março 16, 2011

Preço dos combustíveis - uma abordagem recebida por e-mail

"CARTA ABERTA

Prezado Dr. Carlos Barbosa
Presidente da Direcção do Automóvel Club de Portugal

Lisboa, 9 Março 2011

ASSUNTO: O DESCARADO AUMENTO DOS COMBUSTÍVEIS - TRÊS PERGUNTAS A FAZER ÀS GASOLINEIRAS

O elevado custo a que os combustíveis chegaram é um doloroso espinho na nossa economia.
Torna-se urgente removê-lo ou pelo menos evitar que se enterre mais, se a quisermos salvar de “morte certa”.
O preço dos combustíveis assenta em quatro custos básicos:
1 – A matéria prima (ramas de petróleo)
2 – O transporte marítimo (frete)
3 – A refinação (transformação do crude nos produtos de consumo)
4 – A distribuição (armazenagem e colocação nas bombas)

Mas as nossas gasolineiras (Galp/BP/Repsol/Shell,etc.) parece só conhecerem o primeiro ou escondem os restantes.

HÁ TRÊS PERGUNTAS URGENTES A FAZER

A primeira grande situação escandalosa do custo dos combustíveis, que abastecemos nas bombas, advêm do facto das gasolineiras, quando trocaram a compra da matéria prima proveniente dos portos do Golfo Pérsico, cerca der 15 dias de viagem, pela dos portos do Norte e do Oeste de África, cerca de 3 a 6 dias de viagem, nem um só cêntimo alguma vez baixaram seus preços! (Alguém soube de tal?)
Por exemplo, se os fretes estiverem a 1 dólar/tonelada/dia de viagem (para usar nºs simples pois o valor é superior) teremos que, no caso dum petroleiro de 100 mil toneladas, com aquela troca de origem resultaria:
De 100.000x1x15 = 1.500.000 dólares
Para 100.000x1x3ou6 = 300.000 ou 600.000 dólares
Uma redução fabulosa!
A pergunta que o ACP deve fazer:
QUEM BENEFICIOU COM ESTA REDUÇÃO DE FRETES?

A segunda grande situação escandalosa advêm do facto (pelo menos no momento actual) da escalada do custo das matérias primas se ter iniciado há menos de um mês e as gasolineiras já fizeram três aumentos. O primeiro escândalo, nesta situação, é o facto de que todo o produto refinado, entregue na distribuição naquele período de tempo, foi primeiro adquirido nos mercados estrangeiros em “spot” a longo termo (talvez seis meses ou mais) com custos muito inferiores aos actuais), depois feito o afretamento dos navios petroleiros estrangeiros (que os não há portugueses) nos “brokers” internacionais, nem sempre de pronto disponíveis. Depois realizam-se as viagens das origens daquela matéria, para os terminais de Sines e Leixões. Seguiu-se o processo de tratamento e refinação, tancagem e distribuição. Tudo levando largas semanas senão meses até ao consumidor.

A pergunta a fazer é:
A QUE PREÇO PAGARAM AS GASOLINEIRAS AS RAMAS QUE SINES E LEIXÕES RECEBERAM NAS ÚLTIMAS SEMANAS?

A terceira situação escandalosa advêm do facto do petróleo bruto ali recebido, primeiro não ser todo proveniente do mesmo terminal de origem, fretes diferentes, depois não possuir as mesmas características (mais ou menos “light” ou mais ou menos betuminoso, etc.) de que resulta produtos refinados de diferente qualidade.

A pergunta a fazer é:
COMO É QUE TODAS AS GASOLINEIRAS CONSEGUEM, COM TAIS PARÂMETROS, FAZER O MESMO PREÇO DE VENDA E NO MESMO DIA?

A minha solicitação a meu prezado Presidente do ACP para que se coloquem estas questões às gasolineiras é porque a mim elas não me respondem. Faço parte daqueles que “elas” consideram de “tansos pagantes”, apesar de ter andado algumas dezenas de anos no transporte de hidrocarbonetos e viajado mais de um milhão de milhas em navios petroleiros por esse mundo fora do petróleo.
Como seria bom ler o que nos vão (se) responder…
E talvez com as respostas dadas o Sr Ministro responsável pelos transportes saísse da meditação em que se encontra e nos ajudasse a resolver o assunto.
E com um muito saudar vos solicito minhas escusas.
Joaquim Ferreira da Silva – Sócio nº 3147
Capitão da Marinha Mercante (Reformado)
Membro da Secção de Transportes da Sociedade de Geografia de Lisboa"

8 comentários:

  1. Muito bem perguntado sim senhor, duvido muito é que algum lhe responda!! É por essas e por outras (como disse mais abaixo a propósito da Carveste) que o País chegou ao estado a que chegou! É que alguns não querem ganhar um bom salário querem um loto e de preferência todos os meses!! Aliás podia também perguntar-se porque é que tendo havido ao longo dos últimos anos algumas descidas no preço do petróleo as mesmas nunca se repercutiram (aí em Portugal, claro!) nos preço dos combustíveis... apenas as subidas conseguem têm esse impacto e quase imediato!! Curioso não é?!

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  2. Pequena correcção:

    ...duvido muito que alguém lhe responda!!

    ... apenas as subidas têm esse impacto e quase imediato!!

    Sorry! Com um abraço de Laura ;-)

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  3. Não é erótico mas é...isso.
    O negócio, ou melhor, o assalto das distribuidoras mostra bem que a privatização não é a solução mágica que a direita está sempre a propagandear como sendo solução para tudo. Antes pelo contrário: para que haja iniciativa privada é necessário que haja da parte do Estado o garante de alguma solidez em sectores estratégicos fundamentais. No fundo repito uma ideia que é a de que um empresário, não tem a função de acumular riqueza, mas a sim de cria-la à sua volta. Metaforizando: há árvores que à sua volta e sob a sua copa criam todo um ecossistema, distribuem e abrigam vida, enquanto outras secam tudo o que as rodeia. As nossas distribuidoras, são de momento isto mesmo, eucaliptos sequiosos e insaciáveis. E assim sendo, o que mais me espanta é o facto de os que tem a motosserra na mão darem a ideia de parecerem recear não ter gasolina suficiente para substituir a alcateia, ou vara, que ameaça acabar com o rebanho (isto de cruzar comentários também tem piada :)

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  4. Que giro. Eu uso essa metáfora para a Torre da Universidade de Coimbra: as raízes dela secam tudo à volta.

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  5. E o negócio apresenta-se florescente para o estado: quanto mais custa o litro, mais pinga de impostos.

    Numa de teoria da conspiração, por vezes até me pergunto se os constantes carros avariados ou acidentes da treta em estradas de grande circulação urbana - como é o caso da A5 (Lisboa-Cascais) - não estão ali metidos exactamente para provocar as filas intermináveis do nosso descontentamento e, assim, se gastar mais uma pipa de combustível. Por vezes, até parece...

    20 Km numa hora é a média habitual de andamento. Num carrito pelintra, o consumo normal de 5 a 6 litros aos cem salta para os 8 ou 9. Depois, como diria o Guterres é só fazer as contas...

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  6. Pois Orca, mas isso faz lembrar um pouco a história da vingança do Chinês (atou um tijolo a uma ponta dum cordel e a outra prendeu-a aos tomates, vulgo dixit,)
    Depois foi só esperar que o seu arqui-inimigo passasse por debaixo da varanda para acertar-lhe à base de tijolada na tola...
    Quanto mais litros gastarmos, mais o governo cobra em impostos, mas a verdade é que essa cobrança tem a outra ponta do tijolo presa ao custo fabuloso da importação do combustível. Por isso este paradoxo de quanto mais cobra, mais dinheiro saí do país.
    Se isto tem solução? Como não temos nascentes de crude debaixo dos calcantes, não tem, e mesmo se tivesse, já se adivinha que o Chinês cortaria de imediato a outra ponta do cordel, a que não ata o tijolo. Como a rede electrica automóvel é incipiente e levará anos a fio até que o auto eléctrico entre na sua velocidade de cruzeiro, temos que continuar a ouvir o chinês gritar de cada vez que berramos ao meter o contagotas na boca do depósito do carro.

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  7. E depois admiramo-nos que descaiam...

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