maio 01, 2012

A posta que isto tá tudo ligado


Isto são contas fáceis de fazer: a França apresta-se a eleger um candidato socialista, existindo já rumores de agitação nos mercados por temerem a entrada em cena de um travão ao domínio germânico nas decisões da União.
Quer isto dizer, somando dois mais dois, que se prevê uma queda bolsista e mais uma mão cheia de papões financeiros daqueles que comem milhões por culpa da Democracia que permite a eleição de pelintras da esquerdalha.
Temos então aqui esboçado o ponto de partida de uma teoria da conspiração, fazendo de conta que o candidato é um mau para os que desgraçam a vida a bons, maus e remediados, alguém terá tratado de fazer a folha política ao Dominic a tempo de abrir caminho para uma alternativa capaz de abalar, só por ser socialista e de esquerda, a estrutura tão firme da gelatina financeira desta Europa em aflição.
Não sei se estão a ver desenhar-se aqui uma ligação...

Contas feitas: alguém, não vou citar nomes, servirá de bode expiatório para tudo quanto possa correr mal após a previsível eleição de Hollande, sendo de apontar o dedo a alguém que já possua currículo em matéria de gosto retorcido de conseguir sozinho dar cabo das contas de um país (e quem dá cabo das contas de um dá bem cabo das contas de mais uma carrada), para ter os flancos desguarnecidos e toda a gente poder descartar responsabilidades ou mesmo culpas no cartório quando as coisas correrem mal. E quando correrem mal, a culpa não será das dentadas das hienas do rating no elefante espanhol (vi-me grego para encaixar um elefante para compor o trocadilho) mas sim de uma personagem obscura, mais suspeita do que o mordomo, para acusar de todos os males do mundo e arredores e assim ninguém se virar contra a banca descarada, os gestores desgovernados, os economistas atarantados ou mesmo os políticos envolvidos até ao pescoço em decisões e omissões tão desastradas quanto desastrosas.
Isso é demasiada gente para acusar, iria sobrecarregar a Justiça e não tinha o mesmo impacto da personificação do Mal quando concentrada num único rosto a divulgar pelos povos através da Comunicação Social, devidamente enquadrado, a bold, com um Wanted Dead or Alive e um valor pecuniário de encher a vista a servir de recompensa.

Neste caso a recompensa seria associar o Hollande à Grande Loja Socialista que dá injecções de prejuízo atrás das orelhas dos empresários com grandes fortunas e come PME's recém-nascidas ao pequeno almoço.
É esse o espectro por detrás do cataclismo financeiro que já lambuza os beiços ávidos dos catastrofistas e de outros profetas do apocalipse que, nesta fase do campeonato, viram abrirem-se as portas de um mundo novo onde já estamos tão habituados a más notícias que se for preciso até as inventam.
Ora, prova dos nove, a pessoa dá voltas à cabeça e tenta pensar a quem imputar a autoria de todos os factos que possam ter conduzido à eleição do candidato socialista (socialista, estão a ver?) numa terra onde até existe uma extrema-direita digna desse nome e cada vez mais poderosa e que tem sido tão bem gerida pelo Sarkozy que até na Alemanha há de haver quem esteja a torcer por uma inversão das sondagens que impeça uma tomada da Bastilha da austeridade por parte de um defensor de um custo tão dispensável como o do Estado Social, credo, um esbanjador incapaz de perceber que só se levanta uma economia depois de completamente escaqueiradas as vidas de quem na prática a sustenta.

Isto tinha de vir da mente perigosa de um afamado sabotador de contas públicas infiltrado em território francês e de quem se possa afirmar sem dúvidas ou hesitações: a culpa foi dele!
Agora pensem lá: quem é que foi estudar não para o Politécnico de Castelo Branco mas para uma universidade em Paris?

6 comentários:

  1. Será que faz exames "au Dimanche"?...

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  2. só se esse tal de dimanche estiver prái virado, né?

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    1. Lá estão vocês armados em dimanche prazeres

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    2. E podemos ir para a terra dos ingleses. Basta passar o Canal diManche.

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  3. eu dimancho-me a rir com os vossos trocadilhos.

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    1. Isto já está a assumir uma grande dimanchão.

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