setembro 13, 2012

«Portugal: mais sacrifícios?» - artigo de opinião no jornal Pravda

Uma tradução minha (desculpem qualquer coisinha) do artigo original (disponível em inglês aqui):

"O Governo Português anunciou que no próximo ano, a carga de contribuições para a Segurança Social irá aumentar de 11 para 18 por cento, um aumento de sete por cento por pessoa, além de outros aumentos insuportáveis ​​de preços de serviços públicos. Na equação da política portuguesa, um governo PSD é sinónimo de ruptura social.
Nunca na história da política apareceu um homem tão mal preparado para governar um país em crise, nunca apareceu uma equipa tão inepta ou que tenha implementado de forma tão cega políticas de laboratório, como o governo (social-democratas) PSD do primeiro-ministro Pedro Coelho e seus ilustres ministros. Já na década de noventa o mesmo partido usava um ministro das Finanças que foi rotulado como "o mentalmente avançado". Para o que lá está hoje não há rótulos nem palavras nem paciência para o primeiro-ministro e para o molho de charlatães que secou o país ao ponto de ruptura.
Na verdade, aqueles que pensam em votar em PSD, CDS / PP ou PS devem fazer uma ressonância magnética do cérebro porque estes são os três partidos que têm governado (?) Portugal desde a Revolução dos Cravos, em 1974. Ou seja, não têm desculpa para a acusação de que  levaram o país à situação em que se encontra pois governaram, umas vezes sozinhos e outras colectivamente, ao longo de quase quatro décadas.
Se fossem administração de qualquer empresa teriam sido demitidos por incompetência mas, como pertencem à classe que dita as regras em Portugal, o pior que lhes pode acontecer é voltarem para onde vieram, uma universidade ou algum instituto, fazendo o que só Cristo saberá... 
Há situações em que a verdade deve ser dita, por mais que doa e em Portugal há uma tendência para se fingir que está tudo bem, esperando-se que talvez um dia vá chegar um D. Sebastião para colocar tudo em ordem. Desculpem, mas isso não vai acontecer. O laissez-faire morreu em setembro de 2012. Virem a página, é tempo para uma nova mentalidade, um novo país.
O Pai desta situação é o próprio presidente, Aníbal Silva, que gosta de cultivar um ar de grande sabedoria, protegendo-se, escondendo-se por trás de frases enigmáticas, fontes de sabedoria como "Eu tenho uma certa visão para Portugal", ou "O Progresso do povo português no Espaço Económico Europeu".
Aníbal Silva foi primeiro-ministro entre 1985 e 1995, precisamente nos anos após a adesão de Portugal à Comunidade Europeia (mais tarde União Europeia). Será que ele ou seus governos prepararam o país para o desafio? Não, ele passou dez anos a passear em cortejos de automóveis com batedores de moto da polícia, dando palestras e fazendo política. Durante esses anos, houve rios de dinheiro derramados através das fronteiras de Portugal, supostamente para serem bem investidos, criando as condições para Portugal prosperar no clube do euro.
Embora o país estivesse totalmente impreparado no momento e, na minha opinião, a sua adesão se tenha devido mais à amizade de Mário Soares com "son ami" Mitterrand e, apesar de Aníbal Silva, em termos de honestidade e de integridade, estar nas fileiras dos intocáveis ​​na política portuguesa, ser honesto e parecer "sério" não é suficiente. E a década de Cavaquismo foi um aborto, fedorento e fétido que polui todos os sectores do Governo Português durante 30 anos.
O dinheiro foi mal utilizado, as negociações com a União viram a indústria de Portugal, a agricultura e as pescas desaparecerem. Perdendo essas indústrias, como poderia ficar Portugal preparado para o desafio? O que se segue, a partir de meados dos anos noventa, tem sido uma consequência disto, é a cauda do Cavaquismo, uma espécie de porcaria mal-cheirosa e viscosa que cobre tudo, a esconder buracos e e a enganar todos.
Desde meados dos anos noventa assistimos a um deslizamento constante, testemunhando-se mais anos de gestão política abominável por incompetentes que esbanjaram o dinheiro dos contribuintes, que deixou Portugal com os piores salários, com os preços de alimentos e serviços públicos a crescerem ano após ano; nenhum governo protegeu as pessoas quando o país entrou no Euro (sem perguntar se alguém queria), quando os preços dobraram ou triplicaram e os Portugueses foram deixados com uma das maiores taxas de impostos na Europa (para os pobres, é claro, não para os ricos).
Agora vamos para 2012, com um governo que em qualquer outro lugar pertenceria a um hospício, o de Pedro Coelho, que implementa medidas sem saber se vai passar no Tribunal Constitucional, quando até mesmo um idiota sabe que não, e que pensa que tem o direito de saquear o país e roubar o povo através do aumento da contribuição da Previdência Social por sete pontos percentuais.
Quando a planta está doente, deve-se podá-la e regá-la. O que este governo fez foi desligar a água, arrancar todas as folhas do caule e puxar para cima as raízes. Agora que a planta se recusa a crescer, eles pisam-na com botas cardadas e, se não morre, vão continuar batendo-a no chão, como maníacos, até que não resista.
Com uma teimosia e estupidez como esta, não é de estranhar que os jovens estejam a sair. Desta vez, e diferentemente dos anos anteriores, não vão voltar. Quando se retira dinheiro da economia, ela seca. A resposta não é mais impostos - qualquer estudante de finanças públicas sabe que este tipo de política produz resultados negativos.
A resposta é ... Eu tenho as minhas ideias, mas não me cabe a mim, aqui neste jornal russo, ditar o que os economistas e estudiosos portugueses são pagos para fazer: encontrar uma solução. Basta dizer que este não está em três partes mencionadas acima, como é mais do que evidente."
Timothy Bancroft-Hinchey
Pravda.Ru

3 comentários:

  1. Palpita-me que o este Timothy é portuga... Em qualquer caso, eu não diria melhor, só que não sei russo.

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    1. Até o apelido. Soa a Timóteo Bancos-Incham.

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  2. Timoteo é o nome de um gato com um bom par de tomates, certamente tomate português que têm andado de conserva....

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