janeiro 31, 2012

A idade mental

A partir de determinada altura (creio que a maioridade legal seria um bom critério) e sempre que a idade de cada um viesse à baila, deveríamos estar obrigados a falar não da nossa idade biológica (que ficaria reservada para contextos médicos e pouco mais) mas sim da idade mental.
Parece-me evidente que teremos várias idades mentais: a emocional, a sentimental, a estética, a intelectual (subdividível em incontáveis outras, porque o intelecto não tem a mesma gradação em todas as áreas),a profissional, a familiar (há gente que, tenha a idade que tiver, nunca deixará de ter 16, neste contexto), sei lá bem... temos infinitas idades e a tal idade mental com que deveríamos responder quanto alguém no-la perguntasse seria uma espécia de média aritmética entre todas essas idades ou, vá, de média ponderada, se o contexto fosse determinante.
Complicado?!
Não acho.
Complicado é perguntarem-nos a idade de A (ou a nossa!), termos de dizer que tem X anos e, posteriormente, de explicar que a idade real (ou mental) é de X menos dez, em determinados campos, mas de X mais vinte, noutros. É que a pessoa sempre fica baralhada.

8 comentários:

  1. Finalmente, alguém resolveu o meu problema!

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  2. O problema da São Rosas não é problema nenhum, é antes o apontar da solução muito bem posta pela posta da Ana (deiána, cumo dijem lá prá xima).
    E neste particular, aprendi em África essa noção de idade. Só existem três idades somadas a mais uma que é a dimensão sobrenatural.
    Nasce-se e é-se criança, depois passa-se para homem e em seguida para sábio. A quarta idade é a intemporalidade dos espíritos, a sobrevivência dos antepassados nas memórias, a idade dos sonhos.
    Aquando da minha estada em Luanda motivada pelo serviço obrigatório militar conheci um funcionário, cujo nome não divulgarei por respeito a algum eventual familiar que possa ler este post, pois ele foi morto num ataque à camioneta onde ia de visita.
    No dia em que cheguei, apresentei-me como é regular fazer-se e travei conhecimento com o pessoal. Entre uns e outros falei com ele soube que se chamava X e tinha 19 anos de idade.
    Logo à noite, no jantar de apresentação com os colegas e superiores pus uma questão que me tinha ficado a intrigar durante a tarde e perguntei ao comandante: -ali o nosso funiconário da limpeza, fulano, tem dezanove anos, mas eu achei-o tão envelhecido...-
    Ali foi risada geral e ele então explicou-me: Escute, Almeida, o nosso X tem 19 anos desde que cheguei e já cá estou há seis anos. No entanto, ele é funcionário da limpeza há pelo menos dez.
    E continuou: -Isto é assim, se ele tivesse dezoito, não tinha idade legal para o emprego, mas se tivesse vinte, teria que fazer o serviço militar obrigatório. Assim, tem dezanove e está sempre na franja certa.
    Claro que nos rimos outra vez.
    No entanto, mais tarde e a sós pensei sobre aquela experiência que achei absolutamente enriquecedora e reveladora sobre a fragilidade dos nossos epartilhos, das ditatudaras dos relógios e calendários, no fundo da nossa liberdade.
    Descobri, ainda bem moço, na verdura dos meus 24 anos, e através deste episódio simples e quase naïf, a noção perfeita do que é isso de se estar na idade da sabedoria...

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  3. "...verdura dos teus 24 anos"?!? Então esse episódio é bem recente, pá!

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    1. A verdura a que ele se refere é a da farda.

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  4. Fazer um post, ou melhor, contar uma história sobre a Luanda de 1975, em plena transição dum modelo colonial com todas as ingenuidades (dizemos hoje) que lhe era inerente.
    No fundo, o nosso viver é algo que transita entre baias (e ali também baías) e fantasmas.
    Fica apontado ;)

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