novembro 02, 2015

As inundações em Albufeira, a lagoa...


Al Buhera, A Lagoa..
Mais uma notícia de grandes e graves inundações, desta vez  (e mais uma vez) centradas em Albufeira
Não é só em Albufeira que há ciclicamente inundações. De modo geral em todos os sítios onde não se observa o elementar preceito do bom senso, as inundações são fenómenos recorrentes. 
O caso de Albufeira é no entanto e por várias razões um paradigma do disparate e da asneira, do desastre anunciado.
 Basta olhar uns instantes para onde está o parque de campismo, um quilómetro antes da entrada da cidade.
leito de cheia assoreado, ainda sem construção
 Mesmo juntinho está a vala escavada pelo escorrer natural dos cursos de água que de todos os montes e serras convergem no sentido do escoamento: a baixa de Albufeira. Os sucessivos executivos municipais tem vindo a enterrar e a entubar as passagens naturais dos inúmeros cursos secundários  o que tem feito piorar mais a situação sempre que o limite de descarga fica ultrapassado.

Mas de onde vem o nome de Albufeira? 
Da expressão árabe "Al Buhera" que significa  "a lagoa"


cheias na baixa de Albufeira na década de 50 Sec. XX


Se atendermos a gravuras antigas veremos como a actual praia dos pescadores era a entrada para um porto de abrigo e que o areal ficava quase trezentos metros acima. 
Albufeira deve o seu nome ao facto de ser um porto de abrigo formado por uma pequena lagoa onde a ribeira desembocava. Se bem que o grande terremoto de 1755 e os sucessivos assoreamentos tenham feito avançar o areal até ao ponto onde o conhecemos hoje, a água nunca deixou de correr pela passagem que ela mesma abriu ao longo de milénios. Corre muita água mesmo de Verão por debaixo do areal e as tubagens e encanamentos feitos mais a montante são paliativos fracos para qualquer enxurrada que tem a baixa como foz de uma expressiva bacia hidrográfica. Das enormes inundações ocorridas no século XX há aliás  reportagens publicadas nos jornais da época de que na foto em cima se faz mostra. Esta ficará durante algum tempo na ribalta das atenções.  Mas ultrapassados os picos de crise, logo as memórias se desvanecem e os outros interesses se sobrepõem. E toca a reconstruir, a impermeabilizar e a entubar, e ainda mais, ainda com mais potencial destruidor para a inundação seguinte!
Inundações em 2015 A antiga lagoa ressurgida no espaço 
agora ocupado por construções, 

E pergunta-se, não se poderá utilizar o espaço outrora leito navegável? Este e muitos outros pelo país fora?
Sim, claro que se pode, contudo nunca se deveria ter construído nada naqueles espaços excepto  zonas verdes destinadas ao lazer, permeáveis e inundáveis, onde os equipamentos auxiliares e turísticos não mais fossem do que apoios móveis e sazonais. 
Mas a ganância aliada à falta de memória, à estupidez pura, é uma mistura explosiva. e assim, ciclicamente repetir-se ão as inundações até que o mesmo motor que fez construir onde não se deve fazer, decida recuar: a economia...


6 comentários:

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    1. Só fico admirado de não se admirarem...

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  2. Eh, gentes, e eu que, ao ouvir referir que um idoso de Boliqueime fora a vítima única de todo este despautério, ainda senti um frémito de ansiedade... Afinal, não.

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    1. Tu saíste-me cá um interesseiro...

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    2. Idoso de Boliqueime?
      O velho Geronte do Poço da muita água?

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    3. Meu caro, pensou o mesmo que eu, mas .....

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