novembro 30, 2015

Uma direita refém de si própria ou de um Marcelo Rebelo de Sousa em más companhias

Ocorreu-me o conhecidíssimo poema de Carlos Drummond de Andrade, Quadrilha (honni soit…), ao atentar no imbróglio de afectos em que a direita institucional se enredou e da qual apenas um grandíssimo golpe de asa lhe permitirá libertar-se. Senão veja-se:

- Cavaco Silva não gosta nem nunca gostou de Passos Coelho;
- Passos Coelho apenas mantém uma relação de conveniência com Paulo Portas;
- Paulo Portas nunca morreu de amores por Passos Coelho e menos ainda por Cavaco Silva;
- Cavaco Silva sempre lhe pagou, aliás, na mesma moeda;
- Nenhum deles gosta, um bocadinho que seja, de Marcelo Rebelo de Sousa;
- Marcelo Rebelo de Sousa tem pregado ferroadas ao rés do achincalhamento a todos eles, desde sempre e muito particularmente nos mais recentes anos da desgovernação Passos-Portas;
- Seria de esperar que um outro alguém pudesse emergir deste caldo, mas que nada tivesse a ver com eles – o que não se antevê, para breve, coisa fácil.

Posto isto ou apesar disto, estão todos eles confrontados com a necessidade urgente, imperiosa e absoluta de apoiar, no imediato, Marcelo Rebelo de Sousa na campanha para a Presidência da República… no que nenhum deles, francamente, parece estar a empenhar-se com um pingo de convicção, até pela inexistência (aparente) de um qualquer projecto comum.

Marcelo conta, para esta campanha, com a certeza da lebre que, afinal, perdeu a corrida com a tartaruga. Isto porque conta com a simpatia e o apoio da direita, enquanto pensamento político, mas conta também com o indisfarçável antagonismo dos protagonistas do poder dessa mesma direita.  

Personagem mediática, simpática q.b., e, daí popular bastante, no entanto com uma equidistância mais do que periclitante ou duvidosa face ao espectro político nacional - o que sempre esteve claro na sua longuíssima campanha através da TVI -, resta-lhe aguardar que o tempo passe, para que não perca votos de cada vez que, da sua «área política», se produza qualquer manifestação de sofrimento pelo poder perdido, a qual, inevitavelmente, lhe perturbará imagem e percurso, como já tem sido patente, público e notório, nas últimas semanas.

Isto sem considerar que haja até quem queira aproveitar, deliberadamente, o ensejo para lhe devolver, com juros, as facadinhas, os remoques, as críticas, as piadinhas e outros desvairados mimos em que o professor Marcelo sempre foi pródigo, na sua senda de «animal político».

Um certo espírito de ressabiamento militante em que a direita se encontra traumaticamente mergulhada desde que lhe abanaram a cadeira do poder, onde se considerava em segurança perene, não lhe permite enxergar para além do seu próprio umbigo em sofrimento. E, aí, pelos vistos, as quezílias internas prevalecem sobre qualquer racionalidade.

Pelo que se vai vendo, nem se equaciona a possibilidade do consabido exercício do sapo engolido. Porventura porque já não haverá, por parte da direita, espaço para mais este batráquio a engolir.

Ao professor Marcelo resta-lhe a empatia muito própria com as velhinhas e os medalhados de Portugal ou as fluidas águas dos rios de afectos que cultivou, prazenteiramente. Já ganhou, dizem? Não me parece que seja bastante… 

4 comentários:

  1. Por aqueles lados, aquilo está mesmo muito confuso...

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  2. Já parece o teu Bordel. Quando lá vai a rusga e leva o putedo e clientela toda na ramona, assim que chegam à esquadra o único que é a puta, é o Alentejano. Elas são todas esteticistas, recepcionistas, cabeleireiras e manicuras..
    Ó ó,

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    1. O meu bordel é fundo mas não é largo!

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  3. efeitos colatrais... que vão dar que falar.

    abraço

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