junho 08, 2012

Amor, paixão e sexo: teoria e convicção

O amor é um sentimento de um altruísmo e generosidade inacabáveis. O amor tende a ser definitivo. O amor transcende-nos. Transcende a razão. O amor anula o egoísmo, o orgulho, a posse, a guerra… O amor vai além da distância. O amor vai além de tudo. Depois do amor, não há nada. Mas o amor é … raro. Além da ordem natural dos laços estabelecidos pelo sangue (entre pais, filhos, irmãos…) e da verdadeira amizade, suponho que sejam poucas as pessoas que realmente o experimentam. Acredito que possa também haver um “estado de amor” que não dependa de ninguém ou de nada específico… há-de ser isto qualquer coisa semelhante à “iluminação”. O amor é um sentimento muito elevado que depende por isso também da capacidade emocional para amar. Entre um homem e uma mulher, quando acontece, o amor é “o princípio”… é onde a vida começa… e é também, muitas vezes, onde ela acaba. Casos destes são aqueles extraordinários em que do princípio ao fim dois seres atravessam a vida intensamente apaixonados, sobrevivem ao desgaste do tempo e dos corpos, e ao cabo de décadas, até que a morte os separe, ainda os olhos do outro lhes fazem brilhar os olhos. É também o que sucede em casos daqueles em que toda uma vida não chega para fazer desaparecer a dor pela ausência da pessoa amada… sendo tão escassa a probabilidade de salvação como o milagre de um outro amor. Em ambos os casos, não há um minuto sequer nestas vidas em que não desejem “o outro” ao lado, e a quem, independentemente disso, possam não desejar “o bem”, seja isto uma bênção ou uma maldição.

Semelhante ao amor nalguns sintomas, a paixão é algo de muito mais “terreno”, de muito mais sujeito aos caprichos da natureza humana. A paixão exige a presença física, a “posse”, e evolui para estados de ira quando não satisfeita. Quase todas as pessoas se apaixonam, geralmente mais do que uma vez ao longo da vida... A paixão é temporária. Dificilmente irá além de um ano ou dois… Seja como for, mais tarde ou mais cedo, acaba. Pode resultar em profunda amizade, uma forma suave de amor… ou então, resultar em coisa nenhuma. É um estado passageiro de euforia em que a natureza suprime os defeitos do outro, intensifica o desejo, e promove a harmonia de modo a permitir um período de adaptação de um casal entre si. Para quem o aproveita bem, resulta bem. Para quem não o aproveita bem, resulta mal. Aqui se incluem todos os casos de casais que começam com “um grande amor” e acabam sem se reconhecer, à porrada, ou a digladiar-se pelas razões mais absurdas.

Sexo, é outra coisa. Havendo amor, o sexo é sempre algo de “sublime”, mesmo que seja, do ponto de vista sexual, uma lástima. O amor em si não produz “bom sexo”, mas, havendo união física com a pessoa amada, produzem-se outras coisas: a imensa felicidade, ou mais, a plenitude! E claro… “bom sexo com amor” é… o verdadeiro “êxtase”: o auge do prazer físico e psíquico. A paixão em si também não faz milagres pela qualidade do sexo… mas lá está… faz do sexo sempre uma experiência positiva, ainda que na prática o desempenho sexual possa não passar da pobreza franciscana. O pior é que, findo o período de paixão, para quem não tiver desenvolvido uma boa relação sexual, o desejo acaba. Como é evidente, no que respeita ao prazer, a seguir ao “bom sexo com amor”, o “bom sexo com paixão” é do melhor que há. Depois… não sei: “mau sexo com amor” ou “bom sexo com paixão”? “Mau sexo com amor”, “Mau sexo com paixão”, ou “bom sexo sem amor nem paixão”? É difícil de decidir … se calhar é relativo, tem dias, depende dos gostos … A questão aqui é o que seja um bom equilíbrio entre estados de prazer emocional e estados de prazer físico. Para mim o conceito de “bom sexo” inclui já um mínimo de prazer emocional ou, pelo menos, o conforto emocional (bem-estar, confiança, respeito,...) a partir daqui… como diz Epicteto, o estóico, “há coisas que dependem de nós, e outras que de nós não dependem”…

… mas tenho ao menos por certo que um “bom sexo” é um bom argumento para o despertar do amor e da paixão (mal não faz)… além de ser em si só uma coisa muito agradável… (e de fazer bem à pele e tal…)


31 comentários:

  1. Maravilha...
    Só falta pores este texto também n'a funda São, certo?

    ResponderEliminar
  2. Um bom sexo pode ser a centelha de um grande amor, de uma enorme paixão, e do mesmo modo, sendo o turbilhão que é, uma enorme paixão pode despertar um potencial sexual insuspeito, assim com uma capacidade de amar em dádiva, expressas no binómio desprendimento/entrega, mas pode ser o contrário de tudo isso. Pode degenerar em dramas tremendos. A partir da irracionalidade hiperbólica que toma quem vive a paixão - quem ama não pensa, quem pensa não ama, costuma dizer o povo-, emergem ramos podres de carácter, possessividade, ciúme, raiva, pensamentos ruminantes carregados de vinganças sem sentido, que não raras vezes culminam em tragédias.
    Saber amar... Ama-se uma ave que se liberta ao céu, ela pousará de novo no ombro quando assim o quiser.
    Amar deve rimar sempre com liberdade...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. ... a mim parece-me que só pode é rimar... se não rima é porque "num coiso"... O amor que não rima é quando muito uma tentativa (longe, frio, não é por aí)... com tendência a falhar (por largo)...

      Eliminar
    2. E quanto mais rima, mais se lhe arrima.

      Eliminar
  3. Sempre que se mete o céu dentro do peito em vez de voar nele, não há rima

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Rima, pois. Só não rima nas palavras.

      Eliminar
  4. Ai... rima branca
    rima branca...
    que angústia provocas
    à vista
    quando longe no ar
    avanças
    e perdes
    o peito
    encontro
    no céu
    que conquistas

    ResponderEliminar
  5. Sim,
    mas à finório:
    de fraque e chapéu de côcó

    ResponderEliminar
  6. Eu, de política e de sexo não percebo nada...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. (... é ele e eu... e ainda posso acrescentar que de amor também não entendo puto... com tendência a piorar...)

      Eliminar
    2. Não percebem ou não querem perceber?

      Eliminar
    3. (... se queres mesmo saber, para a política estou-me nas tintas, amor, paciência ("há coisas que dependem de nós e outras que de nós não dependem"), mas de sexo, a sério que me dava jeito entender umas coisas...)

      Eliminar
    4. Ah! Sexo! Estávamos a falar de amor...

      Eliminar
    5. Vocês é que mudam. Eu falo sempre do mesmo :O)

      Eliminar
    6. Eu, falo, também é sempre do mesmo.

      Eliminar
    7. Eu também é sempre do mesmo... :(

      Eliminar
    8. Tem graça. Eu também :O)

      Eliminar
  7. Nada como um bom tema de cariz sexual para puxar pelas línguas...

    Ah. o sexo com paixão! Ah, o sexo por paixão! Ah, o sexo... Compaixão! - como arengava o idoso a bater a alguma porta entreaberta que lhe proporcionasse um momento de gorjeios...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sexo compaixão... deveria ser uma dádiva universal de qualquer mulher católica.

      Eliminar
  8. Euã Aichu cu Sekshu debe xer sempre cum pai, quando nãoe, num bale um c....

    ResponderEliminar