliciante! (...) Espero sinceramente que o livro venda muito! Já estou cansado dos gurus das revistas cor-de-rosa de gestão!"


Meu caro João Mãos de Tesoura, só saberei se posso ou não concordar contigo se me esclareceres o seguinte: durante o teu curso, tiveste alguma cadeira (ou um banquinho que fosse) em que abordasses argumentação racional, pensamento crítico, retórica... ou algo deste género? Além da lógica formal nas matemáticas? Se tiveste, óptimo, mas não foi a informação que recolhi enquanto preparava o livro.

junho 06, 2005

A capa do «Persuacção» segundo um especialista

"Desculpe esta intromissão.
Não sendo eu um candidato a gestor, não li o seu livro, mas... olhando para a capa, abria-o de certeza.
Parabéns pelo seu livro e parabéns pela capa.
Boa... em qualquer parte do mundo
ABC Dário"

Este comentário, vindo do designer gráfico que põe as
letrinhas e os objectos a argumentar de forma deliciosa, deixa-me extremamente satisfeito.
A capa foi realizada pela Sílabo com base numa ideia minha. E também acho que está muito conseguida.
Pena é que nas livrarias as obras de gestão não mereçam, em regra, qualquer destaque.

junho 02, 2005

Uma nova colega com os mesmos problemas de todos nós

"Descobri o seu livro nos escaparates da Bertrand e gostei do título que lhe deu. Agora, descubro o seu blog, no qual apenas «surfei» um pouco.
Li a introdução do seu livro e fiquei curiosa pois, de facto, há muita coisa que não se aprende num generalista curso de Gestão...
E, como eu também tirei o curso de Gestão - mas pela excelente escola de Gestão do ISCTE em Lisboa - vou concerteza ler todo o seu livro.
Agora que comecei a trabalhar, tomei noção que existem muitas formas de fazer diferentes das que nós, universitários, aprendemos a fazer. No entanto, também há muitas formas de «dar a volta à coisa» e nisso os Portugueses são especialistas... Criam-se argumentos falaciosos e rebuscados para evitar uma qualquer obrigação, dever, regra, norma ou mesmo lei.
Há que mudar esta tuga-mentalidade com urgência e evitar que a mesma se propague pelas gerações mais novas - a minha...
Basta ceder uma vez para ficarmos na zona de acomodação que criámos em nosso redor...
Não entrando em questões políticas, o Estado tem um papel fundamental nessa mudança: desde a primária, passando pelo secundário e mesmo o ensino universitário, existem muitos acomodados que incutem a inércia e o «desenrasca» aos próprios alunos, pois ninguém os lidera, controla ou avalia.
Se passarmos esta dimensão para os serviços públicos (segurança social, hospitais, IEFP, tribunais, finanças, ministérios, Assembleia da República...) vemos que o caso português é quase clínico, uma vez que se verifica uma desordem, uma desorganização. Tudo porque todos no sistema interno se sentem assegurados, donos da sua secretária e de nada mais. O Patrão-Estado é uma figura intangível que não pune a sério, que até dá subsídios improdutivos mas chorudos, e que nunca vigia atitudes e comportamentos dos altos gestores públicos. Como tal, esses senhores também não têm necessidade de avaliar o que está a ser feito (erros, gastos,...) pelo restante factor humano da pirâmide.
É, de facto, um problema muito sério e que urge ser resolvido!
Cristina Pereira"

Recebido por e-mail

Independentemente dos pontos de vista que se tenha sobre os mais variados assuntos, é importante que se formem com base em premissas sólidas.
Tu mostras com clareza o que eu refiro no livro: dominar as regras da argumentação racional é muito importante para o nosso dia-a-dia pessoal e profissional, em que somos bombardeados com «verdades de fachada».

Mais blogs e navegantes da Web amigos

Bem hajam:

Nikonman, pelas palavras de incentivo e pela divulgação do livro na «Praça da República em Beja»;

Mad, pelos miminhos tão calorosos que me fazes chegar da «Aliciante» planície.

junho 01, 2005

Mais blogs e navegantes da Web amigos

Bem hajam:

Marca (minha colega de curso), que consegue ter mais entusiasmo por este livro que eu próprio. Recomendo uma visita ao seu blog - Marca Dor - onde ela escreve de economia como dos seus próprios sentimentos: "com as marcas do coração";

Encandescente, a quem alguém já chamou poetusa (por ser poetisa do erotismo) e cujo talento vai muito para além da poesia que nos deixa deliciados no blog «Erotismo na Cidade». Que homenagem melhor poderia eu ter dela do que um link para este blog, em que a Encandescente diz "lendo"?

maio 28, 2005

Livro disponível no Clube BPI

O Clube do Banco BPI disponibiliza o livro «Persuacção» para os seus associados.

maio 26, 2005

«Persuacção» no «Diário de Coimbra»

O «Diário de Coimbra», conhecido pelos amigos como «Times» ou «Calinas», publicou hoje na secção "Empresas & Negócios" um artigo sobre o livro «Persuacção».
Aproveito a oportunidade para mandar um abraço ao director, Engenheiro Adriano Lucas, ao chefe de redacção e meu amigo Manuel de Sousa, bem como a todos os jornalistas e funcionários com quem convivi vários anos e tanto aprendi enquanto coordenei o suplemento de economia do jornal: «Centro Portugal Economia».

Blogs e navegantes da Web amigos

Bem hajam:
Gotinha, pelo post que publicaste no BLOGotinha a divulgar o livro «Persuacção»;

São Rosas, que num comentário no Murcon (do Júlio Machado Vaz), referiste este livro, a propósito da polémica da educação sexual nas escolas:
"Não é possível um diálogo racional com quem vê o sexo como pecado e coisa vergonhosa. As falácias são mais que muitas e, como escreve um amigo meu num livro de gestão fresquinho - «Persuacção - o que não se aprende nos cursos de gestão» - se não estivermos prevenidos, caímos sempre em armadilhas da argumentação falaciosa. O livro não é erótico :-) mas recomendo";

Ognid, pelo post da Catedral em que recomendaste a leitura e em que Aziluth comentou:
"Gosto do título. Auguro boas vendas. Tanta gente a precisar de persuasão e ainda mais de acção! Dava certamente jeito ao governo, agora que nos quer impingir a sua persuacção, aliás coacção tributária (entre outras coisitas pouco graves como seja trabalhar mais cinco anitos para chegar à reforma, eu que aos quarenta já começo a vergar...). Seja como for, quero expressar os meus votos de grande sucesso para o livro e antevejo outro público para além do clássico empresarial"

maio 23, 2005

O velho, o rapaz e o burro

"No final do livro, apresenta no apêndice a história «o velho, o rapaz e o burro». Lembro-me de ler isto nos meus tempos de escola, mas sabe quem é o autor?
José Martins
recebido por e-mail"

O texto que ambos lemos nos tempos de escola...

O velho, o rapaz e o burro


Vivia no monte um homem muito velho que tinha na sua companhia um neto. Certo dia o velho resolveu descer ao povoado com o seu burro fazendo-se acompanhar do neto. Seguiam a pé, o velho à frente seguido do burro e atrás o neto. Ao passarem por uma povoação logo foram criticados pelos que observavam a sua passagem:
- Olhem aqueles tolos alí, com um burro e vão a pé.
O velho disse ao neto que se montasse no burro e este assim fez. Um pouco mais adiante passaram junto de outras pessoas que logo opinaram:
- O garoto que é forte montado no burro e o velho, coitado, é que vai a pé .
Então o velho mandou descer o neto e montou ele no burro. Andaram um pouco mais até que encontraram novo grupo de pessoas e mais uma vez foram censurados:
- Olhem para isto. A pobre criança a pé e ele repimpado no burro.
Ordenou então o velho ao neto:
- Sobe rapaz, seguimos os dois montados no burro.
O rapaz obedeceu de imediato e continuaram a viagem mas um pouco mais adiante um grupo de pessoas enfrentou-os com indignação:
- Desçam, homens cruéis, querem matar o burrinho?
Descendo do burro, disse o velho ao rapaz:
- Desce, continuamos a viagem como começámos. Está visto que não podemos calar a boca ao mundo.

O autor desta pérola foi Jean de la Fontaine e a versão original é assim (*1):

Le Meunier, son Fils, et l'Ane

L'invention des Arts étant un droit d'aînesse,
Nous devons l'Apologue à l'ancienne Grèce.
Mais ce champ ne se peut tellement moissonner
Que les derniers venus n'y trouvent à glaner.
La feinte est un pays plein de terres désertes.
Tous les jours nos Auteurs y font des découvertes.
Je t'en veux dire un trait assez bien inventé;
Autrefois à Racan Malherbe l'a conté.
Ces deux rivaux d'Horace, héritiers de sa Lyre,
Disciples d'Apollon, nos Maîtres, pour mieux dire,
Se rencontrant un jour tout seuls et sans témoins
(Comme ils se confiaient leurs pensers et leurs soins),
Racan commence ainsi : Dites-moi, je vous prie,
Vous qui devez savoir les choses de la vie,
Qui par tous ses degrés avez déjà passé,
Et que rien ne doit fuir en cet âge avancé,
A quoi me résoudrai-je ? Il est temps que j'y pense.
Vous connaissez mon bien, mon talent, ma naissance.
Dois-je dans la Province établir mon séjour,
Prendre emploi dans l'Armée, ou bien charge à la Cour?
Tout au monde est mêlé d'amertume et de charmes.
La guerre a ses douceurs, l'Hymen a ses alarmes.
Si je suivais mon goût, je saurais où buter;
Mais j'ai les miens, la cour, le peuple à contenter.
Malherbe là-dessus : Contenter tout le monde!
Ecoutez ce récit avant que je réponde.

J'ai lu dans quelque endroit qu'un Meunier et son fils,
L'un vieillard, l'autre enfant, non pas des plus petits,
Mais garçon de quinze ans, si j'ai bonne mémoire,
Allaient vendre leur Ane, un certain jour de foire.
Afin qu'il fût plus frais et de meilleur débit,
On lui lia les pieds, on vous le suspendit;
Puis cet homme et son fils le portent comme un lustre.
Pauvres gens, idiots, couple ignorant et rustre.
Le premier qui les vit de rire s'éclata.
- Quelle farce, dit-il, vont jouer ces gens-là?
Le plus âne des trois n'est pas celui qu'on pense.
Le Meunier à ces mots connaît son ignorance;
Il met sur pieds sa bête, et la fait détaler.
L'Ane, qui goûtait fort l'autre façon d'aller,
Se plaint en son patois. Le Meunier n'en a cure.
Il fait monter son fils, il suit, et d'aventure
Passent trois bons Marchands. Cet objet leur déplut.
Le plus vieux au garçon s'écria tant qu'il put:
- Oh là ! oh ! descendez, que l'on ne vous le dise,
Jeune homme, qui menez Laquais à barbe grise.
C'était à vous de suivre, au vieillard de monter.
- Messieurs, dit le Meunier, il vous faut contenter.
L'enfant met pied à terre, et puis le vieillard monte,
Quand trois filles passant, l'une dit : C'est grand'honte
Qu'il faille voir ainsi clocher ce jeune fils,
Tandis que ce nigaud, comme un Evêque assis,
Fait le veau sur son Ane, et pense être bien sage.
- Il n'est, dit le Meunier, plus de Veaux à mon âge:
Passez votre chemin, la fille, et m'en croyez.
Après maints quolibets coup sur coup renvoyés,
L'homme crut avoir tort, et mit son fils en croupe.
Au bout de trente pas, une troisième troupe
Trouve encore à gloser. L'un dit : Ces gens sont fous,
Le Baudet n'en peut plus ; il mourra sous leurs coups.
Hé quoi ! charger ainsi cette pauvre bourrique!
N'ont-ils point de pitié de leur vieux domestique?
Sans doute qu'à la Foire ils vont vendre sa peau.
- Parbleu, dit le Meunier, est bien fou du cerveau
Qui prétend contenter tout le monde et son père.
Essayons toutefois, si par quelque manière
Nous en viendrons à bout. Ils descendent tous deux.
L'Ane, se prélassant, marche seul devant eux.
Un quidam les rencontre, et dit : - Est-ce la mode
Que Baudet aille à l'aise, et Meunier s'incommode?
Qui de l'âne ou du maître est fais pour se lasser?
Je conseille à ces gens de le faire enchâsser.
Ils usent leurs souliers, et conservent leur Ane.
Nicolas au rebours, car, quand il va voir Jeanne,
Il monte sur sa bête ; et la chanson le dit.
Beau trio de Baudets ! Le Meunier repartit:
- Je suis Ane, il est vrai, j'en conviens, je l'avoue;
Mais que dorénavant on me blâme, on me loue;
Qu'on dise quelque chose ou qu'on ne dise rien;
J'en veux faire à ma tête. Il le fit, et fit bien. (*2)

Quant à vous, suivez Mars, ou l'Amour, ou le Prince;
Allez, venez, courez; demeurez en Province;
Prenez femme, Abbaye, Emploi, Gouvernement:
Les gens en parleront, n'en doutez nullement.


Jean de la Fontaine
_____________________________
(*1) esta e as outras fábulas de la Fontaine podem ser consultadas aqui.
(*2) la Fontaine ainda se esqueceu de uma outra opção:

maio 18, 2005

O livro já pode ser comprado por aí:

Pela Internet:

Somlivre.pt


Mediabooks



FNAC



Bertrand

As livrarias Bertrand já têm o livro disponível.
Brevemente também em outras livrarias em todo o país...

maio 16, 2005

Falácias formais? Que as há, há...

"No seu livro, refere que as falácias de conteúdo são as que mais facilmente se encontram na argumentação, quando há processos de mudança nas organizações.
De todos os casos práticos que apresenta, só há um exemplo de possível falácia formal (que se verifica que nem sequer é falácia).
Pode dar mais algum exemplo de falácia formal?
Fernando Silveira
recebido por e-mail"


Posso dar-lhe um exemplo recente que tem a ver com mudança organizacional, neste caso induzida por factores externos: o protocolo de Quioto.
As empresas de cerâmica estarão enquadradas na legislação decorrente do protocolo de Quioto (com limites para a emissão de gases com efeito de estufa) se forem "unidades com capacidade de produção superior a 75 toneladas por dia e/ou uma capacidade de forno superior a 4 m3 e uma densidade de carga enfornada por forno superior a 300 Kg/m3" (directiva 2003/87/CE transcrita ipsis verbis para a legislação portuguesa).
Os espanhóis resolveram o problema de uma forma simples: substituíram o «e/ou» por «e» na transcrição da Directiva para a legislação nacional... e deixaram de ter dúvidas. Agora nós: temos A e/ou B e C. Diz o Governo (Instituto do Ambiente) que "basta uma das três condições ser preenchida". Eu digo-lhes que são a A ou a B e também, necessariamente, a C. Mas reconheço que não é claro, também para mim, já que, em rigor, deveria ter «(A e/ou B) e C».
E uma coisa é certa: a condição C não é preenchida por muitas empresas. Pela minha leitura, estariam isentas. Pela leitura do Governo, estão enquadradas porque estão dentro das condições A e B.
Desidério MurchoPedi a opinião a Desidério Murcho: "o governo português parece estar a interpretar a lei assim: A e/ou (B e C), de modo que bastaria ter A para ter de cumprir a obrigação. Haver coisas
destas em legislação internacional é a demonstração de como uma formação elementar em lógica faz falta; pois imagine o que seria um legislador que apresentasse uma lei que dissesse que para se fazer o cálculo de um dado imposto se fazia assim: A + B x C. Claro, neste caso, toda a gente vê logo que há uma ambiguidade porque tudo depende de onde se mete os parêntesis. Com esta bagunça os espanhóis podem defender-se dizendo que a ausência de parêntesis indica que o legislador não pode ter em mente «e/ou» mas apenas «e» pois nesse caso não há ambiguidade por falta de parêntesis!"

Confuso? Também eu! E seria tão simples, se a linguagem utilizada pelo legislador fosse clara, sem ambiguidades...

maio 11, 2005

Sinopse

Persuacção, s. f. forma particular de persuasão tendo uma determinada acção como fim último.

Embora esta palavra não apareça em nenhum dicionário, os gestores praticam-na. Ter consciência disso torna-nos a todos, elementos de organizações, menos vulneráveis às armadilhas de argumentação falaciosa. De que forma? Só lendo...

A mudança nas organizações nunca é um processo meramente técnico e puramente objectivo. Porque é preciso persuadir, provocando ou aumentando a adesão de terceiros, a argumentação para a acção assume uma importância vital para que as decisões – as escolhas – se tornem, na medida do possível, imunes às armadilhas que são colocadas pelos elementos da organização que resistem à mudança.
Estas armadilhas – as falácias – surgem ao longo de todo o processo de mudança: tanto na fase de preparação, como na de implementação e mesmo no controlo. Assumem a forma de argumentos não válidos, seja por sofrerem de vícios formais, de conteúdo ou por não cumprirem as regras de uma argumentação racional. É assim útil o domínio da argumentação – e das técnicas que lhe estão associadas – para desmontar argumentos falaciosos que interessa contrariar, sob pena de se pôr em causa o próprio processo de mudança, por vezes mesmo antes deste se iniciar.
Nesta obra, Paulo Proença de Moura propõe que se estabeleça uma ponte entre a gestão e a argumentação filosófica, para que o agente de mudança adquira competências que normalmente não são contempladas no ensino de gestão em Portugal.
Os vários casos práticos apresentados permitem reforçar a utilidade desta obra e o domínio da argumentação, não só para os gestores, mas também para todos os elementos da organização.

Autor: Paulo Proença de Moura
Editora: Edições Sílabo, Lda.
Preço de Venda ao Público: 16,90 €
Nº páginas: 200
Publicação: Maio de 2005

maio 03, 2005

Boas novas

Recebi hoje esta mensagem da Sílabo:
"os livros chegaram às nossas instalações durante a manhã de hoje".
Habemus libri!

abril 30, 2005

A capa já está decidida

E será esta, o resultado de um trabalho de equipa entre mim, a Sílabo e todos os meus amigos que fizeram críticas e deram sugestões:


Bem hajam.