outubro 08, 2012

A beleza dentro de nós

Amei assim um homem uma vez: da primeira vez que lhe vi o corpo nu senti que contemplava a coisa mais bela do Universo. A mais bela (de todas). E logo da primeira vez que o vi, na rua, o achei tremendamente belo. Não importa se era feio, se era bonito (o que é o “feio” e o “bonito”?), para mim era o mais belo. Para mim era. E o seu corpo nu, aos meus olhos, era o mais belo de tudo. Do Universo inteiro.
 
A beleza está dentro de nós.
 
Quando amamos vemos beleza, quando não amamos não vemos, é tudo feio. Uma pessoa que não ama vê tudo feio. Em torno de si é tudo feio. E quem ama vê… beleza. Quanto mais ama, mais beleza vê. Lógico. E se vê beleza, cria beleza…
 
… e depois sofre… geralmente sofre… neste universo de egoístas de todos os tipos e feitios não é lá muito fácil ser-se feliz sempre (muito menos para sempre). Só às vezes, um bocadinho… de vez em quando… um bocadinho (pequenino)… Esse homem, o tal mais belo do Universo, o último dia em que o vi, foi esse, o primeiro em que o vi nu. Nunca mais o vi depois. Foi só um instante… mas valeu a pena... Quanta beleza! Xii! Amar assim vale qualquer instante (para mim). (Acho que foi assim que mereci uma estrela com o meu nome em cima…)
 
Viver uma vida inteira cercado de coisas feias deve ser horrível. Nem consigo imaginar... Sempre tudo feio, por mais caro e luxuoso que seja. Tudo feio. E, infelizmente, para muitos, é assim. A beleza continua por descobrir. Nunca amaram nem nunca foram amados como deve ser nem o bastante. Ainda não sabem o que é o amor. Nem sabem amar. Ainda não aprenderam a amar. Nem querem. Não gostam porque às vezes (muitas, nesta “coisa” a que chamamos “sociedade”), faz sofrer. Não gostam e não amam (porque é uma questão de vontade). “Desamam” o mais possível. Estas pessoas vêem tudo feio (coitadas). Ainda não conhecem a beleza. Nem desconfiam que existe. Para que se descubra a beleza é preciso que antes se descubra o amor. Com tudo quanto seja possível (o trabalho, a família, o exercício, o ócio… a rua… os outros…)
 
… e para o prazer (incluindo o sexual) o mesmo (que para a beleza). É a mesma coisa.
 
… e se algum (por algum motivo extraordinário) acorda para a beleza (a verdadeira beleza) acho, digo eu (não sei), deve sentir-se muito só… ou não… depende… se encontrar outros semelhantes… pode ser uma descoberta incrível! A descoberta do amor e da beleza e do prazer. De uma penada… Um mundo mais bonito em torno e uma data de amigos (impecáveis), como família. Pessoas semelhantes capazes de amar e com vontade de amar...
 
  … ou “the dark side of the moon”… para quem não ama. Pessoas semelhantes incapazes de amar em torno... É assim. Cada um (qualidade humana ou não) vive rodeado de seus “semelhantes”. As anomalias são raras. (“Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”).
 
… e pronto. E a violência. Andam para aí à solta “pessoas” ou “grupos de pessoas” que não conhecem a beleza nem o amor nem o prazer sexual. A coisa vai a tal ponto, que se tornam perigosas para os seus “semelhantes” (já de si, no geral, nada virtuosos, um pé dentro e outro fora da violência…) E daí para a frente é a ‘espiral de violência’… o culto da violência (filmes, jogos, pornografia de terceira (corpos objecto em interacção física, muitas vezes com violência), corrupção, roubo, mentira, abuso de confiança, e sabe-se lá mais… não acaba…
 
Ou experimentaram prazer com violência, ou violência com prazer, ou prazer sem “amor”, ou “amor” sem prazer, ou “amor” sem beleza, etc. (para quem não sabe o que é o amor, o amor não existe. Simplesmente não existe.) Só ama (se quiser) quem sabe amar. Quem não sabe, não pode, não tem ‘habilitações’ suficientes (instrução bastante) em matéria de ‘sabedoria do amor’.
 
E é assim. Pode ser que dia já existam alguns… ao cabo de uns milénios… no meio de muitos… pode ser que um dia aconteça… (Sabe-se lá? Se até o amor “acontece”?) Com a certeza de que serão poucos mas bons. Uns valentes… (digo eu, não sei…). E até pode ser que descubram mais coisas (além do amor e da beleza e do prazer), mais coisas que ainda não sabemos que existem… Podem existir… podem existir e não sermos capazes de as ver ou sentir… ainda... Ainda não termos amado o bastante para mais… e depois… ir além é ‘golpe de asa’… e ‘arte de amar’ (se possível muitos e bem e muito e a sério).
 
Enfim… é o meu “último grito” para a evolução da espécie Homo sapiens sapiens. Começaram a caçar animais e a lutar entre si, meios macacos (a amar qualquer coisa (como um macaco), um ou dois, a mãe e o irmão ou assim), foram por aí afora a inventar maquinetas e a destruir tudo… aos poucos começaram a amar mais e melhor e a lutar menos… até existirem uns tantos já capazes de amar (razoavelmente)… e até alguns que nasceram mesmo (só) para amar. Só sabem amar. Não sabem fazer de outra maneira. Não têm ‘habilitações’ para a violência (e muitos até preferem alimentar-se de vegetais e frutas e cereais…) Nasceram para amar. Por mais que sofram, só sabem amar. Os tais que às vezes “fogem”… isolam-se … em geral para tentarem aprender mais, outras coisas (além do amor e da beleza e do prazer). Mas começando a existir desta “estirpe” em número suficiente, a vida entre os outros (semelhantes e dissemelhantes) pode adquirir novas cores… (digo eu, não sei… é uma hipótese…)
 
"Tu verdadero trabajo es crear belleza.
Tu verdadera magia, desarrollar la atención.
Tu verdadera acción social, crear conciencia".
 
Alejandro Jodorowsky
 

34 comentários:

  1. Que grande lição, Salomé. Mais uma.

    (No parágrafo que começa com "Ou experimentaram prazer com violência" tens "não tem ‘habitações’ suficientes" mas deve ser "habilitações", certo?)

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  2. Este texto é de quem anda na vida a viver. E, são muito poucos os que assim andam! Sorte (ou não) de quem consegue essa vitória.!!JaqC

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    1. É mesmo, Jaqueline. E a Salomé bem que nos quer ensinar.

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    2. ... ah se eu pudesse! Desse por onde desse era já. Desse por onde desse... se dependesse de mim todos os Homo sapiens sapiens acordariam para o amor e para a beleza e para prazer e era já amanhã! Todos acordariam numa nova realidade... espantados, muito espantados, por terem até aqui aproveitado tão mal e tão pouco as suas curtas existências... Se dependesse de mim era já. Mas não sendo, no que estiver ao meu alcance, ainda assim será... Soma... Vai somando... Água mole em pedra dura... um dia fura! :O)

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    3. ... já tenho outra ideia na manga... ou melhor, está na panela a ferver... em lume brando... A parte pior é que às vezes a cabeça me aquece tanto que tenho que ir pensar para dentro da piscina ou da banheira... :O)

      ... e de resto... o curso é como a água da chuva... e tem dias(acontece) de regar o nabal à hora certa... é conforme... há superfícies que absorvem mais e outras menos...

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    4. A malta em Coimbra tira o curso do Mondego.

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    5. ... isso é um rio muito grande, não é?

      Por cá é mais o curso do Tejo... (o meu é maior que o teu! nhã-nhã-nhã!)

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    6. O meu já tem sítios onde não cabe!

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  3. Espíritos sábios em corpos docentes, como diz o outro...

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    1. Sim, aquele que fica uma beleza dentro de vós. (salvo seja...)

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    2. Quem?? Onde?? :O)

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    3. Shark, traz um espelho à menina.

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    4. Depressa que tenho um cisco no olho! :O)

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    5. Que mania tu tens! Não me faças perguntas difíceis! :O)

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    6. E tens a certeza que é um cisco?

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    7. Acho que sim...

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    8. Eu nem sei o que é um cisco!

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  4. Respostas
    1. Mas também fica giro com barbatanas.

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    2. Também tu, barão, voas com as asas que o mar te deu...

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    3. Ensopado, na perspectiva dos restaurantes chineses...

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    4. ... pela água ou pelo ar o que importa é voar... pela terra também...

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  5. O enshark em terra é mais assim o paraíso do leitão.

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