que estão perdoados
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novembro 02, 2014
outubro 29, 2014
Grafeno, uma alternativa formidável, já!.
Abastecer um carro eléctrico em trinta segundos e um telemóvel em dois?
O nosso mundo,
melhor, a fórmula de relativa estabilidade ambiental que dá o suporte à
simbiose que nos permitiu construir a civilização actual está gravemente
ameaçada. Não só a
superpopulação devido à explosão demográfica versus a crescente escassez de
recursos, mas principalmente a não sustentabilidade dos modelos energéticos,
são a principal ameaça. Se por um lado é possível conduzir-se por iniciativas
institucionais à limitação demográfica, por outro lado, tanto a produção de
energia como a produção de alimentos ultrapassaram já há muito o limiar da sustentabilidade.
Não é possível continuar a produzir num modelo que globalmente tira mais da
equação ambiental daquilo que ela pode dar. O défice é esse que todos nós
sentimos, como mero elemento que somos nesta teia de interacções complexas dum
ecossistema que teimamos em ignorar.
Os horizontes não são agradáveis por mais que determinados
governantes insistam em projectar cenários de amanhãs sempre melhores do que os
que passaram e que todos vemos piorar de ano para ano. Um dos elementos que mais contribui para a desequilíbrio
ambiental são os motores de automóvel.
Os recursos energéticos sob forma de combustíveis fósseis estão já
praticamente esgotados. Mesmo em países onde ele jorrava debaixo dos pés por
cada poço que se escavava num quintal. O Dubai, actualmente um centro financeiro que vive
da inércia do movimento de capitais, turismo e investimentos em energia
alternativa, já não tem uma pinga, e os outros Emiratos estão no limiar. Exploram-se
agora os xistos betuminosos, ou seja, as côdeas que ninguém queria quando o
bolo era farto.
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| ciclo dos motores térmicos |
Os motores eléctricos aproveitam a energia aplicada
praticamente a 100%.
Mas as baterias!
As baterias foram desde sempre um quebra-cabeças. Pesadas se feitas de chumbo, caríssimas e complexas se feitas recorrendo às tecnologias de iões de lítio. Depois existe ainda o problema do carregamento. Lento demais para ser alternativa ao ainda prático posto de combustível e sujeito a um infernal condicionamento quanto aos ciclos de carga.
Mas as baterias!
As baterias foram desde sempre um quebra-cabeças. Pesadas se feitas de chumbo, caríssimas e complexas se feitas recorrendo às tecnologias de iões de lítio. Depois existe ainda o problema do carregamento. Lento demais para ser alternativa ao ainda prático posto de combustível e sujeito a um infernal condicionamento quanto aos ciclos de carga.
Isto advém do processo electro-químico que está na base da
construção das baterias que conduz a que para cada um ou dois electrões livres
é preciso dispor de uma fórmula complexa de átomos que lhe dêem o suporte físico.
Numa bateria descarregada, para que ela volte a ter carga, é necessário uma
inversão química de todo o processo e isso tem de ser feito a uma velocidade
relativamente baixa pois de contrário as baterias estão sujeitas à destruição. A juntar a isto, uma deficiente recarga pode conduzir a uma acentuada redução na capacidade de acumulação de energia, o que vulgarmente se chama de viciação, o que leva a que só muito pouca da energia cinética seja possivel de ser recuperada e reconvertida em carga eléctrica devolvida às baterias durante as travagens de desacelerações. Os electrões, extremamente abundantes no Universo, são assim difíceis de guardar no caldinho químico de uma bateria.
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| Condensador eléctrico, duas placas isoladas |
Contudo, isso agora mudou. Uma descoberta fantástica, resultado do trabalho dos Prémio Nobel Andre Geim e Konstantin Novoselov abriu novas perspectivas há pouco tempo sequer imagináveis! O
grafeno permite que se produzam o que
se chama de super-condensadores.
Fundamentalmente, o que é um condensador? Embora tão versátil, um condensador é apenas um dispositivos formado por duas placas. Quanto mais juntas estão, mais energia podem acumular. Jamais se podem tocar e por isso isola-se o espaço entre as duas com uma placa isolante a que se chama dieléctrico. Quanto mais fina, mais capacidade de acumular electrões o dispositivo possui. No limite, se tivessem encostadas uma à outra à distância de isolamento de um átomo, poderiam acumular uma super gigantesca quantidade de energia. O grafeno permite reproduzir precisamente essa condição. Uma descoberta de ficção científica, o grafeno é extremamente leve, resistente e com qualidades extraordinárias a todos os níveis. Com super-condensadores de grafeno é possível produzir baterias para telemóveis que se carregam em dois ou três segundos, para carros que se carregam de seis a trinta segundos, etc. E isto em qualquer patamar de descarga. Tanto faz que esteja quase carregada, a meia carga, ou completamente descarregada. Não tem nem ciclos de carga nem viciações.
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| quanto mais superfície e mais próximas, mais capacidade |
Fundamentalmente, o que é um condensador? Embora tão versátil, um condensador é apenas um dispositivos formado por duas placas. Quanto mais juntas estão, mais energia podem acumular. Jamais se podem tocar e por isso isola-se o espaço entre as duas com uma placa isolante a que se chama dieléctrico. Quanto mais fina, mais capacidade de acumular electrões o dispositivo possui. No limite, se tivessem encostadas uma à outra à distância de isolamento de um átomo, poderiam acumular uma super gigantesca quantidade de energia. O grafeno permite reproduzir precisamente essa condição. Uma descoberta de ficção científica, o grafeno é extremamente leve, resistente e com qualidades extraordinárias a todos os níveis. Com super-condensadores de grafeno é possível produzir baterias para telemóveis que se carregam em dois ou três segundos, para carros que se carregam de seis a trinta segundos, etc. E isto em qualquer patamar de descarga. Tanto faz que esteja quase carregada, a meia carga, ou completamente descarregada. Não tem nem ciclos de carga nem viciações.
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| Estrutura microscópica de uma folha de Grafeno |
Uma enorme vantagem do grafeno é ser -além de muito leve-, incomparavelmente mais barato e no fim do ciclo, totalmente reciclável e de impacto ambiental praticamente neutro.
As indústrias do automóvel tem vindo a dar passos largos ao investir na sua optimização e estão neste momento ao ponto de anunciar a aplicação desta tecnologia aos seus produtos auto movidos a electricidade, embora se deva dizer com toda a propriedade que as aplicações deste material só agora despertaram e sim. Um outro mundo é possível. Não sem problemas, mas certamente sem este: os impactos ambientais no que ao pormenor da produção de energia motora dizem respeito. Outras aplicações extraordinárias podem ser desde já apontadas; roupas e edifícios inteligentes e auto-sustentados. O grafeno é ainda incrivelmente resistente e leve o que está a entusiasmar todos os sectores ligados à inovação mas também outros com larga experiência e tradicionais tais como a engenharia, construção civil e aeronáutica.
A Humanidade encontrou sempre um caminho em momentos em que tudo indicava o seu colapso. Esperemos que esta descoberta contamine no bom sentido todo um paradigma económico que pertence há muito ao passado. Para bem do Planeta e principalmente de todos nós.
outubro 26, 2014
outubro 25, 2014
A liberdade e a felicidade, alguém já achou? Dizem que no Butao as pessoas são felizes...à força. E nós?
Sobre a noção de clausura e felicidade, somos na nossa grande maioria, criaturas complexas. Tirando os casos de alterações graves de personalidade presentes nos exibicionistas, procuramos o retiro e a clausura voluntária para que nos sintamos em plena liberdade nos nossos relacionamentos íntimos.
Num comentário da minha/nossa querida amiga relativo a um post anterior falou-se de liberdade e felicidade.
A liberdade é de facto um conceito bastante vago, talvez ainda mais vago do que a da felicidade.
Poderá um monge que livremente escolhe a clausura, ser indicado como um ser livre?
E já que a sua clausura provém da livre escolha, poderá esse homem preso ser também feliz?
Se-lo á na medida em que a sua escolha livre é aquela em que a sua noção de procura de felicidade está ligada ao que o ambiente de recolhimento proporciona, mas pode não ser nada feliz na sua procura e contudo não querer sair.
Podemos dizer que a sua prisão é quase virtual, pois basta em princípio um acto de vontade para que dela saia. Tal como uns pintassilgos que fizeram ninho de uma gaiola desactivada cuja porta estava aberta, portanto não-presos numa prisão para pássaros.
Sabemos no entanto, durante a História, que muitos homens e mulheres foram monges à força. As questões de herança e partilhas, a sucessão dos ceptros do poder levaram no Velho Mundo a uma prática que deixou para trás uma grande quantidade de mosteiros.
Seriam felizes?
Enterrados vivos sem a tal vocação nem outra culpa que não fosse serem irmãos e irmãs mais novas de famílias que queriam as suas terras indivisas.
Poderiam eles tornar-se felizes mais tarde, à medida que a chama se fosse extinguindo, ou seja que se fossem amansando e baixando os braços, adaptando-se às circunstâncias, abrindo dentro da clausura portas para outras realidades?
Tudo indica que sim na grande maioria dos casos.
O chamado síndroma de Estocolmo refere-se exactamente à moldagem na relação de forças entre raptores e raptados. Numa situação prolongada no tempo, assiste-se a uma rotação de valores, acabando por estabelecer-se uma relação solidária no que começou por ser uma dependência forçada.
Sobre a noção de clausura e felicidade, somos na nossa grande maioria, criaturas complexas. Tirando os casos de alterações graves de personalidade presentes nos exibicionistas, procuramos o retiro e a clausura voluntária para que nos sintamos em plena liberdade nos nossos relacionamentos íntimos. Somos, nas nossas sociedades, felizes nos pequenos momentos de felicidade que intervalam nas brechas dos muros que à nossa volta vamos deixando construir, mas somos também nós a construir outros muros que nos libertam... Contudo, nos sistemas políticos actuais sentimos estar presos, cada vez mais presos. E paradoxalmente, estas prisões são feitas - dizem os carcereiros- para que sejamos cada vez mais felizes. Ou seja, elevam cada vez mais a altura dos muros que nos separam do acesso aos meios para que possamos cada um por nós sentirmo-nos mais felizes intramuros. Um perfeito paradoxo. Já não existe na Europa, salvo uma minoria marginal de meia duzia de centenas de pessoas, ninguém que viva do que a terra dá sem o uso do dinheiro. Não é possível passar no crivo dum fisco universal que tudo tributa. Quem vive das galinhas e das couves, não tem a liberdade de dizer que não vai pagar o imposto sobre a propriedade, ou no equivalente em dinheiro sobre os bens que produz. Ainda está fresco o episódio do fisco Português no seu massacre persecutório aos velhotes e as suas meia dúzia de sacas de batata tiradas do quintal à base de enxada e dores nas costas. Ou seja, não somos livres se não possuirmos dinheiro, não só para alguma despesa lateral, mas para alimentar um fisco que o faz para que sejamos "mais felizes"... Perante isto, qual será a medida de felicidade dos habitantes do Butão? São obrigados ser livres e felizes, à força? O Butão tem duas religiões dominantes, o Budismo e o Hinduismo e a Constituição proibe expressamente o prosiletismo. Ninguém pode obrigar nem ser obrigado a seguir determinada corrente religiosa. Por outro lado, a população é muito reduzida se comparada com as mega urbes das nossas sociedades: as duas maiores cidades, têm apenas sessenta mil habitantes num universo de um quarto milhão de pessoas. As aldeias agrícolas são autosuficientes e o comércio reduzido, não há o conceito de uma economia esquizofrénica baseada na lógica do aumento constante, tendencialmente infinito, da produção e troca de bens. Proibiram o tabaco: uma decisão acertada. Ou seja, em termos absolutos, uma privação de liberdade. Mas o tabaco conduz ao consumo compulsivo (contra-senso do conceito de liberdade), mata que se farta, o que faz com que parte da liberdade-dinheiro que todos possuem vá direitinho para as despesas com os tratamentos das doenças. Podemos argumentar com a privação da liberdade de escolha, mas aí também o argumento funciona no que toca ao haxixe, cocaína, etc. Predujiciais individual e colectivamente pelo impacte que têm a todos os níveis.
Mas até no chamado Ocidente, o que era inicialmente um ritual marginal que passou para o consumo compulsivo e marca da liberdade de escolha há alterações: as pessoas podem comprar tabaco, não podem cultivar porque isso não dá impostos, mas não podem fumar em qualquer local fechado, e em muitos sítios em lado algum.
Como somos livres, temos a liberdade de optar entre alternativas, excepto nas que colectivamente nos são vedadas de forma imposta.
Como dizem os Budistas, quem quer estar em todos os lados ao mesmo tempo, não está em lado algum. Poderá então um Estado impôr um padrão de conduta? Balizar a liberdade? Dizer entre as infinitas hipóteses de escolha, quais as que podem ser seguidas?
Os ditadores pensam que sim. Mas os sistemas abertos com destaque para os EUA, arautos da liberdade, apoiaram e financiaram dezenas de ditaduras ferozes, ao mesmo tempo que diziam às suas populações que eram aliados, "moderados" que combatiam a falta de liberdade dos países comunistas. De uma forma diferente mas com os mesmíssmos resultados, os sistemas políticos balizam a liberdade, uns apenas pela força outros pela força do condicionamento da informação, não dispensando fora de portas e mesmo dentro de portas,- desde que ninguém veja nem saiba-, a força bruta: desaparecimentos, assassinatos selectivos etc.
Estamos todos rodeados de muros, não se vêem, mas sentem-se e embora de longe em longe, ou de perto em perto a onda se agigante e derrube os muros por mais altos que sejam.
Contudo, apesar das cíclicas crises sociais e politicas, somos na maior parte do tempo os reféns que simpatizam com os carrascos. Acomodados e continuando a vida com horizontes mais estreitos, de mãos atadas, e de venda sobre os olhos, contentes se houver algum alívio na mão que oferece as carícias do chicote diário. E é este o mundo livre que não trocamos por nenhum outro. Ou seja, liberdade, liberdade, não sei bem o que é, mas tenho uma suspeita, e chego a sentir-me feliz todas a vezes que penso nela...
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| Butão |
O chamado síndroma de Estocolmo refere-se exactamente à moldagem na relação de forças entre raptores e raptados. Numa situação prolongada no tempo, assiste-se a uma rotação de valores, acabando por estabelecer-se uma relação solidária no que começou por ser uma dependência forçada.
Sobre a noção de clausura e felicidade, somos na nossa grande maioria, criaturas complexas. Tirando os casos de alterações graves de personalidade presentes nos exibicionistas, procuramos o retiro e a clausura voluntária para que nos sintamos em plena liberdade nos nossos relacionamentos íntimos. Somos, nas nossas sociedades, felizes nos pequenos momentos de felicidade que intervalam nas brechas dos muros que à nossa volta vamos deixando construir, mas somos também nós a construir outros muros que nos libertam... Contudo, nos sistemas políticos actuais sentimos estar presos, cada vez mais presos. E paradoxalmente, estas prisões são feitas - dizem os carcereiros- para que sejamos cada vez mais felizes. Ou seja, elevam cada vez mais a altura dos muros que nos separam do acesso aos meios para que possamos cada um por nós sentirmo-nos mais felizes intramuros. Um perfeito paradoxo. Já não existe na Europa, salvo uma minoria marginal de meia duzia de centenas de pessoas, ninguém que viva do que a terra dá sem o uso do dinheiro. Não é possível passar no crivo dum fisco universal que tudo tributa. Quem vive das galinhas e das couves, não tem a liberdade de dizer que não vai pagar o imposto sobre a propriedade, ou no equivalente em dinheiro sobre os bens que produz. Ainda está fresco o episódio do fisco Português no seu massacre persecutório aos velhotes e as suas meia dúzia de sacas de batata tiradas do quintal à base de enxada e dores nas costas. Ou seja, não somos livres se não possuirmos dinheiro, não só para alguma despesa lateral, mas para alimentar um fisco que o faz para que sejamos "mais felizes"... Perante isto, qual será a medida de felicidade dos habitantes do Butão? São obrigados ser livres e felizes, à força? O Butão tem duas religiões dominantes, o Budismo e o Hinduismo e a Constituição proibe expressamente o prosiletismo. Ninguém pode obrigar nem ser obrigado a seguir determinada corrente religiosa. Por outro lado, a população é muito reduzida se comparada com as mega urbes das nossas sociedades: as duas maiores cidades, têm apenas sessenta mil habitantes num universo de um quarto milhão de pessoas. As aldeias agrícolas são autosuficientes e o comércio reduzido, não há o conceito de uma economia esquizofrénica baseada na lógica do aumento constante, tendencialmente infinito, da produção e troca de bens. Proibiram o tabaco: uma decisão acertada. Ou seja, em termos absolutos, uma privação de liberdade. Mas o tabaco conduz ao consumo compulsivo (contra-senso do conceito de liberdade), mata que se farta, o que faz com que parte da liberdade-dinheiro que todos possuem vá direitinho para as despesas com os tratamentos das doenças. Podemos argumentar com a privação da liberdade de escolha, mas aí também o argumento funciona no que toca ao haxixe, cocaína, etc. Predujiciais individual e colectivamente pelo impacte que têm a todos os níveis.
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| Pinochet, golpe de Estado em 1973 e o derrube do governo eleito de Allende |
Contudo, apesar das cíclicas crises sociais e politicas, somos na maior parte do tempo os reféns que simpatizam com os carrascos. Acomodados e continuando a vida com horizontes mais estreitos, de mãos atadas, e de venda sobre os olhos, contentes se houver algum alívio na mão que oferece as carícias do chicote diário. E é este o mundo livre que não trocamos por nenhum outro. Ou seja, liberdade, liberdade, não sei bem o que é, mas tenho uma suspeita, e chego a sentir-me feliz todas a vezes que penso nela...
outubro 24, 2014
outubro 23, 2014
outubro 22, 2014
outubro 21, 2014
outubro 17, 2014
outubro 15, 2014
outubro 13, 2014
outubro 12, 2014
Quem numas loas o grande chefe ode, sabe que é ele quem nos pode, pode pode...
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| http://oinsurgente.org/2013/02/22/a-etica-segundo-cavaco-silva/ |
O Cavaco é homem
de estados de coma.
De homem
que nunca se engana
e raramente tem dúvidas:
“Comprem senhores,
Comprem!
Acções fresquinhas e boas
Quem destas acções compra,
E depois vende
Aos céus, como eu
Ao terceiro dia ascende.”
Passou o dia,
Passou a noite
Passou outro dia,
Outra noite
e mais outro e outra
ainda
E depois…
Ah afinal…
Mas que indecência!
O dinheiro que era bom
Passou a ser mau
Mas o Aníbal, não se enganou
Não!
Querias!
Ou disse o que disse em código
Xis Pê Tê Éne,
(....para não assustar os Mercados
Esses cabrões....)
De homem
que nunca se engana
e raramente tem dúvidas:
“Comprem senhores,
Comprem!
Acções fresquinhas e boas
Quem destas acções compra,
E depois vende
Aos céus, como eu
Ao terceiro dia ascende.”
Passou o dia,
Passou a noite
Passou outro dia,
Outra noite
e mais outro e outra
ainda
E depois…
Ah afinal…
Mas que indecência!
O dinheiro que era bom
Passou a ser mau
Mas o Aníbal, não se enganou
Não!
Querias!
Ou disse o que disse em código
Xis Pê Tê Éne,
(....para não assustar os Mercados
Esses cabrões....)
ou num estado de ausência
viu-se nos tempos
em que com a Maria
viu-se nos tempos
em que com a Maria
investia na magia;
de a partir de tostôes,
de poupança Algarvia
fazer a massa que corria
na ria do Bê Pê Éne....
charlie
de poupança Algarvia
fazer a massa que corria
na ria do Bê Pê Éne....
charlie
outubro 06, 2014
pensamento do (a)dia
Se o senhor presidente da república é o garante do bom funcionamento das instituições, perante o que se está a passar, há mais de um mês, em pilares fundamentais e determinantes da sociedade, como são os casos da Educação e da Justiça, onde se pode falar de tudo menos de regular funcionamento institucional, de que estará ele à espera para tomar medidas consequentes?
carta da APRE! - a bem da coesão intergeracional
Texto de uma carta enviada pela APRE! ao Expresso e que não foi publicada (recebido por mail, através da direcção da Associação).
Com efeito, os actuais pensionistas portugueses nasceram antes, durante ou pouco depois da 2ª Guerra Mundial, numa sociedade essencialmente agrícola, com um elevadíssimo índice de analfabetismo. Mais tarde enfrentaram uma guerra colonial, em quatro frentes: Angola, Moçambique, Guiné e Timor. Quis o destino que a nossa vida fosse consumida a implantar a democracia, a realizar a descolonização, a construir a sociedade industrial e depois a sociedade de serviços; a transformar o analfabetismo em conhecimento e ciência, substituindo os quartéis militares por universidades e politécnicos, dispersos pelo país. O prémio de todo o nosso esforço parecia estar na adesão à então CEE, actual União Europeia, com uma tal energia e entusiasmo que integrámos o pelotão da frente da moeda única, o euro.
Quando hoje se diz que a actual geração jovem do país é a melhor preparada de sempre, está a dizer-se que nunca antes os pais prepararam a sociedade e investiram tanto nos filhos, para lhes dar um futuro que os próprios pais não tiveram.
Quando os jovens se queixam de pagar impostos e a segurança social para pagarem as pensões dos actuais pensionistas, esquecem-se que os pais podiam não ter investido neles e egoisicamente terem poupando para a sua reforma.
Quando hoje uns senhores de ideologia liberal dizem que o Estado não produz riqueza para pagar as reformas, estão a dizer que não querem pagar impostos para gente que não produz, constituindo uma espécie de resíduo social, esquecendo-se dos benefícios que usufruem, em consequência das transformações sociais que levamos a efeito.
Quando hoje se diz que para atingir as metas orçamentais impostas pela TROIKA, sob caução do Governo, tem de se cortar na despesa social, esquecem-se que a despesa social e os vínculos legalmente constituídos já existiam quando tomaram a decisão de atingir tais metas. Governantes sérios e honestos não podem decidir e assumir compromissos com terceiros que não possam cumprir. Os governantes não são proprietários do poder, desses tratámos nós, os governos governam em nome do povo. (...)
É lamentável a máquina que está montada na comunicação social contra os reformados, pobres ou da classe média. Jornalistas, analistas e comentadores apelando a cortes sobre cortes, achincalhando a Constituição (que também já existia antes de assumirem compromissos irrealistas), implorando à sua violação, esquecem-se que estão a «cavar a sua própria sepultura». Um Estado, integrado na União Europeia, é obrigado a agir de boa fé, como uma pessoa de bem. Um Estado que agora viola princípios e desrespeita direitos, passa a violar sempre e a desrespeitar sempre que isso lhe convém.
Nós não admitiremos que governantes inexperientes, idealistas e manipuladores políticos desrespeitem os nossos direitos, conquistados ao longo duma vida de trabalho e de transformação social. Seremos coerentes com a nossa história, seria triste, muito triste, se ela acabasse assim.
Maria do Rosário Gama, Presidente da Direcção da Apre!
Carlos Frade, Presidente do Conselho Fiscal da Apre
Estando no geral muito de acordo com o que fica dito - encontrando-me ainda ao activo - só terei muitos pruridos em apelidar os actuais governantes de «idealistas», como se refere no texto. Criminosos, talvez, inconscientes, com muitas reservas, deliberados, sempre. Em suma, alguém que mente deliberada e conscientemente em função de um modelo social assumido e cúmplice dos interesses de minorias endinheiradas e que utiliza o voto que lhe foi dado como justificativo das suas malfeitorias.
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setembro 30, 2014
A parábola do boi e do burro.
Um dia, em tempos idos, e na Feira dos 23, quando na altura se vendiam
por lá peças de gado e outras alimárias que tanto ajudavam o homem no amanho
dos campos do Mondego, o Sr. Manuel teimava em perguntar o preço de um burro
meio lazarento, talvez já velho, e que era cego do olho direito.
Um seu vizinho, ao ver o negócio em que ele se ia meter, apalavrou em
voz baixa as cautelas que achava por bem ter em tão estranho negócio. Até
porque conhecia bem o animal que estava em causa.
— O Ti Manel, que raios, homem, para que é que vossemecê quer o
animal? Não vê que ele é cego?
— Isso vejo eu bem, e é por isso que acho que serve bem os meus
propósitos. Até lhe digo mais, se for como eu penso, é o bicho ideal para
aparelhar com o meu Mimoso.
O vizinho, homem bom e solidário, espantou-se genuinamente com tão
desencaixada ideia: — — Então, mas vossemecê já virou quantos copos de três?
Quer aparelhar o burro com o seu boi, logo o Mimoso, o majestoso boi de todos
os campos de Montemor? E sabe o senhor que este burro, sendo cego do olho
direito, só puxa, e muito, para a
esquerda?
— Ora aí está o ponto aonde quero chegar, — refunfou o agricultor.— É
exatamente isso que eu quero. E explicou — por acaso infeliz, o meu Mimoso puxa
ligeiramente à direita e, além disso, a charrua 3B que eu tenho lá no alpendre tem
a relha e a aiveca também um tudo nada viradas à direita e a rabiça empenou com
o tempo, para a direita. Quando me meto a virar a leiva, não consigo que o rego
siga a constante e tenho a terra inculta e posso sofrer à fome. Na decrua e na
sementeira nada fica como deve ser, porque as leivas são tortas e todas viradas
à direita.
— Então, e o que tem o burro com isso? — Perguntou ainda o vizinho,
não atingindo a visão ‘da coisa’.
— O que tem? É simples. Com o burrico a puxar insistentemente para a
esquerda, vou conseguir que a leiva vá consistente, a direito e produtiva, com
promessas de boa colheita.
Assim é a política. Em verdade vos digo, que se não fossem os burros das
forças que lutam pelos direitos cívicos, laborais, sociais e outros, estaríamos
todos a virar leivas improdutivas, a seguir o glorioso líder com horários de 72
horas, muito mais mal pagos, sem direito a fim de semana, sem subsídios de
férias e de Natal, etc. Choca-me imenso que muitas pessoas pretendam reescrever
a história, negando aos movimentos de oposição o papel de fiel que tiveram para
que a sociedade seja menos má do que seria.
O que é preciso é que o burro, ainda que velho, esteja lá e vivo, não
em peças, como aquilo em que a esquerda parece hoje querer transformar-se. E
tenho pena, muita pena, porque vamos sofrer com as leivas mal alinhadas.
setembro 29, 2014
Pamplinas versus Passos Coelho
Alguém se lembra do Pamplinas?
Não? O nome do senhor era Buster Keaton, mas foi popularizado por cá como
Pamplinas.
Actor do cinema mudo muito
prendado, proveniente do vaudeville –
mistura de teatro e circo – recordo dele a sua enorme capacidade de criar
situações hilariantes, por vezes no limiar da aventura mais tresloucada, mantendo
sempre um ar seríssimo e circunspecto. Essa era a sua imagem de marca.
Depois de eu ter lido o elucidativo
e preclaro artigo de Francisco Louçã, bem como os comentários anexos, aqui:
e ao ver a «cara de pau» na
Assembleia da República do nosso remediado primeiro, «informando» acerca da questão que
está na ordem do dia - as suas trampolinices enquanto deputado, na década de 90
e a sua ligação a uma empresa da treta em que esteve envolvido com Miguel
Relvas – lembrei-me, inevitavelmente, do Pamplinas, com o seu ar dramaticamente sério, enquanto o público se contorce no limiar da agonia que o riso em excesso pode provocar.
Um ar irremediável e
irrevogavelmente (dir-se-ia) sério, também, mesmo no momento de proferir as
mais descabeladas «inverdades», como alguns gostam de dizer, mas que também são
conhecidas por rematadas aldrabices, tal é a postura do primeiro Coelho.
Mas o Pamplinas era um bom artista
cinematográfico. O primeiro Coelho é o quê…?
setembro 27, 2014
Deputados e professores - dois pesos, duas medidas
Li este artigo sobre «Assembleia da República. Quanto custa um deputado?»
Alguns excertos:
"Há uma particularidade no salário dos deputados que tem um peso considerável no valor final que cada um dos 230 pode receber. É que um deputado com morada em Lisboa recebe substancialmente menos que um outro que tenha sido eleito, por exemplo, pelo círculo de Braga ou pelo de Faro. Isto acontece porque ao valor base do vencimento é acrescido, todos os meses, o "abono" (uma espécie de compensação financeira) pela distância a que o parlamentar se encontra do seu local de residência, e que é calculada em função das viagens que realize mensalmente.
Para se deslocarem até às suas casas e voltarem, os deputados recebem 0,36 euros por quilómetro, atribuído uma vez por semana (no caso dos deputados eleitos pelas regiões autónomas, têm direito a uma viagem de avião paga entre a capital e a região autónoma respectiva, enquanto os eleitos pelos círculos de emigração na Europa têm direito a duas viagens de avião por mês).
Mas há outros extra a somar ao valor base. Por cada dia de trabalhos parlamentares em que participem, os deputados recebem mais 36 cêntimos por quilómetro para cobrir a viagem entre a sua residência na zona de Lisboa e a Assembleia da República.
Há ainda uma "ajuda de custo" por cada dia de actividade. Neste caso, os deputados que residam no concelho de Lisboa ou nos concelhos vizinhos (Oeiras, Cascais, Loures, Sintra, Vila Franca de Xira, Almada, Seixal, Barreiro, Amadora e Odivelas) recebem 23,05 euros, "a título de ajuda de custo em cada dia de presença em trabalhos parlamentares", de acordo com o "estatuto remuneratório". Para quem viva fora desses concelhos, o valor foi fixado nos 69,19 euros."
A minha pergunta é: por que motivo os professores podem ficar a 600 ou mais Km de casa, podem andar de terra em terra, numa vida de ciganos. durante anos e anos (isto tudo se tiverem a «sorte» de ficarem colocados), e os custos de alojamento e de transporte são por sua conta, sem qualquer ajuda por parte da sua entidade patronal, o Estado?
Alguns excertos:
"Há uma particularidade no salário dos deputados que tem um peso considerável no valor final que cada um dos 230 pode receber. É que um deputado com morada em Lisboa recebe substancialmente menos que um outro que tenha sido eleito, por exemplo, pelo círculo de Braga ou pelo de Faro. Isto acontece porque ao valor base do vencimento é acrescido, todos os meses, o "abono" (uma espécie de compensação financeira) pela distância a que o parlamentar se encontra do seu local de residência, e que é calculada em função das viagens que realize mensalmente.
Para se deslocarem até às suas casas e voltarem, os deputados recebem 0,36 euros por quilómetro, atribuído uma vez por semana (no caso dos deputados eleitos pelas regiões autónomas, têm direito a uma viagem de avião paga entre a capital e a região autónoma respectiva, enquanto os eleitos pelos círculos de emigração na Europa têm direito a duas viagens de avião por mês).
Mas há outros extra a somar ao valor base. Por cada dia de trabalhos parlamentares em que participem, os deputados recebem mais 36 cêntimos por quilómetro para cobrir a viagem entre a sua residência na zona de Lisboa e a Assembleia da República.
Há ainda uma "ajuda de custo" por cada dia de actividade. Neste caso, os deputados que residam no concelho de Lisboa ou nos concelhos vizinhos (Oeiras, Cascais, Loures, Sintra, Vila Franca de Xira, Almada, Seixal, Barreiro, Amadora e Odivelas) recebem 23,05 euros, "a título de ajuda de custo em cada dia de presença em trabalhos parlamentares", de acordo com o "estatuto remuneratório". Para quem viva fora desses concelhos, o valor foi fixado nos 69,19 euros."
A minha pergunta é: por que motivo os professores podem ficar a 600 ou mais Km de casa, podem andar de terra em terra, numa vida de ciganos. durante anos e anos (isto tudo se tiverem a «sorte» de ficarem colocados), e os custos de alojamento e de transporte são por sua conta, sem qualquer ajuda por parte da sua entidade patronal, o Estado?
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setembro 26, 2014
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